Aon cria espaço “Brasil Room” em evento internacional

1231275527am0fsg1*A jornalista viajou a convite da Aon Brasil

A Aon Brasil, em conjunto com os líderes da Aon na America Latina, idealizou e organizou uma sala de encontros, chamada de “Brazil Room”, com o objetivo de transmitir em primeira mão a seus clientes e prospects presentes ao evento, informações atualizadas sobre o mercado de seguros brasileiro. Os clientes tinham muita curiosidade para entender mais deste país que virou moda no mundo, diz Christopher Wellington, diretor da Aon Gobal Client Network.

Segundo Fernando Pereira, vice-presidente e CCO da Aon Brasil, os visitantes tinham grande curiosidade sobre às oportunidades e diferenciais do mercado brasileiro após as recentes mudanças, como a abertura do mercado de resseguro, que atraiu ao país mais de 75 resseguradores em dois anos, e as consolidações de seguradoras, como Itaú Unibanco com Porto Seguro, Mapfre com Banco do Brasil, Marítima com Yasuda, Zurich com Minas Brasil entre outros. “Eles também queriam saber mais sobre o país escolhido para sediar a Copa em 2014 e as Olimpíadas em 2016 e também um forte candidato a ser a quinta maior economia do mundo nos próximos anos”.

O “Brazil Room” também serviu como um espaço para discussão entre executivos e gestores de riscos de empresas internacionais que planejam investir ou ampliar suas operações no país. Os que já estão instalados no Brasil aproveitaram a oportunidade para discutir sobre os riscos a que estão expostos e quais os impactos das mudanças regulatórias dentro do programa mundial. “O número de visitantes ao Brazil Room superou em muito a nossa expectativa, o que nos mostra o acerto desta iniciativa e a importância de se criar um espaço específico para divulgar o mercado brasileiro de seguros, com seus desafios e oportunidades singulares”, diz Fernando Kolling, diretor comercial internacional.

ERM, um aliado do gestor de riscos

risco1* A jornalista viajou a convite da Aon Brasil

Uma mensagem que ficou clara em boa parte das palestras do evento promovido pela Risk & Insurance Management Society (RIMS), em Boston, em abril deste ano, é que os riscos podem ser gerenciados e reduzidos com a ajuda de programas de fácil compreensão. E quem não se preocupar em conhecer os riscos a que está exposto e buscar soluções para mitigá-los ou neutralizá-los poderá pagar um preço elevado.

O Enterprise Risk Management (ERM) tem sido uma das principais ferramentas para ajudar a previnir os riscos apontados como decorrentes da globalização. Poucas empresas tinham aderido ao programa, desenvolvido por diversas empresas no mundo, entre elas a Aon, até pouco tempo atrás. Segundo Laurie Champion, diretora da área Global Risk Consulting da Aon, o ERM tem sido cada vez mais procurado pelas grandes empresas, ansiosas por reduzir os riscos trazidos com a globalização da economia.

Pete Fahrenthold, presidente da comissão de ERM da RIMS e diretor de gestão de risco da Continental Airlines, comentou durante o lançamento de um estudo sobre ERM, que os gestores de riscos precisam analisar atentamente os riscos emergentes para garantir que a corporação terá longevidade, sem estar exposta a perdas ocasionadas em setores ou partes do mundo que sequer fazem parte da cadeia de produção da companhia.

As características dos riscos emergentes foram identificadas no novo estudo divulgado pela RIMS no evento. Entre elas o relatório cita o alto grau de incertezas gerado com o aquecimento global, pandemias, terrorismos e riscos financeiros. Exemplos dos riscos emergentes não faltam. Entre eles temos as complexas operações financeiras, principalmente as conhecidas como subprime, que derrubaram as economias ao redor do mundo em setembro de 2008 até a erupção do vulcão Eyjafjallajokull, na Islândia, evento que causou o maior caos aéreo do mundo no mês de abril.

Afinal, quem poderia imaginar que o simples fato de ter deixado de colocar uma tampa no poço de petróleo operado pela British Petroleum (BP) causaria o naufrágio da plataforma Deepwater Horizon, mataria 11 pessoas e ainda causaria o maior vazamento de óleo da história da indústria petrolífera, trazendo impactos no preço do seguro ao redor do mundo. “Muitos exemplos recentes mostram que os riscos emergentes precisam ser mensurados para tornar as operações menos suscetíveis a acidentes”, diz Champion.

Segundo a Aon, alguns princípios básicos podem ajudar na avaliação dos resultados do ERM. “Apesar de num primeiro momento parecer complexo, o ERM existe para facilitar o dia a dia da corporação”, diz Tom Wimberly, executivo da Aon Solutions. O primeiro de todos é o envolvimento e comprometimento do Conselho de Administração com o programa. Isso porque o ERM busca desenvolver uma cultura que incentiva a participação e responsabilização de todos os níveis da organização. Sem isso, o sucesso do programa fica comprometido.

Com a adesão dos diversos níveis hierárquicos da companhia, a geração de valor do programa logo será percebida, principalmente no que diz respeito à transparência da comunicação para formar uma base de dados capaz de agilizar as decisões, o planejamento e a estruturação dos negócios. Esta base é formada pelo levantamento de riscos do negócio em si, dos fornecedores e dos riscos atuais da economia globalizada.

Com o levantamento, o gestor de risco pode mapear os riscos e criar soluções, minimizando os impactos para a corporação, protegendo os ativos e a imagem da organização”, diz Wimberly. Outro benefício gerado pelo ERM, segundo os técnicos, é o melhor uso de capital, protegendo áreas mais expostas e otimizando recursos antes alocados de forma inapropriada ao risco.

Chartis investirá mais US$ 50 milhões no Brasil

chartis1A concorrência na indústria de seguros brasileira se torna dia a dia mais interessante. A notícia quente da semana vem da Chartis, novo nome da seguradora de ramos elementares da AIG. Presente no Brasil com a seguradora Chartis Seguros e com a resseguradora admitida American Home, o grupo agora vai aportar US$ 50 milhões para atuar como ressegurador local.

“Pelas normas, precisaríamos de US$ 30 milhões, mas optamos por começar com um valor maior, pois a demanda por resseguro no Brasil nos próximos anos será grande”, diz Guilhermo Leon, responsável pelas três empresas do grupo no Brasil. Ela se juntará ao seleto grupo de resseguradores locais formados pelo IRB Brasil Re, ACE, Mapfre, XL, JMalucelli e Munich Re, para as quais as seguradoras são obrigadas a ofertar 40% dos contratos de resseguros.

Além da resseguradora, a Chartis está preparando a seguradora, com operações praticamente em grandes riscos e seguros financeiros, para atuar no varejo. “Vamos explorar nichos específicos como seguro garantia estendida e carros de luxo, por exemplo”, comentou Leon. Para isso, elevou o capital da seguradora de US$ 30 milhões para US$ 70 milhões. Para atuar em massificado, falta a finalização da implementação do sistema operacional. “Em fevereiro de 2012 ele estará totalmente pronto”.

A previsão é de que a autorização da Superintendência de Seguros Privados (Susep) para ser ressegurador local saia em oito meses. Até lá, o grupo mantém parcerias com IRB Brasil Re e Munich Re, entre os principais resseguradores, para negociar os contratos conquistados pela seguradora do grupo.

Em 2009, a Chartis Seguros movimentou prêmios de US$ 110 milhões. Mesmo considerando-se que 30% deste valor veio de um contrato, das garantias do Rio Madeira, trata-se de um bom recomeço levando-se em conta que no mercado de seguros o que vale mais na hora da contratação de uma companhia é a imagem de solidez. “Nossa previsão é encerrar 2010 com US$ 150 milhões em prêmios”, afirma o executivo.

Em setembro de 2008, a AIG só não foi à falência porque foi socorrida pelo governo americano com US$ 180 bilhões. Mais de 4 mil empresas, de diversos segmentos, formavam o grupo. Após setembro de 2008, o grupo foi divido em três blocos: seguros de ramos elementares, seguros de vida e previdência e outras atividades. O pedaço de ramos elementares virou Chartis e as duas operações de vida, Alico e AIA, negociadas com MetLife e Prudential do Reino Unido.

No Brasil, a Chartis começou praticamente do zero. “Tínhamos os contratos mundiais e 10 funcionários em janeiro de 2009. Hoje já temos uma equipe com 105 pessoas e três andares num prédio em São Paulo”, disse ele, que também se prepara para inaugurar um escritório no Rio de Janeiro.

Leon está empenhado em treinar pessoas para atuarem no setor, que carece de profissionais qualificados em razão dos 69 anos de monopólio de resseguro. A Chartis organizou programas nacionais e internacionais para treinar universitários em subscrição de riscos, profissão conhecida mundialmente como underwriteres. “Temos uma grande demanda por profissionais, principalmente que falem fluentemente o inglês”, disse.

Se hoje já faltam profissionais, o problema ficará ainda maior se nada for feito agora. Isso porque nos próximos quatro anos a demanda por profissionais qualificados será grande. Principalmente porque num mercado aberto de resseguros, a qualidade das informações é que determinará o preço do contrato de resseguro.

A abertura da resseguradora local, segundo Leon, foi decidida para tornar o grupo mais competitivo. “Desta forma podemos controlar melhor o gerenciamento de risco e ofertar uma capacidade financeira mais adequada ao segurado e não apenas ser um intermediário entre o cliente e o ressegurador”, explicou.

Segundo Leon, a Chartis, com US$ 40 bilhões em faturamento em 2009 e atuação em mais de 160 países, tem apetite por todos os segmentos no que diz respeito aos contratos dos eventos esportivos. No entanto, até agora não conquistou apólices que envolvam a Copa e as Olimpíadas. “Estamos na concorrência do estádio Fonte Nova”, disse. A alemã Allianz é quem tem levado boa parte dos contratos de garantia e de risco de engenharia dos estádios. “Todos aguardam a liberação dos financiamentos para comprar o seguro e estamos na disputa”, garante o presidente da Chartis.

Perdas já divulgadas com a Deepwater Horizon

Veja as perdas já divulgadas pelas seguradoras e resseguradoras com o afundamento da plataforma Deepwater Horizon no Golfo do México:

Swiss Re US$ 200 milhões
Munich Re US$ 80 milhões
PartnerRe US$ 65 milhões
Hannover Re US$ 53 milhões
Validus Holdings US$ 42 milhões
Catlin Group US$ 40 milhões
Lancashire US$ 25 milhões
Chaucer Holdings US$ 25 milhões
Montpelier Re US$ 20 milhões
Amlin US$ 15 milhões
Transatlantic US$ 15 milhões
Hiscox4 US$ 15 milhões
RJ Kiln & Co4 US$ 10 milhões
Beazley US$ 6 milhões
Total US$ 611 milhões

Fonte: Moody’s

Allianz debaterá microsseguro e garantia dia 22

allianzA Allianz realizará no próximo di 22 a 5ª edição do Fórum Internacional de Seguros para Jornalistas, que acontece em São Paulo, das 8h30 às 14h. Dois temas serão discutidos: microsseguros e a questão da capacidade de seguro do mercado local para acompanhar o crescimento do país com as obras de infraestrutura do PAC 2, Copa de 2014 e Olimpíadas de 2016.

Na programação do Fórum preparada pelos executivos da Allianz, os jornalistas poderão conhecer mais sobre o microsseguro na Índia, principal país onde o produto é vendido. O indiano Kamesh Goyal, CEO da Bajaj Allianz Life Insurance Company, contará um pouco da experiência da Allianz no país. Lá, os seguros chegam a ser vendidos a US$ 0,15 mês. Destinado à população de baixa renda, dados levantados pelo Grupo Allianz apontam que 90% dos consumidores de microsseguros nunca tiveram qualquer tipo de apólice.

Segundo informa a Allianz em comunicdo, projeções indicam que o público potencial desse mercado no Brasil gire em torno de 40 milhões de pessoas. O setor de seguros aguarda uma definição do Congresso Nacional sobre o Projeto de Lei 3266/08 que visa regulamentar o microsseguro. Como debatedor para esse painel, está confirmado o professor doutor Lauro Gonzales, coordenador do Centro de Estudos em Microfinanças da FGV-SP. Gonzales, além de participar da discussão, fará uma pequena explanação sobre os resultados parciais da pesquisa realizada pelo Centro de Estudos da FGV sobre microsseguros no Brasil, assim como a ligação que existe entre esse setor e o de microfinanças.

Já o segundo painel do Fórum apresenta a situação atual do mercado segurador brasileiro frente ao desenvolvimento do país. Segundo estudo do BNDES, com estatísticas consideradas conservadoras, indicam que haverá investimentos de R$ 310 bilhões em infraestrutura no Brasil nos próximos seis anos. Nesse contexto, o seguro garantia exerce papel fundamental porque, como o próprio nome diz, serve para garantir que tudo o que foi acordado seja cumprido. No ano passado, segundo a Superintendência de Seguros Privados (Susep), o seguro garantia movimentou R$ 692 milhões. De janeiro a abril deste ano, os prêmios já somaram R$ 221 milhões.

O executivo da Allianz Seguros Edson Toguchi vai explicar o funcionamento dessa modalidade. Serão abordadas questões como até que ponto a falta de capacidade de seguro pode inviabilizar essas obras, por que houve a necessidade do governo criar a Empresa Brasileira de Seguros (EBS) e o que está incentivando grupos nacionais e internacionais a ingressar no segmento de Garantia, seja como seguradora ou resseguradora.

Copa da África conta com seguro de US$ 9 bilhões

copa-africaA Copa do Mundo na África do Sul movimentou um volume de seguros muito acima da estimativa dos executivos. Segundo divulgou ontem o Lloyds of London, o evento esportivo conta com seguros de US$ 9 bilhões para os mais diversos riscos. Seja para cobrir prejuizos dos organizadores e patrocinadores com a não realização do evento até despesas com intoxição alimentar dos torcedores por alimentos servidos nos estádios.

Este é um programa de seguros que conta com a participação de um grande número de corretores, seguradoras e resseguradoras, devido ao envolvimento de uma infinidade de empresas, de diversas nacionalidades e nichos de negócios. Geralmente há uma grande disputa pelos contratos, uma vez que este evento traz prestígio e pouco sinistro, tamanha é a logística de segurança envolvida.

A maior apólice, de US$ 4,3 bilhões, é a de “property”, que no Brasil é conhecida como ramos elementares por garantir danos a bens. Nela estão incluídos os 10 estádios e as vilas onde ficam os jogadores das 32 seleções que começam a disputar no próximo dia 11.

A apólice de “no show”, na qual até o IRB Brasil Re participa, tem praticamente o mesmo valor da primeira e cobre o cancelamento ou adiamento de jogos pelos mais diversos fatores, como problemas administrativos ou mau tempo e visa cobrir os prejuízos dos patrocinadores, desde redes de televisão até o carrinho de cachorro quente que abastece os torcedores durante as partidas. Segundo o Lloyds, há registro de apenas um “no show” na história da Copa do Mundo: durante a Segunda Guerra Mundial. Por ser Guerra, um evento excluído da cobertura de seguro, possivelmente não foi registrado sinistro.

A principal apólice em termos de sustentabilidade é a de responsabilidade civil, que cobre danos causados a terceiros durante a realização do mundial, seja por desabamento de arquibancas, seja no transporte de equipamentos que envolvem o evento. Outra apólice comum e também contratada para a Copa da África é que de acidentes pessoais para os integrantes das seleções.

Liberty é lider em garantia estendida para carro

libertyA Liberty Seguros emitiu 6.143 novas apólices de seguro de garantia estendida para automóveis no primeiro trimestre do ano, crescimento de 123,4% no comparativo com o mesmo período de 2009. “Investimos em treinamento da força de vendas, criamos um call center específico para os clientes de garantia estendida e fizemos força tarefa nas concessionárias”, comentou Luis Maurette, presidente da Liberty no País, em nota.

Maurette afirma que as vendas de garantia estendida estão crescendo tanto em veículos zero como na frota de usados. A Liberty detém 34% de share no trimestre, segundo dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep). “Hoje temos mais de 1 milhão de veículos segurados pela Liberty no País e estamos trabalhando para ampliar a participação do produto em nossa carteira”.

Segundo Maurette, a Liberty tem operações de garantia estendida em cerca de 1.100 concessionárias distribuidas no País. “Nossa intenção é ampliar ainda mais a rede e continuar o processo de fortalecimento da relação com os parceiros e esclarecimento dos consumidores”.

A conquista da liderança de mercado neste nicho de negócios começou com a aquisição da Indiana Seguros. Relativamente novo no País, o seguro garantia estendida foi regulamentado há quatro anos. No ano passado, movimentou R$ 24 milhões em prêmios, um crescimento de 60% em relação a 2008, segundo dados da Susep.

Cosseguro amplia oferta de garantia, diz Zurich

parceira“Estou certo de que o mercado nacional tem capacidade de ofertar seguro garantia para as obras de infraestruturas do Brasil. E um dos principais instrumentos para entregar aos clientes o contrato que precisam é o cosseguro”, afirma o diretor de seguros patrimoniais da Zurich Seguros, Luciano Calheiros.

Este será o tom da discussão na palestra que realizará no evento “Resseguro e Cosseguro no Novo Contexto do Mercado Brasileiro”, promovido pela Associação Brasileira de Gerência de Riscos (ABGR), no dia 9, às 14h30, no Auditório da CNSEG no Rio de Janeiro.

No encontro, estarão reunidos corretores, seguradoras, clientes e outros agentes do mercado de seguros para debater as principais mudanças trazidas pela abertura do mercado de resseguros e também debater o principal tema da indústria de seguros atualmente: a criação da Empresa Brasileira de Seguros (EBS) pelo governo. Segundo o governo, a seguradora estatal visa apoiar os contratos que não forem suportados pela iniciativa privada. Afinal, são quase R$ 1 trilhão previstos em investimentos até 2014.

O diretor da Zurich explica que no cosseguro, as seguradoras dividem os riscos de determinada apólice ou programa. “Quando o mercado de resseguros era fechado, o Cosseguro não tinha um impacto tão grande, uma vez que o resseguro da operação era obrigatoriamente feito pelo IRB. Agora que o mercado é aberto, as capacidades das seguradoras são somadas, já que as companhias podem buscar outras resseguradoras, o que expande o volume de risco que pode ser coberto”, explica em nota divulgada pela empresa.

Um exemplo deste formato de operação foi o programa de seguros de Riscos de Engenharia e Seguro Garantia da construção da Usina de Santo Antonio, no Rio Madeira. O volume segurado foi superior a R$ 10 bilhões e foi viabilizado por um pool de seguradoras e resseguradoras, do qual a Zurich faz parte.

“Acredito que esse é o caminho para as demais grandes obras como a Usina de Belo Monte e o Trem de Alta Velocidade. O mercado segurador é um importante viabilizador de investimentos e do desenvolvimento econômico. O mercado segurador brasileiro está pronto para fazer frente à demanda que se apresenta”.

Vazamento dificulta compra de seguro

vazamento-oleoA explosão da plataforma Deepwater Horizon, no Golfo do México, e o consequente vazamento de óleo, já considerado o maior e mais devastador da história, desestabilizaram o mercado de seguros conhecido como “energy”, que envolve plataformas de petróleo. Segundo recente estudo da corretora Willis, as taxas de seguros aumentaram, alguns players estão deixando o mercado e a oferta de capacidade começa a ficar restrita, principalmente para perfuração.

Este cenário já dificulta a rotina de seguros da Petrobras, que vinha obtendo com certa facilidade um sem-número de contratos para garantir o volumoso plano de investimentos, incluindo a exploração do pré-sal, comentam executivos do setor no Brasil, Alemanha e Suíça.

Segundo o último Willis Energy Market Review Newsletter, divulgado na semana passada, a desestabilização ocorreu com a perda de US$ 785 milhões, sendo US$ 560 milhões da plataforma da BP no Golfo, além de outros prejuízos, como US$ 235 milhões da Perarl Aban, plataforma na costa da Venezuela, e o recente anúncio da Apache Corp, com sede em Houston, de uma perda inesperada de US$ 150 milhões ainda com o furacão Ike, que devastou o Golfo em 2008. Ainda é preciso contabilizar outros milhões de dólares para remover os destroços da Deepwater Horizon do fundo do mar.

A estimativa de perdas com a Deepwater Horizon fica entre US$ 20 bilhões a US$ 30 bilhões, mas a indústria de seguros estima perdas de US$ 1,2 bilhão, sendo o restante considerado um auto seguro da operadora da plataforma. “A tragédia da perda Horizon Deepwater, potencialmente o maior da história do mercado de plataformas, trouxe sério choque para o mercado, alterando substancialmente o ambiente de negócios”, comentou Alistair Rivers, CEO da Willis Energia em comunicado.

Obviamente o acidente trouxe mais consciência aos gestores de riscos dos operadores dos riscos a que estão expostos, o que acabou por lotar a caixa posta de e-mails dos corretores que operam neste nicho de negócios. Rivers acha ser esta uma reação exagerada, já que a perda da Horizon Deepwater é bastante singular e a probabilidade de um evento similar é “remota para a maioria dos operadores”. A recomendação da Willis é fazer uma análise detalhada do risco antes de optar pela mudança no pacote atual de seguros.

O estudo também comenta que as grandes perdas deste ano, se agravadas com uma forte temporada de furacões no Golfo do México 2010, que acontece entre junho e setembro, podem levar a uma retirada significativa das seguradoras do mercado. E as que continuarem deverão adotar posturas mais duras de subscrição e aumento dos custos de resseguro, que também sofrem um agravamento por conta da necessidade de capital que será exigido nas normas de Solvência II.

Solvência II é a melhor regulamentação, diz Allianz

solvencia1A principal preocupação das seguradoras européias não é com a crise, que traz volatilidade aos mercados financeiros de todo o mundo. O assunto que tem dominado os lobistas da indústria de seguros na Europa é a Solvência II, regras de capital baseado em risco para as seguradoras. Nos bancos, tais regras são conhecidas como Basiléia.

A expectativa é de que as regras comecem a valer em 2012. Muitas companhias terão de aportar capital. Como ainda não se sabe quanto, pois as regras ainda estão sendo debatidas, a saída é ir acumulando capital para não ter de reduzir as vendas ou contratar resseguro.

Tom Wilson, executivo da Allianz, maior seguradora do mundo depois da queda da AIG, é especializado nas regras de Solvência II, que deverão nortear toda a regulamentação mundial da indústria de seguros com o claro objetivo de padronização e assim facilitar a concorrência das empresas globais.

No caso da Allianz, caso tenha de aportar capital, ele está reservado. Se não tiver de aportar, o dinheiro acumulado pode servir para fazer frente a uma esperada onda de fusões e aquisições por conseqüência da necessidade de adaptação ao novo cenário regulatório europeu. Veja a seguir os principais trechos da entrevista concedida pelo especialista da Allianz:

Quais os principais impactos para as seguradoras europeias com a implementação de Solvência II?
Eu diria que haverá dois impactos importantes. O primeiro é o fortalecimento da gestão de risco e da cultura de risco, de abordagens técnicas e sistemas para a indústria. Em segundo lugar, haverá algumas implicações para diferentes linhas de negócios e produtos. Enquanto abordagem baseada no risco, a Solvência II é diferente da Solvência I. Dessa forma, alguns produtos ou linhas de negócios serão considerados “melhores” com o modelo II e outros “piores”.

Desde quando as seguradoras vêm se preparando?
A maioria das grandes seguradoras europeias investe na capacidade de gestão de risco há muitos anos. Após a crise de 2001, grande parte implementou abordagens de gestão de risco em empreendimentos, incluindo sistemas, governo, modelos e controles.

A área de vida será mais atingida?
Particularmente, acredito que haverá maiores implicações em termos do acúmulo de ativos no segmento de Vida e da criação de produtos de poupança, estratégias de precificação e investimentos devido aos custos de capital potencialmente mais altos. O impacto será maior para o segmento de Vida comparado a outros segmentos porque a Solvência II foi criada originalmente para ter uma abordagem mais baseada no risco do que a Solvência I, já que esta não tratava explicitamente do risco inerente ao mercado financeiro, sendo que o segmento de Vida está constantemente exposto a riscos de mercado.

Acha que há uma tendência do mundo seguir as regras que forem definidas em Solvência II?
É complicado defender que um modelo de solvência baseado no risco não seja do interesse da indústria, dos detentores de apólices e dos reguladores. Assim, acredito que muitos países seguirão a Solvência II, por exemplo, ao desenvolver uma abordagem de solvência mais baseada no risco. No entanto, eu também acredito que ela não será idêntica ao modelo da Solvência II europeu. Por exemplo, os princípios desenvolvidos para a União Européia podem precisar ser adaptados para refletir os mercados capitais, características de produtos e posições de solvência locais.

Quais as principais regras que podem ser globais e quais o senhor acredita que merecem tratamento personalizado pelos órgãos reguladores de cada país?De maneira geral, a Solvência II foi criada para ser aplicada em todos os negócios e em todos os países em que uma seguradora internacional atue. Assim, o modelo pode a princípio ser adotado localmente pela maioria dos países. No entanto, como já mencionamos, pode ser necessário um ajuste para os mercados emergentes ou com mercado de capitais menos desenvolvido, e isso pode precisar acontecer em nível local. Alem disso, outras adaptações podem ser necessárias para manter os custos de implementação local em um nível que possa ser absorvido pela indústria.

Carlos Montalvo, secretário geral de seguros da Committee of European Insurance and Occupational Pensions Supervisors (Ceiops), afirmou que grande parte das seguradoras européias não precisa de capital adicional para cumprir as regras de Solvência II. Concorda com ele?
O Estudo de Impacto Quantitativo no 4 (QIS4), conduzido em 2007, antes da crise, sugeria uma proporção média de solvência da indústria de aproximadamente 210 % (230% para companhias de Vida e 190% para seguros gerais). Entretanto, desde então as calibrações têm seguido um caminho interessante. Após a crise de 2008/2009, o equivalência proposta foi muito mais conservadora.

Qual era a sugestão?
Na verdade, a indústria estimava, se me lembro corretamente, uma proporção média de solvência abaixo de 100% com base nessa calibração mais conservadora, fazendo com que a indústria negociasse proativamente uma calibração mais racional e econômica. Como se pode imaginar, chegar a este estado foi como um passeio de montanha russa, começando com a calibração QIS4 que foi “razoável”, seguida de uma calibração excessivamente conservadora que causou intensas discussões entre a indústria e os reguladores, mas agora se estabilizando a uma calibração QIS5 um pouco mais razoável.

A Geneva Association, que reúne os principais CEOs do mundo, tem liderado um movimento mundial para explicar aos órgãos reguladores que a dinâmica das seguradoras difere muito da dinâmica dos bancos e assim evitar que as seguradoras sejam prejudicadas por normas que fogem da realidade. Dentro deste contexto, quais as principais diferenças no quesito gestão de risco?
Eu diria que há algumas diferenças bastante importantes entre as indústrias bancária
e a de seguros. A primeira e principal é que as companhias de seguros são mais conservadoras e têm maior responsabilidade e estrutura de financiamento. Resgatamos prêmios e os investimos para assegurar nossas responsabilidades futuras. Enquanto os bancos podem financiar a si próprios com financiamento interbancário e de depósito bastante líquido, o que pode literalmente evaporar durante uma crise de liquidez, as responsabilidades do setor de seguros são muito mais estáveis e têm liquidez baixa, o que representa uma fonte muito mais estável de financiamento.

Só isso basta para diferenciar?
As companhias de seguros desempenham um papel valioso na sociedade ao absorver riscos que não podem ser comercializados, por exemplo o risco de uma residência familiar se incendiar ou o risco do principal provedor da família ficar incapacitado. Como conseqüência, as seguradoras focam na subscrição dos riscos de seguros que planejamos manter, o que exige a criação de um portfólio diversificado de negócios e a contenção ativa de riscos de acúmulo, tais como catástrofes naturais.

Além do risco do negócio, há o risco financeiro, não?
O risco do mercado financeiro também é um risco que se acumula e, como conseqüência, as companhias de seguros per se não necessariamente buscam maiores taxas de juros, ações ou riscos de crédito associados aos ativos de seu balanço. Obviamente, precisamos, sim, aceitar a existência de ativos de risco, mas nossa aceitação do risco do mercado financeiro importa menos que nossos valores de servir aos clientes e à sociedade. Finalmente, a indústria de seguros tem uma estrutura de remuneração diferente que dá menos ênfase ao curto prazo ou a resultados de Marcação-a-Mercado e mais à criação de valor no longo prazo. Naturalmente, isso ajuda a alinhar os interesses da gestão ao dos acionistas, detentores de apólices e reguladores e não promove a tomada de risco excessiva dentro da organização.

Que tipo de regulamentação poderia ser ideal para mitigar o risco financeiro das seguradoras no que diz respeito a aplicações financeiras, sem engessar a criatividade dos gestores e balizar por baixo o rendimento da carteira de investimentos?
Eu diria que se “acertarmos” com a Solvência II não poderia haver um modelo regulatório melhor. No entanto, também acredito que há alguns assuntos que devemos abordar para “acertar”.

Quais são os assuntos?
Há, na verdade, algumas áreas nas quais a indústria do seguro e os reguladores deveriam se concentrar. Primeiramente, temos que garantir que qualquer sistema baseado em risco que coloquemos em ação não promova comportamento excessivamente pró-cíclico de gestão em tempos de mudanças ou crises. Nesse sentido, é importante reconhecer que a Solvência 2 encaixou todo o balanço da área de seguros em um modelo Marcação-a-Mercado ou Marcação-a-Modelo, o que não é o caso na industria bancária.

Poderia explicar isso?
O modelo de Marcação-a-Mercado da Solvência 2 pode ser o mais apropriado de maneira geral, porém em tempos de crise caracterizados por deslocamentos extremos de mercado, ele pode levar a mudanças dramáticas e contra-producentes em termos de proporção de solvência. Assim, acredito que algumas medidas de precaução devem ser planejadas na Solvência 2, tanto no Pilar 1, que define os requerimentos de capital mínimos quantitativos, quanto no Pillar 2, que define o papel da intervenção de supervisão.

E isto basta para garantir a solvência?
Precisamos nos assegurar de que a calibração aplicada em tempos normais seja apropriada para o negócio não apenas para que em tempos de adversidade ela não crie os incentivos errados, mas também para que em tempos normais haja calibração razoável para refletir a economia verdadeira do negócio. Nesse sentido, a Solvência 2 deveria refletir exatamente a diversificação que é a pedra fundamental para se gerir uma companhia de seguros, especialmente a diversificação das responsabilidades. A Solvência II deveria reconhecer a diversificação ao estabelecer o padrão para responsabilidades técnicas por meio da margem de valor de mercado, bem como ao calcular os requerimentos gerais de capital de risco.

Esta regra vale também para vida e previdência?
Isso se aplica mais aos segmentos de seguros gerais (ramos elementares). Para o segmento de vida, particularmente para a acúmulo de ativos e produtos de poupança, precisamos nos assegurar de que os riscos do mercado financeiro estejam calibrados para refletir nossos produtos. Isso significa particularmente uma demonstração correta da falta de liquidez de nossas responsabilidades e das implicações em termos do reconhecimento da falta de liquidez de prêmios para contrabalançar o risco de spread de crédito, assim como a calibração de taxas de juros e de volatilidades intrínsecas para mercados pouco negociados, um ponto particularmente relevante para a aplicação da Solvência 2 em países com um mercado de capitais em desenvolvimento.

Ao mesmo tempo em que aplicar em ações é um risco é uma oportunidade e tanto de aumentar os ganhos?
Nos últimos dez anos, observei por duas vezes um declínio de 20% a 30% nos mercados de ações do G20, em 2001 e em 2008. Se olharmos ainda mais para trás, observamos choques substanciais para mercados locais também em mercados emergentes ou em desenvolvimento. Então, um declínio no mercado de ações da ordem de 20% a 30% não é um evento que acontece uma vez a cada dois mil anos – isso está acontecendo uma ou duas vezes a cada década.

Parece complicado demais isso…
Minha argumentação é simples: enquanto as ações podem ser atraentes, já que têm previsão de retorno alto, também apresentam risco muito maior. Esse risco maior não é necessariamente um problema, contanto que todos estejam conscientes disso e que as companhias de seguros e seus clientes estabeleçam um planejamento financeiro apropriado de forma a manter esses riscos em um nível sustentável ao mesmo tempo em que continuamos a cumprir com nossas promessas aos detentores de apólices. Além disso, também depende da situação financeira do cliente e de seus investimentos ou objetivos de poupança.

Mas na crise vimos que os clientes ficaram frustrados com o rendimento.
Infelizmente, isso pode muitas vezes ser difícil. Considere, por exemplo, a oferta de um produto de poupança garantida a longo prazo sustentado por ações que certamente poderia perder de 20% a 30% de seu valor a cada 10 anos. Agora considere que tal produto ofereça ao detentor da apólice a possibilidade de sacar suas economias a qualquer momento, sem multa. Claramente, há uma desconexão entre a estratégia de investimento e a opção do detentor da apólice de sacar seus fundos.

Acredita que uma boa venda, consultiva, pode ajudar a reduzir os saques e assim manter equilíbrio entre ativos e passivos?
É por isso que é importante nos assegurarmos de que esse tipo de desconexão não ocorra, e isso exige que tudo seja transparente, bem compreendido e adequadamente precificado da perspectiva incluindo tanto os riscos quanto os prêmios em potencial, para o segurado e a seguradora. Se isso for atingido, então claramente há espaço para as ações no balanço das seguradoras.

Acredita que ter conselheiros independentes ajuda a reduzir o risco das companhias?
Minha resposta talvez seja: mal não faz. Além disso, pode ser bastante benéfico se os membros do conselho independente forem profissionais experientes que entendam do negócio, seus riscos e vantagens. Ter uma supervisão e avaliação independente pode a princípio ser um desenvolvimento positivo. Se será traduzido ou não em benefícios dependerá da dinâmica interna do conselho etc. Além disso, sempre achei que se o simples ato de dizer algo em voz alta em frente a alguém pode significar um pouco mais de reflexão sobre o assunto. Então, a simples necessidade de detalhar uma estratégia para um membro do conselho independente pode ter impacto bastante positivo.

O Brasil foi menos afetado na crise financeira do que outros países e parte do mérito deste feito foi creditado ao sistema financeiro e segurador brasileiro ter regras mais rígidas do que nos EUA e Europa. Concorda com isso?

Não me sinto na melhor posição para comentar as especificidades do mercado brasileiro. Na verdade, a maior parte da indústria de seguros foi muito menos impactada que a indústria bancária. Acredito que globalmente o modelo de negócios das seguradoras esteve bastante robusto e resistente à ultima crise financeira. Isso porque temos uma base e uma estratégia de negócios diferente das dos bancos.

Qual a sua opinião a respeito da regulamentação brasileira em seguros, que até agora só regulamentou o risco de subscrição e mesmo assim só para as operações de riscos patrimoniais?
Acredito que qualquer regime de solvência razoável não pode ignorar os riscos do mercado financeiro, tanto para o acúmulo de ativos e produtos de investimento com garantias embutidas que são orientados pelos riscos do mercado financeiro quanto para negócios de propriedade e causalidade em que o retorno sobre o investimento é parte substancial da economia do negócio.

Então, é importante incluir explicitamente os riscos do mercado financeiro? Se você não tem uma abordagem baseada no risco no lado dos ativos, você está perdendo metade da folha de balanço e parte significativa da sua declaração de lucro e prejuízo em termos de retorno sobre investimentos.

Com o crescimento previsto para o mercado de seguros do Brasil, que tipo de riscos o senhor acredita serem prioritários serem implementados para garantir a solvência do setor?Não sou especialista no mercado brasileiro, mas faria duas observações. A primeira é que à medida que o mercado brasileiro amadurece, acredito que a penetração dos seguros e o desejo dos consumidores de proteger seus ativos, seja visando a economia ou a aposentadoria, ativos produtivos ou de cobertura de propriedade etc., apenas tendem a aumentar. Para atender a esse aumento na demanda é importante garantir que o estabelecimento de um modelo regulatório razoável que tanto proteja os detentores de apólices quanto permita às companhias de seguros alcançar suas necessidades de forma lucrativa.

A segunda observação é que o mercado em si passa por algumas mudanças. Acredito que a abertura recente do mercado de resseguros criou novas oportunidades, mas também criou uma necessidade para as companhias de seguros de adaptar seus modelos de negócios à nova situação e à volatilidade potencialmente mais alta, especialmente na área de subscrição de alto risco e otimização do resseguro.