Conseguro 2021: Avaliação da Tecnologia em Saúde é tida como uma aliada na sustentabilidade da saúde suplementar

Conseguro 2021 CNseg


Fonte: CNseg

A saúde é o único setor em que a adoção de tecnologia significa aumento de custos. Em todos os outros setores da economia, representa redução. Como, então, financiar o custo da saúde em paralelo à adoção de novas tecnologias? A provocação foi feita por Vera Valente, diretora executiva da Federação Nacional de Saúde (FenaSaúde), durante o painel “O desafio do acesso à inovação em saúde”, da Conseguro 2021, o congresso da Confederação Nacional das Seguradoras – CNseg.

O tema instigou os palestrantes Denizar Vianna, professor titular e pró-reitor da UERJ, e o deputado federal Luiz Antônio Teixeira (PP-RJ), o Dr. Luizinho, a jogar luz sobre esta complexa equação. Segundo Vera, o papel das inovações e os mecanismos de precificação e financiamento compõem o debate mais atual em todos os sistemas de saúde. Um dos pontos mais sensíveis, atualmente, é o risco de derrubada do veto ao Projeto de Lei nº 6.330/19, que prevê a ampliação do acesso a tratamentos antineoplásicos domiciliares de uso oral para os beneficiários de planos de saúde. Essa liberação se daria a partir, única e exclusivamente, do registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), sem que seja analisada também pela área técnica da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Pela proposta, os medicamentos devem ser fornecidos em até 48 horas depois da prescrição médica.

Vera Valente avalia que essa mudança abriria espaço para o gasto excessivo com medicamentos sem comprovação de custo-efetividade, eliminando uma etapa importante do processo adotado pelas maiores economias do mundo, a Avaliação da Tecnologia em Saúde (ATS). Caso o veto seja derrubado, haverá impacto direto sobre os reajustes dos planos de saúde, o que vai no caminho contrário do que se almeja: um número maior de pessoas atendidas pela saúde privada para que o SUS seja o sistema para aqueles que mais necessitam. 

Os palestrantes concordaram que é preciso avaliar os reais benefícios das novas tecnologias e se os custos compensam a sua utilização. A área de saúde apresenta rotineiramente novas tecnologias, o que é positivo, mas é necessário que sejam criados critérios para sua incorporação com base em resultados reais. O orçamento do sistema nunca crescerá na mesma velocidade que o lançamento de inovações na área de saúde, mas toda empresa precisa ter o mínimo de previsibilidade sobre gastos, comentou o especialista em saúde, Denizar Vianna. “A sustentabilidade do setor de saúde está no tripé acesso à população, qualidade assistencial e sustentabilidade”, defendeu. 

Segundo Denizar Vianna, o grande desafio da saúde suplementar é aumentar o acesso da população aos tratamentos. “A ANS precisa olhar os indicadores de resultados e cobrar das operadoras transparência dos custos. O indutor do processo é a ANS e o melhor caminho é o uso da ATS (Avaliação de Tecnologias em Saúde), uma ferramenta fundamental para melhorar a qualidade do segmento e desafogar o sistema público de saúde, permitindo um aumento da escala e diluição de custos da saúde suplementar.”

Para ele, é preciso ter uma base política que compreenda o funcionamento do sistema de saúde suplementar. “Eles precisam entender melhor a cadeia do setor, para não ficarem reféns das campanhas de mídias financiadas por grupos empresariais que desrespeitam as leis e colocam em risco o sistema de saúde suplementar”, afirmou. 

O Deputado Dr. Luizinho avalia que educar os políticos, com debates, congressos e seminários é uma agenda importante. “Temos muito a avançar no país neste tema, no Brasil e no mundo. O acesso à tecnologia barateia o setor de serviços, mas em saúde, não. Se aumentar a base de clientes, com planos de preços acessíveis, o custo da tecnologia será diluído. Já se diminuir a base, o custo será inviável para a população e uma grande parte dela vai migrar para o SUS, sobrecarregando o sistema público”. 

A diretora da FenaSaúde usou como exemplo durante a discussão o medicamento para tratamento da AME (Atrofia Muscular Espinhal), o Zolgensma. “Nos EUA, cada tratamento custa em média o equivalente a R$ 12 milhões por paciente. Levando-se em conta a probabilidade de nascimento de crianças que podem ter a doença, só o tratamento de AME poderia custar R$ 1,8 bilhão aos cofres do SUS por ano”.

Para a FenaSaúde, a ATS deve ser tomada como etapa obrigatória, trazendo a segurança clínica e prevenindo a “toxicidade financeira”, termo usado por Stephan Stefani para demonstrar que temos que avaliar também as consequências econômicas da incorporação.


Conseguro 2021: Custo médio de ataque cibernético chegou a US$ 15 milhões no mundo

Conseguro 2021 CNseg

Fonte: CNseg

A rápida digitalização da economia como resposta à política de isolamento social e combate à Covid-19 teve como efeito colateral um aumento expressivo dos ataques cibernéticos. O chamado ransoware, invasão dos sistemas com posterior pedido de resgate, disparou ao longo da pandemia e colocou todos em alerta. No setor de seguros, uma das respostas à nova realidade é a circular 638, da Superintendência de Seguros Privados (Susep) que dispõe sobre requisitos de segurança cibernética a serem observados pelas sociedades seguradoras.

“Há um mundo novo que vem com novos riscos. Os ataques cibernéticos não são uma ameaça, mas uma realidade. O regulador, naturalmente, reage a este novo cenário, tomando o cuidado de adotar medidas que impulsionem a transformação e não a retarde, de forma segura”, comentou Victor de Almeida França, coordenador de Regulação de Riscos Ativos e Controle Internos da Susep, ao participar do painel “Segurança Cibernética”, na Conseguro 2021 da Confederação Nacional das Seguradoras – CNseg.

O representante da Susep apresentou dados sobre a intensificação dos ataques cibernéticos, lembrando que o setor de seguros é bastante visado por ser intensivo em dados. Em 2019, segundo levantamento da Accenture, o custo médio de cada ataque no setor de seguros chegou a US$ 15 milhões no mundo. No Brasil, o custo médio gira na faixa de US$ 7 milhões anuais. Em relação às tentativas de ataque, foram registradas no Brasil 8,4 bilhões de tentativas no ano passado, contra 3,2 bilhões só no primeiro trimestre deste ano. “Os números mostram que as coisas não estão melhorando e é preciso avançar na proteção das informações”, ressaltou França acrescentando que os ransowares, como os que tiraram do ar o STJ por 15 dias, e a utilização de dados em nuvem, pelo risco de algum vazamento, preocupam o regulador.

Sobre a circular 638/21, o coordenador citou alguns pontos importantes, como definir que a política de segurança cibernética é complementar à política de gestão de risco, criar regras para terceirização de serviços de armazenamento de dados, definir a classificação de dados e situações de risco e dar diretrizes para a implementação de processos de segurança cibernética, entre outros. “Um ponto importante é que as seguradoras, quando forem alvo de um ataque, terão que compartilhar as informações a respeito do ocorrido, o que contribuirá para mitigar vulnerabilidades semelhantes que possam existir em outros players. Isto melhorará o risco sistêmico”, acrescentou.

Sylvia Varoto, presidente da Comissão de Assuntos Jurídicos da FenSeg e superintendente Jurídica da Allianz Seguros, elogiou a iniciativa da Susep. “É ótimo ter o órgão regulador ao nosso lado, preocupado com o risco cibernético, isto nos dá mais confiança no trabalho das seguradoras”, comentou a coordenadora do painel, acrescentando que o setor de seguros ficou muito mais exposto pela rápida digitalização dos processos ao longo da pandemia.

Sobre o compartilhamento das informações dos ataques feitos às seguradoras, que a Susep optou por deixar que as próprias empresas definam o melhor modelo, Wagner Pereira, especialista em Cyber Security da Zurich comentou que o tema já está em debate em comissões temáticas da CNSeg. “O objetivo é que o compartilhamento seja bastante técnico, mostrando qual o vetor de ataque, o método usado e o ponto de vulnerabilidade daquela seguradora”, explicou Pereira. “A troca de experiências vai aumentar a segurança de todo o mercado segurador ao evitar que aquele tipo de ataque por uma determinada vulnerabilidade se repita em outra seguradora”.

O executivo da Zurich lembrou que as seguradoras vêm investindo na segurança de seus sistemas, mas que há muito a ser feito. “Não basta ter uma equipe dedicada à segurança com riscos identificados e mapeados, é preciso também ter um plano de ação para falhas, já elaborado”, disse.

Em relação ao desenvolvimento de coberturas voltadas para proteção dos contra ataques cibernéticos, os painelistas lembraram que o caminho ainda é longo e que o limite de aceitação do risco pode ser uma dificuldade. “Existem vários tipos de ransoware e alguns com exigências de pagamento de resgates a valores enormes. Precisa ver se o mercado segurador tem apetite para tanto risco ou se vai seguir com sublimites para coberturas de ataques cibernéticos. É um debate importante”, comentou Fred Ferreira, CEO da Austral Seguradora.  Ele acrescentou que antes de ofertar produtos específicos, muitas empresas fazem uma consultoria com as companhias para que elas melhorem e passem a ter um risco aceitável pelo mercado.

Diego Massara, membro da Comissão de Assuntos Jurídicos da CNseg e Superintendente Jurídico Corporativo da Junto Seguros, lembrou que além da circular 638, que vai exigir adaptações das seguradoras, outra ponto de atenção é a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). “Você deve ter um executivo responsável, uma área dedicada à segurança, mas a responsabilidade é de todos. É preciso proteger os dados dos clientes, mas também dos corretores, colaboradores e outros prestadores de serviço”, comentou Massara.

Sobre a circular 638, o executivo elogiou a iniciativa da Susep, acrescentando que o primeiro passo e o mais essencial é mapear e conhecer os riscos de cada companhia. “Risco ruim é risco desconhecido. Temos novidades regulatórias, legais, e já sabemos como caminhar”, concluiu.

Standar&Poor’s mantém tem “brAAA”rating de crédito do IRB Brasil RE

IRB Brasil re

FOnte: IRB

A agência de classificação de riscos Standard&Poor’s Global Ratings manteve em “brAAA” o rating de crédito de emissor do IRB Brasil RE na escala Nacional Brasil, com perspectiva estável, informou em relatório enviado à companhia ontem (30/09). 

“O rating é a continuidade do reconhecimento de que as medidas de recuperação financeira e da credibilidade da companhia implementadas desde o início do ano passado estão surtindo resultados perenes”, diz o vice-presidente executivo de Riscos, Conformidade e Jurídico do IRB, Carlos Guerra.  

Segundo o relatório, a S&P conferiu perspectiva estável ao rating porque a agência espera que o desempenho operacional do IRB “se estabilize nos próximos dois anos”. “A perspectiva também incorpora nossa expectativa de que as mudanças na administração e no conselho fortalecerão a cultura de risco da resseguradora e que as exigências de reservas se estabilizarão, já que grande parte dos ajustes nas reservas devido à condução do processo de due diligence foi feita no ano passado”, afirma o documento. 

Apesar de considerar que “problemas de governança do passado ainda afetam o desempenho operacional atual”, a S&P, diz o relatório, opina que o IRB introduziu melhorias significativas nessa área. A agência avalia também que a liquidez do IRB é adequada. 

Conseguro 2021: Inovações normativas ampliam penetração dos seguros de Danos e Responsabilidades

Conseguro 2021 Cnseg

Fonte: CNseg

A flexibilidade das normas dos produtos, tema do painel da Conseguro 2021, conferência da Confederação Nacional das Seguradoras – CNseg, debatido por representantes de seguradoras e do órgão de supervisão nesta quarta-feira, 29, demonstrou que as medidas regulatórias adotadas, desde 2019, pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) são assertivas para ampliar a incursão do seguro na vida de pessoas e empresas, diminuir custos e estimular coberturas personalizadas. 

Entretanto, a esperada corrida de oferta de produtos combos, apólices intermitentes, seguros personalizados não será tão imediata- ou em escala industrial- nem representará o fim dos seguros convencionais hoje existentes de Danos e Responsabilidades. 

De qualquer forma, trata-se de um novo momento para os seguros de Danos e Responsabilidades, capaz de produzir efeitos na venda de diversas coberturas e também cercado de desafios, deixou evidente a moderadora Thisiani Matsumura Martins – presidente da Comissão de Grandes Riscos da FenSeg e Country Manager da AXA XL Seguros

O presidente da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) e da Chubb Seguros Brasil, Antonio Trindade, esclareceu: “Não haverá um big bang no mercado em virtude das normas que flexibilização os produtos. Nem os seguros hoje existentes deixaram de existir. Mas, sem dúvida, as normas representam inovações importantes e abrem caminho para seguros sob medida para segurados diferentes entre si. Uma mineradora difere de um grande supermercado, que difere de uma montadora em termos de riscos. E um novo arcabouço permitirá que eles decidam os riscos que querem assumir, os que querem transferir e até mesmo estaremos aptos a acolher, no mercado doméstico, os planos globais de seguros das multinacionais presentes no País.”

Além das ofertas das seguradoras, quer para seguros massificados, quer para grandes riscos, corretores e resseguradoras deverão estar na mesma sintonia, ao passo que o consumidor deverá ter melhor compreensão das inovações a caminho, entendendo que os preços menores poderão significar riscos parcialmente cobertos, dependendo do caso.

Para Bruno Garfinkel, vice-presidente da FenSeg e presidente do Conselho de Administração da Porto Seguro, as normas que flexibilizam os produtos devem conduzir o mercado por dois caminhos. Um com foco em coberturas; outro com ênfase nos preços. “As novidades regulatórias permitem que o mercado estique tanto para o lado das coberturas quanto para o lado dos preços.  Mas, como tudo, vamos precisar de um tempo para desenhar esses produtos. Quando se fala de menor detalhamento no contrato, teremos também de fazer uma análise de crédito diferenciada, e isso significa que seguro não será barato. Mas esse produto atenderá aquele consumidor que não sabe ou não quer detalhar os riscos que planeja proteger. Em contrapartida, haverá oferta de produtos com coberturas mais restritivas. Da qualquer forma, o bom andamento dependerá de uma maior educação da população sobre a nova gama de produtos, da participação do corretor nesses contratos, da criatividade das companhias e mesmo da entrada de novos players. Tudo isso é um movimento muito positivo do mercado e estamos todos empolgados em criar os produtos flexíveis”, afirmou.

No painel, os diretores da Susep, Rafael Pereira Scherre, e Igor Lins da Rocha Lourenço demonstraram confiança de que as regras atualizadas, como a Circular 621 para seguros massificados ou a Resolução CNSP 407, para os grandes riscos, reduzem a burocracia, preços, estimulam a diversificação de produtos oferecidos, além de ampliar o alcance da proteção. Os produtos estruturados de maneira flexível são o caminho para assegurar que o mercado dobre de tamanho nos próximos anos. As normas flexíveis continuarão a ser adotadas, além dos seguros de danos e responsabilidade, também para as coberturas de pessoas em breve.

O consenso dos participantes é de que o corretor dará enorme contribuição a era dos seguros flexíveis, intermitentes, combos. Sua bagagem em fazer o vaivém entre as seguradoras e consumidor é importante para garantir maior satisfação quanto um menor nível de judicialização, que pode ocorrer com a oferta de inúmeras coberturas combinadas e intermitentes, por exemplo. Dele também poderão nascer os seguros personalizados, por ter conhecimento dos riscos que envolvem seus segurados. A aderência das resseguradoras é outro passo destacado nesse avanço.

Valor 1000: No setor de seguros, mudanças em tempos difíceis

Fonte: Valor 1000

A pandemia acelerou o redesenho do mercado segurador, como resultado de um amplo processo de mudanças tecnológicas, ainda em curso, e também em função de aperfeiçoamentos regulatórios. Com o uso de big data e analytics surgiu uma infinidade de plataformas capazes de se conectar rapidamente com os sistemas legados, o que abriu as portas para a entrada de novos concorrentes. Além das insurtechs, que testam modelos e produtos num ambiente protegido lançado pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), há os bancos digitais, que se consolidam, bem como as chamadas big tech que planejam vender seguro para a população.

“Há uma maior percepção das seguradoras tradicionais sobre a necessidade de transformar digitalmente todo o ecossistema, como forma também de tornar os processos mais simples e ágeis”, afirma Érika Ramos, sócia-líder do segmento de seguros da KPMG no Brasil. O open insurance, diz ela, veio “para acelera “para acelerar ainda mais os temas de competitividade, transparência e promoção da inclusão financeira”.

As grandes transformações que moldam o setor mexem com o mercado de forma intensa, como aponta Antonio Trindade, presidente da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg). Essa intensidade, segundo ele, vem marcando o ano de 2021, principalmente no ambiente regulatório. Ele classifica as mudanças de positivas. “As seguradoras estão menos amarradas para criar produtos, mas é preciso levar em conta tanto os prazos como os recursos financeiros necessários para viabilizar tantas mudanças”, afirma. A ideia de ampliar a oferta e baratear os produtos é benéfica, mas o horizonte de maturação, segundo ele, ainda não está claro.

O setor vem se recuperando em 2021 depois de amargar um fraco desempenho em 2020, como mostram os números gerais do ranking. No segmento de seguros gerais, houve uma queda de 5,6% na emissão de prêmios líquidos, na comparação com 2019, de R$ 144 bilhões para R$ 136 bilhões. No segmento de capitalização, o recuo foi de 4%, de R$ 23,8 bilhões para R$ 22,9 bilhões. Os dois segmentos viram o lucro líquido encolher na casa dos dois dígitos: 11,8% em seguros e 28,8% em capitalização. Em resseguros, além do prejuízo de R$ 1,4 bilhão, a rentabilidade sobre o patrimônio líquido foi negativa em 18,7%.

Os bons resultados voltaram a aparecer no balanço do primeiro semestre de 2021, com avanço de 8,9%, somando-se os ramos elementares e de risco, cuja arrecadação subiu de R$ 62,1 bilhões para R$ 67,6 bilhões, segundo dados da Susep, apurados pela Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg). No segmento de capitalização, a arrecadação avançou de R$ 10,7 bilhões para R$ 11,7 bilhões. O lucro líquido, porém, não acompanhou a evolução da receita e encolheu de forma significativa. Só na Bradesco Seguros, a queda foi de 58,3%, no segundo trimestre, mesmo patamar que a consultoria Siscorp apurou para o setor como um como um todo nos primeiros seis meses.

Os números segmentados mostram que o desempenho não foi homogêneo. O segmento rural, por exemplo, cresceu 37,9% no primeiro semestre, seguido por responsabilidade civil (37,4%), transporte (34,1%), riscos patrimoniais (20,7%) e residencial (19,1%). “A demanda está aquecida, mas dependemos também de como vão caminhar a política e a economia”, avalia o presidente da CNseg, Marcio Coriolano. Segundo ele, se tudo correr bem, a expectativa é fechar o ano com crescimento nominal de 12,5%.

Todos apostam nas oportunidades de ganhos com o início do open finance, que consolidará o open banking e o open insurance, a partir de 2022. O open finance surge para criar um ambiente concorrencial mais equilibrado, uma vez que nem todas as sociedades são reguladas pela Susep ou pelo Banco Central. “Acreditamos que há um potencial de crescimento enorme com o open insurance, porque o setor vai atrair pessoas que nunca tiveram acesso a proteções financeiras para riscos do dia a dia”, diz Solange Vieira, superintendente da Susep.

Um ponto levantado por boa parte dos seguradores é a falta de menção ao corretor de seguros no open insurance. Qual será o papel do corretor de seguros nesse processo? “A Tokio Marine, por exemplo, é uma seguradora cujo principal canal de distribuição é o corretor, e nós não vislumbramos a exclusão desse profissional em nenhuma das nossas iniciativas, ao contrário”, questiona José Adalberto Ferrara, presidente da seguradora.

A titular da Susep afirma que a tendência é que a atuação do corretor seja ampliada. “Por vários ângulos, vemos que o setor e a sociedade serão beneficiados com todo o processo”, afirma Solange. Tanto que, entre as 109 insurtechs contabilizadas pela consultoria Distrito no Brasil no primeiro semestre deste ano, várias são plataformas digitais dedicadas à comercialização de seguros, com corretores entre os acionistas. Um dos destaques é a corretora Minuto Seguros, adquirida em julho pela Creditas, plataforma líder em crédito e soluções de consumo na América Latina.

Se depender apenas do esforço das companhias, a previsão de crescimento das vendas pode se confirmar, mas o lucro ainda deve ser impactado no terceiro trimestre. Ivan Gontijo, presidente da Bradesco Seguros, destaca que as vendas por meio dos canais digitais cresceram 80% de janeiro a junho de 2021, com aumento de 62% na quantidade de itens distribuídos. O lucro, por sua vez, registrou recuo de 29,7% no primeiro semestre de 2021, para R$ 4,7 bilhões, comparado com o mesmo período anterior.

Os custos relacionados à covid-19 somaram R$ 4,8 bilhões desde o início da pandemia, em março do ano passado. O setor vive o que ele chama de modelo “fisidigital”. “Embora o processo de transição para meios digitais esteja em curso acelerado, não podemos nos esquecer da grande parcela de clientes que permanecem no mundo analógico e precisam ser igualmente entendidos e atendidos com a mesma dedicação e eficiência.”

A Caixa e o Banco do Brasil (BB) reestruturaram sociedades, lançaram ações e agora avançam em nichos estratégicos. Em abril, a Caixa movimentou R$ 5 bilhões em um IPO e consolidação de parcerias com a Tokio Marine, Icatu, CNP Assurance, Tempo Assist e os corretores de seguros Alper e Willis Towers.

A Brasilseg, braço segurador do BB, aposta no segmento rural, em que tem a liderança. “Estamos focados em oferecer uma experiência e serviços diferenciados ao produtor rural, que conta com nossa plataforma digital, onde encontra, em um só lugar, tudo que precisa para cuidar do seu negócio, mitigando riscos e aumentando a produtividade”, afirma Rodrigo Caramez, presidente da Brasilseg.

O Itaú Unibanco tinha basicamente a Porto Seguro como sócia em auto e residência, depois de sair de grandes riscos. Hoje exibe mais de 15 seguradoras em seu marketplace digital, com ofertas que vão de riscos patrimoniais para PME até planos odontológicos. Eduardo Domeque, diretor de seguros do Itaú Unibanco, conta que a estratégia de expansão do negócio seguiu o modelo de plataforma e inovação abertas. “Esses elementos permitirão acelerar a transformação digital do negócio e proporcionar a melhor experiência dos clientes.”

A Porto Seguro retrata bem a mudança das seguradoras tradicionais. Além de criar verticais de negócios (seguros, saúde, negócios financeiros e serviços), anunciou neste ano a compra de 13% de participação na Pet Love para avançar no segmento de animais de estimação. Também adquiriu 50% da ConectCar, pertencente ao grupo Ultra, controlador da Ipiranga, e 75% da Segfy, ferramenta multicálculos que facilita o trabalho dos corretores de seguros. “O novo posicionamento estratégico observa as diferentes características dos mercados e o potencial de crescimento de cada segmento”, resume Roberto Santos, presidente da Porto Seguro.

Assim como a Porto, Tokio Marine, Liberty e HDI, cujo carro-chefe em vendas é o seguro auto, ampliaram seus portfólios para os corretores de seguros e ganharam novos canais de distribuição com toda a tecnologia embarcada. A Liberty desenvolveu um novo portal para o corretor com uso de inteligência artificial e renovou sua parceria com o Banco Inter para vender produtos de seguros na rede do banco por mais 15 anos.

A HDI espera ganhar musculatura por meio da joint venture com o Santander. A Santander Auto faturou R$ 100 milhões em prêmios em 2020, no seu primeiro ano de funcionamento, num período em que as vendas da carteira auto recuaram 2,1%. A HDI fez também uma parceria com a Icatu para a venda de seguros de vida aos clientes de automóveis, o carro-chefe da seguradora, e PME. “O foco de nossa estratégia é o ganho de escala e a busca por sinergia”, diz o CEO da HDI, Murilo Riedel.

Zurich e AXA, que investiram pesado na venda de seguros pelo varejo, sofreram com o fechamento do comércio para conter a pandemia da covid-19. Como já tinham tecnologia embarcada, a recuperação das vendas foi rápida. “Além da retomada do varejo físico, compensando, em parte, a retração do ano passado, vamos intensificar as parcerias com canais digitais”, diz Igor Di Beo, vice-presidente de subscrição, comercial e marketing da AXA no Brasil.

Para Edson Franco, CEO da Zurich, os impactos da pandemia em parcerias com o varejo são transitórios. “Machuca e passa. Temos previsão de um segundo semestre bem melhor, embalado pela estratégia de transformação digital adotada por nós há anos”, diz. Além dos corretores e do varejo, a Zurich tem como parceiros bancos tradicionais, como Santander, e bancos digitais, como C6 e Original. Além de fintechs e gestoras de ativos, como Genial e Onze.

Na área de resseguros, Trindade, da FenSeg, destaca que todos aguardam o destravamento dos investimentos e projetos que geram novos negócios e oportunidades. O setor ainda se ressente dos problemas de fraudes contábeis que desencadearam uma crise institucional e financeira no líder do mercado, o IRB Brasil RE, desde fevereiro de 2020, com mudança de toda a direção da empresa.

Apesar dos avanços em colocar a empresa nos eixos novamente, o IRB apresentou prejuízo líquido de R$ 156 milhões no primeiro semestre. Resultado bem melhor ante prejuízo de R$ 622 milhões no mesmo período do ano passado. Wilson Toneto, presidente interino e vice-presidente-executivo técnico e de operações do IRB, conta que a companhia descontinuou 162 contratos desde julho de 2020, dos quais 17 de grande impacto sobre os resultados. “Firmamos cerca de 239 novos negócios com novas taxas e renovamos 84% dos contratos no primeiro semestre de 2021”.

Rodrigo Belloube, CEO da Munich Re, segunda maior resseguradora no Brasil, conta que a empresa conseguiu aumentar a fatia de mercado ampliando participações em vários contratos existentes, assim como desenvolvendo o mercado de agronegócios, além de oferecer soluções híbridas de transferência de risco e otimização de solvência das seguradoras. “Os segmentos agrícola, de mobilidade e de pequenas e médias empresas estão em nosso foco para os próximos anos. Alcançamos mais de R$ 1 bilhão no primeiro semestre em prêmio bruto de resseguro, o que equivale a mais de R$ 700 milhões em prêmios líquidos de comissão.”

O segmento de capitalização também passa por transformações, alimentadas pela crise. Para Marcelo Farinha, presidente da Federação Nacional de Capitalização (FenaCap), a superação das dificuldades dependerá da estratégia de cada empresa. No caso da Bradesco Capitalização, maior do segmento, o quadro de dificuldades enfrentadas em 2020 está sendo superado com um portfólio diferenciado e adoção de uma nova plataforma de comercialização. Ela viabiliza projetos como a inclusão e o aceite remoto das operações via aplicativo, além da assinatura eletrônica presencial nas agências via biometria. “Temos ainda grandes oportunidades de crescimento também pela capacidade de distribuição das agências e das facilidades de contratação nos canais digitais”, diz o CEO Gontijo.

Leia a matéria completa no portal do Valor Econômico.

Valor: Susep flexibiliza normas para insurtechs

Solange Vieira Susep

Fonte: Valor Econômico

O consumidor mudou seu hábito de consumo e quer tudo na palma da mão. Isso exigiu uma simplificação monumental do arcabouço regulatório do mercado segurador. Missão assumida pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), que desde o início de 2019 se debruça na simplificação das normas. “A Susep tem o projeto de ampla revisão do marco regulatório visando criar condições para um mercado cada mais competitivo e diversificado”, afirma o diretor da autarquia, Rafael Scherre.

Um negócio exemplifica o novo ciclo do setor. A fintech unicórnio Creditas comprou em 21 de julho a corretora Minuto Seguros, com 160 mil clientes e faturamento anual de R$ 250 milhões. Um mês depois, o Nubank, com IPO programado para o próximo ano e que busca uma captação entre US$ 3 bilhões e US$ 5 bilhões, com valuation entre US$ 75 bilhões e US$ 100 bilhões, fez uma parceria com a Creditas para diversificar o portfólio de produtos, que inclui investimentos, empréstimo pessoal, cartão, conta corrente e conta para PJ e seguro. O fundador da Minuto Seguros, Marcelo Blay, que passa a ser sócio da Creditas e vice-presidente da nova unidade de seguros, está ansioso para ofertar seguros para os mais de 40 milhões de clientes do Nubank.

Essa movimentação toda só foi possível graças ao “open”. Em dezembro, está prevista a integração entre a fase 4 do open banking com a fase 1 do open insurance com o objetivo de dar início ao open finance. “Creio que nunca existiu uma medida como o open insurance, que tenha mobilizado tanta informação, gere tantas dúvidas e incertezas e necessite de tanto investimento”, afirmou Marcio Coriolano, presidente da Confederação das Seguradoras (CNseg), em recente webinar, reconhecendo a importância do projeto.

Apesar do prazo curto para a implementação e o argumento que o “cobertor está curto para tantos investimentos”, o diretor da Susep argumenta: “O alinhamento realizado com o open banking nos coloca a necessidade de manutenção dos prazos acordados. Vale destacar que há um acompanhamento contínuo das entregas do projeto, inclusive por meio de comunicação permanente com os representantes do setor através do Conselho do Open Insurance e demais canais de comunicação.”

Paralelamente, a Susep faz experimentos por meio do sandbox, ambiente constituído com condições especiais para teste de produtos, serviços ou novas formas de prestar serviços tradicionais. Na primeira fase foram 14 projetos recebidos, 11 selecionados e 10 autorizados a operar como seguradora no ambiente experimental, sendo que quatro delas já estão em operação. Na segunda edição serão selecionados mais 15 projetos.

A Pier foi a primeira insurtech autorizada a participar da edição inicial do sandbox. “Recebemos em agosto nova injeção de capital de mais de R$ 100 milhões e temos previsão de fechar o ano com receita anualizada de R$ 60 milhões. Queremos acelerar nosso crescimento. Para isso, estamos nos preparando para solicitar a licença definitiva de seguradora junto à Susep para impulsionar ainda mais a nossa expansão em seguros de auto e celular”, conta Lucas Prado, co-fundador da insurtech.

Conseguro 2021: Mudanças climáticas já impactam economia e aumentam necessidade de mitigar riscos

Conseguro 2021 Cnseg

“Vivemos hoje a urgência do presente, quando nunca antes a questão do clima foi tão dramática. Recentemente, o IPCC, o painel sobre o clima da ONU, alertou que 2021 seria, como está se confirmando, um ano de eventos climáticos extremos. Eventos como as inundações na Alemanha e na Bélgica, durante o verão europeu, e as ondas de calor e incêndios no Canadá e nos Estados Unidos são alguns exemplos que reforçam a urgência em reduzir as emissões de gases do efeito estufa. Felizmente, o setor de seguros tem demonstrado um papel estratégico no gerenciamento dos riscos climáticos, tendo incorporado a agenda ASG há anos”, afirmou a jornalista e editora da Revista Plurale, Sônia Araripe, durante o painel “Contribuição do Setor de Seguros para o Clima”, que moderou na Conseguro 2021, evento da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg).

O presidente do Grupo de Trabalho de Riscos Climáticos da GFIA, a Federação Internacional das Associações de Seguros, Christian Pierotti, lembrou que na Europa, o maior setor econômico é o de seguros, o que reforça seu papel em contribuir com a agenda de sustentabilidade. “É um setor que protege as pessoas, as empresas e, portanto, a economia, tendo um papel-chave para mitigar riscos”.

Pierotti informou que as enchentes na Alemanha causaram perdas, em termos de infraestrutura, de 30 bilhões de euros, além de vidas humanas. “São vários os eventos atribuídos ao aquecimento global que precisam das seguradoras para mitigar as consequências. E a tendência é de que os eventos cresçam em frequência e severidade, o que será um enorme desafio para todos”, comentou.

O superintendente de Sustentabilidade da SulAmérica, Tomás Carmona, lembrou que o setor de seguros vem se organizando para responder a estes desafios desde a Rio+20 quando foram lançados os Princípios para Iniciativa de Seguros Sustentáveis (PSI, na sigla em inglês). “Existe uma convergência das seguradoras e dos reguladores para discutir a sustentabilidade dentro da lógica do seguro e também como investidor institucional com potencial para dar uma contribuição direta ao tema”, comenta Carmona.  

Na visão do executivo, o pano de fundo do debate é o gap de proteção das sociedades em relação ao percentual que ainda não tem seguros, e que precisa ser reduzido. “O Brasil é o país que tem o maior número de seguradoras e resseguradoras signatárias do PSI e isso é fruto da consciência de todos e do trabalho da CNseg para engajar o setor nessa discussão”. Carmona citou como exemplo de riscos de saúde que tendem a crescer em função das mudanças no clima, como os problemas respiratórios, infecciosos e alergias. “O impacto é inevitável e o desafio é medir todos esses impactos e trazê-los para a lógica de subscrição. ”

O economista e coordenador estratégico do Climate Reality Project no Brasil, Sergio Besserman, apresentou dados alarmantes sobre a necessidade de o mundo acelerar o passo na direção da economia do baixo carbono. Embora nas últimas três décadas a consciência e os projetos voltados ao meio ambiente venham ganhando espaço, metade das emissões de gases de efeito estufa ocorreram neste período e de forma crescente. “Na COP26, no final do ano em Glasgow (Escócia), será demonstrado que pouco foi feito em relação à meta de US$ 100 bilhões investidos em financiamento climático, mas gasta-se US$ 500 bilhões para distorcer os preços da economia de mercado global com subsídios diretos aos fosseis”, afirmou o especialista, acrescentando que tudo que tem ocorrido no clima é apenas “a ponta do iceberg” e que a situação vai piorar ainda mais.

Na visão de Besserman, que também é membro Conselho Consultivo do Museu do Amanhã, para a humanidade ter alguma chance de cumprir a meta de reduzir o aumento da temperatura de 2 graus para 1,5, é preciso diminuir as emissões à metade até 2030 e zerar as emissões liquidas até 2050. “Uma empresa percebida como incapaz de acompanhar a transição nesta velocidade corre severo risco de perda de valor e até de desaparecer. Elas estão nos portfólios dos investidores e terão seu valor corrigido. Demoramos muito e agora não haverá aterrissagem suave”, alertou.

Quem se mostrou um pouco mais otimista foi o diretor da Autoridade do Desenvolvimento Sustentável da Associação Comercial do Rio de Janeiro, Paulo Protásio, responsável pela organização da Conferência Rio+30 em 2022, que marcará os 30 anos da ECO92. “Eu entendo que o momento atual é de ver oportunidades e não de lamentar o que não foi feito. Precisamos fazer um compromisso de transformação que atinja todas as áreas, ambiental, econômica, financeira, sociedade e governos”, comentou. “É possível buscar desenvolvimento sustentável. Vinte e um países demonstraram, ao longo dos últimos anos, que dá para aumentar o PIB e reduzir emissões. O quadro é grave, mas há muita esperança”.  Protásio, que também foi o responsável, na época por trazer a ECO92 para o Rio de Janeiro, afirmou que o Governo do Estado, por meio da Autoridade do Desenvolvimento Sustentável, está de braços abertos para o setor de seguros para ajudar a pensar os caminhos para o desenvolvimento sustentável.

Olhando em perspectiva, Sergio Besserman também pontuou oportunidades únicas para o Brasil liderar esta agenda de desenvolvimento sustentável. “Nossa geografia favorece uma matriz energética limpa e barata, seremos campeões no uso da biomassa e temos a maior biodiversidade do mundo. São alguns elementos que nos credenciam a isto”, afirmou. “A infraestrutura do Brasil é precária e precisamos investir, já em bases sustentáveis. Em países desenvolvidos, esta infra é moderna e terá que ser refeita sob novas bases com prejuízos enormes”. Na visão do economista, o país tendo esta consciência e investindo em pesquisa e desenvolvimento, terá uma inserção na economia global de forma mais competitiva e relevante.

Valor: Associação com seguradora traz oferta sob medida

Fonte: Valor Econômico

Os bancos digitais têm como meta transformar o mercado de seguros, ao oferecer um modelo que une simplicidade, conveniência e transparência. “Quando decidimos entrar neste mercado enxergávamos uma oportunidade para revolucionar esse segmento em que, historicamente, os clientes enfrentam processos burocráticos e produtos caros e complexos”, afirma a vice-presidente de produto do Nubank, Livia Chanes.

Lançado em dezembro de 2020 em uma parceria com a Chubb Brasil, o Nubank Vida, com tíquete de R$ 9 mensais, registrou mais de 90 mil seguros ativos em menos de um trimestre. “Nosso foco foi realmente democratizar o acesso a esse setor com um produto transparente e adaptável às necessidades de cada um”, diz a executiva da fintech com 40 milhões de clientes.

A Chubb foi escolhida pelo Nubank pela tecnologia embarcada. É US$ 1 bilhão por ano investido apenas em tecnologia. A principal ferramenta dessa estratégia é o Chubb Studio, uma plataforma lançada em setembro de 2020, que simplifica e agiliza a distribuição de seguro.

“Como consequência, temos parcerias digitais com marcas líderes em todo o mundo”, informa Paulo Pereira, vice-presidente de afinidades da Chubb.

O mesmo propósito guia o Next, banco digital do Bradesco. “A ideia é oferecer um produto que realmente agregue valor à vida do cliente, de forma acessível e com a melhor experiência. Em alguns casos, a oferta de um seguro serve de porta de entrada para o cliente”, afirma Laura Chaves, executiva-chefe de produtos, que já tem na prateleira seguro de vida, odontológico, cartão de débito e crédito, bem como o prestamista.

Em 2022, a expectativa é expandir a oferta com a ajuda de insurtechs, que participam de ecossistemas de inovação, como o Inovabra Habitat. “Nossa proposta junto ao Next é que toda a jornada do correntista e potencial segurado seja realizada de forma 100% digital, por meio do aplicativo Next”, afirma Fabio Dragone, diretor de inovação, CRM e digital da Bradesco Seguros.

O Inter tem uma plataforma de serviços financeiros e não financeiros, o que permite parceria exclusiva com a Liberty Seguros. “Em pouco mais de dois anos, lançamos 17 produtos e vamos muito em breve chegar à marca de 1 milhão de clientes ativos”, afirma Paulo Padilha, CEO da Inter Seguros. O próximo lançamento será o seguro celular integrado a venda de aparelhos na plataforma Inter Shop.

A Liberty Seguros vende na plataforma do Inter seguros de residência, perda e roubo de cartão, proteção financeira, vida, auto e viagem. Todos 100% digitais. “Além do trabalho com o Banco Inter, passamos a operar também na plataforma digital Auto Compara, do Santander ”, informa Eduardo Sallum, superintendente do canal de instituições financeiras da Liberty.

O Inter fez parceria também com a Icatu Seguros, que por sua vez tem inúmeras parcerias com instituições financeiras, como Modal, C6 Bank e BS2, além de Caixa, Itaú e XP, para citar alguns. Vende seguros de vida, previdência privada e títulos de capitalização. Todos digitais. A seguradora investiu nos últimos anos mais de R$ 600 milhões em tecnologia e infraestrutura. “Queremos parceiros estratégicos que tenham a mesma ambição que a nossa: democratizar a proteção e o planejamento financeiro a toda a população”, afirma Guilherme Hinrichsen, vice-presidente comercial da Icatu.

No C6 Bank, a ambição é trazer para esse mercado pessoas que nunca haviam comprado seguro antes e oferecer uma jornada simples, afirma o head de seguros, Fábio Basilone. “Estamos finalizando o contrato com algumas companhias e já fechamos parceria com Mitsui, Fairfax e Sura.”

A MAG Seguros, única seguradora participante no sandbox regulatório da Superintendência de Seguros Privados (Susep), tem diversos bancos tradicionais e digitais como parceiros, como Itaú, XP, ContaBlack, DankBank, LeftBank e a MAG Finanças. “A estratégia para atrair bancos digitais como parceiros se divide em três pilares: produtos flexíveis, capacidade de integração via APIs e serviços agregados como consultoria em seguros, serviços para ajudar o parceiro na implementação do projeto”, conta Luciano Périco, diretor de estruturação de negócios. No sandbox, a MAG desenvolve a Simple2u, seguradora 100% digital que tem como objetivo oferecer seguro on demand em diversos ramos. “O cliente pode fazer a contratação diretamente pelo aplicativo e escolher as soluções desejadas, bem como a forma de ativação, que poderá se r manualmente ou programa da conforme as horas, dias ou até mesmo geolocalização”, detalha.

Dando o pontapé em seu banco digital, a XP já tem pronto o ecossistema de seguros. “O seguro vai além de ajudar a atrair clientes e ser rentável. O produto cria fidelidade ao proteger os bens e o planejamento financeiro dos nossos clientes”, afirma Roberto Teixeira, CEO de seguros da XP, que atua com cinco seguradoras na oferta de apólices de vida, saúde e planos odontológicos.

Conseguro 2021: Oportunidades e desafios na infraestrutura de transportes para seguros de grandes riscos

CNseg Conseguro 2021

Fonte: Cnseg

O tema infraestrutura é, de longe, o que conta com imensos desafios e infinitas oportunidades para o mercado segurador. Para criar um ciclo virtuoso aos players envolvidos – entes públicos e privados –, há um grande empenho das agências reguladoras, dos governos e dos especialistas em seguros para colocar em prática normativos atualizados que viabilizem a conclusão do negócio sem longas disputas judiciais.

Esse foi o ponto central do debate do painel “Cabotagem e Rodovia – Infraestrutura para destravar o Brasil”, do qual participaram Paulo Rabello de Castro, economista e Sócio da RC Consultores; Eduardo Nery, Diretor-Geral da ANTAQ; e Renan Essucy Gomes Brandão, Superintendente de Concessão da Infraestrutura da ANTT. 

Segundo Rabello de Castro, o governo, por meio do ministro Tarcisio de Freitas, tem feito esforços para retomar a infraestrutura no Brasil, depois da interrupção com as investigações da Lava Jato, a partir de 2014. “Por conta da pandemia e também de tropeços que ainda acontecem na área econômica, não temos o nível de retomada de investimentos que gostaríamos estar antevendo. Por um lado, os governos federal, estaduais e municipais exercem o papel de protagonistas em áreas de infraestrutura. No entanto, esta área está muito prejudicada pelo esmagamento das despesas correntes obrigatórias”, comentou. 

Do outro, entre privados, que podem ativar investimentos através do processo de licitações, concessões e autorizações, não se sentem seguros para apostar suas fichas em obras de longo prazo, com risco e retorno incertos por dúvidas sobre a capacidade de os governos investirem recursos em projetos milionários em razão da instabilidade política, que afeta a economia, até questões com transparência, agilidade e segurança jurídica dos contratos.

“O cenário de oscilações de taxas de juros é uma das dificuldades na planilha de rentabilização de qualquer investimento de infraestrutura. Assim como a instabilidade internacional, como agora vemos na China. Temos de saber lidar com isso, com a ideia de que se trata de um ciclo que deve demorar até 2 anos. Vamos percorrer uma área de deserto, mas tudo que sobe, baixa”. 

E quando este cenário incerto virar para um momento pleno, a parte regulatória e normativa precisa estar pronta para aguçar o apetite de investidores e dos seguradores para reduzir riscos inerentes aos projetos. Para Rabello, a área de seguros é vital para apoiar os investimentos. Em uma conta básica, valendo-se de estatísticas de investimentos entre 1970, quando foi o ápice de investimentos em infraestrutura com 7,4% do PIB, e entre 2017 e 2021, com 1,9%, seria possível nos próximos anos dobrar a participação de seguros no segmento de grandes riscos para algo próximo de 4%.

“Se considerarmos a grosso modo que infraestrutura comanda cerca de 20% dos R$ 600 bilhões em investimentos previstos, teríamos um acréscimo entre R$ 600 milhões e R$ 900 milhões de prêmios de seguros acrescentados ao valor do mercado atual de garantia”, afirmou. Dessa forma, Rebello sinaliza o interesse das seguradoras pelo segmento. 

Com tal expectativa, as agências reguladoras se debruçam em normas e regras para garantir a entrega das obras, mas que não sejam tão severas a ponto de torná-las apenas um pedaço de papel, sem interessados em participar desta jornada de colocar o Brasil na rota do crescimento com uma infraestrutura de ponta.

Além de regulamentações setoriais em curso, a Lei de Licitações já é uma realidade. Foi sancionada em abril de 2021 e dá um prazo de até 2 anos para que o novo formato de seguro garantia entre em vigor. “Para que ela saia do papel para a prática, é imprescindível a corresponsabilidade absoluta e necessária entre todos para o desenvolvimento do Seguro Garantia como um importante instrumento de mitigação de riscos. Temos um pacote de seguros e não uma modalidade que vai cobrir tudo e qualquer riscos, inclusive ambientais”, afirma o moderador do debate, Roque Junior de Holanda Melo, Vice-presidente da Junto Seguros e presidente da Comissão de Riscos de Crédito e Garantia da FenSeg.

Segundo Renan Essucy Gomes Brandão, Superintendente de Concessão da Infraestrutura da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), há previsões de mais de R$ 200 bilhões de investimentos em rodovias. Neste contesto, é muito importante neste contexto que as seguradoras façam parte da equação do risco retorno. “Para isso, vamos precisar de uma legislação adequada aos seguros. É importante que as seguradoras se capacitem para dimensionar os riscos, pois a lei permite que a companhia de seguros assuma a conclusão das obras. Os profissionais do setor precisam entender os riscos destes projetos, que são relevantes e assim estarem qualificados para garantir a entrega da obra, fazendo valer o Seguro Garantia contratado a favor do ente público”.

Eduardo Nery, diretor-Geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), responsável por regular a infraestrutura portuária, trouxe as perspectivas do setor e como o mercado segurador pode contribuir com o processo de crescimento. Em 2020, a Antaq registrou a movimentação de 1,15 bilhão de toneladas de cargas, mesmo em um contexto de crise, mostrando resiliência e atendendo a sociedade evitando o desabastecimento e exportação. No primeiro semestre de 2021, a agência registrou 591 milhões de toneladas, um crescimento de 9,4% em relação ao primeiro semestre de 2020. Minério de ferro é o principal produto exportado. O transporte do e-commerce também apresentou forte evolução neste período. 

“Atuamos em um segmento com estratégico para o Brasil e de grandes cifras, que precisam de seguros para mitigar riscos. Teremos 9 leilões na B3, com destaque para terminais no Porto de Santos. Certamente será o maior, com R$ 1 bilhão em arrendamento. E os contratos de seguros são importantes. Tanto que já trabalhamos em cláusulas de matriz de riscos muito bem definidas com os riscos que cada uma das partes vai assumir. É uma lista exaustiva, que vem sendo criada com a participação de todos, e mostra o nível de evolução nos produtos e coberturas oferecidos pelas seguradoras”, disse.

Ele cita como exemplos que a arrendatária teria responsabilidades desde os projetos até a variação de câmbio, bem como prejuízos a terceiros e danos ao meio ambiente. Já o poder concedente assumiria riscos como custos recorrentes até o redimensionamento do passivo ambiental. 

“Esse debate confirmou que o cenário macroeconômico local e mundial é de muito desafio, considerando diferentes fatores que podem impactar a economia e sobretudo os gastos públicos, o que traz desafios para infraestrutura. No entanto, tenho um sentimento de otimismo que, com a coordenação de todos, o seguro terá os riscos mitigados para os investimentos públicos e privados. Há vários setores trabalhando com afinco para impulsionar os investimentos em infraestrutura. Há muito a ser feito, como novas leis a serem criadas e reestruturação das vigentes. Mas muito já foi feito para trazer transparência e eficiência, criando assim um ambiente mais atrativo para os investimentos”, finaliza o moderador do painel. 

Conseguro 2021: Multiplicação das mídias é um dos desafios da comunicação

Conseguro 2021 Cnseg

Fonte: CNseg

“Em publicidade, a busca sempre foi transformar o consumidor em mídia, gratuita e crível, e isso não é uma novidade em função do ambiente online”, afirmou o publicitário Washington Olivetto ao abordar o tema “Os desafios da comunicação em uma sociedade em transformação”, painel que integra a 10ª edição da Conseguro, evento da Confederação Nacional das Seguradoras – CNseg.

Para o publicitário, “em comunicação, se não houver uma grande ideia, nada acontece”. E ressaltou: “A principal mudança é que antes havia um monólogo, mas com a digitalização, o diálogo prevalece; essa grande ideia tem a obrigação de ser grande e única em si, mas não basta ter o tema da mídia considerada prioritária. Ela deve ganhar as características de cada mídia, mesmo sendo a mesma ideia”.

Para abordar os desafios da comunicação em uma sociedade em transformação, a Conseguro – maior evento do mercado segurador nacional – reuniu Olivetto, a antropóloga Hilaine Yaccoub, especializada em antropologia do consumo, e o presidente da Comissão de Comunicação e Marketing da CNseg e diretor de Marketing do Grupo Bradesco Seguros, Alexandre Nogueira. A mediação do encontro foi realizada por Antônio Penteado Mendonça, sócio do Penteado Mendonça e Char Advocacia, também colunista do Estadão.

No painel, Washigton Olivetto destacou também: “A melhor publicidade é aquela que parece não ter autor. Velhinhas italianas conversando em janelas em uma vila em São Paulo formam uma rede social. Da mesma forma, era costume voltar de viagem e reunir os amigos para comer fondue e mostrar as fotos, o que hoje acontece no Instagram. A projeção de imagens continua, os sonhos e anseios não mudaram, mas a forma de comunicar ganhou novos contornos”.

Na avaliação de Olivetto, na pandemia, dois pontos foram diferenciais em termos de comunicação: entender a necessidade das pessoas e informar. “As empresas que melhor se comportaram foram aquelas que se preocuparam mais com informação do que vendas. Naquele momento, informar era mais importante que persuadir”, destacou.

Em sua participação no painel, Hilaine Yaccoub salientou: “O consumo é um fato social. Antes mesmo do nascimento e até a morte, o consumo está presente de forma prática, simbólica e emocional. E com a profusão das redes sociais, as comunidades digitais servem como canal de recomendações”.

De acordo com a antropóloga, “as pessoas olham para as marcas como se fossem pessoas, esperam posicionamentos, pedidos de desculpas se algo politicamente incorreto foi proferido, mesmo que não seja politicamente incorreto para boa parte da população”. 

Segundo Hilaine, existe também a busca sobre o serviço ser idôneo ou o produto entregar o que promete. “Um consumidor, com um celular na mão, consegue fazer, de forma simples, uma boa recomendação para outros consumidores nas redes”, afirmou. “Não adianta mais muito papo de vendedor. O storytelling, desde a jornada de compras também está mudando. Mas entendo que também não é esse caminho dos influenciadores virando garotos-propaganda”, explicou.

Na avaliação da antropóloga, na comunicação com o público é necessário levar em consideração, entre outros fatores, que “60% da população brasileira é ‘desbancarizada’, e que há um número expressivo de analfabetos funcionais”.

No evento, a abordagem do tema para o universo do seguro foi conduzida por Alexandre Nogueira, presidente da Comissão de Comunicação e Marketing da CNseg, ao contextualizar que o setor tem um desafio muito maior na comunicação, em função de sua amplitude de atuação. “É uma quantidade grande de segmentos que abrange, como seguro de vida, saúde, previdência e capitalização, e cada uma dessas modalidades tem as suas características e seus próprios desafios”, explicou.

Nogueira refletiu também que o seguro faz parte da vida das pessoas em diversos momentos. “Temos produtos e serviços para todo o espectro de atuação de vida das pessoas. A relação de consumo e a relação de proteção da cultura do seguro deve andar lado a lado”, observou.

O presidente da Comissão de Comunicação e Marketing da CNseg reforçou, ainda, que outro desafio é o desconhecimento, por parte da população, dos benefícios do seguro. Porém, segundo ele, o isolamento social ampliou a percepção de risco. “As pessoas refletiram sobre a proteção, estabilidade, continuidade e planejamento para o futuro”, salientou.

O mediador, Antonio Penteado Mendonça, considerou o debate estratégico. “O tema é extremamente relevante porque traz o que está acontecendo no mundo em termos de comunicação e a profunda mudança ao longo dos anos”, avaliou.