Lloyd’s of London sinaliza problemas para a indústria mundial

Mais um comunicado oficial importante. Apesar de estar dedicada a outros trabalhos neste momento, o que me tira da deliciosa tarefa de acompanhar a indústria de seguros, tenho de colocar aqui algumas notícias importantes. O balanço do semestre do Lloyd’s of London, o maior mercado de seguros do mundo, é uma delas. Afinal, esse mercado de mais de três séculos dita muitas das regras do setor, assim como preços, coberturas e inovações. Se ele divulga hoje prejuízo, melhor todos ficarem atentos. Isso é um sinal de endurecimento das condições de negociações daqui para frente. Principalmente porque esses resultados se referem ao primeiro semestre. O que está por vir neste segundo semestre, com o agravamento da crise financeira em diversos países, só deverá complicar ainda mais o cenário de 2011.

Segue abaixo a íntegra do release em português, divulgado pelo escritório brasileiro do Lloyd’s. As notas as editores trazem importantes explicações.

O Lloyd’s, líder no mercado de seguros especializados do mundo, anunciou hoje um prejuízo intermediário antes dos impostos no valor de 697 milhões de libras (US$1.122 milhão) para o período semestral encerrado em 30 de junho de 2011 (£628 milhões de lucro, junho de 2010). O resultado é consequência dos seis primeiros meses mais difíceis jamais registrados em relação a grandes catástrofes para o ramo de seguros, com 2011 já provavelmente detendo o recorde de segundo ano de maior prejuízo para as seguradoras.

O mix de investimentos conservadores do Lloyd’s resultou em um retorno positivo de 548 milhões de libras (US$883 milhões), apesar da continuada volatilidade nos mercados financeiros. Os ativos centrais tiverem um recorde de alta, deixando o mercado bem capitalizado, a despeito do alto nível de reclamações.

O Chairman do Lloyd’s, Lord Levene, disse: “2011 já está sendo um dos anos mais desafiadores jamais registrados para o ramo de seguros, com grandes catástrofes naturais devastando comunidades na Austrália, Nova Zelândia, Japão e EUA. A capacidade do Lloyd’s de pagar bilhões em reclamações para ajudar essas comunidades é inquestionável e o fato de termos conseguido fazer isso sem lançar mão de nossas reservas de capital central dá testemunho da boa gestão de exposição de mercado.”

O Presidente do Lloyd’s, Richard Ward, acrescentou: “Estamos vivendo tempos difíceis no ramo de seguros, mas estamos bem posicionados para enfrentá-los. Apesar de termos incorrido em US$10,8 bilhões em reclamações no primeiro semestre mais difícil da história, o Lloyd’s entrou no segundo semestre do ano com US$92 bilhões em ativos líquidos* para dar respaldo a nossos negócios e pagar reclamações. No entanto, enquanto as taxas de juros estiverem baixas e os mercados acionários estiverem voláteis, não podemos contar com receita de investimentos para subsidiar nossa subscrição, temos que declinar riscos sub-precificados.”

Notas aos Editores:

1. Uma cópia do Relatório de Resultados Intermediários do Lloyd’s e apresentação a analistas pode ser acessada em: www.lloyds.com/2011interims

2. Um índice combinado é uma medida de lucratividade de underwriting de uma seguradora com base no índice de reclamações incorridas líquidas mais despesas operacionais líquidas em relação a prêmios ganhos líquidos. Um índice combinado de 100% é o ponto de equilíbrio. Um índice superior a 100% significa prejuízo e inferior a 100% significa lucro.

3. *As instituições correlatas registraram uma média estimada de 117% para as Bermudas (junho de 2010, 95%) (i); 116% para as resseguradoras dos EUA (junho de 2010, 99%) (ii); 109% para seguradoras especializadas em propriedade e riscos de responsabilidade (junho de 2010, 101%) (iii); e 106% para seguradoras e resseguradoras europeias (junho de 2010, 101%) (iv).

4. Fontes de cifras de índices combinados para grupos correlatos internacionais (i) Retorno das companhias das Bermudas/análise do Lloyd’s (agosto de 2011), (ii) seguros e resseguros nos EUA – Associação de Resseguros da América (setembro de 2011), (iii) ramo de seguros de propriedade e riscos de responsabilidade nos EUA – Instituto de Informações sobre Seguros (estimativa – setembro de 2011), (iv) ramo de propriedade e riscos de responsabilidade e seguros e resseguros na Europa, Retorno das companhias/análise do Lloyd’s (agosto de 2011).

5. Os ativos centrais incluem os ativos do Fundo Central e os outros ativos da Companhia. No total, o valor dos ativos centrais do Lloyd’s, excluindo a faixa resgatável e responsabilidade em relação à divida subordinada, montou a 2.472 milhões de libras em junho de 2011 (US$3.980 milhões) (2.232 milhões de libras, junho de 2010).

6. Os saldos devidos a/de Membros e Fundos representam o total dos recursos de cada membro. Esses recursos operam em bases variadas e só estão disponíveis para alcançar a parcela de reclamações de cada membro. Os Ativos Centrais estão disponíveis, a critério do Conselho, para atender às responsabilidades de qualquer membro em bases mútuas.

7. *O Lloyd’s tem US$92 bilhões em ativos líquidos disponíveis para atender a reclamações líquidas futuras. Isso representa os recursos totais da Society of Lloyd’s e de seus membros antes da dedução de provisões técnicas líquidas detidas.

8. As taxas de câmbio podem variar substancialmente em relação às taxas vigentes em 30 de junho de 2011 (£1 = US$1,61, £1 = €1,11) aplicadas em 30 de junho de 2011.

9. Esse comunicado a imprensa refletem demonstrações de previsões futuras. Elas refletem expectativas, projeções e previsões atuais sobre eventos e desempenho financeiro futuros. Todas as questões referentes a demonstrações de previsões futuras envolvem riscos, incertezas e pressuposições. Com base em vários fatores, os resultados reais podem variar substancialmente em relação aos previstos nas demonstrações de previsões futuras.

Esses fatores incluem, entre outros:
– As taxas e os termos e condições das apólices podem variar em relação aos previstos.
– Sinistros reais pagos e o cronograma desses pagamentos podem variar em relação a sinistros estimados e cronogramas de pagamentos estimados, levando-se em conta a natureza preliminar dessas estimativas.
– A atividade de reclamações e sinistros pode ser maior ou mais grave do que o previsto, em resultado de eventos catastróficos naturais ou causados pelo homem.
– A concorrência que afeta a base de fixação de preços, capacidade, termos de cobertura e outros fatores pode ser maior do que a prevista.
– Resseguros colocados com terceiros podem não ser totalmente ressarcíveis ou podem não ser pagos pontualmente ou esses resseguros podem não estar disponíveis ou não estar disponíveis em termos comercialmente atrativos.
– Desdobramentos nos mercados financeiro e de capitais podem afetar adversamente investimentos de capital e prêmios ou a disponibilidade de capital em ações ou dívida.
– Mudanças nos ambientes jurídico, regulatório, fiscal ou contábil em países relevantes podem afetar adversamente (i) a capacidade do Lloyd’s de oferecer seus produtos ou atrair capital, (ii) a experiência de sinistros, (iii) o retorno financeiro ou (iv) a competitividade.
– Contração econômica e outras mudanças nas condições econômicas gerais podem afetar adversamente (i) o mercado de seguros em geral ou de certos produtos oferecidos pelo Lloyd’s ou (ii) outros fatores relevantes para o desempenho do Lloyd’s.

10. A lista de fatores acima não é abrangente e deve ser lida juntamente com outras declarações de advertência incluídas no presente ou em outros textos. O Lloyd’s não assume qualquer obrigação de atualizar ou revisar qualquer demonstração de previsões futuras, devido à obtenção de novas informações, futuros desdobramentos ou outros.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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