Icatu Seguros é premiada pelo Instituto MESC

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A Icatu Seguros foi reconhecida pelo Instituto MESC como a melhor empresa em satisfação do cliente de 2026 nas categorias Previdência e Capitalização. O reconhecimento parte da avaliação dos próprios consumidores, por meio de pesquisa de satisfação, análise de reputação de marca e metodologia de cliente oculto.

Esta é a sexta vez que a companhia conquista o primeiro lugar no Prêmio MESC, evidenciando o compromisso da Icatu com o relacionamento com seus públicos. Em sua 11ª edição, o Prêmio MESC (Melhores Empresas em Satisfação do Cliente) destaca companhias que se sobressaem na qualidade do relacionamento e da experiência entregue aos clientes.

Ao longo de 2025, a Icatu intensificou sua estratégia de transformação da experiência do cliente, com iniciativas voltadas à evolução das jornadas digitais, ampliação dos autosserviços e modernização da operação de atendimento. As ações contribuíram para ganhos de eficiência e resolutividade, refletidos no aumento de 54% no índice de resolução no primeiro contato (FCR) em 2025, em comparação com 2024, e na evolução da retenção no bot do WhatsApp, que alcançou 85% no primeiro quadrimestre de 2026.

“O reconhecimento reflete a evolução contínua da nossa estratégia de experiência do cliente, combinando tecnologia, eficiência operacional e atendimento humanizado. Em 2025, avançamos fortemente na transformação das jornadas, ampliação dos autosserviços e fortalecimento da cultura centrada no cliente, sempre buscando reduzir esforço, aumentar resolutividade e entregar experiências mais ágeis e acolhedoras” afirma Antonio Nicolella, Diretor de Operações e CRC da Icatu Seguros. 

A premiação também fortalece o posicionamento institucional da Icatu em um contexto de crescente valorização da experiência do cliente como diferencial competitivo no setor de seguros. O evento oficial de premiação será realizado em 1º de setembro, em São Paulo, ocasião em que também serão anunciadas as 100 Melhores Empresas em Satisfação do Cliente do Brasil.

XP Seguridade amplia sua oferta de proteção e oferece seguro viagem da SulAmérica em seu portfólio

A XP avança em sua terceira onda de crescimento, com foco na excelência em servir, e dá mais um passo na integração entre proteção e construção patrimonial. A XP Seguridade, vertical de seguros e consórcio da companhia, amplia seu portfólio de proteção e passa a oferecer o seguro viagem em parceria com a SulAmérica, líder em seguros na América Latina. O produto também está disponível para clientes da Rico. 

A iniciativa faz parte do novo momento de seguridade, pilar relevante na proposta de valor da XP. Mais do que ampliar o portfólio, a novidade reforça a integração de proteção ao planejamento financeiro do cliente. 

“A terceira onda da XP é foco total na excelência em servir o cliente, o que inclui proteger seu patrimônio e sua vida. Somos uma empresa de serviços, e isso exige visão de longo prazo e disciplina na construção de valor”, afirma André Lauzana, CEO da XP Seguridade.  

A solução oferecida aos clientes XP e Rico contempla coberturas para deslocamentos no Brasil e no exterior, com diferentes faixas de proteção e opções adaptadas a variados perfis de viajantes, com planos a partir de R$2,33/dia em viagens nacionais e a partir de R$18,66/dia para viagens internacionais.  

“A SulAmérica vê a proteção financeira de forma estratégica, assim como a XP. Somos uma companhia com uma trajetória consolidada e baseada em cuidado, proteção e proximidade com seus clientes. A parceria reforça nosso posicionamento, tornando o seguro viagem mais acessível e integrado à jornada de quem faz viagens com mais segurança”, afirma Marcelo Mello, CEO da SulAmérica Vida, Previdência e Investimentos. 

A jornada de contratação é totalmente digital e pode ser realizada em quatro etapas pelo aplicativo da XP e Rico, com possibilidade de incluir até dez viajantes em uma mesma contratação. A jornada também permite acompanhar todas as informações da cobertura, como vigência, destino e status, além de acessar diretamente o processo de abertura de sinistros junto à SulAmérica. 

A iniciativa ocorre em um segmento em expansão e a XP Seguridade busca ampliar sua atuação ao conectar proteção a momentos-chave da jornada financeira do cliente e reforçar a oferta de soluções integradas. 

“Nosso objetivo não é a oferta isolada de produtos, mas a construção de soluções que façam sentido dentro da jornada do cliente, conectando investimento, planejamento e proteção em uma mesma experiência. Já oferecemos cartão e conta internacional, câmbio e agora seguro viagem”, conclui Lauzana. 

Além de ampliar o portfólio, o lançamento fortalece a estratégia de aprofundamento do relacionamento com a base, ao incorporar proteção de forma mais estruturada e ampliar o engajamento e o cross-sell. 

O avanço em seguridade reflete a evolução do modelo da XP, cada vez mais orientado a serviço, planejamento financeiro e relação de longo prazo. Ao integrar proteção à jornada do investidor, a XP Seguridade oferece na mesma plataforma uma gama completa de produtos: consórcio, seguro de vida e cartão, previdência, seguro corporativo e empresarial. Com isso, a companhia reforça seu posicionamento e impulsiona a seguridade como um dos principais vetores de crescimento dentro da estratégia de excelência em servir. 

O novo seguro será disponibilizado gradualmente para os clientes da XP e da Rico. A primeira fase de lançamentodo produto nas plataformas da XP e Rico começará em 1º de junho. 

Missão do setor segurador a Londres tem apoio da Guy Carpenter e foco em clima e resiliência

No fim de junho próximo, executivos das principais seguradoras nacionais e internacionais que operam no Brasil embarcam para uma semana de importantes discussões em Londres. A participação ativa do setor na London Climate Action Week faz parte da estratégia para inserção do setor segurador brasileiro nas discussões globais de sustentabilidade e mudanças climáticas da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg).


Para o CEO da Guy Carpenter Brasil, Pedro Farme D’Amoed, patrocinadora da missão internacional pelo terceiro ano consecutivo, o apoio é uma maneira de destacar o Brasil e as soluções do mercado brasileiro no cenário internacional, uma vez que o país é pioneiro em várias coberturas. “Sabemos que é um mercado cada vez mais globalizado, com players internacionais atuando no Brasil em seguro e resseguro e players brasileiros atuando fora do país. Nesse cenário, entendemos também o quanto estamos competindo por capital e atenção para o aporte de recursos para o desenvolvimento do nosso mercado”, destaca. 


Pedro D’Amoed destaca também a importância da troca de experiências entre empresas e entidades internacionais para o crescimento do setor no Brasil, especialmente nas questões relacionadas às mudanças climáticas. “Buscamos aprender com soluções e endereçamentos que seguradoras de outros países realizam, o que é muito importante para que a gente adapte para a realidade brasileira as soluções que o nosso mercado necessita. Como exemplo, temos as soluções de clima: vimos as mudanças climáticas acelerando preocupações de cobertura aqui no Brasil, além do desenvolvimento de produtos novos, como estamos vendo para a área de crédito de carbono, entre outros. Então, estar lá mostrando a força do mercado brasileiro é muito importante para a Guy Carpenter”, avalia.


A missão

A missão conta com três importantes agendas no âmbito da London Climate Action Week (LCAW) que fazem parte da estratégia maior da Confederação, que se iniciou em 2023 com a primeira participação na 28ª edição da Conferência do Clima, em Dubai, e veio ganhando força à medida que as empresas também se engajaram nas discussões.


A primeira agenda é a 2ª edição do Brazil – UK Insurance Forum, em parceria com a Associação Britânica de Seguradoras (ABI), e que tem como propósito fortalecer o intercâmbio de boas práticas e identificar oportunidades de crescimento do setor de seguros do Brasil e do Reino Unido. O fórum busca explorar possibilidades de cooperação, com foco nos impactos econômicos e sociais da transição climática, com destaque para investimentos em infraestrutura que ampliem a resiliência econômica e social dos países. 


Organizado em parceria com o Instituto Clima e Sociedade (ICs), o segundo evento da missão é o fórum “Seguros, Clima e Natureza: Diálogo sobre resiliência e redução de riscos em investimentos sustentáveis”, que teve sua primeira edição durante a COP30, em Belém, na Casa do Seguro. O fórum tem como objetivo reunir especialistas para tratar do atual gap de proteção (diferença entre as perdas econômicas e as perdas seguradas) e o gap de financiamento entre as necessidades de investimento em resiliência e o capital disponível.


Por fim, a missão inclui ainda o Brazil Day, organizado em parceria com a UNEP FI, braço de finanças e seguros das Nações Unidas, e que reunirá Cnseg, Febraban e Ambima para compartilhar com a comunidade financeira do Reino Unido e global, boas práticas e explorar oportunidades de cooperação internacional. As discussões abordarão a evolução do planejamento de transição e as mudanças nas expectativas dos investidores daqui para frente, bem como oportunidades de investimento no Brasil.

CNP Seguradora faz parceria com Casas Bahia Pay para oferta de seguro prestamista digital

A CNP Seguradora firmou parceria com a Casas Bahia Pay, banco digital da Casas Bahia, para a oferta de seguro prestamista vinculado a empréstimos pessoais, em uma operação totalmente digital realizada por meio do aplicativo da plataforma.

Entre os principais benefícios estão a redução da taxa de juros do financiamento e a possibilidade de cashback, além de uma experiência de contratação simples e totalmente digital. A cobertura inclui morte, invalidez permanente, perda involuntária de emprego e perda temporária de renda por incapacidade causada por acidente, ampliando o acesso à proteção financeira para consumidores das classes C e D.

Criado em 2019 e autorizado pelo Banco Central desde 2021, a Casas Bahia Pay é o banco digital da Casas Bahia e está integrado ao ecossistema físico e digital da varejista. Atualmente, a plataforma soma 8 milhões de contas abertas, 4,9 milhões de cartões emitidos, 21,3 milhões de downloads do aplicativo e mais de R$ 25,4 bilhões em transações acumuladas.

A parceria reforça a estratégia B2B2C da CNP Seguradora e tem previsão de faturamento de aproximadamente R$ 220 milhões ao longo dos próximos cinco anos, ampliando a atuação da companhia em canais digitais de grande escala e alto potencial de crescimento. “Essa parceria nos permite levar soluções de proteção financeira a milhões de brasileiros por meio de uma experiência simples, acessível e totalmente digital, além de fortalecer nossa atuação em canais com grande potencial de crescimento”, afirma François Tritz, CEO da CNP Seguradora.

O acordo também prevê o direito de preferência da CNP Seguradora para a oferta futura de produtos como capitalização, seguros e planos odontológicos dentro da plataforma Casas Bahia Pay.

Com integração rápida e modelo operacional escalável, a parceria também funcionará como um ambiente de testes para aprimorar processos como contratação digital, comunicação com clientes e automação de sinistros.

Seguros e vinícolas: a gestão de risco por trás dos grandes vinhos 

LISBOA – Muitos visitam vinícolas para degustar vinhos, apreciar a gastronomia e contemplar paisagens. No meu caso, a experiência costuma ser um pouco diferente. Gosto de ouvir histórias de empreendedores, aprender com enólogos e observar como a gestão de riscos está presente, ainda que de forma silenciosa, na trajetória de qualquer negócio de sucesso.

Foi exatamente essa reflexão que surgiu durante uma visita à Fundação Eugénio de Almeida, em Évora, no coração do Alentejo português. Conhecida pelos vinhos da marca Cartuxa, a instituição construiu ao longo de décadas uma reputação que ultrapassa a produção de vinhos e se tornou um símbolo de tradição, qualidade e visão de longo prazo.

A Cartuxa tem em sua posse duas propriedades que são parte da vasta e rica história da região do Alentejo: a Adega Cartuxa Quinta de Valbom e a Adega Cartuxa Monte de Pinheiros. A primeira é um dos centros de estágio dos vinhos produzidos pela Fundação Eugénio de Almeida, vinhos esses que começaram a ser produzidos em 1978 sob a marca Cartuxa, utilizando as vinhas que originalmente pertenciam aos Monges Cartuxos. 

Já a segunda adega, na Herdade de Pinheiros, possui a mais avançada tecnologia e permite receber a totalidade da uva produzida nas vinhas. Todo ano, cerca de seis milhões de garrafas saem de sua linha de engarrafamento totalmente automatizada, distribuídas por vinhos brancos, rosés e tintos das marcas Vinea Cartuxa, EA, Foral de Évora, Cartuxa, Scala Coeli e Pêra-Manca.

Ao caminhar pelas adegas, observar barricas onde os vinhos repousam por anos e conhecer os processos que transformam a uva em alguns dos rótulos mais respeitados de Portugal, fica evidente que cada garrafa representa muito mais do que uma bebida. Ela concentra investimentos de longo prazo, conhecimento técnico, trabalho humano e uma série de riscos que precisam ser administrados diariamente.

A natureza do negócio vitivinícola é, por definição, uma atividade exposta a incertezas. O clima pode comprometer uma safra inteira. Uma geada fora de época, uma onda de calor extremo, incêndios florestais ou chuvas excessivas podem afetar a qualidade das uvas e reduzir a produção. Depois da colheita, surgem novos desafios: armazenamento adequado, controle de temperatura, conservação das barricas, riscos de contaminação, transporte das garrafas e proteção das instalações.

Há ainda a responsabilidade perante visitantes, fornecedores, distribuidores e clientes. Em regiões onde o enoturismo cresce ano após ano, as vinícolas também administram riscos relacionados à circulação de pessoas, degustações, eventos corporativos, casamentos e atividades de hospitalidade.

É nesse ponto que a gestão de riscos deixa de ser apenas um conceito corporativo e passa a integrar a estratégia do negócio. Nenhum empreendedor investe décadas na construção de uma marca para deixar seu patrimônio vulnerável a um evento inesperado. O seguro, nesse contexto, não é apenas um mecanismo de indenização. É uma ferramenta de continuidade operacional e de preservação de valor.

Para Ariel Couto, presidente da operação brasileira do grupo MDS, maior corretora de seguros de Portugal, a proteção acompanha toda a jornada do vinho. “E para que tudo corra bem, de forma tranquila, há seguros para cada fase do processo: desde a plantação das videiras até a comercialização das garrafas, passando por toda a cadeia de produção, armazenagem e transporte do vinho. Com a consultoria de um bom corretor, que atue no segmento, nenhum imprevisto destruirá esse legado”, afirma.

A história da Cartuxa ajuda a ilustrar essa visão. A marca tornou-se uma referência internacional não apenas pela qualidade dos seus vinhos, mas pela capacidade de manter um projeto sustentável ao longo do tempo. E sustentabilidade, quando observada sob a ótica empresarial, significa também proteger ativos, pessoas, receitas e a própria reputação.

Durante a visita, não pude deixar de pensar que o maior risco para uma vinícola nem sempre está dentro da adega. Está do lado de fora. O clima, cada vez mais imprevisível, já afeta diretamente a produção europeia de vinhos. Em Portugal, a safra de 2025 registrou uma das maiores quedas da última década, impactada por condições climáticas adversas e doenças que afetaram os vinhedos.

O tema ganhou ainda mais relevância após as tempestades que atingiram Portugal nos últimos anos. Ventos extremos, chuvas intensas e danos à infraestrutura reforçaram uma preocupação comum entre empresários de diversos setores: como proteger um patrimônio construído ao longo de gerações diante de eventos cada vez mais severos e menos previsíveis.

Os desafios não são exclusivos da Europa. Um dos exemplos mais emblemáticos vem da Califórnia, nos Estados Unidos. Nos últimos anos, diversas vinícolas do Napa Valley sofreram prejuízos milionários por causa de um fenômeno conhecido como smoke taint. Em muitos casos, os vinhedos sequer foram atingidos pelas chamas dos incêndios florestais. Ainda assim, a fumaça contaminou as uvas, alterando o aroma e o sabor do vinho. Safras inteiras precisaram ser descartadas, demonstrando que mesmo negócios consolidados estão expostos a riscos inesperados.

Além da tradição e da excelência reconhecidas internacionalmente, a Cartuxa mantém uma relação cada vez mais próxima com o consumidor brasileiro. Segundo Humberto Fernandes, responsável pela comunicação da Cartuxa, o Brasil ocupa posição estratégica para a marca. “O Brasil é o maior mercado de exportação da Adega Cartuxa. Uma das particularidades da abordagem que é feita pela Cartuxa ao mercado brasileiro traduz-se no facto dos vinhos da Cartuxa estarem presentes em todos os estados brasileiros em cerca de 6 mil pontos de venda. Isso veio consolidar uma relação de proximidade da marca com o consumidor brasileiro cada vez maior”, destaca.

Segundo ele, essa aposta vem sendo construída há vários anos. “O mercado brasileiro representa para a Cartuxa uma aposta estratégica que foi iniciada há alguns anos. Em 2023, a Adega Cartuxa foi o maior exportador europeu de vinhos, em valor, para o Brasil e desde então continua sempre nos primeiros lugares do ranking. O mercado brasileiro representa cerca de um terço da faturação global anual da Adega Cartuxa”, afirma.

Existem entre 800 e 1.100 vinícolas no Brasil. A estimativa varia de acordo com o critério de catalogação, abrangendo desde grandes empresas a pequenos produtores rurais e cooperativas. Geograficamente, a maior concentração continua na Serra Gaúcha, mas o cultivo tem se expandido fortemente para outras áreas do país, como o polo do Vale do Rio São Francisco, na Bahia e Pernambuco, e o planalto catarinense, alem de estados como São Paulo, Minas Gerais e Goiás vêm despontando na produção de vinhos de inverno. 

Isso faz despontar nos setor de seguros corretoras especialistas no tema, como a MDS, a REP Seguros, a Alper Seguros entre outras. Segundo alguns corretores especializados, a gestão de riscos de vinícolas, ainda mais as que mais recentes que ainda nem atingiram o break even, tem relevância estratégica. Uma interrupção na produção, um evento climático severo, um incêndio, um problema de armazenagem ou uma falha logística podem impactar não apenas uma safra, mas uma operação internacional construída ao longo de décadas e presente em milhares de pontos de venda.

Ao ouvir as explicações dos especialistas da Cartuxa sobre o cuidado com cada etapa da produção, fica evidente que a gestão de riscos é muito parecida com a elaboração de um grande vinho. Ambas exigem paciência, planejamento, conhecimento técnico e visão de longo prazo. Nenhuma delas produz resultados imediatos, mas ambas são fundamentais para garantir a longevidade.

Talvez por isso a visita tenha deixado uma impressão que vai muito além da degustação. O vinho ensina paciência. O empreendedorismo ensina coragem. E a gestão de riscos ensina que nenhum patrimônio atravessa gerações sem proteção adequada. O sucesso empresarial não é construído apenas com visão, talento e trabalho. Ele também depende da capacidade de proteger aquilo que foi conquistado. Porque, no fim das contas, os riscos sempre existirão. A diferença está na forma como cada empreendedor escolhe se preparar para eles.

IRB(RE) avança na diversificação e cria duas seguradoras para atuar em danos, vida e previdência

O IRB(RE) anunciou nesta quarta-feira (3) a constituição de duas novas seguradoras, marcando mais um passo em sua estratégia de diversificação e expansão dos negócios. Por meio de sua controlada IRB Holding, a companhia criou a IRB(Seg) Corporate Seguradora S.A., voltada aos ramos de danos (Property & Casualty), com Frederico Knapp como CEO, e a IRB(Seg) Vida e Previdência Seguradora S.A., destinada à atuação nos segmentos de pessoas e previdência privada, que segundo boatos entre executivos do setor terá como CEO Nuno David, com grande experiência no segmento durante seu período na MAG Seguros.

Segundo comunicado ao mercado, a autorização prévia para constituição das empresas já foi concedida pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), restando apenas a homologação definitiva da autarquia para o início das operações.

O movimento já vinha sendo antecipado pelo presidente do IRB, Marcos Falcão, dentro da estratégia de crescimento do grupo após a conclusão do turnaround que reposicionou a companhia nos últimos anos. A iniciativa também acompanha uma tendência observada em grandes grupos internacionais, que atuam simultaneamente nos mercados de seguros e resseguros para ampliar fontes de receita e capturar sinergias operacionais.

Em entrevistas recentes, executivos do IRB já haviam sinalizado que a nova seguradora teria foco inicial nos ramos patrimoniais e de engenharia. O grupo reforçou sua estrutura para essa nova etapa com a contratação de dois profissionais de mercado: Santiago Areano para liderar a área de subscrição e Cristiane Abdala para comandar operações e sinistros.

A expectativa da companhia é que a entrada no mercado segurador amplie sua capacidade de originação de negócios sem alterar seu papel histórico como resseguradora local. No comunicado, o IRB destaca que a expansão “não interfere na condução do negócio original”, que continua sendo a oferta de resseguros para seguradoras atuantes no mercado brasileiro.

A estratégia também permite ao grupo explorar oportunidades de integração entre seguro e resseguro. Na prática, a nova estrutura poderá utilizar a expertise técnica acumulada pelo IRB em mais de oito décadas de atuação no gerenciamento de riscos e na oferta de capacidade de resseguro para desenvolver produtos próprios de seguros.

O anúncio ocorre em um momento de transformação para o grupo. Além da criação das seguradoras, o IRB vem ampliando sua atuação internacional e buscando novas avenidas de crescimento para reduzir a dependência dos ciclos tradicionais do mercado de resseguros. A iniciativa ganha relevância em um cenário de forte concorrência no setor, marcado pela entrada de novos participantes, aumento da capacidade global e mudanças regulatórias em discussão pela Susep no âmbito da implementação do novo Marco Legal dos Seguros.

Nos bastidores do mercado, a criação das seguradoras é vista como um passo natural para um grupo que já domina a cadeia de transferência de riscos. Ao atuar também na ponta da subscrição, o IRB passa a disputar espaço diretamente com seguradoras estabelecidas, ao mesmo tempo em que amplia sua capacidade de capturar valor em diferentes etapas do negócio segurador.

A homologação final da Susep será o último passo para que as novas empresas iniciem suas operações comerciais. A expectativa do mercado é que as primeiras movimentações ocorram ainda no segundo semestre de 2026.

Seguro rural ganha protagonismo diante do avanço dos riscos climáticos e da baixa proteção no campo

LISBOA – O avanço das mudanças climáticas e o aumento da frequência de eventos extremos estão colocando o seguro rural no centro das discussões sobre segurança alimentar, sustentabilidade da produção agrícola e proteção das economias nacionais. O tema foi debatido no painel “Proteção do Agronegócio no Contexto das Alterações Climáticas”, realizado durante o 1º Fórum de Seguros Brasil-Portugal – Colaborar para Adaptar, que reuniu representantes dos mercados seguradores e do setor agrícola dos três países.

A palestra principal foi conduzida por Dyogo Oliveira, presidente da CNseg, a confederação das seguradoras do Brasil. Participaram dos debates Luis Souto Barreiros, Presidente, IFAP (Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas) – TBC, e Silvia Marques dos Santos, Diretora de Produção e Marketing, Agroseguro. Filipa Saldanha, Diretora de Sustentabilidade, Crédito Agrícola, mediou o debate.

Ao abrir o debate, Dyogo Oliveira destacou que as mudanças climáticas recolocam o setor segurador diante de um desafio semelhante àquele que deu origem ao próprio mercado de seguros séculos atrás: lidar com riscos primários e de grande impacto econômico. “O caminho para enfrentar esse cenário é compreender melhor os riscos, entender como eles funcionam e desenvolver mecanismos de mitigação, diversificação e compartilhamento”, afirmou.

Segundo ele, os eventos climáticos já deixaram de ser fenômenos excepcionais no Brasil. Dados apresentados durante a palestra mostram que o número médio anual de ocorrências climáticas praticamente dobrou na última década. Enquanto entre 2010 e 2014 o país registrava cerca de 2.500 eventos por ano, nos últimos cinco anos a média saltou para aproximadamente 4.500 ocorrências anuais. Os prejuízos econômicos associados a esses eventos alcançaram cerca de R$ 180 bilhões nos últimos três anos, ou aproximadamente R$ 60 bilhões por ano.

Apesar da crescente exposição aos riscos climáticos, Dyogo reconheceu que a proteção securitária no campo brasileiro continua extremamente limitada. Segundo ele, menos de 5% da área produtiva do país possui cobertura de seguro rural. O número efetivo, segundo o executivo, foi de apenas 2,3% da área agrícola segurada no último levantamento. “Isso demonstra um enorme equívoco de política agrícola, um enorme equívoco na percepção de risco dos produtores e também uma incapacidade nossa, como setor segurador, de chegar a esses produtores com a informação adequada”, afirmou.

O presidente da CNseg observou que, historicamente, muitos produtores brasileiros se acostumaram a depender de renegociações de dívidas e programas emergenciais do governo após perdas provocadas por fenômenos climáticos. No entanto, ressaltou que a deterioração fiscal do Estado brasileiro torna esse modelo cada vez mais difícil de sustentar. “O foco da política agrícola brasileira precisa migrar gradualmente do crédito subsidiado para a gestão de riscos. Durante décadas o principal desafio foi ampliar o acesso ao crédito. Hoje o maior problema do agronegócio brasileiro é a gestão dos riscos, especialmente os riscos climáticos”, afirmou.

Seguro rural avança no Congresso

Dyogo destacou como um avanço importante a aprovação, pelo Senado brasileiro, de um projeto que transforma os recursos destinados à subvenção do seguro rural em despesa obrigatória do orçamento público, reduzindo o risco de cortes frequentes nos programas de apoio ao setor. O PL 2.951/2024 prevê taxas de juros menores e prioridade em operações de crédito rural amparadas pelo seguro rural. Também determina que o prêmio do seguro seja subsidiado por um fundo financiado com recursos públicos.

Segundo ele, embora a medida não resolva o problema da baixa cobertura, cria maior previsibilidade para o mercado e pode estimular a expansão gradual da proteção. Outro ponto defendido pelo executivo é a aproximação entre crédito rural e seguro agrícola. Na avaliação dele, financiamentos subsidiados deveriam ser acompanhados por mecanismos de proteção contra perdas climáticas, prática já adotada em outros segmentos da economia.

“O maior risco da operação agrícola é o risco climático. Por isso, faz sentido criar incentivos ou condicionantes para que o produtor que recebe crédito também tenha proteção securitária”, afirmou. Dyogo explicou que o avanço do projeto no Congresso Nacional só foi possível graças ao apoio das entidades do agronegócio, como a Frente Parlamentar da Agropecuária, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e associações de produtores rurais.

Representando o governo português, Luis Souto Barreiros afirmou que os desafios enfrentados por Portugal são semelhantes aos observados no Brasil, embora em uma escala diferente. Segundo ele, a agricultura europeia convive com crescente instabilidade climática, exigindo instrumentos mais robustos para garantir previsibilidade e estimular investimentos no setor.

“O seguro ainda tem uma participação relativamente pequena dentro das ferramentas disponíveis para gestão de riscos agrícolas em Portugal. Temos consciência de que isso precisa mudar”, afirmou. Barreiros destacou que Portugal vem defendendo na União Europeia a criação de instrumentos supranacionais de proteção, incluindo mecanismos de resseguro capazes de ampliar a oferta de cobertura e reduzir custos para os produtores.

Espanha apresenta modelo de referência

A experiência espanhola foi apresentada por Silvia Marques dos Santos, diretora de Produção e Marketing da Agroseguro, considerada uma das referências mundiais em seguro agrícola. A experiência espanhola foi apresentada por Silvia Marques dos Santos, responsável por um dos modelos de seguro rural mais reconhecidos do mundo.

Segundo ela, o sistema espanhol é resultado de uma parceria público-privada construída ao longo de quase cinco décadas. Criado em 1978, o modelo reúne governo central, governos regionais, produtores rurais, resseguradores e um pool formado por 15 seguradoras que compartilham riscos e operam sob uma estrutura única de gestão coordenada pela Agroseguro. 

Atualmente, cerca de 50% do valor do prêmio é subsidiado pelo poder público, por meio de contribuições do governo central e das comunidades autônomas espanholas. O sistema também conta com reservas de estabilização e mecanismos públicos de resseguro que garantem capacidade de pagamento mesmo em anos de elevada sinistralidade. “Aconteça o que acontecer, os agricultores receberão as indenizações correspondentes às suas perdas”, afirmou Silvia. 

Apesar de ser considerado uma referência internacional, a executiva alertou que o modelo enfrenta desafios crescentes decorrentes das mudanças climáticas. Segundo ela, a Espanha não registra apenas aumento da frequência dos sinistros, mas também uma transformação do próprio comportamento dos riscos agrícolas.

Fenômenos como secas, geadas, granizo e ondas de calor tornaram-se mais intensos, menos previsíveis e mais frequentes. “Já não existe uma época específica para determinados eventos. O granizo, por exemplo, pode ocorrer praticamente em qualquer período do ano”, explicou. 

Para responder a essa nova realidade, a Agroseguro vem promovendo ajustes estruturais em seus modelos de subscrição. Um dos principais movimentos é a individualização das coberturas, abandonando gradualmente a lógica de soluções uniformes para todo o território espanhol. “Hoje o clima não é igual em todas as regiões e os produtores também não adotam as mesmas medidas de prevenção. Precisamos adaptar as coberturas à realidade de cada exploração agrícola”, afirmou. 

Outra mudança relevante envolve o uso das séries históricas. Tradicionalmente, o seguro rural utiliza longos períodos de dados para estimar riscos futuros. Segundo Silvia, essa lógica começa a perder eficiência diante da velocidade das transformações climáticas. “Já não podemos olhar para o clima de 15 ou 20 anos atrás e assumir que ele continuará igual. Estamos estudando modelos preditivos capazes de complementar os dados históricos e antecipar melhor os riscos futuros”, explicou. 

A executiva também destacou que a adaptação não pode ser responsabilidade exclusiva das seguradoras. Na avaliação dela, produtores rurais precisarão investir cada vez mais em medidas de resiliência, eficiência hídrica, novas tecnologias e mudanças de práticas agrícolas para reduzir sua exposição aos riscos climáticos.”A adaptação e a resiliência também precisam acontecer dentro das propriedades rurais. Nem tudo pode ser transferido para o seguro”, afirmou.

Ao comentar a experiência espanhola, Dyogo Oliveira reconheceu que o modelo é uma referência internacional, mas alertou que sua adaptação ao Brasil exigirá um processo gradual. “O sistema espanhol é extremamente bem-sucedido, mas foi construído ao longo de décadas. Teremos um longo caminho para alcançar algo semelhante no Brasil”, afirmou.

Segundo ele, o mercado brasileiro já começou a dar alguns passos nessa direção. Um dos exemplos é a criação de mecanismos voltados à acumulação de reservas em períodos de menor sinistralidade, permitindo suavizar oscilações de preços e ampliar a estabilidade do sistema.

Para o presidente da CNseg, o intercâmbio promovido pelo Fórum Brasil-Portugal demonstra que, embora os países enfrentem realidades distintas, os desafios relacionados às mudanças climáticas são cada vez mais semelhantes. “Através do diálogo e da troca de experiências, conseguimos encontrar soluções mais adequadas para cada realidade nacional”, concluiu.

Dados e inteligência artificial transformam gestão de riscos climáticos e ampliam capacidade de prevenção

LISBOA – A combinação entre ciência climática, inteligência artificial e análise de dados está criando uma nova geração de ferramentas para medir riscos, antecipar perdas e apoiar decisões de adaptação às mudanças climáticas. O tema foi debatido no painel “Dados e Inteligência Climática”, realizado durante o 1º Fórum de Seguros Brasil-Portugal – Colaborar para Adaptar. 

Logo no início da apresentação, Pedro Matos Soares, pesquisador do Instituto Dom Luiz (IDL), destacou que os riscos climáticos não podem ser analisados apenas pela ótica da mudança do clima. Segundo ele, o risco resulta da combinação entre três fatores: perigosidade climática, exposição e vulnerabilidade. “Não é apenas o clima que está mudando. A sociedade aumentou enormemente sua exposição e, em muitos casos, também sua vulnerabilidade”, afirmou. 

O pesquisador apresentou dados que mostram a aceleração dos impactos climáticos globais. Segundo ele, a taxa de elevação do nível médio do mar multiplicou-se por cinco nas últimas décadas, enquanto os eventos extremos de precipitação, ondas de calor e incêndios florestais se tornaram mais frequentes e intensos. Apenas na União Europeia, perdas econômicas relacionadas a eventos meteorológicos e climáticos ultrapassaram € 650 bilhões nos últimos 42 anos. 

Segundo Soares, os modelos globais conseguem hoje representar atmosfera, oceanos, vegetação, gelo e ciclo de carbono, mas ainda operam em escalas insuficientes para a tomada de decisão empresarial. Para superar essa limitação, pesquisadores vêm combinando modelagem climática regional, imagens de satélite e inteligência artificial para gerar informações cada vez mais precisas sobre ativos específicos, cidades, infraestruturas e carteiras de seguros. 

O especialista apresentou exemplos aplicados a Portugal, São Paulo e Estados Unidos, mostrando como essas ferramentas permitem identificar ilhas de calor urbanas, riscos de inundação, vulnerabilidade costeira, produtividade agrícola e impactos sobre redes elétricas. Segundo ele, a nova geração de dados climáticos permitirá que seguradoras, empresas e governos tomem decisões mais precisas sobre investimentos, adaptação e precificação de riscos. 

Na avaliação de Pedro Baptista, chefe da Unidade de Adaptação e Financiamento Climático, Agência para o Clima, um dos principais desafios atuais não é a ausência de dados, mas a dificuldade de organizar e transformar essas informações em instrumentos efetivos de decisão. “Hoje existe muita informação disponível. O desafio é recolher, sistematizar, trabalhar esses dados e apresentá-los de forma acionável para os diversos atores”, afirmou. 

Segundo o representante da Agência para o Clima, a nova Estratégia Nacional de Adaptação às Alterações Climáticas de Portugal busca justamente integrar dados produzidos por universidades, órgãos públicos e instituições internacionais para apoiar políticas públicas e investimentos privados.

Baptista ressaltou ainda a importância de ampliar a coleta de dados sobre perdas e danos provocados por eventos extremos, informação considerada fundamental para o planejamento de medidas de adaptação e para o desenvolvimento de mecanismos de proteção financeira. 

Um desafio para seguradoras

Representando a CNseg, Antonio Trindade observou que o setor segurador passa por um momento de transformação diante do aumento dos riscos climáticos. Em tom bem-humorado, afirmou que, após ouvir os dados apresentados nos dois primeiros painéis do fórum, sua reação inicial como ex-executivo de seguradora seria recomendar cautela extrema na subscrição desses riscos.

Mas logo em seguida destacou que a enorme quantidade de informações hoje disponível cria uma oportunidade inédita para o desenvolvimento do mercado. “O grande desafio é organizar os dados, dar confiabilidade a essas informações e educar o mercado segurador para utilizá-las adequadamente”, afirmou. 

Segundo Trindade, a CNseg já trabalha na construção de um hub de informações voltado inicialmente para riscos de inundação e seca. O objetivo é integrar dados climáticos, informações de infraestrutura, histórico de perdas e experiências internacionais para apoiar políticas de prevenção e ampliar a capacidade de subscrição das seguradoras brasileiras. 

O executivo citou como exemplo as enchentes do Rio Grande do Sul e observou que parte dos danos poderia ter sido mitigada por investimentos preventivos e melhor manutenção de infraestruturas de contenção. “A prevenção continua sendo o melhor seguro”, resumiu. 

Trindade também destacou a proposta que a CNseg vem desenvolvendo junto ao governo federal para a criação de um seguro de catástrofes voltado às populações mais vulneráveis. Segundo ele, a ideia é estruturar um mecanismo de caráter assistencial, com indenizações de menor valor, destinado a famílias que vivem em áreas mais expostas a enchentes, deslizamentos e outros eventos extremos.

Na avaliação do executivo, a iniciativa pode tornar mais rápida e eficiente a chegada dos recursos às vítimas de desastres naturais. “O mercado segurador tem capacidade de fazer esse dinheiro chegar mais rapidamente a quem precisa. Em vez de passar por diversas instâncias administrativas, os recursos podem alcançar diretamente as famílias atingidas”, afirmou.

Segundo Trindade, o projeto também pode representar um primeiro passo para a construção de um mercado mais robusto de proteção contra catástrofes no Brasil. Para isso, defendeu a participação conjunta de seguradoras, resseguradoras, fundos públicos e mecanismos de compartilhamento de riscos. “Precisamos construir uma solução capaz de proteger as comunidades mais vulneráveis e aumentar a resiliência do país diante dos eventos climáticos extremos”, disse.

Ao encerrar sua apresentação, Pedro Matos Soares fez um alerta sobre a necessidade de transformar conhecimento científico em decisões concretas. Segundo ele, apesar dos avanços na modelagem climática, na inteligência artificial e na produção de dados de alta resolução, essas informações ainda são subutilizadas por governos, empresas e instituições.

“No Brasil existe ainda uma cultura limitada de dados abertos. Hoje gera-se economia com dados. Temos informações sobre riscos climáticos há muitos anos, com diferentes níveis de granularidade e sofisticação, mas elas continuam sendo pouco utilizadas na tomada de decisão”, afirmou.

Para o pesquisador, a informação climática deve ser encarada como uma ferramenta operacional de gestão de riscos. Na sua avaliação, embora seja difícil alterar a evolução do clima no curto prazo, governos, empresas e seguradoras podem agir sobre dois fatores fundamentais do risco: a exposição e a vulnerabilidade. “Quando decidimos investir em locais sujeitos a determinados riscos e não levamos essa informação em consideração, estamos tomando uma má decisão. Os dados existem justamente para apoiar escolhas mais resilientes e eficientes”, concluiu.

Ao final do painel, os participantes convergiram na avaliação de que dados, modelagem climática e inteligência artificial deixarão de ser ferramentas complementares para se tornar elementos centrais da gestão de riscos nas próximas décadas. Para eles, a capacidade de transformar informação científica em decisões práticas será um dos principais diferenciais para governos, empresas e seguradoras em um mundo cada vez mais exposto aos efeitos das mudanças climáticas. 

Mudanças climáticas pressionam contas públicas e ampliam debate sobre seguros de catástrofe

LISBOA – As mudanças climáticas deixaram de ser um desafio futuro para se tornar uma realidade econômica, social e financeira. A avaliação foi compartilhada pelos participantes do painel “Gerir o Clima é Gerir Risco”, realizado durante o 1º Fórum de Seguros Brasil-Portugal – Colaborar para Adaptar, que reuniu especialistas em sustentabilidade, regulação e seguros para discutir como ampliar a resiliência das economias diante da intensificação dos eventos extremos. Participaram do debate Duarte Cordeiro, presidente Sócio da Shiftify Estratégias de Sustentabilidade, Carlos Guiné, diretor de sustentabilidade da Eiopa, autoridade europeia de supervisão de seguros e previdência, e Cláudia Prates, diretora de sustentabilidade da CNseg, a confederação das seguradoras do Brasil. O painel foi moderado por João Mestre.

Na palestra principal do painel, Duarte Cordeiro apresentou um diagnóstico detalhado dos impactos das mudanças climáticas em Portugal e na Europa. Segundo ele, o continente aquece a uma velocidade aproximadamente duas vezes superior à média global e já registra efeitos concretos das alterações climáticas sobre a economia e a qualidade de vida da população.

O especialista destacou que quatro dos cinco anos mais quentes da história de Portugal ocorreram entre 2022 e 2025. Apenas em 2025 o país enfrentou seis ondas de calor, enquanto cinco dos dez anos mais secos já registrados ocorreram desde o ano 2000. A erosão costeira também avança de forma acelerada: entre 1958 e 2020, Portugal perdeu 13 quilômetros quadrados de território para o mar.

Segundo Cordeiro, os impactos financeiros já são expressivos. Somente os eventos climáticos registrados no inverno de 2026 provocaram prejuízos estimados em € 5,3 bilhões. Além disso, dados internacionais mostram que cerca de 57% das perdas econômicas relacionadas a eventos climáticos permanecem sem cobertura securitária.

Para o especialista, os desafios geopolíticos atuais, incluindo tensões comerciais, conflitos internacionais e pressões sobre o custo da energia, tornam ainda mais complexa a implementação das políticas climáticas. Ainda assim, ele defendeu que governos e empresas mantenham os compromissos assumidos no Acordo de Paris e reforcem investimentos em adaptação. “Grande parte das perdas acontece porque continuamos construindo em áreas de risco. O risco não entra na conta. Quando ele passar a entrar, muitas decisões econômicas serão diferentes”, afirmou.

Segundo Cordeiro, seguradoras podem desempenhar papel decisivo ao fornecer dados, estudos e mecanismos capazes de aumentar a consciência dos agentes públicos e privados sobre os riscos climáticos, contribuindo para decisões mais adequadas de ocupação do território e planejamento urbano.

Claudia Prates, da CNseg, detalhou como os impactos climáticos já afetam a economia brasileira e evidenciam uma enorme lacuna de proteção. Segundo Cláudia Prates, entre 2020 e 2024 o Brasil registrou perdas econômicas médias superiores a R$ 12 bilhões por ano associadas a 67 eventos climáticos extremos analisados pela entidade. Apesar disso, aproximadamente 90% dessas perdas não possuíam cobertura securitária. “O Brasil ainda possui uma lacuna de proteção muito elevada. Quando olhamos para esses números, fica evidente que precisamos avançar na construção de uma economia mais resiliente”, afirmou.

A executiva destacou que o país gasta atualmente cerca de dez vezes mais recursos na recuperação de desastres do que em adaptação climática, situação que considera insustentável diante da crescente frequência dos eventos extremos. Segundo ela, estudo recente do Lloyd’s mostrou que cada redução de 1% na lacuna de proteção pode evitar cerca de 22% dos gastos posteriores com recuperação e reconstrução.

Para Cláudia, o setor segurador precisa ocupar papel estratégico nesse processo, trabalhando ao lado do governo, do mercado de capitais e do sistema financeiro para financiar a adaptação climática e fortalecer a gestão de riscos. “Não adianta reconstruir no mesmo local sem adaptação. Não adianta uma empresa aumentar sua resiliência se o município não fizer sua parte. Os riscos climáticos precisam ser vistos de forma integrada”, afirmou.

A diretora da CNseg chamou atenção para a vulnerabilidade da infraestrutura brasileira. Segundo ela, escolas, hospitais, rodovias e outras estruturas públicas continuam amplamente expostas aos riscos climáticos, enquanto o agronegócio — responsável por parcela relevante do PIB nacional — permanece entre os setores mais suscetíveis aos efeitos das mudanças do clima.

Outro ponto destacado pela executiva foi a necessidade de ampliar a consciência da população sobre os riscos. Ela lembrou que a CNseg desenvolveu ferramentas para permitir que cidadãos consultem o nível de exposição de seus imóveis a eventos como inundações, além de defender a criação de mecanismos de proteção social para catástrofes climáticas voltados às populações mais vulneráveis.

“Quem mais sofre com os eventos extremos são as populações vulneráveis. Quando ocorre uma enchente, não há apenas a perda patrimonial. Há queda de arrecadação, endividamento das famílias, dificuldades para as empresas se reerguerem e enfraquecimento da economia local”, afirmou.

Seguradoras devem deixar de ser apenas pagadoras de sinistros

Representando a autoridade europeia de supervisão de seguros, Carlos Guiné destacou que as mudanças climáticas já começam a produzir um fenômeno preocupante em algumas regiões da Europa: áreas onde o seguro se torna excessivamente caro ou simplesmente deixa de estar disponível. Segundo ele, o setor segurador precisa assumir um papel mais ativo na prevenção e na redução dos riscos. “O seguro não pode atuar apenas depois que o sinistro acontece. As seguradoras precisam tornar-se parceiras na gestão do risco e na construção da resiliência”, afirmou.

Guiné explicou que o preço do seguro funciona como um importante sinalizador econômico. Ao refletir adequadamente o risco, as seguradoras podem incentivar investimentos em prevenção, adaptação e construção resiliente. Também destacou o potencial do setor para apoiar processos de reconstrução sustentável após eventos extremos. Na avaliação do regulador europeu, o futuro do mercado passa por uma transformação de papel: deixar de atuar apenas como pagador de sinistros para se tornar um agente ativo de prevenção, orientação e gestão de riscos.

Brasil e Portugal lançam fórum para ampliar cooperação em seguros e adaptação climática

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LISBOA – A cooperação entre Brasil e Portugal para enfrentar os impactos das mudanças climáticas e ampliar a capacidade de resposta da sociedade a eventos extremos marcou a abertura do 1º Fórum de Seguros Brasil-Portugal – Colaborar para Adaptar, realizado nesta terça-feira, em Lisboa, numa parceria entre a CNseg, confederação das seguradoras do Brasil, e a seguradora Fidelidade, a maior de Portugal. O encontro reúne representantes do mercado segurador, autoridades públicas, especialistas e acadêmicos para debater o papel dos seguros na construção de economias mais resilientes e preparadas para os desafios ambientais, econômicos e sociais das próximas décadas.

Na abertura do evento, o presidente do Conselho Diretor da CNseg, Roberto Santos, destacou que a iniciativa nasce com o objetivo de criar uma ponte permanente de cooperação entre os dois países. Segundo ele, o intercâmbio de experiências pode contribuir para o desenvolvimento de novas soluções, o fortalecimento das capacidades técnicas do setor e a ampliação da capacidade de resposta diante de eventos extremos.

“Queremos compartilhar experiências, conhecimento atuarial, tecnologia e inovação para desenvolver produtos e construir uma capacidade cada vez maior de adaptação. Este fórum nasce para ser uma ponte permanente entre Brasil e Portugal”, afirmou. O executivo ressaltou que o papel do seguro vem se ampliando em todo o mundo. Mais do que indenizar perdas após a ocorrência de um sinistro, o setor passou a atuar na prevenção, na gestão de riscos e na promoção da resiliência econômica e social.

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A mesma visão foi compartilhada por Rogério Campos Henriques. O executivo português lembrou que a aproximação entre a Fidelidade e a CNseg ganhou força durante as últimas conferências climáticas da ONU e resultou na criação do fórum como espaço permanente de diálogo entre os mercados seguradores dos dois países. Para Henriques, embora temas como geopolítica, defesa e segurança energética tenham ganhado espaço no debate público internacional, as mudanças climáticas continuam avançando e produzindo impactos cada vez mais relevantes sobre a economia e a sociedade. “As alterações climáticas não entram de férias”, afirmou. “O debate já não é se esses eventos vão afetar as nossas economias. A questão é como vamos nos adaptar.”

Segundo o executivo, o setor segurador possui uma posição única nesse processo porque atua não apenas na reparação das perdas, mas também na redução das vulnerabilidades e na aceleração da recuperação econômica após eventos extremos. “O seguro existe para transformar risco em resiliência”, afirmou. Henriques destacou ainda que nenhum agente conseguirá enfrentar sozinho os desafios climáticos. Na sua avaliação, governos, seguradoras, empresas, universidades e centros de pesquisa precisarão atuar de forma coordenada para construir soluções de adaptação capazes de proteger a população e sustentar o crescimento econômico.

Henriques classificou o fórum como um momento histórico para o setor, assinalando que pela primeira vez Portugal e Brasil se uniram formalmente, ao nível setorial, para debater estratégias de adaptação climática e explorar vias de colaboração.

A dimensão internacional da cooperação foi reforçada pelo embaixador do Brasil em Portugal, Raimundo Carreiro. Segundo ele, Brasil e Portugal compartilham não apenas laços históricos e culturais, mas também desafios comuns relacionados à sustentabilidade, à proteção financeira e aos impactos dos eventos climáticos extremos.

Ao citar as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul e os incêndios florestais e tempestades que afetaram Portugal nos últimos anos, Carreiro observou que os dois países enfrentam situações semelhantes e podem se beneficiar do intercâmbio de experiências e soluções. “O setor de seguros vai muito além da mitigação de riscos. Ele ajuda a organizar expectativas, viabilizar investimentos e fortalecer a confiança, elementos indispensáveis para o desenvolvimento econômico e social”, afirmou.

O embaixador também aproveitou a abertura para lançar uma provocação ao setor. Segundo ele, uma das agendas que merecem maior atenção é a criação de mecanismos de proteção para trabalhadores de aplicativos de transporte e entrega, grupo que cresce em diversos países e frequentemente atua sem proteção previdenciária ou cobertura securitária adequada.

“Os hospitais brasileiros estão cheios de jovens trabalhadores de aplicativos envolvidos em acidentes sem qualquer proteção financeira ou benefício trabalhista. Talvez daqui possa surgir uma ideia para os governos dos dois países sobre como ampliar essa proteção”, afirmou.

Carreiro também destacou a relevância dos seguros para o agronegócio, setor estratégico para as economias brasileira e portuguesa. Segundo ele, instrumentos de proteção financeira contribuem para garantir estabilidade produtiva, segurança alimentar e geração de riqueza em um cenário de crescente exposição aos riscos climáticos.

O fórum assume o compromisso das duas organizações de dar continuidade ao diálogo, aprofundando a cooperação bilateral no domínio dos seguros e da adaptação climática, num contexto em que o setor segurador assume crescente protagonismo nas negociações climáticas internacionais, reconhecido pela Agenda de Ação da COP30.