Operadoras querem planos de saúde específicos e no formato ‘pay-per-view, destaca o Estadão

O Estadão traz interessante notícia numa semana em que o tema Saúde deve ser o grande destaque na mídia, com a realização do 5. Congresso de Saúde, que acontecerá em Brasília, no dia 24.

Segundo a reportagem, o Congresso e governo receberam de operadoras de saúde uma proposta para abrandar as regras que regulamentam o setor. A ideia apresentada pelo grupo é facilitar a oferta de planos individuais, permitindo a criação de contratos com menor cobertura e mensalidades mais baixas.

Caso a solicitação seja atendida, será possível a oferta de planos para atender apenas determinados tipos de doença – como cardíacas ou renais – ou para procedimentos específicos. A ideia é fazer um “pay-per-view” da saúde, em que clientes montam o plano de atendimento conforme seu interesse e pagam de acordo com as opções que incluírem.

Se a proposta for aceita, poderá haver no mercado convênios que não façam atendimento para câncer ou problemas renais, por exemplo. Pacientes que necessitarem do tratamento, e não tiverem previsão de cobertura, terão de recorrer ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Especialistas em saúde preventiva e direito do consumidor ouvidos pelo Estado dizem temer que, uma vez aceita essa modalidade, planos deixem de colocar no mercado modalidades de coberturas que impliquem tratamentos muito caros. Ou, então, que cobrem preços proibitivos.

Pela proposta, esses novos contratos não responderiam às regras atuais para reajuste. Os porcentuais seriam determinados caso a caso, de acordo com a característica de cada carteira. Operadoras reivindicam ainda o fim da proibição do reajuste por idade para usuários com mais de 60 anos, a possibilidade de o setor privado “alugar” equipamentos do SUS para atender clientes, a permissão do uso da telemedicina, prazos mais longos para a regra que fixa um limite de espera para a obtenção de uma consulta ou terapia e punições mais leves em caso de descumprimento de regras.

Uma carta com as diretrizes gerais foi encaminhada para o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEMRJ). O assunto também é debatido por um grupo restrito de parlamentares. De acordo com assessores de Maia, ele ainda não fez uma análise aprofundada do tema. A intenção de operadoras é de que a pauta comece a ser debatida tão logo a reforma da Previdência seja concluída.

Governo. A reportagem apurou que parte das mudanças conta com o apoio do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que no passado foi presidente da Unimed. O setor tem ainda outro aliado no governo: Rogério Marinho, atual secretário especial de Previdência. Há dois anos, como deputado federal, Marinho foi relator de um projeto na Câmara para reformular a atual Lei de Planos de Saúde.

Em vigor desde 1998, essa legislação fixa garantias mínimas de atendimento para usuários. Atualmente não é permitida a existência de planos segmentados que ofereçam, por exemplo, apenas alguns tipos de consultas. Há ainda a garantia de acesso a um rol mínimo – uma lista de exames e terapias que são de oferta obrigatória. O rol é atualizado periodicamente pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

O relatório apresentado por Marinho apresentava muitas semelhanças com as sugestões agora feita pelas operadoras de saúde. Na época, no entanto, a discussão não avançou, uma vez que havia resistência de empresas que atuam como administradoras de planos.

O presidente da Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge), Reinaldo Scheibe, avalia que o relatório inicial era muito extenso, o que aumentava os riscos de pontos divergentes. A estratégia agora é apresentar uma proposta enxuta, com pontos em que todo o setor esteja de acordo.

O Estado teve acesso à carta encaminhada para o Legislativo com as principais reivindicações. Com 11 páginas, o documento sugere ainda a reativação do Conselho de Saúde Suplementar, uma instância que, para analistas, esvaziaria as atribuições da ANS. Caberia ao conselho definir as estratégias principais do setor, incluindo as regras para reajustes de planos.

Procurado, o ministro da Saúde afirmou que não teria como comentar as propostas neste momento. Mandetta argumentou que planos são de responsabilidade da ANS, quando envolvem resoluções e normas para o setor, e do Congresso, em relação à legislação.

Ideia é estancar perda de clientes; coletivos também estão na mira

Em outra reportagem, o Estadão afirma que a mudança na lei e a criação de formatos mais acessíveis é considerada por empresários do setor uma alternativa para atender pessoas que deixaram o mercado de trabalho formal e hoje estão sem cobertura. A saúde suplementar perdeu, entre 2014 e junho de 2019, cerca de 3 milhões de beneficiários. Atualmente, 47 milhões de pessoas têm algum tipo de plano de saúde. Desse total, 30 milhões têm planos coletivos empresariais.

Contratos individuais foram aos poucos deixando de ser ofertados no mercado com a lei de 1998. Ela estabelece uma lista de procedimentos mínimos e regras claras para o reajuste das mensalidades. O documento a que o Estado teve acesso, preparado pelas entidades, argumenta haver um risco de a saúde suplementar se transformar em um “artigo de luxo destinado a uma pequena parcela da população”. O documento atribui o cenário atual ao aumento de custos médicos, à tributação excessiva e às distorções na regulação do setor.

As entidades criticam ainda o rol de procedimentos médicos. E reivindicam que a lista seja substituída por protocolos – que contariam com a participação de representantes de operadoras de saúde. “Está clara a intenção de reduzir o acesso”, critica a professora da Universidade Federal do Rio Lígia Bahia.

E a proposta não se restringe à criação de planos individuais com regras mais brandas. Há também um esforço por convênios empresariais com coberturas menos extensas. O presidente da Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge), Reinaldo Scheibe, afirma haver uma demanda de empresários por contratos mais simples. “A lei exige uma Ferrari, mas o mercado consegue pagar por um carro mais simples. Não seria melhor atender?”

Integração. O documento propõe ainda a integração entre saúde pública e privada. Scheibe afirma que isso pode ser feito com base no compartilhamento do histórico do paciente. Hoje, afirma, se um paciente do SUS é atendido na rede privada não há como ter acesso a exames ou prontuários. Essa interação, completa, poderia se dar também por meio do pagamento direto de empresas de planos de saúde para o SUS. Hoje, a regra determina o ressarcimento dos gastos.

O presidente da Abramge cita como exemplo o caso de um usuário de plano de saúde que sofre um acidente e é encaminhado para um hospital do SUS. “Por que não pagar diretamente a diária e, numa segunda etapa, transferi-lo para uma unidade do plano?” Questionado sobre a carta enviada para alguns parlamentares, Scheibe afirmou se tratar apenas de linhas gerais, um primeiro passo para fazer discussões mais aprofundadas.

Brasil sediará conferência do grupo mundial de corretores Brokerslink

Ariel couto MDS

O Brasil foi escolhido para sediar a 12ª conferência anual da rede internacional de corretores Brokerslink, em outubro de 2020. É a primeira vez que o evento acontece na América Latina. Ariel Couto, CEO da MDS Brasil, que representa a Brokerslink no país, fala sobre esse privilégio de trazer para São Paulo o encontro que reúne mais de 300 executivos de 80 países e sempre é realizado em cidades charmosas como Bordeaux, Marrakech, Amsterdã, Nova York, Hong Kong entre outras. 

O Sonho Seguro News está no Spotify e no Apple Podcasts. Escute aqui apenas a apresentação. As gravações dos primeiros episódios começam a partir de outubro. Sugestões são bem-vindas. Participem e mandem temas que gostariam de ouvir. 

Swiss Re Corporate é a mais nova parceria da Brokerslink

A Swiss Re Corporate Solutions é a mais nova parceira da Brokerslink, rede internacional de corretores, fundada em 2004. “Estamos muito felizes de ter assinado nossa parceria. Uma parceria que vínhamos perseguindo há anos e agora a Swiss Re, formada por uma equipe extraordinária de especialistas, disponibilizará a nós e nossos clientes soluções e tecnologias diferenciadas, assim como mais capacidade para enfrentarmos os desafios mundiais”, anunciou José Manuel Fonseca, CEO da Brokerslink e também do MDS Group. A parceria estratégica foi assinada ontem, em Bordeaux, França, onde acontece o evento.

Fonseca conta que 15 anos atrás cinco amigos se reuniram em Porto, Portugal, e tiveram a ideia de criar uma corretora com amigos de países diversos, incluindo o Brasil, para atender clientes em várias partes do mundo. Passados 15 anos, somos agora uma rede global, presente em mais de 80 países. Com investimentos em pessoas, parcerias estratégicas e tecnologia, a Brokerslink hoje é uma corretora considerada como importante parceiro estratégico pelas maiores seguradoras do mundo, como as americanas AIG e Chubb, a francesa AXA, a alemã Allianz, a africana Sunu, a suíça Zurich e a italiana Generali. 

Segundo Ariel Couto, CEO da MDS Brasil, a entrada do grupo no pool de seguradoras parceiras traz ganhos para toda a rede Brokerslink, especialmente para o Brasil, país que tem um elevado nível de otimismo entre todos em que o grupo atua. “Estamos certos de que essa parceria será muito produtiva, principalmente com a retomada dos investimentos esperada para 2020”, comentou Ariel. 

Andreas Berger, CEO da Swiss Re Corporate Solutions, está igualmente animado em ser uma das seguradoras parceiras da Brokerslink. “Desenvolvemos uma plataforma que traz uma experiência diferenciada aos clientes e que passará por um desenvolvimento conjunto para a criação de uma versão de uso exclusivo dos corretores da Brokeslink. Segundo Berger, o grupo suíço identificou uma grande deficiência no mercado de uma plataforma para a gestão de programas internacionais de seguros. 

A SRCS definiu, então, há algum tempo, como prioridade o desenvolvimento de uma solução que atendesse a essa necessidade e investiu recursos ao longo do processo. A plataforma já está em uso pela seguradora com cerca de 160 clientes e a versão exclusiva para uso da Brokerslink estará disponível a partir do segundo trimestre de 2020.

Steve Hearn, vice-presidente da Brokerslink, afirma que o grupo está preparado para atender as necessidades de clientes globais. “Temos uma equipe global, parceiros globais, estratégias globais. Estamos organizados e crescendo por fazer o mercado melhor, mais protegido, com produtos inovadores, enquanto nossos concorrentes como Marsh, Aon e Willis enfrentam processos de consolidação. Este é um momento único para todos nós”.

Brasil é escolhido para sediar #brokerslink2020

brokerslink 2020

Festa brasileira em Bordeaux, França. O Brasil foi escolhido para sediar a 12a. Conferência Internacional da Brokerslink. O evento acontecerá em outubro de 2020. Será em São Paulo, capital. É a primeira vez que o evento anual, que começou em 2009,  acontece na América Latina. Ariel Couto, CEO da MDS Brasil e gerente regional America da Brokerslink, será o anfitrião e já tem algumas novidades para contar sobre a grande conquista.

“É uma honra para nós sediarmos um evento que sempre acontece em cidades importantes como neste ano em Bordeaux, a capital mundial do vinho, Hong Kong, Marrakech, Amsterda, Nova York. Será um prazer receber mais de 300 convidados de mais de 80 países em São Paulo por quatro dias, sendo três para debates e um reservado para um passeio cultural. Faremos de tudo para que todos tenham uma experiência incrível, como experimentaram em outras edições da conferência Brokerslink”.

Sem citar o investimento, Couto conta que o hotel já foi escolhido. Será o renomado e novíssimo internacional Four Seasons. “Certamente teremos um número de convidados semelhante ao que temos aqui em Bordeaux, 330. Os temas dos debates serão definidos futuramente, pois queremos trazer discussões atuais e que agreguem conhecimento aos nossos parceiros e afiliados”.

Ouça abaixo o podcast com Ariel Couto para saber mais sobre a próxima conferência #brokerslink2020.

AIG celebra 70 anos de Brasil com ação para as próximas gerações

Fonte: AIG

Na manhã de 17 de outubro, data que marca os 70 anos da AIG no Brasil, líderes e funcionários da companhia celebraram o aniversário da AIG com uma ação de voluntariado a alunos do Ensino Médio para falar sobre o futuro . Entre os presentes, o CEO da AIG América Latina & Caribe Paride Della Rosa, e Nélia Soares, Diretora de RH para a região, além de executivos da AIG Brasil, funcionários e parceiros de negócios. Durante toda a manhã, eles foram os professores de cerca de 180 alunos e compartilharam um pouco de suas trajetórias profissionais com os jovens que se preparam para entrar no mercado de trabalho. 

A ação foi na E.E. Prof. Willlian Rodrigues Rebuá, em Carapicuíba (SP), em mais uma parceria com a Júnior Achievement São Paulo. É o terceiro ano que a AIG trabalha em parceria com a ONG no modelo de voluntariado focado na educação e desenvolvimento de jovens, sempre em escolas públicas. O diferencial da interação entre alunos e os voluntários AIG é a possibilidade do contato mais próximo com profissionais de diferentes áreas e histórico acadêmico, uma forma de trocar experiência, aprender e ensinar, e enxergar o mundo de uma forma diferente — todos saem diferentes. 

Indústria 4.0, nova economia, inovação tecnológica, competências para as novas profissões e como o setor de seguro é impactado por essa realidade foram alguns dos assuntos discutidos com os alunos. “Procuramos contribuir com nossa experiência e visão de futuro, incluindo a comunidade em nossas celebrações, por meio de ações de voluntariado, da mesma forma que comemoramos com nossas pessoas e corretores parceiros”, explica Fabio Protásio Oliveira, CEO da AIG no Brasil. 

O tema da atividade deste ano – O Futuro do Trabalho – alavancou discussões importantes sobre protagonismo dos jovens, sonhos e objetivos, e as infinitas possibilidades existentes no mercado de trabalho. “Os 70 anos da AIG no Brasil são marcados pelo pioneirismo e inovação. Abrimos mercado com produtos inéditos até então, como D&O, Ambiental, Riscos Cibernéticos e M&A. E nossa celebração não poderia ser diferente! Continuamos olhando para o futuro e às demandas de seguros que devem surgir com as novas relações e economia. Neste sentido, compartilhar e crescer com a sociedade é essencial”, completa Fabio. 

Susep e Previc veem regras convergentes, informa Valor

Fonte: Valor

Valor Econômico relata que a fusão entre Susep e Previc para criação de um novo órgão que reúne as previdências aberta e fechada ficou para 2020, depois da aprovação das reformas. Independentemente do prazo, já é possível realizar mudanças na regulação para aproximar as duas categorias antes da criação da autarquia, de acordo com a economista Solange Vieira, que irá comandar o novo regulador, e que atualmente está à frente da Superintendência de Seguros Privados.

“A fusão das autarquias é assunto para o ano que vem”, disse Solange depois de sua apresentação no congresso da Abrapp, associação que representa os fundos de pensão. Segundo a economista, tem havido discussões sobre a elaboração de normas equânimes para o setor de previdência. “Nossa preocupação é a formação de poupança de longo prazo. No momento em que falamos de um mundo sem fronteiras, não faz sentido discutir previdência aberta ou fechada e sim uma convergência”, disse.

O superintendente da Previc, Lúcio Capelletto, lembrou que o tema da fusão precisa passar pelo Congresso Nacional. “A matéria será analisada pelo Congresso, que vai dar a decisão e o encaminhamento. Os órgãos técnicos elaboram e trabalham o tema, mas a decisão final é do Congresso”. Um ponto a ser abordado seria os custos para um participante manter um plano de previdência fechado, que é mais caro do que no setor aberto, segundo Capelletto.

No caso dos fundos de pensão, o custo mensal médio fica em R$ 100 enquanto na previdência aberta, em média, é de R$ 40. “Com os novos entrantes no mercado de trabalho, há a necessidade de produtos diferenciados, é importante ter novos produtos e serviços que atendam as necessidades dos clientes”.

“Estamos administrando mal o sistema. O sistema complementar acumula R$ 2 trilhões de poupança no país. Do lado de lá, temos uma torneira de gastos de R$ 500 bilhões com déficit, que não acumula recursos. Está na hora de se começar a pensar as regras de incentivo”, afirmou Solange.

A economista voltou a falar da necessidade de se incentivar uma maior competitividade entre os setores, com a implementação de fato da portabilidade nos fundos de pensão. Por outro lado, lembrou que o “duration” dos planos de previdência aberta é muito curto – 1,5 ano.

“Talvez por regras flexíveis demais. Temos que ter uma estrutura de incentivo tributário focada em alongar prazos. Vamos ter de conversar com as abertas a esse respeito”, disse. Em relação aos fundos de pensão, Capelletto mencionou o impacto do aumento da longevidade nos passivos das fundações de previdência fechadas. “A cada ano adicional de sobrevida, o passivo aumenta de 3% a 4%, um impacto de R$ 30 bilhões para os planos de benefício definido. Em dois ou três anos, são R$ 90 bilhões. Essa tem que ser uma preocupação das entidades”, afirmou.

O superintendente também falou sobre o impacto dos elevados benefícios. “Se não cuidarmos dos planos é claro que a conta não fecha. Além da queda da taxa de juros, da longevidade, os benefícios têm que ser trabalhados, tem que se atacar os planos. Vamos incentivar que isso seja realizado”, disse. Capelletto falou da intenção do regulador dos fundos de pensão em melhorar a governança dos processos sancionadores no âmbito da Previc, com a criação de um comitê para avaliar a abertura dos casos. Segundo ele, há uma uniformização da aplicação dos autos de infração.

Brasil é único país acima de 200 milhões de habitantes com saúde universal

Fonte: UOL

Postagem publicada no Twitter pede a defesa do Sistema Único de Saúde (SUS) e afirma que o SUS é o único sistema público de saúde que “atende a uma população com mais de 200 milhões de pessoas” e que “fornece remédios de graça” – algo que, segundo a postagem, nem o equivalente britânico, o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS, na sigla em inglês), supostamente faria.

De fato, todo e qualquer brasileiro tem o direito de ser atendido gratuitamente pelo SUS, algo definido na Constituição e na lei 8.080, de 1990. Também é verdade que o SUS fornece remédios gratuitamente. Hoje a população brasileira é de 210,5 milhões.

Senado aprova projeto que obriga SUS a realizar exame de câncer em 30 dias Sem o SUS, a barbárie Em cinco anos, doenças por falta de saneamento custam R$ 1 bi ao SUS 

A publicação, no entanto, comete um erro ao dizer que o NHS não fornece medicação “totalmente de graça”. O sistema britânico oferece remédios gratuitos para uma lista de doenças e para alguns grupos, como idosos, jovens de até 16 anos, populações pobres ou com doenças graves.

O Ministério da Saúde, contatado pelo Comprova, destacou que “o Brasil é o único país do mundo com mais de 100 milhões de habitantes que conta com um sistema público (financiado pelo dinheiro dos impostos), universal (para todos) e gratuito para toda a população”.

Há vários sistemas de saúde no mundo. Em alguns países, o sistema é público, mas, diferentemente do Brasil, a gratuidade cobre apenas parte da população e o atendimento a que as pessoas têm direito pode variar.

Dos países reconhecidos por possuírem sistema de saúde público e universal, como Reino Unido, Canadá, Dinamarca, Suécia, Espanha, Portugal e Cuba, nenhum tem população superior a 100 milhões de habitantes. O mais populoso é o Reino Unido, com cerca de 66,4 milhões de pessoas.

O Comprova só analisou individualmente os sistemas de saúde dos países com mais de 200 milhões, número citado pela postagem. De fato, nenhum deles possui um sistema público de saúde universal, como o SUS. Foram pesquisados China, Índia, EUA, Indonésia, Paquistão e Nigéria.

Esta verificação do Comprova analisou uma publicação do perfil @Adrieli_S do Twitter.

Para o Comprova, uma evidência é comprovada quando não restar nenhuma dúvida sobre a sua veracidade.

Como verificamos

Na verificação foram consultados o Ministério da Saúde, o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS, na sigla em inglês) e estudos sobre o SUS.

O Comprova também entrevistou Oswaldo Yoshimi Tanaka, diretor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP); Alcides Miranda, médico especialista em saúde comunitária e professor de Saúde Coletiva na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); e Ivo Lima, mestre em Saúde Pública pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Além disso, por meio de sites dos governos nacionais e relatórios de organizações internacionais, analisamos como funciona o sistema de saúde em cada um dos outros países com mais de 200 milhões de habitantes

Você pode refazer o caminho da verificação do Comprova usando os links para consultar as fontes originais.

Quem tem direito ao SUS?

A Constituição Federal brasileira define que todo brasileiro tem direito a ter acesso à saúde via SUS. A frase “a saúde é direito de todos e dever do Estado” define a ideia. Qualquer pessoa pode ir a uma unidade básica de saúde ou a um hospital e receber atendimento de graça. O SUS não é apenas atendimento médico, mas também vigilância em saúde e fornecimento de medicamentos.

Beneficiários de planos de saúde também têm direito a atendimento pelo SUS – nesse caso, no entanto, as operadoras dos planos privados são obrigadas pela lei a ressarcir os cofres públicos pelos serviços prestados que tenham cobertura do plano.

O que mais o SUS faz?

Há, também, outros serviços que beneficiam a toda população, como atendimento de emergência por acidentes por meio do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu); regulação de hemocentros assim como transplante de órgãos.

Além disso, o SUS financia pesquisas epidemiológicas, importantes para ajudar o governo a avaliar o risco de ocorrência de surtos ou epidemias e também trazer dados para o controle e prevenção de doenças. E, por meio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), fiscaliza a qualidade de alimentos em restaurantes e supermercados.

Vacinas exigidas para bebês também são oferecidas pelo SUS, por meio do Programa Nacional de Imunização, que oferece todas as proteções recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A estratégia é reconhecida mundialmente como um sucesso na vacinação infantil.

O SUS fornece remédios de graça? Quais?

Sim. Entre as doenças cujos medicamentos são fornecidos gratuitamente pelo SUS estão diabetes, pressão alta, asma, HIV e alzheimer. A lista de drogas fornecidas é atualizada anualmente e se chama Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename). O Ministério da Saúde informou ao Comprova que, na última década, o número de remédios incluídos na lista aumentou em 54%: passou de 574 drogas em 2010 para as atuais 885.

Quem precisa de um remédio que está na lista, mas não é oferecido pelo posto de saúde, ou que não está na lista, pode processar o governo (judicializar) para obrigá-lo a pagar o tratamento. Em geral, pacientes ganham a ação se provam à Justiça que correm risco de vida caso fiquem sem o remédio solicitado.

Como era a saúde no Brasil antes do SUS?

Antes de o SUS ser regulamentado em 1990, só eram atendidas as pessoas que tinham carteira assinada, contribuíam para a Previdência e, portanto, faziam parte do Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (Inamps).

Quem não tinha carteira assinada podia apenas participar de programas específicos do Ministério da Saúde ou das secretarias de Saúde estaduais ou municipais (como vacinação ou combate a alguma doença específica). Caso contrário, era preciso pagar plano privado ou buscar atendimento em instituições filantrópicas, como as Santas Casas de Misericórdia.

A criação do SUS aconteceu no contexto do fim da ditadura militar e diante de denúncias sobre a medicina previdenciária, como os seus custos. O sistema brasileiro foi inspirado no britânico, o NHS (National Health Service), que havia sido implantado 40 anos antes, após o fim da Segunda Guerra.

O NHS é pioneiro no modelo beveridgiano de serviço nacional de saúde, que entende a saúde como uma forma de cidadania. Outros modelos na Europa também se baseiam na ideia do NHS de fornecer cobertura integral para todos os cidadãos, como o de Portugal, criado em 1974, o da Itália, de 1978, e o da Espanha, de 1986.

Uma diferença entre esses sistemas e o SUS é que, no Brasil, apesar de o Estado ser obrigado a dar assistência de saúde gratuita à população, o governo, proporcionalmente, investe menos na área do que outros países.

De acordo com um relatório do Banco Mundial de 2017, mais da metade dos gastos totais com saúde no Brasil são financiados privadamente (individualmente e planos de saúde privados). No país, a despesa pública com saúde representa 48,2% do total, enquanto a média entre os integrantes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) é de 73,4%. Já entre nações com condições econômicas semelhantes, o Brasil está acima apenas da média entre os países do BRICS (Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul), 46,5%.

Como afirma Alcides Miranda, médico especialista em saúde comunitária e professor de Saúde Coletiva na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), os demais países com sistemas de saúde universais como o SUS investem um valor, em relação ao PIB, bem maior do que o brasileiro. “Temos mais população e financiamento público que chega a um terço de outros países na saúde. Mas, mesmo com essas dificuldades, o SUS tem cumprido uma função de priorizar os mais vulneráveis e os mais expostos a riscos.”

O SUS britânico fornece remédios de graça?

A publicação que verificamos erra ao dizer que o NHS não fornece medicação “totalmente de graça”. O sistema britânico é financiado por impostos e fornece medicamentos de graça para doenças crônicas (como diabetes) e para alguns grupos populacionais, como idosos, menores de 16 anos, grávidas e pessoas beneficiadas por programas assistencialistas.

Para o resto da população, há uma taxa de até 9 libras (cerca de R$ 45) para medicações receitadas por médicos do NHS, pois os remédios são subsidiados pelo governo. Quando está internado, o paciente não paga pelo remédio. Remédios para câncer e infecções sexualmente transmissíveis (IST) não têm impostos.

“O NHS tem regras mais restritas sobre o que é ou não oferecido. O SUS, pela Constituição brasileira, deve oferecer tudo. Está escrito: ‘A saúde é um direito do cidadão e um dever do Estado’. Temos uma relação de medicamentos obrigatoriamente fornecidos, como para diabetes ou pressão alta. Se o remédio não estiver na lista, a pessoa pode judicializar [entrar com processo] e ganhar”, explica Oswaldo Yoshimi Tanaka, diretor da faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP).

O atendimento primário (em postos de saúde) é de graça e cobre praticamente toda a população britânica – o SUS, por outro lado, cobria cerca de 40% dos brasileiros até 2012. O NHS ainda oferece ambulâncias de graça, internações e assistência social para doenças mentais e tratamento dentário de graça para alguns grupos. Em alguns casos, oferece desconto, assim como o SUS, para que o indivíduo pague o resto.

Como é em outros países com mais de 200 milhões de habitantes?

Nenhum dos outros países com mais de 200 milhões de habitantes no mundo tem um sistema de saúde com atendimento integral para todos os cidadãos.

De acordo com Ivo Lima, mestre em Saúde Pública pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), países em desenvolvimento têm adotado como alternativa a adoção de sistemas baseados em seguros para ampliar a cobertura em vez da criação de um sistema universal. “Há a cobertura por um seguro, mas é básico. Há uma desigualdade relevante, porque pessoas mais pobres estão mais submetidas ao risco de adoecer, mas são as que menos têm acesso ao serviço de saúde”, afirmou. “É diferente do seguro nacional alemão (onde a cobertura está ligada ao emprego). Lá, não tem diferenças no acesso ao serviço de saúde”.

Saiba qual é o modelo em cada um dos outros países com mais de 200 milhões de habitantes:

China

Na China, o sistema público de saúde não é gratuito. Existem os seguros de saúde públicos e os privados. O seguro público é financiado em conjunto por empregados, empregadores e pelo governo. A depender se a região é urbana ou rural, mais ou menos desenvolvida, variam também as porcentagens de subsídio pelo Estado. Além de ajudar a financiar o seguro de saúde em si, os pacientes têm que pagar taxas pelos atendimentos e medicações prescritas, e parte desses gastos pode ser reembolsada posteriormente. Estimativas mostram que, em 2011, a parcela da população coberta por seguro de saúde público passava dos 95%. O sistema de saúde chinês era universal e gratuito até a década de 80. A partir daí, ele sofreu diversas reformas.

Índia

O acesso à saúde é um direito constitucional na Índia. Apesar disso, não há um sistema para atendimento universal como o SUS e, segundo a Newsweek, em 2018, 70% dos custos com saúde eram pagos pelos pacientes e essa foi a causa de quase 7% da população estar abaixo da linha da pobreza. Naquele ano, foi implantado o Modicare (em referência ao primeiro-ministro Narendra Modi), um programa que oferece cobertura de até 500 mil rúpias anuais por família (R$ 28,6 mil, na conversão do dia 7 de outubro) para tratamento hospitalar para moradores pobres de áreas rurais e urbanas (neste caso, usando como pré-requisito a ocupação e incluindo empregados domésticos e trabalhadores da área de construção, por exemplo). Quatro anos antes, havia sido criado o National Health Mission, que coordenou iniciativas como o combate à pólio.

Estados Unidos

Não há sistema universal de saúde – é necessário pagar para ter atendimento ou remédios. Em hospitais, o paciente pode não ser atendido se não tiver plano de saúde (é o caso de 10% dos norte-americanos, o equivalente a 30,4 milhões de pessoas). O governo subsidia planos de saúde para alguns grupos específicos, como idosos ou pessoas de baixa renda – no entanto, mesmo para eles o atendimento e os remédios não são de graça. Estudo publicado em março no American Journal of Public Health aponta que, dos pedidos de falência feitos nos EUA entre 2013 e 2016, 66,5% estavam ligados a dívidas de saúde.

Indonésia

Existe um programa de saúde pública criado em 2014, o JKN, com o objetivo de reduzir as dificuldades de acesso a serviços básicos pela população. O atendimento é feito por meio de seguros oferecidos pelo governo, com cobertura e preço que variam a depender do indivíduo – quem tem emprego formal, por exemplo, pode ter um seguro, parecido com o funcionamento do Inamps no Brasil, antes da criação do SUS. Em alguns casos, o seguro é de graça, como para populações vulneráveis. Vacinas básicas gratuitas são oferecidas para bebês, crianças em idade escolar e para meninas jovens, por exemplo. O atendimento em unidades básicas de saúde tem custo mais acessível, enquanto serviços mais complexos são bastante caros, segundo o Ministério das Relações Exteriores do Brasil.

Paquistão

De acordo com relatório de 2015 do Escritório Europeu de Apoio ao Asilo (Easo) da União Europeia, o sistema de saúde do Paquistão é fortemente privado. O relatório afirma que à época, mais de 65% da população rural não tinha acesso a instalações básicas de saúde ou serviços de qualidade. Segundo texto de 2018 do jornal Dawn, um dos mais prestigiosos do país, cerca de 51% da população paquistanesa não tem acesso a serviços básicos de saúde. O sistema de saúde público é descentralizado, o que significa que ele pode variar entre as diferentes regiões do país. Em 2015, o primeiro-ministro do país lançou um programa nacional de seguro de saúde (PMNHIP) voltado a famílias vivendo abaixo da linha de pobreza, e que atualmente atinge cerca de 4,7 milhões de pessoas, de 77 distritos diferentes (o país tem mais de 150 distritos). O programa consiste em fornecer cupons de saúde de valor fixo, para cobrir serviços emergenciais e de maternidade, por exemplo. Há também um segundo vale com valor maior para sete doenças consideradas de tratamento prioritário, como diabetes, câncer e HIV.

Nigéria

O país tem o National Health Insurance Scheme (NHIS), que é um órgão criado pelo governo federal em 1999. Ele funciona como um plano pré-pago: paga-se um valor regular fixo e os fundos dessa arrecadação devem ser destinados a Organizações de Manutenção em Saúde (HMOs), que administram os hospitais e clínicas da Nigéria. Contudo, o sistema de saúde no país é precário devido à corrupção governamental.

Repercussão nas redes

O Comprova verifica conteúdos duvidosos sobre políticas públicas do governo federal que tenham grande potencial de viralização.

A publicação foi feita no Twitter no dia 2 de outubro. Em 9 de outubro, tinha 25,7 mil res e 65,8 mil curtidas na rede social.

O Comprova é um projeto integrado por 24 veículos de imprensa brasileiros que descobre, investiga e explica rumores, conteúdo forjado e táticas de manipulação associados a políticas públicas. Envie sua pergunta ou denúncia de boato pelo WhatsApp 11 97795 0022.

Valor da marca Allianz cresceu 12% em 2018, para US$ 12,1 bilhões

Fonte: Allianz

A Allianz se tornou a seguradora número 1 no ranking global de marcas do relatório Interbrand 2019, divulgado hoje, 17. O valor da marca Allianz cresceu 12%, de US$ 10,8 bilhões, em 2018, para US$ 12,1 bilhões. 

“Temos orgulho de nos tornar a marca de seguros número 1 – um sinal de nossa estratégia, chamada de ´Simplicity Wins´ e transformação em ação. Nosso crescimento reflete um valor de marca global mais relevante, consistente e com serviços e produtos mais intuitivos. Assim, reequilibramos os negócios em áreas de alta demanda e rentabilidade”, diz Serge Raffard, head de Estratégia, Marketing e Distribuição do Grupo Allianz.  

“Este é apenas o começo. Continuamos nos esforçando para superar o desempenho não apenas do setor, mas também das principais marcas globais, permitindo que nossos clientes sigam em frente. Este é um elemento chave para criar atração para nossos produtos e serviços. Ao mesmo tempo, precisamos da pontuação mais alta no Net Promoter Score para garantir que nossos clientes obtenham a melhor experiência”, completa. 

Para Christian Deuringer, head de Gerenciamento Global de Marcas, há mais por vir. “É muito satisfatório alcançar este marco, desde entrar na tabela dos 100 melhores, em 2007, até nos tornarmos a marca de seguros número 1 em todo o mundo, agora em 2019, e a 43ª no ranking geral de empresas. Construindo nossa marca, aproveitando insights exclusivos e trabalhando em conjunto com nossos clientes para proporcionar uma experiência ainda melhor, enquanto investimos em parcerias sustentáveis ​​e inovadoras, como a Fórmula E, para aumentar nossa presença e relevância na vida dos clientes”.

Brasil é prioritário para a AXA, afirma Thomas Buberl

brokerslink 2019

O CEO mundial do grupo fez palestra no evento Brokerslink2019 em Bordeaux, França, e falou sobre o Brasil com o blog Sonho Seguro

“O Brasil é um país relevante em termos demográficos, perspectivas econômicas e oportunidades de crescimento de seguros. Sendo assim, o Brasil é um dos seis países de alto potencial que identificamos para os próximos anos, principalmente em nossos dois pilares estratégicos de crescimento: linhas comerciais e saúde.”

Assim Thomas Buberl, CEO mundial da AXA, define a importância do Brasil para o maior grupo segurador do mundo em seguros gerais. Em sua apresentação na 11a. Conferência Internacional Brokerslink, realizada em Bordeaux, França, entre os dias 16 a 18 de outubro, o executivo falou sobre como o seguro pode, em um mundo de incertezas, ajudar a sociedade (governos, empresas e indivíduos) entender e se preparar para os principais riscos globais.

CEO mundial da AXA destaca a importância do seguro em um mundo de incertezas

Depois de falar para corretores de seguros da rede internacional Brokerslink, ele concedeu a entrevista baixo ao blog Sonho Seguro. Leia mais:

Como a taxa de juro negativa afeta a empresa no papel de investidor institucional?

A situação atual não é nova. É o resultado de tendências de longo prazo que havíamos antecipado e integrado em nossa estratégia. Essa é uma das razões pelas quais decidimos dessensibilizar a AXA para riscos financeiros, principalmente com a aquisição da XL e do IPO em nossos negócios de vida nos EUA. Graças a essa mudança estratégica, a AXA gerará mais de 80% de seus ganhos com seguros (P&C) de propriedade e de acidentes, saúde e proteção. A recente queda nas taxas de juros nos conforta nessa mudança de estratégia e mostra que devemos seguir nessa direção que tomamos.

Como manter o retorno do portfólio de investimentos em um cenário de queda de juros? 

No atual ambiente de baixas taxas de juros, a AXA pode gerar alguns retornos adicionais em comparação com o mercado de renda fixa listado por meio de estratégias de crédito alternativas. Isso ocorre principalmente no espaço de crédito privado, incluindo empréstimos imobiliários e de infraestrutura, financiamento de portfólio, dívida corporativa privada, mas também em ativos securitizados. Além disso, essas estratégias de crédito menos cíclicas e voltadas para a sustentabilidade estão aprimorando a robustez do balanço do grupo, diminuindo a volatilidade e o risco de crédito e trazendo uma diversificação adicional.

Como a tecnologia está transformando o setor e como sua empresa reage a ele? 

As mudanças tecnológicas nos últimos dez anos oferecem múltiplas oportunidades para o negócio de seguros. Dados e tecnologias tornaram-se os principais impulsionadores da inovação, reformulando as expectativas dos clientes. Um trabalho significativo foi feito para digitalizar o modelo de negócios da AXA até o momento. Adaptamos nossa estrutura a uma nova entidade dedicada à inovação e investimos em nossa transformação digital. Nossa ambição é alavancar o potencial das novas tecnologias para desenvolver soluções inovadoras de seguros e serviços complementares, alinhados à nossa estratégia Payer to Partner.

É possível medir quanto a eficiência trazida pela tecnologia já se traduziu em rentabilidade?

A escala da revolução tecnológica que estamos testemunhando nos convida a repensar profundamente nossos processos e os serviços que oferecemos aos nossos clientes. Fortalecemos significativamente nossa capacidade de inovar, principalmente com a criação de entidades e equipes dedicadas. Esses esforços precisam ser apreciados com o tempo, mas já nos permitem atender a novas necessidades de proteção e fornecer seguro por meio de canais mais simples. Exemplos concretos são mais poderosos para ilustrar o potencial da tecnologia para nossos negócios. Por exemplo, nosso seguro paramétrico usa dados para automatizar o gerenciamento de indenizações. Os pagamentos são acionados automática e instantaneamente, caso a precipitação, a temperatura ou outro índice ultrapasse um limite pré-acordado. Pagamentos automáticos reduzem custos e aborrecimentos administrativos, permitindo a redução de brechas na proteção e, é nossa prioridade, ajudar a aumentar a satisfação do cliente.

Para este ano, qual é o investimento esperado em novos produtos e estratégias digitais? Você pode nos dar alguns detalhes sobre esses produtos e estratégias, e quais devem chegar ao Brasil?

Desde 2015, a AXA investiu mais de 1 bilhão de euros em inovação. Com a criação do AXA Next em 2019, decidimos investir € 200 milhões por ano em novos serviços e modelos de negócios inovadores. Decidimos concentrar nossos esforços de inovação em saúde, economia de plataforma, continuidade de negócios e novas soluções de mobilidade que consideramos atraentes territórios de crescimento futuro. Na área da saúde, por exemplo, estamos desenvolvendo serviços de telemedicina para melhorar o acesso a cuidados de qualidade e orientar os pacientes nos sistemas de saúde. No Brasil, investimos em soluções digitais para simplificar, acelerar e dar mais transparência aos nossos clientes e parceiros. Concentramos nossos esforços nos processos de vendas, mas também em indenizações e serviços.

O que atrai o investimento da AXA ao Brasil? 

O Brasil é um país relevante em termos demográficos, perspectivas econômicas e oportunidades de crescimento de seguros. Sendo assim, o Brasil é um dos 6 países de alto potencial que identificamos para os próximos anos, principalmente em nossos dois pilares estratégicos de crescimento: linhas comerciais e saúde.

A queda das taxas de juros no Brasil muda a estratégia do grupo no país? 

Temos um projeto de longo prazo para o Brasil. O país está entre os seis mercados prioritários para o grupo. Nosso objetivo é estar entre os cinco principais nas linhas de negócios em que operamos – e nessa perspectiva de longo prazo, são esperadas flutuações econômicas e não reduzem nosso apetite pelo Brasil.

Qual é a estratégia do grupo AXA no Brasil?

Nossa aposta no Brasil começou há cinco anos com a ambição de se tornar um participante relevante em grandes riscos e parcerias de afinidade. Agora somos reconhecidos nesses dois mercados e expandiremos nossas atividades para alcançar cada vez mais o segmento de pequenas e médias empresas em linhas comerciais, reforçando nossa capacidade de oferecer soluções inovadoras para os clientes de varejo do segmento C por meio de parcerias. No Brasil, aproximadamente 70% das PMEs não possuem nenhum tipo de apólice de seguro. É um trabalho árduo mostrar aos empresários brasileiros a importância de estar segurado. É um comportamento cultural. Portanto, para chamar a atenção, oferecemos muitos serviços úteis e o corretor é um profissional chave nesse processo.

Há interesse em atuar na área de saúde no Brasil?

Como já anunciamos, estamos interessados ​​em entrar no mercado de seguros de saúde. O Grupo AXA já é um forte participante no seguro de saúde em todo o mundo, com uma forte experiência em inovação e saúde digital. Portanto, é natural estender esse conhecimento para o Brasil. Segundo o Instituto Setorial de Seguros de Saúde (IESS), ter um seguro de saúde é o terceiro maior desejo do povo brasileiro. No entanto, menos de 25% da população é coberta pelo seguro de saúde. Portanto, temos um mercado enorme para explorar, mas conhecemos os desafios. Nossas equipes no Brasil estão estudando o mercado, as oportunidades.

CEO mundial da AXA destaca a importância do seguro em um mundo de incertezas

brokerslink 2019

Thomas Buberl, CEO mundial da AXA, tido como um dos mais influentes da indústria de seguros, falou por quase 45 minutos para uma plateia de mais de 300 profissionais de seguros, em sua grande maioria corretores ligados a rede internacional fundada em 2004 e que hoje atua em mais de 80 países. 

O tema central era como o seguro pode, em um mundo de incertezas, ajudar a sociedade (governos, empresas e indivíduos) entender e se preparar para os principais riscos globais. “As sociedades vivem um nível sem precedentes de incerteza. Instabilidades políticas e novas linhas de poder questionam os equilíbrios passados ​​que julgávamos imutáveis. No plano econômico, inflação baixa, taxas de juros declinantes e crescimento moderado representam uma preocupação crescente. 

Desafios globais, como as mudanças climáticas e a revolução tecnológica, ameaçam o modelo de negócios tradicional das empresas enquanto conduzem profundas mudanças regulatórias. Em um contexto em que a necessidade de proteção e estabilidade é tão forte, o seguro tem um papel especial a desempenhar”, afirmou.

O cenário mundial descrito pelo CEO mundial da AXA é sombrio com as incertezas sociais, políticas e agravamento dos riscos tecnológicos e climáticos. Mas o otimista esteve presente em todas as suas considerações. “Há muitos riscos. Riscos que podemos juntos mitigar. Contribuir para as pessoas viverem melhor é algo positivo para todos. Seguradoras e corretores podem criar juntos soluções para a sociedade que demanda proteções.  E essa parceria construirá um novo modelo de negócio, sustentável para todos nós.”.

Ele ressaltou que a AXA tomou decisões estratégicas para se tornar a líder global de seguros de linhas comerciais (Property&Casualty/P&C). “Nossa experiência e tamanho são fundamentais para ajudar os corretores a atenderem seus clientes a enfrentarem grandes riscos, de mudanças climáticas a ataques cibernéticos. Como uma seguradora global com bases sólidas e saúde financeira robusta, a AXA também está comprometida em assumir um papel ativo em trazer soluções concretas graças à inovação, como a telemedicina, e em criar novos ecossistemas de saúde, como fizemos no México e no Egito”, afirmou o executivo aos corretores da Brokerslink.

A jornalista viajou a convite da corretora MDS para cobrir evento da rede internacional de corretores Brokerslink 2019, da qual é representante no Brasil