Fundos de pensão e resseguradoras: parceria

parceriasOs fundos de pensão podem ser clientes e também investidores nas resseguradoras, numa grande parceria nos próximos anos. Assim começou Leonardo Paixão, do Conselho Nacional de Administração (Conad), sua palestra proferida no segundo dia do II Brazilian Reinsurance Conference, realizado no Rio de Janeiro entre os dias 4 e 5 de março.

Os fundos de pensão contam hoje com ativos de R$ 512 bilhões, sendo 272 privados e 82 estatais, e tem compromissos com seus participantes de R$ 445 bilhões. Atualmente, 2,6% da população tem um plano de previdência fechado e o potencial estimado em pesquisas é de que este número pode chegar a 8%, considerando-se o perfil de pessoas com emprego formal. Apesar de o sistema de aposentadoria complementar no Brasil já ter 100 anos, há muito mais gente na fase laborativa do que recebendo beneficio.

“Os fundos querem transferir boa parte desses compromissos de pagamentos aos beneficiários para as seguradoras. Um deles é o risco de sobrevivência. Mas temos também seguro por morte, seguro para auxílio doença, seguro para invalidez”, acrescentou Paixão, ex-titular da Secretaria de Previdência Complementar (SPC). E as resseguradoras têm grande interesse neste nicho de negócios, garante Ronaldo Kalffmann, executivo da Scor, patrocinadora do evento promovido pela revista britânica Reactions.

O que tem atrapalhado o desenvolvimento de negócios é a avaliação jurídica da contratação do resseguro. Os fundos querem comprar o resseguro diretamente das resseguradoras. As seguradoras, por sua vez, alegam que a legislação permite apenas que seguradoras comprem resseguro, ficando assim elas com a permissão de intermediar os contratos. No entanto, isto encarece a operação e faz com que as discussões contratuais avancem, ficando os negócios para um futuro próximo.

Sem tomar partido nesta briga jurídica, Paixão acredita-se que cerca de 2/3 do patrimônio dos fundos hoje aplicados em papeis de renda fixa vão precisar migrar para outros ativos. “À medida que os títulos de renda fixa forem vencendo, a partir de 2012, dificilmente os administradores vão achar títulos com taxas equivalentes as que tem hoje. Os resseguradores podem receber parte dos R$ 400 bilhões que vão buscar uma aplicação nos próximos anos”, acrescentou.

Se levarmos em conta a aposta do megainvestidor Warren Buffett, o mercado de resseguros parece ser promissor. Recentemente Buffett investiu nas duas maiores resseguradoras do mundo, Munich Re e Swiss Re.

Para a parceria entre fundos e resseguradoras se consolidar há dois desafios: a formatação de produtos que de fato faça sentido para os fundos e capacidade de resseguro para os passivos de quase meio trilhão de reais que os fundos exibem hoje. “Sem capacidade não há como assumir parte dos riscos para os quais os fundos fazem reservas”, diz.

Paixão incentiva os seguradores e os resseguradores a desenvolverem produtos para os fundos de pensão. Talvez um segurador possa ofertar algo para o participante com um custo mais apropriado do que o fundo oferece hoje para produtos como auxílio doença, aposentadoria por invalidez. Por outro lado, os fundos têm interesse em comprar seguros para se protegerem de riscos, como o de sobrevivência dos participantes.

O aumento da expectativa de vida é um risco que interessa aos fundos. “É bom saber que estamos vivendo mais. Porém isto coloca um desafio para os fundos que não se programaram para pagar benefícios por um tempo tão longo. As seguradoras poderiam vender um produto que hoje tem grande demanda”, disse.

Segundo Ronaldo Kalffmann, executivo da Scor Global Life, o grupo francês tem grande interesse em ofertar produtos para os fundos de pensão. Durante sua palestra sobre aposentadoria e poupança de longo prazo no evento, ele falou que está convicto de que virá por aí uma nova geração de produtos, adicionando valor e proteção para as pessoas. “Acredito que com esta nova família de produtos que surge no Brasil com a abertura do mercado de resseguros servirá de alavanca para que o ramo “Vida” possa dobrar de tamanho de cinco a oito anos em termos de penetração.

Um dos produtos é chamado na França de seguro de dependência de longo prazo. Trata-se de um seguro que propicia uma renda ou um capital para que as pessoas possam usar para cobrir algum tipo de dependência física. “O capital servirá para que estas pessoas possam ter condição de ter ajuda em um determinado momento da vida caso não possam tomar banho, se alimentar ou se higienizar sozinhas”, explica. Esta apólice já é vendida na Espanha, em Portugal e em Israel e deverá chegar em breve ao Brasil.

Segundo Kallfmann, existe uma enorme busca pela melhor distribução de seguros, o que permitirá o acesso de um grande número de participantes ao setor e conseqüentemente aumente a participação da indústria de seguros no PIB brasileiro, hoje próxima de 3%, abaixo da média mundial de 7%. “O microsseguros é um capítulo à parte e poder oferecer a 90 milhões de pessoas proteção para os riscos inerentes da vida”, finaliza o executivo da Scor.

A Scor já oferece ferramentas para que as seguradoras possam ter mais facilidades no desenvolvimento e comercialização de seus produtos. Ele lembra que já está à disposição a empresa de marketing do grupo, a Remark, que fornece treinamento e tecnologia às companhias para aprimorar mecanismos de venda através da mala direta, internet, pontos de venda. “É importante neste momento que os produtos de vida já desenvolvidos cheguem ao consumidor”, comenta.

Outro serviço disponível é o Telemed, que oferece um conjunto de metodologias para facilitar a análise do segurado e o processo de seleção de riscos. “Esse serviço, que é amplamente utilizado na Europa, utiliza pessoas da área médica para obter informações mais objetivas dos segurados nas entrevistas”, explica Kauffmann. Com este mecanismo, o preço do seguro é mais fiel ao perfil de cada segurado.

Fitch mantém rating de companhias chilenas

catk8kgqca9fj5ofcahy30gtca5edg9xcabakxjoca6nbaurcaloqc3qcamy4dp9cancx8cgcap6nv3mcaccl6yfcadchov3cat6il8ucaqs1djgcax62dggcaynih82casiqwotcafihaeocaf0ebgoApesar das perdas elevadas que começam a se confirmar com o levantamento de apólices com cobertura para prejuízos causados por terromoto e por tsunami no Chile, a Fitch Ratings afirmou que acredita que o segmento de seguros patrimoniais do pais será capaz de absorver as perdas. No entanto, o volume previsto a ser pago pelas companhias representará boa parte da rentabilidade obtida em 2009. Este fato acabará por restringir a alavancagem das vendas em 2010, tendo como base as regras de capital ajustado ao risco.

Segundo a Fitch, tendo como base a estimativa de perdas seguradas entre US$ 2 bilhões e US$ 8 bilhões divulgadas pelas empresas especializadas em riscos de catástrofes, considerando-se o menor valor ele já é semelhante as reservas da indústria de seguros chilena, de US$ 1,3 bilhão, em setembro de 2009. Boa parte das perdas está ressegurada, ficando as seguradoras instaladas no Chile na dependência da antecipação de pagamentos pelas resseguradoras para atender a demanda de pedidos de indenizações, evitando assim a pressão sobre o fluxo de caixa das companhias ou até mesmo problemas de liquidez.

A Fitch comentou em seu estudo que as historicamente as resseguradoras têm honrado suas obrigações em tempo hábil, principalmente na ocorrência de grandes catástrofes. Tais perdas, acrescenta a agência, serão facilmente absorvida pelo mercado mundial mesmo com os prejuízos causados pelas grandes tempestades nos EUA e na Europa nas ultimas semanas.

A indústria de seguros chilena tem uma das regulamentações mais avançadas da América Latina e é um mercado muito concentrado na atuação de seguradoras estrangeiras. “As companhias de seguros, incluindo RSA, Mapfre, Chilena (Zurique Group), Liberty Mutual, Cardif, Chartis (ex-AIG) e Santander são importantes, enquanto as empresas locais compõem o restante da lista das 10 maiores companhias de seguros no país.

De acordo com a Fitch, pela forte concentração de apólices nas mãos de seguradoras estrangeiras, as matrizes darão suporte ao pagamento de indenizações, afastando qualquer perigo de falta de liquidez ou de desequilíbrio na composição das reservas técnicas. A agência informou que continuará monitorando o setor no Chile e fará comentários adicionais caso o seu ponto de vista, tanto para o mercado como para companhia, seja alterado.

A análise pode ser acessada no site www.fitchratings.com

RSA prevê £ 30 milhões em indenizações no Chile

pagamentoA seguradora britânica RSA informou que estima pagar indenizações de £ 30 milhões, valor líquido de resseguros, para seus clientes que tiveram perdas com o terremoto ocorrido no Chile no último sábado. A RSA, também presente no Brasil, é a maior seguradora de seguros gerais no Chile, com 15,7% das vendas de seguros gerais. A Penta detém 12,2% das vendas de seguros patrimoniais no país, seguida pela Mapfre (9,4%), Chilena (9,3%), Interamericana (8,4%) e Liberty (8,1%). Em seguro de vida, o ING é o maior em vendas, seguido pela MetLife, Penta, Chilena e Consórcio.

Em nota, o grupo RSA afirmou que o índice combinado não deverá ultrapassar 95% mesmo com esta ocorrência. Paul Whittaker, executivo da RSA para mercados emergentes, disse que “a nossa prioridade absoluta é dar o apoio necessário a todos os nossos clientes, corretores e colegas da região, de forma a amenizar o sofrimento causado por esta catástrofe”.

O Chile é o sexto maior mercado de seguros da América Latina, com prêmios anuais próximos de 5 bilhões de euros, o que representa quase 4% do PIB, sendo a maior parte referente a seguro de vida. Tem o segundo maior índice de vendas entre a população, com prêmio per capita de € 270. No entanto, a cobertura para danos causados por terremoto é cara e boa parte da população acaba não compra. O país tem cerca de 50 seguradoras, sendo as 10 maiores donas de 60% das vendas.

Começam os debates sobre resseguros no Rio

Teve início há pouco o II Congresso Internacional sobre Resseguros, o Brazilian Reinsurance Conference, no Rio de Janeiro. Cerca de 300 profissionais estão se acomodando no auditório para assistir a abertura do evento. José Carlos Cardoso, diretor-presidente da Scor Global P&C no Brasil, uma das principais patrocinadoras do evento, fará a abertura do encontro, passando a palavra para o Secretario de Finanças do Estado do Rio de Janeiro, Joaquim Levy.
Após o discurso do secretário, que abordará os investimentos do governo para fazer do Rio de Janeiro a capital latina do resseguro, Pierre L. Ozendo, Chairman & CEO, Swiss Re America Corporation, abordará o resseguro como um instrumento financeiro para aliviar o balanço das seguradoras de aumento de capital, uma vez que ao transferir parte do risco para uma resseguradora as exigências de capital baseado em risco diminuem.
O painel seguinte, previsto para as 9h40, reunirá resseguradores, para um breve balanço dos quase dois anos de abertura do setor. Estarão presentes Alberto de Almeida Pais, vice- presidente do IRB-Brasil Re, Benjamin Gentsch, da, SCOR Global P&C, Mark Byrne, president da FlagstoneRe, Paulo Pereira, president da ABER & responsável pela operação da TRC no Brasil; Rolf Steiner, executive da Swiss Re; e Mark Geske, atuário da Transamerica Re.
Em seguida será a vez dos CEOs de seguradoras dizerem o que clientes e seguaradoras esperam dos resseguradores. Estão confirmados no painel Akira Harashima, da Tokio Marine, Luis Maurette, da Liberty, Frederico Baroglio, da Generali, Antonio Trindade, do Itaú, Arthur Santos, da Mapfre, Marcos Couto, da ACE, com José Rubens Alonso, consultor da KPMG, como mediador.

Indenizações no Chile podem chegar a US$ 8 bi

terremotoA Eqecat informou que as indenizações pelos danos do terremoto no Chile deverão ficar entre US$ 3 bilhões e US$ 8 bilhões, o que representaria entre 15% e 40% dos danos econômicos avaliados entre US$ 15 bilhões e US$ 30 bilhões. Este valor não causaria grande impacto no mercado de seguros, seja nas empresas ou no preço do produto.

Segundo informações da RMS, também especializada em danos por catástrofes, cerca de 90% das apólices no Chile têm cobertura para terremoto. Segundo divulgou o governo, mais de 1,5 milhão de casas sofreram sérios abalos.

A concorrente Air Worldwide estimou perdas econômicas de US$ 15 bilhões e apenas US$ 2 bilhões em indenizações das seguradoras. Além das perdas de vidas, das residências e das estradas, há prejuízos comerciais. O preço do cobre disparou ontem nas bolsas com o temor de que o Chile, responsável por 30% da produção mundial, tenha problemas com o fornecimento. Com o tsunami gerado pelo terremoto, containers que estavam no porto foram parar em cima de casas, há quarteirões de distância. O porto estimou danos em US$ 1 bilhão.

O Chile é o sexto maior mercado de seguros da América Latina, com prêmios anuais próximos de 5 bilhões de euros, o que representa quase 4% do PIB, sendo a maior parte referente a seguro de vida. Tem o segundo maior índice de vendas entre a população, com prêmio per capita de € 270. No entanto, a cobertura para danos causados por terremoto é cara e boa parte da população acaba não compra. O país tem cerca de 50 seguradoras, sendo as 10 maiores donas de 60% das vendas.

Faturamento da Liberty avança 16%, para R$ 1,5 bi

mauA Liberty Seguros fechou 2009 com R$ 1,5 bilhão em prêmios emitidos líquidos, volume 16% superior ao registrado em 2008. O lucro líquido ficou em R$ 16,9 milhões. “Tivemos um lucro menor que os R$ 26,1 milhões do ano passado. Mas consideramos que foi um bom resultado dado o esfriamento do mercado no primeiro semestre e o impacto dos desastres climáticos. Além de fechar com resultado positivo, preparamos a companhia para um novo ciclo de crescimento em 2010”, comenta Luis Maurette, presidente da Liberty no Brasil, em nota divulgada pelo grupo.

A Liberty é a quinta maior em vendas de seguro automóvel no Brasil, com base nos dados até novembro de 2009. A carteira apresentou alta de 15% no ano passado, acima da média de 9% do mercado. “A iniciativa do governo em estimular a indústria automobilística elevou as vendas de seguros de automóvel, impactando positivamente nossas operações”.

Também registram expansão os contratos de affinity (pacotes de seguros para funcionários de grandes empresas), que evoluíram 37%, refletindo a tradição mundial do grupo em programas de afinidade. Nos EUA, o grupo Liberty Mutual é líder neste tipo de modalidade de venda, com 11 mil programas de afinidade estabelecidos com Associações de Ex-Alunos Universitários, Empresas, e Associações Profissionais.

No Brasil, o programa de afinidade é formado por seguros de automóvel, residência e acidentes pessoais desenvolvidos sob medida para funcionários de empresas, com vantagens diferenciadas dos produtos comercializados no varejo por se tratar de uma apólice em grupo. “Investimos muito neste segmento no Brasil nos últimos anos e hoje temos uma carteira com cerca de 600 empresas e mais de 95 mil indivíduos cobertos no país”, diz Maurette.

O forte crescimento registrado pela Liberty no Brasil também foi acompanhado da diversificação dos negócios da companhia no mercado local. Em fevereiro do ano passado, a companhia deu início no país às operações da LIU (Liberty International Underwriters), a divisão mundial de grandes riscos da Liberty, que conta também com a divisão de resseguros, a LMIC (Liberty Mutual Insurance Company).

“Agora temos um ciclo completo de produtos para suportar os riscos decorrentes das obras de infraestrutura, jogos Olímpicos e Copa do Mundo”, diz Maurette. Também estão no foco da LIU empresas dos segmentos de petróleo, petroquímica, construção civil e construção naval.

Em seus primeiros nove meses de atuação, a divisão movimentou prêmios da ordem de R$ 16 milhões. O destaque da carteira, neste segmento, ficou para as apólices de D&O (Directors & Officers), conhecido no Brasil como seguro de responsabilidade civil de executivos.

Perdas no Chile podem chegar a US$ 30 bilhões

eqecatAs perdas econômicas causadas pelo terremoto no Chile, de magnitude 8,8, estão estimadas entre US$ 15 bilhões e US$ 30 bilhões pela Eqecat, empresa americana especializada em catástrofes naturais.

Segundo boletim divulgado no domingo, o valor representa algo entre 10% e 15% do PIB do Chile, maior produtor de cobre do mundo. A expectativa é de que algo próximo a 65% dos prejuízos resultem dos danos causados nas estruturas das residências, perdas comerciais representando até 30% e industriais outros 20%.

A Eqecat não comentou sobre estimativas de volume de pedido de indenizações para poder calcular a participação das seguradoras na reconstrução de parte das perdas do país, que contabilizava na noite de domingo mais de 700 mortes. Cerca de 1,5 milhão de residências foram danificadas, bem como estradas e pontes. Na capital Santiago, a televisão mostrou fábricas em chamas, prédios danificados e grande parte da população desabrigada, sem energia e telefone. O aeroporto ficou fechado no sábado e voltou a operar no final do domingo para vôos internacionais.

A Codelco a maior produtora de cobre do mundo, manteve ontem duas minas, El Teniente e Andina, fechadas. Juntas, elas produzem 600 mil toneladas de cobre por ano. A Anglo American informou que as minas Los Bronces e El Soldado, que estão sob seu controle, pararam de operar. A produção conjunta das duas é de 280 mil toneladas por ano. A estatal de petróleo, Enap, planeja importar diesel para compensar a suspensão das atividades de duas refinarias.

O Chile é o sexto maior mercado de seguros da América Latina, com prêmios anuais próximos de 5 bilhões de euros, o que representa quase 4% do PIB, sendo a maior parte referente a seguro de vida. Tem o segundo maior índice de vendas entre a população, com prêmio per capita de € 270. No entanto, a cobertura para danos causados por terremoto é cara e boa parte da população acaba não compra. O país tem cerca de 50 seguradoras, sendo as 10 maiores donas de 60% das vendas.

Barkshire Hathaway lucra US$ 8 bi em 2009

A Berkshire Hathaway Inc, grupo do megainvestidor Warren Buffett, divulgou lucro de US$ 8 bilhões em 2009, alta de 61% comparado ao resultado obtido em 2008. O faturamento quase bateu US$ 110 bilhões, 4% acima das vendas do ano anterior. Praticamente metade do resultado do grupo vem da área de seguros, incluindo a seguraradora Geico e a resseguradora General Re. O grupo opera em mais de 80 tipos de negócios. O valor de mercado da Berkshire aumentou 20% no final de 2009, para US$ 130 bilhões, comparado com o final de 2008.

Prudential deve comprar AIA por US$ 35,5 bilhões

1227225842obb0ki1Uma das maiores aquisições da indústria de seguros mundial deverá ser anunciada nesta segunda-feira. Segundo divulgaram as agências de notícias durante o final de semana, a seguradora britânica Prudential vai ficar com a American International Assurance (AIA), subsidiária de seguros de vida da AIG na Ásia, por US$ 35,5 bilhões, de acordo com fontes próximas à negociação. A próxima negociação da AIG para ser concluída é a venda da Alico para a MetLife, por US$ 15 bilhões.

A idéia inicial era fazer uma oferta inicial pública de ações (IPO, na sigla em inglês) da AIA, mas a disputa das seguradoras pela empresa, assediada há quase um ano por concorrentes, acabou por mostrar ao governo dos Estados Unidos, dono de 80% da AIG, ser um negócio melhor a venda individual. Além disso, a recente volatilidade dos mercados acionários, principalmente com os problemas da Grécia, ajudaram na decisão da suspensão do IPO e aposta na venda da seguradora sediada em Hong Kong e que conta com mais de 20 mil funciona´rios e 250 agentes de seguro.

Para a Prudential, a compra vai acrescentar volume aos negócios que já tem na região, instalada na China, Hong Kong, Índia, Indonésia, Japão, Coreia do Sul, Malásia, Filipinas, Cingapura, Taiwan, Tailândia e Vietnã. Estes países já representam quase 50% das vendas da Prudencial.

Geneva Association divulga estudo inédito ao G-20

patrick2A Geneva Association divulgou um interessante estudo, com quase 130 páginas, aos ministros das finanças e presidentes de órgãos reguladores das maiores economias do mundo, grupo conhecido como G-20. Quem assina a carta é Nikolaus von Bomhard, presidente da Munich Re, e Patrick Liedtke, presidente da associação que reúne os principais CEOs da indústria de seguros mundial.

Eles explicam que os representantes da indústria de seguros reunidos na associação entendem a necessidade de uma maior regulação nos mercados financeiros para evitar novas crises. Reforçam, no entanto, que a atividade de seguros é diferente da bancária, necessitando de regras diferenciadas. Não menos rígidas, porém os mecanismos de controle de risco devem levar em conta as diferenças entre as instituições bancárias e de seguros para que não crie problemas ainda maiores ou que tire do setor segurador a capacidade nata de assumir riscos.

Uma das diferenças destacadas é gritante. Enquanto os bancos registraram perdas com crédito de US$ 1,7 trilhão, as seguradoras acumularam US$ 271 bilhões, concentradas em companhias europeias, AIG e ING, entre as principais. O baixo volume de perdas com crédito nas seguradoras se refletiu na manutenção de preço do produto para os consumidores em 2008 e 2009. Outra difença ressaltada é no volume do socorro que as instituições buscaram nas linhas que governos disponibilizaram. As seguradoras tomaram empréstimos de US$ 44 bilhões na linha oferecida pelos EUA, conhecida como TARP, enquanto os bancos precisaram de US$ 245 bilhões.

No amplo estudo realizado por um grupo de especialistas anexado a carta o setor de seguros e resseguros não representa um risco para a estabilidade financeira global. Algumas atividades de risco, realizadas em grande escala, sem supervisão adequada, representam risco. Não a indústria como um todo, ressalta a carta. Segundo o estudo, as garantias financeiras, principais responsáveis pelas perdas das seguradoras, representam apenas 0,4% do volume de prêmio de seguro mundial, evidenciando que é preciso ter uma regulamentação a parte para este tipo de atuação.

O relatório avalia a relação entre seguradoras e critérios internacionais de solvência e faz recomendações para que as lacunas legais sejam superadas e sugestões de como reforçar as práticas de gestão de risco da indústria. Segundo Patrick Larragoiti, presidente da SulAmérica e membro da Geneva Association, o principal objetivo do estudo é mostrar o quanto a crise afetou menos as seguradoras em relação aos bancos. “Se houver mudanças regulatórias no sistema financeiro no futuro, e com certeza serão implementadas, que essas mudanças olhem as seguradoras de forma diferente”, diz.

Larragoiti também ressalta que o estudo traz um panorama do que aconteceu no mercado financeiro do Hemisfério Norte, uma realidade bem diferente do Brasil. “A regulação bancária e de seguros do Brasil mostrou estar a frente em vários pontos, o que preservou a economia brasileira durante a crise”, comenta, citando que todos os tipos de instituições financeiras tem regulamentação.

“E com acompanhamento diário das movimentações”, ressalta. Nos EUA, por exemplo, os bancos de investimentos fugiam da regulamentação e as seguradoras eram, na época, fiscalizadas por normas estaduais e não por um órgão regulador nacional, como acontece no Brasil há tempos e agora se começa a implementar no maior mercado de seguros do mundo, com vendas superiores a US$ 1 trilhão.

A primeira parte do estudo se dedica a fazer uma introdução da indústria de seguros, como a função social do seguro, a estrutura do setor, o lado social e econômico, bem como busca diferenciar as diversas modalidades de seguros e de empresas que atuam em um mercado que movimento mais de US$ 4 trilhões por ano e são reconhecidos como um dos maiores investidores institucionais nos países desenvolvidos.

O segundo capítulo analisa o impacto da crise financeira nos bancos e nas empresas de seguros, fazendo um paralelo entre bancos e seguradoras no que diz respeito ao capital e capacidade de assumir risco, volume de risco assumido e preço cobrado. Um capítulo detalhado mostra o diferente impacto da crise em seguradoras independentes, ligadas a bancos e as especializadas em seguros financeiros. Traz gráficos que mostram a folga de capital das maiores seguradoras da Europa, evidenciando a diferença que as regras que fiscalizam bancos e seguros geraram no controle de risco e nas perdas.

Há um capítulo dedicado as atuais regras de seguros adotadas pelos órgãos internacionais, International Association of Insurance Supervisors (IAIS) e Financial Services Board (FSB). O texto começa mostrando as diferenças da regulamentação entre as seguradoras de vida (life) e seguros gerais (no life). Por atuarem em segmentos diferentes, longo prazo para vida e médio e curto prazos em seguros patrimoniais, é preciso diferenciar regras de investimentos, composição de reservas entre outras questões prioritárias.

Outro capítulo se dedica a detalhar como são gerenciados os riscos das atividades que mais demandam gerenciamento e gestão, como aplicações financeiras, derivativos, seguros financeiros, resseguro e retrocessão, seguro de crédito, garantias financeiras entre tantos outros que, mal gerenciados, podem causar riscos sistêmicos ao mercado, como aconteceu com a AIG.

A AIG é um tema recorrente no estudo, uma vez que em razão de uma das subsidiárias do grupo, a de mercado de capitais, colocou todo o grupo, até então o maior do mundo, abaixo. Em razão de uma unidade que faturava menos de US$ 2 bilhões, um império que faturava mais de US$ 100 bilhões precisou ser socorrido com mais de US$ 180 bilhões pelo governo dos Estados Unidos para evitar o efeito cascata em liquidações no mercado financeiro por falta de pagamento de indenização ou de quebra de garantia para milhões de contratos que contavam com uma apólice de seguro com elevada classificação de rating emitido pelas principais agências do mundo. O estudo mostra com detalhes os problemas enfrentados pela AIG, com inicio do agravamento em 2007, e sugere medidas que podem evitar que o caso se repita.

O estudo completo pode ser acessado no site http://www.genevaassociation.org/