A Casa do Seguro recebeu, na tarde desta terça-feira (11), em Belém (PA), durante a COP30, o Fórum Clima, Vida e Longevidade, promovido pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) e pela Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi).
O encontro reuniu especialistas nacionais e internacionais para discutir como novas abordagens e instrumentos financeiros podem transformar os desafios da longevidade e das mudanças climáticas em oportunidades para o desenvolvimento sustentável do país.
Sustentabilidade, proteção e pragmatismo
Na abertura, o presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, destacou o ineditismo da conexão entre longevidade e clima, além do papel do setor de seguros em oferecer respostas concretas à sociedade.
“O tema da longevidade é altamente impactado pelas mudanças climáticas, e a própria COP ainda não trata isso adequadamente. Trazer essa discussão é uma maneira de ajudar a sorte. A nossa e a do planeta”, afirmou.
Dyogo ressaltou que a Casa do Seguro busca “falar para fora da bolha” do setor, levando ao público e a outros segmentos produtivos as soluções e os desafios das seguradoras na transição para uma economia sustentável.
Na sequência, Edson Franco, presidente da FenaPrevi, reforçou a necessidade de integrar as dimensões ambiental, social e econômica.
Presidente da FenaPrevi, Edson Franco
“Esta é a COP da implementação. A política fiscal terá que equilibrar o envelhecimento humano e o envelhecimento ambiental do planeta. Os custos da inação podem ser impagáveis”, alertou.
Transição climática e envelhecimento populacional: os desafios para o futuro
Em seguida, o cientista e professor da USP Paulo Artaxo, membro do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), apresentou um panorama contundente das transformações ambientais em curso e seus impactos diretos sobre a saúde e a longevidade.
Segundo ele, as mudanças climáticas já representam a maior ameaça à saúde pública deste século, com efeitos crescentes sobre doenças cardiovasculares, respiratórias e infecciosas.
“O envelhecimento da população torna ainda mais difícil a adaptação ao novo clima. E quanto mais cedo o fizermos, menor será o prejuízo para a sociedade”, observou.
Artaxo destacou que o Brasil, por sua localização tropical, é um dos países mais vulneráveis ao aquecimento global. “Quatro graus a mais aqui em Belém têm impacto muito maior do que quatro graus em Estocolmo ou Montreal. É melhor cuidarmos do clima, porque o troco virá mais forte para nós.”
Transição justa e novos modelos de proteção
No principal painel da tarde, intitulado “Seguros, mudanças climáticas e longevidade”, o diretor da OIT, Vinícius Pinheiro, destacou que as mudanças climáticas, tecnológicas e demográficas estão alterando profundamente o mundo do trabalho.
“A transição justa coloca as pessoas no centro. O clima já mudou e isso exige uma reformulação dos modelos de seguro e de proteção social”, disse Pinheiro.
Seguro de pessoas como alavanca econômica e social
Para o vice-presidente da Prudential, Antônio Rezende, o setor de seguros é uma das principais ferramentas de resiliência da sociedade diante das novas vulnerabilidades climáticas. “O seguro é uma das grandes alavancas econômicas do PIB. Ele transforma riscos em proteção financeira e reduz a dependência dos recursos públicos.”
Previdência privada e o financiamento da transição
O diretor da Bradesco Vida e Previdência, Estevão Scripilliti, defendeu o papel estratégico da previdência privada na poupança de longo prazo e nos investimentos sustentáveis: “A previdência privada é parte da solução. Podemos direcionar recursos para financiar a transição climática e garantir o futuro das próximas gerações.”
Experiências internacionais e inovação
O diretor do Impact Center for Climate Change da Fidelidade, Rui Esteves, apresentou as iniciativas do centro de conhecimento e investigação da seguradora portuguesa, que integra sustentabilidade e longevidade em programas de prevenção e bem-estar. “Estamos desenvolvendo soluções que unem dados de saúde, estilo de vida e tecnologia para promover uma vida mais longa e saudável.”
O pacto intergeracional em crise
Com seu estilo contundente, Nilton Molina, de 90 anos, abordou o envelhecimento da população como um desafio sem precedentes. “O Brasil envelheceu antes de ficar rico. Quebramos o pacto intergeracional. Quem vai pagar essa conta? Precisamos dizer a verdade: a sociedade não terá dinheiro para sustentar grandes programas sociais. É hora de criar um novo sistema e incentivar a poupança individual.”
O setor de seguros como protagonista da transformação
Encerrando o encontro, Edson Franco reafirmou a importância de o setor de seguros e previdência assumirem papel de liderança na transição para uma economia mais resiliente e sustentável.
“O setor precisa falar mais alto e mostrar que é parte da solução, seja na mitigação dos riscos climáticos, seja na construção da segurança financeira de longo prazo.”
O Fórum Clima, Vida e Longevidade marcou um ponto de convergência entre as agendas do clima e da longevidade, destacando o potencial do seguro e da previdência como instrumentos de transformação social e ambiental para um futuro mais equilibrado.
Por Felipe Aragão, com apoio da LARA, Inteligência Artificial da Latin RE
No Brasil, o risco é frequentemente visto como algo distante — uma preocupação dos outros, não nossa. A expressão “somos abençoados por Deus e bonitos por natureza” sintetiza um traço cultural que, embora afetuoso, mascara uma realidade perigosa: subestimamos o risco que está à nossa volta. Essa crença de proteção quase divina nos torna lentos para reagir e cegos para prevenir. Durante o CQCS Insurtech & Inovação 2025, no painel “Mudanças Climáticas – As oportunidades para o seguro”, defendi que o maior risco brasileiro não é climático nem financeiro — é psicológico e cultural: a negação do risco e a recusa em absorvê-lo.
O brasileiro reage com empatia a tragédias distantes, mas tende a ignorar os riscos cotidianos que o cercam. Essa dissociação emocional é explicada por Daniel Kahneman, em “Pensar, Rápido e Devagar”, como um viés cognitivo: julgamos a probabilidade de algo ocorrer com base na lembrança ou impacto emocional, e não em sua frequência real. Como as grandes catástrofes parecem sempre “lá fora”, mantemos a ilusão de que “aqui não acontece”. Essa miopia coletiva está presente em temas recorrentes — enchentes, secas, deslizamentos — que só se tornam urgentes depois que já viraram manchete. Em outras palavras, não falta informação — falta percepção de vulnerabilidade.
Culturalmente, evitamos absorver risco. Transferimos, terceirizamos, adiamos. O Estado é visto como garantidor universal, e o seguro, como custo desnecessário. Paradoxalmente, a mesma sociedade que evita enfrentar riscos concretos é a que mais cresce nas plataformas de apostas (BETs). Aceita-se o risco quando ele diverte, mas não quando exige responsabilidade. É a contradição da sociedade emocional: apostamos na incerteza, mas negamos a probabilidade. Essa aversão generalizada compromete nossa capacidade de prevenir, planejar e prosperar — e deixa empresas, famílias e governos reféns da sorte.
A COP (Conferência das Partes) é o palco onde o mundo discute a urgência climática. E, ainda assim, o negacionismo permanece — não só o científico, mas o cultural. No Brasil, ele se manifesta em sutilezas: acreditamos que o problema é real, mas não nosso. Preferimos confiar na sorte, no clima ameno e na ideia de que “Deus é brasileiro”. Esse pensamento mágico, quando incorporado à política e à economia, destrói o senso de urgência. Ele impede o desenvolvimento de mecanismos de mitigação e trava o avanço de soluções como seguros climáticos e fundos de catástrofe. Enquanto isso, o mundo segue discutindo precificação de carbono, resiliência urbana e infraestrutura adaptativa — temas que exigem uma visão de risco como ativo estratégico, não como obstáculo.
O mercado segurador e ressegurador tem, neste cenário, uma missão que transcende o cálculo atuarial: reeducar a sociedade sobre o valor de absorver risco. O seguro não é apenas proteção financeira — é um instrumento civilizatório. Ele permite que famílias invistam, que empresas se arrisquem e que sociedades cresçam com segurança. Mas, para isso, o setor precisa mostrar mais e precificar melhor. O Brasil não pode continuar tratando risco como tabu. É hora de torná-lo visível, mensurável e compreensível. A ausência de precificação não elimina o risco — apenas o distribui de forma desigual e silenciosa. Como alguém que tem grande apetite por risco quando o retorno é bom e satisfatório, acredito que o problema não é o risco em si, mas a falta de clareza sobre o valor que ele carrega. O risco, quando bem precificado, é o que permite a inovação, o investimento e a confiança.
Conclusão e Convocação
O futuro climático, econômico e social do Brasil dependerá da nossa capacidade de substituir a fé na sorte pela fé na preparação. Absorver risco é reconhecer a realidade — e agir sobre ela. O mercado segurador e ressegurador local deve assumir o papel de protagonista, liderando a conversa sobre vulnerabilidade e resiliência. É hora de deixar de ser apenas um amortecedor e tornar-se um espelho do risco real que o país corre. Enquanto insistirmos em acreditar que nada vai acontecer conosco, permaneceremos vulneráveis. Mas se encararmos o risco de frente — com método, apetite e disciplina — poderemos transformá-lo na base de um crescimento sólido e sustentável.
Referências
– Kahneman, D. (2011). Pensar, Rápido e Devagar. Companhia das Letras. – CQCS. (2025). Executivos discutem como o seguro pode responder às mudanças climáticas no CQCS Inovação 2025. – Gamma App. (2025). Mudanças Climáticas – As oportunidades para o seguro. elip- Conferência das Partes (COP). Acordos e discussões sobre mitigação e adaptação climática.
A MAG Seguros anuncia o início da edição de novembro da campanha Protegeu, Ganhou!, iniciativa que garante 50% de bônus extra na angariação a corretores e reforça a conscientização sobre o câncer de próstata. A ação ocorre até 30 de novembro e integra o movimento Novembro Azul, voltado ao incentivo do diagnóstico precoce e ao cuidado com a vida.
A seguradora, que possui 190 anos de atuação contínua no mercado de vida e previdência, destaca que a campanha busca unir incentivo comercial e propósito social, assim como ocorreu em outubro durante a mobilização pelo câncer de mama. O objetivo é estimular os corretores a promover informação, prevenção e acesso a soluções de proteção financeira ao longo da jornada de atendimento.
“Assim como fizemos no Outubro Rosa, queremos que o Novembro Azul seja mais um momento de diálogo aberto sobre prevenção. O câncer de próstata ainda é cercado de tabus. As seguradoras têm um papel fundamental em facilitar o acesso à informação, ao diagnóstico e às soluções de proteção financeira. Na MAG, trabalhamos para apoiar as famílias de forma completa, oferecendo produtos adequados às necessidades das famílias e incentivando nossos corretores a levar essa mensagem adiante”, afirma Márcio Batistuti, Diretor Comercial de Varejo do Grupo MAG.
Os produtos elegíveis estão descritos no regulamento completo, disponível com a liderança comercial da companhia. Para mais informações, consulte um representante da liderança comercial MAG e o regulamento da campanha.
A Bradesco Capitalização, empresa do Grupo Bradesco Seguros, acaba de lançar o Max Virada do Milhão, série sazonal e limitada com um sorteio milionário. O produto está disponível nas opções de pagamento único, de R$ 100 e R$ 200, nas quais o cliente concorre a mais 130 prêmios durante a vigência do produto com prêmio máximo de R$ 1 milhão.
“Este é mais um ano que trazemos um produto especial da virada, um título que já faz parte do nosso portfólio e do gosto dos nossos clientes. Além de oferecer a chance de concorrer a um prêmio milionário, o Max Virada do Milhão tem um papel importante: incentivar a disciplina financeira”, explica o superintendente sênior de Negócios da Bradesco Capitalização, Douglas Duran.
Na versão de R$ 100, o prêmio principal é de R$ 500 mil; já na de R$ 200, o destaque é o prêmio de R$ 1 milhão, cujo sorteio será realizado no dia 27 de dezembro. As demais premiações, entre sorteios únicos e mensais, têm valores de até R$ 40 mil. O Max Virada do Milhão tem vigência de 60 meses e está disponível para compra até 26 de dezembro.
A Seguros Unimed, braço segurador e financeiro do Sistema Unimed, anuncia Rodrigo Augusto como novo superintendente Jurídico, de Governança, Riscos, Compliance e Privacidade de Dados. Com uma trajetória consolidada na seguradora, o executivo assume o desafio de fortalecer a segurança jurídica, a governança e as práticas de compliance. “A missão é consolidar o trabalho em desenvolvimento, que assegure confiança e proteção, contribuindo para um ambiente ético e inovador, sempre voltado ao cuidado de longo prazo com a saúde e o patrimônio”, afirma o novo superintendente.
Formado em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, com mais de 21 anos de experiência no setor jurídico, especialmente nas áreas de seguros e saúde suplementar, Rodrigo Augusto também possui MBA Executivo em Seguros e Resseguros e Pós-Graduação em Direito Administrativo. Com passagem por empresas como Allianz, Tokio Marine, QBE, MetLife e AllSeg, sua trajetória inclui a liderança de equipes jurídicas, a implementação de áreas de Ouvidoria e Compliance, além da atuação como professor e membro de comissões jurídicas do setor, como Abramge e Fenasaúde.
Em um momento de instabilidade econômica e mudanças profundas na forma como os brasileiros lidam com planejamento financeiro, a Alper Seguros dá um passo importante em sua estratégia de expansão e inovação, participando do XXVI Congresso Nacional do Ministério Público, que acontece de 11 a 14 de novembro, em Brasília (DF), e apresentando ao mercado uma nova etapa de atuação, marcada pela integração entre tecnologia, bem-estar e proteção financeira personalizada.
No estande da Alper, os visitantes poderão conhecer o portfólio JustVida, linha de produtos desenhada para oferecer proteção e tranquilidade financeira de forma simples e flexível. O JustVida nasce com o propósito de aproximar o seguro da vida real — com planos ajustáveis, coberturas personalizadas, inclusive com indenizações em vida — sem abrir mão da atenção humana.
Após incorporar a Siena, uma empresa com ampla experiência em seguros de pessoas, a corretora — uma das maiores do país — fortalece sua presença nos segmentos de vida, previdência e benefícios corporativos, combinando a solidez de uma operação nacional com a expertise da empresa incorporada em soluções sob medida para diferentes perfis de clientes, além de apólices por adesão em entidades de classe.
“Mais do que unir estruturas, estamos integrando culturas e visões de cuidado. Nosso foco é entregar soluções que acompanhem a jornada das pessoas e garantam estabilidade em tempos de incerteza”, afirma Antônio Marcos, diretor de seguro de vida da da Alper Seguros.
Um movimento estratégico de consolidação
A incorporação da Siena foi a quarta aquisição da Alper em 2025, consolidando a estratégia da empresa de ampliar o acesso a soluções de proteção e previdência em um país onde menos de 20% da população economicamente ativa possui seguro de vida. Com mais de 1.200 colaboradores e presença nacional, a Alper tem diversificado seu portfólio por meio de aquisições e da expansão de sua plataforma digital, voltada tanto para empresas quanto para clientes individuais.
Essa integração marca também um novo posicionamento da companhia: promover a cultura da prevenção e da segurança financeira como pilares de bem-estar e sustentabilidade.
“Falar de seguro é falar de autonomia e tranquilidade. Queremos ajudar o brasileiro a planejar o amanhã com a mesma confiança com que vive o hoje”, destaca o executivo.
Serviço
📅 De 11 a 14 de novembro de 2025
📍 XXVI Congresso Nacional do Ministério Público – Brasília (DF)
“Meu desejo político, de uma perspectiva de adaptação, é que paremos de construir coisas que sabemos que não serão o que precisamos nos próximos 20, 30, 40 anos.” A afirmação de Amy Barnes, líder global de Clima e Sustentabilidade da Marsh McLennan, deu o tom do painel “Showcasing the Role of Insurance in Unlocking and Accelerating Climate Finance”, promovido pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) e pela City of London, nesta terça-feira (11), na Casa do Seguro, durante a COP30, em Belém (PA).
A sessão reuniu representantes de seguradoras globais e liderança do governo do Reino Unido para discutir como o seguro pode se consolidar como peça-chave na transição para uma economia de baixo carbono, destravando o financiamento climático por meio da redução de riscos e da mobilização de capital privado.
Na abertura do painel, Luciana Dall’Agnol, superintendente de Sustentabilidade da CNseg, destacou que a realização da COP30 no Brasil, no coração da Amazônia, reforça o papel estratégico do setor de seguros na construção de um futuro sustentável. “O seguro não se trata apenas de cobrir perdas e prejuízos. Nós viabilizamos transformações na sociedade. O seguro é uma peça fundamental para destravar o financiamento sustentável, reduzindo riscos, atraindo capital privado e transformando ambição climática em oportunidades de investimento”, afirmou.
Ela ressaltou que, em todo o mundo, cresce o reconhecimento de que o seguro deve se tornar o terceiro pilar do sistema de financiamento climático, ao lado do crédito e do investimento, por oferecer estabilidade e mecanismos de transferência de risco que tornam a transição verdadeiramente financiável. No Brasil, acrescentou, esse papel ganha relevância especial em setores estratégicos como soluções baseadas na natureza, bioeconomia, energia renovável e combustíveis de baixa emissão.
Moderado por Simi Shah, diretora de Política e Inovação da City of London Corporation, o painel reuniu experiências concretas de inovação em seguros que estão contribuindo para viabilizar projetos de transição e ampliar a adaptação climática.
Barnes apresentou uma estrutura desenvolvida em parceria com a Iniciativa de Mercados Sustentáveis, criada em 2019 pelo então Príncipe Charles, que mapeia riscos enfrentados por projetos de transição desde a fase de planejamento até o descomissionamento. Segundo Barnes, muitos investimentos não chegam à decisão final por não estarem suficientemente “desarriscados”.
A proposta é identificar, de forma prática, em que etapas o seguro pode atuar para mitigar riscos estratégicos, financeiros, operacionais e geopolíticos, e quando outras ferramentas, como contratos, parcerias públicas ou filantropia, podem ser mais adequadas. Entre os exemplos citados, estão soluções paramétricas que garantem receitas de projetos de energia solar e eólica e seguros de crédito adaptados para veículos de propósito específico, viabilizando a capacidade de financiamentos de projetos de transição.
Em seguida, Rachel Delhaise, chefe de Sustentabilidade da Convex Insurance, apresentou uma solução, desenvolvida no Reino Unido, de seguro para projetos de captura e armazenamento de carbono. A cobertura foi determinante para viabilizar dois grandes empreendimentos de infraestrutura de carbono, um no nordeste e outro no noroeste do país.
O contrato, desenvolvido em colaboração com outras seguradoras e um corretor, incluiu proteção contra riscos físicos, responsabilidade civil, perda de receita e um componente de contenção de vazamento de carbono com duração de dez anos, o que permitiu a emissão de licenças e decisões finais de investimento. O projeto, resultado de uma parceria público-privada, tornou-se referência internacional em inovação e colaboração entre setor público, setor privado e mercado segurador.
Tobias Grimm, cientista-chefe de Clima e líder de Consultoria Climática da Munich Re, destacou que o crescimento das perdas por desastres naturais é impulsionado, sobretudo, pela ocupação de áreas de alto risco, e defendeu políticas de zoneamento público que orientem o desenvolvimento urbano e reduzam a vulnerabilidade. Já a conselheira científica-chefe do governo do Reino Unido, Dame Angela McLean, reforçou a importância da colaboração entre governos, seguradoras e centros de pesquisa climática.
Segundo McLean, a integração entre a expertise do setor segurador em análise de risco e a capacidade do sistema científico em modelagem climática pode resultar em previsões mais precisas, melhor precificação e políticas públicas mais efetivas. Ela defendeu que a adaptação climática seja vista não somente como um custo, mas como uma oportunidade de geração de prosperidade, inovação e crescimento econômico.
Durante o debate, os participantes convergiram em torno de uma mensagem: a adaptação climática depende de coerência regulatória, inovação em seguros e estabilidade de compromissos governamentais. Delhaise defendeu que os governos mantenham e ampliem suas metas climáticas, oferecendo segurança aos investidores e estabelecendo limites de carbono na construção civil. Grimm destacou a importância de arranjos de compartilhamento de risco entre o setor público e o privado, por meio de mecanismos em que governos e bancos multilaterais assumam a primeira parcela de perdas, permitindo que o mercado privado amplie sua atuação em regiões mais vulneráveis.
O painel evidenciou que, mais do que um instrumento de proteção, o seguro é um agente ativo na construção de resiliência climática e na mobilização de capital verde. Ao integrar ciência, inovação financeira e políticas públicas, o setor tem se posicionado como um vetor de confiança e viabilidade para a economia de baixo carbono. Essa convergência de propósitos, expressa na Casa do Seguro durante a COP30, reforça o protagonismo do mercado segurador na agenda global de adaptação e financiamento climático, um papel que o Brasil, por sua relevância ambiental e econômica, está cada vez mais preparado para exercer.
Durante a Cop30, a corretora global Howden, especializada em seguros de alta complexidade, lançou um relatório inédito, em parceria com o Boston Consulting Group (BCG) e com o High-Level Climate Champions, que mostra como a ausência de seguros impede o avanço de soluções sustentáveis no campo. A transição para a agricultura regenerativa no Cerrado, no Brasil, representa uma oportunidade de investimento de US$55 bilhões até 2050, dos quais mais de 80% dependem de financiamento puramente privado. E o seguro é fundamental para desbloquear esse investimento.
Os sistemas agroalimentares estão sob crescente pressão devido aos riscos climáticos, à degradação do solo e ao aumento da demanda global. Atualmente, o setor agroalimentar atrai apenas 7% dos fundos globais de financiamento climático, e menos de um quinto desses recursos chega aos pequenos produtores rurais, o que limita a adoção de práticas sustentáveis em larga escala1. De acordo com o documento, para atingir as metas climáticas e de biodiversidade, garantindo ao mesmo tempo a segurança alimentar, a agricultura regenerativa e o reflorestamento precisam ser ampliados drasticamente.
“A transição dos sistemas alimentares globais exigirá entre US$250 e 430 bilhões anualmente. No entanto, agricultores continuam desprotegidos e sem acesso a crédito, enquanto o mercado financeiro está mais seletivo em liberar capital, principalmente porque catástrofes climáticas colocam em risco o retorno do investimento. No Brasil, 48% dos agricultores justificam a falta de financiamento para a adoção de práticas regenerativas2. O seguro tem o poder catalisador para mudar esse cenário. Ao compreendermos e incorporarmos soluções de seguro desde o início — especialmente em reflorestamento, agricultura regenerativa e cadeias de valor agroecológicas —, podemos transforme capital estagnado em oportunidades de investimento e concretizar todo o potencial dessas transições”, destaca Antônio Jorge Rodrigues, Head de Resseguros de Contratos da Howden Re Brasil, braço global de resseguros e consultoria estratégica da Howden.
Potencial brasileiro
Embora o desafio seja global, o relatório destaca que poucos países têm tanto peso quanto o Brasil quando se trata de agricultura regenerativa e segurança alimentar. A região do Cerrado é uma potência global em alimentos, responsável por mais de 25% da soja mundial, 6% da carne bovina, 27% da cana-de-açúcar e 6% do milho3. Os biomas do Cerrado e da Amazônia, que juntos somam mais de 50 milhões de hectares, são descritos como fundamentais para a estabilidade climática e a oferta global de alimentos.
A transição de seus modelos produtivos para práticas regenerativas representa, segundo o BCG, uma oportunidade de investimento superior a US$92 bilhões, com retorno projetado de 15% a 29% até 2050 e benefício direto para mais de 600 mil agricultores. O potencial climático também é expressivo: 210 milhões de toneladas de CO₂ e emissões evitadas até meados do século.
Seguro como infraestrutura da transição climática
Apesar desse potencial, os riscos climáticos, regulatórios e financeiros seguem amplamente desprotegidos. O relatório defende que o seguro seja reposicionado como infraestrutura essencial da transição climática. “Com as soluções corretas implementadas, seguros não serão vistos como um custo, mas como um catalisador, apoiando financiadores e formuladores de políticas, bem como o setor privado em geral, na promoção de uma transição inclusiva e resiliente”, destaca Dan Ioschpe, Climate High-Level Champion da COP30.
Neste contexto, o relatório apresenta exemplos de inovação já em curso. “Os primeiros resultados já demonstram o impacto potencial dos seguros em diversas escalas: desde a aceleração de projetos de financiamento para a transição, avaliados entre US$ 3 e 5 bilhões, até centenas de milhões de dólares em financiamentos para reflorestamento e sistemas agroflorestais, viabilizados por soluções de seguros, além de produtos de índice climático que já pagaram milhões em indenizações aos agricultores”, complementa Dan Ioschpe.
Impactos da falta de cobertura
Na América Latina, a situação é desafiadora: 65% dos pequenos produtores não têm acesso a crédito, conforme os autores. E quem adota práticas regenerativas costuma enfrentar perda de rentabilidade entre 15% e 25% nos primeiros anos da transição, elevando o risco de inadimplência2.
O impacto da ausência de seguros também é sentido em economias avançadas. Anterior estudo da Howden4, encomendado pelo Banco Europeu de Investimento, as perdas agrícolas ligadas ao clima já somam €28 bilhões por ano na União Europeia e podem chegar a €40 bilhões anuais até 2050, mesmo em cenários moderados de aquecimento global.
“O seguro é o elo perdido da transição climática. Ele redistribui o risco, atrai capital e permite que mudanças reais ganhem escala. A transição para a agricultura regenerativa representa uma das maiores e mais importantes realocações de capital que veremos na próxima década”, conclui Antônio Jorge Rodrigues.
A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser promessa para se tornar um divisor de águas na transformação do seguro, segundo palestras sobre o impacto da inteligência artificial no seguro e uma visão de futuro”, tema central da sétima edição do CQCS Inovação 2025, realizado nos dias 11 e 12 de novembro, em São Paulo. Executivos das principais seguradoras do país mostraram como a tecnologia está moldando o presente e o futuro da indústria, com ganhos de eficiência, novos modelos de negócio e o desafio de preservar o toque humano.
Um relatório da McKinsey & Company apontou que empresas que aplicam IA na otimização de processos têm visto uma redução média de 50% no tempo de execução de tarefas e uma melhora de 40% na eficiência operacional. Por outro lado, 90% dos investimentos em inovação não tiveram o sucesso esperado, o que faz a decisão de apostar em tecnologias algo mais centrado, pensando e avaliado com precisão e discernimento, avaliam os executivos.
Eduardo Dal Ri: IA com propósito e segurança
Para Eduardo Dal Ri, CEO do Grupo HDI, a IA precisa demonstrar benefícios reais e mensuráveis. “Desde o começo, fui um entusiasta em relação ao uso da Inteligência Artificial aqui no Grupo HDI e temos trabalhado com o letramento em IA e com soluções em diversas áreas internas e de atendimento ao cliente que ampliam a nossa eficiência, qualidade de entrega e valor para os nossos segurados, colaboradores, corretores e parceiros de negócio. Ainda temos um longo caminho a percorrer, mas já estamos entusiasmados com os primeiros resultados”, contou em sua fala.
“A priorização da inteligência artificial é dinâmica. Ela tem de gerar retorno concreto, como aumento do NPS e ganho de eficiência profissional”, disse. Segundo ele, 99% das seguradoras globais já pensam em IA, mas apenas 7% conseguiram implementar soluções em escala até 2024. No Brasil, o uso cresce rapidamente — o país já é o terceiro maior em adoção de IA, atrás apenas de EUA e Índia. Na HDI, as aplicações estão concentradas em sinistros, operações, prevenção a fraudes e call centers. “A pessoa não será atendida por IA, mas ela agiliza o primeiro contato. O atendimento humano virá mais resolutivo e empático”, destacou. Dal Ri também defendeu a união das seguradoras no combate a fraudes por meio da troca de modelos matemáticos e bases de dados compartilhadas.
Paulo Kakinoff: eficiência e hiperpersonalização
Paulo Kakinoff, CEO do Grupo Porto, comparou a revolução da IA à soma de todas as inovações das últimas três décadas. “A ferramenta de IA é tão poderosa que resultará em eficiência equivalente à soma dos últimos 30 anos”, afirmou. Para ele, o verdadeiro salto de disrupção ocorre agora porque o custo se tornou acessível. “Hoje, transcrevo todas as minhas ligações e obtenho insights imediatos. Antes levava semanas para entender o problema. Isso muda a gestão”, contou. Kakinoff destacou três eixos: eficiência operacional, desafios da fraude digital e hiperpersonalização dos produtos.
“A IA permitirá precificar o risco para cada indivíduo, eliminando deficiências de análise e ampliando a inclusão”, disse. Mas alertou: “Não é gratuita. É cara. Se não estiver a serviço do negócio, é apenas custo adicional”.
Sobre o horizonte deste aprendizado. Kakinoff acredita em muitos desafios. Se a Meta, que é dona do WhatsApp, uma das empresas de capital aberto mais capitalizada no mundo, ainda não conseguiu nos entregar uma transcrição das mensagens com uma grafia e entendimentos corretos, imaginem as outras empresas que não tem”, avaliou.
Helder Molina (MAG): estratégia e discernimento
Representado por Gustavo Doria, o CEO do Grupo MAG, Helder Molina, trouxe um alerta: a adoção da IA sem estratégia é “anabolizante empresarial”. “Estamos entrando na era da inteligência como serviço, com soluções para todo tipo de problema. Mas aplicar IA sem discernimento estratégico é comprometer o coração do negócio”, afirmou. Para Molina, a liderança deve equilibrar ceticismo e otimismo. “Temos a chance de desenhar a próxima era da indústria de seguros”, concluiu.
Governança, empatia, cuidado e o retorno ao humano
A diretora de Gente e Cultura da Porto, Patrícia Coimbra, lembrou que a IA é poderosa, mas não substitui o elemento humano. “A complexidade das relações do nosso negócio só as pessoas podem cuidar”, disse. Com consultores internacionais — um baseado na China e outro no Vale do Silício —, a Porto estuda as diferentes trajetórias de adoção global. “Na China, a IA virou parte do processo, mas muitos consumidores já pedem o humano de volta. É uma tendência que combina com o perfil brasileiro”, observou.
Na Bradesco Seguros, a IA está sendo implantada de forma transversal, com foco em empatia, explicou Valdirene Secato, diretora de Recursos Humanos, Universeg, Sustentabilidade e Ouvidoria. “Ela precisa estar a favor de cuidarmos das pessoas — colaboradores, corretores e clientes. É um presente da área de inovação, mas cabe a nós garantir que seja usada com humanidade”, afirmou.
Gui Marback ressaltou que as máquinas e as inovações não vieram para substituir os humanos. “Elas vieram para nos provocar sobre o quanto estamos efetivamente dando atenção àquilo que é humano”, pontuou Marback. “A inteligência artificial assume o papel de ferramenta, e nós [assumimos] o papel da consciência”, completou o consultor.
Ney Dias: IA para eficiência e crescimento
O CEO do Grupo Bradesco Seguros, Ney Dias, apresentou aplicações práticas voltadas à eficiência operacional e à expansão do mercado. “A IA pode reduzir as tarefas operacionais do corretor de 50% para 30% do tempo, liberando-o para se relacionar com clientes e buscar novas oportunidades”, explicou. Segundo ele, a ferramenta já acelera regulações e processos internos, e será fundamental para atingir a meta de elevar a penetração do seguro no PIB de 6% para 10% até 2030. “Investir em IA não é mais futuro, é presente”, reforçou.
Ariel Couto: amplificar, não substituir
O presidente da MDS, Ariel Couto, defendeu a IA como amplificadora da capacidade humana. “Ela libera até 70% do tempo de tarefas rotineiras, mas exige controle humano — a IA ainda alucina e pode cometer erros graves”, afirmou. Na MDS, resultados concretos já aparecem: processos de conciliação financeira ficaram dez vezes mais rápidos, e as análises de M&A reduziram 85% do tempo. “A meta é democratizar a IA em toda a companhia. Cada colaborador precisa desenvolver pelo menos uma aplicação prática”, contou.
Pottencial: AI desenvolve a minuta da apólice instantaneamente
Na Pottencial Seguradora, por exemplo, a aplicação de IA está focada em automatizar tarefas operacionais e acelerar processos do dia a dia dos corretores. De acordo com Geo Neto, o objetivo é simplificar a jornada e reduzir etapas manuais. “Para um corretor que chega à Pottencial precisando enviar documentos em anexo, ele pode simplesmente enviar o e-mail com o anexo e a IA fará a leitura e desenvolve instantaneamente uma minuta de apólice com toda a aplicabilidade, além de permitir mensuração de resultados”, comentou João Geo Neto, CEO da Pottencial Seguradora. Além disso, a companhia oferece recursos que aceleram o trabalho dos times e sustentam sua estratégia de digitalização. A Pottencial conta com uma estrutura tecnológica robusta, com mais de 30% do quadro de colaboradores dedicado à área de tecnologia, e vem adotando ferramentas como o GitHub Copilot para aumentar eficiência e velocidade no desenvolvimento.
Fábio Leme: tecnologia com empatia
Para o VP de Linhas Pessoais da Zurich Seguros, Fábio Leme, o futuro do seguro passa pela combinação entre tecnologia e empatia. “Sessenta por cento dos consumidores pagam mais por empresas que demonstram empatia. A tecnologia precisa ser humana para gerar confiança”, destacou, citando pesquisa global. Leme revelou que a Zurich já possui cerca de 70 soluções com agentes de IA e deu como exemplo o seguro celular, com 65% dos sinistros resolvidos sem intervenção humana. “Mesmo assim, o consumidor prefere acreditar que há uma pessoa por trás do processo. A empatia continua essencial”, completou. Outra iniciativa é o Climate Spotlight, ferramenta que usa IA e dados climáticos históricos para projetar riscos de eventos extremos, como enchentes, vendavais e ciclones, em diferentes regiões do Brasil e do mundo. A solução ajuda grandes empresas a antecipar cenários e tomar decisões estratégicas de prevenção e gestão de risco.
Adilson Lavrador: IA como ferramenta, não panaceia
O diretor-executivo da Tokio Marine, Adilson Lavrador, reforçou que a IA deve ser aliada, não solução mágica. “Grande parte das iniciativas falha por má aplicação. É preciso usar onde realmente agrega valor, sem reinventar processos que já funcionam bem”, alertou. A Tokio criou uma “Semana da IA” para disseminar conhecimento entre áreas e lançou um programa de capacitação para corretores. “Nosso papel é ensinar a pescar, não entregar soluções prontas”, disse. Para Lavrador, o futuro passa pela criação de produtos personalizados e modelos de negócio inovadores apoiados na IA.
Patrícia Chacon: personalização e transformação cultural
A futura CEO da Porto Seguro, Patrícia Chacon, que assume o cargo em 2026, destacou que a IA deve resolver problemas humanos reais. “Ela é um meio para encantar pessoas, não um fim em si”, disse. Entre os aprendizados da Porto, ela apontou três pilares: resolver dores humanas, escolher casos de uso estratégicos e promover uma transformação cultural. “No começo, os reguladores de sinistro temiam perder o emprego. Hoje dizem que ganharam qualidade de vida. A IA os libera para focar no que chamamos de ‘magia da negociação’”, afirmou. “Quando pensamos em soluções de IA com toda essa grande inovação, não podemos esquecer que a IA não é o fim. A IA é um meio para fazermos aquilo que sempre fizemos: encantar pessoas da melhor forma”. Resumindo, ficou claro que a Inteligência Artificial já é uma aliada indispensável do setor, mas seu sucesso depende de algo que nenhuma máquina é capaz de replicar: o propósito humano. Entre algoritmos, eficiência e personalização, os líderes do seguro convergem em uma mesma direção — a de que o futuro da indústria será moldado por quem souber combinar tecnologia com empatia, dados com ética e inovação com propósito.
IA e parcerias digitais
O VP Comercial da MetLife, Marcelo Tomei, apresentou o projeto Xcelerator, que expandiu o alcance da seguradora com parcerias em bancos digitais, varejo e administradoras de cartões. “Precisamos criar soluções conjuntas, não apenas vender produtos. Em dois anos, já conectamos 20 parceiros e 20 milhões de clientes”, afirmou. A IA, segundo ele, ajuda a testar e aprimorar continuamente essas jornadas. “Com toda a transformação digital que aconteceu no país, a gente tem investido muito em inovação e tecnologia para levar o seguro às pessoas, levando a venda por comodidade dentro da jornada e do momento de vida do cliente, por meio dos nossos parceiros”, pontuou Tomei.
Marcelo Sayeg, do C6, destacou que a troca proporcionada durante a conversa foi muito interessante. “Falamos bastante de venda por comodidade voltada para o corretor de seguros e sobre como as ferramentas de tecnologia podem ser aplicadas para tornar a vida do corretor mais fácil, sobrando mais tempo para ele, oferecendo uma melhor oferta de produtos ao cliente final e trazendo produtos novos, o que facilita ainda mais o seu dia a dia”, disse Sayeg.
Solon Barreto, da Alba Seguradora, ressaltou que a experiência foi bacana e enriquecedora. “O tema vai muito além de um diferencial de uma companhia seguradora ou de alguma operação comercial: falamos sobre inclusão”, esclareceu. “Tenho certeza de que a venda por comodidade contribuiu para a inclusão de novos consumidores e vem impulsionando uma grande revolução no nosso mercado”, concluiu Barreto.
IA como meio, não como estratégia final
Marcus Vinícius de Oliveira, CEO da Wiz Co, afirmou que tem observado como as gerações, novas e mais antigas, interagem com a tecnologia. “Em uma ponta, temos a geração Z, que pensa de forma muito diferente. É uma geração obcecada por inovação, por informação e por mais conhecimento. Do outro lado, temos a população 65+, que vai representar 30% da população até 2050 e movimenta 3,8 trilhões de reais por ano. Ela também usa tecnologia e precisa de serviços que facilitem o dia a dia”, explicou Marcus Vinícius.
O executivo fechou sua fala chamando atenção para o uso consciente e estratégico da IA: “A IA não é a solução mágica, não vai resolver todos os problemas das empresas. É uma ferramenta que precisa ser bem estudada e aplicada para que, realmente, faça diferença e traga resultados. Na Wiz Co, preferimos testar com calma e aos poucos para que possamos entregar o que de melhor a IA tem a oferecer para o setor de seguros”, finalizou o CEO.
Luciano Soares: AI reduz em até 85% o tempo gasto na cotação de produtos
“O seguro nasceu do mutualismo, da ideia de que a proteção individual fortalece o coletivo. A inteligência artificial representa uma nova etapa dessa história: ela amplia nossa capacidade de compreender cada pessoa e, com isso, proteger melhor o conjunto. Na Icatu, vemos a IA como uma ferramenta que potencializa nossa missão de proteger vidas. Fazemos isso ao preservar o olhar humano que está no centro da nossa atividade. É sobre esse equilíbrio entre inovação e propósito que queremos abordar no painel do CQCS”, afirma Luciano Soares, CEO da Icatu Seguros. Uma das mais inovadoras iniciativas da Icatu nesse sentido foi a A.V.I., assistente virtual atualmente disponível para corretores, que usa IA para gerir a carteira de clientes e dar suporte no processo de venda na palma da mão, via WhatsApp. Além de auxiliar na interação com clientes a partir da recomendação de mensagens personalizadas, a iniciativa reduz em até 85% o tempo gasto na cotação de produtos de vida. “No passado, o grande valor do corretor estava na informação que ele detinha. Hoje, na era da IA e da informação abundante, seu verdadeiro valor vai além de transformar dados em proteção. A tecnologia amplia as possibilidades, mas é a sensibilidade humana que transforma informação em cuidado. A nossa ferramenta de IA foi criada para que o corretor possa dedicar a maior parte do seu tempo à escuta ativa e ao relacionamento com o cliente”, complementa Luciano.
A SulAmérica encerrou o terceiro trimestre de 2025 com desempenho positivo, impulsionado pela expansão de sua base de beneficiários e pela melhora dos indicadores operacionais. A receita líquida da operadora de saúde e odontologia atingiu R$ 8,5 bilhões entre julho e setembro, um crescimento de 10,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O número total de beneficiários chegou a 5,7 milhões, avanço de 10,1% no comparativo anual. No segmento de saúde, a companhia registrou 3,1 milhões de segurados, alta de 9% em um ano, com acréscimo líquido de 256 mil vidas. Já em odontologia, o total de beneficiários subiu 11,5%, para 2,6 milhões.
O Ebitda somou R$ 564,8 milhões no trimestre, um crescimento de 57,8% sobre o mesmo período de 2024. No critério ajustado, o indicador ultrapassou R$ 1 bilhão, alta de 68,1%, refletindo a melhora no índice de sinistralidade. A sinistralidade consolidada recuou para 80,1%, queda de 2 pontos percentuais na comparação anual e de 1,3 p.p. em relação ao segundo trimestre deste ano.
“Seguimos uma trajetória de eficiência e disciplina, com despesas extremamente controladas. Tanto agora, no fim de 2025, quanto na agenda de 2026, nosso principal objetivo é continuar crescendo com sustentabilidade e rentabilidade”, afirmou Raquel Reis, CEO da SulAmérica Saúde e Odonto.
As despesas gerais e administrativas totalizaram R$ 366,4 milhões no trimestre, aumento de 12,9% frente ao mesmo período de 2024, o que representa 4,3% da receita líquida.
Segundo Raquel Reis, a melhora da sinistralidade é resultado de um trabalho contínuo iniciado em 2022 e 2023, com foco em ações de longo prazo voltadas à eficiência e à qualidade da gestão de saúde.
Com quase 130 anos de história, a SulAmérica consolida-se como uma das principais operadoras do país, com atuação em saúde, odontologia, vida, previdência e investimentos, atendendo mais de 6,8 milhões de clientes e apoiada por uma rede de mais de 37 mil corretores em todo o Brasil.
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