Boletim Focus mantém tendências negativas diante de incertezas políticas e econômicas

Pedro Simoes CNseg

O atual cenário do Brasil dificulta as projeções econômicas, que neste momento se limitam a expressar o curto prazo, comenta Pedro Simões, do Comitê de Estudos de Mercado da CNseg, a Confederação Nacional das Seguradoras. A volatilidade é atribuída ao aumento das preocupações com a sustentabilidade fiscal, com o atraso no calendário de vacinação e ainda com o noticiário político diário, que teve, na aprovação do Orçamento na semana passada, mais um capítulo conturbado por ter elevado para um total de R$ 48,8 bilhões as emendas parlamentares de deputados e senadores neste ano.

“Os sinais de incerteza política anulam os resultados da ação mais incisiva do Banco Central nas últimas semanas. Em um prazo mais longo, as ações e comunicação consideradas mais “hawkish” (dura) do que o esperado devem trazer benefício, mas, no curto prazo, o cenário de incerteza inviabiliza resultados que poderiam ser positivos como uma menor pressão sobre o câmbio e uma diminuição da inclinação da curva de juros”, comentou. 

Com este cenário, argumenta Simões, o relatório Focus desta semana mostra que os especialistas consultados pelo Banco Central mantiveram, em suas projeções, as tendências predominantemente negativas observadas nas últimas semanas para a economia brasileira: um pouco mais de inflação com um pouco menos de crescimento. A mediana das projeções dos analistas do mercado financeiro para o crescimento do PIB neste ano caiu mais uma vez, de 3,22% para 3,18%. Já a mediana da projeção para o crescimento do PIB em 2022 foi reduzida de 2,39% para 2,34%.  

A projeção para o IPCA continuou a subir, nesta semana de 4,71% para 4,81%. Para o ano que vem, foi mantida em 3,51%. “É importante notar que as projeções para inflação este ano continuaram a subir mesmo com o aumento da Selic pelo Copom e com a sinalização de novos aumentos. Pode-se argumentar, com razão, que os efeitos da política monetária se dão com alguma defasagem e, portanto, não afetariam a inflação deste ano”, cita o economista da CNseg. 

Leia no portal da CNseg a íntegra do boletim Acompanhamento de Expectativas Econômicas semanal feito pela Superintendência de Estudos e Projetos (Suesp) da CNseg.

Chubb se diz ‘desapontada’ após Hartford rejeitar oferta de compra

Fonte: Reuters

A seguradora Chubb disse nesta segunda-feira que estava “desapontada” com o fato de sua rival menor, a Hartford Financial Services Inc., ter se recusado a negociar sua oferta de aquisição de US$ 23,2 bilhões.

A Chubb fez uma oferta de US$ 65 por ação em 18 de março, um prêmio de cerca de 13% em relação ao preço de fechamento das ações da Hartford um dia antes. A rejeição de Hartford, que veio cinco dias depois, era amplamente esperada, já que analistas disseram que a empresa valia US$ 80 por ação ou mais.

Um acordo entre Hartford e Chubb seria o maior do setor desde a oferta de US$ 30 bilhões da Aon PLC para comprar Willis Towers Watson PLC no ano passado, e o maior no setor de seguros de propriedades / acidentes dos EUA desde que a Chubb foi criada em sua forma atual em janeiro de 2016 .

AGCS cresce no Brasil em 2020 e aposta em bons resultados neste ano

Glaucia Smithson, líder regional de distribuição Ibero/Latam da AGCS e CEO da AGCS Re Brasil, conversou com o blog Sonho Seguro sobre como a pandemia tem afetado o mercado de resseguros no Brasil e no mundo. Acompanhe os principais trechos na entrevista abaixo:

Como a pandemia mudou o resseguro?

Todo o segmento segurador, incluindo o resseguro, foi fortemente impactado no ano de 2020 pela pandemia. No caso da AGCS, que atua com grandes riscos corporativos, sentimos o impacto principalmente em linhas de negócio fortemente afetadas pelos lockdowns e restrições quanto a aglomerações, como o setor de entretenimento, por exemplo. No Brasil e no mercado latinoamericano, onde atuamos com resseguro desde 2013, tivemos um resultado positivo no ano passado, ainda que com a diminuição de emissões de apólices para a cobertura de eventos, como citado. Os números foram equilibrados pois, como consequência da pandemia e de mudanças na legislação, mais empresas buscaram soluções de gestão de risco ao longo do ano, como nos casos dos seguros cibernéticos. Outro ponto bastante positivo é que a região manteve um bom ritmo no setor de infraestrutura, com a continuidade de importantes grandes obras, principalmente no México e na Colômbia, com consequências bastante positivas para as ressegurador mais tradicionais em nosso mercado.

Como foi 2020 para a AGCS e quais as perspectivas para 2021?

Em um ambiente extremamente desafiador em 2020, o Grupo Allianz demonstrou resiliência frente a uma crise de saúde sem precedentes e taxas de juros prolongadas. O desempenho financeiro no ano fiscal de 2020 foi notavelmente robusto em todos os segmentos de negócios, embora a pandemia Covid-19 tenha deixado sua marca, especialmente nas linhas comerciais de P&C. Globalmente, a AGCS teve um crescimento de 2,3% na emissão de prêmios brutos ( € 9,312 bilhões – 2020). No caso da AGCS Re Brazil, o volume de prêmios emitidos brutos de comissão de cedente atingiu o montante de R$ 429,1 milhões (R$ 401,4 milhões em 2019), um crescimento de 6% impulsionado por fatores como novos negócios, expansão de relações comerciais já existentes, precificação diligente, crescimento das operações internacionais e efeitos de câmbio. Para 2021 ainda veremos alguma exposição resultado de contratos multi-year na carteira de Entretenimento, porém com impacto financeiro muito menor do que em 2020.

Quais produtos tem tido aumento na demanda com a pandemia?

O segmento de cyber risks foi um dos que mais cresceu em 2020. Com a abrupta mudança das operações das empresas para o trabalho remoto, notamos um aumento exponencial de incidentes cibernéticos. Só no Brasil, por exemplo, foram cerca de R$ 3 bilhões perdidos em ataques cibernéticos nos primeiros 9 meses do ano passado. Além do aumento da vulnerabilidade de sistemas, as empresas também ainda buscam por essa proteção em linha com a  LGPD, que a partir deste ano começará a impor multas e sanções às companhias que não se adequare m a seus termos. Desse modo, vemos para 2021 um aumento na demanda pelos seguros cibernéticos.


E como ficou o risco de danos, ou Property e Casualty (P&C)?

Em Property, o ano de 2020 apresentou uma tendência bastante diferente do usual. De acordo com a publicação “Covid-19: changing claims patterns”, a maioria das notificações de sinistros de lucros cessantes veio como decorrência dos lockdowns, e não dos tradicionais gatilhos de danos físicos. Importante citar que, no entanto, não há cobertura para lucros cessantes causados por lockdowns.

Brasilprev investe em monitoramento e personalização de regras para se adequar à LGPD

A Brasilprev, empresa especialista e líder de mercado em previdência privada, já estava preparada previamente para atender às disposições da nova Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que passou a vigorar em agosto de 2020. Com mais de dois milhões de clientes, a companhia estudou o tema durante seis meses com o apoio de uma consultoria, e focou seu trabalho em desenvolver processos de monitoramento e personalização de regras. Um dos resultados é o lançamento do seu novo site já com todas as ferramentas em prol da gestão da LGPD.

“O primeiro passo foi um mapeamento completo da utilização e armazenamento das informações dos nossos clientes. Nossa equipe e a consultoria se reuniram com todas as áreas para entender o tratamento de dados, um tema que já era trabalhado nas rotinas, o que facilitou o processo de adequação”, afirma Rogério Lelis, diretor de Gestão de Riscos e Data Protection Officer (DPO) da Brasilprev.

Com um planejamento estipulado para ocorrer em agosto do ano passado, a Brasilprev buscou criar um ambiente que garantisse a segurança dos dados dos clientes. Durante seis meses, a companhia se comunicou com todos os seus fornecedores, realizou workshops com os times e incluiu novas cláusulas contratuais, criou uma caixa de e-mail de Privacidade e atualizou os seus canais de atendimento.

Entre as medidas de proteção adotadas se destacam a elaboração de questões como a metodologia para a matriz de incidentes, fluxo para cenários de crise e respostas para incidentes de segurança da informação, além da estruturação do modelo de reporte DPO. O trabalho envolveu ainda o treinamento de 642 funcionários diretos, mais de 500 terceirizados e o envio de comunicação informativa aos fornecedores.

“Nós nos aprofundamos na conscientização interna sobre a utilização dos dados. Hoje qualquer um dos nossos clientes que queira saber sobre como essas informações são tratadas será atendido por nossas equipes que estão prontas para seguir com a conformidade da Lei de forma clara e simples”, afirma Luciana Ornelas, gestora da equipe da Brasilprev responsável pelo desenvolvimento do projeto de Adequação à LGPD.

O novo site da Brasilprev, que acaba de ser lançado em janeiro, já tem o resultado dos esforços da companhia para se adequar à nova lei e conta com todas as ferramentas em prol da gestão da LGPD pelo cliente. Todos os avisos de privacidade já estão no portal e na área logada e o cliente pode solicitar um relatório de transparência do uso de seus dados.

Em janeiro, setor de Capitalização distribui R$ 130,5 milhões em sorteios

Fenacap

Fonte: FenaCap

Com o pagamento de R$ 130,5 milhões em sorteios, o setor de Títulos de Capitalização distribuiu o equivalente a R$ 6,5 milhões por dia útil a clientes que tiveram títulos contemplados em janeiro, informa a Federação Nacional de Capitalização (FenaCap). 

Ainda de acordo com o balanço do mês, os resgates apresentaram uma queda de 11,1% na comparação ao mesmo período de 2020, alcançando R$ 1,6 bilhão, indicador que revela um comportamento cauteloso dos consumidores nesse começo de 2021. “Essa redução já vinha sendo notada desde o segundo semestre do ano passado, mas ganha significado especial porque, em geral, o mês de janeiro costuma apresentar índices mais elevados de resgates, em razão das tradicionais despesas de início de ano”, observa Marcelo Farinha, presidente da FenaCap. 

Não à toa, as reservas técnicas – recursos acumulados pelos clientes com títulos de capitalização ativos – cresceram 6% em relação a janeiro de 2020, atingindo R$ 32,5 bilhões. Esse dado aponta que as pessoas têm adiado planos de consumo e preferido manter o dinheiro guardado, um comportamento usual em tempos de incertezas. 

Como a base comparativa com o ano anterior leva em consideração um mês em que ainda não havia a pandemia, o setor registrou, em janeiro, um pequeno recuo no faturamento, de R$ 1,5%, que fechou o período em R$ 1,9 bilhão.   

Filantropia e Garantia ganham espaço – Com tendência de alta desde o ano passado, os Títulos de Capitalização Filantropia Premiável e Instrumento de Garantia iniciaram 2021 com crescimento. A primeira modalidade vem se consolidado como um canal seguro para consumidores interessados em apoiar projetos de entidades filantrópicas. Ao adquirir o produto, é possível ceder o direto de resgate de reservas para instituições previamente credenciadas e participar de sorteios regulares. A receita da modalidade alcançou  R$ 238 milhões e resultou no repasse de R$ 109,7 milhões a filantrópicas, um crescimento de 51% em relação ao mesmo período do ano anterior; já o Instrumento de Garantia, que  pode ser utilizado para garantir qualquer tipo de contrato, incluindo de aluguel de imóveis e empréstimos, já responde por 15% do faturamento global do setor, o que correspondeu a R$ 284 milhões, em janeiro. 

Susep destaca reservas de R$ 1,23 trilhão em relatório do setor de seguros

A Superintendência de Seguros Privados (Susep) divulgou hoje a primeira edição do Relatório Financeiro do Setor de Seguros, com dados de 2020, o objetivo do documento é apresentar aspectos de desempenho e de saúde financeira dos setores de seguros, resseguros, previdência complementar aberta e capitalização. No documento inédito são apresentados números do setor em demonstrações relacionadas a receitas, sinistralidade, rentabilidade, provisões técnicas, perfil de investimentos, capital e transferência de riscos. 

Os principais destaques desta edição foram: 

1) A situação econômico-financeira do setor permaneceu estável em 2020, com níveis adequados de suficiência de capital para absorver perdas inesperadas. 

2) Os ativos garantidores sob gestão do setor atingiram o total de R$ 1,23 trilhão em 2020, frente aos R$ 1,16 trilhão ao final de 2019, o que representa um aumento de 6% no volume total. 

3) Os efeitos da pandemia foram diferentes nos diversos ramos de seguros. A rentabilidade do segmento auto, medida pelo resultado técnico, cresceu de 19% para 25% um aumento de R$ 1,98 bilhão, enquanto no seguro de pessoas, caiu de 33% para 28%, uma queda de R$ 1,62 bilhão. Os movimentos possuem correlação com a sinistralidade observada nos dois segmentos, com queda no seguro auto e aumento no seguro de pessoas.

4) O lucro líquido total do setor em 2020 foi de R$ 17,52 bilhões. Apesar do resultado técnico/operacional das seguradoras ter permanecido estável em comparação com 2019, o ambiente de baixas taxas de juros contribuiu para uma queda nos resultados financeiros e patrimoniais, o que gerou uma redução na lucratividade total do setor em relação a 2019. 

5) Apesar da queda nas contribuições dos produtos de previdência tradicional, este foi o produto que apresentou maior crescimento percentual de provisões matemáticas, que representam as obrigações da entidade de previdência para com os participantes, uma vez que tais produtos garantem, em muitos casos, rendimentos contratuais maiores do que as atuais taxas de juros.   

6) O volume de cessões em resseguros observou um aumento de 29,2% em relação aos valores de 2019, fechando 2020 com uma cessão total de R$ 14,3 bilhões. As cessões para os resseguradores locais, admitidos e eventuais aumentaram 15,2%, 72,7% e 66%, respectivamente.    

O Relatório Financeiro, mais uma inovação/ferramenta disponibilizada pela Susep para promover a transparência do setor, é produzido com base nas informações obtidas a partir dos dados encaminhados pelas companhias supervisionadas.  

A autarquia disponibiliza, ainda, a Síntese Mensal dos principais dados relativos ao desempenho dos mercados de seguros, de produtos de acumulação e de capitalização. 

Ministério da Saúde contrata seguro internacional para eventos adversos das vacinas da Pfizer e da Janssen

Fonte: Estadão

O Ministério da Saúde contratou seguro privado internacional para cobrir eventos adversos das vacinas contra a covid-19 da Pfizer e da Janssen. Os avisos das contratações pelo Departamento de Logística da pasta estão publicados em edição extra do Diário Oficial da União que circulou na noite de sexta-feira (26).

Segundo o texto, a empresa Newline Underwriting Management Limited está sendo contratada por meio do Lloyds Broker the Underwriting Exchange Limited para o seguro das duas vacinas. No caso da Janssen, o valor a ser pago pelo governo brasileiro é de R$ 4,305 milhões. Para a vacina da Pfizer, o seguro contratado tem o valor de R$ 5,991 milhões.

Na semana passada, o governo federal assinou dois contratos para a compra de 100 milhões de doses que serão fornecidas pela Pfizer/BioNTech e outras 38 milhões pela Janssen, do grupo Johnson & Johnson. As duas empresas tinham como exigência para a venda dos imunizantes ao Brasil que o governo assumisse a responsabilidade por eventuais efeitos adversos da vacinação.

Projeto de lei aprovado pelo Congresso no início de março para autorizar a compra de vacinas diretamente por Estados, municípios e pelo setor privado superou esse obstáculo, autorizando todos os entes da Federação, incluindo a União, a assumir, em contratos com fabricantes de imunizantes contra a covid-19, a responsabilidade civil por possíveis eventos adversos pós-vacinação.

Perdas diárias com navio porta-contêineres encalhado no Canal de Suez, no Egito, chegam até a US$ 10 bi por dia, avalia Euler Hermes

Nesta semana, um navio porta-contêineres de 400 metros encalhou no Canal de Suez e os impactos já estão sendo sentidos em todo o mundo. Segundo cálculos do time de economistas da seguradora de crédito Euler Hermes, cada dia de imobilização poderia custar ao comércio global de US$ 6 a 10 bilhões.

O Canal de Suez é a porta de entrada para a movimentação de mercadorias entre a Europa e a Ásia e recebeu mais de 19.000 navios em 2019, ou 1,25 bilhão de toneladas de carga. Isso representa cerca de 13% do comércio mundial, portanto, qualquer bloqueio provavelmente terá um impacto significativo, de acordo com os economistas.

“Em particular, esse incidente provavelmente resultará em atrasos no envio de itens de uso diário para consumidores em todo o mundo. De acordo com a Lloyd’s List, a cada dia que leva para limpar a obstrução, haverá um valor adicional de US$ 9 bilhões em mercadorias”, afirma Ludovic Subran, economista-chefe da Euler Hermes.

Cálculos aproximados sugerem que o tráfego no sentido oeste vale cerca de US$ 5,1 bilhões por dia, enquanto o tráfego no sentido leste vale US$ 4,5 bilhões. No entanto, os mecanismos de enfrentamento estão em vigor. De acordo com a estimativa da seguradora, cada semana de fechamento deve custar de -0,2 pp a -0,4 pp de crescimento anual do comércio. Segundo as previsões comerciais, os economistas da Euler Hermes presumem que o navio bloqueará o Canal de Suez por apenas uma semana.

“O problema é que o bloqueio do Canal de Suez é a gota d’água que quebra o comércio global. As disrupções na cadeia de abastecimento desde o início do ano (escassez de contêineres, semicondutores, etc.) podem custar um crescimento comercial real de -1,4 pp ou cerca de US$ 230 bilhões de impacto direto, além da imobilização no canal”, explica Ludovic.

Segundo o economista, os prazos de entrega dos fornecedores aumentaram desde o início do ano e agora são mais longos na Europa, quando comparados com o pico da pandemia em 2020.

A queda do indicador, do pico à depressão em março de 2021, é equivalente ao que aconteceu em 2020 entre janeiro e abril na Europa e é quase duas vezes pior nos EUA. O alongamento dos prazos de entrega para os EUA pode ser explicado pelo rápido esgotamento dos estoques no setor manufatureiro, já que as empresas antecipam um aumento na demanda causado pelo estímulo do presidente Biden.

A análise aponta ainda que, ao todo, a deterioração dos prazos de entrega dos fornecedores na Europa e nos EUA poderia subtrair -1,4 pp do crescimento do comércio global real em 2021 e custar cerca de US$ 230 bilhões em termos de valor.

Efeitos secundários

De acordo com Subran, os efeitos secundários serão muito mais importantes, pois o principal impacto será sentido nos preços. “A disrupção da cadeia de suprimentos está afetando, em particular, os preços dos insumos europeus. Olhando para a relação entre os prazos de entrega dos fornecedores no setor de manufatura e os preços dos insumos, descobrimos que, a cada ano, o impacto é maior na Europa (coeficiente de -1,38, R² de 63%) e sua transmissão é relativamente rápida (um mês), enquanto nos EUA a dependência é menor (coeficiente de -0,95, R² de 38%). Portanto, esperamos que as margens das empresas europeias sejam atingidas com mais força em comparação com as americanas.

Por último, levando em consideração interrupções negativas e fatores positivos, a Euler Hermes projeta que o comércio global crescerá +7,9% em 2021. No entanto, excluindo os efeitos de base, o crescimento do volume deve atingir apenas +5,4%. As interrupções na cadeia de suprimentos devem afetar especialmente a previsão da seguradora para o segundo trimestre de 2021, que será apenas ligeiramente positiva (e a mais baixa em 2021) e estará sob o risco de ser negativa caso as interrupções persistam.

CNSP aprova novas regras para seguros de grandes riscos

O Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) aprovou o tao aguardado normativo que vai regulamentar os contratos de grandes riscos entre seguradoras e corretoras com o mundo corporativo. “Estávamos aguardando esta regulamentação e a expectativa é grande pelos detalhes”, comentou Antonio Trindade, presidente da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), em recente entrevista.

Segundo explicou a Susep, a circular dos seguros de grandes riscos visa a simplificação regulatória e proporcionará ao mercado maior liberdade contratual para as partes contratantes, permitindo que sejam desenvolvidos produtos customizados para grandes empresas e clientes, sem as amarras tipicamente geradas por planos padronizados e excesso de regulamentação. Nesse segmento o porte econômico e a capacidade técnica das partes demandam menos intervenção regulatória. Outro importante avanço é fortalecer as negociações entre seguradoras e resseguradoras, evitando descasamento de coberturas. As coberturas para seguros de grandes riscos serão desenhadas de acordo com a natureza dos riscos e a complexidade dos contratos.

Sem ainda ver o detalhamento do normativo, os executivos do setor estão animados com o novo cenário de maior liberdade. “O maior desafio é a combinação entre partes, já que estamos falando de PJ seguradora e PJ segurado. Dessa forma, a apólice passa a ter peso maior como um contrato particular entre as partes feito sob medida. E o desafio de trazer o mercado ressegurador à luz das condições negociadas com cada segurado, para que não haja diferença entre o seguro e o resseguro (apólice de seguro versus slip de resseguro). As condições Especiais e Particulares seriam diferentes para cada cliente, cada seguradora, envolvendo muito mais a área jurídica com respectivo subscritor, do que se pretende “redigir” nas cláusulas particulares”, afirmou o vice-presidente técnico da Ezze, Edson Toguchi (foto).

Para o consumidor, os principais benefícios são a possibilidade de personalização do seguro, a transparência sobre o serviço contratado e a garantia de que apesar dessa flexibilidade, a SUSEP continuará defendendo os interesses do consumidor. “Ou seja, ele poderá negociar e entender melhor o que está contratando, definindo as regras junto com a seguradora com total transparência e fiscalização de um órgão protecional que poderá ser acionado, em caso de necessidade”, acrescenta Toguchi.

Ele cita outra vantagem: a relação entre segurado e seguradora vai ser mais próxima. As seguradoras vão ter que falar de uma forma que o cliente entende, deixando o “segurês” de lado. Vão ter que se tornar mais ágeis, empáticas, que é algo que já acontece em vários setores da economia, como a indústria têxtil, que pode fazer roupas sob medida, por exemplo. Na indústria alimentar, encontramos produtos para todos os tipos de pessoas – do sem gluten ao sem açúcar, do que está na embalagem família ao que vem em porções individuais, para quem mora sozinho. É isso que, agora, começa a acontecer no segmento de seguros.  

“Nesse mercado, vai sair na frente as seguradoras que se adaptarem melhor à esta nova realidade que é o cliente no foco de todas as ações”, afirma o executivo da EZZE. “As seguradoras não estão mais engessadas a oferecer apenas produtos padrão com as mesmas coberturas e regras aprovadas pela Susep para todos os clientes. Então, claro que vamos continuar oferecendo os produtos padrão que atendem necessidades de uma parcela dos clientes e vamos criar produtos personalizados. Aliás, já estamos conversando com nossos clientes sobre estas possibilidades, entendendo o que é importante para cada tipo de negócio e de realidade”, contou ele ao blog Sonho Seguro.

621, o número que muda completamente o mercado de seguros de bens patrimoniais

Rafael Scherre. Susep

Parece uma circular como tantas outras. Mas não é. Ela muda tudo no segmento de danos, que engloba seguros de bens patrimoniais, de varejo, afinidades. O programa de seguros de danos para grandes riscos está em outra circular, aprovada nesta sexta-feira do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) e prevista para ser publicada no dia 31, quarta-feira.

“Nossa expectativa com a Circular nº 621 é que uma nova dinâmica se inicie no mercado de seguros, com o aumento da oferta e diversificação dos produtos. Esperamos a entrada de novos players no mercado, que tragam mais inovação e tecnologias para o setor. A nova norma estimula reinvenções no mercado, tornando-o ainda mais moderno e focado nas necessidades do consumidor, diante dos cenários que vivenciamos. Nossa expectativa é que as mudanças colaborem com o desenvolvimento do setor e aumentem significativamente o acesso da população e das empresas ao mercado de seguros”, diz a titular da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Solange Vieira, que promoverá de webinar no dia 31 de março, a partir das 11h, para debater o tema.

Leia abaixo os principais trechos da entrevista com o diretor técnico da Susep, Rafael Scherre.

O que a norma muda no setor?

A Circular Susep nº 621/2021, em vigor desde 1º de março, faz parte de um conjunto de ações que a Susep vem implementando para simplificar a regulação do setor de seguros, facilitando o processo de inovação que é típico de mercados competitivos. Atualmente, a regulamentação é muito complexa e burocrática. A norma vem para reduzir o peso dessa carga regulatória, permitindo maior oferta de produtos e o aumento da cobertura do seguro no país. Importante lembrar que diversas normas anteriores são revogadas com esse ato. Uma das principais mudanças é a separação da regulação de seguros de danos para a coberturas de riscos massificados e para a coberturas de grandes riscos. Enquanto o primeiro grupo requer uma atenção maior do regulador, o segundo grupo pode operar em um ambiente de plena liberdade contratual. 

E a estruturação de produtos?

A norma permite a estruturação de produtos de forma mais flexível, sem necessidade de análise prévia ou aprovação de condições contratuais pela Susep. Deixam de existir produtos padronizados pelo órgão regulador. O desenho de produtos passa a ser feito pelas empresas em um ambiente de livre concorrência, buscando o melhor para seus clientes, com mais liberdade para inovar, o que deve trazer preços mais acessíveis. Destaca-se que passa a ser possível a livre combinação de coberturas em uma mesma apólice de seguros de danos (combos). Assim, as seguradoras terão liberdade para oferecer coberturas que melhor atendam as diferentes necessidades dos segurados de forma mais simples e compreensível pelos consumidores. 

Quais os benefícios para o consumidor?

O principal foco da circular é o consumidor. Com ela, torna-se possível a oferta de combos de seguros que podem variar de acordo com o que o segurado demandar. Isso aumentará a oferta de novos produtos e, assim, a cobertura dos segurados. Por exemplo, a simplificação regulatória contribuirá para o aumento da comercialização de seguros on demand, com coberturas intermitentes, e de seguros vinculados a prestação de serviços, com preços mais baixos. Portanto, a simplificação contribuirá para o aumento da concorrência e, consequentemente, para mais inovação e redução do preço final para o consumidor.

Isso aumenta a transparência com o consumidor?

Além da redução da burocracia e de clausulados padronizados, os contratos devem ficar mais claros e objetivos, o que facilitará o entendimento dos consumidores sobre o que estão de fato contratando, quais riscos estão cobertos e aqueles que estão excluídos.  Importante lembrar que as exigências de transparência para o consumidor e responsabilização das seguradoras foi fortalecida. A norma geral de conduta, de 2020, já havia preparado o caminho para o atual movimento de flexibilização dos produtos, trazendo para a regulamentação brasileira as melhores práticas internacionais em termos de tratamento adequado do cliente e transparência. Por exemplo, a regulamentação prevê a ferramenta de “cliente oculto”, que permite a simulação da contratação de produtos para observar a atuação das empresas supervisionadas em relação aos seus clientes. Por fim, desde 1º de janeiro de 2021, a Susep integra o Consumidor.gov.br, plataforma digital do Governo Federal para resolução de conflitos de consumo. O canal pode ser acessado por meio do site da Susep (https://www2.susep.gov.br/safe/consumidor/app/), que permite a seleção da empresa a ser reclamada e direciona o consumidor diretamente para o ambiente de registro da reclamação na plataforma.

Quais produtos e serviços a seguradora já pode ter em mente para ofertar?

Com a Circular nº 621/2021, será possível, por exemplo, a oferta de seguro residencial para proteger a casa somente quando o morador estiver fora, no sistema intermitente, combinado com outras coberturas que sejam convenientes, como para automóveis, smartphones e equipamentos eletrônicos. O mesmo seguro poderá ainda oferecer coberturas para assistências e serviços de manutenção de eletrodomésticos. Seguros para empresas poderão ter coberturas diferenciadas, como para riscos de lucros cessantes por danos não materiais (interrupção de negócios em função de problemas diversos, inclusive não relacionados a danos físicos no estabelecimento), responsabilidade civil e riscos cibernéticos. Os seguros patrimoniais, por sua vez, poderão ter pagamentos baseados em índices pré-estabelecidos, como inundações, enchentes e outros fenômenos. Mas talvez o mais importante é o que esse novo ambiente favorável à inovação permitirá surgir em termos de coberturas que não existem hoje e sequer conseguimos prever.

Poder vender vários produtos em uma única apólice vai reduzir o custo para o consumidor? Tem uma estimativa percentual disso?

Sim, esse é um dos principais benefícios imediatos: permitir a combinação de coberturas que sejam convenientes para o consumidor em um mesmo produto, desburocratizando e facilitando a vida dos segurados. Naturalmente isso tende a reduzir custos para o consumidor, uma vez que as empresas podem montar pacotes e oferecer descontos para seus clientes, tal como ocorre em diversos setores da economia. Dados de mercado do ano passado indicam que inovações nos seguros de automóveis com coberturas on demand permitiram redução de preço de até 50% para os consumidores, dependendo de seu perfil. A redução de preço efetiva nos diversos segmentos de seguros virá com o tempo e será tão maior quanto mais inovação e competição observarmos nesse novo ambiente.

Há total liberdade para as seguradoras criarem produtos, então?

As seguradoras vão definir seus novos produtos de acordo com a necessidade dos clientes que quiserem manter ou atrair – tanto consumidores pessoa física quanto empresas de portes variados. O ambiente competitivo também será fundamental para isso. Empresas que estão entrando no mercado, mais focadas no cliente e intensivas em tecnologia, já preparam combos que combinam coberturas intermitentes de seguro auto e residencial em uma mesma apólice. Outras empresas já acenam com produtos empresariais que combinam coberturas tradicionais de seguro empresarial com coberturas de responsabilidade civil e riscos cibernéticos. Em breve também será possível combinar coberturas de seguros de danos com coberturas de seguros de pessoas, na sequência do processo de simplificação regulatória e flexibilização de produtos (além da Circular 621/2021, a Circular 620/2020 já havia proporcionado intensa simplificação da regulação dos seguros do grupo patrimonial).

E em grandes riscos, esta norma se aplica ao segmento?

Uma das principais mudanças promovidas pela Circular nº 621/2021 é a separação da regulação de seguros de danos para cobertura de riscos massificados e para cobertura de grandes riscos. A norma que trata dos seguros de grandes riscos ainda depende de aprovação pelo Conselho Nacional de Seguros Privados – CNSP, cuja deliberação está prevista para ocorrer ainda esse mês. Para os seguros de grandes riscos, a simplificação regulatória proporcionará ao mercado maior liberdade contratual para as partes contratantes, permitindo que sejam desenvolvidos produtos customizados para grandes empresas e clientes, sem as amarras tipicamente geradas por planos padronizados e excesso de regulamentação. Nesse segmento o porte econômico e a capacidade técnica das partes demandam menos intervenção regulatória. Outro importante avanço é fortalecer as negociações entre seguradoras e resseguradoras, evitando descasamento de coberturas. As coberturas para seguros de grandes riscos serão desenhadas de acordo com a natureza dos riscos e a complexidade dos contratos.