Cresce o número de mulheres que investem em previdência privada na Brasilprev

As mulheres têm aumentado de forma consistente a sua participação em planos de previdência privada da Brasilprev, empresa líder e especialista no mercado. Nos últimos 10 anos a companhia registrou um crescimento de 93% do público feminino em sua base de clientes, totalizando 1,2 milhão, aproximadamente 47% do total.

Segundo levantamento da companhia, este público é responsável atualmente por R$ 144,9 bi em ativos sob gestão da Brasilprev, cerca de 46% do total. Elas possuem em média 50 anos de idade, e 49% possuem nível superior. Em relação ao nível de conhecimento sobre investimentos em previdência, metade se declara entendedora, 26% são iniciantes e 23% são distantes. 

Para o Camilo Buzzi, diretor Comercial e de Marketing da Brasilprev, estes dados reforçam o propósito da companhia de transformar o jeito como o brasileiro prepara o seu futuro, promovendo o desenvolvimento sustentável. “A maior participação feminina nos mostra que a mulher tem se preocupado cada vez mais com o planejamento financeiro, destacando ainda mais o seu papel de extrema importância no plano familiar, na construção de um futuro mais seguro”.  

Mulheres na AXA: Grupo francês tem no Brasil 42% de líderes mulheres e a meta é chegar em 50% em 2023

axa brasil

Na subsidiária brasileira da seguradora francesa AXA, evolução com a preocupação com a igualdade de gênero surgiu mediante a necessidade de ser uma empresa mais diversa, a fim de promover um ambiente de trabalho mais saudável e incentivar a troca de experiências entre diferentes perfis, o que acaba favorecendo a qualidade do nosso atendimento, nossos produtos e serviços para os nossos clientes, conta Alexandre Campos, diretor executivo de RH, Jurídico, Compliance e Responsabilidade Social da AXA no Brasil.

Ele conta que na AXA, a inclusão e a diversidade estão intimamente ligadas aos valores e a cultura de respeito pelos funcionários, clientes e comunidades em volta do grupo segurador. “Sempre buscamos criar um ambiente onde todos sintam que pertencem, estão incluídos e podem prosperar. Acreditamos que diferentes formas de pensar e experiências variadas serão a chave para nosso sucesso a longo prazo. Uma força de trabalho diversificada nos ajuda a atrair as pessoas mais talentosas, porque elas sabem que podem crescer conosco e realizar todo o seu potencial. A diversidade também nos ajuda a atender às necessidades de nossos clientes em diferentes mercados – tanto global quanto localmente.”

Campos lembra que a partir do 2º semestre de 2019, quando estabeleceram uma governança a partir de amadurecimento no tema e iniciaram um comitê composto por líderes com foco na estratégia de D&I e grupos de afinidades para trabalharem nos temas de Equidade de Gênero e Diversidade Afetivo-Sexual LGBTQIA+, a evolução na diversidade ganhou tração.

“Continuamos investindo em educação para desafiar os estereótipos e preconceitos de gênero, bem como o assédio sexual. Também estamos fortemente comprometidos com a paridade de gênero. Asseguramos que as mulheres tenham igual acesso a seguro e saúde, adaptando nossas ofertas e serviços às suas necessidades”, diz.

No Brasil, a AXA participa do Projeto Empresa Cidadã, permite a extensão da licença maternidade por mais 60 dias, totalizando 180 dias consecutivos de licença maternidade e a extensão da licença paternidade por mais 15 dias, totalizando 20 dias consecutivos de licença paternidade. A AXA no Brasil também permite a inclusão de parceiros do mesmo gênero na licença de casamento/união estável, além da inclusão como dependente nos benefícios concedidos pela empresa.

Em relação a paridade de gênero, o executivo afirma que a seguradora está acelerando a estratégia. “Queremos promover e contratar mais mulheres para cargos de liderança, ano a ano, a fim de tornar a nossa força de trabalho mais representativa em todos os níveis. Todos os membros do Comitê de Gestão e CEOs definiram prioridades estratégicas de inclusão com um foco claro na melhoria da diversidade de gênero em suas respectivas organizações. Nossos padrões e procedimentos (recrutamento e promoções) estão sendo fortalecidos para que possamos continuar avançando. Também estamos empenhados em alcançar igualdade de remuneração em todas as localidades até 2023.”

A política de Recrutamento e Seleção tem como um dos pilares proporcionar igualdade de oportunidades a todos os candidatos e no que tange a Igualdade de Gênero. Nos processos seletivos para posições em aberto adota-se a diretriz de ter pelo menos 03 candidatos finalistas, sempre considerando a diversidade nesta amostra, acrescenta.

Em 2022, a AXA conta com 50% de mulheres, que é um indicador mais constante dos últimos anos. O grupo ve grande potencial de atração e contratação de mulheres neste mercado. O desafio é acompanhar a evolução de carreira dessas mulheres para que alcancem cada vez mais posições executivas.

“O percentual vem aumentando consideravelmente ano a ano, e hoje estamos com 42% de líderes mulheres, o que é bem acima da média do mercado”, cita. “Temos um objetivo transversal em todo grupo AXA em ter 50% de mulheres executivas até 2023 e inserimos todos os nossos esforços, desenvolvendo iniciativas para atingir essa meta”.

MULHERES na MAPFRE: Comissão de Gênero é a guardiã da cultura de equidade de gênero na seguradora

A MAPFRE assumiu o compromisso de assegurar que 45% das vagas em postos de responsabilidade sejam ocupadas por mulheres. “Assinamos um pacto com a ONU Mulheres e percebemos que era necessário trabalhar a transformação da mulher e ouvi-la ainda mais, apoiando sua trajetória em direção aos postos de alta liderança feminina”, conta Simone Negrão, diretora Jurídica e de Compliance da MAPFRE e líder da Comissão de Equidade de Gênero da companhia, ao Sonho Seguro.

Além disso, a MAPFRE também tem um compromisso mundial com o quinto Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (Igualdade de oportunidades), que visa a alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas.

Simone conta que o pontapé inicial foi o desenvolvimento do Programa de Liderança Feminina em 2020. A ideia, inicialmente, era realizá-lo em modelo presencial, mas com a pandemia a seguradora adaptou para o online, o que acabou sendo produtivo, pois aproveitaram a oportunidade de se aprofundar ainda mais no conteúdo.

O programa tem o objetivo de capacitar e preparar mulheres que ocupam a média liderança da empresa para uma evolução de carreira para futuras posições estratégicas. A seleção das participantes foi feita a partir de mulheres que já integram a Matriz Global de Talentos (MGTN), que mapeia os talentos da companhia em todos os países que a MAPFRE atua.

Em 2021, participaram da ação 34 mulheres, representantes de todas as áreas da empresa. O Programa de Liderança tem uma carga horária total de 68 horas de capacitação, divididas em 6 módulos e alguns encontros intermediários. Todo conteúdo está pautado no autoconhecimento e empoderamento por meio da seguinte estrutura:

Liderando a mim mesma – O que é ser líder

Propósito – Minha jornada de desenvolvimento

Liderando a Organização – Contexto de mundo e contexto MAPFRE

Liderando os outros – Ações e conexões estratégicas

Liderando a transformação – Liderança em rede

Minha marca e meu legado

Outra iniciativa focada na equidade é a Comissão de Gênero, que conta com a presença do CEO, do diretor de RH e de executivas das mais diversas áreas da companhia. A Comissão de Gênero é responsável por analisar, criticar e aprovar as propostas sugeridas bem como ser a guardiã da cultura de equidade de gênero na empresa. A proposta da formação em liderança é resultado das discussões realizadas na Comissão.

Durante o processo de seleção, recrutamento, promoção e treinamento o grupo busca a equidade de gênero nos candidatos e na etapa final sempre são apresentados dois candidatos, sendo um homem e uma mulher, conta Priscila. “Desde a primeira edição do Programa de Liderança Feminina, realizado em 2021, 31 mulheres foram capacitadas em 69 horas do curso. A iniciativa que tem como objetivo acelerar o desenvolvimento e o empoderamento de líderes femininas já surtiu efeitos e, de lá pra cá, três participantes foram promovidas”.

As ações afirmativas de gênero continuam em 2022. ‘Realizaremos a segunda turma do Liderança Feminina e teremos o Programa Desenvolvimento de Carreira e Coaching para 10 executivas. O coaching acontece de forma individual e tem o objetivo de alçar as participantes em direção às suas metas e aperfeiçoá-las como líderes”, acrescenta.

A MAPFRE não possui uma meta para ter um percentual do quadro de funcionários para mulheres. Atualmente, o quadro da companhia é composto 59,3% por mulheres. “Hoje, temos 40,22% de mulheres em cargos de liderança e a meta global é termos 45%”, diz.

Entre as práticas de inclusão das mulheres, Priscila destaca que a MAPFRE proporciona licença-maternidade de 180 dias e auxílio-creche para colaboradoras e colaboradores. Além disso, a companhia também olha como os homens podem apoiar o desenvolvimento das mulheres ou apoiá-las. Um dos marcos recentes deste apoio é a concessão de licença-paternidade de 20 dias, que permite que o pai vivencie um pouco mais de perto os primeiros dias da chegada da criança. 

“O tema sempre esteve em nossas pautas de Recursos Humanos, porém de maneira contundente a partir de 2019, quando passou a ser uma regra ter a mesma quantidade de homens e mulheres nas etapas finais de processos seletivos para cargos de liderança. Além disso, retomamos a Comissão de Gênero, que tem como responsabilidade promover movimentos de transformação, de maneira a caminhar em busca da igualdade de gênero e estruturamos o Programa de Liderança Feminina, que teve início em 2021 e que a ideia é expandi-lo para muitas outras mulheres da organização”, finaliza.

MULHERES na MAG: Gênero ocupa 50% dos cargos de lideranças na seguradora e 58% do total de colaboradores

MAG Seguros Mulheres

Para a MAG Seguros, pensar na equidade de gêneros sempre foi um processo natural. “Temos 50% das lideranças da organização formada por mulheres, e 58% do número total de colaboradores são mulheres. Assim, nós nos distinguimos por ofertar ações diferenciadas que identificam quais são as reais necessidade dessas profissionais”, conta Patrícia Campos, diretora de Gente e Gestão do grupo segurador.

Segundo ela, foi assim, por exemplo, que verificou através do programa Família Segura a necessidade de acolhimento de novos pais e novas mães – e aderiu ao programa empresa cidadã ofertando a licença paternidade/maternidade estendida: de 5 para 20 dias para o homem e 4 para 6 meses para a mulher.

A seguradora tem um grupo de trabalho dentro da área de Gente e Gestão para discutir como e quais seriam as ações que poderíamos gerar para ter igualdade e maior equidade na empresa. Esse é trabalho constante e passou por várias ações práticas, com uma revisão de cargos e salários, por exemplo, para evitar na contratação de funcionários novos a herança de práticas e números dispares do mercado de trabalho.

São muitas as acoes destacadas por Patricia para ter equidade. ” Gostamos de destacar que o mercado segurador é um dos mercados em que o tema da diversidade e equidade é mais facilmente inserido. Gosto de dizer que: “A comissão nivela”. Ou seja, não há diferença de recebimento por gênero para colaboradores comissionados – recebe mais quem apresenta melhores resultados, quem faz um bom trabalho e mantém uma retenção do cliente”.

O grupo investe, por exemplo, no Programa para Formação de Corretores, inserindo cada vez mais mulheres no programa, e mulheres na liderança com base em performances consistentes. Acaba sendo um ciclo: mais mulheres na liderança inspiram outras mulheres para a carreira, e assim se consegue formar e capacitar mais mulheres, que seguem sua trajetória profissional, como donas de seu próprio negócio ou lideranças comerciais. “Esse ciclo e possibilidade de ganhos acaba atraindo muitas mulheres para a corretagem”, afirma.

Entre as principais estratégias de seleção e recrutamento, treinamento e preparação, e de promoção das mulheres, a MAG Seguros faz todo um trabalho de treinamento, preparação e de desenvolvimento das mulheres. Um dos programas é o Impulsionando Mulheres, que é parte das entregas do Plural, programa de fomento à diversidade da empresa.

O Impulsionando Mulheres tem como principais objetivos alavancar o desenvolvimento das líderes da companhia, proporcionando a possibilidade de assumir posições ainda mais estratégicas, além de ser uma iniciativa que contribui diretamente para ampliar os resultados positivos que a equidade de gêneros promove, afirma Patrícia.

Ele tem duração de aproximadamente seis meses e conta com encontros virtuais coletivos e avaliações individuais, além do apoio de uma consultoria especializada no tema. Entre março de 2021 a março de 2023), a MAG acompanhará as profissionais participantes do programa em sua gestão de carreira com o objetivo de medir a efetividade do programa. “Hoje, diretamente através do programa, já tivemos duas promoções de mulheres assumindo cargos de diretoria na MAG Seguros, quando fizemos a reestruturação da área comercial e de marketing da empresa”, conta.

Para medir o resultado da equidade, a MAG busca algumas referências, cita Patricia. O primeiro, o número de mulheres. Não apenas em cargos, mas o quanto essas mulheres tomam frente de projetos de novos negócios. Outro medidor é o número de promoções de mulheres na empresa, que ajuda a aferir a aplicação de mérito, e o quanto temos reconhecido ou equiparado o que ofertamos a elas comparativamente ao que é assegurado aos homens na MAG.

“Buscamos ter um número sempre ascendente de mulheres que contribuem para alavancar os resultados da organização e das unidades de negócios da organização; e monitoramos o quanto e quais mulheres estão no nível de tomadas de decisão e de reuniões de influências que vão direcionar o caminho da empresa”, resume.

Outros indicadores são as medições externas, como as pesquisas do Great Place to Work (GPTW) que analisam exatamente esses aspectos e premiam empresas com as melhores práticas. A MAG Seguros figurou no ranking GPTW Mulher em 2020 e no GPTW geral em 2021.

Segundo ele, os indicadores que medem os avanços obtidos melhoram ano a ano. “Nosso desafio é o de não apenas ter bons indicadores, mas sim de abrir caminhos, e ter participação das mulheres de forma cada vez mais efetiva em decisões da organização, nos caminhos do negócio em todos os níveis, principalmente em níveis macro. As últimas promoções evidenciam a efetividade das iniciativas e os frutos decorrentes do investimento em ampliação de competências e atuação estratégica”.

Um termometro para sinalizar a jornada das mulheres é a participação das mulheres em cargos de liderança, tanto na matriz quanto nas nossas unidades de negócio. “Temos constatado uma média acima dos 50% pelo menos nos últimos cinco anos”, informa.

Entre outras práticas de inclusão da empresa, a MAG Seguros cita o Plural, programa estruturado para fomentar e promover a diversidade e a inclusão dentro da companhia. Vale destacar que a companhia conta com 80% do seu quadro pertencente a pelo menos um grupo minorizado. Em 2021, a empresa priorizou as frentes LGBTQIA+ e de Pessoas com Deficiência e já conta com grupos formais de trabalho, liderados pelos próprios colaboradores. 

Questionada sobre as novas frentes de projetos e iniciativas, Patricia conta que o grupo segurador  quer investir continuamente no crescimento e desenvolvimento das mulheres. O Impulsionando Mulheres, por exemplo, iniciado em 2021, terá novas temáticas com a ampliação da visão de negócio por parte dessas mulheres. “Também temos ações de mentoria que realizamos buscando formar altos executivos. A contínua educação de homens que são líderes para entender a necessidade das mulheres e apoiá-las em sua trajetória. É nisso que acreditamos. Não é um em detrimento do outro. É a força de todos nós com a liberdade de sermos quem realmente somos”, finaliza a executiva.

MULHERES na Liberty Seguros: comandada por Patrícia Chacon, a seguradora tem  51% do quadro formado pelo público feminino

Delane Giannetti

Uma das principais premissas da Liberty Seguros em raleção a equidade de gênero é olhar para os programas com uma lente mais diversa. Um bom exemplo disso foi a criação dos grupos de afinidade dentro da companhia, desenvolvidos para discutir questões relacionadas à diversidade. O foco é entender como esses grupos podem mostrar suas necessidades e ouvir, a partir do olhar de quem realmente faz parte dessas minorias, quais ações podem ser implementadas e o que a companhia pode fazer para alcançar a diversidade internamente, conta Delane Giannetti, Diretora de Recursos Humanos da Liberty Seguros, ao Sonho Seguro.

“O empoderamento feminino também é uma causa muito importante para a Liberty, e trabalhamos há anos para incentivar esse movimento. A começar pelo projeto Mulheres Seguras, lançado em 2015 e que já impactou mais de 4 milhões de mulheres no país, pensado com o objetivo de empoderar as mulheres a conquistarem ainda mais no ambiente profissional e pessoal”, conta.

O Mulheres Seguras já promoveu mentoria online para empreendedoras, eventos para corretoras em todo o Brasil, treinamentos gratuitos nas redes sociais, engaja funcionárias da companhia com palestras e convenções e muitas outras ações. Além disso, em maio de 2019 lançou o Programa Contrate uma Mãe, uma iniciativa da Liberty Seguros para atrair e reter profissionais talentosas que, depois de um período de adaptação à maternidade, retornam para dar o seu melhor no mercado de trabalho.

Hoje a companhia conta com uma área de analytics que auxilia com indicadores mensais de todas as ações que envolvem os talentos da Liberty. “Além disso, estamos evoluindo cada vez mais com uma abordagem diversa, inclusiva e equitativa em diferentes ações”, pontua Delane.

O acompanhamento é feito mensalmente e, como evolução, a seguradora iniciou uma jornada para compartilhar e aumentar esses indicadores junto com a área global dedicada exclusivamente para Diversidade e Inclusão, criada para que todos os times assegurem que a empresa está fomentando um ambiente cada vez mais inclusivo, e com os ERGs (Employee Resources Group) – grupos liderados por colaboradores nas frentes de mulheres, LGBTQIA+ e pessoas com deficiência.

“Tivemos um aumento muito positivo do número de mulheres no board nos últimos anos, tanto com a nossa CEO, Patricia Chacon, como com mais membros do staff mulheres. Atualmente, contando com a nossa CEO, a Liberty Seguros conta com mais de 1.600 funcionários e, destes, 51% são mulheres”, detalha.

A executiva afirma que a Liberty Seguros prioriza a diversidade e inclusão de mulheres em posições de liderança há muitos anos. “A companhia se mantém cada vez mais comprometida com suas funcionárias, fortalecendo e ampliando os incentivos, além de dar ainda mais oportunidades de desenvolvimento para as mulheres em cargos de liderança. No nosso atual quadro de líderes, temos mais de 200 colaboradores, sendo que 34% são mulheres”.

Na Liberty Seguros, a filosofia é acreditar que cada funcionário deve se sentir confortável para ser quem é, por isso, a seguradora trabalha com pautas com foco na diversidade e na inclusão, para que as pessoas se sintam acolhidas dentro da companhia. Delana conta que os processos seletivos são inclusivos e os líderes são preparados para aplicar este olhar. “Utilizamos as competências técnicas e comportamentais como base para os processos da companhia, sem discriminar gênero, etnias, idade, orientação sexual ou religiosa”.

Como resultado disso, a Liberty atua com um quadro muito diverso, com PCDs, pessoas LGBTQIA+ e acima dos 55 anos, pretos e refugiados. A companhia tem parceria com diversas ONGS que viabilizam essas contratações, além de estabelecer que todas as vagas do Grupo Liberty Brasil sejam elegíveis para PCDs.

Além disso, conta com três grupos liderados por colaboradores de minorias, os ERGs. Alguns desses grupos chegam a 70 membros e, a partir deles, a companhia implementa ações voltadas para diversidade, equidade e inclusão em diversas frentes voltadas para carreira, cultura, comunidade e, de forma mais ampla, também para o negócio.

“Também temos um cuidado muito grande para acolhemos as mães que retornam de licença maternidade e a média de mulheres que saíram da empresa após um ano de retorno da licença maternidade nos últimos anos foi baixo, em torno de 5%. Temos, ainda, alguns casos de promoções durante a licença maternidade ou logo após o retorno, o que contribui para a equidade de gênero”, orgulha-se a diretora de RH da Liberty Seguros.

Seguradoras encerram 2021 com alta de 14,6% no faturamento e 7,4 pontos a mais na sinistralidade

irb inteligencia mercado

O setor de seguros fechou 2021 com variação positiva no faturamento de 14,6% em relação a 2020, o que representa R$ 18,1 bilhões a mais em prêmios emitidos, totalizando R$ 141,9 bilhões. É o que mostra a 16ª edição do Boletim IRB+Mercado, relatório mensal da plataforma IRB+Inteligência divulgado hoje (07/03). O segmento que mais cresceu no ano passado foi Rural, com resultado 39,3% superior ao verificado em 2020. 

Em dezembro do ano passado, a alta chegou a 19,3% na comparação com o ano anterior, puxando o resultado positivo do setor no quarto trimestre (4T21):  + 13,2% frente ao 4T20. Os segmentos que mais se destacaram foram Corporativo de Danos e Responsabilidades e Rural com variação de 24,5% e 24%, respectivamente. No comparativo entre o 4T21 e o 3T21, a evolução foi de 1,3%. 

A sinistralidade geral do setor também fechou o ano em alta. No acumulado do ano, o índice subiu 7,4 p.p. em relação a 2020, resultando em 51%. Esse aumento na sinistralidade foi impulsionado pelo segmento Automóvel, que apresentou R$ 3,7 bilhões a mais em sinistros ocorridos na comparação com 2020. Desconsiderando esse segmento, a sinistralidade total seria de 46%. Apesar do lucro líquido do setor de seguros ter crescido 35% em dezembro, no acumulado de 2021 o resultado é 36,8% menor que em 2020. 

Por segmento, Vida representou 36,1% (R$ 51,3 bilhões) dos prêmios emitidos no ano passado, alta de 12,8%, devido, principalmente, ao produto Vida Individual e Coletivo, que variou 17,6% e foi responsável por 60,4% do crescimento anual do segmento. Em seguida estão: Automóveis, 27,1% (R$ 38,4 bilhões); Corporativo de danos e Responsabilidades, 18,4% (R$ 26,1 bilhões); Individual Contra danos, 8,4% (R$ 11,9 bilhões); Rural, 6,8% (R$ 9,6 bilhões); e Crédito e Garantia, 3,2% (R$ 4,6 bilhões).  

O Boletim IRB+Mercado resume as operações de seguros a partir dos dados públicos disponibilizados pela Susep em 09/02, considerando os seguros de danos, responsabilidades e pessoas. A edição também lista os cinco maiores grupos seguradores por linha de negócios. A análise está disponível, na íntegra, no site do IRB Brasil RE. No mesmo endereço, o Dashboard IRB+Mercado Segurador permite consulta dinâmica e gratuita às informações de todo o setor. 

Gente Seguradora completa 50 anos baseada na livre iniciativa e concorrência para todos

Foto: Marcelo Wais e Sergio Wais – Crédito: Felipe Tedesco

A Gente Seguradora completa cinquentenário no dia 12 de março, tendo importante contribuição para o desenvolvimento do mercado de seguros. Sua constituição é fruto de uma política de livre iniciativa e livre concorrência para todos que culminou na quebra do direito cartorial, permitindo que qualquer empreendedor que atendesse aos requisitos técnicos e de capital pudesse ter uma seguradora.

Em 12 de março de 1972, o empresário Sergio Suslik Wais fundou o Gente Grupo Executivo de Seguros Ltda, que administrou durante 12 anos a Porto Seguro Companhia de Seguros Gerais no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, onde acumulou a função de diretor em parte desse período. Seu objetivo era atuar como seguradora independente, mas tinha como obstáculo o cerceamento do mercado, que operava por meio de concessões de cartas patente. “Esse documento, emitido pelo Ministro da Fazenda por delegação da Presidência da República, estabelecia quem tinha o direito àquela atividade, assim como os cartórios – por isso era conhecido como direito cartorial”, diz Sergio Wais.

O mercado segurador se reestruturou com o Decreto Lei 73/1966, que veio regulamentar a atividade e como se daria a constituição das empresas de seguros. Em 1973, foi criado um impedimento à concessão de novas autorizações de seguradoras, e houve um movimento de incentivo para fusões e incorporações que deu início a enormes grupos financeiros, que chegava a premiar as companhias que absorviam outras com empréstimos a juros de apenas 1% ao ano sem correção monetária. Os bancos usaram desse processo, incentivados pelo Governo, para acumular cartas patentes que depois vendiam a quem achassem que pudesse trabalhar na área de seguros ou bancos. 

Em 1982, quando se findou esse período de impedimento, passou a valer o que se estabelecia no Decreto Lei 73 para a constituição de uma seguradora – capital mínimo, regiões para operar. E então Sergio Wais protocolou na Superintendência de Seguros Privados (Susep), o primeiro pedido de autorização de uma seguradora. 

Mesmo cumprindo todas as exigências, o pedido foi negado pelo Conselho Nacional de Seguros Privados, presidido pelo então Ministro da Fazenda Ernane Galvêas, porém o empresário entrou com mandado de segurança no Tribunal Federal de Recursos (TFR), que concedeu autorização por 21 votos a um.  “Na reunião do CNSP que negou o pedido, o conselheiro Prof. Daniel Monteiro disse ao ministro Ernane Galvêas que o conselho não estava negando uma autorização para o empresário Sergio Suslik Wais, mas para todo e qualquer brasileiro que resolvesse empreender no país”, recorda. “Os grupos financeiros que já naquela época monopolizavam o setor e não tinham interesse nessa abertura de mercado. O fato de conseguirmos a autorização para operar possibilitou que outras pessoas tivessem a mesma pretensão de ter uma seguradora, e esse exemplo se estendeu para outros segmentos da economia”, enfatiza.

“O fim do sistema de cartas patentes tem uma importância muito grande, pois permitiu ao mercado uma oxigenação, criou o cenário que temos hoje, em que novos empresários podem vir investir seus recursos e fazer com que a atividade de seguros se desenvolva, gerando novas riquezas para o país, mais empregos, e benefícios ao consumidor, podendo baixar custos e atender melhor. Analisando que a participação do PIB no setor se seguros naquela época era de 1,2%, e agora é 6,7%, fica clara a importância dessa atuação”, frisa. “Pudemos dar mais transparência a essa atividade, abrindo-a para quem queira prestar serviço à sociedade com melhor qualidade, da melhor forma e dentro de regulação”.

A constituição da Gente Seguradora S.A. foi oficializada em 8 de abril de 1983. Solidamente estruturada e autorizada a funcionar pela Portaria Ministerial nº 215, de 28 de novembro de 1984, a empresa iniciou suas operações em 2 de janeiro de 1985, tornando-se hoje uma instituição de respeito no setor, com sucursais nas principais cidades do país.

Em decorrência desta decisão, em 27 de setembro de 1984, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, Des. Adroaldo Furtado Fabrício, registrou o importante momento para a economia do Brasil, com o envio de cartão ao presidente da Gente Seguradora, destacando que “tua brilhante vitória prova quanto é importante acreditar com força e lutar com decisão pelo direito que se tem. Prova que certa dose de quixotismo é necessária, sobretudo diante da prepotência. Que as eminências pardas do poder paralelo e extra-legal não são invencíveis. E que ainda há juízes no Brasil, portanto, há esperança. Sinceras congratulações e grande abraço pela belíssima lição de fé e determinação”.

“Temos uma política voltada ao atendimento ao cliente. Estamos entre as principais seguradoras do país, e uma das melhores colocadas em automóvel. Propusemo-nos a ser uma seguradora de porte pequeno exatamente para atender com qualidade a todos os nossos clientes”, defende Marcelo Wais, vice-presidente da empresa.

A Gente Seguradora recebeu o 2º lugar do Prêmio Finanças Mais 2021, no segmento Seguros da categoria Seguros Auto. Também obteve o melhor conceito na Avaliação de Desempenho de Fornecedores realizada pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS) referente aos serviços de seguro de veículos em análise ao segundo trimestre de 2021.

Confirmando as premiações, conforme os dados disponibilizados pela Susep, a Gente Seguradora registrou em novembro de 2021 a melhor margem de lucro entre companhias na modalidade automóvel que faturam acima de R$ 130 milhões. Com base nas estatísticas enviadas pelas seguradoras à Susep, no mês de dezembro de 2021, a Gente Seguradora ocupa a 28ª posição na análise do lucro líquido das seguradoras.

“Meu pai costumava dizer: ‘quem não tem história não tem futuro’. Já se vão 50 anos de nossa história no setor de seguros, que culminou com a autorização de funcionamento da Gente Seguradora, e de tantas outras companhias que surgiram depois”, aponta Sergio Wais. “Após meio século, seguimos otimistas com a expectativa de retomada do crescimento econômico em 2022, acreditamos na ascendente potencialidade de mercado da Gente Seguradora, que já é observada, e mantemos a política de aprimorar constantemente as plataformas de negócios bem como desenvolver novos produtos, aprimorando o atendimento com novos meios de comunicação, sem perder o foco no ser humano, e utilizando a otimização que a inteligência artificial proporciona na automatização dos processos”, aponta o fundador. 

CNseg: ainda mais incertezas em 2022 com agravamento do conflito entre Rússia e Ucrânia

pedro simoes cnseg 10

A escalada do conflito entre a Rússia e as potências ocidentais devido à invasão da Ucrânia traz ainda mais incertezas e preocupações para o cenário econômico de 2022, que já não é fácil, como o economista Pedro Simões, economista do Comitê de Estudos de Mercado da CNseg, vem alertando desde final de 2021 no boletim Acompanhamento de Expectativas Econômicas

“Ainda que possa beneficiar alguns setores exportadores específicos, a alta das commodites que a guerra vem provocando dificulta e deverá tornar mais custosa a desinflação que é o principal acontecimento da economia brasileira neste ano”, afirma no boletim desta segunda-feira, 7. Em uma semana, as cotações do trigo subiram US$ 100 a tonelada, em média, no mercado físico brasileiro. O petróleo chegou aos US$ 130 por barril (tipo Brent) com risco do embargo ao óleo russo.

Nesse contexto, a mediana das expectativas para o IPCA avançou pela oitava semana consecutiva no Relatório Focus, para 5,65%, e está cada vez mais distante do teto da meta definida pelo governo para 2022 (5,0%). Já a expectativa para o IPCA em 2023 continuou em 3,51%, ainda que acima do centro da meta (3,25%, banda de 1,75% a 4,75%).

A divulgação do PIB do quarto trimestre de 2021 mostrou que a atividade econômica avançou 0,5% em relação aos 3 meses anteriores, após retrações de 0,3% no 2º trimestre e de 0,1% no 3º trimestre, escapando, assim da recessão técnica. Com esse número, o PIB cresceu 4,6% em no ano passado. “O resultado um pouco mais positivo que o esperado na margem melhorou as projeções para o carregamento estatístico este ano, ou seja, o crescimento “garantido” mesmo que o PIB não cresça em nenhum trimestre deste ano, apenas pelo efeito do cálculo de “médias sobre médias” (média dos quatro trimestres do ano corrente sobre a média dos quatro trimestres do ano anterior). Esse carregamento ficou em 0,3%, já próximo das projeções que vigoravam anteriormente. Com isso, houve aumento na expectativa para o crescimento do PIB deste ano, de 0,30% para 0,42%, mesmo com o contexto mais negativo. Para 2023, a mediana permaneceu em 1,50%”, destaca.

Leia o boletim Acompanhamento de Expectativas Econômicas desta semana no portal da CNseg.

Artigo: A pesquisa clínica e o seguro: uma combinação importante e necessária

Por Felipe Pereira

Em 2020, a humanidade conheceu um daqueles eventos que o mercado financeiro convencionou chamar de “black swan”, algo que é imprevisto, altamente improvável e que, se acontecer, terá capacidade de abalar estruturas – sejam econômicas, sociais ou humanas.

A pandemia do COVID-19 chegou e colocou a todos nós a prova. Nosso estilo de vida, como trabalhamos, como convivemos, nossos hábitos de higiene. Colocou a prova as políticas sociais e de saúde pública. Colocou a prova o conhecimento tecnológico e científico. Tivemos todos que nos reinventar de alguma forma e lidar com a dor da perda, da distância, do medo, da doença e da morte.

O enfrentamento ao Coronavírus também trouxe outro fenômeno: colocou um grande e potente foco de luz sobre pesquisa clínica. Eu me pergunto: por que mesmo nunca discutimos tanto sobre isso antes? A resposta é óbvia: pois nunca tivemos tanta necessidade como temos agora. O noticiário – agora tomado pela Guerra na Ucrânia – nos bombardeou durante meses a fio sobre os avanços da doença e sobre as soluções apresentadas pela ciência. De repente, todos estávamos discutindo sobre as fases de desenvolvimento das candidatas a vacinas. Se aquelas já aprovadas localmente pela ANVISA são ou não experimentais, se seriam confiáveis e se representariam uma porta de saída dessa crise que enfrentamos já há 2 anos.

De repente, a sociedade rogou por uma nova dinâmica no modo como vacinas são produzidas. Tratamentos profiláticos que são desenvolvidos em anos foram desenvolvidos em meses. Milhares de ensaios clínicos sendo conduzidos mundialmente. Centenas de potenciais candidatas a vacinas contra o Coronavírus e dezenas de milhares de pessoas voluntárias que, com muita compaixão – e uma grande dose de esperança – aceitaram participar dos ensaios clínicos para que todos hoje possamos afirmar que, uma vez vacinados, estamos mais seguros contra esta doença que abalou o mundo.

Eu sempre atuei no mercado segurador e desde muito jovem servi a diversas indústrias enquanto profissional de seguros, principalmente de transportes e logística, construção civil, mineração, mercado financeiro. Venho há 9 anos atuando com seguro para Pesquisas Clínicas – sendo os últimos 5 anos dedicados exclusivamente a esta atividade – e posso afirmar com todas as letras: nada fez tanto sentido para mim quanto servir às indústrias farmacêutica e de assistência médica. Esta pandemia reforçou isso. 

É duplamente gratificante servir a estes profissionais que se dedicam a desenvolver novas e melhores formas de cuidar de pessoas e ajudá-las a zelar e a proteger os protagonistas deste grande ato altruísta: os participantes. E um grande desafio também.

Ao passo que a sociedade tomou mais conhecimento sobre pesquisa clínica pelo advento da pandemia e angustiava por formas de protegerem a si mesmos e a quem amam, os profissionais que as conduzem também foram submetidos a forte pressão: pelos veículos de comunicação, pelos governos, pela sociedade. E, observando de perto, o aumento da demanda pelo seguro de Responsabilidade Civil Testes Clínicos foi quase proporcional.

A procura por uma solução que redobrasse as garantias a assistência imediata e integral ao participante da pesquisa – como prevê a Resolução CNS nº 466/2012 – e a chance de conclusão do projeto de pesquisa, apesar dos riscos envolvidos e potenciais eventos adversos, fez e faz sentido. Pesquisas clínicas são conduzidas em ambientes controlados e, em sua maioria, robustamente alicerçadas no conhecimento científico já estabelecido e em sólidas referências bibliográficas.

Toda essa base se faz necessária para oferecer o mais elevado nível de segurança e bem-estar possível ao participante – e igualmente conferir sucesso ao projeto de pesquisa. No entanto, o ambiente do desenvolvimento é incerto. É um lugar onde não estivemos ainda e não há como antecipar 100% dos eventos futuros (afinal, se pudéssemos, pesquisas clínicas – e o próprio progresso científico – não fariam o menor sentido), por mais robustas, sólidas e seguras que sejam as bases nas quais a pesquisa esteja sendo edificada. Trata-se de algo inerente e indissociável do desenvolvimento.

Compreendo que a maioria absoluta dos profissionais que conduzem pesquisas clínicas reconhece isso. E então adentra-se numa outra esfera: a relevância do seguro nesse processo.

Algo que pode ser desconhecido é que o Seguro de Responsabilidade Civil de Testes Clínicos existe e é comercializado no Brasil. É ofertado por um pequeno número de seguradoras e corretores de seguros. O paradoxo do ovo e da galinha encaixa-se perfeitamente nesse cenário, pois ao passo que a demanda existe e poderia (deveria) ser maior, a oferta também existe e poderia (deveria) ser maior; no entanto, parece-me que um aguarda a sinalização do outro para se movimentar. Para muitos, a solução deste paradoxo está no reconhecimento entre eles como membros elementares de um sistema funcional, evolutivo, e que se retroalimentam igualmente. E este é o verdadeiro desafio: fazê-los se encontrarem e se reconhecerem.

Sob a perspectiva da minha experiência profissional, mais de 80% das pesquisas clínicas seguradas no Brasil são, na verdade, parte da compra de um “pacote” de seguros mundial desenvolvido, negociado e fechado no exterior. Os players internacionais do mercado de pesquisa clínica – e neste exemplo, sobretudo, os patrocinadores – parecem reconhecer bem o vínculo entre desenvolvimento e seguro. Para mim, uma combinação importante e necessária.

Não se deve, no entanto, desprezar que a legislação local onde se situam estes players internacionais provavelmente os pressiona para que o seguro componha item elementar para a execução de ensaios clínicos em seus cidadãos – seja por força de lei, por lógica de mercado ou pelo próprio acesso facilitado à justiça. Torna-se, portanto, algo basal, elementar, cultural e natural: desenvolvimento, seguro. Seguro e desenvolvimento. E isso naturalmente faz com que a oferta seja também abundante.

Não que inexista a possibilidade de responsabilização das entidades e indivíduos que conduzem pesquisas clínicos no Brasil. Os casos de imputação de responsabilidade existem e estão disponíveis publicamente na internet. Aliás, para além das responsabilidades previstas na Resolução CNS nº 466/2012, há correntes no direto pátrio que sustentam a responsabilização do pesquisador principal como objetiva e integral; isto é, independe de culpa (independe também da assinatura do TCLE).

O fato é que, sendo a aquisição do seguro um processo natural ou não, sua essência persiste: prover recursos para assistência integral e imediata ao participante, maior garantia da conclusão do projeto apesar dos riscos e proteção patrimonial para aqueles que se lançam e se arriscam no processo de desenvolvimento científico. 

O correto equilíbrio entre benefícios e riscos – bem representados por alguns dos princípios bioéticos que pautam a prática da pesquisa clínica, beneficência e não-maleficência – está na base de um projeto de pesquisa que envolverá seres humanos. Afinal de contas, não é ético, não faz sentido, é reprovável, condenável e inaceitável qualquer pesquisa clínica que parta de uma relação negativa entre benefícios (seja aos participantes diretamente ou à sociedade) e riscos.

A indústria farmacêutica, que está na vanguarda dos projetos de pesquisa clínica ao redor do globo, os pesquisadores responsáveis, respectivas instituições de pesquisa e CEPs, sobretudo, tutelam esses princípios e os reafirmam a cada projeto de pesquisa clínica. Sob todos os aspectos técnicos e científicos em que são desenvolvidas, as pesquisas clínicas priorizam esses princípios, pois representam a segurança e bem-estar do participante. Sob o ponto de vista da pesquisa clínica enquanto negócio, esta lógica continua eficaz: não faz sentido empreender num projeto cuja relação de riscos e benefícios é desequilibrada. Ou, no caso do seguro, ignorar algo que potencializará as chances de êxito.

O seguro certamente não poderá tratar as causas da concretização de um risco (potencial SAE, por exemplo) – isso o próprio projeto que o precede e as bases nas quais o ensaio clínico é desenvolvido e executado deverão dar cabo de fazê-lo – mas tratará as consequências e se fará um fiel aliado e uma peça-chave na condução de eventos que colocam em risco o participante e o próprio desenvolvimento científico, do bem-estar e da saúde das pessoas. Daí a importância e a necessidade desta combinação.

O mercado segurador nacional tem perfeitas condições de entregar uma solução que faça sentido para todo e qualquer tipo de projeto de pesquisa clínica. Aliás, com condições contratuais muito mais vantajosas do que aquelas amplamente oferecidas pelas seguradoras estrangeiras e adquiridas pelos players internacionais de pesquisa.

Apesar desta grande vantagem competitiva nacional, o número tímido de players atuantes neste ramo de seguro impõe limitações: encontrar um profissional que se dedique à área é uma delas. Mas eles existem, são especializados e capacitados para conduzir a aquisição de um contrato de seguro que faça sentido dentro da lógica da relação de benefícios e riscos, atenda às especificidades de cada projeto e forneça a proteção que o participante tem direito e ao sucesso do projeto que seus ofertantes merecem.

Para o corretor de seguro, este ramo representa muito mais que a remuneração advinda da concretização de um negócio imediato. Pesquisa clínica é um ramo em ascensão no Brasil. A pandemia certamente o tracionou de uma maneira incrível e, particularmente, espero alguma desaceleração no ritmo de crescimento no momento “pós-pandemia”, e igualmente acredito que este mercado nunca mais será o mesmo, pois os avanços tecnológicos e parcerias internacionais estabelecidas durante a pandemia persistirão. 

Além disso, uma vez feitos tangíveis os riscos aos agentes de pesquisa clínica para além do campo técnico e estabelecida a necessária relação de confiança com seus consultores de riscos e seguros, este ramo representará um importante incremento nos resultados na corretora e da seguradora que se dedicar a conhecê-lo com profundidade. 

MULHERES na Icatu Seguros: “Não consigo ver o mercado de TI fechado para as mulheres”

Icatu Seguros mulheres

Patricia Gargiulo, CIO da Icatu Seguros, afirma que a presença de mulheres em áreas majoritariamente masculinas, especialmente no mercado de tecnologia, vem avançando de forma positiva nos últimos anos, e é possível ver o protagonismo feminino em diversos cargos, inclusive em posições de liderança.

Ela mesma assumiu o cargo na companhia no último ano. Com 34 anos de experiência no mercado de TI, sendo 22 na Icatu, Patricia conta os desafios de comandar uma das principais áreas de uma das maiores seguradoras independentes do Brasil em seguro de vida, previdência e capitalização e sobre como é ser uma líder feminina em uma área historicamente masculina. “Não consigo ver o mercado de TI fechado para as mulheres”, afirma.

Quando você ingressou no mercado de TI, há cerca de 35 anos, os desafios eram os mesmos que os atuais para as profissionais femininas?

Não, acredito que era muito mais difícil. As pessoas nem conheciam a palavra “informática” e as oportunidades eram infinitamente menores. Várias especialidades dentro de TI nem existiam. A internet era muito restrita. Os desenvolvimentos eram em sua maioria para “mainframe”.  

Atualmente, a questão de gênero é um fator relevante na contratação de um profissional de TI ou você acredita que hoje o mercado está mais aberto para mulheres? 

Hoje, talvez pela minha jornada de 22 anos aqui na Icatu, não consigo ver o mercado de TI fechado para as mulheres. Claro, se você tiver raciocínio lógico, for estudiosa, inteligente, competente e focada. Aqui, a competência e profissionalismo sempre estiveram acima de qualquer questão de gênero.  Nossa Diretoria é composta por 50% de mulheres e dentro da TI tenho 50% dos reports diretos também para mulheres. Mulheres competentes, engenheiras, mães e profissionais altamente dedicadas.

O fato de você ser mulher te impõe quais desafios à frente de uma Diretoria que historicamente era ocupada por homens?

Sei que, por vezes, deve passar pela cabeça de algumas pessoas se uma mulher, com sua delicadeza, educação e “fala mansa” é capaz, por exemplo, de falar de geradores, ter firmeza em suas opiniões, manter o time com foco nas entregas, virar uma noite quando necessário, cuidar de um orçamento e comentar sobre economia e/ou política. Mas, a partir da oportunidade, a gente consegue se provar, e foi o que eu fiz em cada chance que tive, provei que conseguia e, consequentemente, fui muito bem acolhida por toda a Diretoria. Tento sempre ter equilíbrio emocional, me basear em dados e fatos, além de ouvir todos os lados. Pra mim, são a chave em qualquer situação.

Você tem uma larga experiência no mercado segurador, em especial na Icatu, onde ingressou no ano 2000. Quais as particularidades da TI no mercado de seguros? Os desafios e as oportunidades de desenvolvimento de carreira do profissional da área também são animadoras? 

O mercado de seguros, por sua tradição, é extremamente regulado, com processos e regras complexas, além de ser um mercado que possibilita fazer com que a criatividade na oferta de um produto seja ilimitada.  Particularmente na Icatu, onde também formatamos o produto de acordo com a necessidade de nossos clientes, precisamos ter visão de futuro, flexibilidade, escalabilidade, agilidade e robustez em nossas entregas na TI. Somos desafiados constantemente pelo negócio e vice-versa, e este cenário é extremamente estimulante.

A TI hoje é a carreira do momento, para homens e mulheres.  Fora a diversidade de especializações que você pode seguir como desenvolvedor de front e/ou backend, analista de sistemas, arquiteto de soluções, arquiteto de integração, arquiteto de software, engenheiro de software, analista de infraestrutura de rede, de servidores, de telecom, analista de segurança da informação, analista de dados, analista de banco de dados, agile, enfim, são muitas as oportunidades para se dedicar, crescer e especializar.  O mundo hoje não vive sem tecnologia. A riqueza desta profissão é que ela está presente em tudo.  Você tem uma amplitude de absorção de conhecimentos de negócio ilimitado.  Seja no agro, médico, finanças ou varejo.  Hoje o estagiário escolhe onde quer trabalhar.  É claro que fazer parte de uma empresa que possui no board todo o apoio e investimento para tecnologia, além de fazer parte do GPTW (a Icatu foi eleita por sete vezes consecutivas como uma das melhores empresas para se trabalhar no Brasil), é um diferencial ao longo da carreira. A responsabilidade é grande quando se tem o investimento necessário para a atualização tecnológica e crescimento da empresa.

Em seu currículo, destaca habilidades como a inteligência emocional. De que forma esta habilidade favorece a atuação em uma área considerada “mais dura/fria”?

A área de tecnologia da informação, por participar de praticamente todos os projetos, sejam eles legais, estratégicos, de negócio ou técnicos, precisa sempre estar aberta para ouvir com atenção todas as demandas, opiniões e expectativas, além de ponderar o que é ou não possível entregar no prazo desejado. É uma área movida à pressão pela entrega e que precisa manter a qualidade.  Sempre brinco com aquele pedido de “Vai fritando o pastel que eu ainda vou decidir o recheio”.    Quanto mais pressão, mais é preciso ter a cabeça no lugar, focar no que é prioritário, negociar o escopo, datas de entrega, priorizar os testes e dar o melhor de si.  Da mesma forma que é uma área extremamente desafiadora e estimulante, se você pensa em ser um profissional de TI, por mais brilhante que você seja ou por mais entrega que você faça, se alguma coisa der errado, sempre a culpa será de sistemas. Mesmo uma demanda ou regra que nunca foi solicitada, se o produto não for lançado porque não estava desenvolvido, a culpa é da TI. E isso é uma grande responsabilidade.

A verdade é que a TI tornou-se muito complexa e, para os usuários comuns, é apenas desenvolver uma tela. Performance, rastreabilidade, monitoração, dimensionamento da infra e definição da arquitetura e integrações não aparecem, são a parte de baixo do iceberg.

Por isso, a inteligência emocional nos ajuda a ponderar todos os fatos, conversar sem julgar, buscar sempre a melhor solução para a empresa, além de sempre colocar na balança para termos a melhor entrega, com qualidade, dentro do tempo e custos estipulados.  Afinal, se você se desesperar, quem entregará por você?

Como você recebeu a notícia de que seria promovida à Diretoria de TI na Icatu? 

Fiquei muito feliz. Vinte e dois anos em uma empresa é uma vida.  Sempre busquei a melhor solução pensando na companhia e tenho muito orgulho de onde trabalho. Os valores, a ética e transparência da empresa, o cuidado com seus funcionários e clientes sempre foram fatores que fizeram eu me apaixonar cada dia mais pelo que faço e por onde estou. Não posso deixar de agradecer toda minha equipe, que sempre me apoiou e confiou no meu direcionamento. Sem eles eu não teria alcançado esta posição.

Hoje você lidera uma equipe de 400 pessoas. Como é sua rotina de trabalho? E quais são os principais desafios de ser uma líder feminina nesta área?

Minha rotina começa cedo. Acordo geralmente às 5 horas para dar tempo de me arrumar para o trabalho, tomar meu café e deixar minha filha às 7 horas na escola. Chego no trabalho por volta das 8h30. Minha agenda é desafiadora pelo fato da TI fazer cross em praticamente todas as frentes da companhia, então participo de vários comitês, projetos e reuniões diárias, tanto com minha equipe direta quanto fornecedores. Consigo, geralmente, fazer exercícios apenas duas vezes na semana, à noite.  E como todo CIO, meu celular é 7×24.  Leio meus e-mails, mensagens e chats ao longo do dia e também um pouco à noite. Estou e tenho que estar sempre ligada no que está acontecendo. Os principais desafios de ser uma líder mulher nesta área é a dedicação que precisamos dar, tanto para a equipe e empresa, quanto para a filha, marido, casa e, claro, a dedicação para mim mesma.  O tempo é o maior desafio.  É difícil desacelerar.

Se pudesse dar um conselho para as mulheres que pretendem ingressar no mercado de TI, o que diria a elas?

Nunca desistam do seu objetivo! Estudem muito e conquistem seu espaço um dia de cada vez. As oportunidades existem e precisamos acreditar que somos capazes para seguir em frente. Cada dificuldade nos torna mais fortes e um dia tudo ainda vai parecer pequeno porque as conquistas te farão enorme.

Resiliência, dedicação, escuta ativa, humildade, segurança, buscar sempre soluções, raciocínio lógico e um bom café ajudam bastante a chegar lá.  Além de sempre ter um propósito claro e um ambiente harmônico, que te inspire a chegar lá.