Seguradoras registram lucro não consolidado de R$ 7,7 bi no 1o. quadrimestre de 2015

O mercado segurador registrou lucro líquido não consolidado tecnicamente de quase R$ 7,7 bilhões no primeiro quadrimestral de 2015, 35% acima dos R$ 5,6 bilhões do mesmo período de 2014. Excluindo o resultado de coligadas e controladas, o lucro operacional já descontado os tributos cai para R$ 5,3 bilhões de janeiro a abril de 2015, 57% acima dos R$ 3,3 bilhões do mesmo período de 2014, segundo estudo divulgado nesta quarta-feira pelo consultor Luiz Roberto Castiglione, com base nos dados estatísticos divulgados pela Superintendência de Seguros Privados (Susep).

A taxa média de retorno do patrimônio líquido foi equivalente a uma aplicação financeira com remuneração anual de 32,50% contra 25,41%. O índice combinado foi 86,45% dos prêmios e contribuições ganhas contra 88,94% do ano passado. De acordo com o estudo, a margem de seguros foi equivalente 23,4% dos prêmios ganhos contra 20,4% de 2014. Já a margem de previdência tradicional + VGBL + PGBL representou 11,1% das rendas e contribuições contra 12,6% do ano passado. O conjunto obteve uma margem global equivalente 28,4% dos prêmios e contribuições ganhas contra 21,9% de 2014.

Castiglione afirma que esses desempenhos decorrem dos seguintes pontos:

a) O volume de produção considerando o VGBL somou R$ 55,3 bilhões nos primeiros quatro meses de 2015, 18,5% acima dos R$ 46,7 bilhões do mesmo período de 2014. Excluindo esse produto o total de vendas em seguros passa a ser de R$ 30,3 bilhões contra R$ 28,5 bilhões do ano passado um incremento de 6,1% (inferior à inflação média do período – 12 meses – IPCA = 8,17%). Veremos mais adiante que as pequenas variações se concentraram exatamente naqueles produtos que eram incentivados pelo Governo até o ano passado. No que tange ao VGBL temos um crescimento atípico devido as transferências de aplicações financeiras menos rentáveis (poupança) para o VGBL;

b) No segmento de seguros com a queda nas vendas tivemos uma redução no incremento da provisão de prêmios não ganhos fazendo com que os prêmios ganhos somassem R$ 26,5 bilhões contra R$ 24,1 bilhões de 2014 um crescimento de 9,9%. Como os sinistros cresceram somente 4,7% o mercado apurou uma sinistralidade de 48,9 % dos prêmios ganhos em 2015 contra 51,2% do ano passado. Cabe lembrar que os prêmios ganhos atuais são fruto, em grande parte, do RUN ON de 2014 e com a queda na atividade econômica a precificação se tornará mais acurada além, obviamente, do repasse da inflação;

c) Considerando que as despesas de comercialização e as outras R/D. Operacionais apresentam comportamentos bem parecidos com 2014 a Margem de Seguros representou 23,4% dos prêmios ganhos em 2015 contra 20,4% do ano passado, um aumento gerado por uma boa precificação técnica (sinistralidade menor);

d) Já o segmento de Previdência e VGBL também apresentou um maior impacto de provisões técnicas em função do crescimento do VGBL. Com isso sua margem ao final representou 11,1% das Rendas e Contribuições contra 12,6% de 2014. Com a perda do poder aquisitivo e as transferências de aplicações menos rentáveis a tendência é de crescimento menos acentuado;

e) Com Custos Administrativos comportados o Mercado gerou uma Combined Ratio de 86,45% dos prêmios e contribuições ganhas contra 88,94% do no anterior. Com o crescimento da taxa básica de juros o Resultado Financeiro apresentou um crescimento de 51,5% fazendo com que a Rentabilidade Operacional passasse de 21,9% dos prêmios e contribuições ganhas para 28,4% em 2015.

Resseguros:

Da mesma forma que no mercado de seguros (gerador de resseguros) o mercado interno de resseguros também foi afetado pela situação da economia. Entretanto, apresentou um crescimento de vendas da ordem de 52,6%. Segundo o consultor, esse desempenho só foi possível devido a maior retenção de prêmios pelo mercado interno, que absorveu 76,36% dos resseguros gerados no mercado de seguros contra 55,50% do ano passado. Essa é a explicação para o desempenho.

O lucro líquido foi da ordem de R$ 192,9 milhões contra R$ 44,5 milhões do ano passado, um crescimento de 333,9%. A taxa média de retorno do patrimônio líquido foi equivalente a uma aplicação financeira com remuneração anual de 13,77% contra 3,82% do ano anterior.

Segundo o estudo, essa performance está relacionada com os seguintes pontos:

a) Maior retenção dos negócios (resseguros) gerados no Mercado de Seguros proporcionando um prêmio ganho de R$ 1,0 bilhão contra R$ 668,3 milhões de 2014, um crescimento de 56,8%;

b) Redução da sinistralidade retida de 72,7% dos prêmios ganhos para 56,9% dos mesmos em 2015. Só aqui uma variação favorável de R$ 164 milhões;

c) Ganhos de escala nos custos administrativos. Esses representaram 12,2% dos prêmios ganhos contra 16,2% do ano passado. Uma variação favorável de R$ 43 milhões;

d) Aumento dos ganhos financeiros em função da constante elevação da taxa básica de juros. O Resultado Financeiro somou R$ 278,4 milhões contra R$ 168,5 milhões de 2014, um crescimento de 65,2%.

A Combined Ratio foi equivalente a 96,52% dos prêmios ganhos contra 115,24% do ano passado. Já a rentabilidade operacional passou de 9,97% dos prêmios ganhos para 30,05% no período em foco.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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