Carteira de auto assume um novo desenho*

edicao_revista1*matéria feita com exclusividade para a Revista Apólice – Setembro/2009

E agora, como fica o mercado de seguro de carro? Esta tem sido uma das perguntas mais pronunciadas desde o dia 24 de agosto, quando Porto Seguro e Itaú Unibanco anunciaram a criação da Porto Seguro Itaú Unibanco Participações (Psiupar), dona de 28% das vendas de seguros de carro no Brasil, com prêmios de R$ 2,2 bilhões no primeiro semestre deste ano.

O bom nesta história é poder trazer notícias boas aos leitores, que muitas vezes se queixam que a imprensa só divulga fatos negativos. “Todos ganharam com a Psiupar. Corretores, mercado e consumidores”, diz Leôncio Arruda, presidente do Sindicato dos Corretores de São Paulo (Sincor-SP). “Fico feliz de um conglomerado enorme do tamanho do Itaú Unibanco ter a política da Porto Seguro, que ficou no controle da operação de seguros de carro e de residência.”

Outro lado positivo citado por Arruda nesta negociação foi o Bradesco permanecer como uma opção a todos. “Foi uma vitória para todos nós que o Bradesco não negociou com a Porto Seguro. Se isto tivesse acontecido, sairia do mercado e todos nós perderíamos uma das poucas opções entre as boas seguradoras”, acrescentou Arruda.

Segundo comentou o presidente do Sincor-RS, Celso Marini, a preocupação com a associação entre Itaú Unibanco Seguros e Porto Seguros vem da redução do número de seguradoras no Brasil. “Por outro lado, temos o prenúncio de uma companhia muito forte, com grandes reservas técnicas e uma carteira operacional gigantesca. Em relação aos corretores de seguros, fica a esperança de que a nova companhia mantenha e amplie a política de parceria com nossa categoria”.

A consolidação é uma tendência neste mercado, com margens de ganho apertadas. “Ainda mais agora com a queda da taxa de juros, que proporcionava boa parte dos ganhos na carteira, a escala é uma questão de sobrevivência para manter a rentabilidade neste segmento”, diz o consultor Roberto Castiglione.

Hoje, as dez maiores seguradoras de automóvel do País detém 91% das vendas. Segundo dados da consultoria Siscorp, os prêmios de seguro de carro somaram R$ 8 bilhões no primeiro semestre, sem considerar o DPVAT. Desse valor, a Psiupar tem 29%, seguida pela Bradesco (13%), SulAmérica (12%), Liberty (8% ), Mapfre ( 8%), HDI (6% ), Allianz (6%), Brasilveículos, parceria entre Banco do Brasil e SulAmérica (5%) e Tokio Marine (4%). ”Ficou mais apertado para os que disputam o setor. A liderança está em quem negocia através do corretor de seguros, como Porto Seguro e Bradesco. O BB é outro que promete ter o corretor como parceiro. Vamos ver”, comenta Leôncio Arruda.

Segundo Farid Eid , diretor da Alfa Seguradora, a recente associação gerou de fato uma grande empresa do setor, com o expertise da Porto mais o grande balcão do Itaú Unibanco a sua disposição para fazer o que bem entender. “Mas nós acreditamos que as seguradoras de pequeno e médio porte, assim como a Alfa, sofrerão menos o impacto, se comparadas aos grandes players, por estarem firmes na operação com alguns corretores de seguros e principalmente por terem escolhido nichos específicos de mercado”.

Na busca por escala, o Brasil registrou várias negociações nos últimos meses. Liberty com Indiana, Yasuda com Marítima, Zurich com Minas Brasil. Para tornar o cenário ainda mais desafiador, outras tantas negociações estão em andamento, como a Tokio negociando com o Santander e o Banco do Brasil que vem com força total.

O maior banco do Brasil, controlado pelo governo, promete para o mês de setembro um “terremoto” na indústria de seguros com a divulgação que pretender fazer sobre as parcerias que desenha há quase dois anos para ganhar a liderança do mercado. Oficialmente, executivos do BB confirmam que há conversas com SulAmérica e Mapfre, mas levantam a dúvida sobre outros interessados envolvidos na engenharia financeira conduzida pelo UBS Pactual.

Apesar de ter uma participação insignificante em automóvel, o BB, assim como a Caixa Econômica Federal, outro grande player, deverão trazer mudanças significativas no seguro de carro em razão da mudança de estratégia do banco. Até antes da crise financeira, a Caixa focavam suas atividades em áreas sociais do governo, como habitação, e o BB ensaiava entrar no financiamento de carros. Mas com a crise financeira, ambos passaram a comprar carteiras de bancos médios que enfrentavam dificuldades, reforçando a área de crédito para a compra de veículos.

Em agosto, a Caixa lançou uma forte campanha de financiamento de carros em concessionárias no interior de São Paulo. A curiosidade é quem será a parceira da Caixa em seguro de carro, até pouco tempo atrás uma operação pequena no banco oficial. E falando em carros novos, vale lembrar que o Itaú Unibanco tem a maior carteira de crédito para veículos do Brasil, com quase R$ 50 bilhões no final de junho deste ano.

Por isso, quem imaginava que a concorrência na venda de seguro de carro estava em seu pico máximo, vai se surpreender daqui para frente. “Acredito que perderei noites de sono para dar o lucro que o Itaú espera desta negociação”, comentou Jayme Garfinkel, presidente da Porto Seguro. Esta frase sinaliza que a briga será intensa, uma vez que o ganho da negociação já é certo.

Além de conquistar uma carteira de bom tamanho, Jayme Garfinkel ainda ganhou uma rede de distribuição de mais de 4,5 mil pontos, tem a confiança dos corretores e a perspectiva de internacionalização junto com os planos do Itaú. Além disso, a negociação agregou valor para as ações, uma vez que a expectativa de ganhos de sinergia, pelo mercado, seja em receita ou despesa, supera R$ 404 milhões. Se Roberto Setubal, presidente do Itaú Unibanco, quer mais do que isso, a pressão por custos e gestão na carteira de automóvel será maior do que qualquer um previu até agora.

Para o consultor Flávio Faggion, diretor presidente da Siscorp, especializada em seguro, os efeitos práticos da associação demorarão um pouco para ser sentidos pelos corretores e consumidores. Vale lembrar que a operação ainda tem de ser aprovada pelos órgãos reguladores. A previsão é de que isto aconteça ainda neste ano para que a Psiupar possa iniciar 2010 em plena operação.

“A Porto terá que pensar numa estratégia de preços dos seguros vendidos pelos corretores e aqueles vendidos nas agências do Itaú. Acredito que vai haver certa homogeneização”, diz Faggion. Segundo ele, os concorrentes ficarão muito atentos no comportamento da Porto e é muito provável que as seguradoras tomem atitudes mais agressivas do que vem fazendo até hoje. “Se esses movimentos forem na linha de redução de preço, estratégia sem grandes expectativas, poderá representar algum aumento do tamanho do mercado, mas mesmo assim não muito significativo.”

Outra boa notícia para os corretores. Apenas um terço da frota brasileira de veículos está segurada. Há muitos consumidores para serem conquistados. Ainda mais se levarmos em conta o potencial de venda de carros no Brasil. O mercado brasileiro possui 7,4 habitantes para cada veículo em circulação, enquanto o México tem 4,1 habitantes e a Argentina, 4,8. Um mercado e tanto.

Lucro das seguradoras cresce 7% até agosto

12518297088sltsk1As seguradoras brasileiras obtiveram lucro líquido de R$ 6,2 bilhões no período de janeiro a agosto deste ano, avanço de 7% comparado com o mesmo período do ano passado. Segundo estudo da consultoria Siscorp, o retorno sobre o patrimônio líquido do final de período ficou em 18%, oito pontos percentuais abaixo dos 25% registrados em mesmo período do ano passado.

A líder absoluta no quesito lucro é a Bradesco Seguros e Previdência, com R$ 1,8 bilhão até agosto, segundo revela o estudo que tem como base os dados enviados pelas seguradoras à Superintendência de Seguros Privados (Susep). Itaú Unibanco vem em segundo, com R$ 988 milhões, Caixa Seguros com R$ 480 milhões e Banco do Brasil, com R$ 438 milhões. As seguradoras ligadas a bancos respondem por mais de 80% da lucratividade do setor.

Sem considerar saúde, as seguradoras registraram vendas de R$ 59,8 bilhões no acumulado do ano até agosto, evolução de 9%. O segmento de seguros gerais respondeu por R$ 21,7 bilhões; seguro de vida e acidentes por R$ 9 bilhões; previdência, incluindo VGBL, por R$ 18,1 bilhões; e capitalização por R$ 5,8 bilhões.

O maior produto em termos de arrecadação é o VGBL, com R$ 17,6 bilhões, crescimento de 17% em relação ao mesmo período do ano passado. Seguro de carro movimentou prêmios de R$ 11,1 bilhões, alta de 12%, sendo o segundo produto mais vendido pela indústria de seguros. Em terceiro vem o seguro de vida e acidentes pessoais, com R$ 9 bilhões em prêmios, evolução de 15%.

Segundo o estudo da Siscorp, entre as tendências de alta até o final do ano estão VGBL e riscos especiais. Automóveis, vida, rural, responsabilidades e habitacional manterão o crescimento estável. Nos demais produtos, a tendência revelada pela consultoria é de baixa.

A liderança dos grupos seguradoras muda para os diferentes tipos de produtos, tendo a Bradesco a liderança geral, com prêmios de R$ 9,4 bilhões (sem considerar saúde). Também é do grupo segurador controlado pelo Bradesco a liderança em vendas de VGBL, vida e acidentes.

O Itaú Unibanco lidera em patrimoniais, DPVAT, riscos financeiros, transporte, casco e riscos especiais. O Banco do Brasil é líder na venda de seguro rural e títulos de capitalização, enquanto a Caixa fica em primeiro lugar no ranking de seguro habitacional e de crédito.

A JMalucelli obteve o melhor índice combinado (prêmios menos indenizações e despesas), com 65%, seguida pela Caixa e pela Safra Seguros, ambas com 66%. Das 50 maiores companhias, exatamente a metade tem índice de até 100%. As restantes terão de usar o ganho financeiro para compensar a perda operacional.

Acordo da Caixa com a TIVVO garante taxa competitiva*

*matéria produzida com exclusividade para o especial “Pequenas e Médias Empresas” do jornal Valor Econômico,que circulou no dia 30/09/2009

Levar crédito direto ao consumidor com taxas competitivas, aprovação imediata, sem custo para o varejista, que recebe o valor da venda a prazo em dois dias, sem deságio e está livre dos encargos da inadimplência? Exatamente isso. Trata-se de uma das parcerias articuladas pela Fecomercio que tem animado os comerciantes.

O produto é fruto de um acordo entre a Caixa Econômica Federal e a TIVVO, que começou a ser estruturado neste ano e deslanchou em setembro. A Caixa tinha esse projeto engavetado. A TIVVO, uma empresa que oferece soluções para a busca e manutenção de clientes, precisava de funding para manter o negócio, ameaçado com a falta de liquidez gerada pela crise.

“O interesse da Caixa é injetar dinheiro no mercado para movimentar a economia, e o nosso, levar crédito ao público de menor renda em condições mais acessíveis. Isso agilizou a parceria”, diz Ricardo Alessandro Castagna, sócio diretor da empresas.

Desde 2006, a TIVVO desenvolve tecnologia para facilitar ao lojista a maior oferta de crédito. “Temos programas inteligentes que cruzam diversos tipos de dados, o que nos permite reduzir o custo da inadimplência e da fraude e, assim, operar com taxas competitivas”, diz o empresário. Se o calote ocorrer, a taxa vai rever as condições negociadas. Ou seja, não imputa a responsabilidade, mas dá limites de tolerância.

Com a crise, os recursos captados pela TIVVO, provenientes de fundos de investimento, secaram. A empresa, que já prestava serviços para a Caixa, sugeriu o projeto, que, coincidentemente, estava na gaveta. “Por ser um processo inovador e que vem ao encontro das necessidades da Caixa em irrigar a economia com o crédito para as camadas de menor renda, o projeto andou e está tendo excelente aceitação”, diz o sócio da TIVVO. A empresa é remunerada pela Caixa com uma parte da rentabilidade obtida com a operação.

Segundo ele, já foram fechados negócios com supermercados, lojas de móveis e agências de turismo. O lojista pode disponibilizar aos seus clientes três linhas de crédito da Caixa por meio da TIVVO: crédito direto ao consumidor (CDC); crédito pessoal (CP); crédito consignado em folhas de pagamentos e financiamento imobiliário. “Nossa meta é diminuir a burocracia, reduzindo custos e mitigando riscos em toda a cadeia.”

O produto padrão desenvolvido pela TIVVO e Caixa para os lojistas envolve o crédito direto ao consumidor. “A TIVVO instala um software, sem custo para o lojista, que possibilita a ele dar crédito a seu cliente parcelado em até 12 vezes e receber o valor em D+2, ou seja, dois dias depois da operação, sem deságio”, explica Antonio Carlos Borges, diretor executivo da Fecomercio. “Os concorrentes demoram em média 30 dias para creditar ao lojista o valor da venda. Para antecipar, cobra taxa de juros. A Caixa não”, acrescenta Castagna.

*matéria produzida com exclusividade para o especial Pequenas e Médias Empresas do jornal Valor Econômico, que circulou no dia 30/09/2009

Fecomercio articula ações para facilitar empréstimos*

*matéria produzida com exclusividade para o especial “Pequenas e Médias Empresas” do jornal Valor Econômico,que circulou no dia 30/09/2009

Quem olha de fora, dificilmente imagina o corre-corre dos bancos oficiais e de entidades de classe nos bastidores da economia para mitigar os efeitos da crise internacional. Graças à dedicação de uma força tarefa, o Brasil foi um dos primeiros países a sair do tsunami financeiro.

Um dos sustentáculos da engrenagem do crescimento tem sido o crédito. Por isso, ele se tornou a bandeira da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio), entidade que representa 151 sindicatos empresariais do setor de comércio e serviços espalhados pelo interior do Estado de São Paulo, dono do maior Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil.

Há anos a Fecomercio busca articular a oferta e a demanda de crédito entre os pequenos empresários. A entidade insiste que as instituições financeiras precisam ter mais recursos direcionados para esse universo de empresas: cerca de 600 mil no total, que respondem por 10% do PIB e geram em torno de 5 milhões de empregos. “Temos lutado para levar o crédito ao micro, pequeno e médio comerciante a preços acessíveis, de forma rápida e sem tantas burocracias”, conta Antonio Carlos Borges, diretor executivo da Fecomercio.

A crise, apesar da escassez de crédito, ironicamente, ajudou a destravar projetos que há anos estavam para deslanchar. Muitos deles estão sendo consolidados neste ano. De janeiro para cá, a Fecomercio vem montando uma verdadeira operação de guerra. Fez parcerias com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Nossa Caixa Desenvolvimento e Caixa Econômica Federal. Além dos agentes financeiros, a Fecomercio negociou com empresas de consultoria de investimentos, como a Mazzo Projetos de Investimentos, sediada em Ribeirão Preto e escritório em São Paulo.

A empresa orienta gratuitamente os pequenos empresários sobre linhas de crédito. “Caso eles necessitem de um projeto de investimento para o crédito, temos um acordo com a Fecomercio que viabilizou um preço mais acessível aos associados”, informa Marcos Mazzo, sócio proprietário. A consultoria já realizou mais de 300 projetos e aposta na parceria que acaba de ser criada.

O passo seguinte da Fecomercio foi capacitar funcionários que, por sua vez, treinam pessoas dentro dos sindicatos, 90% deles instalados no interior de São Paulo. “Criamos uma espécie de escritório de informações para levar às empresas tudo o que elas necessitam para ter crédito. E crescer com ele”, enfatiza Borges.

A tarefa agora é informar. Para que tudo isso chegue ao público interessado, uma grande campanha foi criada para detalhar as linhas disponibilizadas pelos agentes. Em agosto, a Fecomercio realizou uma plenária, onde reuniu boa parte dos sindicatos associados. No encontro, a Federação lançou a cartilha “Crédito para o Comércio – BNDES”, onde, de forma simples e clara divulga as opções de crédito oferecidas pelo banco de fomento às empresas do comércio e serviços.

O BNDES é o maior parceiro até agora da Fecomercio. Além das seis linhas de crédito, uma para cada finalidade, os outros agentes parceiros também disponibilizam os recursos do banco de fomento. A carteira de pequenas e médias do BNDES foi a que mais cresceu no primeiro semestre, passando de R$ 7 milhões para R$ 10 milhões, principalmente disponibilizando o cartão BNDES. Para o setor de bens de capitais, o mais atingido pela crise, o banco passou a oferecer programas especiais. O BNDES estima desembolsar R$ 6 bilhões para capital de giro neste ano, apostando que em 2010 os bancos privados normalizem a oferta nesta linha para as pequenas, para que ele possa voltar a sua origem de fomento.

Para garantir empréstimos de investimentos financeiros às empresas menores, o BNDES criou o Fundo Garantidor de Investimento (FGI), que oferece 80% de cobertura e limite de garantia de R$ 10 milhões por beneficiário. O fundo tem parcerias com mais cinco grandes bancos. A operação começou com um total de R$ 700 milhões e nos próximos anos deve chegar a R$ 4 bilhões.

A crise também ajudou a criar novas opções de crédito, como a Nossa Caixa Desenvolvimento. Nascida em março deste ano, com recursos de R$ 1 bilhão obtidos pela venda da Nossa Caixa ao Banco do Brasil, a agência de Fomento do Estado de São Paulo começou a operar em julho na concessão de crédito para capital de giro para o setor de bens de capital.

Por não ter agências, a Nossa Caixa Desenvolvimento utiliza-se de parceiros como a Fecomercio para levar várias modalidades de crédito às pequenas empresas. A agência conta apenas com 60 funcionários, sendo 30% para a venda e 70% lutam para viabilizar as áreas operacionais, que ainda exigem todos os esforços para suportar o crescimento. “Já colocamos um edital na rua para contratar mais 50 funcionários”, informa Milton Luiz Melo Santos, presidente da Nossa Caixa Desenvolvimento

A missão da Nossa Caixa, como agência de fomento, é alocar recursos do acionista controlador, o Governo do Estado de São Paulo, em negócios que permitam aumentar o emprego e a renda. Entre os segmentos iniciais estão os de automação de escritório, máquinas e equipamentos, veículos utilitários e franquias. O objetivo é ofertar crédito com prazo mais longo e taxas mais acessíveis para a economia paulista e assim impulsionar o crescimento do PIB do Estado.

A primeira linha disponível foi a de capital de giro. O produto era prioritário diante da dificuldade das pequenas e médias em conseguir recursos nos bancos de varejo. “Temos a melhor taxa para capital de giro”, diz, exibindo um cartaz com 0,96% ao ano. A Agência também opera com uma linha para empresas com faturamento anual de até R$ 2,4 milhões, que conta com a garantia do Fundo de Aval Paulista, para financiamento de aquisição de máquinas e equipamentos, de veículos utilitários e abertura de franquias com taxa de até 1,3% ao mês. “São as garantias que dificultam muitas vezes que um pequeno empresário consiga o crédito, buscamos facilitar isso dentro do nosso programa.”

Em setembro, a Nossa Caixa foi autorizada a repassar os recursos do BNDES, com R$ 162 milhões para a linha Finame (máquinas e equipamentos), e para a linha PEC (capital de giro). Inicialmente serão destinados R$ 160 milhões, dos quais R$ 32 milhões já estão prontos para ser liberados, em duas linhas de financiamentos para empresas de pequeno e médio porte da indústria, comércio, serviços e agronegócio. “Pretendemos usar os recursos até o final do ano.”

As taxas para o Finame PSI são de 7% ao ano para equipamentos móveis e de 4,5% ao ano para demais equipamentos. Já na linha PEC, para capital de giro, as taxas são de 13,5% ao ano para pequenas e médias empresas e de 14% ao ano para as grandes. O valor mínimo do financiamento é de R$ 20 mil. Os financiamentos têm carência de até um ano, e mais dois anos para pagamento.

Com apenas cinco meses, a Nossa Caixa Desenvolvimento já concedeu R$ 65 milhões em financiamentos para 47 empresas de diversos setores produtivos de São Paulo. O segmento que mais tem demandado o crédito da Nossa Caixa é a indústria, principalmente a ligada ao setor automotivo. “Como se trata de um setor que gera muito emprego, foi o mais atendido até agora”, revela o presidente da agência de fomento paulista.

Aos poucos, outros segmentos se tornam alvo da Nossa Caixa, como supermercados e empresas de call center, pelo grande volume de empregos que geram, bem como a indústria de calçados, com uma importante cadeia produtiva espalhada por cidades do interior.

O volume de operações proporcionado por meio da Fecomercio não foi consolidado. “Até o fim do ano teremos um balanço para poder medir a eficiência desse balcão de crédito”, diz o diretor da entidade. “O objetivo é fazer dos sindicatos um esclarecedor do crédito.”

Porto Seguro lucra ao agradar o cliente

images15A inovação na Porto Seguro é uma realidade que chega a assustar. A flexibilidade da seguradora, adaptando a sua realidade ao contexto, é algo admirável. Veja só. Ela desenvolveu a Felisa, uma bicicleta elétrica que até agora era utilizada exclusivamente para atendimento de vistoria e socorro aos clientes no seguro de auto. Uma forma de ser mais sustentável e poluir menos o planeta.

A Felisa, produzida no Brasil em 2008 com apoio de designers, construtores e ciclistas, recebeu o nome originado das sílabas iniciais de Felicio Sadalla (Feli-Sa), para homenagear o inspirador do projeto, que há 30 anos já utilizava uma bicicleta elétrica, montada por ele mesmo, para percorrer os 13 km que separavam sua casa do trabalho.

O design encantou os brasileiros. Pronto. Para agradar os clientes, a Porto disponibiliza a bicicleta para venda por R$ 2,39 mil para segurados e R$ 2,99 mil para não clientes. O pagamento pode ser facilitado no cartão Porto Seguro Visa, em até 10 vezes sem juros. Veja só. Isto que é saber ganhar em todas as pontas: ajuda o planeta, incentiva o segurado a praticar esporte, aumenta as vendas no cartão próprio e de quebra atende ao pedido dos clientes que querem a bike que permite que o ciclista pedale em trechos fáceis e acelere nas subidas.

Os dois modelos das bicicletas elétricas estão expostas nos Centros Automotivos Porto Seguro Aeroporto, Aricanduva, Indianópolis, Bela Vista, Morumbi, Nove de Julho, Pacaembu, Penha, Rio Branco e Santo Amaro.

“O objetivo é propor essa nova solução de mobilidade na cidade, no qual experimentamos e apostamos para nossos serviços. Esse conceito já é muito comum na Ásia e vem ganhando espaço na Europa, onde o uso da bicicleta vai muito além do lazer”, afirma o vice-presidente executivo da Porto Seguro, Fábio Luchetti, em nota de divulgação.

A discussão sobre o desenvolvimento de veículos elétricos vem crescendo, na medida em que a sociedade e lideranças de todo o mundo discutem formas de reduzir a emissão de poluentes e suas consequências danosas ao meio-ambiente e à vida na Terra. Nesse contexto, a bicicleta cumpre seu papel sustentável e ainda oferece uma vantagem adicional na complicada fluidez do tráfego.

Desde 2008, a Porto Seguro aposta na bicicleta como transporte urbano viável. As ações da companhia incluem empréstimo e estacionamento nos bicicletários do UseBike em parceria com o Metrô, onde já contabilizou 4 mil empréstimos e guarda de outras 4 mil bicicletas ao mês.

Os serviços de socorro e vistoria de veículos realizados por ciclistas – Bike Socorro e Bike Vistoria – já somaram 40 mil atendimentos. Até o fim do ano serão 50 bicicletas elétricas em serviço na Grande SP, informa a companhia, que também oferece assistência técnica domiciliar às bicicletas pessoais dos segurados Auto.

Lucro das seguradoras de bens nos EUA cai 59%

11890069548tdazv1As seguradoras de ramos elementares dos Estados Unidos registraram queda de 59.3% no lucro líquido do primeiro semestre deste ano, para US$ 5,8 bilhões. No mesmo período do ano passado, o resultado das companhias ultrapassou US$ 14 bilhões, segundo relatório divulgado pela Property Causalty Insures Association e (PCIA) Insurance Services Office (ISO).

O retorno anualizado chegou a um patamar frustante para os acionistas, de apenas 2,5%, sete pontos percentuais menor do que a média de 9,5% dos últimos 24 anos. Este foi o segundo menor nível desde o início do banco de dados da ISO, em 1986. O pior resultado veio das seguradoras ligadas a hipotecas e garantias, com retorno anualizado negativo em 76,5%. Excluindo estas empresas, o retorno médio do mercado americano fica em 4,5%, metade dos 7,7% registrados no primeiro semestre de 2008.

Boa parte do declínio na lucratividade veio das perdas com investimentos em razão das oscilações dos mercados acionários mundiais e volatilidade das moedas. De acordo com as estatísticas, as companhias totalizaram perdas financeiras de US$ 24,9 bilhões, praticamente a metade dos ganhos obtidos em mesmo período do ano anterior.O resultado operacional apresentou melhora mesmo com a queda nas vendas. Os prêmios somaram US$ 9,4 bilhões, recuo de 4,2%, para US$ 212,8 bilhões.

As perdas operacionais com subscrição totalizaram US$ 3,4 bilhões, para US$ 2,2 bilhões no primeiro semestre. Menos da metade dos US$ 5,6 bilhões de junho de 2008. As catástrofes custaram US$ 7,5 bilhões às seguradoras, já considerando a cobertura de resseguro.

Segundo a ISO, o valor é US$ 3,3 bilhões menor do que o registrado em 2008, porém US$ 2 bilhões acima da média de US$ 5,5 bilhões dos últimos dez anos. Com isso, o índice combinado melhorou de 102% para 100,9%.O patrimônio líquido consolidado das empresas que fazem parte da análise, cerca de 96% das seguradoras privadas de ramos elementares existentes nos EUA, aumentou 1,2%, para US$ 463 bilhões em junho.

Revista Reactions divulga os melhores do ano

global20awards20logo20091Várias seguradoras, resseguradoras e executivos comemoraram a premiação da revista Reactions Global Awards, durante jantar no Cipriani, em Nova York, no último dia 24. A revista publica anualmente uma edição especial com a relação de companhias e executivos que se destacaram ao longo do ano.

Segundo a edição 2009, a Hannover Re levou duas premiações, de melhor resseguradora em linhas especiais e melhor resseguradora global. A Mapfre manteve a premiação como melhor seguradora da América Latina e a Chubb manteve a premiação de melhor seguradora dos Estados Unidos.

Entre os executivos, os CEOs da ACE, PartnerRe, Marsh e Aon Benfield se destacaram e levaram o troféu. O CEO da Zurich, James Schiro, e Hank Greenberg, presidente da Starr & Co, e que presidiu a AIG por muitos anos e agora presta conselhos ao novo presidente da companhia que recebeu ajuda de US$ 180 bilhões do governo dos EUA, receberam homenagens pela forma como influenciaram a indústria de seguros mundial.

Veja abaixo os premiados pelo desempenho em 2008, ano da pior crise dos últimos anos, segundo a revista britânica Reactions:

Seguradoras
Chubb – melhor seguradora dos EUA
Allianz – Europa
Tókio Marine – Ásia
Mapfre – América Latina
Zurich – Global
Evan Greenberg – Melhor CEO – ACE

Resseguradoras
RenaissanceRe – Property
Transatlantic Re – responsabilidade civil
HannoverRe – linhas especiais
Swiss Re – vida
Hannorver – Global
Melhor CEO – Patrick Thiele, PartnerRe

Corretores de seguro
Grandes grupos – Marsh
Médios grupos – Jardine Lloyd Thompson
Melhor CEO – Brian Duperreault, Marsh

Corretores de resseguro
Grandes grupos – Guy Carpenter
Médios grupo – Towers Perrin
Melhor CEO – Andrew Appel, Aon Benfield

Prestadores de serviços
Advocacia – Dewey & LeBouef
Agência de rating – AMBest
Gerenciamento de risco – RMS
Contabilidade – KPMG
Banco de Investimento – Goldman Sachs
Administrador de recursos – Deutsche Insurance Asset Management

Setor deve crescer 7% este ano, para R$ 103 bi

1240181636yx455i1A indústria de seguros do Brasil deve encerrar 2009 com faturamento de R$ 102,9 bilhões, o que representará crescimento de 7% sobre o ano anterior, segundo dados do Informe Anual/ Balanço Social e Caderno de Projeções do Mercado Segurador”, lançado oficialmente na última sexta-feira, pela CNSeg.

Em 2010, avança para R$114,3 bilhões, com alta de 11%. Em 2011, R$127,1 bilhões (11%); e em 2012, sobe para R$ 140,7 bilhões em prêmios e contribuições de seguros (incluindo Saúde), previdência e capitalização, conjuntamente.

O caderno traz dados estatísticos de 2008 da indústria de seguros do Brasil, os desembolsos das suas empresas em ações de responsabilidade social e projeções de resultados até 2012 segmentados por ramos e carteiras. Em 2008, por exemplo, o setor gerou mais de 200 mil empregos no ano passado e obteve receita acima de R$ 96 bilhões, 14% a mais que o totalizado em 2007.

O Balanço Social 2008 lista os programas sociais do mercado segurador, como atendimento a crianças carentes, capacitação de menores infratores, fora iniciativas de inclusão cultural e de defesa do meio ambiente. No ano passado, o mercado segurador investiu mais de R$ 57 milhões em programas de responsabilidade social.

CNSeg assina protocolo do “Seguro Verde”

1237429573pw9ee71As ações das seguradoras brasileiras em prol do meio ambiente, principalmente porque elas são diretamente afetadas financeiramente pelas mudanças climáticas, começam a ficar mais freqüentes, mesmo que ainda estejam na assinatura de protocolos. Na última sexta-feira, o presidente da CNSeg, João Elisio Ferraz de Campos, o ministério do Meio Ambiente, Carlos Minc, assinaram o “Protocolo do Seguro Verde”.

É uma carta de intenções sobre a participação da indústria do setor na defesa de atitudes que levem em conta a proteção do planeta. “Será um instrumento mais poderoso que a ação de mil fiscais” ou as operações de repressão realizadas pelo Ibama, em conjunto com a Polícia Federal, disse no evento o ministro. Segundo informou a CNSeg em seu site, a assinatura do protocolo prevê o endurecimento das regras para empresas que tenham práticas socioambientais inadequadas.

Pelo protocolo, as seguradoras passam a considerar os impactos e custos socioambientais na gestão de seus ativos e nas análises de risco. Ainda na fase de análise dos pedidos de coberturas, vão exigir a apresentação de licenças ambientais de instalações e equipamentos potencialmente causadores de significativa degradação ambiental. As companhias planejam adotar critérios socioambientais na política de subscrição de riscos, considerando os potenciais impactos e a necessidade de medidas de proteção tecnicamente recomendáveis.

Ou seja, os preços das coberturas e as exclusões podem ampliar, exigindo das empresas práticas ambientais mais corretas. O presidente do Sindicato das Seguradoras do Rio de Janeiro, Luiz Tavares Pereira Filho, destacou que a entidade das seguradoras fluminenses encampa a bandeira da preservação do meio ambiente há pelo menos 15 anos, enumerando diversos projetos que apóia. O mais recente é o de Educação Ambiental em favelas ocupadas pela Polícia Militar na região metropolitana do Rio de Janeiro.

Lloyd’s lucra 29% mais no semestre

images13Durante um período tão conturbado da economia mundial, o Lloyd’s of London, um mercado de seguros com operações internacionais, apresentou alta considerável em seu lucro no primeiro semestre do ano. De acordo com dados do balanço divulgado ontem, o Llody’s obteve lucro bruto de US$ 2,18 bilhões (£ 1.32 bilhão), alta de 29%.

O índice combinado apresentou ligeira alta, passando dos 89% registrados no primeiro semestre de 2008 para de 91,6% em junho deste ano, um bom resultado considerando a média de 99% registrada pelas seguradoras de riscos patrimoniais e de responsabilidade civil (Property & Casualty) dos Estados Unidos, 94% das resseguradoras americanas, 84% das companhias instaladas nas Bermudas, outro grande mercado de seguros internacional, e 99% das seguradoras e resseguradoras europeias.

O índice combinado mostra que a instituição sentiu os efeitos do maior volume de pedidos de indenização com a crise, principalmente do seguro de responsabilidade civil de executivos financeiros (directors&officers-D&O). No entanto, desde a crise da Enron e Worldcom, os sindicatos do Lloyd’s passaram a subscrever riscos de D&O com mais rigor.

Os acidentes aéreos, incluindo o AIR France no Brasil, também ajudaram a elevar o volume de indenizações pagas. Para compensar, as catástrofes naturais foram bem menos custosas do que em anos passados.

Segundo informou o presidente do Lloyd’s, Lord Peter Levene, em nota, o resultado dos seis primeiros meses foi alcançado em um período ainda difícil, com volatilidade dos mercados acionários e recessão econômica. “O mercado está em situação financeira sólida e os volumes de negócios têm aumentado como mostra o volume de negócios que nos chega pelos corretores e segurados”.

No cenário externo, Levene disse que as condições continuam difíceis com a temporada de vendáveis e furacoes nos EUA ainda podendo apresentar perdas, e recessão permanece como um indicador de risco para a indústria de seguros.

O relatório completo está disponível na web www.lloyds.com/2009interims