Seguro pioneiro contra a cólera para empreendedoras no Haiti

A Swiss Re, uma das maiores resseguradoras do mundo, divulgou hoje um comunicado interessante sobre as várias possibilidades do resseguro ajudar governos a mitigar riscos. Neste caso foi o de doenças, a que todos os países estão expostos. No Brasil, por exemplo, temos surtos de meningite. Veja o que a indústria de seguros pode fazer para ajudar nesses casos.

Veja a íntegra do comunicado da Swiss Re

Os casos de cólera começaram aparecer no Haiti após as chuvas torrenciais que castigaram o país no início de 2011. Essa situação motivou a Fonkoze, a maior organização de microfinanciamento do país, a Mercy Corps e a Swiss Re – todos parceiros na MiCRO (Microinsurance Catastrophe Risk Organization – Organização de Microsseguros contra Risco de Catástrofes) – a assumir o compromisso de desenvolver e realizar um novo esquema de seguro contra a cólera que garanta a indenização em “tempo real” uma vez que um conjunto pré-definido de critérios seja preenchido. Incluem-se aí hospitalizações relacionadas à cólera e fatores climáticos observáveis ligados a surtos de cólera.

Essas apólices paramétricas, que empregam um índice específico para refletir com precisão as situações locais efetivas, são particularmente eficientes, pois podem proporcionar fundos mesmo enquanto os titulares de apólices aguardam exames médicos ou outras avaliações. Prevê-se que o esquema disponibilize coberturas contra a cólera para as tomadoras de Fonkoze (que atualmente chegam a 50.000) e suas famílias, e que esteja plenamente implementado até 2013.

Michel Liès, Presidente de Parcerias Globais da Swiss Re, explicou que o seguro contra a cólera se basearia no produto existente da MiCRO no Haiti, uma cobertura de microsseguro contra catástrofes naturais lançada no início de 2011, que oferece proteção para as clientes da Fonkoze contra a perda de meios de subsistência causada por terremotos, inundações e furacões. A solução contra catástrofes naturais recentemente foi agraciada com a premiação “2011 Company Launch of the Year” (Lançamento empresarial do Ano 2011) pela publicação do setor de seguros global The Review, e foi reconhecida como “o novo empreendimento mais significativo em uma área de necessidade do mercado” do ano.

“Cerca de 4.000 mulheres que perderam suas casas ou bens de negócios nas enchentes ocorridas no início deste ano já receberam indenizações no valor de US$ 1 milhão. Esperamos que essa apólice contra a cólera seja igualmente eficaz para garantir que a infecção de um provedor de renda não acarrete dificuldades para a família inteira”, afirmou Liès. “Prevemos, também, que o índice que criamos para a MiCRO possa ser aplicado a outras doenças infecciosas em outras partes do mundo.”

Fortalecimento de agricultores carentes no Senegal para lidar com o risco do clima

Em seu segundo compromisso com a CGI, a Swiss Re está trabalhando com a Oxfam America, o Programa Mundial para a Alimentação (WFP) e o USAID (patrocinador do WFP) para levar ao Senegal um programa de “seguro trabalhista” que dará a dezenas de milhares de pequenos agricultores carentes do país recursos para manter seus meios de subsistência apesar do possível impacto da mudança do clima na produtividade da lavoura.

Conhecida como R4 – iniciativa de capacidade de recuperação em áreas rurais, o projeto do Senegal é uma extensão de um projeto-piloto de sucesso na Etiópia da Swiss, da Oxfam America e outros parceiros , e que será expandido para outros países futuramente.

A Swiss Re irá capitanear a criação e implementação de soluções de transferência de risco que permitam a esses agricultores gerenciar sua vulnerabilidade às mudanças do clima, e contribuirá com US$ 1,25 milhão ao longo de cinco anos para a implementação e expansão da iniciativa.

Atualmente, o esquema traz os benefícios do seguro para 13.000 famílias africanas (eram 200 família beneficiadas à época do lançamento, em 2009) e pretende acrescentar mais 18.000 só no Senegal até 2016. Dessas, prevê-se que 15.000 paguem pelo seguro com trabalho, e que as 3.000 paguem em dinheiro.
O projeto R4 torna o seguro acessível mesmo para os membros mais carentes de uma comunidade por lhes oferecer a opção de pagar pelos prêmios com trabalho. Esse programa inovador de seguro pago com trabalho irá envolver os agricultores em projetos locais de irrigação e silvicultura com o intuito de reduzir o impacto da mudança do clima em suas aldeias.

Afirmou Liès: “O seguro é uma das pedras angulares do crescimento e estabilidade econômica, e a Swiss Re tem o orgulho de contribuir com nosso conhecimento para que mesmo os agricultores mais carentes e suas famílias possam sobreviver quando suas culturas forem arruinadas por secas, enchentes ou outros impactos climáticos. Demonstramos que até os agricultores desprovidos de renda podem construir um futuro melhor por meio da troca de trabalho por seguro, de formas que também contribuam para fortalecer suas comunidades.”

O conceito R4 baseia-se em quatro pilares de gerenciamento do risco: redução do risco da comunidade, assunção de risco produtivo, transferência de risco e reservas de risco que, juntos, criam capacidade de recuperação na área rural. Na qualidade de única (res)seguradora comercial integrante do conselho consultivo estratégico do R4, a Swiss Re irá liderar a criação e implementação dessas soluções revolucionárias de transferência de risco na Etiópia e no Senegal.

O poder da parceria

Em todo o mundo, a gravidade e frequência crescentes das catástrofes naturais e dos impactos da mudança do clima estão elevando os custos dos esforços de socorro pós-desastres e reconstrução. O grande hiato entre perdas econômicas e sinistros efetivos é bastante problemático nos mercados em desenvolvimento e emergentes, que geralmente são os que sofrem os maiores impactos e os menos preparados.

“É com orgulho que contribuímos com nosso conhecimento da área de seguros para parcerias fortes, como a R4 e a MiCRO, que visam permitir que os mais vulneráveis se recuperam com maior rapidez após a ocorrência de desastres. É importante para a Swiss Re que as parcerias das quais participamos contem com parceiros de credibilidade, que incorporem uma perspectiva de longo prazo com possibilidade de ampliação e transferência, beneficiando assim mais pessoas ao longo do tempo, e em mais regiões,” concluiu Liès.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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