Artigo: como construir uma cultura de seguro no Brasil

por Amauri Vasconcelos, CEO da Brasilseg

O mundo se tornou um lugar mais perigoso? Essa é uma questão complexa. O que sabemos é que a percepção de risco está mais presente do que nunca. Pesquisas globais apontam para uma preocupação crescente em relação às condições econômicas, aos eventos climáticos, ataques cibernéticos e impactos do rápido avanço tecnológico, que envolvem a inteligência artificial e a disseminação de fake news. Em meio a tantas incertezas, como viver bem e prosperar?

Esse cenário de insegurança tem impulsionando uma mudança de mentalidade, tornando as pessoas mais atentas e precavidas. E essa preocupação não é infundada, reflete experiências reais e traumas coletivos vividos recentemente. A pandemia da covid-19 foi um marco transformador e desencadeador deste processo. Ressignificou o uso da casa, o cuidado com os entes queridos e com a própria vida e a proteção dos investimentos, sejam pessoais ou empresariais.

Esses fatores desempenham um papel fundamental no fortalecimento de uma cultura de seguro no país. Na Brasilseg, uma empresa BB Seguros, esse movimento já pode ser observado. Após a pandemia houve um aumento significativo na aquisição de Seguro pra Vida por jovens, refletindo uma mudança no perfil de consumo deste produto. Da mesma forma, questões climáticas têm impulsionado o desenvolvimento de soluções inovadoras, como o Seguro Floresta, voltado à preservação ambiental. Outro exemplo de destaque é o Seguro Prestamista, que ajuda a prevenir a inadimplência, especialmente em momentos de incerteza econômica.

Apesar desses avanços, o setor de seguros no Brasil ainda enfrenta desafios significativos. Embora tenha registrado um crescimento em torno de 6% no último ano e haja projeções de que este mercado represente 10% do PIB até 2030, sua penetração continua limitada em comparação a países desenvolvidos. No segmento rural, por exemplo, apenas 10% das propriedades no Brasil contam com seguro, enquanto nos Estados Unidos essa cobertura atinge 80%. Essa disparidade também se reflete em outras áreas. Vale lembrar que em muitos países o seguro é obrigatório em alguns setores, o que repercute em altas porcentagens de cobertura.

A baixa penetração de seguros no Brasil revela um problema ainda mais crítico diante de desastres naturais. Um exemplo claro é o impacto econômico das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul no ano passado. Segundo a CNseg, os prejuízos estimados alcançam R$ 100 bilhões, mas apenas R$ 6 bilhões são segurados, evidenciando a fragilidade dos mecanismos de transferência de risco no país.

Como mudar este cenário? Certamente o medo não é o melhor caminho, mas sim o desenvolvimento de uma educação financeira e de uma conscientização sobre o papel do seguro como ferramenta essencial para lidar com imprevistos. Trata-se de um investimento estratégico de proteção, permitindo que se enfrente crises com maior resiliência. 

Uma sociedade mais consciente sobre os benefícios do seguro estará mais preparada para enfrentar os desafios de um mundo em constante transformação. A cultura de seguro não é apenas uma questão de prevenção, mas de segurança e prosperidade. O Brasil tem potencial para avançar nessa direção, mas é preciso plantar as sementes agora para colher frutos no futuro.

Bradesco Seguros faz mudanças e Raquel Cerqueira assume a superintendência de auto

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Fonte: Bradesco

A Bradesco Seguros anuncia mudanças internas na liderança de superintendências, com o rodízio de posições entre dois executivos: a partir deste ano, a Superintendência de Produto Auto passa a ser comandada por Raquel Cerqueira, enquanto a Superintendência de Ramos Elementares (Residências, Empresas, Equipamentos e Equipamentos Agrícolas) será liderada por Eduardo Menezes.

“A movimentação faz parte de uma prática da companhia, que valoriza a circulação dos líderes e demais talentos em diferentes áreas”, explica Raquel Cerqueira. Já Eduardo Menezes ressalta que a estratégia amplia a visão de negócio. “As mudanças mantêm os times sempre atualizados e trazem mais sinergia para as equipes, sendo benéfico tanto para os líderes quanto para a organização”, destaca o superintendente.

Bradesco Seguros
Luiz Carlos Gomes, Superintendente Sênior da Bradesco Seguros

Além disso, as superintendências regionais também passaram por mudanças. A Superintendência Regional Sudeste incorporou as sucursais de São José do Rio Preto, Ribeirão Preto e Bauru, que antes eram atendidas pela Regional Sul. A região será ligada à gestão do Superintendente Sênior Luiz Carlos Ferreira Gomes.

“Com a transferência das sucursais para a nova estrutura, unificamos o estado de São Paulo em uma única superintendência, trazendo melhor direcionamento e atendimento à região, que é estratégica para a seguradora”, afirma Luiz Carlos.

Para o superintendente de planejamento e gestão comercial, Emanuel Paiva do Nascimento, este movimento traz mais dinâmica e visão estratégica para o interior de São Paulo e para o Sul do país, regiões importantes de atuação da Bradesco Seguros.

Solo Iron e AIG Seguros firmam parceria para ampliar acesso ao seguro cibernético

riscos ciberneticos

Fonte: AIG

A Solo Iron, unidade de cibersegurança da Solo Network, anunciou uma parceria com a AIG Seguros para oferecer uma nova modalidade de seguro cibernético voltada a empresas que enfrentam dificuldades na contratação do serviço devido a processos burocráticos ou custos elevados.

O seguro cobre incidentes cibernéticos, como ataques de ransomware, notificações da LGPD e perdas financeiras, além de prejuízos decorrentes de reclamações de responsabilidade civil, como multas e custos jurídicos.

A parceria simplifica a contratação do seguro com a inclusão do Plano Estratégico de Segurança da Informação (PESI) da Solo Iron, baseado nas diretrizes do NIST. O assessment de segurança realizado pela empresa gera um score de maturidade aceito pela AIG, reduzindo o tempo e o custo do processo de auditoria.

A AIG, presente há mais de 70 anos no Brasil, foi pioneira na oferta de seguros cibernéticos no país e atualmente atende a 46% do mercado, sendo também a seguradora que mais pagou sinistros no segmento, totalizando R$ 74 milhões.

Ricardo Beyer assume como superintendente de marine na Mitsui Sumitomo Seguros

Ricardo Beyer Mitsui

Como parte de sua estratégia de crescimento no Brasil, a Mitsui Sumitomo Seguros anuncia a chegada de Ricardo Beyer como novo Superintendente de Marine. Beyer retorna à companhia, onde já atuou entre 2015 e 2022, para liderar a equipe e impulsionar os negócios dessa importante carteira.

Profissional com mais de 24 anos de experiência em Transportes, RD Equipamentos, Operador Portuário e Cascos Marítimos, Ricardo Beyer é graduado em Matemática e Ciências Atuariais, além de possuir pós-graduação em Seguros e Previdência. Sua carreira inclui passagens por algumas das principais empresas do setor, como AIG, Chubb, Fairfax, Itaú XL e HDI, consolidando sua expertise no mercado.

Reportando-se diretamente ao diretor geral, Luiz Nagamine, Beyer terá o desafio de elevar a carteira de Marine a um novo patamar, reforçando o compromisso da Mitsui Sumitomo Seguros em oferecer soluções cada vez mais inovadoras e estratégicas para seus clientes.

Split Risk capta R$ 50 milhões com investidores e aguarda licença definitiva da Susep

Fonte: Split

A Split Risk – seguradora digital que atua no modelo Insurance-as-a-service – anunciou a captação de R$ 50 milhões com os grupos HSR Soluções e Participações, que investe em empresas que complementam o ecossistema de mobilidade como meios de pagamentos e vistoria online; e a La Barca Empreendimentos, holding que conta com diversos projetos e investimentos nos segmentos imobiliário, financeiro e de tecnologia.

Entre os nomes que terão participação na Split Risk estão Romi Ferreira Campos dos Santos, Sanders Luke da Silva Maciel e Emanuel Diego da Silva Maciel, pela HSR. Já pela La Barca, Humberto Pereira Carneiro e Luciano Mathias Penha, ex-controladores da Up Brasil e Policard.

“Estamos muito felizes em conseguir o apoio de dois grandes grupos de investidores que acreditam no nosso plano de negócios,” afirma Pedro Pires, CEO da Split Risk

Fundada em 2020, a seguradora encerrou o ano passado com mais de R$ 43,8 milhões em prêmios, segundo dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep)”. Esse desempenho a tornou a maior insurtech do Sandbox, responsável por quase metade dos prêmios emitidos por todos os outros 30 participantes, nos últimos dois anos.

“Parte do sucesso está no nosso modelo de negócios de IaaS (Insurance-as-a-service). Para atrair um público que ainda não consome seguros, oferecemos regras flexíveis, como a contratação por assinatura (pré-pago), sem análise de perfil e de forma facilitada. Além disso, a nossa emissão de apólice é mensal e o cancelamento é simplificado. De toda a base de clientes, somos a primeira apólice de seguros para mais de 65% deste público”, destacou Pires.

Agora a seguradora aguarda a publicação da licença definitiva pela Susep. O pedido para atuar fora do ambiente regulatório da autarquia foi protocolado em setembro de 2024 e a expectativa que a autorização seja emitida nas próximas semanas. Parte do recurso captado será utilizado para composição das reservas técnicas e investimentos em tecnologia, com foco no futuro das operações.

Com a licença definitiva para operar no mercado, a Split Risk pretende ampliar sua atuação e oferecer soluções nos segmentos Vida e Residencial com apólices anuais, por meio do novo parceiro. A meta da companhia é chegar a R$ 500 milhões de prêmio emitido até o fim de 2026.

BTG Pactual destaca desafios e oportunidades do mercado de resseguros no Brasil

O BTG Pactual promoveu um encontro entre investidores e Rodrigo Botti, ex-vice-presidente e CFO do IRB e ex-CEO da Terra Brasis, para debater o mercado de resseguros. Durante a reunião, Botti compartilhou sua visão sobre as dinâmicas globais e locais do setor, a estratégia do Brasil em seguros vinculados a títulos (ILS) e os desafios para a retenção de capital no país.

Botti destacou que o mercado de resseguros passou por um ciclo “suave” entre 2012 e 2020, mas desde 2022 enfrenta um período “duro”. Mesmo com a economia global influenciando esses ciclos, as condições ainda são favoráveis para os resseguradores. No entanto, eventos como os incêndios na Califórnia geraram perdas seguradas de US$ 25 a 40 bilhões, evidenciando a lacuna de proteção devido a preços regulados, que dificultam o repasse de custos aos consumidores. Em 2023, as perdas globais no setor atingiram US$ 150 bilhões, acima da média histórica.

Desde 2019, o volume de prêmios cedidos por seguradoras brasileiras cresceu significativamente, mas isso não necessariamente representa um avanço. Segundo Botti, países seguem dois modelos principais: alguns incentivam seguradoras robustas com ativos locais (como EUA e UE), enquanto outros adotam um modelo “asset-light”, priorizando a distribuição e mantendo ativos no exterior (como Chile e Colômbia).

“O Brasil precisa decidir qual modelo seguir”, afirmou Botti, ressaltando que as seguradoras nacionais possuem R$ 1,7 trilhão em ativos, enquanto os resseguradores locais detêm apenas R$ 20 bilhões. Além disso, a alta carga tributária (40% de imposto corporativo) torna os resseguradores brasileiros menos competitivos frente a concorrentes internacionais com regimes fiscais mais favoráveis.

Entre outubro de 2023 e outubro de 2024, R$ 9 bilhões permaneceram no Brasil, enquanto R$ 24 bilhões foram enviados para o exterior. “O mercado reverteu para um modelo onde uma parcela significativa dos prêmios sai do país”, explicou Botti.

Sobre os títulos vinculados a seguros (ILS), Botti destacou que o Brasil busca alinhar sua regulamentação aos padrões internacionais sem perder a identidade regulatória local. Ele mencionou a complexidade de integrar os mercados de capitais e seguros, mas vê potencial de crescimento, especialmente diante das recentes enchentes no país e da baixa penetração do seguro. “Os danos econômicos acabam sendo cobertos pelo governo, comprometendo recursos que poderiam ser destinados a outras iniciativas”, pontuou.

Ao avaliar seguradoras e resseguradoras, Botti prefere o indicador P/B (preço sobre patrimônio) ao P/E (preço sobre lucro), pois os lucros são voláteis. Ele sugere analisar a relação entre provisões de sinistros e sinistros incorridos, além da evolução do patrimônio ajustado.

A governança também é essencial. “O segmento de resseguros é altamente customizável, semelhante ao mercado de derivativos, o que dificulta análises padronizadas”, explicou. Ele recomenda observar a autonomia das funções de gestão de riscos financeira e atuária e também avaliar se o conselho compreende o negócio. Além disso, considera crucial o investimento em tecnologia: “Focar apenas na operação do dia a dia pode ser um risco existencial no futuro”.

Botti destacou que o mercado brasileiro tem dois tipos de resseguradores: os “pure play”, focados exclusivamente em resseguros, e os vinculados a grupos seguradores. O primeiro modelo garante independência, enquanto o segundo gera sinergias competitivas. Ele também desmistificou a ideia de que o Brasil tem mais de 100 resseguradores: “Os dez maiores grupos controlam 76% do mercado, e os vinte principais detêm 92%”.

Botti vê a reforma tributária em andamento como uma vitória potencial para o setor, especialmente com a eliminação do PIS/COFINS para resseguradoras. Ele também menciona discussões para reduzir a carga tributária corporativa e o crescimento dos ILS como fatores positivos. Apesar dos desafios, ele acredita que o mercado brasileiro tem espaço para evolução e novos investimentos, incluindo a entrada de novos players e eventuais fusões e aquisições.

Os caminhos ESG na gestão de riscos do setor de mineração

por Carla Contini, superintendente de casualty da Marsh Brasil; Marjorie Leite, consultora de Clima e Sustentabilidade da Marsh Advisory LAC

Com a proteção dos recursos naturais em crescente destaque na agenda global de negócios, a indústria da mineração enfrenta uma pressão cada vez maior de reguladores, seguradoras, investidores e outras entidades para demonstrar seu comprometimento com princípios ambientais, sociais e de governança (ESG).

Portanto, a adoção de uma abordagem de gerenciamento de riscos proativa, focada em princípios ESG é fundamental, pois permite identificar a extensão das ameaças com precisão, priorizar e mitigar esses riscos, minimizando o impacto sobre o desempenho, a reputação da empresa e oportunidades de investimento futuras.

Os critérios que examinam o impacto de uma empresa de mineração na natureza têm como objetivo construir uma estratégia comercial sustentável e estendem-se às atividades de pós-produção durante a reabilitação da área. Os fatores incluem medir e gerenciar a poluição do ar, da água e do solo; o uso eficiente de recursos-chave, como a água; mensurar o impacto da organização sobre a biodiversidade; calcular o consumo de energia e suas emissões de CO2; e sua vulnerabilidade a catástrofes, em termos físicos e logísticos. 

Conforme aumenta a demanda por exploração, mineração e processamento de matérias-primas críticas para a transição de energia limpa, as empresas de mineração irão se deparar com a oportunidade de integrar e aprimorar suas políticas ambientais, em alinhamento com iniciativas globais.

Os critérios que examinam como uma empresa trata e valoriza seus funcionários e a comunidade em geral podem incluir as políticas de gestão trabalhista de uma organização, seus compromissos com a saúde, segurança e bem-estar de seus colaboradores, os impactos positivos e negativos que suas atividades podem ter sobre a comunidade local e o cumprimento de normas trabalhistas de seus fornecedores. 

Os critérios que avaliam as práticas de Governança Corporativa de uma empresa têm foco na estrutura da diretoria, em particular sobre diversidade da alta liderança, qualidade da auditoria, transparência e o relacionamento da empresa com os órgãos governamentais e reguladores, bem como com ONGs.

E, afinal, no que as empresas devem se concentrar primeiro?

ESG e sustentabilidade são áreas amplas e complexas, o que torna difícil saber o que priorizar. No entanto, recomendamos que o percurso inclua alguns questionamentos por parte das companhias.

O primeiro diz respeito a saber qual é o atual estágio de maturidade da empresa em clima e outros aspectos relacionados com ESG na comparação com os concorrentes e, a partir daí, o que precisa ser feito para atender à preparação de relatórios. 

Como as mudanças climáticas impactam os ativos da empresa e sua cadeia de suprimentos e como a exposição ao risco físico pode mudar ao longo do tempo são outros pontos que precisam ser abordados.

Um terceiro aspecto relevante é saber como a transição para uma economia de baixo carbono afetará as operações e quais impactos financeiros. Um exemplo: uma mudança na demanda por commodities ou a necessidade de práticas mais sustentáveis influenciarão nossa estratégia?

Outro ponto fundamental é definir como a organização pode implementar o planejamento de risco e resiliência climática na sua estratégia de negócios.

Levantar os impactos das mudanças climáticas no mercado de seguros e como eles podem afetar a organização é outro aspecto relevante.

Já no que se refere propriamente às ações a serem tomadas pelas companhias, elas incluem avaliar as implicações das práticas ESG na sua empresa, utilizando dados do setor, índices de risco, modelagem de cenários de risco climático e perspectivas das principais partes interessadas.

Algumas das ações mais discutidas são diminuir a quantidade de resíduos gerados e fazer o seu descarte correto, racionar o uso de água, reabilitar áreas degradadas, gerenciamento de crise mais eficiente e adequação à legislação ambiental vigente.

Também é fundamental conhecer os requisitos utilizados para reportes externos. Isso porque muitas instituições financeiras globais já estão alinhadas às estruturas de divulgações não-financeiras, tais como a Task Force on Climate-Related Financial Disclosures (TCFD), Task Force on Nature-Related Financial Disclosures (TNFD) e a Global Reporting Initiative (GRI).

O fato é que, com relação às práticas ESG, ações rápidas e uma comunicação eficaz ajudam empresas a atrair capital, fortalecer relações com comunidades e mitigar impactos ambientais e sociais, garantindo competitividade e resiliência operacional.

CNseg apresenta ao Ministério da Fazenda pauta prioritária do setor para 2025

Fonte: CNseg

Ampliar a oferta de seguro rural para o produtor, estimular o seguro de crédito como forma de aumentar as garantias e mitigar o risco para o consumidor e instituições e oferecer soluções para enfrentar a transição climática estão entre as pautas que foram levadas ao Ministério da Fazenda pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg). 

Em reunião liderada pelo Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em São Paulo, em 31 de janeiro, com a participação de representantes da Secretaria de Política Econômica (SPE), da Secretaria de Reformas Econômicas (SER) e da Superintendência de Seguros Privados (Susep), o presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, defendeu o setor segurador como um ator relevante e fundamental da economia brasileira. Setor que no ano passado novamente cresceu dois dígitos, disse Dyogo Oliveira, e tem produtos consistentes para o consumidor, para as empresas, para o produtor rural e soluções para as catástrofes. 

Hoje, o seguro rural tem pouca inserção devido à baixa subvenção do governo e quando há quebra de safra, como temos visto nos últimos anos, o prejuízo para o produtor é enorme, defendeu o presidente da CNseg. “O setor segurador tem um enorme interesse em debater esse tema para expandir a cobertura da área plantada no Brasil”, afirmou. 

A pauta climática e as soluções criadas pelo setor segurador também foram objeto da conversa. Dyogo comentou que a CNseg está criando um hub de dados climáticos com informações históricas e projeções, em parceria com diversas entidades, e que irá desenvolver um modelo climático que será usado pelo setor segurador. 

Também esteve na pauta a defesa para a criação de um Seguro Social de Catástrofe que atenderia a população em momentos cada vez mais corriqueiro que são as enchentes.  De acordo com a proposta, os familiares afetados por enchentes ou deslizamentos de terra receberiam de forma imediata um PIX de R$ 10 mil para sair da situação de risco. 

O presidente da CNseg também defendeu à Fazenda que o Tesouro Nacional fizesse a emissão doméstica de green bonds garantindo que há demanda desse produto pelas Seguradoras.  “Foi um encontro muito produtivo e que deixou uma lição de casa para fazer a partir desta conversa”, concluiu.

Ministério da Agricultura sinaliza mudanças no programa de subsídio para o seguro agrícola

Fonte: Ministério da Agricultura

A evolução da agenda do Seguro Rural frente aos impactos das mudanças climáticas na produção agrícola brasileira foi tema de um workshop que aconteceu nesta sexta-feira (31), na Fundação Getulio Vargas, em São Paulo. Com a participação de representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária, da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e do IRB Brasil RE, além de outros órgãos públicos, seguradoras e empresas do setor, o evento foi realizado pelo Centro de Estudos do Agronegócio e pelo Instituto de Inovação em Seguros e Resseguros (FGV IISR), em parceria com o Instituto Clima e Sociedade (iCS).

Já na abertura do workshop, o secretário de Política Agrícola do Ministério, Guilherme Campos, adiantou que em breve o PSR, programa do governo federal que concede subsídio para a aquisição do seguro agrícola, passará por mudanças a fim de garantir uma melhor cobertura aos produtores rurais. Campos reconheceu que o programa, atualmente, não está “balanceando” os riscos segurados, com maior concentração na região Sul e nas culturas de soja e milho.

“Está em gestação uma nova proposta para o PSR (Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural) já para o próximo Plano Safra, trazendo o que tem de mais moderno em seguro rural”, afirmou. O Plano Safra, que estabelece as diretrizes e as condições de financiamento para o setor agrícola e agropecuário do Brasil, visando apoiar a produção rural, costuma ser anunciado no mês de junho.

Atualmente, apenas 16% da área agrícola no país está segurada, revelou Guilherme Rios, assessor técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil. Ele comparou os modelos brasileiro e americano e destacou que, nos Estados Unidos, o seguro rural é tratado como uma política de Estado, com orçamento bilionário anual. No Brasil, a falta de previsibilidade no orçamento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural prejudica a confiança dos produtores na ferramenta. “Estamos falando do maior produtor de alimentos do mundo, e de um setor que responde por um quarto do PIB, e seguimos muito distantes do que deveria ter de cobertura desse setor que fomenta tanto a nossa economia”, argumentou.

Segundo Glaucio Toyama, presidente da Comissão de Seguro Rural da FenSeg (Federação Nacional de Seguros Gerais) o mercado cresceu significativamente nos últimos anos, passando de duas para até 18 seguradoras. No entanto, eventos climáticos extremos, como a seca de 2021 e 2022 no Centro-Sul do país, levaram a uma retração, reduzindo o número de seguradoras ativas para cerca de 12 a 14. Ele ressaltou a importância de políticas estruturadas e defendeu um modelo sustentável, que atraia mais resseguradores e capital de risco para o Brasil, fortalecendo a proteção dos produtores e reduzindo a vulnerabilidade do setor.

Toyama lembrou ao secretário do Ministério da Agricultura que na cabeça do produtor rural o seguro ainda é o último item na lista do seu planejamento anual. “Então a gente precisa ter políticas públicas para assegurar produtos mais aderentes e preços adequados, para garantir a rentabilidade dos produtores e a sustentabilidade da agricultura nacional”, defendeu.

Os especialistas reforçaram a necessidade de ampliar as ferramentas de gestão de riscos, incluindo mecanismos como seguro paramétrico. Também defenderam a criação de um banco de dados integrado para aprimorar os produtos disponíveis aos produtores rurais. O Projeto de Lei 2.951 de 2024, da senadora Tereza Cristina (PP-MS), que trata do Fundo Catástrofe e propõe melhorias no Programa de Subvenção ao Seguro Rural, foi citado como uma medida fundamental para estruturar a gestão de riscos no país.

Também participaram do workshop: Guilherme Bastos (Coordenador do FGV Agro), Maria Netto (Diretora Executiva do iCS), Vitor Ozaki (Presidente da Câmara Temática de Gestão de Risco Agropecuário do MAPA), Eduardo Assad (FGV Agro), Leila Harfuch (Agroicone), Eugenio Montoro (FGV IISR), Guilherme Rios (CNA), Jairo Costa (Syngenta), Evandro Zequin (Klabin), Thiago Lauriano (IRB Brasil Re), Eduardo Monteiro (Embrapa), Jean Ometto (INPE), Paulo Artaxo (USP), Ademiro Vian (IBDAGRO); Renato Buranello (VBSO) e Ricardo Sassi (Agristamp).

Indicador de Longevidade Pessoal aponta que público 60 menos já busca mais informações sobre tema

Kalache: A população acima de 80 anos, que era de 14 milhões em 1950, chegará a quase 400 milhões em 2050

Segundo dados obtidos pelo Indicador de Longevidade Pessoal (ILP), desenvolvido pelo Grupo Bradesco Seguros em parceria com o Instituto de Pesquisa Locomotiva e o especialista em envelhecimento Alexandre Kalache, a maioria dos respondentes do teste está na faixa etária entre 20 e 59 anos, evidenciando que, ao contrário do que se poderia imaginar, o tema não é de interesse exclusivo dos mais velhos, mas sim uma preocupação crescente desde as fases mais iniciais da vida adulta, abrangendo diversas gerações.

Além disso, o engajamento pela longevidade transcende gênero. Em pouco mais de três meses e com milhares de acessos, o teste contou com 55% das respostas de mulheres e 45% de homens. O ILP avalia fatores essenciais como saúde física, mental, finanças e relações sociais, fornecendo uma visão sobre como estamos nos preparando para o futuro.

Para Alexandre Kalache, esse comportamento demonstra uma percepção mais ampla sobre a longevidade. “Estamos acompanhando os jovens cada vez mais conscientes sobre o envelhecimento como um processo natural. E, para viver essa fase da vida com qualidade, é necessário adotar uma perspectiva de curso de vida – da infância até a velhice – respeitando a dignidade e autonomia, através de cuidados e hábitos desde a juventude. Quanto mais cedo melhor, nunca é tarde demais”, explica o especialista.

Com metodologia proprietária, o teste do ILP é gratuito e permite mapear hábitos e ampliar o conhecimento sobre o tema. Além de identificar áreas de melhorias individuais, ao final do teste, o portal disponibiliza um guia com dicas para uma vida mais longa e saudável, ajudando cada pessoa a se preparar para os seus próprios desafios do envelhecimento.

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