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Allianz e Impact Hub anunciam finalistas de programa de aceleração de empreendedorismo social

Denise Bueno
Escrito por Denise Bueno

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Os negócios de impacto social, Ver Bem e Carlotas, são os finalistas brasileiros do Investment Ready Program ‘Encouraging Future Generations’, programa internacional de aceleração promovido pelo Grupo Allianz em parceria com o Impact Hub. Em junho, representantes das duas startups embarcam para Munique, onde disputarão a injeção de capital de 40 mil euros, cerca de 160 mil reais, com selecionados dos outros três hubs da iniciativa, Alemanha, Malásia e Turquia.

Os dois empreendimentos foram selecionados por se destacarem na promoção de soluções escaláveis para inclusão social de crianças e jovens. Enquanto o Ver Bem atua em prol da saúde, o Carlotas está voltado à educação deste público.

“A Ver Bem surgiu a partir de dados como: 680 milhões de pessoas no mundo precisam de óculos e não podem pagar; 42 milhões de cidadãos brasileiros necessitam usar óculos, mas ainda não tiveram esse diagnóstico; 22,9% dos alunos brasileiros saem dos colégios por problemas de visão – é o maior motivo de evasão escolar no País e a terceira maior taxa global”, conta Ralf Toenjes, um dos fundadores do empreendimento.

A Ver Bem é um negócio social, cujo objetivo é fortalecer a operação da Renovatio, ONG, que leva saúde visual para diversas comunidades carentes de todo o Brasil. Sendo assim, a  Ver Bem comercializa óculos a preços acessíveis, com o valor abaixo do mercado. A cada par de óculos vendido da “linha de impacto”, que custa a partir de R$ 179,00, um é doado para a ONG.

A Carlotas nasceu de um insight da artista plástica Carla Douglass durante uma roda de conversa com crianças sobre artes. Carla expôs alguns de seus desenhos e seus traços particulares chamaram a atenção. Depois de inúmeras perguntas e respostas, a artista e os estudantes chegaram à conclusão de que não existe “um perfeito, mas, sim, vários perfeitos”.

Carla e os alunos acabavam de desconstruir padrões e quebrar o silêncio de três meses de Eric, um garoto em vulnerabilidade social, sob os cuidados de um abrigo devido a conflitos familiares. Bastante impactada pelo resultado da atividade, Carla saiu da escola e procurou a amiga Fabiana. A partir daquele dia, elas começaram a estudar o porquê de Eric ter reagido tão prontamente ao estímulo da artista. “Após pesquisas e laboratórios, chegamos a uma abordagem única baseada em arte e ludicidade, hoje aplicada por meio de materiais, programas e oficinas em salas de aula e no universo corporativo”, conta Fabiana Gutierrez, sócia-fundadora do Carlotas.

A Carlotas, acima de tudo, é uma empresa de propósito social cujos pilares são diversidade, respeito e empatia para o desenvolvimento de competências socioemocionais e a gestão de conflitos. “Parte do faturamento conquistado com o emprego da metodologia em escolas e empresas privadas é revertido à aplicação gratuita de programas na rede pública de ensino. Hoje, atendemos 14 turmas mensais de cinco instituições e queremos ampliar esse impacto social. Precisamos, então, nos estruturar para captar mais investimentos”, conta Gutierrez.

Até chegarem à etapa europeia, o Ver Bem e o Carlotas estão passando por um processo estruturado de revisão e aprimoramento de seus modelos de negócio e preparação para crescimento, aqui no Brasil. Ele inclui mentorias com colaboradores da Allianz, como também consultorias com as equipes da Boston Consulting Group (BCG) e do Derraik & Menezes Advogados, escritório de direito empresarial. O objetivo é garantir que as startups estejam prontas para receber o investimento para alavancagem e escala.

“Acompanhar o desenvolvimento desses empreendimentos sociais é inspirador. Eles fazem os nossos colaboradores se aproximarem de realidades diversas e ficarem motivados a devolver à sociedade conhecimentos acumulados, ao serem mentores do programa. A Allianz Brasil é referência no encorajamento de gerações futuras, com a Associação Beneficente dos Funcionários do Grupo Allianz (ABA) há mais de 20 anos, e esse é um dos motivos que faz ela estar entre os hubs da iniciativa”, diz Mário Jorge, diretor de Relações Institucionais, Comunicação e Sustentabilidade da Allianz Seguros, durante encontro de trabalho com o time de mentores, experts e empreendedores ocorrido na sede da seguradora, em São Paulo.

O Investment Ready Program ‘Encouraging Future Generations’ vem auxiliando o Ver Bem, principalmente, em seus desafios de abertura de lojas físicas e Recursos Humanos, aqueles voltados à atração e retenção de talentos e criação de uma marca empregadora. “Temos que formar uma equipe com habilidades e competências comerciais para expandir o negócio, seja territorialmente ou por meio da diversificação dos canais de vendas. Esses colaboradores precisam estar imersos na cultura do terceiro setor e serem altamente estratégicos”, aponta Toenjes.

A demanda do Carlotas é outra. Logo na primeira mentoria, a Fabiana Gutierrez sinalizou ao Cido Rodrigues, superintendente financeiro da Allianz Seguros, que o empreendimento precisava, sobretudo, de aprimoramentos administrativo-financeiros. “Estou indicando à Fabiana alguns modelos financeiros, para que o Carlotas tenha planejamento de caixa e precificação mais eficientes. Isso significa poder enxergar à frente, o desenvolvimento do negócio”, explica Rodrigues.

”O Impact Hub é uma organização brasileira, globalmente conectada que apoia, cataliza e fomenta a jornada empreendedora em todo o mundo. O Programa incentiva as empresas que buscam soluções de impacto para os diversos desafios e o nosso papel é acelerar esses negócios com mentorias, capacitações, conexões e acesso a capital” Ruy Camargo, diretor de Projetos de Aceleração do Impact Hub São Paulo.

A próxima etapa contempla uma semana de capacitação aprofundada na Alemanha. Após essa fase, será conhecido o empreendimento dos quatro países com maior impulso social às próximas gerações.

Sobre a Autora

Denise Bueno

Denise Bueno

Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista da revista Apólice, especializada em seguros, e também do SindSeg-SP. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalizacao entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil.

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