Perdas diárias com navio porta-contêineres encalhado no Canal de Suez, no Egito, chegam até a US$ 10 bi por dia, avalia Euler Hermes

Nesta semana, um navio porta-contêineres de 400 metros encalhou no Canal de Suez e os impactos já estão sendo sentidos em todo o mundo. Segundo cálculos do time de economistas da seguradora de crédito Euler Hermes, cada dia de imobilização poderia custar ao comércio global de US$ 6 a 10 bilhões.

O Canal de Suez é a porta de entrada para a movimentação de mercadorias entre a Europa e a Ásia e recebeu mais de 19.000 navios em 2019, ou 1,25 bilhão de toneladas de carga. Isso representa cerca de 13% do comércio mundial, portanto, qualquer bloqueio provavelmente terá um impacto significativo, de acordo com os economistas.

“Em particular, esse incidente provavelmente resultará em atrasos no envio de itens de uso diário para consumidores em todo o mundo. De acordo com a Lloyd’s List, a cada dia que leva para limpar a obstrução, haverá um valor adicional de US$ 9 bilhões em mercadorias”, afirma Ludovic Subran, economista-chefe da Euler Hermes.

Cálculos aproximados sugerem que o tráfego no sentido oeste vale cerca de US$ 5,1 bilhões por dia, enquanto o tráfego no sentido leste vale US$ 4,5 bilhões. No entanto, os mecanismos de enfrentamento estão em vigor. De acordo com a estimativa da seguradora, cada semana de fechamento deve custar de -0,2 pp a -0,4 pp de crescimento anual do comércio. Segundo as previsões comerciais, os economistas da Euler Hermes presumem que o navio bloqueará o Canal de Suez por apenas uma semana.

“O problema é que o bloqueio do Canal de Suez é a gota d’água que quebra o comércio global. As disrupções na cadeia de abastecimento desde o início do ano (escassez de contêineres, semicondutores, etc.) podem custar um crescimento comercial real de -1,4 pp ou cerca de US$ 230 bilhões de impacto direto, além da imobilização no canal”, explica Ludovic.

Segundo o economista, os prazos de entrega dos fornecedores aumentaram desde o início do ano e agora são mais longos na Europa, quando comparados com o pico da pandemia em 2020.

A queda do indicador, do pico à depressão em março de 2021, é equivalente ao que aconteceu em 2020 entre janeiro e abril na Europa e é quase duas vezes pior nos EUA. O alongamento dos prazos de entrega para os EUA pode ser explicado pelo rápido esgotamento dos estoques no setor manufatureiro, já que as empresas antecipam um aumento na demanda causado pelo estímulo do presidente Biden.

A análise aponta ainda que, ao todo, a deterioração dos prazos de entrega dos fornecedores na Europa e nos EUA poderia subtrair -1,4 pp do crescimento do comércio global real em 2021 e custar cerca de US$ 230 bilhões em termos de valor.

Efeitos secundários

De acordo com Subran, os efeitos secundários serão muito mais importantes, pois o principal impacto será sentido nos preços. “A disrupção da cadeia de suprimentos está afetando, em particular, os preços dos insumos europeus. Olhando para a relação entre os prazos de entrega dos fornecedores no setor de manufatura e os preços dos insumos, descobrimos que, a cada ano, o impacto é maior na Europa (coeficiente de -1,38, R² de 63%) e sua transmissão é relativamente rápida (um mês), enquanto nos EUA a dependência é menor (coeficiente de -0,95, R² de 38%). Portanto, esperamos que as margens das empresas europeias sejam atingidas com mais força em comparação com as americanas.

Por último, levando em consideração interrupções negativas e fatores positivos, a Euler Hermes projeta que o comércio global crescerá +7,9% em 2021. No entanto, excluindo os efeitos de base, o crescimento do volume deve atingir apenas +5,4%. As interrupções na cadeia de suprimentos devem afetar especialmente a previsão da seguradora para o segundo trimestre de 2021, que será apenas ligeiramente positiva (e a mais baixa em 2021) e estará sob o risco de ser negativa caso as interrupções persistam.

CNSP aprova novas regras para seguros de grandes riscos

O Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) aprovou o tao aguardado normativo que vai regulamentar os contratos de grandes riscos entre seguradoras e corretoras com o mundo corporativo. “Estávamos aguardando esta regulamentação e a expectativa é grande pelos detalhes”, comentou Antonio Trindade, presidente da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), em recente entrevista.

Segundo explicou a Susep, a circular dos seguros de grandes riscos visa a simplificação regulatória e proporcionará ao mercado maior liberdade contratual para as partes contratantes, permitindo que sejam desenvolvidos produtos customizados para grandes empresas e clientes, sem as amarras tipicamente geradas por planos padronizados e excesso de regulamentação. Nesse segmento o porte econômico e a capacidade técnica das partes demandam menos intervenção regulatória. Outro importante avanço é fortalecer as negociações entre seguradoras e resseguradoras, evitando descasamento de coberturas. As coberturas para seguros de grandes riscos serão desenhadas de acordo com a natureza dos riscos e a complexidade dos contratos.

Sem ainda ver o detalhamento do normativo, os executivos do setor estão animados com o novo cenário de maior liberdade. “O maior desafio é a combinação entre partes, já que estamos falando de PJ seguradora e PJ segurado. Dessa forma, a apólice passa a ter peso maior como um contrato particular entre as partes feito sob medida. E o desafio de trazer o mercado ressegurador à luz das condições negociadas com cada segurado, para que não haja diferença entre o seguro e o resseguro (apólice de seguro versus slip de resseguro). As condições Especiais e Particulares seriam diferentes para cada cliente, cada seguradora, envolvendo muito mais a área jurídica com respectivo subscritor, do que se pretende “redigir” nas cláusulas particulares”, afirmou o vice-presidente técnico da Ezze, Edson Toguchi (foto).

Para o consumidor, os principais benefícios são a possibilidade de personalização do seguro, a transparência sobre o serviço contratado e a garantia de que apesar dessa flexibilidade, a SUSEP continuará defendendo os interesses do consumidor. “Ou seja, ele poderá negociar e entender melhor o que está contratando, definindo as regras junto com a seguradora com total transparência e fiscalização de um órgão protecional que poderá ser acionado, em caso de necessidade”, acrescenta Toguchi.

Ele cita outra vantagem: a relação entre segurado e seguradora vai ser mais próxima. As seguradoras vão ter que falar de uma forma que o cliente entende, deixando o “segurês” de lado. Vão ter que se tornar mais ágeis, empáticas, que é algo que já acontece em vários setores da economia, como a indústria têxtil, que pode fazer roupas sob medida, por exemplo. Na indústria alimentar, encontramos produtos para todos os tipos de pessoas – do sem gluten ao sem açúcar, do que está na embalagem família ao que vem em porções individuais, para quem mora sozinho. É isso que, agora, começa a acontecer no segmento de seguros.  

“Nesse mercado, vai sair na frente as seguradoras que se adaptarem melhor à esta nova realidade que é o cliente no foco de todas as ações”, afirma o executivo da EZZE. “As seguradoras não estão mais engessadas a oferecer apenas produtos padrão com as mesmas coberturas e regras aprovadas pela Susep para todos os clientes. Então, claro que vamos continuar oferecendo os produtos padrão que atendem necessidades de uma parcela dos clientes e vamos criar produtos personalizados. Aliás, já estamos conversando com nossos clientes sobre estas possibilidades, entendendo o que é importante para cada tipo de negócio e de realidade”, contou ele ao blog Sonho Seguro.

621, o número que muda completamente o mercado de seguros de bens patrimoniais

Rafael Scherre. Susep

Parece uma circular como tantas outras. Mas não é. Ela muda tudo no segmento de danos, que engloba seguros de bens patrimoniais, de varejo, afinidades. O programa de seguros de danos para grandes riscos está em outra circular, aprovada nesta sexta-feira do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) e prevista para ser publicada no dia 31, quarta-feira.

“Nossa expectativa com a Circular nº 621 é que uma nova dinâmica se inicie no mercado de seguros, com o aumento da oferta e diversificação dos produtos. Esperamos a entrada de novos players no mercado, que tragam mais inovação e tecnologias para o setor. A nova norma estimula reinvenções no mercado, tornando-o ainda mais moderno e focado nas necessidades do consumidor, diante dos cenários que vivenciamos. Nossa expectativa é que as mudanças colaborem com o desenvolvimento do setor e aumentem significativamente o acesso da população e das empresas ao mercado de seguros”, diz a titular da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Solange Vieira, que promoverá de webinar no dia 31 de março, a partir das 11h, para debater o tema.

Leia abaixo os principais trechos da entrevista com o diretor técnico da Susep, Rafael Scherre.

O que a norma muda no setor?

A Circular Susep nº 621/2021, em vigor desde 1º de março, faz parte de um conjunto de ações que a Susep vem implementando para simplificar a regulação do setor de seguros, facilitando o processo de inovação que é típico de mercados competitivos. Atualmente, a regulamentação é muito complexa e burocrática. A norma vem para reduzir o peso dessa carga regulatória, permitindo maior oferta de produtos e o aumento da cobertura do seguro no país. Importante lembrar que diversas normas anteriores são revogadas com esse ato. Uma das principais mudanças é a separação da regulação de seguros de danos para a coberturas de riscos massificados e para a coberturas de grandes riscos. Enquanto o primeiro grupo requer uma atenção maior do regulador, o segundo grupo pode operar em um ambiente de plena liberdade contratual. 

E a estruturação de produtos?

A norma permite a estruturação de produtos de forma mais flexível, sem necessidade de análise prévia ou aprovação de condições contratuais pela Susep. Deixam de existir produtos padronizados pelo órgão regulador. O desenho de produtos passa a ser feito pelas empresas em um ambiente de livre concorrência, buscando o melhor para seus clientes, com mais liberdade para inovar, o que deve trazer preços mais acessíveis. Destaca-se que passa a ser possível a livre combinação de coberturas em uma mesma apólice de seguros de danos (combos). Assim, as seguradoras terão liberdade para oferecer coberturas que melhor atendam as diferentes necessidades dos segurados de forma mais simples e compreensível pelos consumidores. 

Quais os benefícios para o consumidor?

O principal foco da circular é o consumidor. Com ela, torna-se possível a oferta de combos de seguros que podem variar de acordo com o que o segurado demandar. Isso aumentará a oferta de novos produtos e, assim, a cobertura dos segurados. Por exemplo, a simplificação regulatória contribuirá para o aumento da comercialização de seguros on demand, com coberturas intermitentes, e de seguros vinculados a prestação de serviços, com preços mais baixos. Portanto, a simplificação contribuirá para o aumento da concorrência e, consequentemente, para mais inovação e redução do preço final para o consumidor.

Isso aumenta a transparência com o consumidor?

Além da redução da burocracia e de clausulados padronizados, os contratos devem ficar mais claros e objetivos, o que facilitará o entendimento dos consumidores sobre o que estão de fato contratando, quais riscos estão cobertos e aqueles que estão excluídos.  Importante lembrar que as exigências de transparência para o consumidor e responsabilização das seguradoras foi fortalecida. A norma geral de conduta, de 2020, já havia preparado o caminho para o atual movimento de flexibilização dos produtos, trazendo para a regulamentação brasileira as melhores práticas internacionais em termos de tratamento adequado do cliente e transparência. Por exemplo, a regulamentação prevê a ferramenta de “cliente oculto”, que permite a simulação da contratação de produtos para observar a atuação das empresas supervisionadas em relação aos seus clientes. Por fim, desde 1º de janeiro de 2021, a Susep integra o Consumidor.gov.br, plataforma digital do Governo Federal para resolução de conflitos de consumo. O canal pode ser acessado por meio do site da Susep (https://www2.susep.gov.br/safe/consumidor/app/), que permite a seleção da empresa a ser reclamada e direciona o consumidor diretamente para o ambiente de registro da reclamação na plataforma.

Quais produtos e serviços a seguradora já pode ter em mente para ofertar?

Com a Circular nº 621/2021, será possível, por exemplo, a oferta de seguro residencial para proteger a casa somente quando o morador estiver fora, no sistema intermitente, combinado com outras coberturas que sejam convenientes, como para automóveis, smartphones e equipamentos eletrônicos. O mesmo seguro poderá ainda oferecer coberturas para assistências e serviços de manutenção de eletrodomésticos. Seguros para empresas poderão ter coberturas diferenciadas, como para riscos de lucros cessantes por danos não materiais (interrupção de negócios em função de problemas diversos, inclusive não relacionados a danos físicos no estabelecimento), responsabilidade civil e riscos cibernéticos. Os seguros patrimoniais, por sua vez, poderão ter pagamentos baseados em índices pré-estabelecidos, como inundações, enchentes e outros fenômenos. Mas talvez o mais importante é o que esse novo ambiente favorável à inovação permitirá surgir em termos de coberturas que não existem hoje e sequer conseguimos prever.

Poder vender vários produtos em uma única apólice vai reduzir o custo para o consumidor? Tem uma estimativa percentual disso?

Sim, esse é um dos principais benefícios imediatos: permitir a combinação de coberturas que sejam convenientes para o consumidor em um mesmo produto, desburocratizando e facilitando a vida dos segurados. Naturalmente isso tende a reduzir custos para o consumidor, uma vez que as empresas podem montar pacotes e oferecer descontos para seus clientes, tal como ocorre em diversos setores da economia. Dados de mercado do ano passado indicam que inovações nos seguros de automóveis com coberturas on demand permitiram redução de preço de até 50% para os consumidores, dependendo de seu perfil. A redução de preço efetiva nos diversos segmentos de seguros virá com o tempo e será tão maior quanto mais inovação e competição observarmos nesse novo ambiente.

Há total liberdade para as seguradoras criarem produtos, então?

As seguradoras vão definir seus novos produtos de acordo com a necessidade dos clientes que quiserem manter ou atrair – tanto consumidores pessoa física quanto empresas de portes variados. O ambiente competitivo também será fundamental para isso. Empresas que estão entrando no mercado, mais focadas no cliente e intensivas em tecnologia, já preparam combos que combinam coberturas intermitentes de seguro auto e residencial em uma mesma apólice. Outras empresas já acenam com produtos empresariais que combinam coberturas tradicionais de seguro empresarial com coberturas de responsabilidade civil e riscos cibernéticos. Em breve também será possível combinar coberturas de seguros de danos com coberturas de seguros de pessoas, na sequência do processo de simplificação regulatória e flexibilização de produtos (além da Circular 621/2021, a Circular 620/2020 já havia proporcionado intensa simplificação da regulação dos seguros do grupo patrimonial).

E em grandes riscos, esta norma se aplica ao segmento?

Uma das principais mudanças promovidas pela Circular nº 621/2021 é a separação da regulação de seguros de danos para cobertura de riscos massificados e para cobertura de grandes riscos. A norma que trata dos seguros de grandes riscos ainda depende de aprovação pelo Conselho Nacional de Seguros Privados – CNSP, cuja deliberação está prevista para ocorrer ainda esse mês. Para os seguros de grandes riscos, a simplificação regulatória proporcionará ao mercado maior liberdade contratual para as partes contratantes, permitindo que sejam desenvolvidos produtos customizados para grandes empresas e clientes, sem as amarras tipicamente geradas por planos padronizados e excesso de regulamentação. Nesse segmento o porte econômico e a capacidade técnica das partes demandam menos intervenção regulatória. Outro importante avanço é fortalecer as negociações entre seguradoras e resseguradoras, evitando descasamento de coberturas. As coberturas para seguros de grandes riscos serão desenhadas de acordo com a natureza dos riscos e a complexidade dos contratos.

Liberty Seguros traz novidades em seu app e pagamento via PIX

Fonte: Liberty

A Liberty Seguros, sempre atenta aos pedidos de seus clientes e corretores parceiros, anuncia novidades que vão facilitar ainda mais o contato e a proximidade com a seguradora a partir de março.

Com o objetivo de agilizar ainda mais o atendimento no momento em que o cliente mais precisa, a companhia adicionou mais uma funcionalidade em seu aplicativo, que já contava com a solicitação de assistências 24hs para veículos e residências. Agora, o segurado que passar por um acidente de colisão, poderá também abrir um aviso de sinistro totalmente online pelo APP, que foi remodelado para proporcionar a melhor experiência mobile. 

Basta fazer o login no aplicativo com CPF e senha, selecionar a opção “Acidentes ou assistência”, seguir para “Sinistro Auto” e pronto, o cliente será direcionado para abrir seu sinistro, informando os dados da ocorrência e poderá fazer upload das fotos e documentos necessários como também escolher a oficina referenciada Liberty para os reparos. Após receber o protocolo com o número do sinistro aberto, o cliente poderá acompanhar o andamento do seu sinistro através do portal Meu Espaço Cliente.

Ainda pensando na digitalização e na simplificação de processos para melhorar a experiência do cliente, a Liberty lança uma nova funcionalidade no Meu Espaço Cliente: o pagamento via PIX. Agora é possível alterar a forma de pagamento e gerar um QR Code para a transferência automática. 

“Seguimos no nosso objetivo de oferecer canais e produtos cada vez mais digitais e alinhados às expectativas de nossos segurados, gerando diferenciais que nossos corretores podem destacar em suas vendas e nos mantendo cada vez mais próximos dos nossos clientes e parceiros de negócio”, comenta Dennis Milan, Diretor de Operações e Sinistros da Liberty Seguros. 

Estudo da Mercer aponta foco em ESG como tendências de investimentos de fundos de pensão em 2021

Fonte: Mercer

O cenário de investimentos no Brasil mudou significativamente nos últimos anos, especialmente considerando os impactos da Reforma da Previdência e das baixas taxas de juros, que fez com que os investidores tivessem de ajustar seus planejamentos. Em 2020, a pandemia trouxe um novo componente e alterou novamente o cenário, inclusive impactando as ações planejadas para 2021. 

Em meio a esse cenário, a Mercer, líder global de consultoria em carreira, saúde, previdência e investimentos, conduziu a pesquisa “Tendências de Investimentos 2021” para entender os planos de alocação, composição de portfólios e tendências de investimentos para os ativos dos Fundos de Pensão brasileiros.

O estudo, realizado com 53 Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC) – incluindo seis das dez maiores do país -, que somam 219 planos e detêm R﹩ 275 bilhões em ativos, concluiu que parcela importante das entidades caminha para manter ou começar a investir parte do portfólio em ativos no exterior, buscando diversificação internacional em resposta a um ambiente de menores retornos no mercado local e de melhores produtos e estratégias no exterior. De acordo com os dados, 64% das EFPCs possuem investimentos no exterior, representando um montante de R﹩ 3,5 bilhões. 

Sobre as estratégias de investimentos que vêm sendo realizadas ou programadas para 2021, as entidades pretendem diversificar seu portfólio com exposições em ações, renda fixa, hedge funds, private equity e imóveis. 

Os grandes fundos (com patrimônio acima de R﹩ 2 bilhões) também pretendem aumentar sua exposição fora do país, sendo que 88% dos consultados com esse perfil afirmaram que pretendem incrementar em 73% sua alocação em 2021.

“Esses dados refletem amadurecimento dos gestores com relação à necessidade de diversificação do portfólio e à percepção de que fica cada vez mais claro para o mercado o retorno trazido pela prática. Manter parte do portfólio em ativos no exterior possibilita não só acessar estratégias e setores que não temos no mercado doméstico, como também protege a carteira em situações de risco com exposição à moeda forte e ativos mais resilientes na renda variável”, explica Maurício Martinelli, líder de Investimentos da Mercer Brasil.

Motivos

Os principais fatores apontados para o aumento do montante investido no exterior são: expectativa de menor retorno e/ou maior risco no mercado brasileiro, permanência da Selic em patamares baixos, melhores produtos e fundos de investimentos globais, mudanças e melhorias na legislação local, melhor conhecimento da equipe em relação ao tema, menores custos de administração dos investimentos no exterior, redução da volatilidade do mercado global e maior conhecimento dos consultores sobre o tema.

“No Brasil, por muito tempo as altas taxas de juros estimularam o investimento no mercado local, concentrado em renda fixa. Porém, com a queda das taxas de juros no país, a expectativa é de que haja maior diversificação dos investimentos, pois é necessário obter retornos consistentes com os objetivos de longo prazo destes investidores”, aponta Martinelli.

Investimento responsável

Os resultados da pesquisa também indicam o aumento do foco em sustentabilidade, governança e outros temas ligados ao ESG (em português, ASG – Análise ambiental, social e de governança) por parte dos investidores. A pesquisa mostrou que 64% dos maiores fundos consultados indicaram que possuem uma política para investimento responsável, sendo que 41% apontaram que pretendem melhorá-la. 

“O ESG é uma tendência e a adequação dos portfólios de investimentos é importante, necessária e irá exigir, de todos os atores de mercado, uma postura ativa para capturar as melhores oportunidades e gerenciar os riscos envolvidos. Mas é preciso ter em mente que esse não é um tema que se endereça em um ou dois anos, mas sim ao longo de uma década, pelo menos”, lembra Martinelli.

Desafios

Embora haja interesse em aumentar a exposição a ativos fora do Brasil, o estudo também apontou alguns desafios a serem enfrentados para realização desses aportes. Entre as grandes entidades que participaram da pesquisa, 58% apontaram como maior desafio a complexidade dessa modalidade de investimento. Já 60% dos médios e pequenos fundos apontaram o risco envolvido nessa modalidade de operação. Outros 15% dos consultados apontaram como desafios a falta de bons produtos e a ausência de apoio dos participantes, dos patrocinadores e do conselho.

Para realizar essa alocação no exterior, 71% dos consultados precisaram de suporte para desenhar a estratégia, ou seja, para escolher os melhores gestores de fundos. “Identificamos que, para 41% das grandes fundações, delegar o processo de gestão de investimentos no exterior já é uma necessidade concreta. Parcela semelhante indicou precisar de um suporte geral para a alocação. Essa realidade só comprova como vem crescendo a tendência de diversificação dos investimentos em ativos fora do Brasil e como o suporte e capacitação para esse tipo de operação trará cada vez mais oportunidades”, conclui Martinelli.

Nova temporada dos podcasts da AIG aborda riscos emergentes e dá dicas para o empreendedor

AIG podcast

Fonte: AIG

Após ser lançado com sucesso em 2020, a série de podcasts Negócio Seguro AIG Play inicia sua segunda temporada no ar com novos episódios sendo lançados mensalmente a partir de março deste ano. Criado pela AIG Seguros, uma das organizações líderes no mercado securitário internacional e com mais de 70 anos no Brasil, o canal tem o objetivo de auxiliar o empreendedor a gerir melhor os riscos de seu negócio, sempre com a presença de especialistas da seguradora e convidados de renome do mercado, com uma linguagem simples e direta ao ponto.

O primeiro episódio da nova temporada traz à tona as Tendências de riscos emergentes para 2021: Tecnologias e modelos de negócio contemporâneos abrem espaço para novas exposições”, com a participação da convidada Bárbara Bassani, Sócia na área de Seguros e Resseguros no TozziniFreire Advogados. Também estão presentes três executivas da AIG: Luciana Corsini, Executiva de Contas e Relacionamento com Corretores Nacionais; Mariangela Morenghi, Coordenadora de Comunicação Corporativa e Líder do grupo de diversidade para mulheres (WOW) da companhia; e Natália Saltoratto, Subscritora Sênior para seguros de Linhas Financeiras e líder de seguros para instituições financeiras da seguradora.

“A segunda temporada do podcast irá trazer novos temas focados nos principais riscos do presente e como podem impactar o futuro dos negócios, por meio do debate construtivo entre os participantes e dicas dos nossos especialistas. Tudo isso mantendo o compromisso de informar e ajudar as empresas na tomada de decisão para continuar os negócios com a segurança e a tranquilidade de um seguro”, conta Lúcio Mocsányi, Head de Marketing e Comunicação da AIG no Brasil, América Latina e Caribe. “A intenção é não apenas despertar o interesse dos empreendedores a respeito da gestão de risco e continuidade de negócios pequenos, médios e grandes, mas também estreitar o relacionamento com corretores e com o mercado, ao proporcionar uma experiência imersiva e interativa por meio dos conteúdos em áudio em tempos de distanciamento”, completa.

Lançada em abril de 2020, a primeira temporada dos podcasts Negócio Seguro AIG Play contou com dez episódios inéditos e totalizou cerca de 5 mil reproduções neste período. Em janeiro deste ano, a série figurou entre os 140 podcasts de negócios mais ouvidos na Apple Podcasts, entre os mais de 2 mil canais nessa categoria, de acordo com a plataforma de monitoramento Podstatus. Ao longo da primeira temporada, a série recebeu mais de 20 participantes, entre especialistas da seguradora e de diferentes segmentos. Ao todo, foram mais de 4 horas e meia de conteúdos disponíveis nas principais plataformas de áudio: Anchor, Spotify, Google Podcasts , Castbox, Overcast, Breaker e Apple Podcasts .

Demanda pelo seguro POSI está aquecida, aponta Zurich

fernando saccon zurich

Fonte: Zurich

Em 2020, ela foi estimulada pelo cenário macroeconômico, com manutenção da Selic a um dígito e ofertas de ações que ultrapassaram R$ 73 bilhões. No período, a Zurich registrou crescimento de 300% na procura pelo produto e de conversão de negócios para 22%. Para a empresa, a janela para esse tipo de seguro continua aberta em 2021

Apesar de todo o desafio imposto em 2020 por conta da crise sanitária do novo coronavírus, o mercado de ações ajudou a impulsionar o seguro POSI (sigla de Public Offering Securities Insurance). A Zurich, que é uma das maiores empresas do setor, viu crescer 300% a procura pelo produto em comparação ao ano anterior. Já as conversões subiram para 22% no mesmo período.

O Superintendente de Linhas Financeiras e Seguro Garantia da Zurich no Brasil, Fernando Saccon, conta que é diversificado o perfil das empresas que têm procurado a Zurich. No ano passado, especificamente, ele percebeu maior incidência nas que atuam com varejo, construção e tecnologia.

Ele observa, porém, que o crescimento na demanda do POSI não está apenas atrelado ao aumento de ofertas de ações, mas muito mais na busca das companhias emissoras das ofertas em ter cobertura securitária, identificando valor no produto oferecido ao mercado.

O executivo também chama a atenção para o fato de que a janela para o POSI se abriu em meados de 2019, atravessou 2020, com maior impulso no segundo semestre, e se mantém aberta neste ano. “A expectativa continua alta em relação às novas ofertas em 2021, considerando a manutenção da baixa taxa de juros e a contínua necessidade de as empresas buscarem captações e os investidores querendo diversificar seus investimentos em busca de um melhor retorno”. 

Especialistas apontam que há uma expectativa de mercado em torno da realização de cerca 100 ofertas ao longo deste ano, entre ofertas públicas iniciais (IPOs) e subsequentes (follow-on), podendo, ao final, movimentar cerca de R$ 150 bilhões – mais que o dobro dos R$ 73 bilhões de 2020, segundo a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Em 2019, foram R$ 35 bilhões também de acordo da CVM.

Como funciona o POSI

Derivado do D&O, modalidade de seguro que as companhias contratam para proteger seus executivos, o POSI existe para protegê-las, bem como seus executivos, contra reclamações relacionadas às ofertas públicas de valores mobiliários, em situações como nos danos causados a investidores em razão da falha delas ao omitir ou faltar com a verdade na elaboração do prospecto da oferta. O documento é direcionado ao mercado após validação da CVM, a fim de atrair investidores.

Com a combinação causada por dois fatores – o aquecimento do mercado de capitais e a queda da taxa básica de juros – ocorre a busca dos investidores por ativos de maior risco e retorno, favorecendo opções por renda variável. “Nesse cenário, é fundamental que as companhias demonstrem boa qualidade de seus ativos e uma estratégia clara e consistente do negócio, sendo transparente quando da elaboração dos prospectos de sua oferta, a fim de atrair bons investidores”, explica o Superintendente de Linhas Financeiras e Seguro Garantia da Zurich no Brasil, Fernando Saccon.

Ele continua: “Como forma de mitigar eventuais reclamações e perdas financeiras após a emissão das ações, as corporações buscam o seguro POSI – que, em geral, pode ter cobertura por até 5 anos e que não é um seguro renovável, já que é feito uma única vez visto ser estritamente ligado à Oferta que está sendo feita. Já a importância segurada representa entre 10% e 20% do valor da captação”.

“A qualidade dos ativos da empresa, governança corporativa robusta, gestão qualificada, estratégia de negócio consistente e prospecto da oferta bem elaborado, além das condições de mercado favoráveis ao negócio, são fatores de risco que certamente influenciarão na avaliação do risco para recebimento de uma proposta deste seguro”, finaliza.

Via Direta Corretora de Seguros completa 25 anos de atuação no mercado segurador

Com objetivo de gerar resultados na comerzialização dos seguros no ambiente online, a Via Direta Corretora de Seguros atingiu a marca de 25 anos de atuação no mercado segurador. A empresa iniciou suas atividades em 1996, com foco no seguro auto, tendo como essência as parcerias em redes de concessionárias em São Paulo. Com a ampliação do atendimento a esse nicho, houve uma expansão para outros locais, como Salvador (BA), Belo Horizonte (MG), Pindamonhangaba e São José dos Campos. A corretora auxiliou mais de 100 mil segurados e segue investindo em pessoas e processos, para atender seus clientes com excelência. 

De acordo com o CEO da Via Direta, Jefferson Floriano, a história da empresa inicia no atendimento a grandes redes de concessionárias e com o decorrer do tempo, introduz a comercialização do seguro de automóvel no ambiente online, focando em gestão integrada, soluções digitais e na qualificação dos seus colaboradores. Ele conta que a Via Direta nasceu em 1996, e na época eu ainda estava na Fiat Automóveis. “Me desliguei logo em seguida”, conta.

Em 1997, o executivo ingressou em uma grande rede de concessionárias que tinha como necessidade atender ao público que comprava seus carros e que precisava de uma corretora estruturada para atendê-los. Essa rede de concessionárias tinha 20 unidades, a maioria entre a Zona Sul de São Paulo, uma em Santo André e uma em Guarulhos. Depois ela abriu em Salvador e Belo Horizonte.

“Nós fomos junto com eles e abrimos filiais nesses dois estados. Em 2018, entramos no segmento online, aí comecei a reduzir essas parcerias, já tinha me concentrado só em São Paulo e ainda mantive até o final de 2020, uma participação pequena nesse tipo de venda. Resolvi então não continuar com as concessionárias, porque esse canal já não era mais atrativo, o custo ficou muito alto e a conversão, baixa. Continuei apostando forte no online e posso afirmar que estamos indo muito bem, crescendo continuamente. E estamos expandindo também em outros segmentos, temos uma boa carteira em Ramos Elementares e já estruturamos a comercialização do Saúde no online”, detalhou. 

A corretora também possui uma infinidade de seguros em outros ramos. Os segurados contam não só com o seguro de Automóvel, mas também com Seguro para Moto, Residencial, Vida, Saúde, Odonto, Garantia Contratual, Empresarial, Condomínios, Equipamentos Portáteis, Viagem, Responsabilidade Civil e Eventos. Em 2021, a corretora já cresceu 84% até março mantendo o NPS – Net Promoter Score – de 83 (NPS é considerado Excelente entre 75 e 100) e avaliação positiva de seus clientes em 98%.

A tecnologia é uma das ferramentas que auxilia no trabalho de toda equipe, conta com um software de Gestão e Gerenciamento de Apólice integrado a um sistema multicálculo pra oferecer as melhores opções de seguros com rapidez e precisão.

Fator Seguradora diversifica atuação e potencializa a venda digital

Luis Eduardo Assis Fator Seguradora

A concorrência imposta ao mercado segurador por vários fatores, que vão desde a modernização do arcabouço regulatório até novos hábitos de consumo e riscos emergentes trazidos pela tecnologia, trouxe novos ares para a Fator Seguradora. Criada em 2008 com foco em atuar apenas em seguro garantia para grandes conglomerados, a seguradora comandada desde 2012 por Luís Eduardo Assis traz novidades em 2021. “Tudo mudou. E a Fator também. Diversificamos nossa atuação para acompanhar este cenário competitivo de negócios, que deixa para trás o velho modelo econômico fechado para mapear e gerir oportunidades que poderão impactar o futuro da sociedade, e, portanto, de nossos clientes”. 

A gestão de risco é algo intrínseco em uma seguradora. “Uma das nossas vulnerabilidades era a alta dependência de corretores especializados em garantia e também em emissão de grandes apólices. Nos consolidamos como uma das principais seguradoras de garantia contratual do setor por nossa especialização e por isso queremos ir além, otimizando o conhecimento técnico da nossa equipe em seguros financeiros”, comenta o CEO da seguradora controlada diretamente pelo Banco Fator, seu único acionista.

A diversificação tem dado certo. Das vendas totais de R$ 303 milhões em 2020, o seguro garantia representa 35% da Fator Seguradora, especializada em seguro de danos nos ramos relacionados à infraestrutura, como Riscos de Engenharia e Riscos Patrimoniais, Seguro Garantia e Fiança Locatícia. O grupo também se especializou em seguros de Responsabilidade Civil, especialmente D&O e E&O. 

A expectativa para este ano é superar R$ 400 milhões em vendas totais, impulsionadas, principalmente, pelos seguros de responsabilidade civil, uma das modalidades que mais cresce no mercado de seguros. “O nosso DNA é atender grandes grupos em riscos financeiros. Agora queremos diversificar e levar nossa especialização para mais empresas, de diferentes segmentos da economia, que passaram a demandar seguros financeiros, principalmente de responsabilidade civil e de garantia judicial”, afirma o economista e também professor. 

Assis acredita que as decisões de investimentos em projetos de infraestrutura virão e darão um ritmo aos seguros de grandes riscos, mas por enquanto os investidores são influenciadas por dúvidas em relação a vacinação e ao fim da pandemia. “Somente com  mais previsibilidade disso é que saberemos o ritmo do crescimento da economia”, diz. Segundo ele, a interferência do governo nos mercados também causa certo desconforto. Um impulso a infraestrutura e, consequentemente aos seguros de grander riscos, poder vir em 2021. “O governo mineiro vai retomar algumas obras com parte do dinheiro da indenização que recebeu da Vale no caso da tragédia de Brumadinho. Certamente irá movimentar o segmento de garantia e de riscos de engenharia”, aposta.

A estratégia da Fator também prioriza diversificar a carteira de clientes. “Temos ainda uma predominância de clientes públicos, que compram seguros por meio de licitação pública. Mas a tendência é de crescimento das vendas pelo canal digital, que atua com corretoras de todos os portes para produtos de fácil contratação, e o corporate, onde atuamos com corretores especializados no desenho de programas de seguros sob medida para clientes corporativos que exigem mais discussões e especialidade”, diz Assis.

A grande novidade vem no segundo semestre. A partir de julho, a Fator inaugura uma inovadora plataforma de distribuição idealizada para que os corretores de seguros possam explorar novos mercados e ofertar seguros diferenciados para pequenas e médias empresas de todo o país, sem limitações geográficas. “Tem gente que casa pela internet! E nós só queremos vender uma apólice de seguro online”, brinca. O resultado já obtido nesta fase de testes é comemorado. “Vendemos uma apólice no estado de Roraima, onde não estamos presencialmente, por um corretor que nos procurou virtualmente”. 

O objetivo da plataforma é parametrizar o canal digital a partir de um novo paradigma. “Temos de pensar de uma forma diferente. Não é a automação e sim a definição de novos processos. Não queremos uma camada de tecnologia e sim produtos inovadores e acessíveis aos empreendedores brasileiros”. Para se ter uma ideia do empenho do grupo para ter um canal digital inovador, da equipe total de 80 profissionais da Fator, 18 trabalham para que a plataforma de vendas seja diferenciada para os corretores que buscam agilidade, especialização e qualidade de atendimento.  

O grupo investiu na contratação de especialistas nas mais diversas áreas. Foram quase 30 contratações desde janeiro de 2020 até agora, instalados em uma nova sede em São Paulo inaugurada em novembro, já dentro do designer de um modelo híbrido de trabalho, homeoffice e presencial. “Para uma equipe de 80 pessoas, este número é bem expressivo”, compara. A mais recente contratação foi Luiz Antonio Fonseca, com mais de 33 anos de experiência no mercado segurador, ocupando posições de média e alta gestão em empresas líderes como AIG-Unibanco, Itaú-Unibanco e mais recentemente, Chubb, onde exercia o cargo de vice-presidente comercial. Ele tem como meta desenvolver melhor os vários canais de distribuição da companhia.

Mulheres, a prioridade do 2021

2021 também foi eleito o ano da Mulher na Fator, uma prioridade do RH comandado pelo gerente executivo Clayton Lima. Atualmente, 51% do quadro da Fator é composto por mulheres. No alto comando, uma. Dos quatro diretores que respondem diretamente a Assis, — além de Fonseca, Richard Mendes Leone, de seguros de de danos, e Pedro Mattosinho em garantia, há uma mulher: Juliana Lopes Amaral Decoussau Machado, diretora adjunta, responsável por sinistros, compliance e jurídico. O resseguro também é comandado por uma mulher, Juliana Kazumi Chen, que responde diretamente a Assis. A área de subscrição de seguros de responsabilidade civil também conta com a experiência feminina: Emanuele Credendio Parussolo.

Assis, que atuou como coordenador do comitê de diversidade do tempo de Citibank, instituição para a qual se dedicou por 6 anos na década de 90, quer um debate amplo e aberto para garantir o espaço da mulher na seguradora. “Não queremos arranhar a superfície e sim debater os temas mais delicados para sermos uma companhia que oferece oportunidade de carreira a todos os profissionais”. 

O ex-diretor de Política Monetária do Banco Central também ressalta a importância de ajustar processos aos novos tempos de taxa de juros num patamar baixo. “Este é um grande desafio para todo o setor, que nunca havia operado com taxas de juros negativas no Brasil. A boa notícia é que este cenário faz com que todos se tornem melhores a cada dia diante de uma complexidade do mundo de negócios. Ao mesmo tempo em que abre oportunidades, traz novas responsabilidades para todos. E certamente o mercado segurador tem muito a contribuir para mitigar os riscos deste novo normal”.

IRB é pouco afetado pela pandemia, mas monitora riscos, diz Isabel Solano

isabel solano IRB

A pandemia é um desafio sem precedentes. Um novo cenário que ainda está sendo compreendido e merece atenção especial não só dos governos, mas também das empresas, afirma a vice-presidente executiva de resseguros do IRB Brasil RE, Isabel Solano. “São muitas mudanças, desde os novos riscos até a forma como regulamos sinistros”, conta. Leia abaixo os principais trechos da entrevista concedida ao blog Sonho Seguro:

Como a pandemia mudou os negócios? Como está o mercado de resseguros no Brasil? Impactados pelos resultados no exterior?

No IRB Brasil RE, criamos em abril de 2020 o Gabinete de Crise de Impactos da covid-19 para monitorar o mercado e estruturar ações em resposta à pandemia. No exercício de 2020, não foi observado impacto expressivo, relacionado ao coronavírus, nas operações do IRB. No segmento rural, o maior impacto percebido no início da pandemia foi a dificuldade de circulação dos peritos para a regulação de sinistros, o que foi contornado com o uso das ferramentas de tecnologia, como sensoriamento remoto. Não houve aumento do volume de indenização além do esperado. Na linha de negócios patrimonial, a receita de resseguro varia em função dos valores ressegurados com base no preço dos ativos das empresas. Caso ocorra queda no preço destes bens, o valor ressegurado será menor, podendo impactar no prêmio emitido dessa linha de negócio. Com a redução da produção e faturamento das empresas, os valores ressegurados com base nos lucros das empresas sofrerão impacto e o prêmio emitido dessa linha de negócio também poderá ser impactado.

E a sinistralidade?

Com relação à sinistralidade é imprescindível que ocorra um dano material previsto no contrato para gerar alguma indenização decorrente da paralisação dos negócios. Como regra internacional, danos decorrentes de doenças e pandemia estão explicitamente excluídos das apólices, entendemos que os prejuízos serão bastante limitados a algumas poucas exceções que garantem este tipo de cobertura. Entretanto, existem movimentos, especialmente no âmbito internacional, que buscam viabilizar o enquadramento de algum tipo de sinistro de lucros cessantes decorrente da pandemia via tribunais.

Quais produtos mais sofreram?

Um produto que sofreu fortemente com o isolamento social imposto pela pandemia foi o de Cancelamento de Eventos, porém a exposição da companhia a este produto é bastante limitada. Foi identificado que os grandes projetos de engenharia tiveram adiamentos importantes, impactando as receitas de resseguro das linhas de negócio que dependem desses projetos. Em relação ao mercado, a análise dos números disponibilizados pela Susep mostra que, na comparação entre 2019 e 2020, os prêmios cedidos em resseguro cresceram 29,2%, como mostra o nosso Boletim IRB+Mercado.

Vários grupos mundiais registraram perdas relevantes com a pandemia. Como foi o ano para a sua companhia e quais as perspectivas para 2021?

Vários são os motivos que fizeram de 2020 um período completamente atípico nos 81 anos de história do IRB Brasil RE. Em meio a um cenário de pandemia, a companhia mudou sua gestão e promoveu uma série de medidas para recuperar a credibilidade e recolocar o IRB Brasil RE no caminho do crescimento sustentável, com a geração de valor de longo prazo. Encerrado o exercício, o IRB se confirma como o maior ressegurador do Brasil e, indiscutivelmente, uma companhia robusta, com ativos da ordem de R$ 22,7 bilhões; sólida, com Patrimônio Líquido Total de R$ 4,3 bilhões; e líquida, com Ativos Financeiros da ordem de R$ 8,3 bilhões. O desempenho de 2020 foi marcado pela evolução prêmios emitidos em 12,7%, totalizando R$ 9.596 milhões, ante R$ 8.515 milhões no ano anterior. O resultado após impostos foi negativo de R$ 1.521 milhões em 2020, todavia com claras tendências de melhorias já verificadas no segundo semestre de 2020. Vale ressaltar que, em 2020, conservadoramente, a companhia se preparou para os possíveis impactos diretos e indiretos da covid-19 e apresentou aumento considerável em suas Provisões Técnicas. Essa questão é monitorada e vamos aumentar esses valores no caso de algum desses sinistros se materializar. Nossa gestão é pautada por visão de longo prazo, calcada na transparência e qualidade da informação. Confiamos no desempenho positivo do IRB para os próximos anos já a partir de 2021, colhendo os frutos da nossa estratégia de re-underwriting, com a descontinuidade de contratos que asseguraram baixa margem e afetaram nossos resultados.

E as renovações em 2021, o que mudou? Além do preço, franquias, clausulas de exclusões e outras restrições são observadas?

Em 2021, nossa primeira data importante para renovações foi em janeiro. Dentro da estratégia de re-underwriting, o IRB requalificou seu portfólio, com a saída de vários contratos não lucrativos e o ajuste de termos e condições nas renovações. Com isso, houve cancelamento de 11% do portfólio (principais segmentos: patrimonial, rural e aviação) e renovação de 87% dos contratos-alvo. Além disso, novos contratos representaram 13% do novo portfólio.

                                                                          
Há estudos sobre tendência de alta de preços? Quais segmentos da economia estão “mais caros” e quais ainda é possível encontrar a mesma taxa ou redução?

Há estudos importantes de brokers e de resseguradores globais mostrando a tendência de agravo nos preços, em geral, nos mercados de seguro e de resseguro. Há, também, por exemplo, relatórios da Reinsurance News/Artemis, que analisam títulos de catástrofes, capital de seguros, de resseguros e outras informações do setor direcionada para investidores, que demonstram essa evolução nos preços. A Artemis é um site especializado que publica periodicamente pesquisa com diversos players mundiais de resseguro, seguradoras, corretores de seguros e de resseguros, risk managers e investidores ILS, entre outros. Essa pesquisa com os profissionais de mercado mostrou uma expectativa de aumento de preços relevante para 2020, como realmente aconteceu. Para 2021, outros formadores de opinião relatam a continuidade desse cenário.

De uma maneira geral, esse aumento de preços impactou mais fortemente os setores da economia que apresentam algumas características mais agravadas em suas atividades, como por exemplo: mineração, siderurgia, petróleo, geração de energia, logístico, frigoríficos, etc. Isso não significa dizer que atividades menos sujeitas a grandes perdas não sofreram ajustes e agravações em suas condições de seguro, pois principalmente estas atividades colheram uma significativa redução de preços em suas apólices nos últimos 15 anos, em função do excesso de capacidade disponível no mercado desde o fim do monopólio de resseguros. Em resumo, o cenário atual é de aumento de preços e endurecimento nas condições de seguro e resseguro.

O mercado internacional está passando por um momento de “hard market”, com a subida das taxas em praticamente todos os segmentos devido ao aumento da sinistralidade e consequente diminuição das margens. Desde o ano de 2017, quando houve grandes sinistros de catástrofe naturais como os furacões HIM (Harvey, Irma e Maria), nos EUA e Caribe, e Wildfires, assim como outros eventos de 2018 na Ásia, o mercado reagiu rapidamente aumentando as taxas nas renovações em todo o mundo, por tratar-se de uma capacidade global. O mercado de retrocessão foi ainda mais afetado pela subida nos preços devido à escassez de capacidade global e os resultados históricos recentes. 

Em paralelo às catástrofes naturais, também houve frequência de sinistros severos no segmento de Dowstream Energy a partir de 2017 e uma consequente redução da oferta de cobertura de seguro e resseguro para este ramo. Como os preços já estavam bastante descontados à época, o aumento nas taxas tem sido forte, chegando a mais de 40% em algumas renovações.

No mercado doméstico de seguro agrícola, perdas importantes foram contabilizadas no período anterior à caracterização da pandemia em função da combinação de excesso de capacidade de resseguro, competição de taxas e condições entre seguradoras e a ocorrência de eventos mais severos. Essas perdas agregadas impactaram as condições de resseguro nas renovações que começaram a ocorrer desde o fim do ano de 2020 que também se somam ao momento de “hard market”, observado em outros segmentos. A covid-19 em si praticamente não impactou o segmento, que seguiu (e segue) aquecido com bastante oferta de crédito para investimentos e implantação de lavoura o que naturalmente impulsiona a demanda por apólices de seguro.

Um dos segmentos com subida de preço mais significativa é o mercado de Property, qual o IRB observou uma subida considerável nas renovações de 01/01/2021, devido aos eventos mencionados acima, assim como o ramo de Aviação, nas renovações de 01/01/2021, que por conta do sinistro dos Boeing 737 MAX, que causaram dois acidentes aéreos fatais, acionando a cobertura de grounding liability, na qual as aeronaves deste modelo ficaram sem permissão de voo até que as correções no sistema fossem concluídas; somado a alta sinistralidade do mercado na linha desde 2014.

Portanto, entendemos que no mercado Internacional não seja possível encontrar manutenção de taxas ou reduções no geral, exceto para algum nicho em particular.

Algum segmento, como cyber, D&O, energia, por exemplo, tem tido mais aumento de demanda?

O segmento de Financial Lines (que incluí D&O e cyber) como um todo têm tido uma procura muito forte. Isso ocorre pelas seguintes razões. Primeiro, uma aceleração do “hard market” (termos mais restritivos e condições mais agravadas), que já estava em processo de consolidação antes da pandemia. Depois, o modelo de home office, que foi adotada na grande maioria da economia, criou mais desafios para áreas de TIs das empresas, gerando demanda ainda maior no segmento de cyber.

Com relação ao segmento de Energia, especificamente ao ramo de petróleo, há uma tendência de aumento dos negócios, principalmente, para atender as operações dos novos campos arrematados pelos operadores nos últimos leilões. Serão perfurados novos poços e construídos novos ativos para exploração e tudo isso precisa de seguro e resseguro.


E para riscos de danos, como grandes riscos ou Property & Casualty (P&C), a demanda segue aquecida? E lucros cessantes?

A demanda segue aquecida para riscos de Property, especialmente em algumas atividades que vinham tendo um fluxo de investimento acelerado antes da pandemia e que continuaram em franca expansão, mesmo após a chegada da covid-19, como por exemplo o setor de elétrico, que seguiu com as inaugurações de novos parques eólicos, fotovoltaicos e algumas termelétricas entre 2020/2021.

Em alguns segmentos, dentre outros, como o químico e o petroquímico, nos quais não foram observados aumento relevante de demanda, mas uma redução na oferta de proteção. Com a ocorrência de sinistros severos nos últimos anos, muitos players do mercado fizeram uma revisão no seu portfólio, reduzindo a capacidade disponibilizada. Com esse desequilíbrio, foi dado início a uma escalada dos preços praticados, colaborando fortemente para o panorama atual de hard market.

Especificamente sobre a cobertura de Lucros Cessantes, a mesma continua sendo amplamente contratada pelas empresas, com os ajustes necessários em virtude das mudanças causadas no faturamento delas pela pandemia. Contudo, em geral, até o momento, as perdas globais foram muito menores do que se esperava no início de 2020. Portanto, os mercados de seguros e resseguros não sofreram perdas em suas receitas, como se imaginava, especialmente em virtude do aumento dos preços na compra dessas coberturas.

Há demanda para transferência de risco via mercado de capitais?

Foi publicada no Diário Oficial da União, em 16/12/2020, a Resolução CNSP nº 396, que dispõe sobre operações de resseguro ou retrocessão e o seu financiamento por meio de dívida vinculada a riscos de resseguro, também conhecido como Insurance Linked Securities (ILS), que é a cessão do resseguro via mercados de capitais. A norma entrou em vigor em 04/02/2021. O IRB acredita que existe a demanda. Estamos monitorando o interesse dos principais players em atuar no mercado local para o início deste tipo de operação pioneira em nosso mercado.