A MAG Seguros anuncia o início da edição de novembro da campanha Protegeu, Ganhou!, iniciativa que garante 50% de bônus extra na angariação a corretores e reforça a conscientização sobre o câncer de próstata. A ação ocorre até 30 de novembro e integra o movimento Novembro Azul, voltado ao incentivo do diagnóstico precoce e ao cuidado com a vida.
A seguradora, que possui 190 anos de atuação contínua no mercado de vida e previdência, destaca que a campanha busca unir incentivo comercial e propósito social, assim como ocorreu em outubro durante a mobilização pelo câncer de mama. O objetivo é estimular os corretores a promover informação, prevenção e acesso a soluções de proteção financeira ao longo da jornada de atendimento.
“Assim como fizemos no Outubro Rosa, queremos que o Novembro Azul seja mais um momento de diálogo aberto sobre prevenção. O câncer de próstata ainda é cercado de tabus. As seguradoras têm um papel fundamental em facilitar o acesso à informação, ao diagnóstico e às soluções de proteção financeira. Na MAG, trabalhamos para apoiar as famílias de forma completa, oferecendo produtos adequados às necessidades das famílias e incentivando nossos corretores a levar essa mensagem adiante”, afirma Márcio Batistuti, Diretor Comercial de Varejo do Grupo MAG.
Os produtos elegíveis estão descritos no regulamento completo, disponível com a liderança comercial da companhia. Para mais informações, consulte um representante da liderança comercial MAG e o regulamento da campanha.
A Bradesco Capitalização, empresa do Grupo Bradesco Seguros, acaba de lançar o Max Virada do Milhão, série sazonal e limitada com um sorteio milionário. O produto está disponível nas opções de pagamento único, de R$ 100 e R$ 200, nas quais o cliente concorre a mais 130 prêmios durante a vigência do produto com prêmio máximo de R$ 1 milhão.
“Este é mais um ano que trazemos um produto especial da virada, um título que já faz parte do nosso portfólio e do gosto dos nossos clientes. Além de oferecer a chance de concorrer a um prêmio milionário, o Max Virada do Milhão tem um papel importante: incentivar a disciplina financeira”, explica o superintendente sênior de Negócios da Bradesco Capitalização, Douglas Duran.
Na versão de R$ 100, o prêmio principal é de R$ 500 mil; já na de R$ 200, o destaque é o prêmio de R$ 1 milhão, cujo sorteio será realizado no dia 27 de dezembro. As demais premiações, entre sorteios únicos e mensais, têm valores de até R$ 40 mil. O Max Virada do Milhão tem vigência de 60 meses e está disponível para compra até 26 de dezembro.
A Seguros Unimed, braço segurador e financeiro do Sistema Unimed, anuncia Rodrigo Augusto como novo superintendente Jurídico, de Governança, Riscos, Compliance e Privacidade de Dados. Com uma trajetória consolidada na seguradora, o executivo assume o desafio de fortalecer a segurança jurídica, a governança e as práticas de compliance. “A missão é consolidar o trabalho em desenvolvimento, que assegure confiança e proteção, contribuindo para um ambiente ético e inovador, sempre voltado ao cuidado de longo prazo com a saúde e o patrimônio”, afirma o novo superintendente.
Formado em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, com mais de 21 anos de experiência no setor jurídico, especialmente nas áreas de seguros e saúde suplementar, Rodrigo Augusto também possui MBA Executivo em Seguros e Resseguros e Pós-Graduação em Direito Administrativo. Com passagem por empresas como Allianz, Tokio Marine, QBE, MetLife e AllSeg, sua trajetória inclui a liderança de equipes jurídicas, a implementação de áreas de Ouvidoria e Compliance, além da atuação como professor e membro de comissões jurídicas do setor, como Abramge e Fenasaúde.
Em um momento de instabilidade econômica e mudanças profundas na forma como os brasileiros lidam com planejamento financeiro, a Alper Seguros dá um passo importante em sua estratégia de expansão e inovação, participando do XXVI Congresso Nacional do Ministério Público, que acontece de 11 a 14 de novembro, em Brasília (DF), e apresentando ao mercado uma nova etapa de atuação, marcada pela integração entre tecnologia, bem-estar e proteção financeira personalizada.
No estande da Alper, os visitantes poderão conhecer o portfólio JustVida, linha de produtos desenhada para oferecer proteção e tranquilidade financeira de forma simples e flexível. O JustVida nasce com o propósito de aproximar o seguro da vida real — com planos ajustáveis, coberturas personalizadas, inclusive com indenizações em vida — sem abrir mão da atenção humana.
Após incorporar a Siena, uma empresa com ampla experiência em seguros de pessoas, a corretora — uma das maiores do país — fortalece sua presença nos segmentos de vida, previdência e benefícios corporativos, combinando a solidez de uma operação nacional com a expertise da empresa incorporada em soluções sob medida para diferentes perfis de clientes, além de apólices por adesão em entidades de classe.
“Mais do que unir estruturas, estamos integrando culturas e visões de cuidado. Nosso foco é entregar soluções que acompanhem a jornada das pessoas e garantam estabilidade em tempos de incerteza”, afirma Antônio Marcos, diretor de seguro de vida da da Alper Seguros.
Um movimento estratégico de consolidação
A incorporação da Siena foi a quarta aquisição da Alper em 2025, consolidando a estratégia da empresa de ampliar o acesso a soluções de proteção e previdência em um país onde menos de 20% da população economicamente ativa possui seguro de vida. Com mais de 1.200 colaboradores e presença nacional, a Alper tem diversificado seu portfólio por meio de aquisições e da expansão de sua plataforma digital, voltada tanto para empresas quanto para clientes individuais.
Essa integração marca também um novo posicionamento da companhia: promover a cultura da prevenção e da segurança financeira como pilares de bem-estar e sustentabilidade.
“Falar de seguro é falar de autonomia e tranquilidade. Queremos ajudar o brasileiro a planejar o amanhã com a mesma confiança com que vive o hoje”, destaca o executivo.
Serviço
📅 De 11 a 14 de novembro de 2025
📍 XXVI Congresso Nacional do Ministério Público – Brasília (DF)
“Meu desejo político, de uma perspectiva de adaptação, é que paremos de construir coisas que sabemos que não serão o que precisamos nos próximos 20, 30, 40 anos.” A afirmação de Amy Barnes, líder global de Clima e Sustentabilidade da Marsh McLennan, deu o tom do painel “Showcasing the Role of Insurance in Unlocking and Accelerating Climate Finance”, promovido pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) e pela City of London, nesta terça-feira (11), na Casa do Seguro, durante a COP30, em Belém (PA).
A sessão reuniu representantes de seguradoras globais e liderança do governo do Reino Unido para discutir como o seguro pode se consolidar como peça-chave na transição para uma economia de baixo carbono, destravando o financiamento climático por meio da redução de riscos e da mobilização de capital privado.
Na abertura do painel, Luciana Dall’Agnol, superintendente de Sustentabilidade da CNseg, destacou que a realização da COP30 no Brasil, no coração da Amazônia, reforça o papel estratégico do setor de seguros na construção de um futuro sustentável. “O seguro não se trata apenas de cobrir perdas e prejuízos. Nós viabilizamos transformações na sociedade. O seguro é uma peça fundamental para destravar o financiamento sustentável, reduzindo riscos, atraindo capital privado e transformando ambição climática em oportunidades de investimento”, afirmou.
Ela ressaltou que, em todo o mundo, cresce o reconhecimento de que o seguro deve se tornar o terceiro pilar do sistema de financiamento climático, ao lado do crédito e do investimento, por oferecer estabilidade e mecanismos de transferência de risco que tornam a transição verdadeiramente financiável. No Brasil, acrescentou, esse papel ganha relevância especial em setores estratégicos como soluções baseadas na natureza, bioeconomia, energia renovável e combustíveis de baixa emissão.
Moderado por Simi Shah, diretora de Política e Inovação da City of London Corporation, o painel reuniu experiências concretas de inovação em seguros que estão contribuindo para viabilizar projetos de transição e ampliar a adaptação climática.
Barnes apresentou uma estrutura desenvolvida em parceria com a Iniciativa de Mercados Sustentáveis, criada em 2019 pelo então Príncipe Charles, que mapeia riscos enfrentados por projetos de transição desde a fase de planejamento até o descomissionamento. Segundo Barnes, muitos investimentos não chegam à decisão final por não estarem suficientemente “desarriscados”.
A proposta é identificar, de forma prática, em que etapas o seguro pode atuar para mitigar riscos estratégicos, financeiros, operacionais e geopolíticos, e quando outras ferramentas, como contratos, parcerias públicas ou filantropia, podem ser mais adequadas. Entre os exemplos citados, estão soluções paramétricas que garantem receitas de projetos de energia solar e eólica e seguros de crédito adaptados para veículos de propósito específico, viabilizando a capacidade de financiamentos de projetos de transição.
Em seguida, Rachel Delhaise, chefe de Sustentabilidade da Convex Insurance, apresentou uma solução, desenvolvida no Reino Unido, de seguro para projetos de captura e armazenamento de carbono. A cobertura foi determinante para viabilizar dois grandes empreendimentos de infraestrutura de carbono, um no nordeste e outro no noroeste do país.
O contrato, desenvolvido em colaboração com outras seguradoras e um corretor, incluiu proteção contra riscos físicos, responsabilidade civil, perda de receita e um componente de contenção de vazamento de carbono com duração de dez anos, o que permitiu a emissão de licenças e decisões finais de investimento. O projeto, resultado de uma parceria público-privada, tornou-se referência internacional em inovação e colaboração entre setor público, setor privado e mercado segurador.
Tobias Grimm, cientista-chefe de Clima e líder de Consultoria Climática da Munich Re, destacou que o crescimento das perdas por desastres naturais é impulsionado, sobretudo, pela ocupação de áreas de alto risco, e defendeu políticas de zoneamento público que orientem o desenvolvimento urbano e reduzam a vulnerabilidade. Já a conselheira científica-chefe do governo do Reino Unido, Dame Angela McLean, reforçou a importância da colaboração entre governos, seguradoras e centros de pesquisa climática.
Segundo McLean, a integração entre a expertise do setor segurador em análise de risco e a capacidade do sistema científico em modelagem climática pode resultar em previsões mais precisas, melhor precificação e políticas públicas mais efetivas. Ela defendeu que a adaptação climática seja vista não somente como um custo, mas como uma oportunidade de geração de prosperidade, inovação e crescimento econômico.
Durante o debate, os participantes convergiram em torno de uma mensagem: a adaptação climática depende de coerência regulatória, inovação em seguros e estabilidade de compromissos governamentais. Delhaise defendeu que os governos mantenham e ampliem suas metas climáticas, oferecendo segurança aos investidores e estabelecendo limites de carbono na construção civil. Grimm destacou a importância de arranjos de compartilhamento de risco entre o setor público e o privado, por meio de mecanismos em que governos e bancos multilaterais assumam a primeira parcela de perdas, permitindo que o mercado privado amplie sua atuação em regiões mais vulneráveis.
O painel evidenciou que, mais do que um instrumento de proteção, o seguro é um agente ativo na construção de resiliência climática e na mobilização de capital verde. Ao integrar ciência, inovação financeira e políticas públicas, o setor tem se posicionado como um vetor de confiança e viabilidade para a economia de baixo carbono. Essa convergência de propósitos, expressa na Casa do Seguro durante a COP30, reforça o protagonismo do mercado segurador na agenda global de adaptação e financiamento climático, um papel que o Brasil, por sua relevância ambiental e econômica, está cada vez mais preparado para exercer.
Durante a Cop30, a corretora global Howden, especializada em seguros de alta complexidade, lançou um relatório inédito, em parceria com o Boston Consulting Group (BCG) e com o High-Level Climate Champions, que mostra como a ausência de seguros impede o avanço de soluções sustentáveis no campo. A transição para a agricultura regenerativa no Cerrado, no Brasil, representa uma oportunidade de investimento de US$55 bilhões até 2050, dos quais mais de 80% dependem de financiamento puramente privado. E o seguro é fundamental para desbloquear esse investimento.
Os sistemas agroalimentares estão sob crescente pressão devido aos riscos climáticos, à degradação do solo e ao aumento da demanda global. Atualmente, o setor agroalimentar atrai apenas 7% dos fundos globais de financiamento climático, e menos de um quinto desses recursos chega aos pequenos produtores rurais, o que limita a adoção de práticas sustentáveis em larga escala1. De acordo com o documento, para atingir as metas climáticas e de biodiversidade, garantindo ao mesmo tempo a segurança alimentar, a agricultura regenerativa e o reflorestamento precisam ser ampliados drasticamente.
“A transição dos sistemas alimentares globais exigirá entre US$250 e 430 bilhões anualmente. No entanto, agricultores continuam desprotegidos e sem acesso a crédito, enquanto o mercado financeiro está mais seletivo em liberar capital, principalmente porque catástrofes climáticas colocam em risco o retorno do investimento. No Brasil, 48% dos agricultores justificam a falta de financiamento para a adoção de práticas regenerativas2. O seguro tem o poder catalisador para mudar esse cenário. Ao compreendermos e incorporarmos soluções de seguro desde o início — especialmente em reflorestamento, agricultura regenerativa e cadeias de valor agroecológicas —, podemos transforme capital estagnado em oportunidades de investimento e concretizar todo o potencial dessas transições”, destaca Antônio Jorge Rodrigues, Head de Resseguros de Contratos da Howden Re Brasil, braço global de resseguros e consultoria estratégica da Howden.
Potencial brasileiro
Embora o desafio seja global, o relatório destaca que poucos países têm tanto peso quanto o Brasil quando se trata de agricultura regenerativa e segurança alimentar. A região do Cerrado é uma potência global em alimentos, responsável por mais de 25% da soja mundial, 6% da carne bovina, 27% da cana-de-açúcar e 6% do milho3. Os biomas do Cerrado e da Amazônia, que juntos somam mais de 50 milhões de hectares, são descritos como fundamentais para a estabilidade climática e a oferta global de alimentos.
A transição de seus modelos produtivos para práticas regenerativas representa, segundo o BCG, uma oportunidade de investimento superior a US$92 bilhões, com retorno projetado de 15% a 29% até 2050 e benefício direto para mais de 600 mil agricultores. O potencial climático também é expressivo: 210 milhões de toneladas de CO₂ e emissões evitadas até meados do século.
Seguro como infraestrutura da transição climática
Apesar desse potencial, os riscos climáticos, regulatórios e financeiros seguem amplamente desprotegidos. O relatório defende que o seguro seja reposicionado como infraestrutura essencial da transição climática. “Com as soluções corretas implementadas, seguros não serão vistos como um custo, mas como um catalisador, apoiando financiadores e formuladores de políticas, bem como o setor privado em geral, na promoção de uma transição inclusiva e resiliente”, destaca Dan Ioschpe, Climate High-Level Champion da COP30.
Neste contexto, o relatório apresenta exemplos de inovação já em curso. “Os primeiros resultados já demonstram o impacto potencial dos seguros em diversas escalas: desde a aceleração de projetos de financiamento para a transição, avaliados entre US$ 3 e 5 bilhões, até centenas de milhões de dólares em financiamentos para reflorestamento e sistemas agroflorestais, viabilizados por soluções de seguros, além de produtos de índice climático que já pagaram milhões em indenizações aos agricultores”, complementa Dan Ioschpe.
Impactos da falta de cobertura
Na América Latina, a situação é desafiadora: 65% dos pequenos produtores não têm acesso a crédito, conforme os autores. E quem adota práticas regenerativas costuma enfrentar perda de rentabilidade entre 15% e 25% nos primeiros anos da transição, elevando o risco de inadimplência2.
O impacto da ausência de seguros também é sentido em economias avançadas. Anterior estudo da Howden4, encomendado pelo Banco Europeu de Investimento, as perdas agrícolas ligadas ao clima já somam €28 bilhões por ano na União Europeia e podem chegar a €40 bilhões anuais até 2050, mesmo em cenários moderados de aquecimento global.
“O seguro é o elo perdido da transição climática. Ele redistribui o risco, atrai capital e permite que mudanças reais ganhem escala. A transição para a agricultura regenerativa representa uma das maiores e mais importantes realocações de capital que veremos na próxima década”, conclui Antônio Jorge Rodrigues.
A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser promessa para se tornar um divisor de águas na transformação do seguro, segundo palestras sobre o impacto da inteligência artificial no seguro e uma visão de futuro”, tema central da sétima edição do CQCS Inovação 2025, realizado nos dias 11 e 12 de novembro, em São Paulo. Executivos das principais seguradoras do país mostraram como a tecnologia está moldando o presente e o futuro da indústria, com ganhos de eficiência, novos modelos de negócio e o desafio de preservar o toque humano.
Um relatório da McKinsey & Company apontou que empresas que aplicam IA na otimização de processos têm visto uma redução média de 50% no tempo de execução de tarefas e uma melhora de 40% na eficiência operacional. Por outro lado, 90% dos investimentos em inovação não tiveram o sucesso esperado, o que faz a decisão de apostar em tecnologias algo mais centrado, pensando e avaliado com precisão e discernimento, avaliam os executivos.
Eduardo Dal Ri: IA com propósito e segurança
Para Eduardo Dal Ri, CEO do Grupo HDI, a IA precisa demonstrar benefícios reais e mensuráveis. “Desde o começo, fui um entusiasta em relação ao uso da Inteligência Artificial aqui no Grupo HDI e temos trabalhado com o letramento em IA e com soluções em diversas áreas internas e de atendimento ao cliente que ampliam a nossa eficiência, qualidade de entrega e valor para os nossos segurados, colaboradores, corretores e parceiros de negócio. Ainda temos um longo caminho a percorrer, mas já estamos entusiasmados com os primeiros resultados”, contou em sua fala.
“A priorização da inteligência artificial é dinâmica. Ela tem de gerar retorno concreto, como aumento do NPS e ganho de eficiência profissional”, disse. Segundo ele, 99% das seguradoras globais já pensam em IA, mas apenas 7% conseguiram implementar soluções em escala até 2024. No Brasil, o uso cresce rapidamente — o país já é o terceiro maior em adoção de IA, atrás apenas de EUA e Índia. Na HDI, as aplicações estão concentradas em sinistros, operações, prevenção a fraudes e call centers. “A pessoa não será atendida por IA, mas ela agiliza o primeiro contato. O atendimento humano virá mais resolutivo e empático”, destacou. Dal Ri também defendeu a união das seguradoras no combate a fraudes por meio da troca de modelos matemáticos e bases de dados compartilhadas.
Paulo Kakinoff: eficiência e hiperpersonalização
Paulo Kakinoff, CEO do Grupo Porto, comparou a revolução da IA à soma de todas as inovações das últimas três décadas. “A ferramenta de IA é tão poderosa que resultará em eficiência equivalente à soma dos últimos 30 anos”, afirmou. Para ele, o verdadeiro salto de disrupção ocorre agora porque o custo se tornou acessível. “Hoje, transcrevo todas as minhas ligações e obtenho insights imediatos. Antes levava semanas para entender o problema. Isso muda a gestão”, contou. Kakinoff destacou três eixos: eficiência operacional, desafios da fraude digital e hiperpersonalização dos produtos.
“A IA permitirá precificar o risco para cada indivíduo, eliminando deficiências de análise e ampliando a inclusão”, disse. Mas alertou: “Não é gratuita. É cara. Se não estiver a serviço do negócio, é apenas custo adicional”.
Sobre o horizonte deste aprendizado. Kakinoff acredita em muitos desafios. Se a Meta, que é dona do WhatsApp, uma das empresas de capital aberto mais capitalizada no mundo, ainda não conseguiu nos entregar uma transcrição das mensagens com uma grafia e entendimentos corretos, imaginem as outras empresas que não tem”, avaliou.
Helder Molina (MAG): estratégia e discernimento
Representado por Gustavo Doria, o CEO do Grupo MAG, Helder Molina, trouxe um alerta: a adoção da IA sem estratégia é “anabolizante empresarial”. “Estamos entrando na era da inteligência como serviço, com soluções para todo tipo de problema. Mas aplicar IA sem discernimento estratégico é comprometer o coração do negócio”, afirmou. Para Molina, a liderança deve equilibrar ceticismo e otimismo. “Temos a chance de desenhar a próxima era da indústria de seguros”, concluiu.
Governança, empatia, cuidado e o retorno ao humano
A diretora de Gente e Cultura da Porto, Patrícia Coimbra, lembrou que a IA é poderosa, mas não substitui o elemento humano. “A complexidade das relações do nosso negócio só as pessoas podem cuidar”, disse. Com consultores internacionais — um baseado na China e outro no Vale do Silício —, a Porto estuda as diferentes trajetórias de adoção global. “Na China, a IA virou parte do processo, mas muitos consumidores já pedem o humano de volta. É uma tendência que combina com o perfil brasileiro”, observou.
Na Bradesco Seguros, a IA está sendo implantada de forma transversal, com foco em empatia, explicou Valdirene Secato, diretora de Recursos Humanos, Universeg, Sustentabilidade e Ouvidoria. “Ela precisa estar a favor de cuidarmos das pessoas — colaboradores, corretores e clientes. É um presente da área de inovação, mas cabe a nós garantir que seja usada com humanidade”, afirmou.
Gui Marback ressaltou que as máquinas e as inovações não vieram para substituir os humanos. “Elas vieram para nos provocar sobre o quanto estamos efetivamente dando atenção àquilo que é humano”, pontuou Marback. “A inteligência artificial assume o papel de ferramenta, e nós [assumimos] o papel da consciência”, completou o consultor.
Ney Dias: IA para eficiência e crescimento
O CEO do Grupo Bradesco Seguros, Ney Dias, apresentou aplicações práticas voltadas à eficiência operacional e à expansão do mercado. “A IA pode reduzir as tarefas operacionais do corretor de 50% para 30% do tempo, liberando-o para se relacionar com clientes e buscar novas oportunidades”, explicou. Segundo ele, a ferramenta já acelera regulações e processos internos, e será fundamental para atingir a meta de elevar a penetração do seguro no PIB de 6% para 10% até 2030. “Investir em IA não é mais futuro, é presente”, reforçou.
Ariel Couto: amplificar, não substituir
O presidente da MDS, Ariel Couto, defendeu a IA como amplificadora da capacidade humana. “Ela libera até 70% do tempo de tarefas rotineiras, mas exige controle humano — a IA ainda alucina e pode cometer erros graves”, afirmou. Na MDS, resultados concretos já aparecem: processos de conciliação financeira ficaram dez vezes mais rápidos, e as análises de M&A reduziram 85% do tempo. “A meta é democratizar a IA em toda a companhia. Cada colaborador precisa desenvolver pelo menos uma aplicação prática”, contou.
Pottencial: AI desenvolve a minuta da apólice instantaneamente
Na Pottencial Seguradora, por exemplo, a aplicação de IA está focada em automatizar tarefas operacionais e acelerar processos do dia a dia dos corretores. De acordo com Geo Neto, o objetivo é simplificar a jornada e reduzir etapas manuais. “Para um corretor que chega à Pottencial precisando enviar documentos em anexo, ele pode simplesmente enviar o e-mail com o anexo e a IA fará a leitura e desenvolve instantaneamente uma minuta de apólice com toda a aplicabilidade, além de permitir mensuração de resultados”, comentou João Geo Neto, CEO da Pottencial Seguradora. Além disso, a companhia oferece recursos que aceleram o trabalho dos times e sustentam sua estratégia de digitalização. A Pottencial conta com uma estrutura tecnológica robusta, com mais de 30% do quadro de colaboradores dedicado à área de tecnologia, e vem adotando ferramentas como o GitHub Copilot para aumentar eficiência e velocidade no desenvolvimento.
Fábio Leme: tecnologia com empatia
Para o VP de Linhas Pessoais da Zurich Seguros, Fábio Leme, o futuro do seguro passa pela combinação entre tecnologia e empatia. “Sessenta por cento dos consumidores pagam mais por empresas que demonstram empatia. A tecnologia precisa ser humana para gerar confiança”, destacou, citando pesquisa global. Leme revelou que a Zurich já possui cerca de 70 soluções com agentes de IA e deu como exemplo o seguro celular, com 65% dos sinistros resolvidos sem intervenção humana. “Mesmo assim, o consumidor prefere acreditar que há uma pessoa por trás do processo. A empatia continua essencial”, completou. Outra iniciativa é o Climate Spotlight, ferramenta que usa IA e dados climáticos históricos para projetar riscos de eventos extremos, como enchentes, vendavais e ciclones, em diferentes regiões do Brasil e do mundo. A solução ajuda grandes empresas a antecipar cenários e tomar decisões estratégicas de prevenção e gestão de risco.
Adilson Lavrador: IA como ferramenta, não panaceia
O diretor-executivo da Tokio Marine, Adilson Lavrador, reforçou que a IA deve ser aliada, não solução mágica. “Grande parte das iniciativas falha por má aplicação. É preciso usar onde realmente agrega valor, sem reinventar processos que já funcionam bem”, alertou. A Tokio criou uma “Semana da IA” para disseminar conhecimento entre áreas e lançou um programa de capacitação para corretores. “Nosso papel é ensinar a pescar, não entregar soluções prontas”, disse. Para Lavrador, o futuro passa pela criação de produtos personalizados e modelos de negócio inovadores apoiados na IA.
Patrícia Chacon: personalização e transformação cultural
A futura CEO da Porto Seguro, Patrícia Chacon, que assume o cargo em 2026, destacou que a IA deve resolver problemas humanos reais. “Ela é um meio para encantar pessoas, não um fim em si”, disse. Entre os aprendizados da Porto, ela apontou três pilares: resolver dores humanas, escolher casos de uso estratégicos e promover uma transformação cultural. “No começo, os reguladores de sinistro temiam perder o emprego. Hoje dizem que ganharam qualidade de vida. A IA os libera para focar no que chamamos de ‘magia da negociação’”, afirmou. “Quando pensamos em soluções de IA com toda essa grande inovação, não podemos esquecer que a IA não é o fim. A IA é um meio para fazermos aquilo que sempre fizemos: encantar pessoas da melhor forma”. Resumindo, ficou claro que a Inteligência Artificial já é uma aliada indispensável do setor, mas seu sucesso depende de algo que nenhuma máquina é capaz de replicar: o propósito humano. Entre algoritmos, eficiência e personalização, os líderes do seguro convergem em uma mesma direção — a de que o futuro da indústria será moldado por quem souber combinar tecnologia com empatia, dados com ética e inovação com propósito.
IA e parcerias digitais
O VP Comercial da MetLife, Marcelo Tomei, apresentou o projeto Xcelerator, que expandiu o alcance da seguradora com parcerias em bancos digitais, varejo e administradoras de cartões. “Precisamos criar soluções conjuntas, não apenas vender produtos. Em dois anos, já conectamos 20 parceiros e 20 milhões de clientes”, afirmou. A IA, segundo ele, ajuda a testar e aprimorar continuamente essas jornadas. “Com toda a transformação digital que aconteceu no país, a gente tem investido muito em inovação e tecnologia para levar o seguro às pessoas, levando a venda por comodidade dentro da jornada e do momento de vida do cliente, por meio dos nossos parceiros”, pontuou Tomei.
Marcelo Sayeg, do C6, destacou que a troca proporcionada durante a conversa foi muito interessante. “Falamos bastante de venda por comodidade voltada para o corretor de seguros e sobre como as ferramentas de tecnologia podem ser aplicadas para tornar a vida do corretor mais fácil, sobrando mais tempo para ele, oferecendo uma melhor oferta de produtos ao cliente final e trazendo produtos novos, o que facilita ainda mais o seu dia a dia”, disse Sayeg.
Solon Barreto, da Alba Seguradora, ressaltou que a experiência foi bacana e enriquecedora. “O tema vai muito além de um diferencial de uma companhia seguradora ou de alguma operação comercial: falamos sobre inclusão”, esclareceu. “Tenho certeza de que a venda por comodidade contribuiu para a inclusão de novos consumidores e vem impulsionando uma grande revolução no nosso mercado”, concluiu Barreto.
IA como meio, não como estratégia final
Marcus Vinícius de Oliveira, CEO da Wiz Co, afirmou que tem observado como as gerações, novas e mais antigas, interagem com a tecnologia. “Em uma ponta, temos a geração Z, que pensa de forma muito diferente. É uma geração obcecada por inovação, por informação e por mais conhecimento. Do outro lado, temos a população 65+, que vai representar 30% da população até 2050 e movimenta 3,8 trilhões de reais por ano. Ela também usa tecnologia e precisa de serviços que facilitem o dia a dia”, explicou Marcus Vinícius.
O executivo fechou sua fala chamando atenção para o uso consciente e estratégico da IA: “A IA não é a solução mágica, não vai resolver todos os problemas das empresas. É uma ferramenta que precisa ser bem estudada e aplicada para que, realmente, faça diferença e traga resultados. Na Wiz Co, preferimos testar com calma e aos poucos para que possamos entregar o que de melhor a IA tem a oferecer para o setor de seguros”, finalizou o CEO.
Luciano Soares: AI reduz em até 85% o tempo gasto na cotação de produtos
“O seguro nasceu do mutualismo, da ideia de que a proteção individual fortalece o coletivo. A inteligência artificial representa uma nova etapa dessa história: ela amplia nossa capacidade de compreender cada pessoa e, com isso, proteger melhor o conjunto. Na Icatu, vemos a IA como uma ferramenta que potencializa nossa missão de proteger vidas. Fazemos isso ao preservar o olhar humano que está no centro da nossa atividade. É sobre esse equilíbrio entre inovação e propósito que queremos abordar no painel do CQCS”, afirma Luciano Soares, CEO da Icatu Seguros. Uma das mais inovadoras iniciativas da Icatu nesse sentido foi a A.V.I., assistente virtual atualmente disponível para corretores, que usa IA para gerir a carteira de clientes e dar suporte no processo de venda na palma da mão, via WhatsApp. Além de auxiliar na interação com clientes a partir da recomendação de mensagens personalizadas, a iniciativa reduz em até 85% o tempo gasto na cotação de produtos de vida. “No passado, o grande valor do corretor estava na informação que ele detinha. Hoje, na era da IA e da informação abundante, seu verdadeiro valor vai além de transformar dados em proteção. A tecnologia amplia as possibilidades, mas é a sensibilidade humana que transforma informação em cuidado. A nossa ferramenta de IA foi criada para que o corretor possa dedicar a maior parte do seu tempo à escuta ativa e ao relacionamento com o cliente”, complementa Luciano.
A SulAmérica encerrou o terceiro trimestre de 2025 com desempenho positivo, impulsionado pela expansão de sua base de beneficiários e pela melhora dos indicadores operacionais. A receita líquida da operadora de saúde e odontologia atingiu R$ 8,5 bilhões entre julho e setembro, um crescimento de 10,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O número total de beneficiários chegou a 5,7 milhões, avanço de 10,1% no comparativo anual. No segmento de saúde, a companhia registrou 3,1 milhões de segurados, alta de 9% em um ano, com acréscimo líquido de 256 mil vidas. Já em odontologia, o total de beneficiários subiu 11,5%, para 2,6 milhões.
O Ebitda somou R$ 564,8 milhões no trimestre, um crescimento de 57,8% sobre o mesmo período de 2024. No critério ajustado, o indicador ultrapassou R$ 1 bilhão, alta de 68,1%, refletindo a melhora no índice de sinistralidade. A sinistralidade consolidada recuou para 80,1%, queda de 2 pontos percentuais na comparação anual e de 1,3 p.p. em relação ao segundo trimestre deste ano.
“Seguimos uma trajetória de eficiência e disciplina, com despesas extremamente controladas. Tanto agora, no fim de 2025, quanto na agenda de 2026, nosso principal objetivo é continuar crescendo com sustentabilidade e rentabilidade”, afirmou Raquel Reis, CEO da SulAmérica Saúde e Odonto.
As despesas gerais e administrativas totalizaram R$ 366,4 milhões no trimestre, aumento de 12,9% frente ao mesmo período de 2024, o que representa 4,3% da receita líquida.
Segundo Raquel Reis, a melhora da sinistralidade é resultado de um trabalho contínuo iniciado em 2022 e 2023, com foco em ações de longo prazo voltadas à eficiência e à qualidade da gestão de saúde.
Com quase 130 anos de história, a SulAmérica consolida-se como uma das principais operadoras do país, com atuação em saúde, odontologia, vida, previdência e investimentos, atendendo mais de 6,8 milhões de clientes e apoiada por uma rede de mais de 37 mil corretores em todo o Brasil.
O mercado segurador brasileiro faturou, no acumulado de janeiro a agosto, R$ 145,7 bilhões, avanço de 7,1% sobre o mesmo período de 2024. Apenas em agosto, dado mais recente do setor, foram R$ 19 bilhões de prêmios emitidos em seguros. É o que mostra análise divulgada pelo IRB+Inteligência, plataforma de dados do IRB(Re).
Nos oito primeiros meses de 2025, as seguradoras destinaram R$ 20 bilhões ao resseguro, crescimento de 11% em relação ao mesmo período de 2024. O lucro líquido acumulado também teve alta de 11% frente ao mesmo intervalo do ano anterior e somou R$ 26,4 bilhões.
Ainda de acordo com o Boletim IRB+Mercado, em agosto, o mercado segurador cresceu 4,9% no comparativo com o mesmo mês de 2024, com destaque para o segmento Corporativo de Danos e Responsabilidades, que registrou a maior variação: 13,5%. Já o segmento Rural reduziu em 25,3% o faturamento, a quinta retração do ano.
Em agosto, a sinistralidade do mercado recuou 3,4 pontos percentuais (p.p.) frente ao mesmo mês de 2024, devido, principalmente, à redução nos sinistros ocorridos na linha de negócio Aeronáuticos. No acumulado do ano, a taxa encerrou em 40,9%, abaixo dos 43,7% registrados no mesmo período de 2024.
Corporativo de Danos e Responsabilidades Com faturamento no mês de R$ 3,3 bilhões, Corporativo de Danos e Responsabilidades registrou a maior alta de agosto, de 13,5%, impulsionada, sobretudo, pela linha de negócio Petróleo. No acumulado do ano, o segmento avançou 8,3%, resultado, principalmente, do bom desempenho dos seguros habitacional e riscos diversos. Quanto à sinistralidade, o índice recuou de 52% para 41% no acumulado de 2025.
Em agosto, com faturamento de R$ 1,2 bilhão, o segmento de seguros rurais registrou retração de 25,3% frente a agosto de 2024. No acumulado do ano, a queda foi de 7,4%. A sinistralidade acumulada recuou 2,9 p.p., encerrando em 33,3%, nível mais baixo para o período desde o início da série histórica, em 2014.
O segmento de seguros de vida, que responde por 35% do mercado, registrou faturamento no mês de R$ 6,9 bilhões. Em agosto, o segmento variou 10,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior, impulsionado pelas coberturas de vida (16,4%) e prestamista (9%). No acumulado do ano, o setor progrediu 8,4%. A sinistralidade total recuou 1,6 p.p., encerrando os oito primeiros meses do ano em 27,8%.
Automóvel cresceu 2,3% em comparação ao mesmo mês de 2024, mantendo-se entre os principais responsáveis pelo avanço do mercado. No acumulado de janeiro a agosto, o aumento foi de 5,4%. O faturamento no mês foi de R$ 5,3 bilhões enquanto a taxa de sinistralidade permaneceu estável em 59,4%, mantendo o mesmo nível observado desde 2023 para o período.
Com crescimento de 10,8% em relação ao mesmo mês de 2024 e faturamento de R$ 1,6 bilhão em agosto, seguros individuais contra danos encerrou os oito meses do ano com a sinistralidade em 28,2%. No acumulado do ano, o segmento teve evolução de 12,1%, tracionada pelos seguros compreensivos residencial e empresarial.
No oitavo mês do ano, o segmento de crédito e garantia retraiu 5% frente ao mesmo mês de 2024 e registrou faturamento de R$ 627 milhões. No entanto, no acumulado do ano, a variação foi a maior do período: 17,4%, com destaque para o desempenho do seguro garantia segurado – setor público (26,5%). No mesmo período, a sinistralidade atingiu 46,2%, aumento de 23,9 p.p..
A Casa do Seguro, em Belém, foi palco na tarde de 10 de novembro da “COP30 Global Sustainable Insurance Summit: Dia da Segurabilidade, Inclusão e Resiliência”, evento promovido pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) e pela Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP-Fi).
O encontro reuniu lideranças internacionais para discutir o papel estratégico do setor de seguros na construção de uma economia mais resiliente, inclusiva e sustentável diante das mudanças climáticas.
Compromisso de longo prazo com a sustentabilidade
O presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, destacou a longa trajetória do mercado brasileiro na agenda de sustentabilidade e sua parceria com a ONU. “O Brasil foi um dos primeiros países a aderir aos Princípios para Seguros Sustentáveis (PSI), em 2012, e o primeiro a integrar o Fórum de Transição de Seguros para Net Zero (FIT)”, lembrou.
Dyogo ressaltou que o encontro simboliza a consolidação de uma relação “de longo prazo e muito frutífera” com o UNEP-Fi e reforçou o papel do seguro como instrumento essencial de proteção social. “Precisamos ampliar as soluções e as parcerias público-privadas para enfrentar os impactos das mudanças climáticas e reduzir o gap de proteção”, afirmou.
O head de Seguros da ONU, Butch Bacani, celebrou a parceria com o Brasil e o retorno do debate global de sustentabilidade ao país onde os PSI nasceram. “O movimento global de seguros sustentáveis nasceu nas praias de Copacabana e Ipanema. Voltar ao Brasil é como voltar para casa”, disse, em tom bem-humorado.
Do Rio a Belém: os marcos da sustentabilidade em seguros
O primeiro painel resgatou a evolução do setor desde a Rio+20, quando foram lançados os Princípios da ONU para Seguros Sustentáveis. O CEO da Bradesco Seguros, Ivan Gontijo, destacou o protagonismo do setor brasileiro e o papel da Casa do Seguro como “um verdadeiro hub de ideias e soluções para proteção da sociedade”.
“Nosso mercado tem a missão de transmitir segurança e amparo a todas as camadas sociais. Falar de sustentabilidade é falar também de inclusão e proteção das pessoas”, afirmou. Gontijo apontou quatro pilares de atuação do grupo: engajamento com pessoas, educação financeira, negócios sustentáveis e cuidado com o meio ambiente e as mudanças climáticas.
Para o dirigente, a resiliência do setor após a pandemia comprova seu papel estratégico. “O setor de seguros mostrou-se o mais resiliente e adaptável às necessidades da sociedade. Nosso compromisso com a sustentabilidade é permanente e essencial para comunidades mais inclusivas e resilientes”, concluiu.
Butch Bacani completou ressaltando que o Brasil tem sido um “pilar de liderança global” na construção da agenda de seguros sustentáveis. “Quando o mundo precisou de apoio, o Brasil sempre respondeu: venham, nós daremos suporte”, disse.
A urgência da ação
A presidente da European Climate Foundation, Laurence Tubiana, defendeu que o tema dos seguros ocupe posição central na agenda climática global. “Os prêmios estão subindo e alguns produtos estão desaparecendo. O risco climático deixou de ser futuro e passou a ser presente”, alertou.
Tubiana destacou que o seguro é um pilar democrático e social: “Quando as pessoas perdem o direito de se proteger, perdem também a confiança nas instituições. Precisamos de uma abordagem sistêmica para reduzir desigualdades e fortalecer a resiliência.”
O desafio da segurabilidade em todas as regiões geográficas
Moderado por Butch Bacani, o segundo painel reuniu lideranças globais para debater como enfrentar o aumento do risco climático e a ampliação da lacuna de proteção.
O presidente da Zurich Insurance Group, Michel Liès, lembrou que 60% das perdas climáticas no mundo ainda não são seguradas. “Resiliência não é política, é uma necessidade. Precisamos participar do planejamento público e garantir financiamento prévio para a prevenção. Juntos, governos e seguradoras podem criar soluções mais eficientes e humanas”, afirmou.
Da Aviva Group, a diretora de Sustentabilidade Claudine Blamey defendeu uma visão sistêmica e integrada: “Sustentabilidade está no centro da nossa estratégia. Liderança é menos conversa e mais ação. Criamos coalizões no Reino Unido para mitigar riscos de inundação e desenvolver soluções baseadas na natureza.”
Representando a sociedade civil, Aaron Vermeulen, líder global da prática financeira da WWF International, reforçou que as soluções naturais são essenciais para reduzir riscos. “Mitigação climática e investimento em soluções baseadas na natureza são as melhores estratégias para governos e reguladores. Precisamos substituir o cinza pelo verde”, afirmou.
A presidente da European Climate Foundation, Laurence Tubiana, destacou que “o setor de seguros tem uma visão de futuro que os economistas não têm” e convocou os participantes a “falar mais alto e colocar o risco climático no centro das decisões políticas e econômicas”.
O presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, também participou do debate, enfatizando a necessidade de ampliar a presença do setor nas discussões globais. “É curioso ver que todos na Zona Azul e na Zona Verde falam de risco climático, mas os especialistas em risco não estão participando dessas conversas. Isso é completamente inconsistente”, afirmou.
Dyogo destacou que a agenda de adaptação ganhou força na COP30 e que o setor de seguros está “melhor posicionado para contribuir de forma concreta”. “Acredito que o seguro será reconhecido nos documentos oficiais da Conferência como parte essencial da solução climática”, disse. O presidente da CNseg concluiu sua participação reforçando o engajamento do setor: “Não devemos nos contentar com os resultados da COP. Precisamos ir muito mais longe — e, por isso, aderimos imediatamente à força-tarefa internacional proposta por Laurence Tubiana.”
As estratégias globais de seguros sustentáveis
O terceiro e último painel da tarde, também moderado por Butch Bacani, deu continuidade à discussão focada em mercados emergentes e países em desenvolvimento. Butch Bacani destacou a parceria da UNEP com o Grupo V20 de Ministros das Finanças, que cresceu para mais de 70 ministérios de países em desenvolvimento, representando as nações mais vulneráveis ao clima.
Ele alertou que, coletivamente, os países-membros do V20 perderam 20% de seu PIB nas últimas duas décadas devido a perdas relacionadas ao clima. O foco central do painel foi nas Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs), que compõem até 80% da economia total em mercados emergentes e sofrem com a falta crônica de acesso a seguros.
O CEO de Mercados Internacionais e Membro do Comitê de Gestão do Grupo AXA, Hassan El-Shabrawishi (AXA) destacou a gravidade da crise climática, mencionando que o mundo já ultrapassou 1,5ºC de aquecimento e que o preço da inação é enorme. Ele apresentou a atuação da AXA em três frentes: redução do risco do investimento, que multiplica o capital atraído; seguro inclusivo, que usa tecnologia e parcerias para segurar milhões de clientes em mercados emergentes por uma fração do preço; e investimento em infraestrutura resiliente ao clima, para a qual a AXA já canalizou cerca de sete bilhões de euros. Ele concluiu que a resiliência não é um risco, mas sim “uma escolha e uma oportunidade”.
O assessor da Comissão Executiva da Fidelidade, Tomé Pedroso enfatizou a necessidade de adaptar as soluções de seguro à realidade local, citando o desafio da economia informal no Peru, onde 70% é informal. Ele compartilhou o exemplo de como a Fidelidade desenvolveu uma solução inovadora de seguro contra a COVID-19 no Peru, que foi adotada como obrigatória pelo governo. Tomé também ressaltou que o setor deve ir além do pagamento de sinistros e focar na redução do risco, através da prevenção e do trabalho em conjunto com outras partes interessadas, como médicos e universidades, para enfrentar problemas como o câncer de mama.
A chefe do Conselho Consultivo Global de Risco Climático da AON, Liz Henderson, abordou a mudança na relação entre corretores, seguradoras e clientes, que agora buscam interagir não apenas na renovação ou no sinistro, mas também na prevenção. Ela explicou que a Aon está investindo em engenharia de risco e dados climáticos, como o Climate Risk Monitor, para ajudar os clientes a quantificar e entender como o risco está mudando, de forma que o seguro seja visto como um investimento valioso com um Retorno sobre o Investimento (ROI) claro.
Em resposta às perguntas da plateia, Hassan El-Shabrawishi e Tomé Pedroso, reforçaram a importância da redução de risco e da informação acionável. Butch Bacani encerrou o debate enfatizando que adaptação e redução de emissões não são conceitos concorrentes, mas sim mutuamente reforçáveis, e que a meta do setor deve ser a “prosperidade para todos em um planeta saudável”, sem deixar ninguém para trás.
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