Durante a Cop30, a corretora global Howden, especializada em seguros de alta complexidade, lançou um relatório inédito, em parceria com o Boston Consulting Group (BCG) e com o High-Level Climate Champions, que mostra como a ausência de seguros impede o avanço de soluções sustentáveis no campo. A transição para a agricultura regenerativa no Cerrado, no Brasil, representa uma oportunidade de investimento de US$55 bilhões até 2050, dos quais mais de 80% dependem de financiamento puramente privado. E o seguro é fundamental para desbloquear esse investimento.
Os sistemas agroalimentares estão sob crescente pressão devido aos riscos climáticos, à degradação do solo e ao aumento da demanda global. Atualmente, o setor agroalimentar atrai apenas 7% dos fundos globais de financiamento climático, e menos de um quinto desses recursos chega aos pequenos produtores rurais, o que limita a adoção de práticas sustentáveis em larga escala1. De acordo com o documento, para atingir as metas climáticas e de biodiversidade, garantindo ao mesmo tempo a segurança alimentar, a agricultura regenerativa e o reflorestamento precisam ser ampliados drasticamente.
“A transição dos sistemas alimentares globais exigirá entre US$250 e 430 bilhões anualmente. No entanto, agricultores continuam desprotegidos e sem acesso a crédito, enquanto o mercado financeiro está mais seletivo em liberar capital, principalmente porque catástrofes climáticas colocam em risco o retorno do investimento. No Brasil, 48% dos agricultores justificam a falta de financiamento para a adoção de práticas regenerativas2. O seguro tem o poder catalisador para mudar esse cenário. Ao compreendermos e incorporarmos soluções de seguro desde o início — especialmente em reflorestamento, agricultura regenerativa e cadeias de valor agroecológicas —, podemos transforme capital estagnado em oportunidades de investimento e concretizar todo o potencial dessas transições”, destaca Antônio Jorge Rodrigues, Head de Resseguros de Contratos da Howden Re Brasil, braço global de resseguros e consultoria estratégica da Howden.
Potencial brasileiro
Embora o desafio seja global, o relatório destaca que poucos países têm tanto peso quanto o Brasil quando se trata de agricultura regenerativa e segurança alimentar. A região do Cerrado é uma potência global em alimentos, responsável por mais de 25% da soja mundial, 6% da carne bovina, 27% da cana-de-açúcar e 6% do milho3. Os biomas do Cerrado e da Amazônia, que juntos somam mais de 50 milhões de hectares, são descritos como fundamentais para a estabilidade climática e a oferta global de alimentos.
A transição de seus modelos produtivos para práticas regenerativas representa, segundo o BCG, uma oportunidade de investimento superior a US$92 bilhões, com retorno projetado de 15% a 29% até 2050 e benefício direto para mais de 600 mil agricultores. O potencial climático também é expressivo: 210 milhões de toneladas de CO₂ e emissões evitadas até meados do século.
Seguro como infraestrutura da transição climática
Apesar desse potencial, os riscos climáticos, regulatórios e financeiros seguem amplamente desprotegidos. O relatório defende que o seguro seja reposicionado como infraestrutura essencial da transição climática. “Com as soluções corretas implementadas, seguros não serão vistos como um custo, mas como um catalisador, apoiando financiadores e formuladores de políticas, bem como o setor privado em geral, na promoção de uma transição inclusiva e resiliente”, destaca Dan Ioschpe, Climate High-Level Champion da COP30.
Neste contexto, o relatório apresenta exemplos de inovação já em curso. “Os primeiros resultados já demonstram o impacto potencial dos seguros em diversas escalas: desde a aceleração de projetos de financiamento para a transição, avaliados entre US$ 3 e 5 bilhões, até centenas de milhões de dólares em financiamentos para reflorestamento e sistemas agroflorestais, viabilizados por soluções de seguros, além de produtos de índice climático que já pagaram milhões em indenizações aos agricultores”, complementa Dan Ioschpe.
Impactos da falta de cobertura
Na América Latina, a situação é desafiadora: 65% dos pequenos produtores não têm acesso a crédito, conforme os autores. E quem adota práticas regenerativas costuma enfrentar perda de rentabilidade entre 15% e 25% nos primeiros anos da transição, elevando o risco de inadimplência2.
O impacto da ausência de seguros também é sentido em economias avançadas. Anterior estudo da Howden4, encomendado pelo Banco Europeu de Investimento, as perdas agrícolas ligadas ao clima já somam €28 bilhões por ano na União Europeia e podem chegar a €40 bilhões anuais até 2050, mesmo em cenários moderados de aquecimento global.
“O seguro é o elo perdido da transição climática. Ele redistribui o risco, atrai capital e permite que mudanças reais ganhem escala. A transição para a agricultura regenerativa representa uma das maiores e mais importantes realocações de capital que veremos na próxima década”, conclui Antônio Jorge Rodrigues.
A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser promessa para se tornar um divisor de águas na transformação do seguro, segundo palestras sobre o impacto da inteligência artificial no seguro e uma visão de futuro”, tema central da sétima edição do CQCS Inovação 2025, realizado nos dias 11 e 12 de novembro, em São Paulo. Executivos das principais seguradoras do país mostraram como a tecnologia está moldando o presente e o futuro da indústria, com ganhos de eficiência, novos modelos de negócio e o desafio de preservar o toque humano.
Um relatório da McKinsey & Company apontou que empresas que aplicam IA na otimização de processos têm visto uma redução média de 50% no tempo de execução de tarefas e uma melhora de 40% na eficiência operacional. Por outro lado, 90% dos investimentos em inovação não tiveram o sucesso esperado, o que faz a decisão de apostar em tecnologias algo mais centrado, pensando e avaliado com precisão e discernimento, avaliam os executivos.
Eduardo Dal Ri: IA com propósito e segurança
Para Eduardo Dal Ri, CEO do Grupo HDI, a IA precisa demonstrar benefícios reais e mensuráveis. “Desde o começo, fui um entusiasta em relação ao uso da Inteligência Artificial aqui no Grupo HDI e temos trabalhado com o letramento em IA e com soluções em diversas áreas internas e de atendimento ao cliente que ampliam a nossa eficiência, qualidade de entrega e valor para os nossos segurados, colaboradores, corretores e parceiros de negócio. Ainda temos um longo caminho a percorrer, mas já estamos entusiasmados com os primeiros resultados”, contou em sua fala.
“A priorização da inteligência artificial é dinâmica. Ela tem de gerar retorno concreto, como aumento do NPS e ganho de eficiência profissional”, disse. Segundo ele, 99% das seguradoras globais já pensam em IA, mas apenas 7% conseguiram implementar soluções em escala até 2024. No Brasil, o uso cresce rapidamente — o país já é o terceiro maior em adoção de IA, atrás apenas de EUA e Índia. Na HDI, as aplicações estão concentradas em sinistros, operações, prevenção a fraudes e call centers. “A pessoa não será atendida por IA, mas ela agiliza o primeiro contato. O atendimento humano virá mais resolutivo e empático”, destacou. Dal Ri também defendeu a união das seguradoras no combate a fraudes por meio da troca de modelos matemáticos e bases de dados compartilhadas.
Paulo Kakinoff: eficiência e hiperpersonalização
Paulo Kakinoff, CEO do Grupo Porto, comparou a revolução da IA à soma de todas as inovações das últimas três décadas. “A ferramenta de IA é tão poderosa que resultará em eficiência equivalente à soma dos últimos 30 anos”, afirmou. Para ele, o verdadeiro salto de disrupção ocorre agora porque o custo se tornou acessível. “Hoje, transcrevo todas as minhas ligações e obtenho insights imediatos. Antes levava semanas para entender o problema. Isso muda a gestão”, contou. Kakinoff destacou três eixos: eficiência operacional, desafios da fraude digital e hiperpersonalização dos produtos.
“A IA permitirá precificar o risco para cada indivíduo, eliminando deficiências de análise e ampliando a inclusão”, disse. Mas alertou: “Não é gratuita. É cara. Se não estiver a serviço do negócio, é apenas custo adicional”.
Sobre o horizonte deste aprendizado. Kakinoff acredita em muitos desafios. Se a Meta, que é dona do WhatsApp, uma das empresas de capital aberto mais capitalizada no mundo, ainda não conseguiu nos entregar uma transcrição das mensagens com uma grafia e entendimentos corretos, imaginem as outras empresas que não tem”, avaliou.
Helder Molina (MAG): estratégia e discernimento
Representado por Gustavo Doria, o CEO do Grupo MAG, Helder Molina, trouxe um alerta: a adoção da IA sem estratégia é “anabolizante empresarial”. “Estamos entrando na era da inteligência como serviço, com soluções para todo tipo de problema. Mas aplicar IA sem discernimento estratégico é comprometer o coração do negócio”, afirmou. Para Molina, a liderança deve equilibrar ceticismo e otimismo. “Temos a chance de desenhar a próxima era da indústria de seguros”, concluiu.
Governança, empatia, cuidado e o retorno ao humano
A diretora de Gente e Cultura da Porto, Patrícia Coimbra, lembrou que a IA é poderosa, mas não substitui o elemento humano. “A complexidade das relações do nosso negócio só as pessoas podem cuidar”, disse. Com consultores internacionais — um baseado na China e outro no Vale do Silício —, a Porto estuda as diferentes trajetórias de adoção global. “Na China, a IA virou parte do processo, mas muitos consumidores já pedem o humano de volta. É uma tendência que combina com o perfil brasileiro”, observou.
Na Bradesco Seguros, a IA está sendo implantada de forma transversal, com foco em empatia, explicou Valdirene Secato, diretora de Recursos Humanos, Universeg, Sustentabilidade e Ouvidoria. “Ela precisa estar a favor de cuidarmos das pessoas — colaboradores, corretores e clientes. É um presente da área de inovação, mas cabe a nós garantir que seja usada com humanidade”, afirmou.
Gui Marback ressaltou que as máquinas e as inovações não vieram para substituir os humanos. “Elas vieram para nos provocar sobre o quanto estamos efetivamente dando atenção àquilo que é humano”, pontuou Marback. “A inteligência artificial assume o papel de ferramenta, e nós [assumimos] o papel da consciência”, completou o consultor.
Ney Dias: IA para eficiência e crescimento
O CEO do Grupo Bradesco Seguros, Ney Dias, apresentou aplicações práticas voltadas à eficiência operacional e à expansão do mercado. “A IA pode reduzir as tarefas operacionais do corretor de 50% para 30% do tempo, liberando-o para se relacionar com clientes e buscar novas oportunidades”, explicou. Segundo ele, a ferramenta já acelera regulações e processos internos, e será fundamental para atingir a meta de elevar a penetração do seguro no PIB de 6% para 10% até 2030. “Investir em IA não é mais futuro, é presente”, reforçou.
Ariel Couto: amplificar, não substituir
O presidente da MDS, Ariel Couto, defendeu a IA como amplificadora da capacidade humana. “Ela libera até 70% do tempo de tarefas rotineiras, mas exige controle humano — a IA ainda alucina e pode cometer erros graves”, afirmou. Na MDS, resultados concretos já aparecem: processos de conciliação financeira ficaram dez vezes mais rápidos, e as análises de M&A reduziram 85% do tempo. “A meta é democratizar a IA em toda a companhia. Cada colaborador precisa desenvolver pelo menos uma aplicação prática”, contou.
Pottencial: AI desenvolve a minuta da apólice instantaneamente
Na Pottencial Seguradora, por exemplo, a aplicação de IA está focada em automatizar tarefas operacionais e acelerar processos do dia a dia dos corretores. De acordo com Geo Neto, o objetivo é simplificar a jornada e reduzir etapas manuais. “Para um corretor que chega à Pottencial precisando enviar documentos em anexo, ele pode simplesmente enviar o e-mail com o anexo e a IA fará a leitura e desenvolve instantaneamente uma minuta de apólice com toda a aplicabilidade, além de permitir mensuração de resultados”, comentou João Geo Neto, CEO da Pottencial Seguradora. Além disso, a companhia oferece recursos que aceleram o trabalho dos times e sustentam sua estratégia de digitalização. A Pottencial conta com uma estrutura tecnológica robusta, com mais de 30% do quadro de colaboradores dedicado à área de tecnologia, e vem adotando ferramentas como o GitHub Copilot para aumentar eficiência e velocidade no desenvolvimento.
Fábio Leme: tecnologia com empatia
Para o VP de Linhas Pessoais da Zurich Seguros, Fábio Leme, o futuro do seguro passa pela combinação entre tecnologia e empatia. “Sessenta por cento dos consumidores pagam mais por empresas que demonstram empatia. A tecnologia precisa ser humana para gerar confiança”, destacou, citando pesquisa global. Leme revelou que a Zurich já possui cerca de 70 soluções com agentes de IA e deu como exemplo o seguro celular, com 65% dos sinistros resolvidos sem intervenção humana. “Mesmo assim, o consumidor prefere acreditar que há uma pessoa por trás do processo. A empatia continua essencial”, completou. Outra iniciativa é o Climate Spotlight, ferramenta que usa IA e dados climáticos históricos para projetar riscos de eventos extremos, como enchentes, vendavais e ciclones, em diferentes regiões do Brasil e do mundo. A solução ajuda grandes empresas a antecipar cenários e tomar decisões estratégicas de prevenção e gestão de risco.
Adilson Lavrador: IA como ferramenta, não panaceia
O diretor-executivo da Tokio Marine, Adilson Lavrador, reforçou que a IA deve ser aliada, não solução mágica. “Grande parte das iniciativas falha por má aplicação. É preciso usar onde realmente agrega valor, sem reinventar processos que já funcionam bem”, alertou. A Tokio criou uma “Semana da IA” para disseminar conhecimento entre áreas e lançou um programa de capacitação para corretores. “Nosso papel é ensinar a pescar, não entregar soluções prontas”, disse. Para Lavrador, o futuro passa pela criação de produtos personalizados e modelos de negócio inovadores apoiados na IA.
Patrícia Chacon: personalização e transformação cultural
A futura CEO da Porto Seguro, Patrícia Chacon, que assume o cargo em 2026, destacou que a IA deve resolver problemas humanos reais. “Ela é um meio para encantar pessoas, não um fim em si”, disse. Entre os aprendizados da Porto, ela apontou três pilares: resolver dores humanas, escolher casos de uso estratégicos e promover uma transformação cultural. “No começo, os reguladores de sinistro temiam perder o emprego. Hoje dizem que ganharam qualidade de vida. A IA os libera para focar no que chamamos de ‘magia da negociação’”, afirmou. “Quando pensamos em soluções de IA com toda essa grande inovação, não podemos esquecer que a IA não é o fim. A IA é um meio para fazermos aquilo que sempre fizemos: encantar pessoas da melhor forma”. Resumindo, ficou claro que a Inteligência Artificial já é uma aliada indispensável do setor, mas seu sucesso depende de algo que nenhuma máquina é capaz de replicar: o propósito humano. Entre algoritmos, eficiência e personalização, os líderes do seguro convergem em uma mesma direção — a de que o futuro da indústria será moldado por quem souber combinar tecnologia com empatia, dados com ética e inovação com propósito.
IA e parcerias digitais
O VP Comercial da MetLife, Marcelo Tomei, apresentou o projeto Xcelerator, que expandiu o alcance da seguradora com parcerias em bancos digitais, varejo e administradoras de cartões. “Precisamos criar soluções conjuntas, não apenas vender produtos. Em dois anos, já conectamos 20 parceiros e 20 milhões de clientes”, afirmou. A IA, segundo ele, ajuda a testar e aprimorar continuamente essas jornadas. “Com toda a transformação digital que aconteceu no país, a gente tem investido muito em inovação e tecnologia para levar o seguro às pessoas, levando a venda por comodidade dentro da jornada e do momento de vida do cliente, por meio dos nossos parceiros”, pontuou Tomei.
Marcelo Sayeg, do C6, destacou que a troca proporcionada durante a conversa foi muito interessante. “Falamos bastante de venda por comodidade voltada para o corretor de seguros e sobre como as ferramentas de tecnologia podem ser aplicadas para tornar a vida do corretor mais fácil, sobrando mais tempo para ele, oferecendo uma melhor oferta de produtos ao cliente final e trazendo produtos novos, o que facilita ainda mais o seu dia a dia”, disse Sayeg.
Solon Barreto, da Alba Seguradora, ressaltou que a experiência foi bacana e enriquecedora. “O tema vai muito além de um diferencial de uma companhia seguradora ou de alguma operação comercial: falamos sobre inclusão”, esclareceu. “Tenho certeza de que a venda por comodidade contribuiu para a inclusão de novos consumidores e vem impulsionando uma grande revolução no nosso mercado”, concluiu Barreto.
IA como meio, não como estratégia final
Marcus Vinícius de Oliveira, CEO da Wiz Co, afirmou que tem observado como as gerações, novas e mais antigas, interagem com a tecnologia. “Em uma ponta, temos a geração Z, que pensa de forma muito diferente. É uma geração obcecada por inovação, por informação e por mais conhecimento. Do outro lado, temos a população 65+, que vai representar 30% da população até 2050 e movimenta 3,8 trilhões de reais por ano. Ela também usa tecnologia e precisa de serviços que facilitem o dia a dia”, explicou Marcus Vinícius.
O executivo fechou sua fala chamando atenção para o uso consciente e estratégico da IA: “A IA não é a solução mágica, não vai resolver todos os problemas das empresas. É uma ferramenta que precisa ser bem estudada e aplicada para que, realmente, faça diferença e traga resultados. Na Wiz Co, preferimos testar com calma e aos poucos para que possamos entregar o que de melhor a IA tem a oferecer para o setor de seguros”, finalizou o CEO.
Luciano Soares: AI reduz em até 85% o tempo gasto na cotação de produtos
“O seguro nasceu do mutualismo, da ideia de que a proteção individual fortalece o coletivo. A inteligência artificial representa uma nova etapa dessa história: ela amplia nossa capacidade de compreender cada pessoa e, com isso, proteger melhor o conjunto. Na Icatu, vemos a IA como uma ferramenta que potencializa nossa missão de proteger vidas. Fazemos isso ao preservar o olhar humano que está no centro da nossa atividade. É sobre esse equilíbrio entre inovação e propósito que queremos abordar no painel do CQCS”, afirma Luciano Soares, CEO da Icatu Seguros. Uma das mais inovadoras iniciativas da Icatu nesse sentido foi a A.V.I., assistente virtual atualmente disponível para corretores, que usa IA para gerir a carteira de clientes e dar suporte no processo de venda na palma da mão, via WhatsApp. Além de auxiliar na interação com clientes a partir da recomendação de mensagens personalizadas, a iniciativa reduz em até 85% o tempo gasto na cotação de produtos de vida. “No passado, o grande valor do corretor estava na informação que ele detinha. Hoje, na era da IA e da informação abundante, seu verdadeiro valor vai além de transformar dados em proteção. A tecnologia amplia as possibilidades, mas é a sensibilidade humana que transforma informação em cuidado. A nossa ferramenta de IA foi criada para que o corretor possa dedicar a maior parte do seu tempo à escuta ativa e ao relacionamento com o cliente”, complementa Luciano.
A SulAmérica encerrou o terceiro trimestre de 2025 com desempenho positivo, impulsionado pela expansão de sua base de beneficiários e pela melhora dos indicadores operacionais. A receita líquida da operadora de saúde e odontologia atingiu R$ 8,5 bilhões entre julho e setembro, um crescimento de 10,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O número total de beneficiários chegou a 5,7 milhões, avanço de 10,1% no comparativo anual. No segmento de saúde, a companhia registrou 3,1 milhões de segurados, alta de 9% em um ano, com acréscimo líquido de 256 mil vidas. Já em odontologia, o total de beneficiários subiu 11,5%, para 2,6 milhões.
O Ebitda somou R$ 564,8 milhões no trimestre, um crescimento de 57,8% sobre o mesmo período de 2024. No critério ajustado, o indicador ultrapassou R$ 1 bilhão, alta de 68,1%, refletindo a melhora no índice de sinistralidade. A sinistralidade consolidada recuou para 80,1%, queda de 2 pontos percentuais na comparação anual e de 1,3 p.p. em relação ao segundo trimestre deste ano.
“Seguimos uma trajetória de eficiência e disciplina, com despesas extremamente controladas. Tanto agora, no fim de 2025, quanto na agenda de 2026, nosso principal objetivo é continuar crescendo com sustentabilidade e rentabilidade”, afirmou Raquel Reis, CEO da SulAmérica Saúde e Odonto.
As despesas gerais e administrativas totalizaram R$ 366,4 milhões no trimestre, aumento de 12,9% frente ao mesmo período de 2024, o que representa 4,3% da receita líquida.
Segundo Raquel Reis, a melhora da sinistralidade é resultado de um trabalho contínuo iniciado em 2022 e 2023, com foco em ações de longo prazo voltadas à eficiência e à qualidade da gestão de saúde.
Com quase 130 anos de história, a SulAmérica consolida-se como uma das principais operadoras do país, com atuação em saúde, odontologia, vida, previdência e investimentos, atendendo mais de 6,8 milhões de clientes e apoiada por uma rede de mais de 37 mil corretores em todo o Brasil.
O mercado segurador brasileiro faturou, no acumulado de janeiro a agosto, R$ 145,7 bilhões, avanço de 7,1% sobre o mesmo período de 2024. Apenas em agosto, dado mais recente do setor, foram R$ 19 bilhões de prêmios emitidos em seguros. É o que mostra análise divulgada pelo IRB+Inteligência, plataforma de dados do IRB(Re).
Nos oito primeiros meses de 2025, as seguradoras destinaram R$ 20 bilhões ao resseguro, crescimento de 11% em relação ao mesmo período de 2024. O lucro líquido acumulado também teve alta de 11% frente ao mesmo intervalo do ano anterior e somou R$ 26,4 bilhões.
Ainda de acordo com o Boletim IRB+Mercado, em agosto, o mercado segurador cresceu 4,9% no comparativo com o mesmo mês de 2024, com destaque para o segmento Corporativo de Danos e Responsabilidades, que registrou a maior variação: 13,5%. Já o segmento Rural reduziu em 25,3% o faturamento, a quinta retração do ano.
Em agosto, a sinistralidade do mercado recuou 3,4 pontos percentuais (p.p.) frente ao mesmo mês de 2024, devido, principalmente, à redução nos sinistros ocorridos na linha de negócio Aeronáuticos. No acumulado do ano, a taxa encerrou em 40,9%, abaixo dos 43,7% registrados no mesmo período de 2024.
Corporativo de Danos e Responsabilidades Com faturamento no mês de R$ 3,3 bilhões, Corporativo de Danos e Responsabilidades registrou a maior alta de agosto, de 13,5%, impulsionada, sobretudo, pela linha de negócio Petróleo. No acumulado do ano, o segmento avançou 8,3%, resultado, principalmente, do bom desempenho dos seguros habitacional e riscos diversos. Quanto à sinistralidade, o índice recuou de 52% para 41% no acumulado de 2025.
Em agosto, com faturamento de R$ 1,2 bilhão, o segmento de seguros rurais registrou retração de 25,3% frente a agosto de 2024. No acumulado do ano, a queda foi de 7,4%. A sinistralidade acumulada recuou 2,9 p.p., encerrando em 33,3%, nível mais baixo para o período desde o início da série histórica, em 2014.
O segmento de seguros de vida, que responde por 35% do mercado, registrou faturamento no mês de R$ 6,9 bilhões. Em agosto, o segmento variou 10,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior, impulsionado pelas coberturas de vida (16,4%) e prestamista (9%). No acumulado do ano, o setor progrediu 8,4%. A sinistralidade total recuou 1,6 p.p., encerrando os oito primeiros meses do ano em 27,8%.
Automóvel cresceu 2,3% em comparação ao mesmo mês de 2024, mantendo-se entre os principais responsáveis pelo avanço do mercado. No acumulado de janeiro a agosto, o aumento foi de 5,4%. O faturamento no mês foi de R$ 5,3 bilhões enquanto a taxa de sinistralidade permaneceu estável em 59,4%, mantendo o mesmo nível observado desde 2023 para o período.
Com crescimento de 10,8% em relação ao mesmo mês de 2024 e faturamento de R$ 1,6 bilhão em agosto, seguros individuais contra danos encerrou os oito meses do ano com a sinistralidade em 28,2%. No acumulado do ano, o segmento teve evolução de 12,1%, tracionada pelos seguros compreensivos residencial e empresarial.
No oitavo mês do ano, o segmento de crédito e garantia retraiu 5% frente ao mesmo mês de 2024 e registrou faturamento de R$ 627 milhões. No entanto, no acumulado do ano, a variação foi a maior do período: 17,4%, com destaque para o desempenho do seguro garantia segurado – setor público (26,5%). No mesmo período, a sinistralidade atingiu 46,2%, aumento de 23,9 p.p..
A Casa do Seguro, em Belém, foi palco na tarde de 10 de novembro da “COP30 Global Sustainable Insurance Summit: Dia da Segurabilidade, Inclusão e Resiliência”, evento promovido pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) e pela Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP-Fi).
O encontro reuniu lideranças internacionais para discutir o papel estratégico do setor de seguros na construção de uma economia mais resiliente, inclusiva e sustentável diante das mudanças climáticas.
Compromisso de longo prazo com a sustentabilidade
O presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, destacou a longa trajetória do mercado brasileiro na agenda de sustentabilidade e sua parceria com a ONU. “O Brasil foi um dos primeiros países a aderir aos Princípios para Seguros Sustentáveis (PSI), em 2012, e o primeiro a integrar o Fórum de Transição de Seguros para Net Zero (FIT)”, lembrou.
Dyogo ressaltou que o encontro simboliza a consolidação de uma relação “de longo prazo e muito frutífera” com o UNEP-Fi e reforçou o papel do seguro como instrumento essencial de proteção social. “Precisamos ampliar as soluções e as parcerias público-privadas para enfrentar os impactos das mudanças climáticas e reduzir o gap de proteção”, afirmou.
O head de Seguros da ONU, Butch Bacani, celebrou a parceria com o Brasil e o retorno do debate global de sustentabilidade ao país onde os PSI nasceram. “O movimento global de seguros sustentáveis nasceu nas praias de Copacabana e Ipanema. Voltar ao Brasil é como voltar para casa”, disse, em tom bem-humorado.
Do Rio a Belém: os marcos da sustentabilidade em seguros
O primeiro painel resgatou a evolução do setor desde a Rio+20, quando foram lançados os Princípios da ONU para Seguros Sustentáveis. O CEO da Bradesco Seguros, Ivan Gontijo, destacou o protagonismo do setor brasileiro e o papel da Casa do Seguro como “um verdadeiro hub de ideias e soluções para proteção da sociedade”.
“Nosso mercado tem a missão de transmitir segurança e amparo a todas as camadas sociais. Falar de sustentabilidade é falar também de inclusão e proteção das pessoas”, afirmou. Gontijo apontou quatro pilares de atuação do grupo: engajamento com pessoas, educação financeira, negócios sustentáveis e cuidado com o meio ambiente e as mudanças climáticas.
Para o dirigente, a resiliência do setor após a pandemia comprova seu papel estratégico. “O setor de seguros mostrou-se o mais resiliente e adaptável às necessidades da sociedade. Nosso compromisso com a sustentabilidade é permanente e essencial para comunidades mais inclusivas e resilientes”, concluiu.
Butch Bacani completou ressaltando que o Brasil tem sido um “pilar de liderança global” na construção da agenda de seguros sustentáveis. “Quando o mundo precisou de apoio, o Brasil sempre respondeu: venham, nós daremos suporte”, disse.
A urgência da ação
A presidente da European Climate Foundation, Laurence Tubiana, defendeu que o tema dos seguros ocupe posição central na agenda climática global. “Os prêmios estão subindo e alguns produtos estão desaparecendo. O risco climático deixou de ser futuro e passou a ser presente”, alertou.
Tubiana destacou que o seguro é um pilar democrático e social: “Quando as pessoas perdem o direito de se proteger, perdem também a confiança nas instituições. Precisamos de uma abordagem sistêmica para reduzir desigualdades e fortalecer a resiliência.”
O desafio da segurabilidade em todas as regiões geográficas
Moderado por Butch Bacani, o segundo painel reuniu lideranças globais para debater como enfrentar o aumento do risco climático e a ampliação da lacuna de proteção.
O presidente da Zurich Insurance Group, Michel Liès, lembrou que 60% das perdas climáticas no mundo ainda não são seguradas. “Resiliência não é política, é uma necessidade. Precisamos participar do planejamento público e garantir financiamento prévio para a prevenção. Juntos, governos e seguradoras podem criar soluções mais eficientes e humanas”, afirmou.
Da Aviva Group, a diretora de Sustentabilidade Claudine Blamey defendeu uma visão sistêmica e integrada: “Sustentabilidade está no centro da nossa estratégia. Liderança é menos conversa e mais ação. Criamos coalizões no Reino Unido para mitigar riscos de inundação e desenvolver soluções baseadas na natureza.”
Representando a sociedade civil, Aaron Vermeulen, líder global da prática financeira da WWF International, reforçou que as soluções naturais são essenciais para reduzir riscos. “Mitigação climática e investimento em soluções baseadas na natureza são as melhores estratégias para governos e reguladores. Precisamos substituir o cinza pelo verde”, afirmou.
A presidente da European Climate Foundation, Laurence Tubiana, destacou que “o setor de seguros tem uma visão de futuro que os economistas não têm” e convocou os participantes a “falar mais alto e colocar o risco climático no centro das decisões políticas e econômicas”.
O presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, também participou do debate, enfatizando a necessidade de ampliar a presença do setor nas discussões globais. “É curioso ver que todos na Zona Azul e na Zona Verde falam de risco climático, mas os especialistas em risco não estão participando dessas conversas. Isso é completamente inconsistente”, afirmou.
Dyogo destacou que a agenda de adaptação ganhou força na COP30 e que o setor de seguros está “melhor posicionado para contribuir de forma concreta”. “Acredito que o seguro será reconhecido nos documentos oficiais da Conferência como parte essencial da solução climática”, disse. O presidente da CNseg concluiu sua participação reforçando o engajamento do setor: “Não devemos nos contentar com os resultados da COP. Precisamos ir muito mais longe — e, por isso, aderimos imediatamente à força-tarefa internacional proposta por Laurence Tubiana.”
As estratégias globais de seguros sustentáveis
O terceiro e último painel da tarde, também moderado por Butch Bacani, deu continuidade à discussão focada em mercados emergentes e países em desenvolvimento. Butch Bacani destacou a parceria da UNEP com o Grupo V20 de Ministros das Finanças, que cresceu para mais de 70 ministérios de países em desenvolvimento, representando as nações mais vulneráveis ao clima.
Ele alertou que, coletivamente, os países-membros do V20 perderam 20% de seu PIB nas últimas duas décadas devido a perdas relacionadas ao clima. O foco central do painel foi nas Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs), que compõem até 80% da economia total em mercados emergentes e sofrem com a falta crônica de acesso a seguros.
O CEO de Mercados Internacionais e Membro do Comitê de Gestão do Grupo AXA, Hassan El-Shabrawishi (AXA) destacou a gravidade da crise climática, mencionando que o mundo já ultrapassou 1,5ºC de aquecimento e que o preço da inação é enorme. Ele apresentou a atuação da AXA em três frentes: redução do risco do investimento, que multiplica o capital atraído; seguro inclusivo, que usa tecnologia e parcerias para segurar milhões de clientes em mercados emergentes por uma fração do preço; e investimento em infraestrutura resiliente ao clima, para a qual a AXA já canalizou cerca de sete bilhões de euros. Ele concluiu que a resiliência não é um risco, mas sim “uma escolha e uma oportunidade”.
O assessor da Comissão Executiva da Fidelidade, Tomé Pedroso enfatizou a necessidade de adaptar as soluções de seguro à realidade local, citando o desafio da economia informal no Peru, onde 70% é informal. Ele compartilhou o exemplo de como a Fidelidade desenvolveu uma solução inovadora de seguro contra a COVID-19 no Peru, que foi adotada como obrigatória pelo governo. Tomé também ressaltou que o setor deve ir além do pagamento de sinistros e focar na redução do risco, através da prevenção e do trabalho em conjunto com outras partes interessadas, como médicos e universidades, para enfrentar problemas como o câncer de mama.
A chefe do Conselho Consultivo Global de Risco Climático da AON, Liz Henderson, abordou a mudança na relação entre corretores, seguradoras e clientes, que agora buscam interagir não apenas na renovação ou no sinistro, mas também na prevenção. Ela explicou que a Aon está investindo em engenharia de risco e dados climáticos, como o Climate Risk Monitor, para ajudar os clientes a quantificar e entender como o risco está mudando, de forma que o seguro seja visto como um investimento valioso com um Retorno sobre o Investimento (ROI) claro.
Em resposta às perguntas da plateia, Hassan El-Shabrawishi e Tomé Pedroso, reforçaram a importância da redução de risco e da informação acionável. Butch Bacani encerrou o debate enfatizando que adaptação e redução de emissões não são conceitos concorrentes, mas sim mutuamente reforçáveis, e que a meta do setor deve ser a “prosperidade para todos em um planeta saudável”, sem deixar ninguém para trás.
O Instituto Brasileiro de Atuária (IBA) anuncia o 1º Fórum de Longevidade, no dia 27 de novembro, das 8h às 18h, no Anfiteatro da Uninove, em São Paulo. O evento vai reunir os maiores nomes do mercado para debater os desafios e as oportunidades da longevidade na sociedade brasileira, em uma experiência de aprendizado entre atuários, especialistas e profissionais do setor, abordando temas essenciais para garantir um futuro longevo e a inclusão social.
Para Giancarlo Germany, presidente do IBA, o Fórum é fundamental para a atuação da entidade e estruturação do pensamento sobre esse mercado.“O aumento da expectativa de vida é uma conquista social, mas também um imenso desafio que exige planejamento e soluções concretas. O IBA, como entidade representativa dos atuários, tem o dever de liderar a discussão sobre como garantir uma longevidade digna e segura para todos. Como exemplo, uma estrutura de previdência complementar ampla e acessível desempenha um papel vital nesse cenário, não só como instrumento de segurança financeira, mas como pilar fundamental para promover a longevidade segura e a inclusão social”.
A segurança financeira é o pilar que permite aos idosos manterem a qualidade de vida, acessarem serviços de saúde adequados e serem ativos na sociedade, sem a dependência exclusiva de terceiros ou de auxílios governamentais. A garantia de uma longevidade digna e segura passa por um planejamento financeiro proativo que encare a vida longa como um desafio a ser gerido com responsabilidade.
Durante o fórum, os especialistas vão debater sobre o aumento da expectativa de vida e a falta que um planejamento adequado ou a insuficiência dos sistemas previdenciários podem acarretar aos indivíduos, levando à vulnerabilidade econômica na terceira idade, comprometendo sua dignidade e autonomia.
A programação conta com a presença confirmada do presidente do Instituto de Longevidade da MAG Seguros, Nilton Molina, do médico, professor e diretor Fundador do Centro de Estudos de Envelhecimento da Unifesp (Universidade Estadual de São Paulo, Luiz Roberto Ramos,, do Superintendente Geral da Abrapp (Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar), Eduardo Lammers, da CEO do Grupo Laços e especialista em envelhecimento, Martha Oliveira, do ex-diretor da SUSEP, professor de Ciências Atuariais, Estatísticas e Finanças da UFRJ, Eduardo Fraga. Também serão tratados temas sobre a Saúde e o Mercado de Trabalho e Consumo da Terceira Idade.
Para participar, é só acessar o site do Instituto Brasileiro de Atuária e se inscrever no Fórum de Longevidade do IBA
por Simone Ramos, especialista em riscos portuários da Lockton, e diretora da Sou Segura
O painel realizado na COP30 reforçou uma mensagem clara: o setor de seguros precisa romper com suas abordagens tradicionais e assumir protagonismo na construção de resiliência climática — especialmente em mercados emergentes.
O primeiro ponto crítico é a infraestrutura. Não basta falar em obras resilientes; é preciso defender sistemas que gerem resiliência social. Isso significa apoiar projetos que protejam comunidades, como ocorre nas nações insulares, e influenciar decisivamente políticas públicas — desde códigos de construção até marcos regulatórios que preparem novas edificações para os riscos de hoje e do futuro. Sem essa ação articulada, seguimos reagindo ao risco, e não prevenindo-o.
O segundo ponto destacado é a lacuna de dados. O setor ainda não compartilha suas informações de risco na escala necessária para orientar governos, investidores e sociedade. Dados climáticos e de perdas precisam ganhar transparência, padronização e volume. É a partir deles que se constrói prevenção efetiva, modelos mais justos e precificação sustentável.
Mas o ponto mais urgente — e que ganhou maior ênfase — é a proteção da natureza. Ecossistemas preservados reduzem perdas, protegem ativos físicos e garantem a continuidade de um mercado segurável. Manguezais, florestas, zonas úmidas e sistemas costeiros funcionam como barreiras naturais, diminuindo o impacto de eventos extremos. Sem natureza, o mercado de seguros encolhe: aumenta a frequência de perdas, cresce o volume de áreas “inseguráveis” e se reduz a base de clientes capazes de acessar proteção financeira.
Por isso, o setor precisa assumir um novo papel: usar sua influência para impulsionar políticas de conservação, incentivar investimentos em soluções baseadas na natureza e posicionar o seguro como instrumento de transformação estrutural — não apenas de reparação pós-evento.
A mensagem final do painel é inequívoca: proteger comunidades, dados e natureza não é apenas ambientalismo; é estratégia de sobrevivência para o mercado segurador. E o futuro da indústria dependerá de quão rápido conseguirmos transformar essa visão em prática.
A Munich Re registrou lucro líquido de €1,99 bilhão no terceiro trimestre de 2025, mais que o dobro dos €907 milhões obtidos um ano antes. No acumulado de janeiro a setembro, o resultado alcançou €5,17 bilhões, impulsionado por índices combinados excepcionalmente baixos nos segmentos de resseguros patrimoniais e de seguros corporativos globais (Global Specialty Insurance – GSI). A resseguradora alemã confirmou seu guidance anual de lucro líquido de €6 bilhões.
Segundo Christoph Jurecka, CFO da Munich Re, “os excelentes índices combinados em resseguros e no GSI, aliados ao bom desempenho operacional e à sólida contribuição da ERGO, compensaram o trimestre mais fraco em vida e saúde e as perdas cambiais. Nossa estratégia de diversificação está funcionando.”
A receita de seguros emitidos somou €14,6 bilhões no trimestre, frente a €15,5 bilhões no mesmo período de 2024, refletindo o efeito negativo das variações cambiais. O resultado técnico total subiu para €2,82 bilhões, e o resultado operacional atingiu €3,04 bilhões, quase o triplo do obtido um ano antes. O retorno anualizado sobre o patrimônio líquido (RoE) ficou em 24,2%, contra 11,5% no 3º tri de 2024.
Na América Latina, onde a Munich Re mantém posição relevante em resseguros catastróficos e agrícolas, o trimestre foi beneficiado pela ausência de grandes eventos de perda.
Resseguros e Global Specialty
O resultado do segmento de resseguros totalizou €1,69 bilhão, com forte contribuição da divisão de property & casualty, cujo lucro líquido saltou para €1,18 bilhão. O índice combinado caiu para 62,7%, reflexo da despesa com grandes sinistros muito abaixo da média histórica — apenas 2,9% da receita líquida de seguros, comparado a 27,8% no ano anterior.
O GSI, que reúne operações de seguros corporativos administradas pela unidade de resseguros, também apresentou melhora expressiva: lucro de €221 milhões e índice combinado de 82,8%, com sinistros relevantes limitados a €59 milhões.
Já o resseguro de vida e saúde teve desempenho mais fraco, com resultado técnico de €314 milhões, afetado por uma experiência de sinistros desfavorável, embora dentro das flutuações normais.
ERGO e investimentos
A seguradora ERGO, braço de seguros diretos do grupo, contribuiu com €304 milhões ao lucro consolidado do trimestre, beneficiada por resultados técnicos sólidos e efeitos não recorrentes positivos de cerca de €50 milhões. Destaque para a subsidiária internacional, cujo resultado saltou para €324 milhões, impulsionado pela performance em mercados de propriedade e saúde e pela aquisição da americana NEXT Insurance, cuja totalidade das ações foi assumida pela Munich Re em julho.
O resultado de investimentos atingiu €2,39 bilhões, sustentado por maiores ganhos na venda de ativos e valorização de ações. A taxa de retorno anualizada sobre o portfólio foi de 4,1%.
Guidance e perspectivas
A Munich Re manteve sua projeção de lucro líquido de €6 bilhões para 2025, apoiada por um ambiente de baixa sinistralidade em resseguros e forte diversificação. A companhia prevê receita de seguros de €61 bilhões no consolidado do grupo e melhorou sua estimativa de combined ratio para 74% em resseguros patrimoniais (antes 79%) e 87% em GSI (antes 90%).
Com índice de solvência de 293%, bem acima do intervalo-alvo de 175% a 220%, a empresa segue com alta capacidade de absorção de riscos e foco na disciplina técnica.
A Porto encerrou o terceiro trimestre de 2025 com lucro líquido de R$ 832 milhões, resultado 13% superior ao do mesmo período do ano passado. As receitas totais somaram R$ 10,5 bilhões, alta de 11% na comparação anual. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROAE) foi de 23%, mantendo-se acima de 20% pelo quinto trimestre consecutivo.
A rentabilidade da operação de seguros atingiu 32% no período, enquanto as demais verticais — Saúde, Banco e Serviços — ampliaram em 4 pontos percentuais sua participação no lucro consolidado, passando a representar 44% do total. O resultado financeiro foi de R$ 383 milhões, avanço de 53% frente ao terceiro trimestre de 2024. A carteira de investimentos da tesouraria gerou receita de R$ 451 milhões, equivalente a 77% do CDI.
O índice de eficiência operacional ficou em 10,7%, melhora de 0,3 ponto percentual, refletindo os esforços de ganho de produtividade e controle de custos.
Desempenho por unidade de negócios
No segmento de seguros, as receitas e prêmios totalizaram R$ 5,7 bilhões, crescimento de 3%. O destaque foi o segmento de Vida, que avançou 13%, seguido pelo Patrimonial, com alta de 11%. O ramo de Automóveis cresceu 1% em prêmios e 4% em frota segurada, com acréscimo de 255 mil veículos. O índice combinado ampliado permaneceu estável em 85,3%, e o lucro chegou a R$ 451 milhões, 5% acima do resultado de um ano antes.
A Porto Saúde foi o destaque do trimestre, com receita de R$ 2,2 bilhões, alta de 27%, e lucro de R$ 126 milhões, um salto de 65% sobre o mesmo período do ano anterior. O número de beneficiários aumentou 22%, totalizando 784 mil vidas no seguro Saúde, e 20% no Odonto, chegando a 1,1 milhão. O índice combinado da vertical caiu dois pontos, para 92%, refletindo eficiência operacional e escala.
O Porto Bank reportou receita de R$ 1,9 bilhão, crescimento de 29%, impulsionado pelas linhas de Capitalização (+45%), Consórcio (+30%), Cartões, Financiamentos e Empréstimos (+25%) e Riscos Financeiros (+12%). O lucro líquido foi de R$ 196 milhões, 19% superior ao de 2024.
Já a Porto Serviço registrou R$ 606 milhões em receita, leve retração de 2% no trimestre, influenciada pela menor demanda de atendimentos de assistência, devido à baixa sinistralidade. O lucro da vertical foi de R$ 38 milhões, queda de 27% em relação ao ano anterior, compensada pelo avanço dos produtos digitais, que cresceram 60% no trimestre e 95% no acumulado do ano.
Reconhecimento e visão de futuro
A Porto foi novamente reconhecida entre as dez melhores empresas para trabalhar no Brasil, segundo o ranking Great Place to Work (GPTW), e manteve a liderança entre as marcas mais lembradas do setor, conforme as pesquisas Top of Mind da Folha de S.Paulo e Estadão Marcas Mais.
Para o CEO do Grupo, Paulo Kakinoff, os resultados refletem a consolidação do ecossistema Porto e o foco no cuidado integral com clientes, colaboradores e parceiros. “Cuidar para que as mais de 18 milhões de pessoas que nos escolhem se sintam ouvidas, vistas e atendidas em todas as suas necessidades é o fruto de um legado de 80 anos que inspira o nosso futuro”, afirmou o executivo.
O diretor da Bradesco Saúde, Flávio Bitter, será um dos palestrantes do SRH 2025, evento que será realizado nesta quarta-feira (12/11), em Belo Horizonte, reunindo lideranças do setor para debater os rumos e desafios do mercado de saúde suplementar.
Com o tema “Transformação”, o encontro propõe uma jornada de aprendizado e inspiração para profissionais que buscam compreender as mudanças estruturais no mercado e o papel da colaboração e da inovação na construção do futuro da saúde.
A palestra de Bitter, intitulada “O que outras culturas e países, além de outros mercados, podem nos ensinar para reinventar o futuro do mercado de saúde?”, promete inspirar reflexões sobre inovação, gestão e sustentabilidade no sistema de saúde suplementar brasileiro. O executivo vai falar sobre como o diálogo com outras culturas e modelos de saúde ao redor do mundo pode contribuir para a construção de um setor mais eficiente, tecnológico e centrado nas pessoas.
“Olhar para fora, buscando as perspectivas e experiências de outras culturas, nos permite enxergar novas formas de pensar e fazer saúde. Sempre com foco em inovação, humanização e sustentabilidade, e com a atenção ao que deve ser adaptado à nossa realidade”, destaca Flávio Bitter.
Promovido pela Simgular Acrisure e Acrisure Brasil, o SRH25 – A saúde e suas SIMgulaRHidades – acontece no auditório da unidade Contorno do Hospital Mater Dei.
Este site utiliza cookies para aprimorar a sua experiência enquanto navega. Desses cookies, os que são categorizados como necessários são armazenados no seu navegador visto que são essenciais para o funcionamento básico do site. Nós também usamos cookies de terceiros que nos ajudam a analisar e entender como você usa o site — esses só são armazenados no seu navegador mediante a sua autorização. Você também tem a opção de cancelar esses cookies, mas isso pode impactar a sua experiência de navegação.
Cookies necessários são absolutamente essenciais para este site funcionar de forma apropriada. Esta categoria só inclui cookies os quais garantem funcionalidades básicas e recursos de segurança do site. Esses cookies não armazenam nenhuma informação pessoal.