Ao citar fatores abrangentes adversos que continuam a alimentar uma maior incerteza para a economia do Brasil, a AM Best manteve perspectiva negativa do segmento de mercado no mercado de resseguros do país. No Relatório de Segmento de Mercado da AM Best, com o título “Perspectivas do Segmento de Mercado: Resseguros no Brasil“, a AM Best também reconhece que o setor de resseguros do Brasil permanece um tanto isolado, devido à restriçõe regulatórias para ativos estrangeiros que limitam o crescimento das resseguradoras locais no exterior. Contudo, um ambiente de taxas de juros persistentemente altas e preços elevados para exposições de risco ajudaram a estimular o crescimento.
Os prêmios de resseguro continuam crescendo anualmente (líquidos de comissões), impulsionados principalmete pelas linhas de negócios automotivo, agrícola, pessoas físicas e patrimonial. Porém, o crescimento é compensado em parte por sinistros em uma linha específica de negócios.
“A linha agrícola, que é a segunda maior linha de negócios em resseguros no Brasil, registrou um aumento nos sinistros devido a interrupções nas safras em 2021, seguido por um sinistro catastrófico casusado pela seca no sul do Brasil em 2022, o que afetou significativamente as empresas locais,” disse Ricardo Rodríguez Pérez, analista financeiro da AM Best. “Como resultado, as (res)seguradora diminuíram suas exposições no segmento, lideradas por players offshore que vinham reduzindo sua exposição geral ao risco.”
O segmento de (res)seguros do país vem se beneficiando das taxas de juros mais altas, devido à capacidade das empresas em aumentar receita financeira-com juros altos, à medida que as reservas são investidas. A receita de investimentos contribuiu significativamente para a lucratividade do setor de resseguros do Brasil nos últimos anos. Melhorar as contas fiscais continua sendo um dos principais desafios do país, pois os programas de assistência à renda do governo (iniciados durante a pandemia de COVID-19) contribuíram para o elevado endividamento, segundo o relatório.
A desvalorização da moeda diminuiu o tamanho e o perfil do mercado local de resseguros do Brasil e pode reduzir sua atratividade às resseguradoras globais. Além disto, as empresas multinacionais que enviam dividendos ou cedem prêmios ao exterior, ou que são consolidadas com operações fora do Brasil, ficam expostas a oscilações cambiais ao fazier pagamentos de sinistros em reais.
No mês de março de 2023, foi divulgado um relatório elaborado por um grupo de cientistas do clima, apoiado pela ONU (Organização das Nações Unidas), que ampliou o alerta à humanidade sobre a gravidade dos efeitos climáticos sobre vários aspectos da nossa sociedade. Pelas estimativas, no fim deste século, a temperatura do planeta pode chegar a 1,5ºC acima dos níveis vistos antes da Revolução Industrial, no século XVIII. E isso é considerado um nível bastante elevado.
Além do calor, as consequências são eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes: ondas de frio intenso, terremotos e maremotos, secas prolongadas e chuvas devastadoras. Os cientistas afirmam: o mundo precisa agir agora para conseguir controlar a situação. E como todos os segmentos econômicos que são afetados por essas ocorrências, a indústria seguradora vai debater o assunto para ampliar a visão dos executivos, das autoridades e de todos os participantes da 38ª Conferência Hemisférica de Seguros, a Fides Rio 2023.
Um dos eixos temáticos do encontro internacional é chamado “Mudanças Climáticas: mitigação de riscos e desenvolvimento de novas soluções”. O evento reunirá representantes de entidades de seguros privados de 20 países da América Latina, mais Estados Unidos e Espanha, no Rio de Janeiro, de 24 a 26 de setembro de 2023. O tema central da conferência é “Seguros para um Mundo mais Sustentável”.
A Munich Re descontinuou sua participação na Net-Zero Insurance Alliance (NZIA). “Em nossa opinião, as oportunidades de buscar metas de descarbonização em uma abordagem coletiva entre seguradoras em todo o mundo sem nos expor a riscos antitruste materiais são tão limitadas que é mais eficaz perseguir nossa ambição climática de reduzir o aquecimento global individualmente”, disse Joachim Wenning, CEO de Munique Re.
A NZIA, convocada pelas Nações Unidas, lançou o primeiro protocolo de definição de metas da Aliança na Reunião Anual do Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça, em janeiro deste ano e foi assinado por 29 resseguradoras e seguradoras. Entre elas, a Munich Re. Como gerentes de risco, seguradoras e investidores, o setor de seguros tem um papel importante a desempenhar na transição para uma economia global com emissões zero, apoiando seus clientes na tomada de medidas concretas para alcançar tal objetivo.
Passados três meses, em comunicado, o grupo afirma que está cumprindo com as metas climáticas. Em uma primeira etapa, as emissões de GEE relacionadas ao portfólio de investimentos serão reduzidas em 29% até o final de 2025 e, posteriormente, sucessivamente reduzidas a zero líquido até 2050.
Quanto à exploração e produção de petróleo e gás natural (seguro primário, resseguro direto e facultativo), a Munich Re reduzirá sua exposição da indústria relacionada ao clima de tal forma que não haverá emissões líquidas de GEE associadas até 2050. Em uma primeiro passo, pretendemos reduzir as emissões em 5% até 2025.
A partir de abril de 2023, a Munich Re não fará seguro para projetos envolvendo novos campos de petróleo e gás ou nova infraestrutura de petróleo midstream. Ao mesmo tempo, a Munich Re reduzirá a exposição relacionada ao carvão térmico em seus negócios de seguros diretos e facultativos em 35% em todo o grupo até 2025, antes de eliminar completamente essa exposição até 2040. Desde 2018, paramos de segurar novas fontes movidas a carvão usinas, minas de carvão e desde 2019 minas de areia betuminosa.
Em relação às emissões de suas próprias operações, a Munich Re é neutra em carbono desde 2015 e reduziu anteriormente as emissões de CO2 por funcionário em 44% de 2009 a 2019. As emissões atuais de GEE devem ser reduzidas em mais 12% por funcionário até 2025. Até Até 2030, a Munich Re espera alcançar emissões líquidas zero de GEE em suas operações. “Nosso compromisso climático é inabalável. Seguimos as recomendações científicas. Até o momento, estamos descarbonizando ainda mais rápido do que o necessário para atingir o zero líquido até 2050”, enfatiza Wenning.
A Zurich Seguros lança um aplicativo com diversas funcionalidades para ter mais proximidade com clientes. Por meio do app Zurich Brasil: seu seguro, que por enquanto é destinado aos que possuem o seguro auto, é possível consultar informações das apólices e obter segunda via, tanto das próprias apólices quanto de boletos para pagamento dos prêmios. Permite ainda acessar a carteirinha digital, na qual figuram todos os dados pessoais e da proteção contratada, bem como direcionar o segurado à Central de Atendimento, caso necessitem de orientações específicas.
Outro benefício do app do cliente da Zurich é que ele se conecta à Laiz através do WhatsApp, assistente virtual disponibilizada em 2021 pela seguradora e que tem sido cada vez mais utilizada pelos segurados. Em 2022, foram mais de 380 mil atendimentos no WhatsApp, e o número só tende a crescer, já que recentemente, a empresa implementou melhorias que propiciaram ainda mais rapidez no atendimento ao segurado.
De acordo com a Superintendente de Canais Digitais e Relacionamento com o Cliente da Seguradora Zurich, Lucia Sarraceno, a implementação do app do cliente se configura como mais uma opção de autosserviço da Zurich para os seus segurados.
“O movimento faz parte da nossa jornada de digitalização, um processo que se intensificou nos últimos dois anos: seu principal objetivo foi dar foco e proximidade aos nossos clientes, pois se junta aos demais serviços que disponibilizamos – todos ancorados à nossa estratégia multicanal, por meio da qual oferecemos nossos serviços no canal de preferência de cada cliente”, conta.
A executiva revela que essa expansão dos canais de atendimento faz parte de um movimento do Grupo Zurich em nível global, que fomenta que suas unidades de negócio invistam em apps e se guiem pelo clientecentrismo. O termo diz respeito à cultura de colocar os clientes no centro de tudo o que a companhia faz, antecipando suas necessidades, atendendo suas demandas e oferecendo a eles uma experiência positiva enquanto consumidores.
Em breve, o app do cliente da Zurich ganhará mais funcionalidades, assim como estará disponível para os outros produtos de proteção que a seguradora oferece às pessoas físicas.
Incidentes cibernéticos e lucros cessantes classificam-se como as maiores preocupações para as companhias ao redor do mundo pelo segundo ano consecutivo (ambos com 34% de todas as respostas). Entretanto, são os desenvolvimentos macroeconômicos como por exemplo a inflação, a volatilidade dos mercados financeiros e uma recessão iminente, bem como o impacto da crise energética que são os riscos com maior subida na lista deste ano, à medida que as consequências econômicas e políticas de um mundo pós-Covid e a guerra da Ucrânia se instalam.
De acordo com o estudo Allianz Risk Barometer 2023, tais preocupações urgentes exigem uma ação imediata das empresas, explicando porque tanto as catástrofes naturais quanto as mudanças climáticas caíram no ranking, assim como o surto pandêmico, uma vez que as vacinas trouxeram um fim aos bloqueios e restrições. Os riscos e a violência política são outra nova entrada no top 10 global, enquanto a escassez de mão-de-obra qualificada sobe para o número 8. As mudanças na legislação e regulamentação continuam sendo um risco-chave, ao passo que Incêndio/explosão cai para o nono posto.
Brasil: preocupação com cenários disruptivos cresce
No Brasil os três maiores riscos levantados na pesquisa são os Lucros Cessantes- BI (34% das respostas), que subiu do 3º lugar para o 1º lugar comparado à última pesquisa, os Incidentes Cibernéticos (32%), que caíram uma posição e este ano dividem o segundo lugar com os Desenvolvimentos Macroeconômicos (32%), que avançou dois postos desde 2022 e agora fecham o top 3.
Os 53 especialistas em seguros e riscos de todo o país que participaram da pesquisa indicam crescente preocupação com a interrupção de negócios, especialmente com a interrupção nas cadeias de abastecimento e as consequências de um ataque cibernético na operação de uma companhia.
“Ainda que, durante a pandemia, muitas empresas diversificaram seus modelos de cadeia de abastecimento para minimizar os impactos de uma disrupção, os efeitos da Covid ainda perduram e foram exacerbados por fatores como a inflação global, a guerra na Ucrânia, a crise energética na Europa Latina”, comenta Felipe Orsi, Diretor Property AGCS América Latina.
Uma possível recessão global pode ser outra fonte provável de interrupção em 2023, com potencial de falha e insolvência de fornecedores, o que é uma preocupação especial para empresas com fornecedores críticos únicos ou limitados. De acordo com a Allianz Trade , as insolvências comerciais globais podem aumentar significativamente em 2023: +19%.
Como observado, riscos de BI (lucros cessantes) estão muito ligados a ameaças cibernéticas – a principal causa de BI no Brasil – e que ocupam o segundo lugar do ranking nacional. O principal motivo dos riscos cibernéticos preocuparem as companhias, de acordo com o relatório, são os vazamentos de dados (53% das respostas globais), seguidos de perto pelos ataques de ransomware (50%).
Em setembro de 2022, a empresa de privacidade e segurança virtual Surfshark, divulgou que o Brasil era o 6º em número de vazamento de dados por atos criminosos ou por falhas de sistemas, o que expõe a fragilidade de muitas empresas. De acordo com o relatório da IBM “Custo de uma Violação de Dados 2022”, o Brasil foi o país com o maior aumento relativo no custo por ataque, com incidentes de vazamento de dados cerca de 27% mais custosos em 2022 comparando com 2021 (passando para aproximadamente USD 1.38 mn).
Com relação aos Desenvolvimentos macroeconômicos, de acordo com a Allianz Research, a situação atual é caracterizada por uma peculiaridade: todas as três maiores regiões econômicas globais – Estados Unidos, China e Europa – estão em crise ao mesmo tempo, ainda que por razões diferentes.
Glaucia Smithson, Diretora Distribuição AGCS Ibero/LatAm e CEO América do Sul destaca como principais pontos de atenção a guerra da Ucrânia e a crise energética na Europa como ameaças aos negócios, mesmo no Brasil. “Mesmo com esses acontecimentos ocorrendo longe de nosso país, o impacto é global. A crise gerada nas economias europeias tem efeito nas políticas monetárias desses países e influencia todo o cenário de inflação e economia mundial. O Brasil como grande parceiro comercial de EUA, União Europeia e China, é diretamente impactado por tudo o que acontece ali”.
O Allianz Risk Barometer é um ranking anual de risco empresarial compilado pela seguradora Allianz Global Corporate & Specialty (AGCS), juntamente com outras entidades do Grupo Allianz, que incorpora a visão de 2.712 especialistas em gestão de risco em 94 países e territórios, incluindo CEOs, gerentes de risco, corretores e especialistas em seguros.
O CEO da AGCS, Joachim Mueller, comenta sobre as conclusões: “Pelo segundo ano consecutivo, o Allianz Risk Barometer mostra que as empresas estão mais preocupadas com o aumento dos riscos cibernéticos e a interrupção nos negócios. Ao mesmo tempo, elas veem a inflação, uma recessão iminente e a crise energética como ameaças imediatas aos seus negócios. As empresas – na Europa e nos EUA em particular – preocupam-se com a atual “permacrise” resultante das consequências da pandemia e do impacto econômico e político da guerra na Ucrânia. É um teste para a resiliência de cada empresa.
A notícia positiva é que, como seguradora, vemos uma melhoria contínua nesta área entre muitos de nossos clientes, particularmente no sentido de tornar as cadeias de abastecimento mais à prova de falhas, na melhoria de um plano de continuidade dos negócios e no fortalecimento dos controles cibernéticos. A tomada de medidas para construir resiliência está agora no foco das companhias, dados os eventos dos últimos anos”.
O sobe e desce dos riscos
A crise energética é o maior ascensor do Allianz Risk Barometer aparecendo pela primeira vez em 4º lugar (22%). Algumas indústrias, tais como química, fertilizantes, vidro e fabricação de alumínio, podem depender de uma única fonte de energia – o gás russo, no caso de muitos países europeus – e, portanto, são vulneráveis à interrupção do fornecimento de energia ou ao aumento de preços.
Impulsionado por 2022 sendo mais um ano de tumultos com conflitos e agitação civil dominando as notícias, os riscos e violência política é uma nova entrada no top 10 (13%). Além da guerra, as empresas também estão preocupadas com a crescente perturbação causada por greves, motins e atividades de tumulto civil à medida que a crise do custo de vida se agrava em muitos países.
Apesar da queda no ranking, as catástrofes naturais (19%) e as mudanças climáticas (17%) continuam sendo grandes preocupações para as empresas. Em um ano que incluiu o Furacão Ian, uma das tempestades mais poderosas registradas nos EUA, ondas de calor que quebraram recordes, secas e tempestades de inverno em todo o mundo, e mais de 100 bilhões de dólares de perdas seguradas, eles ainda estão entre os sete maiores riscos globais.
O Comitê de Open Insurance, criado pela Câmara Brasileira da Economia Digital (camara-e.net), que reúne empresas e instituições com atuação no setor de seguros, fez hoje sua primeira reunião. O Comitê pretende promover debates sobre a implementação do Open Insurance no Brasil, além do desenvolvimento do setor de seguros na economia digital.
O Open Insurance, sistema de seguros aberto, permite aos consumidores de seguros, previdência complementar aberta e capitalização consentir com o compartilhamento de suas informações para a oferta de serviços personalizados e inovadores.
Hoje foi apenas um “boas vindas” a todos, sem decisões ou pautas. “A reunião teve como objetivo estabelecer as premissas do comitê, com base na participação ativa de todos os membros, além de estabelecer os principais temas que serão discutidos pelo grupo, com base na análise dos resultados preliminares do Open Insurance e impactos no setor de seguros e na economia em geral”, disse Leonardo Elias, vice-presidente de Finanças e Controle da camara-e.net e vice-presidente de Tecnologia e Inovação da Fenacor.
Também participaram Leonardo Palhares, presidente da câmara-e.net, Danilo Silveira, diretor executivo da Fenseg, associados da camara-e.net e convidados, reunindo diversos segmentos impactados pela implementação do OPIN, como corretores de seguros, seguradoras, educação e membros do mercado financeiro.
Atualmente, o mercado de seguros representa cerca de 6,4% do PIB nacional e é composto por mais de 120 mil corretores de seguros, pessoas físicas e jurídicas, além das seguradoras e operadoras.
O InfoMoney estreia nesta quinta-feira (30) a “Segura Essa“, uma newsletter especializada sobre o universo dos seguros. Semanalmente, o boletim vai chegar na caixa de e-mail de seus assinantes com dicas, notícias e curiosidades sobre a área, com a curadoria e assinatura da jornalista Heloisa Brenha.
A ideia da “Segura Essa” é falar sobre seguros de um jeito descontraído e bem-humorado, traduzindo um universo que costuma ser repleto de palavras difíceis e burocracias, além de mostrar aos leitores a importância dos seguros na vida cotidiana.
A primeira edição da Segura Essa será enviada nesta quinta-feira, às 10h. Inscreva-se gratuitamente no box acima. Na edição de estreia, o destaque será para o seguro home office, uma modalidade que pode ser a salvação de muita gente em tempos pós-pandemia.
“A ‘Segura Essa’ já nasce ousada: vai abordar o complexo mundo dos seguros de uma forma humorada. Além de despojada, queremos que ela reúna a melhor curadoria sobre o tema, com informações de produtos e serviços, dicas sobre como usar de forma producente as coberturas disponíveis no mercado, além de guias e e-books que vão ajudar traduzir para o nosso leitor comum o que está escrito nas apólices”, diz Dhiego Maia, editor de Finanças do InfoMoney.
A “Segura Essa”, assim como a cobertura especial de seguros do InfoMoney, tem o apoio da CNSeg (Confederação Nacional das Seguradoras), da XP Seguros e do BB Seguros.
As inconsistências contábeis de R$ 20 bilhões anunciadas pelas Lojas Americanas, no início de janeiro deste ano, que resultou em uma briga judicial principalmente com os bancos credores, culminando em uma recuperação judicial, impactou muitos mercados – entre eles, o segurador.
Estimativas do setor indicam que deverão ser pagas de R$ 2 bilhões a R$ 3 bilhões em indenizações aos fornecedores da companhia que haviam contratado seguro de crédito. É um valor significativo, uma vez que o ramo arrecadou cerca de R$ 800 milhões no ano passado.
“Acho que é o maior sinistro do mercado brasileiro”, avalia Marcia Cicarelli, sócia da área de Seguros e Resseguros do escritório de advocacia Demarest. “É um caso emblemático. Calculamos que a taxa de sinistralidade [relação entre o prêmio, custo do seguro pago segurado, e o quanto a seguradora pagou de indenização – os sinistros], vai explodir por conta desse caso da Americanas. Por outro lado, achamos que vai abrir os olhos das empresas que não conheciam, ou não julgavam necessário, e pode ser legal entender e ter um seguro de recebível de algum cliente que não imaginava que poderia ter um problema como esse”, concorda Caio Lhano, gerente de seguro de crédito da consultoria de riscos e corretora de seguros Marsh Brasil.
A Mercedes-Benz Corretora de Seguros registrou resultado inédito em 2022: R$ 197 milhões em prêmios, 7% maior do que o de 2021, que foi de R$ 184 milhões. “Apesar de 2022 ter sido um ano bastante desafiador, atingimos o melhor resultado de todos os tempos. Muito dessa conquista deve-se ao fortalecimento da digitalização dos processos para melhorar a experiência do cliente e da ampliação do leque de produtos para oferecer soluções mais customizadas”, afirma Cristina Rensi, head da instituição.
O bom desempenho vem na esteira do controlador. O Banco Mercedes-Benz do Brasil (BMB), líder em financiamento em todos os segmentos de atuação, bate recorde e atinge a maior marca de carteira da sua história: R$ 19,454 bilhões, frente a R$ 14,415 bilhões em 2021, crescimento de 35%.
Já em novos negócios foram contratados R$ 7,581 bilhões em 2022, que representam o melhor resultado da instituição em um único ano e crescimento de 54% em relação a 2021. “Os números atestam a nossa premissa de atuarmos centrados nas necessidades dos clientes, alinhados com as demandas do mercado, sempre em parceria com a fábrica e com a rede de concessionários”, destaca Hilke Janssen, presidente e CEO do BMB.
Outro resultado bastante relevante do ano passado em novos negócios foi o do mês de dezembro, em que o BMB atingiu R$ 1,052 bilhão. “Tivemos o recorde de melhor mês da nossa história, com 208% a mais do que fizemos em dezembro de 2021”, comemora Marcello Larussa, diretor Comercial do Banco.
O financiamento de caminhões foi o destaque no volume de novos negócios, com 64,4% dos contratos feitos em 2022. Foram financiados 9.823 caminhões e liberados R$ 4,882 bilhões, que representam crescimento de 63% em relação a 2021.
O segmento de vans também teve forte aceleração, registrando R$ 336 milhões e garantindo um resultado 29% maior do que o obtido em 2021, de R$ 260 milhões. Já o negócio de ônibus alcançou R$ 793 milhões e o disputadíssimo mercado de automóveis registrou um volume de R$ 195 milhões em novos financiamentos.
Mesmo com as incertezas da economia global e nacional, ampliadas pela guerra no leste europeu e pela disputa eleitoral brasileira em 2022, o BMB obteve resultados recordes. “Colhemos bons frutos com um portfólio de produtos financeiros e de seguros bastante competitivos, aliados à intensificação dos nossos esforços na melhoria de processos e a proximidade com clientes, fábrica e concessionários”, enfatiza Larussa.
A MP 1.149/22 é a medida provisória que autorizou, no final do ano passado, a Caixa Econômica Federal a gerenciar em 2023 o fundo do DPVAT — seguro destinado a compensar motoristas e pedestres vítimas de acidentes de trânsito. Essa medida provisória foi aprovada pela Câmara dos Deputados na segunda-feira (27) e agora caberá ao Senado analisá-la.
O DPVAT vinha sendo administrado pela Seguradora Líder, empresa privada, até ser substituída pela Caixa em 2021. A MP permite à Caixa operacionalizar as indenizações às vítimas de acidentes de trânsito em 2023, fazer a análise dos pedidos de indenizações e manter os respectivos pagamentos.
A Câmara dos Deputados aprovou o texto da MP sem alterações.
Solução temporária
A gestão do DPVAT estava instável desde 2021, quando a Seguradora Líder — empresa privada até então encarregada da administração — foi dissolvida. Para contornar o problema, a Superintendência de Seguros Privados (Susep) — autarquia federal que tem como função regular e fiscalizar o seguro DPVAT — firmou contrato diretamente com a Caixa em 2021 e 2022 por inexigibilidade de licitação. Esse contrato gerou questionamento jurídico e é alvo de ação popular na Justiça Federal.
O governo Bolsonaro, ao promulgar a medida provisória, argumentou que essa solução temporária evitaria que a população ficasse desprotegida em 2023, pois ainda não havia um modelo legal sustentável e efetivo para o comando do seguro.
“A relevância [da medida] fica evidenciada na função social proporcionada pela política pública compreendida no DPVAT, sobretudo considerando que menos da metade da frota em circulação atualmente no país está coberta por seguros privados. E a urgência se justifica pelo fato de não haver novo responsável por operar nos moldes estabelecidos pela lei”, afirmou, na exposição de motivos da MP, o então ministro Paulo Guedes.
Pagamentos
A MP limita o pagamento das indenizações do DPVAT aos recursos disponíveis no fundo do seguro (o FDPVAT). Esse fundo foi criado em 2020 pelo Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) com os recursos excedentes da Seguradora Líder à época de sua dissolução. A ideia foi preservar a continuidade de pagamento das indenizações do DPVAT.
No mesmo ato, o CNSP autorizou a Susep a licitar um gestor e operador dos recursos do DPVAT. Foi com esse respaldo que ocorreu a contratação da Caixa em 2021.
Segundo a Lei 6.194, de 1974, a gestão dos pagamentos das indenizações do DPVAT e suas operações devem ser realizadas por um consórcio constituído por todas as empresas seguradoras que atuam no âmbito do DPVAT. Em 2006, o CNSP determinou que o consórcio fosse administrado por uma única seguradora especializada, na qualidade de líder. Foi nesse contexto que as empresas seguradoras se uniram para fundar em 2007 a Seguradora Líder, que passou a exercer a função de gestora do seguro. Em 2019, ela possuía quase 80 consorciadas.
Poupança Social Digital
A MP também altera a Lei 14.075, de 2020, para incluir os pagamentos de indenizações do DPVAT por meio da Poupança Social Digital. Assim, permanece o procedimento que é usado hoje. Segundo o governo anterior, o modelo digital privilegia o combate a fraudes e a inclusão digital da população.
A Poupança Social Digital foi criada pela Lei 13.982, de 2020, em razão da pandemia de covid-19, para que as pessoas possam receber pela Caixa os depósitos do auxílio emergencial. Atualmente, ela também permite outros tipos de benefícios, como o saque do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
Remuneração
A MP prevê que a Caixa continuará recebendo o valor previsto no já encerrado contrato com a Susep, até que o CNSP defina novos valores e formas de pagamento. No novo procedimento, a Caixa encaminhará proposta à CNSP, que decidirá após análise técnica da Susep.
Indenizações
O seguro DPVAT foi criado para ressarcir as vítimas de acidentes de trânsito que sofreram com morte, invalidez — permanente, total ou parcial — ou para cobrir despesas de assistência médica ou suplementares. É financiado pelo pagamento dos proprietários de veículos, que era obrigatório, mas está suspenso desde 2021.
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