O temor das resseguradoras com as catástrofes, em um momento que precisam recuperar capital perdido com a crise financeira global, é latente. Prova disso é o aumento de taxas verificado nas renovações ocorridas em abril, o segundo período de maior renovação do ano depois do mês de janeiro.
Segundo estudo da Aon Benfield, as taxas de resseguros de catástrofes para riscos patrimonais no Japão tiveram aumento de 10% e índices menores em outros países. Boa parte do incremento veio em razão da valorização da moeda japonesa, acarretando maiores volumes segurados e, conseqüentemente, um risco maior para as companhias.
De acordo com o estudo “Reinsurance Market Outlook” da Aon Benfield, na Europa os preços aumentaram por volta de 5%, em razão principalmente da preocupação dos resseguradores com as enchentes. Nos EUA os resseguradores aguardam como ficará a participação do Estado no socorro a vítimas de furacões. Há previsão de US$ 18,5 bilhões em um fundo para catastrophes controlado pelo estado da Flórida, o mais afetado por furacões nos últimos anos. A demanda de resseguros nesta região dependerá da regulamentação final deste fundo.
Segundo estudo divulgado pela Guy Carpenter, corretora de resseguros do grupo Marsh McLennan, os programas nacionais de seguros apresentaram alta entre 10% e 14%, acima da média de 11% verificada nas renovações de janeiro. A corretora acredita que as taxas continuarão aumentando em razão da escassez de capital com a crise financeira.
A Willis Re também detectou aumento nas taxas de renovação de contratos de riscos patrimoniais nos Estados Unidos em abril. As taxas de programas de catástrofes foram classificadas em “hardening market”, ou seja, aumentos acima de 10%. Nas taxas regionais de seguros, o estado do Texas foi o que registrou maior aumento. Em responsabilidade civil, as taxas seguem o mesmo ritmo das perdas apresentadas pelos segurados. Aqueles com sinistros elevados, pagam mais. Os que gerenciam melhor seus riscos, pagam menos.
Os estudos podem ser consultados gratuitamente nos sites das respectivas corretoras.
O Brasil manteve a avaliação de médio-baixo risco político na 16º edição do mapa mundial de risco político elaborado por especialistas da Aon Corporation e da Oxford Analytica, divulgado hoje no País. Mesmo com o agravamento da crise internacional, a percepção da consultora de riscos foi de manutenção (estabilidade), mas com perspectiva de melhora. Para os outros países da América Latina, que dependem excessivamente da exportação de commodities, como a Venezuela, as perspectivas não são muito positivas.
“Esses países vem sentindo muito a depreciação no preço das commodities, mas mesmo assim continuam com a tendência de nacionalização em cima de recursos naturais”, informa a Aon em comunicado. Em relação ao mercado de seguros, a região da AL, com exceção do Brasil e, de certa forma, da Argentina, é uma região sem grandes problemas.
A percepção de risco é melhor em comparação a outras regiões, mas a AL é propensa a sentir com mais gravidade a depreciação dos custos das commodities (commodity crunch). Na América do Sul, o destaque ficou para Colômbia, que passou do risco médio-alto para média. A percepção de risco político melhorou em geral nos países com risco médio-baixo.
O contrário ocorreu com países do Leste Europeu, em razão do risco de crédito. Países que estavam com uma situação muito ruim estão se deteriorando ainda mais, como Afeganistão, Irã, Iraque, Zimbábue, que passaram do risco alto para o muito alto.
O mapa é uma ferramenta que auxilia as empresas a identificar e conhecer com mais profundidade os riscos políticos que impactam diretamente nas atividades comerciais em cada país. O mapa quantifica e qualifica os riscos políticos e econômicos de 209 países. O objetivo é qualificar os riscos de transferências e não convertibilidade de moedas, greves, desordem e comoção civil, guerra, terrorismo, dívida soberana, interferência política, interrupção da cadeia de suprimentos, riscos legais e regulatórios.
Por meio do cruzamento das informações econômicas e políticas reunidas pelos acadêmicos da Oxford com o conteúdo do banco de dados mundial da Aon sobre o mercado de seguro político mundial é possível traçar um cenário tanto para os clientes como para a própria corretora na formatação de programas mundiais de seguros.
Ao identificar riscos políticos, além de poder assessorar clientes em formas de mitigá-los, a corretora faz uma sintonia fina na apresentação de coberturas e preços. Dessa forma, torna o trabalho de colocação do programa de seguros no mercado mundial uma tarefa mais fácil nestes tempos de falta de liquidez e insegurança sobre se o pior da crise realmente já passou.
Os três principais riscos políticos desta edição envolvem inconvertibilidade de moeda (inabilidade de converter a moeda local em moeda forte para fazer pagamento abroad, não apenas de compras, mas dividendos, repagamento de dívidas, etc); violência política (danos físicos à ativos de empresas causados por guerra, revolução, sabotagem, terrorismo, etc) ; expropriação (ações ilegais, arbitrárias e discriminatórias por parte do governo local, que venham impedem as empresas de terem acesso aos investimentos, ativos que o país tenha, etc).
Qualquer mudança na regulamentação de instituições financeiras tem de levar em conta que as atividades de seguro e de resseguro tem aspectos peculiares. “Não adianta ter regulamentações que tentam equiparar atividade de seguro com bancos e fundos de pensão”, diz Patrick Larragoiti, CEO e presidente da SulAmérica e também membro do corpo executivo da Geneva Association, entidade que reúne 80 CEOs das maiores companhias de seguros do mundo. “O mercado de seguros brasileiro e os órgãos reguladores de instituições financeiras do País têm grandes lições para dar ao mercado internacional”, comenta.
Nesta semana, a Geneva Association entregou ao ministro das finanças responsável pelas maiores economias do mundo, grupo conhecido como G-20, reunidos entre 1º e 2 de abril em Londres, uma carta assinada por 49 CEOs das maiores seguradoras do mundo, entre elas Allianz, AXA, Munich Re, Prudential, Swiss Re e Tokio Marine.
Eles pedem uma supervisão e regulação da indústria de seguros mais eficiente e transparente. Mark Turner, presidente da Prudential e também da associação, ressaltou a importância do encontro em um momento tão crucial da economia global. “É preciso ter ações coordenadas para restabelecer a confiança do consumidor e assim retomar o ritmo de crescimento”.
Na carta, os executivos ressaltam a importância da indústria de seguros, afirmando que ela traz a sustentabilidade necessária para promover a confiança, uma vez que vende proteção e garantias. “O setor de seguros e resseguros é vital para o funcionamento das economias modernas, respondendo por 9% do PIB mundial e 11% da administração de ativos”, informa a carta.
Os executivos também mostram preocupação com a regulamentação. Trata-se de um setor com uma forma diferenciada de outras empresas para contabilizar seus dados financeiros pela peculiaridade e características dos produtos que vende: proteção contra imprevistos. As companhias de seguros e de resseguros arrecadam prêmios, ou seja, valores pagos pelos segurados em troca de proteção de riscos. Elas ficam com um percentual do risco e repassam parte às resseguradoras.
Os recursos administrados serão devolvidos aos segurados em forma de indenização na ocorrência de um acidente. Parte da indenização pode voltar à seguradora em forma de recuperação de bens ou por processos judiciais, como encontrar um carro roubado ou obter reembolso do causador de um acidente ou incêndio, por exemplo. Caso o risco não se concretize (o segurado não ter o carro roubado ou batido, por exemplo), o prêmio pode virar lucro da companhia.
Para garantir que terão reservas para pagar o segurado no futuro, elas são obrigadas a fazer provisões técnicas e aplicar os recursos conforme determinações dos órgãos reguladores. Dessa aplicação virá outra parte do ganho das companhias. Ou perdas, como tem acontecido mundialmente em razão das catástrofes naturais e prejuízos com ativos financeiros. Em razão desta engenharia financeira, a regulamentação tem de separar o setor de seguros das normas de bancos e de outros serviços financeiros.
Apesar da severidade da crise financeira mundial, o mercado de seguros continua operando normalmente. Com perdas em ativos e mais indenizações para pagar, porém sem a necessidade do socorro dos governos ao setor como tem acontecido com instituições bancárias. “A reforma na regulamentação tem de estar focada em ações pró-cíclicas. O excesso de normas poder ser perigosa ao setor, principalmente gerando insuficiência no requerimento de capital”, informa a carta.
Para Patrick Larragoiti, o mercado internacional está solvente, com exceção de algumas companhias do Hemisfério Norte. A AIG, na qual o governo dos EUA teve de injetar até agora US$ 180 bilhões e mesmo assim sem ter a certeza de que livrou a empresa do risco de falência, é o mais emblemático exemplo. “Todo mundo sabe que a situação da AIG é um caso isolado. A empresa estava operando no mercado não tradicional de garanta financeira. Não se tem notícia de seguradoras tradicionais que tiveram problemas de insolvência”, diz.
Na área de seguros de vida, onde algumas companhias americanas enfrentam problemas, principalmente aquelas focadas em produtos de renda variável, Larragoiti vislumbra um período de consolidação. “Na área de seguros de vida fusões e aquisições vão acontecer naturalmente, mas não vejo razão para governos participarem, dando apoio às seguradoras”, diz.
Larragoiti lembra que nada disso está acontecendo no Brasil. “Temos aqui companhias saudáveis, fortalecidas, reservas bem constituídas e diariamente acompanhas pelos órgãos reguladores”, diz. A Geneva Association realiza duas reuniões anuais das quais participam os CEOs de seguradoras de todo o mundo. Nestes encontros são debatidos temas de relevância do setor numa busca de soluções para os desafios de um setor responsável por um faturamento de US$ 4 bilhões anuais. Em 2011, o Brasil, mais precisamente o Rio de Janeiro, será sede da reunião da Geneva Association.
A Federação das Empresas de Previdência e Vida (FenaPrevi) já começou a discutir as estratégias que poderão ajudar as seguradoras a conquistar os investidores que possivelmente irão reavaliar seu portfolio de investimentos caso o governo realmente altere o rendimento da caderneta de poupança, que acumula recursos superiores a R$ 280 bilhões. O tema foi colocado em pauta na última reunião dos executivos, realizada na semana passada.
O assunto, que teve início em 2007, era empurrado com a barriga pelo governo há um ano, em razão de o corte na taxa básica de juros da economia, a Selic, ter estacionado nos últimos meses. No entanto, com a queda de um ponto percentual e meio na última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), o assunto ganhou caráter de urgência.
Acredita-se que mesmo antes da mudança oficial no rendimento da caderneta de poupança os investidores já começarão a repensar como aplicam suas reservas. E este é o melhor momento para atrair novos clientes para a previdência aberta, com captação total de R$ 31,8 bilhões em 2008 e reservas de R$ 142 bilhões. No entanto, as empresas querem fazer uma campanha onde fique claro que é preciso ter uma poupança para emergências e outra para a previdência ou realização de desejos no longo prazo, como a entrada da casa própria, estudo dos filhos ou mesmo abrir um negócio.
A separação das reservas de curto, médio e longo prazos se faz necessária para aproveitar os benefícios fiscais dos planos de previdência. O principal benefício dos fundos de previdência aberta, conhecidos como PGBL e VGBL, é ter alíquota de Imposto de Renda de 10% a partir do décimo ano de aplicação. Quem sacar no primeiro ano, pagará 35% de IR, percentual bem acima do cobrado pelos fundos de investimentos, que geralmente cobram taxas de administração menores.
Há uma frustração geral dos executivos de seguros com a abertura do mercado de resseguros no Brasil. Não com a regulamentação preparada pela Superintendência de Seguros Privados (Susep). Pelo contrário. Neste quesito há unanimidade de que foi feito o possível por ser o primeiro passo. A melhor demonstração é o interesse de quase 60 empresas estrangeiras já autorizadas a operar pela Susep.
“O Brasil é um país prioritário para nós e estamos satisfeitos com o processo de abertura”, diz Benjamin Gentscht, executivo responsável pela área internacional de property & casuality da Scor Re, quinta maior resseguradora do mundo e principal patrocinadora da Conferência Brasileira de Resseguros, realizada no Rio de Janeiro nos dias 4 e 5 de março, que teve o objetivo de traçar um cenário do mercado de resseguros do Brasil nestes primeiros dez meses de abertura.
“Estou aqui há seis anos, mas acompanho o processo de abertura há dez anos. E acho que o mercado aproveitou para se preparar. Acho que a maior parte dos atores tem tornado este desafio um compromisso importante”, comentou Max Thiermann, presidente da Allianz Seguros, em sua palestra no evento.
A grande expectativa era de redução de preços, concorrência, produtos e serviços inovadores. O que ninguém esperava era uma crise financeira de proporções globais, com conseqüências parecidas com as que fizeram o governo brasileiro criar o IRB em 1939, dez anos após a pior crise mundial, gerada pelo crash da bolsa de Nova York e que se estendeu por vários anos em razão da grande recessão e período de guerras.
“Naquela época as seguradoras não encontravam coberturas adequadas a preços acessíveis com as companhias locais. Como não havia nada que as impedisse de acessar o mercado internacional, as estrangeiras passaram a buscar o mercado internacional, gerando evasão de divisas e incerteza em relação ao pagamento no caso de ocorrência de acidentes”, conta Sebastião Pena, executivo do IRB Brasil Re, principal player do mercado local mesmo com tantos concorrentes cadastrados.
E depois de quase 70 anos de monopólio, sendo 12 deles marcados pela luta da maioria de executivos pela abertura, ocorre uma crise financeira internacional que mergulha as maiores economias do mundo em recessão. “Bons tempos os primeiros meses de 2008, quando a grande preocupação de todos era preparar a documentação exigida pela Susep. Agora as preocupações são outras e bem mais complexas”, diz Paulo Pereira, da Transatlantic Re.
A crise afetou os ganhos das seguradoras em todo o mundo em vários pontos: reduziu o patrimônio daquelas com ações em bolsas; a volatilidade dos mercados corroeu a rentabilidade da carteira de investimentos; aumentou o volume de pedidos de indenizações, principalmente nos seguros financeiros e de responsabilidade civil; além da forte safra de eventos naturais, o terceiro maior ano em perdas dos últimos tempos, com cerca de US$ 80 bilhões em indenizações.
“Capital escasso, perdas e recessão, que deverá reduzir o volume de seguros contratos. Um cenário propício para a alta de preços e severidade na negociação de coberturas”, explica Pereira. No entanto, esta realidade não chegou ao Brasil, onde as seguradoras ainda obtêm redução de taxas para seus clientes e são surpreendidas com produtos e serviços que chegam aos poucos para aquelas que já se prepararam para operar dentro das normas internacionais dos resseguradores estrangeiros.
Porém a crise tem gerado estresse nos grandes segurados, antes assediados por todos e que conseguiam as melhores reduções de preço e abrangência de cobertura nos últimos anos. A Petrobras, maior compradora de seguro do país, está preocupada se encontrará capacidade para colocar o seu programa de seguro com valores em riscos acima de R$ 40 bilhões neste ano em razão da crise.
A abertura do mercado de resseguros no Brasil também pode atrapalhar a negociação. Isso porque a legislação local só permite a compra de resseguro de empresas instaladas no Brasil. Apesar de o País já contar com tantos resseguradores, ainda não é o suficiente para comportar a necessidade de capital da Petrobras.
Segundo o advogado Luiz Felipe Pellon, a legislação poderá ser contornada com uma autorização da Susep caso a capacidade das empresas instaladas no País não seja realmente suficiente. “O mais interessante seria flexibilizar as exigências dos resseguradores eventuais como forma de aguçar mais o apetite daqueles que frearam seus planos de vir ao Brasil em razão da crise”, diz o advogado.
A grande dúvida é o preço, abrangência de coberturas e franquias que serão oferecidas pelos resseguradores, uma vez que precisam recuperar capital e conseqüentemente seus ratings. Segundo Luiz Otavio Mello, gerente de risco da petrolífera, apesar de já atuar junto ao mercado internacional há vários anos para a colocação dos riscos, havia sempre a contrapartida do IRB Brasil Re.
“Temos um programa de seguro volumoso e as perdas registradas pelas seguradoras e resseguradoras em razão da crise reduziu a capacidade do mercado”, disse durante o evento. “Só vamos saber na prática como ficará assim que começarmos a renegociar o contrato”, disse ele.
Para Alexis Bergun, responsável por gerenciamento de risco da Arcelor Mittal, o segredo para conseguir bons preços e coberturas abrangentes em tempos de crise é “fazer a lição de casa”. “Conseguimos multiplicar nossa capacidade por seis e reduzir o custo em 70% tendo boas informações e parceiros globais”. Já empresas que não tem um bom histórico de relacionamento com o setor, como a CSN, a situação ficou ainda pior. Nem com preços altos e coberturas restritas a siderúrgica tem encontrado cobertura.
Este cenário faz com que, apesar do enorme esforço de todos, a preferência nacional continue sendo o IRB, que tem aproveitado o momento para estreitar seu relacionamento com todo o mercado. Apesar de toda a concorrência, o balanço de 2008, que será divulgado até abril, mês de aniversário de 70 anos, será invejável, com lucro e faturamento em alta, adianta Eduardo Nakao, presidente do IRB.
“O principal desafio das seguradoras com o mercado aberto é saber avaliar bem o risco de crédito”, ressalta Angelo Colombo, diretor da Allianz. Missão que nem mesmo as maiores agências de rating do mundo foram capazes de obter sucesso diante da crise.
As seguradoras estavam acostumadas a operar com o IRB, considerado um risco praticamente zero por ser controlado pelo Tesouro Nacional. “Agora elas terão de avaliar bem os seus parceiros”, reforça Jacques Bergman, da Itaú XL Seguros. Quem poderia imaginar que uma gigante como a AIG, dona do rating mais alto entre as seguradoras, poderia falir se não fosse socorrida com US$ 150 bilhões pelo Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos.
Algumas resseguradoras, como Swiss Re, XL entre outras tiveram suas notas rebaixadas. Uma situação complicada, principalmente porque as empresas de primeira linha exigem um rating mínimo para poder negociar contratos. Tem seguradora, como a Allianz, por exemplo, que exige uma classificação tão elevada que em certa época a própria resseguradora do grupo não tinha a classificação exigida pela controladora.
“Nós estamos cada vez mais criteriosos na escolha de nossos parceiros”, informa o presidente do IRB. Segundo Nakao, os contratos mantidos com a AIG, que teve seu rating rebaixado, estão sendo renegociados na data do vencimento em razão da necessidade de uma classificação mínima exigida pelas normas do ressegurador local. “Só podemos trabalhar dentro das regras de governança explícitas em nosso site, onde o nível de rating exigido é detalhado”.
Tirando a crise e as adaptações necessárias na regulamentação, principalmente em relação a tributos, Maria Larrea, executiva da Allianz, ressaltou os esforços das companhias de seguros para ofertar melhores produtos e serviços. “O mercado tem de ser capaz de se adequar às necessidades dos segurados e não mais fazer com que eles se adaptem ao que as seguradoras têm a oferecer”, diz. Marco Antonio Castro, representante do Lloyd’s, afirma que os sindicatos representados pelo mercado londrino têm produtos e serviços para trazer inovação ao programa de seguro de qualquer segmento da economia brasileira.
O controle interno das companhias e a qualidade das informações prestadas sobre os riscos a serem segurados são outros pontos que precisam de reparos. “Pedimos a paciência e o entendimento dos resseguradores, pois o mercado agiu por muitos anos de uma forma e agora se esforça bastante para chegar aos padrões internacionais”, diz Maria.
As perdas causadas com a crise financeira trouxeram um tom vermelho para o balanço mundial da seguradora alemã Allianz. O grupo divulgou hoje em seu site dados consolidados de 2008, onde exibe perdas de US$ 3,2 bilhões. Em 2007, havia apresentado lucro líquido recorde de US$ 10,4 bilhões. O faturamento total declinou 5,3%, para US$ 121,5 bilhões. Segundo dados da empresa, boa parte da perda veio das operações descontinuadas, como o Dresdner Bank. As operações de seguros patrimoniais e de responsabilidade civil não sofreram fortes impactos, mas as operações de vida e asset management amargaram perdas com a volatilidade dos mercados financeiros. O balanço completo pode ser consultado no site www.allianz.com
As pessoas precisam ficar mais atentas às reservas para a aposentadoria. É bom acompanhar se a crise financeira alterou o valor planejado no momento da adesão ao fundo de previdência, seja ela um fundo fechado empresarial ou um fundo aberto individual. Se a crise reduziu o patrimônio, é preciso refazer as contas para saber quanto precisará aportar para ter a renda desejada na melhor idade. Se não puder aumentar a contribuição neste momento, saberá que terá de trabalhar alguns anos a mais para ter a renda desejada ou se conformar em viver com um valor menor.
Vários fundos fechados têm divulgado perdas com ativos em 2008. Hoje foi a vez da Shell. Segundo agências internacionais, a petrolífera divulgou comunicado ao órgão regulador holandês, informando déficit de US$ 8,3 bilhões nas contas do fundo de pensão no final de 2008 em razão das perdas de 40% em valor de ativos causados pela crise financeira.
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