Liberty lucra US$ 265 milhões no terceiro trimestre

O Grupo Liberty Mutual obteve lucro líquido de US$ 265 milhões no terceiro trimestre do ano, acima dos US$ 259 milhões divulgados no mesmo período do ano anterior. No acumulado do ano, o ganho foi de US$ 567 milhões.

Segundo Edmund F. Kelly, presidente e CEO, os resultados de terceiro trimestre foram beneficiados pela melhora dos mercados acionários e também pelas condições climáticas, numa safra de furacões menos violenta e com menos perdas do que a registrada no ano passado.

O faturamento da Liberty ficou em US$ 7,9 bilhões no trimestre, alta de 15% comparado ao mesmo período do ano anterior, e em US$ 23,1 bilhões no acumulado do ano, avanço de 11,8% até setembro. Os prêmios líquidos somaram US$ 7,2 bilhões no trimestre e US$ 21,1 bilhões no ano.

Everest Re volta a ter lucro

A resseguradora Everest Re registrou alta no volume de prêmios ganhos no terceiro trimestre deste ano e saiu do prejuízo US$ 233 milhões para lucrar US$ 228,6 milhões. Os prêmios subiram de US$ 931 milhões para US$ 975,5milhões, segundo nota divulgada pelo grupo sobre o balanço financeiro do terceiro trimestre.

O índice combinado em setembro estava em 88%, bem melhor do que os 111% do terceiro trimestre de 2008. O incremento no valor de Mercado também foi o item mais destacado pelo CEO Joseph Taranto em nota. “Nosso valor de mercado teve incremento de 25% desde o início do ano. Só neste terceiro trimestre o patrimônio evoluiu mais de US$ 6 bilhões, refletindo a disciplina da companhia em suas negociações”.

XL Capital reduz perdas

O grupo XL saiu de um prejuízo US$ 1,6 bilhão registrado no terceiro trimestre do ano passado para um lucro de US$ 11,4 milhões no período de julho a setembro deste ano. No acumulado de nove meses, o resultado saiu da perda de US$ 1,1 bilhão para ganho de US$ 246 milhões. O lucro operacional no trimestre ficou positivo em US$ 306 milhões, comparado a uma perda de US$ 107,7 milhões de mesmo período anterior. O índice combinado saiu de 106,3% para 93,2%.

O faturamento apresentou declínio em razão da recessão e também pela reestruturação que o grupo enfrentou para equilibrar suas finanças. No terceiro trimestre deste ano, a XL movimentou prêmios ganhos de US$ 1,2 bilhão, sendo US$ 905 milhões com seguros e US$ 388,5 milhões com resseguro. No mesmo período do ano passado, os prêmios chegaram a US$ 1,5 bilhão. No acumulado do ano, o faturamento total da XL chegou a US$ 4,5 bilhões, cerca de US$ 1 bilhão menor, sendo US$ 3,8 bilhões em prêmios ganhos.

O CEO Mike McGavick comentou em nota divulgada à imprensa que o grupo vem perseguindo uma política de subscrição rígida, bem como seguindo uma gestão eficiente de custos para enfrentar as dificuldades trazidas pela crise. A recessão é um dos pontos destacados no balanço, por reduzir os volumes segurados. “No terceiro trimester tivemos um crescimento recorde de 26% em nossas no valor de nossas ações e de 30% em nosso valor de mercado. O patrimônio evoluiu de US$ 7,5 bilhões para US$ 9,2 bilhões”, comentou.

BB projeta previdência em R$ 1 trilhão em 2020

brasilprevO Banco do Brasil quer ter 15% do mercado de previdência privada aberta em 2020, quando as reservas deste setor devem atingir R$ 1 trilhão, disse Paulo Cafarelli, vice-presidente do Banco do Brasil em entrevista coletiva nesta tarde em Brasília. Atualmente, as reservas de previdência privada aberta somam aproximadamente R$ 170 bilhões, segundo dados de agosto deste ano.

Por este cenário tão promissor, a instituição renovou a parceria que tem com a americana Principal Financial na área de previdência privada há dez anos na BrasilPrev, terceira maior companhia de previdência privada do Brasil, com R$ 25 bilhões em ativos sob gestão e mais de 2 milhões de planos.

“Esta é a nossa terceira movimentação no segmento de seguridade neste ano, onde queremos elevar de 10% para 25% nossa participação”, acrescentou Cafarelli. A primeira movimentação foi encerrar a parceria com a SulAmérica na Brasilveículos, seguradora especializada em seguros de carros, substituindo-a pela espanhola Mapfre Seguros.

A segunda ação foi fazer uma oferta para comprar uma participação no IRB Brasil Re. No ano passado, o BB comprou da Aliança da Bahia a participação que a seguradora baiana detinha na Aliança do Brasil, uma seguradora dedicada a seguro de vida e ramos elementares até então.

Segundo informou o presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, o BB comprará uma parte das ações preferenciais da Principal e depois de adquirir a participação do Sebrae na Brasilprev a venderá para o parceiro americano. Em comunicado ao mercado, a BB Seguros e a Principal informam ainda que têm interesse mútuo na transferência integral para a Brasilprev das carteiras de previdência privada hoje comercializada pela Mapfre Nossa Caixa Vida e Previdência.

A Brasilprev encerrou o ano de 2008 com lucro líquido de R$ 195,5 milhões, 6,2% acima do resultado registrado em 2007. No fechamento do primeiro semestre de 2009, o lucro líquido da Brasilprev foi R$ 115,6 milhões, crescimento de 22,5% em comparação ao mesmo período do ano passado. A Principal é responsável pela gestão de ativos que superam os US$ 257,7 bilhões e está presente em 11 países, atendendo mais de 19 milhões de clientes pessoas físicas e jurídicas em todo o mundo.

Willis lucra US$ 357 milhões até setembro

images15O grupo Willis, dono da terceira maior corretora de seguros e resseguros do mundo, divulgou lucro líquido de US$ 357 milhões no acumulado do ano até setembro, acima dos US$ 241 milhões do mesmo período do ano anterior. Os resultados foram afetados pela aquisição da Hilb Rogal & Hobbs Company, destaca o grupo em nota divulgada à imprensa.

As receitas totais nos nove primeiros meses do ano somaram US$ 2,4 bilhões, acima dos US$ 2 bilhões do ano passado, um incremento de 20% que reflete a aquisição. Seus concorrentes, segundo balanço semestral, apontam tendência de queda nas vendas em razão da recessão mundial, que reduziu os valores segurados.

Como boa parte das empresas ainda recebe comissão com base no valor pago pelo seguro, a expectativa é de queda no faturamento das corretores. Para 2010, esta tendência pode se inverter pela venda de pacotes de consultorias e maior participação do pagamento por “fee” em lugar da comissão sobre o prêmio.

O presidente e CEO Joe Plumeri (foto) comentou em nota que a “Willis mantém o crescimento dos negócios em um momento de dificuldades adversas nas principais economias mundiais, bem como diante de um mercado de seguros já considerado por ele como “soft”. O balanço completo pode ser acessado no site do grupo: www.willis.com.

PartnerRe lucra US$ 1,2 bilhão até setembro

cao73m6qcafyptcpca1lcs7ucapz605icamumgc9ca9ajxzscav23o13ca0u942acayrjt4ecafe2zh3caeagrgjca1sfi4pcarnptl0caqng19vcaboji60cayr26vyca5tmin0caktxa3ccaq2aj58A PartnerRe, que comprou a Paris Re neste ano e está presente no Brasil como resseguradora admitida, apresentou lucro líquido de US$ 566,7 milhões no terceiro trimestre, que inclui ganhos extraordinários de US$ 274 milhões. O resultado é significativo quando comparado ao prejuízo de US$ 151,7 milhões do mesmo período do ano anterior.

O lucro líquido acumulado no ano até setembro totaliza US$ 1,2 bilhão. No mesmo período de 2008, registrou perda de US$ 48,7 milhões. O índice combinado do grupo no trimestre foi reduzido para 78%. Em setembro do ano passado estava em 95,5%. No acumulado do ano, o índice ficou em 82,5% comparado com 91,4%.

O presidente e CEO Patrick Thiele comemorou os resultados. “Obtivemos retorno sobre o capital de 22% e crescimento de 30% em nosso valor de mercado”, informou em nota divulgada a imprensa. Segundo ele, os resultados do grupo foram beneficiados por um baixo nível de perdas e pela melhora dos mercados acionários, o que possibilitou ganhos com investimentos. O balanço pode ser acessado na página do grupo www.partnerre.com.

Principal fica no BB com exclusividade por 23 anos

Dando continuidade ao processo de reorganização societária da área de seguros, a BB Seguros Participações (“BB Seguros”), subsidiária integral do Banco do Brasil, e a Principal Financial Group (“Principal”) divulgaram a linha mestra da negociação da parceria de dez anos, renovadas agora por mais 23 anos, com direito a exclusividade de oferta de produtos na rede do banco.

Segundo o comunicado, o BB Seguros elevará sua participação no capital total da empresa de 49,99% para 74,99%. O aumento se dará por ações preferenciais da BB Seguros. Como condição à implementação da revisão da atual estrutura societária, a Principal, que possui 46,01% do capital social total da BrasilPrev, pretende adquirir a participação de 4% detida pelo Serviço Brasileiro de Apoio as Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) na companhia.

No Fato Relevante encaminhado à Bolsa de Valores de São Paulo, o BB e a Principal informam, ainda, que é de interesse comum o início de negociações visando a compra das carteiras de previdência privada comercializadas pela Mapfre Nossa Caixa.

Estarão sujeitos à prévia análise e aprovação dos respectivos órgãos reguladores, supervisores e fiscalizadores os atos que sejam necessários. Hoje, o presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, e o presidente do Principal Financial Group, Larry Donald Zimpleman, concedem coletiva de imprensa em Brasília sobre a nova configuração da parceria para a comercialização de produtos de previdência privada aberta no Brasil.

Se avançar o ocordo, será a seguinte a composição societária dos grupos na BrasilPrev:
Atual Futura
Acoes ON Acoes ON Acoes PN Capital Total
BB Seguros 49,99% 49,99% 100,00% 74,995%
Principal 46,01% 50,01% – 25,005%
Sebrae 4,00% – – –

Baden Baden: queda de preço para 2010

images14O futuro do resseguro, uma operação que ajuda as seguradoras a mitigar o risco de catástrofes naturais ou feitas pelo homem, está sendo traçado no tradicional encontro em BadenBaden, refúgio de milionários na Alemanha, que teve início no domingo e termina na quinta-feira. Lá, instalados em um belo SPA e cassino, elas se reúnem com seus clientes para discutir a renovação dos maiores contratos de resseguro do mundo que vencem em janeiro de 2010.

A recuperação dos mercados acionários em 2009 ajudou resseguradoras e seguradoras a reconstruir seus balanços financeiros. Aliado a este fato, a natureza foi, digamos, generosa com a indústria de seguros. A safra de furacões nos EUA até agora está bem aquém das previsões, com perdas abaixo do previsto.

Neste cenário, as seguradoras e resseguradoras estão conseguindo recuperar capital, o que já é demonstrado pelo fim do ciclo de alta de preço. Em vários nichos de negócios já se observa descontos, porém as condições de cobertura e exigências de informações permanecem severas.

A demanda por resseguro, até então em queda em razão da recessão da economia, deve crescer em 2010. Tanto pela maior consciência de riscos a que todos estão expostos, percepção aguçada com a crise financeira, como também para fazer frente a uma forte necessidade de capital das seguradoras para cumprir novas regras de Solvência II, elaboradas pela Comissão Europeia.

O objetivo do órgão regulador é fortalecer o capital das seguradoras, impondo que elas priorizem a qualidade na subscrição de risco, tornando o seguro caro e as coberturas limitadas para os segurados com pouca transparência, que não investem em segurança e também em relacionamento duradouro, assim como para aqueles com um histórico de sinistros volumoso e com custos elevados. A compra de resseguro é uma das saídas para dar um fôlego ao comprometimento do patrimômio e poder alavancar as vendas sem ter de injetar capital.

Este é o tom do 25º tradicional encontro de resseguros. Munich Re disse ter uma farta capacidade para ofertar aos clientes. Swiss Re acrescentou que tem uma equipe profissional para buscar as melhores soluções para contratos saudáveis. Hannover Re aposta em queda de preço para os riscos na Alemanha. A Scor disse que irá buscar aumento de preço em algumas carteiras deficitárias. A Guy Carpenter vislumbra um cenário de queda de preços. A expectativa dos analistas que acompanham o encontro é de uma queda média de preço entre 5% e 10%.

Uma das preocupações mundial é com a inflação, que pode vir a prejudicar a rentabilidade dos resseguradores em todas as linhas de negócio, segundo alerta feito pela Towers Perrin durante palestra no evento. Isso porque em muitos contratos há claúsulas onde as reclamações podem ser feitas anos depois de ocorrido o acidente. Com a inflação, pode haver um valor maior do que o previsto de desembolso. Historicamente, a inflação tem gerado créditos futuros. Mas atualmente, a indústria não vinha introduzindo o risco de inflação, que era praticamente um indicador descartado nas economias desenvolvidas.

Uma taxa de inflação de 3% poderia causar um forte impacto nas contas das resseguradoras. Além do valor financeiro, geralmente em economias com um período de inflação mais longo, a ocorrência de sinistros é maior, afetando mais severamente as contas financeiras das companhias.

A Towers mostrou no evento um estudo interessante, segundo divulgaram as agências internacionais. Quando a inflação chegou em 3,4% em 2000, o índice de sinistralidade em 2002 chegou a 99% nas linhas de ramos elementares. Quando em 2002 a inflação teve baixa para 1,6%, a sinistralidade caiu para 73% em 2004.

O que acontecerá com a SulAmérica?

1225389742zjo49p1O dia começou com diversas notícias relevantes. A Chubb dobrou o lucro líquido no mundo; a Allianz é contratada pela Shell; a Mapfre venceu licitação da Repar, refinaria controlada pela Petrobras, para fornecer seguro de riscos de engenharia.

Começou o VIII Seminário da ABGR, que trouxe debates interessantes sobre o resseguro. Também teve início em Baden Baden, nome da cidade no sul da Alemanha, conhecida como refúgio dos milionários alemães, o 25º encontro de resseguradores, que aponta um cenário extremamente favorável para a indústria de seguros em 2010.

No início da noite, a seguradora canadense Fairfax inaugurou no Brasil o seu braço de resseguros, a Odyssey Re, com escritório na alameda Santos, em São Paulo, onde é vizinha da Swiss Re, e aguarda a aprovação da Susep, que voltou a ter um ritmo lento à espera da contratação de novos funcionários. Fato que acontecerá se o presidente Lula assinar a autorização.

Todas estas notícias foram esquecidas pelo anúncio internacional da venda de todos os ativos de seguros do grupo holandês ING. O que acontecerá com a SulAmérica? Esta foi a pergunta mais pronunciada nesta segunda-feira entre os executivos que trabalham com seguro. Afinal, trata-se de uma das seguradoras mais querida do mercado.

A resposta vinda da empresa foi inócua. “Trata-se de uma decisão do ING com a Comissão Europeia”. “É um plano de reestruturação deles”. Não poderia ser diferente. A questão vem sendo debatida há muitos anos. Mas o fim da parceria da centenária seguradora com o Banco do Brasil, anunciada em outubro, colocou mais lenha na fogueira. Hoje, com o anúncio da venda de todas as operações de seguros mundialmente pelo ING, sócio do grupo que tem no comando o herdeiro Patrick Larragoiti, a SulAmérica liderou as rodas das conversas.

Segundo nota do ING, atendendo às recomendações de reestruturação contidas em um acordo fechado junto a Comissão Européia, o grupo será divido em duas partes: operações bancárias e operações de seguros. As atividades de seguros e de gestão de investimentos serão vendidas e os recursos obtidos serão usados para reduzir a alavancagem e adequar o capital do grupo as padrões de Basiléia.

Tal separação dos ativos deverá ocorrer até 2013, mas depois disso o balanço deverá ser 30% menor do que o apresentado no início da crise. Paralelamente, o grupo fará um aumento de capital de 7,5 bilhões de euros (US$ 11,2 bilhões) para pagar parte dos 10 bilhões de euros que recebeu de ajuda do governo holandês durante a crise financeira.

Os investidores parecem não ter gostado do anúncio. As ações do grupo apresentavam forte desvalorização na bolsa ontem. No Brasil, a questão era sobre o que acontecerá com a SulAmérica sem o sócio e quem poderia comprar a participação do ING na seguradora.

O ING, através do ING Insurance International BV, possui uma participação de 21,18% na SulAmérica, sendo 12,78% das ações ordinárias e 31,55% das preferenciais. Tem também participação no capital da Sulasapar Participações, que por sua vez possui 59,45% do capital votante da SulAmérica, o que representa 32,84% do capital total da seguradora.

Com certeza a resposta a esta questão virá em breve. O mercado de seguros é a bola da vez para os investidores e a SulAmérica é uma boa porta e entrada para aqueles que querem participar deste mercado. No passado, entrar no grupo seria um risco e tanto, diante da falta de transparência de informações e um sofisticado emaranhado de participações acionárias cruzadas.

Mas desde que foi para a bolsa, o grupo vem aprimorando a governança corporativa e tem focado suas atividades em ramos que busca eficiência. O resultado pode ser conferido no lucro liquido apresentado nos últimos dois anos e na alta das ações da empresa na Bovespa. Desde o início do ano as ações estão valorizadas em 160%. É esperar para ver.

Resseguro foi tema da abertura da VIII ABGR

images31Uma grande expectativa de melhora no cenário do resseguro em 2010 deu o tom da abertura do VIII Seminário Internacional de Gerência de Riscos e Seguros, evento tradicional promovido pela Associação Brasileira de Gerenciamento de RIsco (ABGR), patrocinado pelas seguradoras, corretores e resseguradoras e que teve início hoje e termina na quarta-feira, em São Paulo.

Um fato que todos lamentam é o país ter esperado tantos anos pela abertura do mercado de resseguros e quando ela efetivamente aconteceu, em abril de 2008, o mundo é abalado por uma crise financeira sem precedentes. “Afortunadamente, no Brasil a crise chegou mais tarde e mais leve. Assim, o País sai da crise antes do que outros países”, diz Andres Holownia, presidente da ABGR e gerente de riscos da Scania.

Todos concordam que o Brasil é o país do momento e que a abertura de resseguros dá mais brilho e sustentabilidade ao mercado. No entanto, os executivos são unânimes em afirmar que é preciso melhorar algumas regras e procedimentos. “Esta abertura, ainda que imperfeita, com um complexo sistema de diferentes tipos de resseguradores, restrições e exigências, precisa ser aprimorada para atrair a farta capacidade de capital que o Brasil precisa diante de um potencial tão relevante de crescimento para os próximos anos”, acrescenta Holownia.

Segundo o Banco Mundial, o Brasil pode se tornar a quinta maior potência do mundo até 2016. Hoje, o país ocupa a décima colocação no ranking das maiores economias do mundo. Segundo o presidente Lula, em seu discurso no “Café da manhã com o presidente” hoje, o Brasil terá de se esforçar muito para que esta previsão se torne realidade.

O mercado de seguros também terá de continuar se esforçando para que os efeitos positivos da abertura do resseguro sejam efetivados. Felipe Smith, diretor de grandes riscos da Tokio Marine, disse se sentir frustrado com a abertura. “A nossa expectativa era ter mais produtos, mais capacidade e preços mais acessíveis logo no primeiro ano de abertura para ofertar aos nossos corretores e segurados. Mas não é bem este cenário que estamos vivenciando com quase um ano e meio de mercado livre e quase 70 resseguradores instalados no País”.

Segundo o executivo da Tokio, grupo japonês que tem três braços de resseguros no Brasil, sendo duas resseguradoras e o Klin, um dos maiores sindicatos do Lloyd’s of London, o que se vê hoje no Brasil são produtos que já estavam disponíveis no mercado brasileiro e eram pouco comercializados. “Como o POSI, um seguro para proteger os diretores de empresas envolvidos em emissões de ações”, comentou durante a abertura do evento da ABGR.

Os palestrantes citaram outros problemas, além da falta de produtos. “Temos uma série de ações que precisam ser tomadas para atrair um número maior de resseguradores para o Brasil”, diz Francisco Pinho, executivo da Aon Benfield Re. Seu concorrente, Eduardo Hussen, executivo do grupo Marsh McLennan, que tem corretoras na área de seguros e de resseguros, concorda. “Nosso grande desafio é como atrair resseguradores internacionais. Apesar do grande número já instalado no Brasil, ele significa menos de 50% dos resseguradores mundiais”, enfatiza.

Segundo avaliação de números divulgados pela Superintendência de
Seguros Privados (Susep), dos 67 resseguradores listados no site da autarquia, os cinco locais têm 85% do prêmio de R$ 2,4 bilhões dos prêmios de resseguro até agosto. Mesmo com tantas resseguradoras, Pinho acredita que o Brasil enfrentará dificuldades para fazer a colocação de riscos facultativos em razão de a legislação limitar a atuação dos resseguradores eventuais, geralmente empresas especializadas em nichos de negócios complexos e de riscos vultosos.

“A legislação para eventuais já foi flexibilizada, mas é preciso um pouco mais de estímulo para que estes resseguradores eventuais se interessem mais pelo Brasil”, diz Pinho. A Petrobras é um dos clientes que precisa encontrar mais capacidade para a colocação de seu milionário contrato de resseguros. Segundo um executivo da Petrobras, o contrato foi prorrogado em razão da necessidade de buscar uma capacidade acima da que estava disponível no mercado brasileiro para riscos facultativos.

A redefinição da estratégia das seguradoras brasileiras dentro deste momento de crise e de consolidação do mercado brasileiro de seguros também é um dos fatores que frustrou os compradores de seguro. “Alguns clientes se queixam da falta de oferta, mas acreditamos que este novo cenário do setor estará definido em 2010”, diz Pinho, da Aon.

No entanto, uma simples volta na feira que acontece paralelamente ao evento, se nota a falta de interesse de seguradoras locais. Apenas a Allianz, Itaú, Tokio Marine e J.Malucelli tinham estandes no evento, em um local pequeno e dividido com corretores como Marsh e Aon, além dos prestadores de serviços da indústria de seguros. Na última edição, Bradesco, SulAmérica e Mapfre disputavam a tapa cada milímetro da feira de exposição.

Para Jacques Bergmann, executivo que deixou o grupo Itaú no início deste ano para montar a operação da seguradora canadense Fairfax no Brasil, elogiou a abertura e enfatizou que ela foi feita da melhor forma que pode e que como acontece em todos os mercados requer aperfeiçoamentos. Principalmente na parte tributária.

Segundo os palestrantes, é preciso definir melhor a tributação do mercado de resseguros, pois está havendo bitributação dos contratos de seguro. Também é importante avaliar as regras de solvência das seguradoras. “Muitas vezes o banco não está preparado para fazer a operação de câmbio para as seguradoras por falta de uma regulamentação mais clara e isso acaba gerando risco de oscilações das moedas. Esta situação pode afetar a capacidade de subscrição das seguradoras”, comenta Bergmann.

Fazer o repasse de riscos para seguradoras cativas de clientes também se tornou um problema na indústria de seguros. Antes da abertura do resseguro, esta operação, conhecida como fronting, era disputada pelas seguradoras, uma vez que o risco de crédito era nula por ser o IRB Brasil Re, detentor do monopólio nos últimos 69 anos, ser controlado pelo Tesouro Nacional.

Com a abertura, as seguradoras passaram a ter o risco de crédito da operação de resseguro e isso praticamente inviabilizou os contratos de fronting. Segundo os seguradores, é difícil calcular o preço de uma operação de fronting, principalmente em um momento onde a crise ainda pode esconder surpresas. Diante do risco, a opção tem sido não atuar neste tipo de operação.

Afinal, ninguém quer arriscar fazer parte dos grupos que foram engolidos pela crise, como AIG, Lehman Brothers e outros 101 bancos americanos. Ou memso o grupo ING, que anunciou hoje que venderá das operações de seguros no mundo para pagar o empréstimos de 10 bilhões de euros que teve de solicitar ao governo holandês. “As empresas que sobrevirão a esta crise não são as maiores e sim as que se adaptarem mais rapidamente às mudanças”, diz o executivo da Marsh.