Estabelecer metas é essencial para ações de inclusão bem-sucedidas

Conseguro 2021 CNseg

Fonte: CNseg

 

Fundadora do Instituto Identidades do Brasil (ID_BR), a conferencista Luana Génot abriu o painel “Diversidade & Inclusão: por que é importante falar sobre isso?”, chamando a atenção para a campanha #simaigualdaderacial, promovida pela instituição a qual preside. O objetivo é mostrar que não basta dizer não ao racismo, mas sim, propor caminhos para avançar na temática, com políticas e ações efetivas.  Em seguida, Luana falou sobre a diferença entre diversidade e inclusão.

“Diversidade contempla saberes, gêneros, pessoas com deficiência, cores e raças e etnias. Por excelência, todos os ambientes são diversos porque as pessoas são diferentes. Porém, inclusão é dar um passo além e fazer um movimento para incluir os grupos que estão sub-representados nesses ambientes”, ensina. Para isso, é necessário um plano de ação e métricas definidas, levando em consideração pilares, metas, prazos, intersecções e investimento financeiro.  

Aqui no Brasil, as empresas que buscam alcançar o selo do ID-BR – que indica fases de uma jornada para a mudança de cultura corporativa para ações mais propositivas para combater o racismo – são da área varejista, com 32%. Esse fato pode ser explicado porque essas companhias costumam ser grandes anunciantes e têm maior contato com os consumidores.

“Na nossa jornada do selo não temos nenhuma empresa seguradora, o que mostra um movimento mais tímido em relação a essa pauta”, avalia Luana. A conferencista também trouxe outro ponto de reflexão: “Se o Brasil é um País de maioria negra e triplicou o número de pessoas negras no Ensino Superior, onde estão as lideranças negras nas seguradoras? E como as seguradoras estão se engajando na pauta antirracista? Se hoje estamos discutindo esse tema na Conseguro é porque podemos melhorar o engajamento das seguradoras”, afirma.

Equidade de gênero

Dando prosseguimento ao debate, a presidente da Sou Segura, Simone Vizani destacou o descompasso entre mulheres brancas e negras no setor segurador. 

“Menos de 1% estão em cargo de alta liderança e representam menos de 10% de todos os colaboradores, indicando que temos ainda muito a caminhar nesse universo de diversidade e inclusão de raça”, avalia.  Simone chama a atenção para os dados mais recentes do Relatório de Sustentabilidade da CNseg, indicando que 55,6% das empresas assinam compromissos com a ONU Mulheres para melhorar a presença de cargos femininos em posição de liderança.  

“57,6% de mulheres integram o mercado segurador e apenas 22,8% são diretoras. Ou seja, há um achatamento a partir dos cargos gerenciais, sem muita perspectiva de crescimento. Isso se deve a muitos fatores, mas as empresas precisam, sim, olhar para as suas políticas e criar possibilidade de ascensão na carreira dessas mulheres”, avalia. 

Um dado positivo é que 90% das empresas já adotam políticas de diversidade e inclusão. “Demonstra uma evolução das intenções das práticas e das ações. Ainda que demorado, estamos no caminho da equidade de gênero”, afirma. 

Cenário promissor

A diretora Vice-presidente Financeira & CFO da Prudential do Brasil, Thereza Moreno, comentou os desafios que enfrentou em 30 anos de carreira. “Como mulher, negra e de Exatas, tive pouca representatividade ao longo da minha jornada de trabalho. Sou atuária, especializada em seguros, não tinha muitas mulheres na minha turma, muito menos negras. Tive muita sorte porque a minha primeira chefe em um órgão público foi uma mulher negra, o que fez muita diferença no futuro que eu pude ter. Embora me visse representada, à medida em que avancei profissionalmente, tive menos representatividade. Atualmente, conheço outras mulheres negras em cargo de chefia. Somos poucas, mas não estou sozinha”.

CEO da AXA Seguros, Erika Medici afirmou que a seguradora tem como meta a paridade de gênero em cargos executivos até 2023.

“Boas práticas passam também pelo RH. Implementamos a licença-maternidade de seis meses para a mãe e de 30 dias para o pai. Definimos também que em todas as nossas contratações precisamos receber currículos de outros gêneros. Precisamos ter a igualdade das ofertas nas nossas avaliações”, explica. Outro diferencial da empresa é fazer com o que os prestadores de serviço na área de sinistros passem por treinamentos de diversidade e inclusão. 

A moderadora Patrícia Coimbra, presidente da Comissão de Recursos Humanos da CNseg e vice-presidente de Capital Humano, Administrativo, Sustentabilidade e Marketing da SulAmérica Seguros, encerrou o debate reforçando que diversidade e inclusão não é apenas uma pauta para que a sociedade seja realmente inclusiva.

“Está comprovado que diversidade traz decisões mais robustas, permite inovação, atrai e retém talentos e traz representatividade de clientes e parceiros”. 

Parceria entre Zurich e startup PAI Health mira prevenção da saúde de colaboradores

Carlos Toledo

Fonte: Zurich

A Zurich no Brasil está iniciando um programa junto aos seus 1.500 funcionários, em parceria com a empresa canadense PAI Health. A startup, que venceu a etapa nacional do Campeonato de Inovação promovido pela Zurich em 2020, colocará em teste com os colaboradores da seguradora o seu aplicativo, cujo método é cientificamente validado para prevenção de doenças cardiovasculares por meio do monitoramento da atividade física de seus usuários. 

A tecnologia PAI Health tem como principal métrica o Personal Activity Intelligence (PAI), fruto do rastreamento de atividades físicas e da frequência cardíaca do usuário. Registradas no aplicativo por meio do uso de um smartwatch (relógio digital de última geração), as informações do indivíduo são convertidas em uma pontuação personalizada e semanal, com base em seu perfil e frequência cardíaca. 

Aliás, o aplicativo tem eficácia comprovada: o algoritmo do PAI foi validado através do HUNT, um dos maiores estudos em saúde do mundo. Os resultados de mais de 25 anos acompanhando milhares de pessoas mostram que manter a pontuação de 100 ou mais do PAI proporciona uma redução média de 25% no risco de mortalidade por doenças cardiovasculares, além de prevenir outras doenças crônicas relacionadas ao estilo de vida, como hipertensão, diabetes e obesidade. 

Para participação no programa, os primeiros 150 funcionários contam com ajuda de custo para aquisição dos relógios digitais, benefício que poderá ser estendido para mais funcionários, dependendo do nível de adesão.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), “doenças cardiovasculares, afecções do coração e da circulação representam a principal causa de mortes no Brasil. São mais de 1.100 mortes por dia, cerca de 46 por hora, uma a cada 90 segundos”. O “Cardiômetro”, da SBC e que é um indicador dessas mortes, aponta que somente neste ano, até o começo de junho, foram registrados mais de 175 mil óbitos. A entidade estima que, até o final 2021, esse número ultrapassará 400 mil óbitos – e que muitos deles poderiam ser evitados com cuidados preventivos.

“A métrica PAI fornece uma visão prática sobre quanta atividade é necessária para cada indivíduo melhorar ou manter uma boa aptidão cardiorrespiratória, com apenas um indicador é possível saber se os exercícios físicos que fazemos estão de fato contribuindo para a proteção da saúde cardíaca”, explica Ismael José de Andrade Junior, Superintendente de Estratégia e Inovação da Zurich no Brasil. 

“Por ser uma tecnologia baseada em métodos comprovados pela ciência, e extremamente moderna, acreditamos no seu potencial de ajudar a proteger e gerir a saúde dos nossos colaboradores, aumentando sua qualidade de vida”, aponta o executivo, que conta que o pacote de ferramentas da startup inclui um aplicativo móvel, um painel de relatórios administrativos e analíticos e uma interface de programação de aplicativos (API) para fácil integração com aplicativos de terceiros.

Além disso, o fato de os funcionários da Zurich serem os primeiros a se beneficiar da iniciativa inovadora da empresa os torna, também, cocriadores. A razão é que, após avaliarem a tecnologia do app, ele poderá ser ofertado aos clientes da seguradora em todo o país, se bem-sucedido.

“A parceria com a Zurich oferece uma oportunidade fantástica de mostrar o PAI em grande escala e provar sua eficácia como uma solução preventiva de saúde”, afirma Sally Powell, gerente geral da PAI Health. “Estamos confiantes de que nossa solução pode melhorar os resultados de saúde e impulsionar mudanças significativas no estilo de vida, e estamos satisfeitos por colaborar com um líder global de seguros na vanguarda da inovação em saúde e bem-estar”, finaliza.

Tendências de cuidado com funcionários e Programa Equilíbrio Z 

De acordo com o relatório “Moldando um futuro de trabalho melhor: Percepções do mercado global e local”, elaborado em uma parceria entre a Zurich e a Universidade de Oxford, os funcionários em todo o mundo esperam que seus empregadores participem mais de seu bem-estar geral, perspectiva que foi intensificada com a pandemia do novo coronavírus.

Na Zurich, a proposta de cuidar da saúde do coração dos colaboradores é mais uma das iniciativas do Programa Equilíbrio Z, que desde 2019 dispõe de uma série de benefícios para os funcionários em quatro dimensões da saúde: física, emocional, social e financeira.

Em maio, a companhia já havia dado um passo importante a fim de contribuir para o bem-estar de seus colaboradores, com o lançamento do aplicativo Equilíbrio Z, que fornece questionários, protocolos de avaliação e outras ferramentas para a gestão global da saúde dos funcionários e de seus familiares.

Para Carlos Toledo, Diretor Executivo de Recursos Humanos da Zurich, a disponibilização do PAI Health (que conta, ainda, com um subsídio da seguradora para a aquisição do smartwatch), é, portanto, uma iniciativa que materializa o desejo da Zurich em crescer junto de seus colaboradores. 

“Entendemos que só é possível crescer mutuamente se garantirmos, ao máximo, uma boa qualidade de vida e o bem-estar dos nossos colaboradores, em todas as esferas. O PAI Health é mais um passo em consonância com esse objetivo, que é um dos pilares de atuação da Zurich no Brasil”, finaliza o diretor.

Tokio Marine realiza doação de mil cestas básicas para iniciativa Família em Ação da Fenacor

José Adalberto Ferrara Tokio marine

Fonte: Tokio Marine

Cada vez mais comprometida em contribuir com a sociedade, a Tokio Marine, uma das maiores Seguradoras do País, promoveu a doação de mil cestas básicas durante o “Conexão Futuro Seguro 2021”, promovido pela Fenacor, ENS e Sincors, entre os meses de junho e agosto. O anúncio da doação foi feito pelo Diretor Comercial Nacional Varejo, João Luiz de Lima, durante o lançamento oficial do evento.

A iniciativa faz parte de um sólido compromisso da Tokio Marine com práticas de ESG (Environmental, Social and Governance). “Além de proporcionar proteção e segurança às Pessoas e às Empresas, temos como missão contribuir para o desenvolvimento da sociedade. E ações como a doação das cestas básicas vão ao encontro desse compromisso”, declara o Presidente da Seguradora, José Adalberto Ferrara.

As mil cestas doadas, bem como as demais arrecadações feitas durante o evento, serão encaminhadas a instituições sociais, por meio do movimento Família em Ação, criado pela Fenacor. “Parabenizamos o presidente da Fenacor, Armando Vergílio, pela atitude. Temos certeza de que estes alimentos serão muito importantes para ajudar as famílias mais carentes, especialmente as que foram mais afetadas pelos efeitos da pandemia na economia”, complementa Ferrara.

Conexão Futuro Seguro 2021

O “Conexão Futuro Seguro 2021” foi promovido entre junho e agosto, de forma on-line, com uma programação focada em inovação, empreendedorismo e transformação digital, direcionada aos Corretores de Seguros. 

Em sua participação no evento, Ferrara frisou que o mercado de seguros está atento a todas as mudanças que têm sido propostas pela Susep. Ele também reforçou a importância da parceria da Tokio Marine com os Corretores e as Assessorias de Seguros. “Os Corretores são os grandes protagonistas do nosso mercado e têm dado inúmeras demonstrações do quanto estão inseridos nas mudanças digitais que estão revolucionando o setor. Nós não vislumbramos nenhum modelo de comercialização que exclua estes profissionais do negócio, até mesmo porque eles têm os clientes em mãos e são fundamentais para aumentar a participação da indústria securitária no PIB”, conclui Ferrara.

Em parceria com o C6 Bank, SURA oferece solução seguro para motoristas em rodovias durante suas viagens

Fonte: SURA

A Seguros SURA, em parceria com o C6 Bank, desenvolveu o Seguro C6 Tag Rodovia. Modelo inédito no país, a solução está disponível por apenas R$ 5 por mês aos usuários do C6 Tag, sistema de pagamento automático de pedágios e estacionamentos oferecido pelo C6 Bank. 

De acordo com Gabriel Bugallo, Vice-presidente de Seguros da Seguros SURA, essa é uma solução específica “pensada para oferecer experiências exclusivas aos clientes que priorizam segurança e atendimento exclusivo durante o seu trajeto nas rodovias pedagiadas. Nós na SURA trabalhamos continuamente na oferta de produtos alternativos para possibilitar que mais pessoas sigam seguras, e ficamos muito satisfeitos em apoiar o C6 em mais essa oferta de valor aos seus clientes”. 

O Seguro C6 Tag Rodovia disponibiliza em todas as estradas pedagiadas do país guincho 24 horas por dia, táxi gratuito para terminar a viagem em um perímetro de até 400 km do local do acidente e hospedagem para ocorrências durante a madrugada. Além disso, o serviço oferece uma cobertura de até R﹩ 5 mil para danos em veículos próprios e de terceiros. E para quem já possui Seguro de Automóvel, o segurado pode usar esse valor para ajudar a pagar a franquia de danos materiais. 

“Hoje, menos de 20% da frota brasileira é segurada. Com uma mensalidade cujo valor é inferior ao pedágio cobrado em muitas praças, o cliente C6 Tag que já tem a praticidade da cobrança automática pode contar também com a tranquilidade e proteção do seguro”, diz Fabio Basilone, head de Seguros do C6 Bank. 

A solução está disponível para carros, incluindo automóveis particulares, táxis e aqueles que operam com aplicativos de transporte de passageiros, independentemente do ano de fabricação. 

A contratação do seguro é simplificada pelo próprio app do C6 Bank sem a necessidade de preencher formulários ou fazer avaliações do veículo. Para contratar, basta o cliente ter um C6 Tag ativo e ele estará coberto imediatamente após concordar com os termos e finalizar a contratação. A cobrança mensal de R$ 5 é recorrente e feita em débito em conta tendo como base a data de contratação do seguro. 

Brasil realiza congresso internacional sobre direito do seguro

ibds

O Centro de Estudos Judiciários do Conselho da Justiça Federal (CEJ-CJF) e o Instituto Brasileiro de Direito do Seguro (IBDS), com apoio do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e a Academia Sino-Lusófona da Universidade de Coimbra (ASL-UC), realizarão de 23 a 26 de novembro, o II Congresso Internacional de Direito do Seguro e o VIII Fórum José Sollero Filho.

A coordenação do evento ficará a cargo de Jorge Mussi (ministro do CJF), Paulo de Tarso Sanseverino (ministro do STJ), Ernesto Tzirulnik (presidente do IBDS) e João Nuno Calvão da Silva (professor na ASL-UC)

Esta edição será virtual e homenageia a contribuição dos professores José Carlos Moitinho de Almeida e Hubert Groutel, além de Ruy Rosado de Aguiar Júnior (in memoriam) e João Calvão da Silva (in memoriam).

O evento terá três palestras magnas e 10 painéis, e contará com a participação de juristas do Brasil, Cabo Verde, Canadá, China, Colômbia, Escócia, Espanha, Estados Unidos, França, Itália, Países Baixos, Peru e Portugal, entre outros. 

As inscrições são gratuitas, mas limitadas, e haverá tradução simultânea. 

Para mais informações, programação completa e inscrição, através do site: https://forum.ibds.com.br/

Conseguro 2021: Avaliação da Tecnologia em Saúde é tida como uma aliada na sustentabilidade da saúde suplementar

Conseguro 2021 CNseg


Fonte: CNseg

A saúde é o único setor em que a adoção de tecnologia significa aumento de custos. Em todos os outros setores da economia, representa redução. Como, então, financiar o custo da saúde em paralelo à adoção de novas tecnologias? A provocação foi feita por Vera Valente, diretora executiva da Federação Nacional de Saúde (FenaSaúde), durante o painel “O desafio do acesso à inovação em saúde”, da Conseguro 2021, o congresso da Confederação Nacional das Seguradoras – CNseg.

O tema instigou os palestrantes Denizar Vianna, professor titular e pró-reitor da UERJ, e o deputado federal Luiz Antônio Teixeira (PP-RJ), o Dr. Luizinho, a jogar luz sobre esta complexa equação. Segundo Vera, o papel das inovações e os mecanismos de precificação e financiamento compõem o debate mais atual em todos os sistemas de saúde. Um dos pontos mais sensíveis, atualmente, é o risco de derrubada do veto ao Projeto de Lei nº 6.330/19, que prevê a ampliação do acesso a tratamentos antineoplásicos domiciliares de uso oral para os beneficiários de planos de saúde. Essa liberação se daria a partir, única e exclusivamente, do registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), sem que seja analisada também pela área técnica da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Pela proposta, os medicamentos devem ser fornecidos em até 48 horas depois da prescrição médica.

Vera Valente avalia que essa mudança abriria espaço para o gasto excessivo com medicamentos sem comprovação de custo-efetividade, eliminando uma etapa importante do processo adotado pelas maiores economias do mundo, a Avaliação da Tecnologia em Saúde (ATS). Caso o veto seja derrubado, haverá impacto direto sobre os reajustes dos planos de saúde, o que vai no caminho contrário do que se almeja: um número maior de pessoas atendidas pela saúde privada para que o SUS seja o sistema para aqueles que mais necessitam. 

Os palestrantes concordaram que é preciso avaliar os reais benefícios das novas tecnologias e se os custos compensam a sua utilização. A área de saúde apresenta rotineiramente novas tecnologias, o que é positivo, mas é necessário que sejam criados critérios para sua incorporação com base em resultados reais. O orçamento do sistema nunca crescerá na mesma velocidade que o lançamento de inovações na área de saúde, mas toda empresa precisa ter o mínimo de previsibilidade sobre gastos, comentou o especialista em saúde, Denizar Vianna. “A sustentabilidade do setor de saúde está no tripé acesso à população, qualidade assistencial e sustentabilidade”, defendeu. 

Segundo Denizar Vianna, o grande desafio da saúde suplementar é aumentar o acesso da população aos tratamentos. “A ANS precisa olhar os indicadores de resultados e cobrar das operadoras transparência dos custos. O indutor do processo é a ANS e o melhor caminho é o uso da ATS (Avaliação de Tecnologias em Saúde), uma ferramenta fundamental para melhorar a qualidade do segmento e desafogar o sistema público de saúde, permitindo um aumento da escala e diluição de custos da saúde suplementar.”

Para ele, é preciso ter uma base política que compreenda o funcionamento do sistema de saúde suplementar. “Eles precisam entender melhor a cadeia do setor, para não ficarem reféns das campanhas de mídias financiadas por grupos empresariais que desrespeitam as leis e colocam em risco o sistema de saúde suplementar”, afirmou. 

O Deputado Dr. Luizinho avalia que educar os políticos, com debates, congressos e seminários é uma agenda importante. “Temos muito a avançar no país neste tema, no Brasil e no mundo. O acesso à tecnologia barateia o setor de serviços, mas em saúde, não. Se aumentar a base de clientes, com planos de preços acessíveis, o custo da tecnologia será diluído. Já se diminuir a base, o custo será inviável para a população e uma grande parte dela vai migrar para o SUS, sobrecarregando o sistema público”. 

A diretora da FenaSaúde usou como exemplo durante a discussão o medicamento para tratamento da AME (Atrofia Muscular Espinhal), o Zolgensma. “Nos EUA, cada tratamento custa em média o equivalente a R$ 12 milhões por paciente. Levando-se em conta a probabilidade de nascimento de crianças que podem ter a doença, só o tratamento de AME poderia custar R$ 1,8 bilhão aos cofres do SUS por ano”.

Para a FenaSaúde, a ATS deve ser tomada como etapa obrigatória, trazendo a segurança clínica e prevenindo a “toxicidade financeira”, termo usado por Stephan Stefani para demonstrar que temos que avaliar também as consequências econômicas da incorporação.


Conseguro 2021: Custo médio de ataque cibernético chegou a US$ 15 milhões no mundo

Conseguro 2021 CNseg

Fonte: CNseg

A rápida digitalização da economia como resposta à política de isolamento social e combate à Covid-19 teve como efeito colateral um aumento expressivo dos ataques cibernéticos. O chamado ransoware, invasão dos sistemas com posterior pedido de resgate, disparou ao longo da pandemia e colocou todos em alerta. No setor de seguros, uma das respostas à nova realidade é a circular 638, da Superintendência de Seguros Privados (Susep) que dispõe sobre requisitos de segurança cibernética a serem observados pelas sociedades seguradoras.

“Há um mundo novo que vem com novos riscos. Os ataques cibernéticos não são uma ameaça, mas uma realidade. O regulador, naturalmente, reage a este novo cenário, tomando o cuidado de adotar medidas que impulsionem a transformação e não a retarde, de forma segura”, comentou Victor de Almeida França, coordenador de Regulação de Riscos Ativos e Controle Internos da Susep, ao participar do painel “Segurança Cibernética”, na Conseguro 2021 da Confederação Nacional das Seguradoras – CNseg.

O representante da Susep apresentou dados sobre a intensificação dos ataques cibernéticos, lembrando que o setor de seguros é bastante visado por ser intensivo em dados. Em 2019, segundo levantamento da Accenture, o custo médio de cada ataque no setor de seguros chegou a US$ 15 milhões no mundo. No Brasil, o custo médio gira na faixa de US$ 7 milhões anuais. Em relação às tentativas de ataque, foram registradas no Brasil 8,4 bilhões de tentativas no ano passado, contra 3,2 bilhões só no primeiro trimestre deste ano. “Os números mostram que as coisas não estão melhorando e é preciso avançar na proteção das informações”, ressaltou França acrescentando que os ransowares, como os que tiraram do ar o STJ por 15 dias, e a utilização de dados em nuvem, pelo risco de algum vazamento, preocupam o regulador.

Sobre a circular 638/21, o coordenador citou alguns pontos importantes, como definir que a política de segurança cibernética é complementar à política de gestão de risco, criar regras para terceirização de serviços de armazenamento de dados, definir a classificação de dados e situações de risco e dar diretrizes para a implementação de processos de segurança cibernética, entre outros. “Um ponto importante é que as seguradoras, quando forem alvo de um ataque, terão que compartilhar as informações a respeito do ocorrido, o que contribuirá para mitigar vulnerabilidades semelhantes que possam existir em outros players. Isto melhorará o risco sistêmico”, acrescentou.

Sylvia Varoto, presidente da Comissão de Assuntos Jurídicos da FenSeg e superintendente Jurídica da Allianz Seguros, elogiou a iniciativa da Susep. “É ótimo ter o órgão regulador ao nosso lado, preocupado com o risco cibernético, isto nos dá mais confiança no trabalho das seguradoras”, comentou a coordenadora do painel, acrescentando que o setor de seguros ficou muito mais exposto pela rápida digitalização dos processos ao longo da pandemia.

Sobre o compartilhamento das informações dos ataques feitos às seguradoras, que a Susep optou por deixar que as próprias empresas definam o melhor modelo, Wagner Pereira, especialista em Cyber Security da Zurich comentou que o tema já está em debate em comissões temáticas da CNSeg. “O objetivo é que o compartilhamento seja bastante técnico, mostrando qual o vetor de ataque, o método usado e o ponto de vulnerabilidade daquela seguradora”, explicou Pereira. “A troca de experiências vai aumentar a segurança de todo o mercado segurador ao evitar que aquele tipo de ataque por uma determinada vulnerabilidade se repita em outra seguradora”.

O executivo da Zurich lembrou que as seguradoras vêm investindo na segurança de seus sistemas, mas que há muito a ser feito. “Não basta ter uma equipe dedicada à segurança com riscos identificados e mapeados, é preciso também ter um plano de ação para falhas, já elaborado”, disse.

Em relação ao desenvolvimento de coberturas voltadas para proteção dos contra ataques cibernéticos, os painelistas lembraram que o caminho ainda é longo e que o limite de aceitação do risco pode ser uma dificuldade. “Existem vários tipos de ransoware e alguns com exigências de pagamento de resgates a valores enormes. Precisa ver se o mercado segurador tem apetite para tanto risco ou se vai seguir com sublimites para coberturas de ataques cibernéticos. É um debate importante”, comentou Fred Ferreira, CEO da Austral Seguradora.  Ele acrescentou que antes de ofertar produtos específicos, muitas empresas fazem uma consultoria com as companhias para que elas melhorem e passem a ter um risco aceitável pelo mercado.

Diego Massara, membro da Comissão de Assuntos Jurídicos da CNseg e Superintendente Jurídico Corporativo da Junto Seguros, lembrou que além da circular 638, que vai exigir adaptações das seguradoras, outra ponto de atenção é a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). “Você deve ter um executivo responsável, uma área dedicada à segurança, mas a responsabilidade é de todos. É preciso proteger os dados dos clientes, mas também dos corretores, colaboradores e outros prestadores de serviço”, comentou Massara.

Sobre a circular 638, o executivo elogiou a iniciativa da Susep, acrescentando que o primeiro passo e o mais essencial é mapear e conhecer os riscos de cada companhia. “Risco ruim é risco desconhecido. Temos novidades regulatórias, legais, e já sabemos como caminhar”, concluiu.

Standar&Poor’s mantém tem “brAAA”rating de crédito do IRB Brasil RE

IRB Brasil re

FOnte: IRB

A agência de classificação de riscos Standard&Poor’s Global Ratings manteve em “brAAA” o rating de crédito de emissor do IRB Brasil RE na escala Nacional Brasil, com perspectiva estável, informou em relatório enviado à companhia ontem (30/09). 

“O rating é a continuidade do reconhecimento de que as medidas de recuperação financeira e da credibilidade da companhia implementadas desde o início do ano passado estão surtindo resultados perenes”, diz o vice-presidente executivo de Riscos, Conformidade e Jurídico do IRB, Carlos Guerra.  

Segundo o relatório, a S&P conferiu perspectiva estável ao rating porque a agência espera que o desempenho operacional do IRB “se estabilize nos próximos dois anos”. “A perspectiva também incorpora nossa expectativa de que as mudanças na administração e no conselho fortalecerão a cultura de risco da resseguradora e que as exigências de reservas se estabilizarão, já que grande parte dos ajustes nas reservas devido à condução do processo de due diligence foi feita no ano passado”, afirma o documento. 

Apesar de considerar que “problemas de governança do passado ainda afetam o desempenho operacional atual”, a S&P, diz o relatório, opina que o IRB introduziu melhorias significativas nessa área. A agência avalia também que a liquidez do IRB é adequada. 

Conseguro 2021: Inovações normativas ampliam penetração dos seguros de Danos e Responsabilidades

Conseguro 2021 Cnseg

Fonte: CNseg

A flexibilidade das normas dos produtos, tema do painel da Conseguro 2021, conferência da Confederação Nacional das Seguradoras – CNseg, debatido por representantes de seguradoras e do órgão de supervisão nesta quarta-feira, 29, demonstrou que as medidas regulatórias adotadas, desde 2019, pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) são assertivas para ampliar a incursão do seguro na vida de pessoas e empresas, diminuir custos e estimular coberturas personalizadas. 

Entretanto, a esperada corrida de oferta de produtos combos, apólices intermitentes, seguros personalizados não será tão imediata- ou em escala industrial- nem representará o fim dos seguros convencionais hoje existentes de Danos e Responsabilidades. 

De qualquer forma, trata-se de um novo momento para os seguros de Danos e Responsabilidades, capaz de produzir efeitos na venda de diversas coberturas e também cercado de desafios, deixou evidente a moderadora Thisiani Matsumura Martins – presidente da Comissão de Grandes Riscos da FenSeg e Country Manager da AXA XL Seguros

O presidente da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) e da Chubb Seguros Brasil, Antonio Trindade, esclareceu: “Não haverá um big bang no mercado em virtude das normas que flexibilização os produtos. Nem os seguros hoje existentes deixaram de existir. Mas, sem dúvida, as normas representam inovações importantes e abrem caminho para seguros sob medida para segurados diferentes entre si. Uma mineradora difere de um grande supermercado, que difere de uma montadora em termos de riscos. E um novo arcabouço permitirá que eles decidam os riscos que querem assumir, os que querem transferir e até mesmo estaremos aptos a acolher, no mercado doméstico, os planos globais de seguros das multinacionais presentes no País.”

Além das ofertas das seguradoras, quer para seguros massificados, quer para grandes riscos, corretores e resseguradoras deverão estar na mesma sintonia, ao passo que o consumidor deverá ter melhor compreensão das inovações a caminho, entendendo que os preços menores poderão significar riscos parcialmente cobertos, dependendo do caso.

Para Bruno Garfinkel, vice-presidente da FenSeg e presidente do Conselho de Administração da Porto Seguro, as normas que flexibilizam os produtos devem conduzir o mercado por dois caminhos. Um com foco em coberturas; outro com ênfase nos preços. “As novidades regulatórias permitem que o mercado estique tanto para o lado das coberturas quanto para o lado dos preços.  Mas, como tudo, vamos precisar de um tempo para desenhar esses produtos. Quando se fala de menor detalhamento no contrato, teremos também de fazer uma análise de crédito diferenciada, e isso significa que seguro não será barato. Mas esse produto atenderá aquele consumidor que não sabe ou não quer detalhar os riscos que planeja proteger. Em contrapartida, haverá oferta de produtos com coberturas mais restritivas. Da qualquer forma, o bom andamento dependerá de uma maior educação da população sobre a nova gama de produtos, da participação do corretor nesses contratos, da criatividade das companhias e mesmo da entrada de novos players. Tudo isso é um movimento muito positivo do mercado e estamos todos empolgados em criar os produtos flexíveis”, afirmou.

No painel, os diretores da Susep, Rafael Pereira Scherre, e Igor Lins da Rocha Lourenço demonstraram confiança de que as regras atualizadas, como a Circular 621 para seguros massificados ou a Resolução CNSP 407, para os grandes riscos, reduzem a burocracia, preços, estimulam a diversificação de produtos oferecidos, além de ampliar o alcance da proteção. Os produtos estruturados de maneira flexível são o caminho para assegurar que o mercado dobre de tamanho nos próximos anos. As normas flexíveis continuarão a ser adotadas, além dos seguros de danos e responsabilidade, também para as coberturas de pessoas em breve.

O consenso dos participantes é de que o corretor dará enorme contribuição a era dos seguros flexíveis, intermitentes, combos. Sua bagagem em fazer o vaivém entre as seguradoras e consumidor é importante para garantir maior satisfação quanto um menor nível de judicialização, que pode ocorrer com a oferta de inúmeras coberturas combinadas e intermitentes, por exemplo. Dele também poderão nascer os seguros personalizados, por ter conhecimento dos riscos que envolvem seus segurados. A aderência das resseguradoras é outro passo destacado nesse avanço.

Valor 1000: No setor de seguros, mudanças em tempos difíceis

Fonte: Valor 1000

A pandemia acelerou o redesenho do mercado segurador, como resultado de um amplo processo de mudanças tecnológicas, ainda em curso, e também em função de aperfeiçoamentos regulatórios. Com o uso de big data e analytics surgiu uma infinidade de plataformas capazes de se conectar rapidamente com os sistemas legados, o que abriu as portas para a entrada de novos concorrentes. Além das insurtechs, que testam modelos e produtos num ambiente protegido lançado pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), há os bancos digitais, que se consolidam, bem como as chamadas big tech que planejam vender seguro para a população.

“Há uma maior percepção das seguradoras tradicionais sobre a necessidade de transformar digitalmente todo o ecossistema, como forma também de tornar os processos mais simples e ágeis”, afirma Érika Ramos, sócia-líder do segmento de seguros da KPMG no Brasil. O open insurance, diz ela, veio “para acelera “para acelerar ainda mais os temas de competitividade, transparência e promoção da inclusão financeira”.

As grandes transformações que moldam o setor mexem com o mercado de forma intensa, como aponta Antonio Trindade, presidente da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg). Essa intensidade, segundo ele, vem marcando o ano de 2021, principalmente no ambiente regulatório. Ele classifica as mudanças de positivas. “As seguradoras estão menos amarradas para criar produtos, mas é preciso levar em conta tanto os prazos como os recursos financeiros necessários para viabilizar tantas mudanças”, afirma. A ideia de ampliar a oferta e baratear os produtos é benéfica, mas o horizonte de maturação, segundo ele, ainda não está claro.

O setor vem se recuperando em 2021 depois de amargar um fraco desempenho em 2020, como mostram os números gerais do ranking. No segmento de seguros gerais, houve uma queda de 5,6% na emissão de prêmios líquidos, na comparação com 2019, de R$ 144 bilhões para R$ 136 bilhões. No segmento de capitalização, o recuo foi de 4%, de R$ 23,8 bilhões para R$ 22,9 bilhões. Os dois segmentos viram o lucro líquido encolher na casa dos dois dígitos: 11,8% em seguros e 28,8% em capitalização. Em resseguros, além do prejuízo de R$ 1,4 bilhão, a rentabilidade sobre o patrimônio líquido foi negativa em 18,7%.

Os bons resultados voltaram a aparecer no balanço do primeiro semestre de 2021, com avanço de 8,9%, somando-se os ramos elementares e de risco, cuja arrecadação subiu de R$ 62,1 bilhões para R$ 67,6 bilhões, segundo dados da Susep, apurados pela Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg). No segmento de capitalização, a arrecadação avançou de R$ 10,7 bilhões para R$ 11,7 bilhões. O lucro líquido, porém, não acompanhou a evolução da receita e encolheu de forma significativa. Só na Bradesco Seguros, a queda foi de 58,3%, no segundo trimestre, mesmo patamar que a consultoria Siscorp apurou para o setor como um como um todo nos primeiros seis meses.

Os números segmentados mostram que o desempenho não foi homogêneo. O segmento rural, por exemplo, cresceu 37,9% no primeiro semestre, seguido por responsabilidade civil (37,4%), transporte (34,1%), riscos patrimoniais (20,7%) e residencial (19,1%). “A demanda está aquecida, mas dependemos também de como vão caminhar a política e a economia”, avalia o presidente da CNseg, Marcio Coriolano. Segundo ele, se tudo correr bem, a expectativa é fechar o ano com crescimento nominal de 12,5%.

Todos apostam nas oportunidades de ganhos com o início do open finance, que consolidará o open banking e o open insurance, a partir de 2022. O open finance surge para criar um ambiente concorrencial mais equilibrado, uma vez que nem todas as sociedades são reguladas pela Susep ou pelo Banco Central. “Acreditamos que há um potencial de crescimento enorme com o open insurance, porque o setor vai atrair pessoas que nunca tiveram acesso a proteções financeiras para riscos do dia a dia”, diz Solange Vieira, superintendente da Susep.

Um ponto levantado por boa parte dos seguradores é a falta de menção ao corretor de seguros no open insurance. Qual será o papel do corretor de seguros nesse processo? “A Tokio Marine, por exemplo, é uma seguradora cujo principal canal de distribuição é o corretor, e nós não vislumbramos a exclusão desse profissional em nenhuma das nossas iniciativas, ao contrário”, questiona José Adalberto Ferrara, presidente da seguradora.

A titular da Susep afirma que a tendência é que a atuação do corretor seja ampliada. “Por vários ângulos, vemos que o setor e a sociedade serão beneficiados com todo o processo”, afirma Solange. Tanto que, entre as 109 insurtechs contabilizadas pela consultoria Distrito no Brasil no primeiro semestre deste ano, várias são plataformas digitais dedicadas à comercialização de seguros, com corretores entre os acionistas. Um dos destaques é a corretora Minuto Seguros, adquirida em julho pela Creditas, plataforma líder em crédito e soluções de consumo na América Latina.

Se depender apenas do esforço das companhias, a previsão de crescimento das vendas pode se confirmar, mas o lucro ainda deve ser impactado no terceiro trimestre. Ivan Gontijo, presidente da Bradesco Seguros, destaca que as vendas por meio dos canais digitais cresceram 80% de janeiro a junho de 2021, com aumento de 62% na quantidade de itens distribuídos. O lucro, por sua vez, registrou recuo de 29,7% no primeiro semestre de 2021, para R$ 4,7 bilhões, comparado com o mesmo período anterior.

Os custos relacionados à covid-19 somaram R$ 4,8 bilhões desde o início da pandemia, em março do ano passado. O setor vive o que ele chama de modelo “fisidigital”. “Embora o processo de transição para meios digitais esteja em curso acelerado, não podemos nos esquecer da grande parcela de clientes que permanecem no mundo analógico e precisam ser igualmente entendidos e atendidos com a mesma dedicação e eficiência.”

A Caixa e o Banco do Brasil (BB) reestruturaram sociedades, lançaram ações e agora avançam em nichos estratégicos. Em abril, a Caixa movimentou R$ 5 bilhões em um IPO e consolidação de parcerias com a Tokio Marine, Icatu, CNP Assurance, Tempo Assist e os corretores de seguros Alper e Willis Towers.

A Brasilseg, braço segurador do BB, aposta no segmento rural, em que tem a liderança. “Estamos focados em oferecer uma experiência e serviços diferenciados ao produtor rural, que conta com nossa plataforma digital, onde encontra, em um só lugar, tudo que precisa para cuidar do seu negócio, mitigando riscos e aumentando a produtividade”, afirma Rodrigo Caramez, presidente da Brasilseg.

O Itaú Unibanco tinha basicamente a Porto Seguro como sócia em auto e residência, depois de sair de grandes riscos. Hoje exibe mais de 15 seguradoras em seu marketplace digital, com ofertas que vão de riscos patrimoniais para PME até planos odontológicos. Eduardo Domeque, diretor de seguros do Itaú Unibanco, conta que a estratégia de expansão do negócio seguiu o modelo de plataforma e inovação abertas. “Esses elementos permitirão acelerar a transformação digital do negócio e proporcionar a melhor experiência dos clientes.”

A Porto Seguro retrata bem a mudança das seguradoras tradicionais. Além de criar verticais de negócios (seguros, saúde, negócios financeiros e serviços), anunciou neste ano a compra de 13% de participação na Pet Love para avançar no segmento de animais de estimação. Também adquiriu 50% da ConectCar, pertencente ao grupo Ultra, controlador da Ipiranga, e 75% da Segfy, ferramenta multicálculos que facilita o trabalho dos corretores de seguros. “O novo posicionamento estratégico observa as diferentes características dos mercados e o potencial de crescimento de cada segmento”, resume Roberto Santos, presidente da Porto Seguro.

Assim como a Porto, Tokio Marine, Liberty e HDI, cujo carro-chefe em vendas é o seguro auto, ampliaram seus portfólios para os corretores de seguros e ganharam novos canais de distribuição com toda a tecnologia embarcada. A Liberty desenvolveu um novo portal para o corretor com uso de inteligência artificial e renovou sua parceria com o Banco Inter para vender produtos de seguros na rede do banco por mais 15 anos.

A HDI espera ganhar musculatura por meio da joint venture com o Santander. A Santander Auto faturou R$ 100 milhões em prêmios em 2020, no seu primeiro ano de funcionamento, num período em que as vendas da carteira auto recuaram 2,1%. A HDI fez também uma parceria com a Icatu para a venda de seguros de vida aos clientes de automóveis, o carro-chefe da seguradora, e PME. “O foco de nossa estratégia é o ganho de escala e a busca por sinergia”, diz o CEO da HDI, Murilo Riedel.

Zurich e AXA, que investiram pesado na venda de seguros pelo varejo, sofreram com o fechamento do comércio para conter a pandemia da covid-19. Como já tinham tecnologia embarcada, a recuperação das vendas foi rápida. “Além da retomada do varejo físico, compensando, em parte, a retração do ano passado, vamos intensificar as parcerias com canais digitais”, diz Igor Di Beo, vice-presidente de subscrição, comercial e marketing da AXA no Brasil.

Para Edson Franco, CEO da Zurich, os impactos da pandemia em parcerias com o varejo são transitórios. “Machuca e passa. Temos previsão de um segundo semestre bem melhor, embalado pela estratégia de transformação digital adotada por nós há anos”, diz. Além dos corretores e do varejo, a Zurich tem como parceiros bancos tradicionais, como Santander, e bancos digitais, como C6 e Original. Além de fintechs e gestoras de ativos, como Genial e Onze.

Na área de resseguros, Trindade, da FenSeg, destaca que todos aguardam o destravamento dos investimentos e projetos que geram novos negócios e oportunidades. O setor ainda se ressente dos problemas de fraudes contábeis que desencadearam uma crise institucional e financeira no líder do mercado, o IRB Brasil RE, desde fevereiro de 2020, com mudança de toda a direção da empresa.

Apesar dos avanços em colocar a empresa nos eixos novamente, o IRB apresentou prejuízo líquido de R$ 156 milhões no primeiro semestre. Resultado bem melhor ante prejuízo de R$ 622 milhões no mesmo período do ano passado. Wilson Toneto, presidente interino e vice-presidente-executivo técnico e de operações do IRB, conta que a companhia descontinuou 162 contratos desde julho de 2020, dos quais 17 de grande impacto sobre os resultados. “Firmamos cerca de 239 novos negócios com novas taxas e renovamos 84% dos contratos no primeiro semestre de 2021”.

Rodrigo Belloube, CEO da Munich Re, segunda maior resseguradora no Brasil, conta que a empresa conseguiu aumentar a fatia de mercado ampliando participações em vários contratos existentes, assim como desenvolvendo o mercado de agronegócios, além de oferecer soluções híbridas de transferência de risco e otimização de solvência das seguradoras. “Os segmentos agrícola, de mobilidade e de pequenas e médias empresas estão em nosso foco para os próximos anos. Alcançamos mais de R$ 1 bilhão no primeiro semestre em prêmio bruto de resseguro, o que equivale a mais de R$ 700 milhões em prêmios líquidos de comissão.”

O segmento de capitalização também passa por transformações, alimentadas pela crise. Para Marcelo Farinha, presidente da Federação Nacional de Capitalização (FenaCap), a superação das dificuldades dependerá da estratégia de cada empresa. No caso da Bradesco Capitalização, maior do segmento, o quadro de dificuldades enfrentadas em 2020 está sendo superado com um portfólio diferenciado e adoção de uma nova plataforma de comercialização. Ela viabiliza projetos como a inclusão e o aceite remoto das operações via aplicativo, além da assinatura eletrônica presencial nas agências via biometria. “Temos ainda grandes oportunidades de crescimento também pela capacidade de distribuição das agências e das facilidades de contratação nos canais digitais”, diz o CEO Gontijo.

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