Artigo: Um efeito colateral potencial do fechamento: Legionella

Por Joachim Keck, Consultor de Risco de Acidentes, AXA XL

A COVID-19 está recuando em diversas partes do mundo e alguma semelhança com a vida “normal” está retornando. Contudo, na luta contra o vírus, podemos ter criado involuntariamente condições que possibilitem que outro patógeno potencialmente letal – neste caso, uma bactéria – se desenvolva.

Eu sei, você está pensando: “Ótimo, logo agora que deram aval para reabrirmos, há mais uma coisa para nos preocuparmos?”

Infelizmente, sim. Mas, embora o risco seja real, na maioria dos casos ele pode ser eliminado por meio de medidas simples que normalmente custam quase nada.

Água estagnada é água ruim

Essa nova ameaça é a Legionella pneumophila, um patógeno comum em vários ambientes que se prolifera em tubulações de água e torres de arrefecimento. Especialmente quando a água não tem vazão, como durante um desligamento, quando as instalações são desativadas.

A Legionella é um gênero de bactérias em forma de bastonete amplamente distribuídas que se desevolvem naturalmente em água de superfície e água subterrânea, normalmente em pequenos números. Ela adquiriu seu nome após um surto em uma convenção da Legião Americana (que é uma associação de veteranos militares dos EUA) que infectou 221 participantes e causou 34 mortes. O patógeno causador era uma bactéria desconhecida anteriormente, identificada posteriormente como Legionella.

O que agora conhecemos como “doença dos legionários”, não é algo incomum. Na Alemanha, segundo estimativas, entre 15 e 30 mil pessoas pegam a doença a cada ano, enquanto que são registrados aproximadamente 100 mil casos por ano nos EUA. É provável, contudo, que esses números sejam minimizados, visto que os médicos podem não considerar a Legionellosis quando tratam pacientes com pneumonia.

A doença dos legionários se assemelha muito ao COVID-19, apesar de algumas diferenças importantes. Em ambos os casos, a doença é causada ao inalar gotículas ou aerossóis contendo o patógeno. Com a COVID-19, a fonte é uma pessoa infectada, já com a Legionellosis, o ponto inicial é a água contaminada com altos níveis de Legionella que é, então, liberada à atmosfera. Fontes comuns incluem: chuveiros, umidificadores, banheiras quentes e, até mesmo, torneiras. Imagine isso: alguém lavando as mãos para limitar a propagação do coronavírus poderia, inadvertidamente, lançar gotículas de água contendo Legionella no ar.

O período de incubação da doença também é parecido – de 2 a 10 dias. Além disso, os riscos são maiores para pessoas com sistemas imunológicos frágeis, além de idosos e fumantes. Ela parece atacar os homens com mais frequência do que mulheres, já a contaminação em crianças é rara.

Como a COVID-19, os principais sintomas da doença são tosse, calafrios, dor de cabeça e febre alta, contudo, ela é mais letal. De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (em inglês, Centers for Disease Control and Prevention) dos EUA, a taxa de mortalidade fica em torno de 10%. Além disso, para os pacientes que a contraem em uma unidade de saúde, a taxa de mortalidade se aproxima de 25%.

Além disso, há uma forma mais branda da doença chamada de “febre de Pontiac”, que resulta em sintomas parecidos com os da gripe, como febre, mal-estar, dor de cabeça e dores pelo corpo. O tipo mais ameno não é fatal, e a doença normalmente é curada após uma semana.

Diferentemente da COVID-19 – e isso é muito importante –, a doença dos legionários e a febre de Pontiac não são altamente contagiosas. Raramente uma pessoa infectada espalha essas doenças a outras pessoas.

Águas desconhecidas

A Legionella se reproduz melhor em temperaturas entre 25 °C e 45 °C (77-113 °F). Ela morre em temperaturas acima de 60 °C (140 °F) e dificilmente se reproduz abaixo de 20 °C (68 °F).

Embora as tubulações de água e as torres de arrefecimento ofereçam condições ideais para a bactéria, o risco de seu desenvolvimento ou multiplicação normalmente é muito baixo. A vazão constante de água fresca, junto da introdução ocasional de água muito quente ou muito fria, mantém a Legionella sob controle. Assim como a adição de cloro ou outros desinfetantes no abastecimento da água.

Contudo, se a água em um prédio estagnar por muito tempo, o desinfetante desaparece e o ecossistema dentro da tubulação se modifica. O mesmo se aplica a sistemas industriais e de condicionamento de ar ociosos, que usam a água como meio de troca de calor.

Essa é a situação que o mundo enfrenta hoje, com inúmeros prédios desativados por um longo tempo. Além de prédios de escritórios e operações de montagem/fabricação, eles também incluem, entre outros, hotéis e estabelecimentos de varejo.

Tanto os sistemas de abastecimento de água quanto os equipamentos de utilização de água, não foram projetados para essas condições de estagnação. Além disso, pesquisadores acadêmicos e autoridades de saúde pública informam que as consequências de uma paralisação duradoura são praticamente desconhecidas. Eles afirmaram: “Ainda não fizemos estudos sobre a estagnação que dura meses”. Por assim dizer, estamos em águas desconhecidas.

Testar-escoar-desinfetar

As empresas têm a obrigação de garantir a segurança e o bem-estar de seus funcionários, clientes e fornecedores. Com a doença dos legionários, isso significa assumir precauções razoáveis para garantir que a água em uma instalação – onde aparecer – não contenha níveis nocivos de Legionella. A seguir, destacam-se as práticas convencionais normalmente usadas para evitar a reprodução da Legionella.

Felizmente, vários prédios não ficarão completamente ociosos e abandonados durante o fechamento, tendo o pessoal de segurança e manutenção periodicamente no local. Nesses casos, em princípio, o prédio poderá ser aberto se:

  • o sistema de água foi escoado ao menos a cada três dias;
  • a temperatura da água, nas torneiras, foram verificadas e alcançam, pelo menos, 55°C (131°F);
  • testes microbiológicos realizados durante o desligamento não mostraram nenhuma mudança significativa no número total de bactérias.

Para prédios que ficaram ociosos por pelo menos 7 dias – e especialmente onde as tubulações de água e sistemas relevantes, dependentes de água, foram desligados por mais de um mês – a água precisa ser testada e, se necessário, escoada e desinfetada. No mínimo, amostras de teste devem ser coletadas nos seguintes locais:

  • vazão e retorno das unidades de aquecimento de água (circulação);
  • todos os pontos finais das tubulações de água quente, em diferentes prédios ou andares;
  • todos os pontos de tomada, que são evidentes, durante a inspeção de orientação;
  • partes da tubulação e abastecimento de água fria, com aquecimento acima de 25 °C (77 °F).;
  • todos os pontos de tomada com água estagnada.

Se mais de 100 unidades de formação de colônias (UFC) de Legionella forem encontradas em uma amostra de 100 ml, a água é considerada contaminada e todo o sistema precisa ser completamente escoado com água quente (65-70 °C / 150-158 °F) por pelo menos três minutos. Observe, contudo, que isso não é possível em sistemas de água fria. Nesses casos, é necessária a desinfecção química.

Em concentrações acima de 10.000 UFC por 100 ml, contramedidas adicionais são necessárias imediatamente (exemplo: desinfecção química). A desinfecção química deve cobrir todo o sistema de água potável. A instalação deve ser escoada com produtos químicos aprovados como cloro, dióxido de cloro, hipoclorito de sódio ou cálcio ou ozônio. Esse processo deve ser feito por uma empresa especializada e, durante a desinfecção, a água é considerada não potável. 

Observe que todas essas medidas – testar, escoar, desinfetar – também se aplicam a torres de arrefecimento, sistemas de ar condicionado e qualquer outro maquinário ou equipamento com reservatórios de água.

Evidentemente, evitar um surto de doença dos legionários é muito mais fácil e menos custoso para as empresas do que evitar a propagação do coronavírus. O teste para Legionella e, se necessário, o escoamento ou a desinfecção da água do prédio, deve ser parte fundamental de todos os planos para retomada das operações. A COVID-19 já ceifou vidas demais sem a perda desnecessária de vítimas adicionais dessa pandemia.

Observação: Caso haja dúvidas sobre os impactos potenciais do desligamento de suas operações ou, especificamente, sobre a doença dos legionários, entre em contato com as nossas Equipes de Consultoria de Risco de Acidentes para maiores esclarecimentos.

Sobre o autor: Joachim Keck é um biólogo que trabalha como Consultor de Risco de Acidentes, especializado em segurança ambiental e de produto em diversos setores industriais, incluindo biotecnologia, engenharia genética, farmacêuticos e alimentos e bebidas. Ele está baseado em Munique e pode ser contatado pelo e-mail joachim.keck@axaxl.com

Artigo: Medidas necessárias de gerenciamento de riscos antes de retomar as atividades em canteiros de obras e fábricas

por Pascal Pfeiffer (*)

A súbita interrupção da economia devido à pandemia de Covid19 exige que agora, com o relaxamento da quarentena e a retomada das atividades produtivas, algumas medidas de prevenção de riscos sejam adotadas. Embora sejam menos rigorosos do que os adotados quando uma instalação é fechada há anos, aqueles que estão ociosos nas últimas semanas ou meses precisam passar por uma verificação de segurança antes de serem reativados.

Um mapa para execução deste processo deve ser preparado e executado pelas lideranças do local. Alguns dos passos-chave estão listados abaixo:

  • O reinício das atividades deve ser tratado da mesma maneira como tratamos o comissionamento de um equipamento ou processo novos, observando todas as precauções, protocolos de testes, e orientações dos fabricantes.
  • Um bom planejamento é o primeiro passo para que sejam identificados os potenciais riscos, e esto deve ser feito conjuntamente com todas as áreas envolvidas.
  • Os registros de manutenção de equipamentos considerados críticos ou que sofreram alterações em suas rotinas de funcionamento devem ser revisados. É conhecido o fato que boa parte das perdas reclamadas acontecem nos estágios de comissionamento.
  • A possível ausência ou afastamento de empresas especializadas, profissionais capacitados ou com experiência em determinada etapa do processo deve ser considerada. Fornecedores de componentes ou prestadores de serviços para determinado ramo de atividade podem estar paralisados ou afetados financeiramente pelo extenso período de paralisação.
  • A estrutura de atendimento a emergências deve ser reavaliada. Repasse a composição da brigada de incêndio, assim como o cronograma de treinamento da equipe.
  • Os procedimentos de manutenção, inspeção e testes do sistema de proteção contra incêndio devem ser retomados (se foram afetados).
  • Riscos naturais também devem passar por uma nova análise em regiões que se encontram expostas a desastres naturais (alagamento, tormentas, etc).
  • Riscos cibernéticos devem ser avaliados. Medidas que possam ter sido necessárias durante a paralisação podem não ser mais aplicáveis, tais como o acesso remoto a sistemas de produção ou outras funcionalidades que fujam de seu ambiente principal.
  • Avaliar novos riscos que possam ser trazidos à tona, tanto por conta do cenário, quanto por possíveis alterações que devem ser implementadas para garantir a continuidade do negócio.
  • Durante cada etapa e após o reinício com sucesso das operações, a efetividade das medidas implementadas deve ser medida e ajustada de acordo. O plano deve ser monitorado até que as atividades retornem a níveis desejáveis pela organização.

Finalmente, é essencial que a empresa agregue as lições aprendidas durante este período, melhorando, revisando, e até mesmo criando um plano específico para este cenário de pandemia que, apesar de praticamente impensável há algum tempo, pode trazer mudanças profundas e duradouras no futuro horizonte das organizações.

(*) Pascal Pfeiffer é head de Risk Engineering para América Latina da AXA XL

Susep derruba liminar da Fenacor na Resolução 382/20

susep

Entidade dos corretores diz que vai recorrer

O desembargador federal Ricardo Perlingeiro atendeu o recurso impetrado pela Susep e derrubou a liminar concedida à Fenacor que suspendia os efeitos de dois dispositivos da Resolução 382/20. Segundo a decisão, apresentar previamente os valores de corretagem ao segurado é medida inscrita nas competências da CNSP, estabelecida no item XII do art. 32 do Decreto-lei 73/66. Com isso, o corretor volta a ser obrigado a informar ao proponente segurado o valor da sua remuneração antes da assinatura da proposta. Além disso, a figura do “cliente oculto” também volta a valer.

O magistrado acentua ainda que não há risco punibilidade para os atingidos pela Resolução CNSP 382/2020, citando a Carta Circular 01/20 da Susep, segundo a qual, em função da pandemia de COVID-19, nos primeiros seis meses de vigência da Resolução não seria aplicada nenhuma penalidade em virtude de eventuais violações, sendo o período até 31 de dezembro de 2020 destinado a uma supervisão voltada à orientação e à correção de eventuais equívocos identificados.

Mercado de seguro por demanda deve crescer, dizem especialistas

Cliente aciona cobertura quando há risco ou desativa se não precisar.

Fonte: Agência Brasil

Os consumidores brasileiros têm uma nova forma de contratar seguros, customizados de acordo com sua necessidade de tempo de cobertura, que pode ser por minutos, horas, dias, mês, ou por trecho percorrido por um carro, por exemplo. A nova modalidade está liberada desde agosto do ano passado pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) que editou a Circular 592. A norma traz as condições gerais para a customização de planos de seguros com vigência reduzida de contrato e período intermitente.

Nesse tipo de seguro, o cliente aciona a cobertura quando considera que há risco ou desativa quando não há necessidade, chamando de liga-desliga. A ideia é que com o desenvolvimento do setor no Brasil, o seguro por demanda possa ser contratado, por exemplo, para carros, celulares, tablet, notebook, bicicletas e até para viagens.

Assim, o seguro de um carro pode ter a cobrança por minuto ou por quilometragem percorrida. E o usuário pode comprar créditos para isso. Outra possibilidade é para as pessoas que viajam muito. Em vez de contratar um seguro para cada viagem, o consumidor compra créditos e ativa o seguro sempre que estiver em viagem.

Entretanto, essa evolução no mercado brasileiro de seguros ainda é incipiente, com poucas empresas ofertando essa modalidade. A coordenadora-geral de Regulação de Seguros Massificados, Pessoas e Previdência da Susep, Mariana Arozo, acredita que a tendência é de crescimento dos seguros por demanda. “As primeiras empresas fizeram parcerias ou têm um modelo de negócio mais inovador. A própria concorrência vai fazer com que as seguradas mais tradicionais possam investir nesse tipo de produto”, disse Mariana. Ela citou a parceria de seguradoras tradicionais com as insurtechs, termo que resulta da mistura de insurance (seguro, em inglês) e technology (tecnologia). São startups (empresas emergentes voltadas para tecnologia e inovação) que facilitam a contratação de seguros.

Segundo Mariana Arozo, a Susep não tem dados específicos das seguradoras que já oferecem o serviço por demanda no país, por não haver essa segmentação das empresas.

O presidente da Comissão de Automóvel da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), Walter Pereira, disse que duas ou três seguradoras associadas oferecem o seguro por demanda, mas diz que muitas empresas do setor já se preparam para lançar esse tipo de produto. Para ele, após a pandemia de covid-19, deve haver uma aceleração da oferta desse seguro. “Talvez as seguradoras tenham postergado o desenvolvimento dessas modalidades em função da situação que estamos atravessando. Agora, com a estabilização do trabalho remoto e algumas possibilidades de poder voltar ao normal, seja acelerado o desenvolvimento”, disse Pereira.

No caso do seguro por demanda para carros, Pereira disse que é basicamente direcionado aos consumidores que usam pouco os seus veículos. “Em São Paulo temos o rodízio durante a semana. Aqueles que têm dois carros por causa do rodízio poderiam contratar o seguro por demanda para aquele carro que fica fora de uso a maior parte do tempo. A ideia é oferecer ao consumidor aquilo que ele precisa, pode pagar, o melhor custo-benefício para cada um”, exemplificou.

Apesar de prever a expansão desse segmento, Pereira acredita que o seguro por demanda não substituirá a modalidade tradicional, mas será um complemento na carteira de produtos. Ele destaca ainda que a oferta de produtos envolve investimentos em inovação e tecnologia pelas empresas. “As seguradoras precisam de tecnologia para oferecer o seguro, que ajude o cliente a ligar e desligar o serviço. Ao colocar o carro em movimento, por exemplo, precisa dar um alerta ao cliente para ativar o seguro”, disse Pereira.

Mariana Arozo ressaltou que o período de pandemia deixou ainda mais clara a necessidade de oferta desse produto aos consumidores. “Neste período de pandemia, esse tipo de seguro ficou muito em voga. Muitos segurados estão com o carro parado ou enfrentam dificuldades de renda. É uma oportunidade para atender a sse segmento. Acredito que a tendência é de crescimento neste ano”, disse. Ela destacou ainda que quanto mais produtos de diferentes preços disponíveis no mercado, melhor será para o consumidor.

Correios querem parceria com seguradoras

correios seguros

As empresas interessadas têm de se inscrever até sexta-feira (17), por meio do endereço eletrônico sucom-devar@correios.com.br

Os Correios querem firmar parcerias com seguradoras e corretoras para distribuir produtos de seguros pelos canais de atendimento da empresa. Segundo comunicado da companhia, na próxima quinta-feira (23), o grupo vai realizar uma audiência pública para verificar o interesse do mercado nas parcerias. A reunião será virtual, por meio do aplicativo Microsoft Teams. “Na audiência, os Correios apresentarão as diretrizes básicas para seleção do parceiro comercial”, pontuou a empresa. As empresas interessadas têm de se inscrever até sexta-feira (17), por meio do endereço eletrônico sucom-devar@correios.com.br, indicando no assunto o termo “Audiência Pública”.

O crescimento do comércio eletrônico na pandemia, estimado em 25% no último trimestre, expôs ainda mais as deficiências estruturais dos Correios, um serviço público com 356 anos de existência. Já foi empresa modelo em eficiência e credibilidade. Degradou-se em sucessivos loteamentos sindicais e partidários. Hoje, é uma estatal com 105 mil pessoas e 12 mil agências, que atendem a 5,5 mil municípios. Sem rumo definido e com clientes insatisfeitos.

A quantidade de reclamações e denúncias contra a empresa registradas entre março e junho no Procon do Rio é 330% superior ao volume anotado em igual período do ano passado. Como mostrou O GLOBO na edição do dia 16, de cada dez queixas, sete são por “não entrega” da encomenda e duas por “extravio”, quando o sistema de rastreamento informa que o objeto está em determinado local e isso não é real.

A telemedicina será uma forma de medicina mais conectada

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Especialistas reunidos pela FenaSaúde em webinar discutiram a consolidação e a expansão da técnica no país

Fonte: FenaSaúde

A tecnologia entra na vida das pessoas de tal maneira que, depois de um tempo, não pensamos mais nela quando a utilizamos. Ocorre, por exemplo, nos processos de operações bancárias por celular ou na simples troca de informação via aplicativos. O mesmo está acontecendo agora com a telemedicina, que tem se tornado rapidamente um processo natural de acesso à saúde, encurtando distâncias e ampliando possibilidades de assistência. 

O desenvolvimento e a expansão da telemedicina foram tema do webinar “Telemedicina no novo normal”, promovido pela FenaSaúde na tarde desta quinta-feira (16/7), com a participação de alguns dos maiores especialistas do assunto no país: Chao Lung Wen, chefe da disciplina de Telemedicina da Faculdade de Medicina da USP; Erno Harzheim, ex-secretário de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde; e Roberta Grabert, graduada em telemedicina pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

“A telemedicina representa o encontro de duas ondas gigantescas que envolvem completamente nossas vidas. A primeira é a tecnologia em redes, que vem alterando radicalmente o viver no mundo. A outra onda – tão inesperada, de maneira que o passado recente hoje parece tão distante – foi a própria covid-19, que acelerou o processo de convivência à distância”, afirmou a diretora-executiva da FenaSaúde, Vera Valente, que mediou o webinar.

Prevenir doenças

Chefe da disciplina de Telemedicina da Faculdade de Medicina da USP, Chao Lung Wen trabalha com a ideia de medicina conectada. Lembrou que, desde 2002 até pouco antes da chegada da pandemia, a medicina pouco caminhou no que diz repeito à regulação. Mas avançou abruptamente depois do coronavírus. “Nas crises é que ocorrem as oportunidades e surgem os perigos”, ensinou.

A telemedicina, segundo ele, será julgada e cada vez mais valorizada na medida em que entregar resultados e serviços que vão muito além da busca de cura de quem já está doente. “A telemedicina não vai apenas cuidar de doença, mas da gestão de qualidade de saúde, de evitar que pessoas saudáveis fiquem doentes”, afirmou.

Wen também defende formação específica sobre o tema para os profissionais da área. “O futuro é educação, educação e educação. A telemedicina precisa ser obrigatória na graduação e na residência. E a formação em teletecnologia, para os demais profissionais”. 

Menos fila

Responsável pelo bem sucedido programa de telemedicina da prefeitura de Porto Alegre, onde ocupou o cargo de secretário de Saúde, o médico de família Erno Harzheim relatou sua experiência na capital gaúcha. Lá o modelo conseguiu reduzir filas de espera por atendimentos em até 60%, com a definição de critérios de gravidade para atender presencialmente ou via telemedicina.

“Os médicos ordenaram de forma inteligente a maneira de atender os pacientes. De 90 mil, a fila caiu para 40 mil pessoas depois de dois anos”, contou Harzheim, que também foi secretário de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde (2019-2020).

Lei simples e abrangente

Graduada em telemedicina pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, Roberta Grabert participou da elaboração do projeto de lei n° 1.998/2020, apresentado pela deputada Adriana Ventura (Novo-SP) para regulamentar a telemedicina na pós-pandemia e em tramitação na Câmara dos Deputados.

Ela defende que o projeto que vier a ser aprovado seja simples, de maneira a oferecer segurança jurídica e autonomia para os profissionais. “O brasileiro é viciado em lei. A gente tem lei para tudo. As leis têm de ter um arcabouço legal, ser bem pequenininhas, para abraçar as políticas públicas, que são infralegais”, afirmou.

Seguros SURA oferece mentoria gratuita para potencializar startups, micro, pequenas e médias empresas

Plataforma da seguradora conecta e capacita empreendedores de forma gratuita. Nasceu no ano passado e ganhou força agora por conta das dificuldades enfrentadas por essas empresas em meio a pandemia da Covid-19

A Seguros SURA vem oferecendo apoio dedicado à orientação gratuita de startups, micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), com a plataforma Empresas SURA, disponível desde o ano passado para clientes ou não da seguradora. A iniciativa ganha ainda mais relevância agora por conta dos diferentes desafios enfrentados principalmente pelas pequenas e médias empresas no País. 

A Empresas SURA é um ecossistema de conhecimento e experiências que ajuda o empreendedor com informações e serviços para apoiá-lo na tomada de decisões e no desenvolvimento próspero dos negócios, ao lado de aliados especializados – como são chamadas as empresas e profissionais parceiros da iniciativa – que contribuem na resolução das necessidades identificadas pela Seguros SURA para agregar capacidades de acordo com as suas áreas de atuação e gerar mais oportunidades de crescimento para essas empresas. 

Os empreendedores interessados podem receber orientações personalizadas e acesso a conteúdos criados por especialistas de temas diversos para ajudá-los a identificar oportunidades para potencializar e desenvolver o seu negócio de forma sustentável, com capacitação em Recursos Humanos, Mercado, Marketing, Finanças e Tecnologia. 

“Desenvolvemos uma comunidade de empresas parceiras e conectamos as empresas com uma rede de aliados para potencializar os negócios, entregar conhecimento e valor para os empreendedores de forma criativa para empoderar toda a jornada empresarial. As dificuldades são diferentes para cada negócio, por isso estamos ao lado desse empreendedor em todas as etapas da sua trajetória”, diz Thomas Batt, CEO da Seguros SURA no Brasil. 

Neste sentido, Batt explica que a Empresas SURA hoje ganha ainda mais relevância diante das grandes transformações do novo mundo, sobretudo neste momento em que as pequenas empresas podem ter mais desafios diante das consequências econômicas da pandemia. “Quando observamos os cenários e nos colocamos à frente, conseguimos nos preparar para entregar serviços de acordo com as necessidades das pessoas no momento e da forma que elas precisam”, reforça. 

“Não se trata apenas dos desafios para manter a sobrevivência das empresas que hoje enfrentam impactos nos seus modelos de negócios, mas também da compreensão e entendimento das necessidades individuais de cada pessoa e sobre como podemos utilizar o conhecimento interno da SURA e o nosso olhar de negócios já habituado a acompanhar tendências e novos hábitos de consumo, para nos conectar com outros profissionais e empresas com objetivo de aportar no desenvolvimento empresarial do nosso País”, destaca Maria Elvira Fioratti, líder da iniciativa no Brasil. 

A iniciativa Empresas SURA não tem fins lucrativos e não está atrelada a comercialização de nenhum tipo de produto e/ou serviço. Empresas SURA é um dos projetos que materializa a cultura do Grupo SURA de entregar bem-estar e competitividade sustentável para pessoas e empresas.  

Soja: Sancor libera R$ 150 milhões para indenizações

São pagamentos da safra 2019/2020 que beneficiaram segurados de dez estados do Brasil

Fonte: Sancor

A Sancor Seguros, empresa do maior conglomerado segurador da Argentina e terceiro lugar no ranking das maiores a atender o setor agrícola brasileiro, liquidou R$ 150 milhões para o pagamento de sinistros da safra 2019/2020 da cultura de soja. Os proventos foram efetuados em março, maio, junho e início de julho. Dez estados tiveram indenizações: Tocantins, Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul – estes dois últimos, juntos, receberam 88% do valor. Foram 1900 ocorrências de 1400 segurados. O montante foi destinado para, aproximadamente, 400 beneficiários, entre agricultores, revendas, cooperativas e canais financeiros. 

Liberty Seguros anuncia nova função de assistência residencial em seu aplicativo

Agora, os segurados podem acionar serviços de chaveiro, encanador e eletricista, além de acompanhar o histórico das solicitações

Fonte: Liberty Seguros

A Liberty Seguros anuncia sua mais nova solução digital para clientes de seguros residenciais: a opção de solicitar assistências emergenciais através do aplicativo da seguradora. A novidade, anteriormente disponível apenas para segurados de auto, vem para deixar a plataforma da companhia ainda mais completa, além de agilizar e facilitar a experiência dos clientes com a companhia no momento de solicitar atendimentos em suas casas.

Agora os segurados podem realizar, por meio de apenas seis passos no aplicativo, solicitações de atendimento profissional como chaveiro, para casos ocorridos dentro ou fora da residência, encanador, para situações de vazamento ou desentupimento, e eletricista, em ocorrências de problemas elétricos. Além disso, caso necessário, clientes também podem acessar seu histórico de chamadas de assistência, que também fica registrado no app.

“A Liberty Seguros trabalha constantemente para oferecer a melhor experiência aos nossos clientes, por meio de soluções digitais que facilitem o seu dia a dia”, afirma Etienne Gonçalves, superintendente de Experiência Digital e Clientes da Liberty Seguros. “Com essa nova funcionalidade, queremos trazer ainda mais agilidade aos segurados no momento solicitar serviços de assistência em suas casas, com uma opção prática e acessível que pode ser rapidamente acessada por meio do aplicativo da companhia”, completa.

Marketplaces de corretores dominarão a distribuição no futuro, prevê CEO da Argo Seguros

Fonte: Argo Seguros

A crescente digitalização de processos deve mudar também a forma de distribuição de seguros no futuro. A utilização de marketplaces – plataforma mediada por uma empresa, em que vários fornecedores se inscrevem e vendem seus produtos – deve se tornar rotina, também entre os corretores brasileiros.

“Do meu ponto de vista, acredito que os próximos passos do mercado de seguros devem ser a criação de vários market places de corretores para os clientes B2B e alguns B2C”, afirma Newton Queiroz, CEO e presidente da Argo Seguros – seguradora especialista no desenvolvimento de produtos de nicho, com foco na inovação e apoio da tecnologia.

Para o executivo, esse tendência está relacionada a um movimento do próprio mercado de seguros. “Como um todo, nosso setor caminha para atrelar suas plataformas digitais (tanto as de seguradoras, quanto de corretoras) ao ecossistema de outras indústrias e, com isso, usufruir da possibilidade de distribuição em diversos canais de forma rápida e com um custo de implementação reduzido”.

Na opinião de Newton, isso acontecerá por conta do momento de transição em que vive o setor. “O seguro sempre foi um meio muito tradicional, onde o olho a olho sempre contou bastante. Agora, com essa necessidade de desenvolvimento digital, junto com a pressão de redução de custos devido à baixa nas taxas dos investimentos, todos terão que buscar canais cada vez mais amplos para distribuição de seus produtos”. 

Contudo, na visão do executivo, todo esse movimento de inovação não afetará o papel do corretor de seguros. “O Brasil já oferece hoje produtos interessantes e, em algumas áreas, existe um atendimento virtual razoável, com acesso através do whatsapp, chatbots, telefone, e-mail, entre outras formas de comunicação com o cliente. Mas ainda estamos longe de oferecer uma experiência de compra realmente satisfatória”, avalia.

O CEO da Argo destaca a importância do atendimento ao cliente e a resolução dos sinistros, que na prática é onde o segurado de fato entende a importância de contar com uma cobertura. “Acredito que o seguro é uma grande ferramenta de estabilização financeira para grande parte da população, seja em momentos específicos de um cliente e/ou em uma crise como a que vivemos hoje. Nesse momento, o fator humano, a conversa com o especialista, sempre será importante”, concluiu.