Seguradoras mobilizam força-tarefa para apoiar clientes e comunidades atingidas por tornados e chuvas no Sul do País

O setor de seguros se mobilizou para prestar assistência imediata às famílias e empresas afetadas pelos tornados e fortes chuvas que atingiram o Sul do Brasil, especialmente o Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Diversas companhias acionaram planos de contingência, reforçaram equipes e simplificaram processos para acelerar o pagamento de indenizações e garantir atendimento humanizado às vítimas.

Tokio Marine prioriza atendimentos e envia equipes às áreas mais atingidas

A Tokio Marine Seguradora está priorizando o atendimento aos clientes atingidos pelos fenômenos climáticos, com foco especial no município de Rio Bonito do Iguaçu (PR), uma das regiões mais impactadas. Desde o início das ocorrências, equipes especializadas trabalham para identificar rapidamente os casos que exigem intervenção imediata e garantir o pagamento célere das indenizações devidas.

Entre as medidas emergenciais adotadas pela companhia estão:

  • Grupo de trabalho dedicado ao atendimento local;
  • Simplificação de processos e documentos para agilizar pagamentos;
  • Deslocamento de equipes de sinistros e prestadores de outras regiões;
  • Contato ativo com segurados para agendamento de vistorias;
  • Vistorias por imagem e centralização de salvados;
  • Priorização das ligações originadas nas regiões mais críticas.

“A prioridade absoluta é prestar todo o auxílio necessário a nossos clientes neste momento tão difícil. Não temos como diminuir a dor de quem perdeu um ente querido, mas faremos tudo que estiver ao nosso alcance para amenizar o prejuízo material”, afirma Adilson Lavrador, diretor executivo de Operações, Tecnologia e Sinistros da Tokio Marine.

Os segurados e corretores podem acionar a companhia pelo telefone 0800 31 86546 ou pelos canais digitais – WhatsApp, SuperApp, Chat Online, Portal Institucional, Facebook Messenger, Apple Messenger e Telegram.

CAIXA Seguridade aciona plano emergencial e reforça atendimento no Sul

A CAIXA Seguridade, holding da Caixa Econômica Federal, colocou em prática seu plano emergencial de atendimento para clientes atingidos pelo tornado de categoria F3 que devastou Rio Bonito do Iguaçu (PR) e afetou outras cidades do Sul do País.

As empresas do conglomerado foram mobilizadas para garantir agilidade na abertura de sinistros, nas solicitações de assistência e no apoio direto aos segurados, conforme o tipo de cobertura contratada. O objetivo, segundo a holding, é oferecer um atendimento rápido e humanizado, reafirmando o compromisso da instituição com as comunidades afetadas.

Os canais oficiais das seguradoras do grupo CAIXA permanecem disponíveis para orientar os segurados sobre registro de ocorrências e acionamento dos serviços de assistência 24 horas.

MAPFRE reforça equipes e canais de atendimento 24 horas

A MAPFRE também intensificou seu plano de contingência para prestar atendimento prioritário aos segurados impactados pelas fortes chuvas e ventanias que atingem a região Sul, com destaque para Rio Bonito do Iguaçu e Guarapuava (PR).

Para agilizar o suporte aos clientes, a seguradora reforçou as equipes de assistência 24 horas, de atendimento ao cliente e de peritagem de sinistros, além de manter um monitoramento em tempo real das áreas mais afetadas.

“Nossa solidariedade a todos os impactados por esta situação. Para garantir o suporte necessário aos segurados e minimizar o impacto causado, mobilizamos e reforçamos nossa equipe. Estamos preparados para atender ocorrências relacionadas a automóveis, residências, empresas, propriedades rurais e outros seguros”, afirma Roberto De Antoni, diretor geral de Operações da MAPFRE.

O atendimento funciona 24 horas por dia via WhatsApp (11 4004-0101), telefone 0800 775 4545, além das plataformas digitais e redes sociais da companhia.

A seguradora orienta os clientes a:

  • Acionar a Central de Atendimento o quanto antes;
  • Registrar os danos com fotos e vídeos;
  • Informar todos os detalhes possíveis para agilizar a indenização;
  • Seguir as orientações dos atendentes e das autoridades locais, priorizando a segurança.

CNseg defende Seguro Social Catástrofe e Fundo financeiro para cidades em evento de Defesa Civil

A Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) participou nesta quinta-feira (6), em Brasília (DF), de um evento municipalista totalmente dedicado à área de Defesa Civil. Promovido pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), o Encontro Nacional das Defesas Civis Municipais destacou o papel das mudanças climáticas na atuação dos profissionais e as formas de amenizar os impactos diante de desastres.

Ao participar da abertura das atividades, no painel que debateu o tema “Gestão Climática e Prevenção de Desastres”, o diretor de relações institucionais da CNseg, Esteves Colnago, demonstrou a preocupação com a prevenção a desastres, que sempre passa pela área de Defesa Civil dos Municípios, e exige gestão e mecanismos para auxiliar nestas ações.

Esteves destacou o papel transversal e essencial do setor de seguros no enfrentamento das mudanças climáticas no Brasil, com foco na necessidade de Parcerias Público-Privadas (PPPs). Ele apontou o uso de um seguro social para catástrofe e a adequação do Fundo para Calamidades Públicas da Defesa Civil (FUNCAP), para construir resiliência, recursos e fornecer respostas eficazes a desastres naturais.

“O setor de seguros oferece soluções e possui a capacidade de ser um aliado, seja prestando auxílio emergencial ágil após um desastre (Seguro Social Catástrofe), ou implementando ações de longo prazo para aumentar a segurança e adaptabilidade do país (Cidades Resilientes). É fundamental que superemos a lentidão burocrática do poder público, permitindo que a área de seguros aja mais rapidamente nos momentos críticos iniciais da catástrofe; este é o propósito da indústria seguradora. Além disso, é essencial que nos concentremos na prevenção e adaptação para promover recursos próprios dos municípios por meio de Fundos para casos de incidentes, cada vez mais presentes nas nossas cidades”, afirmou.

Para o presidente da CNM, Paulo Ziulcosky, o encontro, que reuniu mais de 700 gestores municipais da área, também buscou selecionar informações importantes para os gestores, com discussões a respeito da gestão climática e prevenção de desastres, além da estrutura das defesas civis municipais e da Política Municipal de Proteção e Defesa Civil.

“O Brasil só será resiliente se os municípios estiverem estruturados e preparados para agir diante de riscos de desastres, com ações integradas de proteção e defesa civil. Isso exige o cumprimento das obrigações legais e a criação de programas específicos para fortalecer as defesas civis locais e capacitar os gestores municipais”, destacou.

Estudo Inédito

Foi divulgado também durante o encontro um Estudo inédito que apresenta um preocupante diagnóstico da estrutura da Defesa Civil Municipal em todo o país, com perdas econômicas de R$ 732,2 bilhões em 95% das cidades brasileiras entre 2013 e 2024. O levantamento mostra que foram registradas mais de 70,3 mil decretações municipais de Situação de Emergência ou Estado de Calamidade Pública, sendo que mais de 6 milhões de pessoas precisaram deixar suas casas.

Wiz Co bate o recorde em emissão de prêmios e atinge R$ 289,5 milhões em receita líquida no 3T25

A Wiz Co (WIZC3), empresa especializada em bancassurance e distribuidora de consórcios e crédito, atingiu R$1 bilhão em emissões de prêmio de seguros, o que representa um avanço de 9,2% na comparação com o 3T24. No que diz respeito à Receita Líquida consolidada, o resultado do 3T25 foi de R$289,5 milhões, 9,1% superior ao realizado no 3T24.

“Além do recorde em emissões de prêmios no trimestre, estamos com quase R$3 bilhões no acumulado do ano, o que nos posiciona 12,0% acima do 9M24. Tudo isso, feito em cenário macroeconômico conturbado, o que reforça nossa capacidade em atuar nos mais diferentes contextos, sejam eles favoráveis ou não”, explica Marcus Vinícius de Oliveira, CEO da Wiz Co, em mensagem aos acionistas.

O principal destaque dentro do expressivo resultado foi o Segmento de Seguros, que cresceu 22,7% em relação ao mesmo período do ano passado, atingindo R$185,6 milhões em Receita Líquida – que representa 64,1% da Receita Líquida Total. As unidades com melhor desempenho comercial dentro do período foram a Bmg Corretora e a BRB Seguros, cujos prêmios emitidos foram de R$258,4 milhões e R$215,2 milhões, respectivamente.

Também houve crescimento expressivo do Lucro Líquido Consolidado, de R$101,7 milhões, 14,9% maior em relação ao 3T24. Acompanhando o mesmo ritmo, o Lucro Líquido da Controladora teve crescimento de 10,5% e atingiu os R$55,4 milhões. “A consistência apresentada nos últimos trimestres corroborou também para o resultado do EBITDA Consolidado, que atingiu os R$194,3 milhões no 3T25, superando em 3,6% o 3T24”, complementa Marcus Vinícius.

Destaque para o Segmento de Seguros

No segmento de seguros, a Wiz Co bateu o recorde de R$1 bilhão em prêmios emitidos no terceiro trimestre de 2025 e está próxima de atingir os R$3 bilhões no acumulado dos nove meses do ano. Destacaram-se a BMG Corretora, que cresceu 150,5% em prêmios emitidos nos produtos de saúde, a BRB Seguros, com crescimento de 2,9% na emissão de prêmios no trimestre, e a Wiz Corporate, que cresceu 54,9% em relação ao 3T24 – recorde histórico, com grande contribuição do produto Garantia.

“A Receita Líquida do segmento de seguros cresceu 22,7% em relação ao 3T24, resultando também em um crescimento de 13% no Ebitda Consolidado do período. O Lucro Líquido do segmento atingiu o crescimento de 30,1%, na comparação 3T24 vs. 3T25, e 35,6% se compararmos o acumulado de 2024 e 2025”, conta Marcus Vinícius.

O executivo explica que o crescimento do segmento de seguros tem contribuído ano a ano para os resultados positivos da companhia. “Em comparações anuais, os seguros hoje representam mais de 60% da Receita Líquida da companhia, o que mostra que nossas apostas, tanto na modernização dos produtos quanto no investimento para expansão do segmento, têm se mostrado certeiras”, completa.

Avanços e conquistas em 2025 

Em setembro deste ano, a Wiz Co publicou seu Relatório de Sustentabilidade, que mostra as iniciativas ESG e seus impactos para os públicos interno e externo. Além disso, pelo segundo ano consecutivo, a Wiz Co está entre as mil maiores empresas do país, segundo o ranking Valor1000 – única corretora de seguros a figurar no ranking deste ano.

Outro avanço importante, no que diz respeito à tecnologia, é a plataforma proprietária da empresa, a Wiz Pro. “Seguimos alinhados à nossa visão de que investir em tecnologia é pensar o negócio a curto, médio e longo prazo”, conta Marcus Vinícius. A plataforma é composta por quatro módulos – vendas, operações, gestão e engajamento – e já é utilizada por sete unidades do grupo em suas rotinas diárias.

Mudanças climáticas expõem vulnerabilidade do agronegócio brasileiro, alertam líderes 

por Carla Simões

“Os efeitos dos eventos climáticos que vivemos hoje têm impacto no custo, na modelagem e na precificação de risco das seguradoras. A metodologia tradicional de riscos com base no passado se torna cada vez menos efetiva porque o futuro não se comportará mais como no passado”, disse o presidente da Confederação Nacional das Seguradoras durante o painel “Mudanças climáticas e impactos no setor agropecuário”, no I Fórum de Buenos Aires, realizado nesta sexta-feira (7), na Faculdade de Direito da Universidade de Buenos Aires (UBA). 

Dyogo Oliveira participou do painel ao lado de autoridades e especialistas que discutiram os riscos climáticos e os desafios econômicos e jurídicos que ameaçam o agronegócio que responde por 25% do PIB brasileiro.

Oliveira trouxe números alarmantes: as perdas diretas causadas por eventos climáticos no Brasil somaram R$ 180 bilhões entre 2022 e 2024, sendo 50% concentradas no agronegócio. “Estamos falando de R$ 30 bilhões por ano apenas no agro. E, paradoxalmente, apenas 2,5% da área plantada no Brasil tem seguro rural. Esse índice já foi 16% em 2020 e vem caindo”, alertou. 

Ele defendeu a aprovação do Projeto de Lei 2951, que torna os recursos do Programa de Subvenção ao Seguro Rural fora dos anúncios de contingenciamento do governo federal. “Este ano tinha R$ 1 bilhão no orçamento destinado para o seguro rural e 50% disso foi contingenciado. É preciso avançar. Sem seguro, não há como enfrentar os impactos das mudanças climáticas”, acrescentou. 

O executivo reforçou que o tema é preocupante porque terá impacto na macroeconomia. Por isso, a participação do Ministério da Fazenda neste debate é fundamental porque já que terá efeitos no crescimento do País. 

Fávaro anuncia novo modelo obrigatório

O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, reconheceu a fragilidade do sistema atual e anunciou mudanças estruturais no próximo ano, respondendo à fala do presidente da CNseg. “Até meados de 2026 teremos um novo marco do seguro rural no Brasil”. 

Para Favaro, o seguro rural no Brasil se tornou ineficiente e inapropriado e garantiu que o governo está trabalhando para universalizar sua obrigatoriedade para quem busca crédito oficial. “Quem quiser recursos equalizados terá que contratar seguro. Isso reduzirá custos e evitará medidas emergenciais como os R$ 12 bilhões liberados este ano para repactuar dívidas de produtores afetados por intempéries”.

Fávaro também destacou iniciativas para ampliar a produção sem avançar sobre áreas de floresta: “O que nos trouxe até aqui não é o que levará o Brasil aos próximos 50 anos. Criamos programas como Caminho Verde e Solo Vivo para recuperar áreas degradadas e dobrar a produção sem desmatamento”.

Judiciário alerta para litigância climática

Paulo Sérgio Domingues, ministro do Superior Tribunal de Justiça, trouxe a perspectiva jurídica para a questão climática e os impactos no agronegócio.  “Mudanças climáticas não são mais um tema abstrato. Elas desafiam contratos, investimentos e a própria segurança jurídica. Como planejar um investimento de longo prazo se a estabilidade climática não existe mais? Estamos diante de uma crise de incerteza”, afirmou.

Ele defendeu regras claras e combate rigoroso ao desmatamento ilegal. “Desmatamento não é desenvolvimento, é crime. Quem pratica crime ambiental não pode se apresentar como empreendedor rural. A litigância climática será o novo normal”, alertou.

Setor financeiro pede convergência e eficiência

O presidente do Conselho de Administração do Bradesco reforçou a urgência de integrar produção e preservação. Segundo Luiz Carlos Trabuco, nos últimos 30 anos, a área plantada cresceu 115%, mas a produção aumentou 456%, graças à tecnologia. Agora, o desafio é harmonizar eficiência e sustentabilidade. 

Trabuco disse que a COP30 em Belém, onde participará em debates na Casa do Seguro, é uma grande oportunidade para alinhar a convergência e a prática. “O mercado de carbono precisa evoluir. O mundo tem aprendido que não há prosperidade sem equilíbrio climático”.

Antonio Zanette, consultor da Comissão Nacional de Direito Agrário e do Agronegócio da OAB, ressaltou a importância da cooperação entre Brasil e Argentina: “Este fórum é um marco para integrar direito, economia e agricultura no Mercosul. Precisamos construir convergência regulatória e políticas públicas que combinem produção, preservação e justiça”, afirmou.

Sustentabilidade: o futuro inevitável do mercado de seguros

Regina Dell'Aera Newe Seguros

por Regina Dell’Aera, Diretora de Pessoas, Cultura e Sustentabilidade da Newe Seguros 

A proximidade da COP30 reforça uma urgência que já não pode ser adiada: o papel do setor de seguros na transição para uma economia mais sustentável. Não se trata apenas de acompanhar uma tendência, mas de reconhecer que a sustentabilidade precisa estar no centro da estratégia das seguradoras, como parte essencial do modelo de negócio e da sua razão de existir.

O maior desafio das companhias de seguros, hoje, é trazer a estratégia da sustentabilidade global para dentro da estratégia do negócio. Isso significa olhar para o seguro não apenas como instrumento de proteção financeira, mas como agente de transformação social, ambiental e econômica. O setor nasceu para proteger. E essa vocação, por natureza, é profundamente sustentável.

Os riscos que enfrentamos mudaram. O risco climático, por exemplo, deixou de ser uma projeção distante e passou a fazer parte do cotidiano, afetando empresas, cadeias produtivas, cidades e pessoas. A mesma lógica vale para os riscos sociais e reputacionais, que se tornaram fatores concretos de sobrevivência corporativa. Nesse cenário, incorporar práticas sustentáveis não é mais uma escolha estratégica. É um movimento de adaptação.

As seguradoras que evoluírem para um modelo de sustentabilidade integrada terão uma vantagem competitiva clara. Isso porque estarão mais preparadas para antecipar riscos, inovar em produtos e criar valor de longo prazo. Sustentabilidade, quando verdadeiramente aplicada, amplia a capacidade do seguro de gerar impacto positivo e construir resiliência coletiva.

Mais do que cumprir exigências regulatórias ou divulgar relatórios, é preciso que o compromisso com o desenvolvimento sustentável se traduza em cultura, produtos e relacionamento com os clientes. A sustentabilidade precisa ser uma lente que orienta decisões, da concepção das coberturas à forma como cada companhia se comunica com a sociedade.

O setor também tem um papel essencial na democratização da proteção. Ampliar o acesso ao seguro é uma das maneiras mais concretas de gerar inclusão e promover prosperidade compartilhada. Tornar o seguro acessível, simples e relevante para diferentes realidades é, em si, um ato de sustentabilidade.

A COP30, que será sediada no Brasil, deve marcar um novo ciclo de compromissos e responsabilidades. Para o mercado de seguros, ela representa uma oportunidade única de mostrar como o setor pode contribuir para uma economia de baixo carbono e para a construção de um futuro mais resiliente.

O futuro do seguro será sustentável ou simplesmente não será. O mundo muda rápido demais para que o setor continue olhando o risco apenas pelo retrovisor. É hora de olhar adiante, com coragem, inovação e propósito, conscientes de que a verdadeira transformação virá da capacidade de alinhar rentabilidade e responsabilidade.

Esse é, mais do que um desafio, o compromisso que o setor precisa assumir com as próximas gerações.

Jamaica recebe US$ 150 milhões por título catastrófico após furacão Melissa – e lição serve de alerta ao Brasil

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O Banco Mundial anunciou nesta sexta-feira, 7, que, após a passagem devastadora do furacão Melissa, o governo da Jamaica receberá pagamento integral de US$ 150 milhões referente ao seu título catastrófico paramétrico IBRD CAR Jamaica 2024, lançado em parceria com a instituição. O título foi criado justamente para prover proteção financeira rápida em caso de desastres naturais severos — como o que atingiu o país em outubro.

Segundo o Banco Mundial, a decisão foi tomada após análise técnica da AIR Worldwide Corporation, que confirmou que o furacão Melissa atingiu os parâmetros predefinidos (como pressão central e trajetória do olho do furacão) para o acionamento total da apólice. “Nossos pensamentos estão com o povo da Jamaica neste momento de reconstrução. A estratégia abrangente de gestão de riscos do país serve de modelo para outras nações que enfrentam ameaças semelhantes e buscam fortalecer sua resiliência financeira”, afirmou Jorge Familiar, vice-presidente e tesoureiro do Banco Mundial.

Ele destacou que o pagamento reforça o papel dos títulos catastróficos (cat bonds) como instrumentos eficazes de gestão de risco, capazes de transferir perdas de desastres naturais para o mercado de capitais global, aliviando a pressão sobre os cofres públicos. O pagamento à Jamaica será financiado por investidores de diversas regiões do mundo, refletindo a natureza colaborativa e internacional do instrumento.

Na emissão do título, 15 investidores globais participaram, com alocação de 66% em fundos especializados em seguros e resseguros (ILS), 1% em companhias seguradoras e resseguradoras e 33% em gestores de ativos. Geograficamente, os recursos vieram de 43% dos Estados Unidos, 40% da Europa, 14% das Bermudas e 3% da Ásia e Austrália.

Além da indenização automática do cat bond, o Banco Mundial mobilizou um pacote de apoio à Jamaica, incluindo financiamento emergencial, reprogramação de recursos de projetos existentes e suporte do setor privado por meio da IFC. “O compromisso da Jamaica com a preparação está provando seu valor — permitindo uma transição rápida do socorro à reconstrução, e abrindo caminho para uma infraestrutura mais resiliente”, disse Susana Cordeiro Guerra, vice-presidente do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe.

O desembolso integral deve ocorrer até 1º de dezembro, e marca mais um exemplo de como o uso de seguros e instrumentos financeiros inovadores pode acelerar a resposta a catástrofes climáticas — tema central da COP30, que será realizada em 2025 em Belém (PA).

Exemplo para o Brasil

Com o mundo reunido em Belém para discutir financiamento climático, o exemplo da Jamaica mostra que o seguro pode ser uma poderosa ferramenta de política pública, transformando solidariedade em resiliência financeira.

Com a intensificação de eventos extremos — enchentes, secas e deslizamentos —, cresce a necessidade de estruturar mecanismos de proteção financeira climática, seja via seguros paramétricos, fundos soberanos de resiliência ou títulos catastróficos. Eventos como a catástrofe no Rio Grande do Sul, no litoral de São Paulo, só para citar os mais recentes com excesso de chuvas, mostram a urgência deste tipo de parceria entre governo e setor de seguro.

Enquanto países do Caribe já utilizam instrumentos como o IBRD Cat Bond Facility e o CCRIF (Caribbean Catastrophe Risk Insurance Facility), o Brasil ainda engatinha na adoção de soluções de transferência de risco climático em larga escala. A criação de um mercado nacional de seguros paramétricos, envolvendo o setor privado e o Tesouro, poderia acelerar a recuperação de estados e municípios após desastres, reduzindo o impacto fiscal e social.

Bradesco Seguros leva consórcio aos corretores e amplia oportunidades de negócios

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por Denise Bueno

A Bradesco Seguros acaba de estrear na oferta de consórcio pelo canal corretor, em um movimento que reforça a estratégia de ampliar o leque de soluções disponíveis à sua rede e fortalecer o relacionamento com clientes em diferentes estágios de planejamento financeiro. A decisão está alicerçada em três pilares principais: complementaridade de portfólio, fortalecimento das relações e ampliação de receitas.

“Trazer o consórcio para o portfólio dos corretores é um movimento natural dentro da estratégia da Bradesco Seguros de ampliar as soluções de planejamento e proteção financeira. O corretor passa a ter mais ferramentas para ajudar o cliente a realizar seus sonhos com segurança e previsibilidade”, afirma Leonardo Freitas, diretor comercial da Bradesco Auto/RE, do Grupo Bradesco Seguros.

Segundo o executivo, o consórcio compartilha do mesmo propósito do seguro: planejar, proteger e conquistar. “É um produto que fala de futuro, de realização e de confiança — valores que estão no DNA do grupo Bradesco Seguros.”

Com 22 anos de atuação, a Bradesco Consórcio é líder em seus segmentos e contempla mais de 19 mil clientes todos os meses, consolidando-se como uma das maiores administradoras do país.

A expansão da operação para o canal corretor foi cuidadosamente planejada para garantir uma integração fluida com o ecossistema Bradesco. A companhia montou uma estrutura dedicada, com equipe comercial especializada e uma central exclusiva de suporte no pós-venda. Os corretores contam com uma plataforma de vendas intuitiva, que permite comercializar todo o portfólio da Bradesco Consórcio e acompanhar o ciclo de vida do cliente — desde os pagamentos até as contemplações.

“Estruturamos uma operação dedicada para o corretor, com equipe comercial especializada e uma central exclusiva de atendimento. Queremos que ele se sinta apoiado em todas as etapas do processo, do primeiro contato até a contemplação do cliente”, destaca Freitas.

Nesta fase, estão disponíveis aos corretores tanto os produtos já presentes na Rede de Agências quanto soluções desenvolvidas especificamente para suas necessidades. Essa evolução é resultado do diálogo contínuo com os parceiros, que têm contribuído com experiências e sugestões.

O Consórcio Bradesco oferece um portfólio completo, com planos para automóveis, imóveis, motos, veículos pesados, equipamentos agrícolas, construção e reforma, entre outros. Cada modalidade possui regras específicas de elegibilidade, permitindo ao corretor personalizar sua atuação conforme o perfil do cliente. Os corretores têm acesso a mais de 3 mil grupos de consórcio ativos, o que garante ampla flexibilidade comercial. O consórcio é posicionado como um produto estratégico, com oportunidades imediatas de venda do seguro prestamista e da proteção vinculada ao bem adquirido.

O mercado de consórcio segue em ritmo acelerado, com 3,3 milhões de cotas vendidas até agosto e um crescimento de 11,4% no acumulado do ano. Nesse contexto, a Bradesco Seguros aposta na força de sua rede para ampliar a presença da marca nesse segmento. “O consórcio vive um momento de forte expansão no país, e o corretor tem um papel estratégico nesse cenário. Já superamos R$ 130 milhões em vendas nos primeiros nove meses do ano, o que mostra o tamanho da oportunidade que temos pela frente”, afirma o diretor.

Para o corretor, o consórcio representa uma nova fonte de receita e uma oportunidade de relacionamento de longo prazo com o cliente. “O consórcio representa uma nova frente de receita e um elo de relacionamento de longo prazo. Cada cota vendida é o início de uma jornada que pode evoluir para seguros, previdência e outras soluções financeiras. É uma oportunidade concreta de fidelização”, explica Freitas.

Os percentuais de comissionamento foram estruturados para garantir atratividade e recorrência. A comissão é calculada sobre a produção e paga de forma parcelada, conforme o tipo de carta adquirida e a regularidade dos pagamentos. Paralelamente, a companhia investe em capacitação para garantir que os parceiros se sintam preparados para atuar nesse novo mercado. Foi lançado um curso completo sobre consórcio na plataforma Universeg, que aborda desde conceitos básicos até técnicas avançadas de venda consultiva. Além do treinamento digital, a Bradesco Seguros tem promovido workshops online e presenciais em todo o país, reforçando o compromisso com o desenvolvimento contínuo dos corretores.

A digitalização também está no centro do projeto. A companhia trabalha para aprimorar a integração tecnológica das plataformas, com foco em usabilidade, agilidade e eficiência. A inovação tecnológica é um pilar fundamental na Organização Bradesco, e novas funcionalidades estão em desenvolvimento, como o Seguro Integrado na Jornada de Consórcio.

O produto tem se mostrado especialmente atraente para clientes em fase de planejamento financeiro, sejam pessoas físicas que buscam seu primeiro imóvel ou empresários que pretendem expandir operações. Há destaque especial para o agronegócio, segmento em que o consórcio pode financiar máquinas, implementos, caminhões, tratores e propriedades rurais. Essa conexão cria um elo natural com os corretores que já atuam com seguros de máquinas e equipamentos, pois a cada novo bem adquirido surge uma oportunidade adicional de oferta de proteção.

“A chegada do consórcio ao canal corretor é só o começo. Acreditamos que essa iniciativa será uma porta de entrada para novos clientes e fortalecerá ainda mais a relação entre a Bradesco Seguros, os corretores e a sociedade. Estamos construindo juntos uma nova etapa de crescimento”, conclui Leonardo Freitas.

O seguro como arquitetura da confiança climática

Por Felipe Nascimento, CEO da MAPFRE Brasil


Falar em financiamento climático é, na prática, discutir como vamos construir o futuro que desejamos. Isso envolve não só mobilizar recursos, mas também criar caminhos para ações concretas, sustentáveis e duradouras. Nesse esforço, o mercado brasileiro de seguros tem uma oportunidade rara de assumir um papel estratégico e central na construção de soluções climáticas de longo prazo.
 

O seguro tem uma característica essencial nesse contexto: ele viabiliza. Antes mesmo de o investimento chegar, o seguro já está lá, ajudando a tirar do papel o que, de outra forma, seria considerado arriscado demais e jamais existiria.
 

Estamos falando, por exemplo, de parques solares, projetos de mobilidade elétrica, reflorestamento em áreas degradadas, modernização de indústrias, implementação de tecnologias agrícolas de baixo carbono ou até mesmo projetos de drenagem urbana para lidar com enchentes nas grandes cidades. Todos eles enfrentam o mesmo obstáculo que é a incerteza. Com um seguro bem estruturado, essa incerteza diminui e a confiança aumenta.
 

Esse papel não é novo para o nosso setor. O mercado segurador já tem uma longa história no Brasil lidando com riscos complexos, em todas as regiões e setores. Temos experiência com o imprevisível, sabemos como medir e compartilhar riscos de forma sustentável. Isso é essencial para um país que precisa crescer, convivendo com uma realidade climática cada vez mais desafiadora devido às dimensões continentais e às desigualdades persistentes.
 

Temos também uma base de conhecimento muito valiosa. São décadas de dados, estatísticas, padrões e projeções. Quando colocamos essa inteligência a serviço de quem está inovando, sejam eles investidores privados, governos, cooperativas ou startups, ajudamos a tirar ideias do papel. O seguro não precisa entrar no fim da cadeia, como uma formalidade. Ele pode, e deve, entrar no início, como uma estrutura de apoio desde a concepção do projeto.
 

O Brasil tem todas as condições para liderar a nova economia de baixo carbono. Temos biodiversidade, capacidade técnica, matriz energética limpa e uma agenda pública em ascensão. A COP30, que começará nos próximos dias em Belém (PA), além de ser um palco para lideranças de todo o mundo, será um verdadeiro teste de articulação para destravar agendas necessárias. E o setor segurador brasileiro está pronto para contribuir com o que tem de mais valioso: a confiança, que nos permite seguir em frente mesmo quando os caminhos ainda não estão todos traçados.

Aon estrutura primeira apólice paramétrica contra incêndio florestal no Brasil para a Faber-Castell 

beatriz protasio


A Aon plc, firma líder global em serviços profissionais, anuncia a estruturação da primeira e maior apólice paramétrica contra incêndio florestal já realizada no Brasil, desenvolvida para a Faber-Castell. O contrato estabelece um novo modelo de proteção para ativos florestais no país, oferecendo ao mercado local uma alternativa inovadora às restrições do modelo tradicional.


Em 2024, os desastres naturais no Brasil resultaram em mais de US$ 12 bilhões em prejuízos, de acordo com o relatório Climate and Catastrophe Insight da Aon. Entre os principais responsáveis estão os incêndios florestais, que sozinhos geraram perdas econômicas estimadas em US$ 180 milhões. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o país registrou 278.229 focos de incêndio em 2024 — o maior número desde 2010 — impactando diretamente setores como agronegócio, papel e celulose e projetos de crédito de carbono, que tiveram receitas e metas ESG comprometidas.


Nesse contexto, os incêndios florestais e secas prolongadas deixaram de ser apenas riscos ambientais, e passaram a ter impactos financeiros diretos, capazes de paralisar operações, pressionar fluxo de caixa e afetar compromissos com investidores e clientes. Apesar disso, o mercado segurador brasileiro ainda oferece alternativas limitadas, restritas a florestas comerciais, com baixa capacidade de cobertura.


Foi para responder a essa lacuna que a Aon estruturou a apólice paramétrica da Faber-Castell. Diferente do seguro tradicional, cuja regulação pode levar até cinco meses, a solução paramétrica baseia-se em dados de satélite e parâmetros climáticos objetivos, permitindo indenizações ágeis e transparentes. O pagamento ocorre em até 30 dias após o evento, garantindo liquidez imediata e a continuidade operacional, além de ampliar a capacidade de cobertura financeira contra incêndios florestais já oferecida pela seguradora. 


“Na Aon, acreditamos que inovar é criar caminhos alternativos frente a cenários cada vez mais voláteis. Estruturar a primeira apólice paramétrica contra incêndios florestais no Brasil é um marco para o setor e reforça nosso compromisso de entregar soluções baseadas em dados e análises que protejam os negócios de nossos clientes”, afirma Beatriz Protásio, CEO de Resseguros para o Brasil na Aon.


A simplicidade e a transparência do modelo também se destacam: todo o processo, desde a avaliação do risco até a liquidação, é conduzido de forma remota e objetiva. Isso elimina longos períodos de paralisação produtiva, comuns na regulação tradicional, e garante que os recursos cheguem rapidamente ao cliente no momento em que mais precisa.


“Nosso desafio era encontrar uma solução que superasse as limitações do modelo tradicional de seguro. Com o seguro paramétrico, conseguimos ampliar significativamente a capacidade de cobertura e garantir agilidade no pagamento em caso de sinistro, um fator essencial para a continuidade das nossas operações. Essa colaboração representa um avanço importante na gestão dos riscos climáticos da Faber-Castell e reforça nossa visão de longo prazo quanto à sustentabilidade do nosso negócio”, comenta Kátia Guarascio, Especialista em Seguros da Faber-Castell.


“Essa iniciativa com a Faber-Castell mostra como conseguimos antecipar tendências e conectar nossos clientes a soluções que vão além das tradicionais. Ao combinar expertise técnica e inovação entregamos não apenas cobertura adicional, mas também resiliência financeira e operacional para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas”, complementa Alexandre Jardim, head of Commercial Risk Solutions para o Brasil na Aon.

Austral Seguradora mantém desempenho positivo no Seguro Garantia e projeta crescimento até o fim de 2025

A Austral Seguradora registrou lucro de R$ 26,3 milhões nos primeiros nove meses do ano, o que representa crescimento de 11% em relação a 2024. O Seguro Garantia foi um dos destaques do período, com aumento de 59% no volume de prêmios emitidos. 

O resultado positivo está em linha com a estimativa divulgada nesta terça-feira (4/11) pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg). Segundo a entidade, o ramo de Seguro Garantia arrecadou R$ 5,08 bilhões em 2024 e deve alcançar R$ 5,99 bilhões em 2025, o que representa crescimento de 17,9%. A projeção anterior, feita em dezembro de 2024, era de R$ 5,83 bilhões, e foi revisada para cima em outubro deste ano, refletindo a expectativa de expansão do segmento.

Com atuação consolidada no mercado, a Austral tem ampliado sua participação em Garantias Contratuais, Judiciais e Administrativas, apoiando projetos de infraestrutura, construção civil e energia. O desempenho reflete a estratégia da companhia de diversificar a carteira e investir em tecnologia para aprimorar a análise de risco e a eficiência operacional.

Segundo Rafael Gama, diretor comercial da Austral Seguradora, o crescimento do segmento está associado a fatores como à retomada de investimentos públicos e privados, à maior utilização do produto por empresas de diferentes portes e a reprecificação em alguns setores, considerando principalmente a taxa de juros atual.

“O Seguro Garantia permanece ganhando espaço e se consolidando ainda mais como alternativa segura e eficiente para viabilizar contratos e demandas judiciais. O cenário divulgado pela CNseg confirma o potencial de expansão do ramo, e nossa previsão é manter o ritmo de crescimento até o fim de 2025. Fomos muito assertivos tecnicamente e nas soluções entregues aos nossos clientes e parceiros, usando a tecnologia para automação de processos e gestão de portfólio. A expectativa para os próximos anos é ainda maior, com o novo PAC, com previsão de investimentos de até R$ 1,8 tri, onde o produto deve ganhar ainda mais espaço em contratos de concessões, Parcerias Público-Privadas (PPPs) e licitações federais e estaduais, além da ampliação ainda maior do produto em processos judiciais, afirma o executivo.”