Allianz e Munich Re divulgam perdas com Grécia

Os mercados acionários continuam em pânico nesta sexta-feira, depois de ter amargado ontem o pior dia desde setembro de 2008, com a falência do Lehman Brothers. Neste cenário de incertezas, onde todos buscam um lugar seguro para aplicar, as seguradoras e resseguradoras divulgam seus balanços do segundo trimestre, com o acumulado do primeiro semestre. A tendência é de uma piora no segundo semestre, em razão das perdas na carteira de investimentos, em razão da atual instabilidade. A indústria de seguros tem uma carteira de investimento superior a US$ 23 trilhões, com boa parte dos recursos aplicados em títulos soberanos.

Em geral, o desempenho revelado pelos balanços financeiros é favorável, principalmente se considerarmos que o setor pagou indenizações volumosas aos segurados que tiveram perdas com as catástrofes naturais ocorridas neste ano. Para se ter uma idéia, as enchentes na Austrália registraram perdas econômicas de US$ 7,3 bilhões, dos quais as seguradoras pagaram indenizações de US$ 2,5 bilhões.

Pelas chuvas e tornados nos EUA em maio, com danos econômicos de US$ 7 bilhões, o mercado de seguros já acumula pedidos de indenizações de US$ 4,9 bilhões. Em abril, pelo mesmo motivo nos EUA, os danos causados geraram perdas econômicas de US$ 7,5 bilhões, sendo que US$ 5 bilhões tinham cobertura de seguro. Na Nova Zelândia, as enchentes deixaram perdas econômicas de US$ 20 bilhões, sendo que US$ 10 bilhões contavam com apólices de seguros. E a mais catastrófica de todas, o terremoto seguido de tsunami no Japão, em maio. As perdas econômicas chegaram a US$ 200 bilhões, sendo que a indústria de seguros arcou com cerca de US$ 30 bilhões, segundo dados da Munich Re.

O resultado líquido da Allianz, maior seguradora do mundo, recuou 7,4%, para 1 bilhão de euros no segundo trimestre deste ano, abaixo dos 1,28 bilhão do segundo trimestre do ano anterior, principalmente pela perda de marcação a mercado dos títulos gregos, com impacto de 326 milhões de euros. Apesar do recuo, o CEO do grupo alemão, Michael Diekmann, informou em nota que os resultados são sólidos, tendo em vista o elevado volume de indenizações pagas no período decorrentes de catástrofes naturais.

O faturamento do grupo alemão também recuou 3,2%, para 24,6 bilhões de euros no segundo trimestre deste ano, comparado com o mesmo período do ano passado. Segundo comenta Diekmann na nota, a diversificação geográfica e também de negócios do grupo ajudou a manter os resultados fortes, mesmo diante da instabilidade em diversos mercados. Ele reafirmou a expectativa de lucro operacional para 2011 entre 7,5 bilhões de euros e 8,5 bilhões de euros.

A Munich Re divulgou resultados penalizados pela marcação a mercado, com impacto no segundo trimestre de 125 milhões de euros. O lucro líquido avançou para 738 milhões de euros, pouco acima dos 709 milhões de euros. No semestre, no entanto, a Munich Re apresentou perdas de 210 milhões de euros, comparado a lucro de 1,2 bilhão de euros no primeiro semestre de 2010. Os prêmios avançaram para 25 bilhões de euros no semestre, alta de 10% comparado ao mesmo período do ano anterior.

O índice combinado chegou a 133%, muito acima dos 106% do primeiro semestre de 2010, impactado, principalmente, pelo terremoto no Japão e enchentes na Nova Zelândia. Nikolaus von Bomhard, presidente do Consellho da Munich Re, comentou que apesar do semestre ter registrado um número excepcional de catástrofes, tendo as seguradoras e resseguradoras como meio de reconstruir muito do que foi destruído, os resultados da indústria continuam fortes. A boa notícia é de que a previsão é de uma temporada de baixa ocorrência de furações nos EUA. O executivo também afirmou que a previsão de prêmios de resseguros para o ano de 2011 é de 26 bilhões de euros (U$ 36,7 bilhões). Em seguros, a previsão tem um intervalo maior, de 17 bilhões de euros a 18 bilhões de euros.

Ontem, a Swiss Re divulgou seus resultados, onde praticamente não relatou impactos da renogociação da dívida da Grécia. O lucro líquido chegou a US$ 960 milhões no segundo trimestre de 2011, alta de 18%, com retorno sobre o patrimônio de 15,6%. Segundo informa a nota divulgada à imprensa, a volatilidade dos mercados financeiros em virtude dos recentes problemas que envolvem a dívida soberana na Europa continua a preocupar. Após começar a dar passos decisivos no final de 2009, visando reduzir a exposição, a dívida soberana de títulos públicos europeus não classificados como AAA, a Swiss Re detém agora apenas US$ 78 milhões em dívidas soberanas emitidas por países periféricos da zona do euro. A exposição da empresa a dívidas soberanas da Grécia é nula.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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