Brasil é prioritário para a AXA, afirma Thomas Buberl

O CEO mundial do grupo fez palestra no evento Brokerslink2019 em Bordeaux, França, e falou sobre o Brasil com o blog Sonho Seguro

“O Brasil é um país relevante em termos demográficos, perspectivas econômicas e oportunidades de crescimento de seguros. Sendo assim, o Brasil é um dos seis países de alto potencial que identificamos para os próximos anos, principalmente em nossos dois pilares estratégicos de crescimento: linhas comerciais e saúde.”

Assim Thomas Buberl, CEO mundial da AXA, define a importância do Brasil para o maior grupo segurador do mundo em seguros gerais. Em sua apresentação na 11a. Conferência Internacional Brokerslink, realizada em Bordeaux, França, entre os dias 16 a 18 de outubro, o executivo falou sobre como o seguro pode, em um mundo de incertezas, ajudar a sociedade (governos, empresas e indivíduos) entender e se preparar para os principais riscos globais.

CEO mundial da AXA destaca a importância do seguro em um mundo de incertezas

Depois de falar para corretores de seguros da rede internacional Brokerslink, ele concedeu a entrevista baixo ao blog Sonho Seguro. Leia mais:

Como a taxa de juro negativa afeta a empresa no papel de investidor institucional?

A situação atual não é nova. É o resultado de tendências de longo prazo que havíamos antecipado e integrado em nossa estratégia. Essa é uma das razões pelas quais decidimos dessensibilizar a AXA para riscos financeiros, principalmente com a aquisição da XL e do IPO em nossos negócios de vida nos EUA. Graças a essa mudança estratégica, a AXA gerará mais de 80% de seus ganhos com seguros (P&C) de propriedade e de acidentes, saúde e proteção. A recente queda nas taxas de juros nos conforta nessa mudança de estratégia e mostra que devemos seguir nessa direção que tomamos.

Como manter o retorno do portfólio de investimentos em um cenário de queda de juros? 

No atual ambiente de baixas taxas de juros, a AXA pode gerar alguns retornos adicionais em comparação com o mercado de renda fixa listado por meio de estratégias de crédito alternativas. Isso ocorre principalmente no espaço de crédito privado, incluindo empréstimos imobiliários e de infraestrutura, financiamento de portfólio, dívida corporativa privada, mas também em ativos securitizados. Além disso, essas estratégias de crédito menos cíclicas e voltadas para a sustentabilidade estão aprimorando a robustez do balanço do grupo, diminuindo a volatilidade e o risco de crédito e trazendo uma diversificação adicional.

Como a tecnologia está transformando o setor e como sua empresa reage a ele? 

As mudanças tecnológicas nos últimos dez anos oferecem múltiplas oportunidades para o negócio de seguros. Dados e tecnologias tornaram-se os principais impulsionadores da inovação, reformulando as expectativas dos clientes. Um trabalho significativo foi feito para digitalizar o modelo de negócios da AXA até o momento. Adaptamos nossa estrutura a uma nova entidade dedicada à inovação e investimos em nossa transformação digital. Nossa ambição é alavancar o potencial das novas tecnologias para desenvolver soluções inovadoras de seguros e serviços complementares, alinhados à nossa estratégia Payer to Partner.

É possível medir quanto a eficiência trazida pela tecnologia já se traduziu em rentabilidade?

A escala da revolução tecnológica que estamos testemunhando nos convida a repensar profundamente nossos processos e os serviços que oferecemos aos nossos clientes. Fortalecemos significativamente nossa capacidade de inovar, principalmente com a criação de entidades e equipes dedicadas. Esses esforços precisam ser apreciados com o tempo, mas já nos permitem atender a novas necessidades de proteção e fornecer seguro por meio de canais mais simples. Exemplos concretos são mais poderosos para ilustrar o potencial da tecnologia para nossos negócios. Por exemplo, nosso seguro paramétrico usa dados para automatizar o gerenciamento de indenizações. Os pagamentos são acionados automática e instantaneamente, caso a precipitação, a temperatura ou outro índice ultrapasse um limite pré-acordado. Pagamentos automáticos reduzem custos e aborrecimentos administrativos, permitindo a redução de brechas na proteção e, é nossa prioridade, ajudar a aumentar a satisfação do cliente.

Para este ano, qual é o investimento esperado em novos produtos e estratégias digitais? Você pode nos dar alguns detalhes sobre esses produtos e estratégias, e quais devem chegar ao Brasil?

Desde 2015, a AXA investiu mais de 1 bilhão de euros em inovação. Com a criação do AXA Next em 2019, decidimos investir € 200 milhões por ano em novos serviços e modelos de negócios inovadores. Decidimos concentrar nossos esforços de inovação em saúde, economia de plataforma, continuidade de negócios e novas soluções de mobilidade que consideramos atraentes territórios de crescimento futuro. Na área da saúde, por exemplo, estamos desenvolvendo serviços de telemedicina para melhorar o acesso a cuidados de qualidade e orientar os pacientes nos sistemas de saúde. No Brasil, investimos em soluções digitais para simplificar, acelerar e dar mais transparência aos nossos clientes e parceiros. Concentramos nossos esforços nos processos de vendas, mas também em indenizações e serviços.

O que atrai o investimento da AXA ao Brasil? 

O Brasil é um país relevante em termos demográficos, perspectivas econômicas e oportunidades de crescimento de seguros. Sendo assim, o Brasil é um dos 6 países de alto potencial que identificamos para os próximos anos, principalmente em nossos dois pilares estratégicos de crescimento: linhas comerciais e saúde.

A queda das taxas de juros no Brasil muda a estratégia do grupo no país? 

Temos um projeto de longo prazo para o Brasil. O país está entre os seis mercados prioritários para o grupo. Nosso objetivo é estar entre os cinco principais nas linhas de negócios em que operamos – e nessa perspectiva de longo prazo, são esperadas flutuações econômicas e não reduzem nosso apetite pelo Brasil.

Qual é a estratégia do grupo AXA no Brasil?

Nossa aposta no Brasil começou há cinco anos com a ambição de se tornar um participante relevante em grandes riscos e parcerias de afinidade. Agora somos reconhecidos nesses dois mercados e expandiremos nossas atividades para alcançar cada vez mais o segmento de pequenas e médias empresas em linhas comerciais, reforçando nossa capacidade de oferecer soluções inovadoras para os clientes de varejo do segmento C por meio de parcerias. No Brasil, aproximadamente 70% das PMEs não possuem nenhum tipo de apólice de seguro. É um trabalho árduo mostrar aos empresários brasileiros a importância de estar segurado. É um comportamento cultural. Portanto, para chamar a atenção, oferecemos muitos serviços úteis e o corretor é um profissional chave nesse processo.

Há interesse em atuar na área de saúde no Brasil?

Como já anunciamos, estamos interessados ​​em entrar no mercado de seguros de saúde. O Grupo AXA já é um forte participante no seguro de saúde em todo o mundo, com uma forte experiência em inovação e saúde digital. Portanto, é natural estender esse conhecimento para o Brasil. Segundo o Instituto Setorial de Seguros de Saúde (IESS), ter um seguro de saúde é o terceiro maior desejo do povo brasileiro. No entanto, menos de 25% da população é coberta pelo seguro de saúde. Portanto, temos um mercado enorme para explorar, mas conhecemos os desafios. Nossas equipes no Brasil estão estudando o mercado, as oportunidades.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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