Instituto Brasileiro de Atuária promove 1º Fórum de Longevidade

O Instituto Brasileiro de Atuária (IBA) anuncia o 1º Fórum de Longevidade, no dia 27 de novembro, das 8h às 18h, no Anfiteatro da Uninove, em São Paulo. O evento vai reunir os maiores nomes do mercado para debater os desafios e as oportunidades da longevidade na sociedade brasileira, em uma experiência de aprendizado entre atuários, especialistas e profissionais do setor, abordando temas essenciais para garantir um futuro longevo e a inclusão social. 

Para Giancarlo Germany, presidente do IBA, o Fórum é fundamental para a atuação da entidade e estruturação do pensamento sobre esse mercado.“O aumento da expectativa de vida é uma conquista social, mas também um imenso desafio que exige planejamento e soluções concretas. O IBA, como entidade representativa dos atuários, tem o dever de liderar a discussão sobre como garantir uma longevidade digna e segura para todos. Como exemplo, uma estrutura de previdência complementar ampla e acessível desempenha um papel vital nesse cenário, não só como instrumento de segurança financeira, mas como pilar fundamental para promover a longevidade segura e a inclusão social”. 

A segurança financeira é o pilar que permite aos idosos manterem a qualidade de vida, acessarem serviços de saúde adequados e serem ativos na sociedade, sem a dependência exclusiva de terceiros ou de auxílios governamentais. A garantia de uma longevidade digna e segura passa por um planejamento financeiro proativo que encare a vida longa como um desafio a ser gerido com responsabilidade.

Durante o fórum, os especialistas vão debater sobre o aumento da expectativa de vida e a falta que um planejamento adequado ou a insuficiência dos sistemas previdenciários podem acarretar aos indivíduos, levando à vulnerabilidade econômica na terceira idade, comprometendo sua dignidade e autonomia.

A programação conta com a presença confirmada do presidente do Instituto de Longevidade da MAG Seguros, Nilton Molina, do médico, professor e diretor Fundador do Centro de Estudos de Envelhecimento da Unifesp (Universidade Estadual de São Paulo, Luiz Roberto Ramos,, do Superintendente Geral da Abrapp (Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar), Eduardo Lammers, da CEO do Grupo Laços e especialista em envelhecimento, Martha Oliveira, do ex-diretor da SUSEP, professor de Ciências Atuariais, Estatísticas e Finanças da UFRJ, Eduardo Fraga. Também serão tratados temas sobre a Saúde e o Mercado de Trabalho e Consumo da Terceira Idade.

Para participar, é só acessar o site do Instituto Brasileiro de Atuária e se inscrever no Fórum de Longevidade do IBA

A nova fronteira do seguro: infraestrutura, dados e natureza como bases da resiliência

por Simone Ramos, especialista em riscos portuários da Lockton, e diretora da Sou Segura

O painel realizado na COP30 reforçou uma mensagem clara: o setor de seguros precisa romper com suas abordagens tradicionais e assumir protagonismo na construção de resiliência climática — especialmente em mercados emergentes.

O primeiro ponto crítico é a infraestrutura. Não basta falar em obras resilientes; é preciso defender sistemas que gerem resiliência social. Isso significa apoiar projetos que protejam comunidades, como ocorre nas nações insulares, e influenciar decisivamente políticas públicas — desde códigos de construção até marcos regulatórios que preparem novas edificações para os riscos de hoje e do futuro. Sem essa ação articulada, seguimos reagindo ao risco, e não prevenindo-o.

O segundo ponto destacado é a lacuna de dados. O setor ainda não compartilha suas informações de risco na escala necessária para orientar governos, investidores e sociedade. Dados climáticos e de perdas precisam ganhar transparência, padronização e volume. É a partir deles que se constrói prevenção efetiva, modelos mais justos e precificação sustentável.

Mas o ponto mais urgente — e que ganhou maior ênfase — é a proteção da natureza. Ecossistemas preservados reduzem perdas, protegem ativos físicos e garantem a continuidade de um mercado segurável. Manguezais, florestas, zonas úmidas e sistemas costeiros funcionam como barreiras naturais, diminuindo o impacto de eventos extremos.
Sem natureza, o mercado de seguros encolhe: aumenta a frequência de perdas, cresce o volume de áreas “inseguráveis” e se reduz a base de clientes capazes de acessar proteção financeira.

Por isso, o setor precisa assumir um novo papel: usar sua influência para impulsionar políticas de conservação, incentivar investimentos em soluções baseadas na natureza e posicionar o seguro como instrumento de transformação estrutural — não apenas de reparação pós-evento.

A mensagem final do painel é inequívoca: proteger comunidades, dados e natureza não é apenas ambientalismo; é estratégia de sobrevivência para o mercado segurador. E o futuro da indústria dependerá de quão rápido conseguirmos transformar essa visão em prática.

Munich Re mantém guidance anual e lucro dobra para €2 bilhões no 3º trimestre de 2025

A Munich Re registrou lucro líquido de €1,99 bilhão no terceiro trimestre de 2025, mais que o dobro dos €907 milhões obtidos um ano antes. No acumulado de janeiro a setembro, o resultado alcançou €5,17 bilhões, impulsionado por índices combinados excepcionalmente baixos nos segmentos de resseguros patrimoniais e de seguros corporativos globais (Global Specialty Insurance – GSI). A resseguradora alemã confirmou seu guidance anual de lucro líquido de €6 bilhões.

Segundo Christoph Jurecka, CFO da Munich Re, “os excelentes índices combinados em resseguros e no GSI, aliados ao bom desempenho operacional e à sólida contribuição da ERGO, compensaram o trimestre mais fraco em vida e saúde e as perdas cambiais. Nossa estratégia de diversificação está funcionando.”

A receita de seguros emitidos somou €14,6 bilhões no trimestre, frente a €15,5 bilhões no mesmo período de 2024, refletindo o efeito negativo das variações cambiais. O resultado técnico total subiu para €2,82 bilhões, e o resultado operacional atingiu €3,04 bilhões, quase o triplo do obtido um ano antes. O retorno anualizado sobre o patrimônio líquido (RoE) ficou em 24,2%, contra 11,5% no 3º tri de 2024.

Na América Latina, onde a Munich Re mantém posição relevante em resseguros catastróficos e agrícolas, o trimestre foi beneficiado pela ausência de grandes eventos de perda.

Resseguros e Global Specialty

O resultado do segmento de resseguros totalizou €1,69 bilhão, com forte contribuição da divisão de property & casualty, cujo lucro líquido saltou para €1,18 bilhão. O índice combinado caiu para 62,7%, reflexo da despesa com grandes sinistros muito abaixo da média histórica — apenas 2,9% da receita líquida de seguros, comparado a 27,8% no ano anterior.

O GSI, que reúne operações de seguros corporativos administradas pela unidade de resseguros, também apresentou melhora expressiva: lucro de €221 milhões e índice combinado de 82,8%, com sinistros relevantes limitados a €59 milhões.

Já o resseguro de vida e saúde teve desempenho mais fraco, com resultado técnico de €314 milhões, afetado por uma experiência de sinistros desfavorável, embora dentro das flutuações normais.

ERGO e investimentos

A seguradora ERGO, braço de seguros diretos do grupo, contribuiu com €304 milhões ao lucro consolidado do trimestre, beneficiada por resultados técnicos sólidos e efeitos não recorrentes positivos de cerca de €50 milhões. Destaque para a subsidiária internacional, cujo resultado saltou para €324 milhões, impulsionado pela performance em mercados de propriedade e saúde e pela aquisição da americana NEXT Insurance, cuja totalidade das ações foi assumida pela Munich Re em julho.

O resultado de investimentos atingiu €2,39 bilhões, sustentado por maiores ganhos na venda de ativos e valorização de ações. A taxa de retorno anualizada sobre o portfólio foi de 4,1%.

Guidance e perspectivas

A Munich Re manteve sua projeção de lucro líquido de €6 bilhões para 2025, apoiada por um ambiente de baixa sinistralidade em resseguros e forte diversificação. A companhia prevê receita de seguros de €61 bilhões no consolidado do grupo e melhorou sua estimativa de combined ratio para 74% em resseguros patrimoniais (antes 79%) e 87% em GSI (antes 90%).

Com índice de solvência de 293%, bem acima do intervalo-alvo de 175% a 220%, a empresa segue com alta capacidade de absorção de riscos e foco na disciplina técnica.

Porto cresce 13% e registra lucro líquido de R$ 832 milhões no terceiro trimestre

A Porto encerrou o terceiro trimestre de 2025 com lucro líquido de R$ 832 milhões, resultado 13% superior ao do mesmo período do ano passado. As receitas totais somaram R$ 10,5 bilhões, alta de 11% na comparação anual. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROAE) foi de 23%, mantendo-se acima de 20% pelo quinto trimestre consecutivo.

A rentabilidade da operação de seguros atingiu 32% no período, enquanto as demais verticais — Saúde, Banco e Serviços — ampliaram em 4 pontos percentuais sua participação no lucro consolidado, passando a representar 44% do total. O resultado financeiro foi de R$ 383 milhões, avanço de 53% frente ao terceiro trimestre de 2024. A carteira de investimentos da tesouraria gerou receita de R$ 451 milhões, equivalente a 77% do CDI.

O índice de eficiência operacional ficou em 10,7%, melhora de 0,3 ponto percentual, refletindo os esforços de ganho de produtividade e controle de custos.

Desempenho por unidade de negócios

No segmento de seguros, as receitas e prêmios totalizaram R$ 5,7 bilhões, crescimento de 3%. O destaque foi o segmento de Vida, que avançou 13%, seguido pelo Patrimonial, com alta de 11%. O ramo de Automóveis cresceu 1% em prêmios e 4% em frota segurada, com acréscimo de 255 mil veículos. O índice combinado ampliado permaneceu estável em 85,3%, e o lucro chegou a R$ 451 milhões, 5% acima do resultado de um ano antes.

A Porto Saúde foi o destaque do trimestre, com receita de R$ 2,2 bilhões, alta de 27%, e lucro de R$ 126 milhões, um salto de 65% sobre o mesmo período do ano anterior. O número de beneficiários aumentou 22%, totalizando 784 mil vidas no seguro Saúde, e 20% no Odonto, chegando a 1,1 milhão. O índice combinado da vertical caiu dois pontos, para 92%, refletindo eficiência operacional e escala.

O Porto Bank reportou receita de R$ 1,9 bilhão, crescimento de 29%, impulsionado pelas linhas de Capitalização (+45%), Consórcio (+30%), Cartões, Financiamentos e Empréstimos (+25%) e Riscos Financeiros (+12%). O lucro líquido foi de R$ 196 milhões, 19% superior ao de 2024.

Já a Porto Serviço registrou R$ 606 milhões em receita, leve retração de 2% no trimestre, influenciada pela menor demanda de atendimentos de assistência, devido à baixa sinistralidade. O lucro da vertical foi de R$ 38 milhões, queda de 27% em relação ao ano anterior, compensada pelo avanço dos produtos digitais, que cresceram 60% no trimestre e 95% no acumulado do ano.

Reconhecimento e visão de futuro

A Porto foi novamente reconhecida entre as dez melhores empresas para trabalhar no Brasil, segundo o ranking Great Place to Work (GPTW), e manteve a liderança entre as marcas mais lembradas do setor, conforme as pesquisas Top of Mind da Folha de S.Paulo e Estadão Marcas Mais.

Para o CEO do Grupo, Paulo Kakinoff, os resultados refletem a consolidação do ecossistema Porto e o foco no cuidado integral com clientes, colaboradores e parceiros. “Cuidar para que as mais de 18 milhões de pessoas que nos escolhem se sintam ouvidas, vistas e atendidas em todas as suas necessidades é o fruto de um legado de 80 anos que inspira o nosso futuro”, afirmou o executivo.

Diretor da Bradesco Saúde aborda transformações da saúde em evento em Belo Horizonte

Flavio Bitter Bradesco Saúde

O diretor da Bradesco Saúde, Flávio Bitter, será um dos palestrantes do SRH 2025, evento que será realizado nesta quarta-feira (12/11), em Belo Horizonte, reunindo lideranças do setor para debater os rumos e desafios do mercado de saúde suplementar.

Com o tema “Transformação”, o encontro propõe uma jornada de aprendizado e inspiração para profissionais que buscam compreender as mudanças estruturais no mercado e o papel da colaboração e da inovação na construção do futuro da saúde.

A palestra de Bitter, intitulada “O que outras culturas e países, além de outros mercados, podem nos ensinar para reinventar o futuro do mercado de saúde?”, promete inspirar reflexões sobre inovação, gestão e sustentabilidade no sistema de saúde suplementar brasileiro. O executivo vai falar sobre como o diálogo com outras culturas e modelos de saúde ao redor do mundo pode contribuir para a construção de um setor mais eficiente, tecnológico e centrado nas pessoas. 

“Olhar para fora, buscando as perspectivas e experiências de outras culturas, nos permite enxergar novas formas de pensar e fazer saúde. Sempre com foco em inovação, humanização e sustentabilidade, e com a atenção ao que deve ser adaptado à nossa realidade”, destaca Flávio Bitter.

Promovido pela Simgular Acrisure e Acrisure Brasil, o SRH25 – A saúde e suas SIMgulaRHidades – acontece no auditório da unidade Contorno do Hospital Mater Dei.

Executivo da Seguros Unimed, Fábio Nogi, será homenageado nos EUA pela excelência profissional e liderança na odontologia 

Seguros Unimed

por Seguros Unimed

A Unimed Odonto, operadora de planos odontológicos da Seguros Unimed, celebra o reconhecimento internacional de Fábio Nogi, que reforça o protagonismo brasileiro na transformação da odontologia global. O executivo será homenageado durante o US Dental Summit Orlando 2025, promovido pela Associação Brasileira de Odontologia – seção Estados Unidos (ABO-US), que acontece de 20 a 22 de novembro de 2025, na sede da entidade, em Orlando.

Nogi será premiado e passará a integrar o grupo fundador da ABO-US Academy of Dental Excellence, instituição criada para promover educação continuada, pesquisa e integração entre profissionais do Brasil, Estados Unidos e América Latina. O reconhecimento celebra sua trajetória marcada por inovação, ética e compromisso para o desenvolvimento da odontologia baseada em valor — modelo que alia qualidade assistencial, eficiência e experiência do paciente.

À frente de projetos estratégicos na Seguros Unimed e Unimed Odonto, como superintendente de Inovação e Odontologia, Nogi tem liderado importantes avanços na odontologia suplementar, com foco na implementação de soluções inovadoras em tecnologia, que possam tornar a experiência do cliente e transformar os modelos assistenciais do Sistema Unimed, reforçando a sinergia entre as cooperativas. Entre suas contribuições estão a consolidação de iniciativas voltadas à gestão integrada do cuidado, a ampliação da jornada digital de beneficiários e prestadores e a implementação de novas práticas de gestão em rede. Seu trabalho traduz, na prática, o propósito de tornar a saúde mais acessível, resolutiva e centrada nas pessoas.

Com mais de 22 anos de experiência no setor, Fábio Nogi é graduado em Odontologia e mestre em Odontologia Social pela Universidade de São Paulo (USP), com especializações em Odontopediatria e Saúde Coletiva. Possui ainda MBAs em Business Innovation pela FIAP e em Inteligência Artificial pela Faculdade Exame. Sua trajetória inclui passagens por grandes operadoras odontológicas, além da atuação como professor em cursos de pós-graduação na PUC PR, na Fundecto-USP, na Universidade Corporativa Abramge e de MBA e pós-graduação na Fundecto-USP. Nogi também é membro do Conselho de Administração da Yuni Digital, Conselheiro Consultivo do IBRAVS (Instituto Brasileiro de Valor em Saúde) e Diretor do Sinog (Associação Brasileira de Planos Odontológicas), e foi eleito como um dos dez executivos de destaque em inovação no Inovatech Executive Summit em 2023.

Durante o Summit, Nogi ministrará a palestra “O desafio de implementar a odontologia baseada em valor no Brasil”, abordando os avanços e oportunidades do setor na transição para modelos sustentáveis e focados em resultados. Tema de artigo científico publicado na Revista da Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas (APCD).

A cerimônia de encerramento do evento, a Excellence Awards ABO-US, reunirá autoridades, líderes empresariais, professores e investidores, marcando o lançamento oficial da Academy of Dental Excellence e celebrando profissionais que se destacam pela excelência científica e compromisso social com a saúde bucal.

Economia Verde, Saúde e Justiça Social: uma nova agenda para o mercado de seguros

O seguro, hoje, ultrapassa o papel tradicional de garantir indenizações para se posicionar como agente ativo na construção de soluções sustentáveis. Sua atuação tornou-se peça-chave na redução de desigualdades sociais, na proteção da vida e da saúde, além de apoiar, de forma concreta, a transição para uma economia verde. Foi esse o eixo central dos debates dos dois painéis de abertura da Casa do Seguro, iniciativa promovida pelo Grupo Bradesco, que discutiu o impacto dos seguros frente à crescente relevância das mudanças climáticas e da necessidade de modelos econômicos e sociais mais resilientes.

Agenda dos painéis e temas centrais

Os painéis desta segunda-feira (10) se concentraram em dois pilares fundamentais: “Seguros, Mudanças Climáticas e Sustentabilidade” e “Resiliência e Inclusão: o papel do seguro na proteção das pessoas”. Ambos ressaltaram o seguro como instrumento não apenas de reparação de danos, mas de prevenção, educação, adaptação e transformação social — aspectos essenciais numa realidade cada vez mais marcada por eventos extremos e desigualdade de acesso à proteção financeira e à saúde.
 

Mudanças climáticas e os novos riscos à saúde

O físico Paulo Artaxo (USP) alertou que as mudanças climáticas já constituem uma das maiores ameaças à saúde pública deste século, com efeitos muito além das altas temperaturas. As alterações nos padrões de chuva, o avanço de vetores de doenças e o aumento da pressão sobre sistemas urbanos e produtivos mostram a necessidade de abordagens integradas, nos moldes do conceito “Saúde Única” da OMS, que conecta saúde humana, animal e ambiental.
 

Apesar de cinco décadas de alertas científicos e uma década do Acordo de Paris, as emissões globais continuam crescendo, impulsionadas principalmente pela queima de combustíveis fósseis e pelo desmatamento. Com o planeta já 1,55°C mais quente do que no período pré-industrial, e temperaturas que superam 2°C nas zonas continentais, o Brasil poderá experimentar acréscimos de 4°C a 4,5°C, especialmente preocupantes em cidades como Belém, que podem se tornar inabitáveis nas próximas décadas.
 

Os impactos já são sentidos de forma concreta: de 2003 a 2022, ondas de calor mataram 130 mil pessoas na Europa, enquanto no Brasil foram registradas 48 mil mortes adicionais ligadas à elevação de temperatura. No contexto global, 70% dos trabalhadores estão expostos a riscos climáticos crescentes. Ivani Benazzi, superintendente de Sustentabilidade da Bradesco Seguros, destacou também o aumento expressivo dos brasileiros afetados por enchentes — de 21 milhões para 48 milhões entre 2020 e 2023 —, atribuindo parte desse salto ao agravamento dos extremos climáticos.

Doenças infecciosas e saúde pública ameaçada

O vínculo entre mudanças climáticas e doenças infecciosas foi apontado pelo infectologista Celso Granato como “inequívoco e crescente”. Ele detalhou que o aumento das temperaturas e das chuvas cria condições ideais para a disseminação de vetores como o Aedes aegypti, responsável por doenças como dengue, zika, chikungunya e febre amarela, além do agravamento de enfermidades como leptospirose e cólera. O número recorde de casos de dengue em 2024 — 6 milhões — evidencia como o fenômeno é realidade presente, com projeções de agravamento diante de fenômenos como o La Niña.
 

Granato enfatizou que a vulnerabilidade atinge em especial crianças, idosos e populações pobres, inclusive em países historicamente não afetados, como Itália e Alemanha, onde novos casos de arboviroses vêm sendo registrados. Para ele, além do investimento em saneamento básico e vacinas, o combate concreto às mudanças climáticas é a medida mais efetiva e estrutural.
 

Impactos psicológicos, morte e a sobrecarga do sistema de saúde

Thaís Jorge, diretora médica da Bradesco Saúde, ampliou o debate mostrando que os efeitos vão muito além das doenças transmissíveis. Mudanças climáticas intensificam doenças respiratórias, cardiovasculares e mentais, enquanto a frequência e gravidade dos eventos extremos — como enchentes e tornados — têm causado traumas psicológicos, ansiedade e estresse pós-traumático. O aumento da temperatura e de desastres naturais também provoca descompensações em pacientes crônicos e eleva custos assistenciais e demandas por infraestrutura adaptada nas redes pública e privada.
 

Ela frisou a importância da informação para a transformação de comportamentos em larga escala e apresentou o guia “Nosso Clima, Sua Saúde”, lançado pela Bradesco Saúde, para ajudar a população a adotar ações práticas de adaptação, prevenção e autocuidado em cenários de calor intenso, enchentes e outros extremos.
 

Desigualdade, proteção financeira e inclusão: desafios para o seguro

A questão da cobertura insuficiente foi um dos pontos mais enfatizados. Estevão Scripilliti, diretor da Bradesco Vida e Previdência, observou que o Brasil enfrenta, simultaneamente, as transições climática, demográfica e tecnológica. Isso impõe o desafio de ampliar e adaptar soluções de seguro e previdência, sobretudo porque apenas 18% dos brasileiros possuem seguro de vida e somente 8% têm previdência privada — índices ainda menores nas classes C, D e E, mais vulneráveis a desastres e perdas financeiras.
 

Scripilliti defendeu o desenvolvimento de produtos personalizados e acessíveis, comunicação inclusiva (especialmente via redes sociais) e o acoplamento de assistências médicas, psicológicas e financeiras aos seguros. O diretor também mencionou o Indicador de Longevidade Pessoal, pesquisa criada para mapear fatores de bem-estar e qualidade de vida dos idosos — da saúde física à socialização, prevenção e apoio emocional.

O papel do seguro diante dos desafios globais 

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PAINEL 2: SOLUÇÕES PARA O CLIMA: INICIATIVAS QUE IMPULSIONAM A ADAPTAÇÃO E TRANSIÇÃO DOS NOSSOS SEGURADOS

O segundo painel, também moderado por Ivani Benazzi, enfocou a dimensão econômica e social dos desastres e o papel estratégico dos seguros nesse contexto. Em 2024, perdas globais por eventos climáticos extremos chegaram a US$ 368 bilhões, mas apenas 40% estavam seguradas — evidenciando um déficit de proteção de US$ 211 bilhões e, no Brasil, uma lacuna ainda maior. A baixa cobertura é especialmente grave nas regiões Norte e Nordeste e entre as populações de menor renda.
 

Na prática, o seguro deve migrar de um produto percebido como elitizado para ferramenta de inclusão e resiliência. A Bradesco Vida e Previdência trabalha para democratizar o acesso, ofertando microsseguros a partir de R$ 2,50 e previdência sem taxa de carregamento. Em 2024, pagou R$ 1,3 bilhão em indenizações e apostou em fundos ESG (R$ 700 milhões), telemedicina, apoio psicológico e orientação nutricional.
 

Ney Dias, presidente da Bradesco Auto/RE, destacou que, na América Latina, entre 87% e 95% das perdas por desastres naturais não estavam cobertas por seguro — proporção muito superior aos 40% observados nos Estados Unidos. No Brasil, mais de R$ 700 bilhões em prejuízos nos últimos 11 anos foram parcialmente absorvidos pelo setor público, e sete dos dez maiores desastres naturais ocorreram nos últimos 15 anos. O executivo apontou iniciativas da empresa como resposta rápida aos eventos, indenizações ágeis, uso de dados geoespaciais e desenvolvimento de coberturas inovadoras (ex: carros elétricos, sistemas solares).
 

Novas soluções e protagonismo climático do Brasil

Paula Peirão (UNEP FI) reforçou que o setor segurador tem papel triplo no enfrentamento climático: gestor de riscos, tomador de riscos e investidor. Destacou iniciativas inovadoras, como seguros paramétricos, coberturas para agricultura sustentável, energia solar e restauração ecológica — e citou a nova Taxonomia Sustentável Brasileira como referência para canalizar investimentos e seguros para atividades de impacto positivo.
 

Ela lembrou que o Brasil, com alta biodiversidade e sede da próxima COP na Amazônia, pode liderar o movimento por uma economia mais verde, mas isso exige ação coletiva — unindo setor financeiro, empresas, governos e sociedade.
 

Caminhos para o futuro: educação, inovação e ação coletiva

Os painelistas convergiram na ideia de que reduzir o gap de proteção climática exige esforços em educação, inovação e integração de políticas públicas. Sugeriram:

  • Adoção de seguros específicos para eventos extremos, com cobertura de renda temporária para atingidos.
  • Inclusão de autônomos e pequenos empresários em planos de previdência e de vida.
  • Criação de fundo nacional para catástrofes, inspirado no FGTS previdenciário, com contribuições obrigatórias.
  • Compartilhamento de dados e experiências entre seguradoras nacionais e internacionais, ajustando modelos de risco à diversidade regional.
  • Políticas públicas para incentivar o acesso ao seguro em áreas e populações mais vulneráveis.

Reduzir o gap de proteção é, portanto, muito mais que um desafio técnico; trata-se de uma questão de equidade social e adaptação coletiva a uma nova realidade climática. O seguro, nesse contexto, se mostra fundamental para promover resiliência, proteger vidas e criar as bases para uma sociedade mais inclusiva, sustentável e preparada para o futuro.

Zurich reforça protagonismo do setor de seguros na COP30

Edson Franco CEO Zurich COP30 sustentabilidade

por Denise Bueno

A COP30, que começou oficialmente nesta segunda-feira, 10, em Belém, marca um momento histórico para o Brasil e para o setor de seguros. Diante da crescente frequência de eventos climáticos extremos, as seguradoras assumem um papel cada vez mais estratégico na construção de resiliência e adaptação — não apenas indenizando perdas, mas atuando na prevenção, modelagem de riscos e apoio a políticas públicas.

Entre os players globais mais engajados nesse debate, a Zurich Seguros chega à conferência com o propósito de conectar resultados financeiros a um legado sustentável, reforçando que sustentabilidade e performance caminham juntas. A companhia participa do evento com uma delegação de alto nível, incluindo o chairman global e a chief sustainability officer, e leva à mesa discussões sobre financiamento da adaptação, infraestrutura resiliente e o papel do seguro como catalisador da transição climática.

Em entrevista ao Sonho Seguro, o CEO da Zurich Seguros, Edson Franco, afirmou que o objetivo da presença da companhia na COP30 é “transformar conhecimento técnico em impacto concreto”, apoiando governos e empresas com dados de risco, soluções de mitigação e iniciativas de conservação. Ele destacou ainda o avanço de projetos como o Zurich Forest, em parceria com o Instituto Terra, e o Projeto Origens, com o Imaflora, que unem preservação ambiental, geração de renda e valorização das comunidades tradicionais da Amazônia.

Para Franco, não há futuro econômico sem sustentabilidade e adaptação. O setor segurador, segundo ele, é essencial para reduzir vulnerabilidades e viabilizar investimentos resilientes. A entrevista completa aprofunda como a Zurich está integrando ciência, inovação e propósito à sua estratégia global e por que a COP30 representa um marco na consolidação do papel do seguro como agente de transformação climática e social. Leia os principais trechos da entrevista:

A COP30 coloca o Brasil no centro do debate climático. Como a Zurich enxerga o papel das seguradoras nesse contexto e de que forma pretende traduzir sua presença em Belém em resultados concretos para o país e para o setor?

    A Zurich enxerga esse momento como uma oportunidade para reforçar o papel estratégico das seguradoras na agenda de adaptação e resiliência. Mais do que indenizar perdas, o setor pode contribuir com análises de risco, modelagem climática, orientação técnica e apoio ao planejamento de longo prazo, elementos essenciais para reduzir vulnerabilidades e qualificar investimentos públicos e privados.

    A presença da Zurich em Belém busca transformar esse conhecimento em impacto concreto. A companhia participa de fóruns técnicos, painéis internacionais e encontros setoriais para apoiar discussões sobre resiliência urbana, infraestrutura e financiamento climático. Estamos com uma delegação de alta relevância no evento, incluindo o Chairman do Grupo Zurich e a CSO global, para mostrar que integrar dados de risco desde o início é fundamental para viabilizar projetos e evitar perdas futuras.

    O Brasil enfrenta perdas econômicas significativas associadas a desastres climáticos e, ao mesmo tempo, lidera debates sobre biodiversidade e transição ecológica. Nesse contexto, a Zurich pretende contribuir para o avanço de políticas públicas, ampliar o diálogo com governos e fortalecer mecanismos de prevenção e adaptação.

    A participação na COP30 também está conectada ao apoio da Zurich a iniciativas socioambientais brasileiras, como a Exposição Amazônia, a Floresta Zurich e o Projeto Origens Brasil, que reforçam o compromisso com conservação, desenvolvimento sustentável e impacto de longo prazo.

    A Zurich costuma destacar a importância de conectar resultados financeiros a propósito e legado sustentável. Como essa visão se materializa nas decisões de investimento e na gestão de riscos climáticos da companhia?

    As mudanças climáticas são uma realidade e já estão afetando diretamente os negócios, não só no setor segurador, mas em todo o mercado. Os eventos do Rio Grande do Sul, com perdas estimadas em mais de R$ 80 milhões, evidenciam esse cenário. Para nós, é muito claro que não é possível pensar em sustentabilidade e resultados a longo prazo sem uma agenda de sustentabilidade e adaptação robusta, e por isso, estamos dispostos não só a transformar os nossos negócios, como apoiar nossos clientes, empresas e sociedade em um mundo em transição. 

    Mais de 50% do PIB global depende moderada ou altamente de ecossistemas saudáveis. Isso ressalta a importância de investidores e seguradoras apoiarem a proteção e a restauração do capital natural como um imperativo econômico (Fórum Econômico Mundial, 2020). Esses dados de desenvolvimento sustentável contemplam o desempenho financeiro, e essa visão orienta tanto a forma como a companhia investe quanto a maneira como gerencia riscos de sustentabilidade. 

    Nosso Plano Global de Transição Climática deixa isso muito claro, com metas de descarbonização para operações, investimentos e subscrição, além de um direcionamento para o apoio a diferentes stakeholders para uma economia mais resiliente.

    Nos investimentos, a companhia adota compromissos progressivos de redução de emissões e já avançou na diminuição das emissões financiadas no Brasil. Globalmente, a Zurich integra critérios ambientais, sociais e de governança na análise de riscos e oportunidades, com o objetivo de apoiar uma economia mais resiliente e previsível.

    Na subscrição, a gestão de riscos climáticos vem sendo aprimorada com o uso de dados, cenários e modelos que ajudam a entender vulnerabilidades físicas e orientar decisões responsáveis. Isso inclui priorizar clientes que demonstram planos estruturados de transição energética, além de incorporar análises climáticas cada vez mais detalhadas nas carteiras corporativas. 

    Esse posicionamento junto aos nossos clientes conversa diretamente com nosso objetivo tornar a sociedade mais resiliente. Ferramentas como o Climate Spotlight, lançadas recentemente, reforçam essa abordagem ao permitir avaliar riscos presentes e futuros em diferentes cenários climáticos, e incentivar que os clientes adotem medidas de prevenção e adaptação antes dar perdas.

    A companhia trabalha para que suas decisões financeiras e técnicas, bem como os produtos que oferecemos e os projetos com que nos comprometemos, contribuam tanto para a proteção dos clientes quanto para a construção de um legado positivo para as próximas gerações, alinhando performance econômica, responsabilidade climática e impacto de longo prazo.

    Que temas a Zurich pretende levar para o debate técnico durante a COP30? Há alguma proposta específica que a companhia deseja apresentar para fortalecer a agenda de adaptação e resiliência no Brasil?

    A Zurich estruturou sua participação na COP30 com foco em adaptação climática, gestão de riscos físicos e construção de resiliência para empresas, governos e comunidades. 

    A companhia levará ao evento discussões técnicas alinhadas ao seu Plano Global de Transição Climática, destacando a relevância de integrar ciência, dados e modelagem climática ao planejamento econômico e às políticas públicas nacionais. O objetivo é contribuir, de forma qualificada, para que o debate climático avance a partir de diagnósticos precisos e de soluções viáveis para diferentes setores produtivos – o Climate Spotlight, é claro, é uma ferramenta muito relevante nesse sentido.

    Entre os pontos prioritários, a Zurich reforçará a importância de que investimentos em infraestrutura e desenvolvimento passem por avaliações detalhadas de risco, de modo a garantir que novos projetos sejam concebidos para resistir às condições climáticas atuais e futuras. Na agenda oficial, conforme já citado, a companhia participará de debates no Resilience Hub e na Casa do Seguro, com foco em financiamento da adaptação, prevenção de perdas e no papel estratégico do setor segurador na transição climática.

    A participação na COP30 também se conecta ao apoio contínuo da Zurich a iniciativas socioambientais brasileiras que contribuem para conservação e desenvolvimento sustentável. Conforme já mencionado, esse conjunto inclui o patrocínio à Exposição Amazônia, de Lélia Wanick Salgado e Sebastião Salgado; a Floresta Zurich, projeto voltado à restauração da Mata Atlântica junto ao Instituto Terra; e a parceria com o Origens Brasil, que fomenta o empoderamento econômico dos povos indígenas e a consequente preservação da floresta em pé pelas populações tradicionais da Amazônia.

    O portfólio ESG da Zurich inclui ferramentas como o Climate Spotlight. Quais resultados já foram observados com essas soluções e como elas podem apoiar empresas e governos brasileiros na transição para uma economia de baixo carbono?

    A Zurich vem utilizando o Climate Spotlight como uma ferramenta estratégica para apoiar empresas e governos na compreensão dos riscos físicos associados às mudanças climáticas e na construção de ações preventivas fundamentadas em dados e ciência. Embora seja uma solução recente no Brasil, sua aplicação já demonstra como análises climáticas podem qualificar decisões e fortalecer a resiliência de diferentes setores.

    No cenário internacional, se destaca a parceria com a Prefeitura de Madrid, que avaliou a intensificação de ilhas de calor para priorizar intervenções em escolas e rotas de deslocamento de estudantes. Outro exemplo foi o mapeamento de vulnerabilidades climáticas realizado com a Maersk em portos estratégicos ao redor do mundo. Ambos os casos mostram como a ferramenta pode ajudar a orientar investimentos públicos e privados com maior precisão e visão de longo prazo. 

    No Brasil a solução também foi aplicada, entre outras organizações, pela WEG, que utilizou o Climate Spotlight para mapear riscos físicos em instalações globais e estruturar planos de mitigação voltados à continuidade operacional e segurança de colaboradores.

    O conjunto desses resultados mostra que a ferramenta tem potencial para apoiar a transição para uma economia mais resiliente ao fornecer diagnósticos detalhados, antecipar vulnerabilidades e apoiar estratégias que dependem de previsibilidade e planejamento responsável.

    Em poucas palavras, o Climate Spotlight pode orientar decisões de investimento mais eficientes e resilientes. Ao identificar vulnerabilidades em ativos, operações e cadeias produtivas, a ferramenta ajuda empresas a priorizar adaptações que evitam perdas e reforçar a sustentabilidade do negócio a curto, médio e longo prazo.

    Para governos, os diagnósticos climáticos oferecem base técnica para incorporar adaptação e resiliência ao planejamento urbano e de infraestrutura crítica. Como demonstram os casos já citados, o uso de modelagem climática permite direcionar recursos para áreas sensíveis, estruturar políticas mais robustas e fortalecer a capacidade de municípios e estados de acessar financiamentos e desenvolver projetos alinhados à transição econômica e ambiental do país, e que sobretudo, protejam a população mais vulnerável.

    O Projeto Origens e outras iniciativas da Zurich com comunidades tradicionais têm ganhado relevância. Que aprendizados essas experiências trazem sobre o papel do setor segurador em apoiar cadeias produtivas sustentáveis e economias locais?

    As iniciativas da Zurich junto a comunidades tradicionais, especialmente por meio do Projeto Origens, reforçam não só como o setor segurador, mas todo o setor privado, pode contribuir para fortalecer cadeias produtivas sustentáveis, desde que estruture uma agenda de investimento social privado estratégica e direcionada a este fim.

    Diante das mudanças climática, a Zurich tem a preservação da biodiversidade e empoderamento econômico como frentes importantes de sua atuação social. E o Projeto Origens, para o qual renovamos o nosso apoio no ano passado, é a síntese dessas duas premissas. O foco está em gerar renda por meio de relações comerciais éticas, com preços justos e rastreabilidade total dos produtos da sociobiodiversidade, fatores essenciais para reduzir vulnerabilidades socioeconômicas e valorizar o conhecimento tradicional. Promover a inclusão econômica para os povos indígenas, preservando suas tradições, é a melhor forma de contribuir para a preservação da floresta. Eles são os guardiões daquele espaço. 

    Essa experiência evidencia que a promoção de mercados éticos fortalece tanto a conservação ambiental quanto a autonomia econômica. A rede evita a dependência de atividades ilegais, estimula a permanência das comunidades em seus territórios e contribui para preservar culturas que correm risco de se perder. A nova fase da parceria também traz inovações relevantes, como um mecanismo financeiro para equalizar preços pagos aos produtores e atrair especialmente mulheres e jovens, além de uma agenda voltada ao engajamento de empresas e ao aprimoramento de políticas públicas relacionadas à produção sustentável na região.

    Quando falamos em mudanças climáticas, não há fronteiras. Preservar o patrimônio natural e a rica biodiversidade brasileira influencia nos cenários climáticos com que, de diferentes formas, todos os governos, empresas e pessoas terão que lidar no presente e no futuro. Por isso, a atuação do setor público, privado, das organizações sociais e de toda a sociedade precisa ser conjunta e integrada. 

    Iniciativas como essa demonstram que a atuação social responsável está diretamente conectada à agenda climática e à construção de resiliência. Também reforçam o papel das empresas em estimular modelos de desenvolvimento mais inclusivos, transparentes e compatíveis com a transição climática. 

    Como o projeto Zurich Forest evoluiu desde seu lançamento e quais são as metas de impacto ambiental e social associadas à parceria com o Instituto Terra?

    O projeto Floresta Zurich, desenvolvido em parceria com o Instituto Terra, tem avançado de forma consistente desde o seu lançamento e já se consolidou como uma das principais iniciativas socioambientais da Zurich no mundo todo. 

    O programa contribui diretamente para a restauração de parte da Mata Atlântica na região de Aimorés (MG), em uma área que sofreu décadas de degradação antes da atuação da organização. Até o momento, mais de 800 mil mudas de espécies nativas foram plantadas — um trabalho de longo prazo que envolve plantio, manejo, manutenção e enriquecimento florestal.

    A meta estabelecida pela Zurich é plantar 1 milhão de mudas até 2028, ampliando a cobertura florestal e fortalecendo serviços ecossistêmicos essenciais, como recuperação do solo, proteção de nascentes e retorno da biodiversidade local. A escolha por um projeto de regeneração de Mata Atlântica, um dos biomas mais ameaçados do mundo, reforça o compromisso da companhia com soluções de impacto mensurável.

    Além do impacto ambiental, a parceria com o Instituto Terra também gera benefícios sociais relevantes ao envolver comunidades da região em atividades de educação ambiental e capacitação técnica. Essas ações ampliam a conscientização local, estimulam o engajamento com práticas sustentáveis e contribuem para o fortalecimento de uma cultura de conservação ambiental entre crianças, jovens e pequenos produtores. 

    A Floresta Zurich evidencia como projetos baseados em ciência e execução técnica podem apoiar a restauração de biomas e gerar impactos positivos duradouros para ecossistemas e comunidades.

    A COP30 é vista pela Zurich como uma “parada importante” na construção de um futuro sustentável. Que tipo de legado a companhia espera deixar após o evento, tanto para o setor segurador quanto para a sociedade?

    A Zurich enxerga a COP30 como um passo de virada importante para o setor segurador e para o país, unindo ciência, dados e colaboração para acelerar a agenda de sustentabilidade. O legado que a companhia busca deixar após o evento está concentrado em três frentes.

    A primeira é reforçar no mercado a importância de integrar adaptação climática, prevenção e visão de longo prazo. A Zurich quer consolidar a percepção de que as seguradoras são parceiras estratégicas na redução de riscos físicos e na construção de resiliência para empresas, governos e comunidades, e não apenas na etapa de indenização.

    A segunda é ampliar o debate técnico sobre modelagem climática, uso de dados de risco e investimentos resilientes. A companhia pretende influenciar a incorporação dessas práticas em políticas públicas, projetos de infraestrutura e decisões financeiras, deixando contribuições que sigam além da conferência.

    A terceira é fortalecer e dar maior visibilidade iniciativas sociais e ambientais já existentes, como a Floresta Zurich, mostrando que a proteção de pessoas e ecossistemas deve caminhar junto. O objetivo é evidenciar que sustentabilidade, inclusão e desenvolvimento local fazem parte da construção de um futuro mais seguro.

    Com isso, a Zurich espera contribuir para um legado que una impacto técnico, avanço setorial e benefícios sociais, conectando o evento global a resultados concretos para o Brasil.

    Como a Zurich pretende usar sua influência global para fortalecer o protagonismo do Brasil na agenda climática internacional? Há planos de ampliar parcerias com governos, reguladores ou outras empresas do setor financeiro?

    O Brasil, por seu imenso e rico patrimônio natural, ampla disponibilidade de recursos naturais e seu consequente potencial de influenciar o futuro, é um dos protagonistas da agenda climática internacional, sem dúvidas. Não à toa, a Floresta Zurich, umas das principais iniciativas do Grupo Zurich voltadas à preservação da biodiversidade, está aqui, no Brasil.

    Nosso papel, portanto, através de nossa presença global e da aproximação com diversos fóruns técnicos nacionais e internacionais, públicos e privados, é fortalecer o protagonismo do setor segurador nesse debate. 

    Precisamos levar para diferentes setores e alçadas públicas de decisão discussões fundamentais sobre adaptação, prevenção e uso de dados na gestão de risco — são temas de profundo conhecimento deste mercado e que podem ajudar o país a se posicionar como referência em soluções climáticas e políticas baseadas em ciência. Neste contexto, aprofundar o diálogo contínuo com governos, reguladores e empresas do setor financeiro, sempre mapeando oportunidades de cooperação, é fundamental.

    Potencial do TFFF é de bilhões e bilhões de dólares, diz presidente da CNseg 

    Fonte: Estadão

    O potencial de captação de recursos do investidor privado pelo Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês) é de bilhões e bilhões de dólares. O prognóstico é de Dyogo Oliveira, presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg).

    “O TFFF oferece três pontos importantes para o investidor. Tem risco baixo. Tem rentabilidade. É verdade que o retorno não é uma ‘Brastemp’, mas é rentável. E ainda oferece liquidez”, disse o ex-ministro do Planejamento.

    O presidente da CNSeg pontuou que muitas seguradoras têm encontrado dificuldade de encontrar ativos “verdes” para compor suas carteiras de investimentos. “A CNSeg tem pedido para o Tesouro Nacional a emissão de ‘green bonds’ no Brasil. O Tesouro já fez duas emissões de ‘green bonds’, mas só no exterior”, disse Dyogo.

    O ex-ministro disse que ficou “realmente muito otimista” com o fundo, que classificou como sofisticado e criativo e que parece oferecer as garantias de liquidez, retorno e risco controlado.

    “O mais difícil o Brasil já fez, que é trazer o dinheiro soberano”, afirmou Lucca Rizzo, especialista em financiamento do Instituto Clima e Sociedade (iCS). “O Brasil lançou a ideia do fundo em Dubai, na COP30, e em dois anos conseguiu tirar do papel”, elogiou Rizzo.

    O especialista do iCS pontuou que o instrumento é um ganha-ganha porque remunera o país em desenvolvimento e realmente conserva a floresta tropical. “É um instrumento de pagamento por resultado”, disse Rizzo.

    “O Novo Mercado de Seguros” é o tema do evento que reúne líderes do setor nos dias 11 e 12 de novembro

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    Começa nesta terça-feira (11) o CQCS Insurtech & Inovação 2025, no Pro Magno Centro de Eventos, em São Paulo (SP). A edição deste ano já superou o volume de inscrições de 2024 e se confirma como a maior da história do encontro, reforçando o interesse crescente do mercado por tecnologia, inovação e transformação digital no setor de seguros.

    Sob o tema “O Novo Mercado de Seguros”, o evento reúne líderes, executivos e especialistas nacionais e internacionais nos dias 11 e 12 de novembro. A programação apresenta tendências em tecnologia, inteligência artificial e novos modelos de distribuição, além de promover debates estratégicos e conexões de alto nível em um ambiente de negócios e networking.

    “Vivemos em um mundo que vem se transformando intensamente em uma velocidade jamais vista pela Humanidade e este cenário traz um enorme desafio para a Indústria do Seguro, dado que protegemos bens e comportamentos. As mudanças comportamentais acabam sendo o centro das transformações, os novos bens nascem delas e/ou as provocam e acabamos sendo impelidos a reinventar os modelos de serviços e produtos para proteção da sociedade contemporânea. Acreditamos que este cenário é uma enorme oportunidade de fomento e ampliação de valor dos seguros e queremos ampliar o debate sobre alguns temas”, comenta Gustavo Dória, fundador do CQCS.

    “As mudanças climáticas, por exemplo,  são uma realidade, o aumento de eventos catastróficos ratificam esta afirmação e acreditamos que podemos desenvolver produtos e serviços que possam proteger de forma mais adequada a humanidade e acelerar o crescimento de nossa industria. As novas tecnologias não cessam em surgir, as possibilidades de coberturas e serviços parecem ser infinitas, a Confederação Nacional das Empresas de Seguros está trabalhando duro para atingirmos o equivalente 10% do Produto Interno Bruto em prêmios de seguros. Temos muito trabalho pela frente”, acrescenta.

    Na plenária, o CQCS Insurtech & Inovação recebe nomes internacionais que influenciam diretamente a agenda global de inovação em seguros. Entre os destaques estão Robert Pick (Tokio Marine), Adrian Davis (Adyen), Jing Liao (Solera) e Ian Thompson (IMT Advisory), Martin Hinz (Convista) e Dr. Tunde Salako (Africa Insurtech Lab), trazendo uma visão estratégica sobre inovação aplicada a mercados emergentes.

    Além deles, Terry Buechner (AWS) também sobe ao palco para abordar como tecnologias avançadas, incluindo IA generativa e computação em larga escala, já transformam o desempenho das seguradoras em todo o mundo. O encontro contará ainda com a participação de Jonathan Kalman (Jaguar Capital Partners) e Panos Leledakis (MDRT), ampliando o debate com perspectivas internacionais sobre o futuro do setor.

    O evento apresenta também o painel “IA Made in Brasil”, que reunirá, pela primeira vez, Alessio Alionço (Pipefy), Daniel Barbosa (Cilia) e Igor Mascarenhas (Pier), executivos brasileiros que estão na linha de frente do desenvolvimento e aplicação de soluções de inteligência artificial no mercado de seguros.

    Confirmando a representatividade das principais lideranças do setor na América Latina, o encontro contará ainda com a participação de Ney Dias (Bradesco Seguros), Marcelo Picolo (Solera), Helder Molina (Grupo MAG), Marcus Vinicius Oliveira (Wiz) e Alessandro Octaviani (Susep).

    Salas simultâneas e conteúdo especializado
    Na parte da tarde, período em que ocorrem as salas simultâneas, uma das principais novidades do line-up do encontro de 2025 é o tema único — “Qual o Impacto da IA no Seguro e Uma Visão de Futuro” —, que reúne os CEOs e presidentes das principais companhias do mercado de seguros. O objetivo é garantir que os participantes conheçam os desafios e as oportunidades de integrar a IA de forma ética e eficaz, e como a liderança está moldando a indústria em uma era de inovação sem precedentes.

    As outras cinco salas contarão com quase 200 palestrantes para discutir como os dados e a tecnologia estão transformando o seguro, desde a hiperpersonalização e as novas jornadas do cliente até a eficiência operacional e a prevenção de riscos. Os debates também vão explorar temas como mudanças climáticas, governança, educação financeira e a reinvenção da distribuição, permitindo que os inscritos estejam preparados para um setor que vem ampliando sua relevância social e econômica em um mercado em plena evolução.

    Confira a programação completa: www.cqcsinovacao.com.br