*matéria produzida com exclusividade para CNSeg (www.viverseguro.org.br)
A Geneva Association enviou hoje mais uma carta aos ministros, bancos centrais e órgãos reguladores dos 20 maiores países do mundo, o G-20. Na carta, a entidade, que reúne 80 líderes mundiais da indústria de seguros, afirma que a entidade está consciente do importante trabalho empreendido pelo G-20 e pelo Financial Stability Board (FSB) e da necessidade de um diálogo ativo e construtivo entre governos, reguladores, supervisores e a indústria de seguros para enfrentar os desafios criados pela crise financeira.
Segundo Nikolaus von Bomhard, presidente do Conselho de Administração da Geneva Association e também da Munich Re, e Patrick Liedtke, presidente da entidade, uma das iniciativas do grupo foi dar suporte ao trabalho do International Association of Insurance Supervisors (IAIS), que no último dia 4 emitiu uma análise de parte do estudo em curso.
Segundo o comunicado, a Geneva Association e o IAIS entendem que o setor de seguros é suscetível a riscos sistêmicos gerados em outras partes do setor financeiro. Para a maioria dos ramos de seguros, no entanto, há pouca evidência de que a operação de seguro possa gerar ou intensificar o risco sistêmico dentro do sistema financeiro ou mesmo na economia real.
De acordo com a análise do IAIS, uma regulação e supervisão local fortes e alinhadas às práticas globais podem atenuar as possibilidades de alguns nichos de seguros, como atividades não regulamentadas e seguros de garantia financeira, contribuir para agravar o risco na indústria financeira. Detectado o potencial risco de que apenas segmentos específicos podem alimentar uma crise, caso ela exista, o objetivo da IAIS agora é promover melhorias para os processos de supervisão e fiscalização, aliada a uma gestão de risco mais eficiente e com acompanhamento global por meio de comitês internacionais.
Embora algumas das preocupações da IAIS sobre os potenciais riscos sistêmicos diferem das conclusões da associação, os executivos se dizem satisfeitos por estar cada dia mais claro que a IAIS notificou a todos os envolvidos sobre as particularidades do mercado de seguros e assim garantir que a regulamentação em andamento para a indústria financeira diferencie seguradoras de bancos. “É muito importante que as soluções destinadas a aumentar a resiliência do sistema financeiro reconheçam as características específicas de seguro e de outros serviços financeiros”, finaliza a carta da Geneva Association.
*A jornalista viajou para Boston a convite da Aon Brasil
O grupo Aon acaba de comemorar 23 anos. Mas se levarmos em consideração a primeira entre as mais de 400 empresas que formam hoje o conglomerado é possível dizer que a Aon nasceu em 1680, ano em que foi fundada a Hudig Langeveldt, adquirida pela Aon em 1991. Em tão pouco tempo, o grupo se tornou líder mundial em consultoria de seguros. Fatura mais de US$ 7,6 bilhões ao ano, emprega 36 mil funcionários em 500 escritórios espalhados em 120 países.
Consolidada como um player mundial, a Aon quer conquistar mais. Não foi a toa que se tornou a patrocinadora de um dos mais famosos times de futebol do mundo, o inglês Manchester United. Em um rápido passeio pelo quartel general da Aon montado em dois andares do hotel Renaissance, para atender clientes do mundo inteiro que estiveram presentes no RIMS 2010, fica clara a estratégia do grupo. Ser referência no mundo em qualidade de serviços.
Para isso, treina seus funcionários para que eles estejam sempre atualizados de tudo o que há de mais moderno no mundo e assim possam criar soluções inovadoras para seus clientes, sejam eles os segurados ou as seguradoras. “Ajudamos nossos clientes a entender os riscos a que estão expostos e também a conhecerem os instrumentos financeiros que existem para protegê-los. Isso faz da Aon uma empresa vencedora e em franco crescimento ao redor do mundo”, diz Jorge Gonzalez Cale, diretor para a América Latina, há 15 anos no grupo Aon.
Veja a seguir trechos da entrevista concedida por Cale durante um jantar oferecido aos clientes da América Latina, no charmoso restaurante Olives, em Boston, na semana do evento RIMS 2010.
Por que apenas clientes da América Latina neste jantar? Este jantar é especial. Tem história. Há oito anos, Jorge Luzzi, gestor de risco da Pirelli no Brasil, recebeu o prêmio de gerente de risco do ano da RIMS. Foi o primeiro brasileiro, e único até hoje, a vencer a premiação da entidade. Quando isto aconteceu, em 2002, o convidei para um jantar. Éramos menos de dez. No ano seguinte, 18. Depois 25. Olha só quanto somos hoje! Mais de 100. No final do jantar, todos os nossos clientes, e também os futuros clientes, se encontrarão em uma festa de confraternização.
A crise trouxe um desafio para todos, especialmente para os corretores. O senhor concorda?
Trouxe uma enorme oportunidade de fazermos negócios. Os riscos emergentes são um grande desafio para as corporações multinacionais, tornando o risco dos negócios muito mais complexo. E este é o grande desafio da Aon. Treinar seus executivos constantemente para que eles possam oferecer as melhores soluções para os clientes.
É uma grande aposta no relacionamento. Isso funciona em tempo de crise ou o preço conta mais? Este é um mercado de relacionamentos. Ninguém mais no grupo se vê como um simples vendedor de seguro. O desafio é criar soluções inovadoras para as necessidades dos clientes, pois só assim se cria um relacionamento de longo prazo, sustentável, que traz benefícios para todas as partes. É uma grande mudança cultural e nos obriga a compreender realmente o negócio dos nossos clientes e os riscos que eles enfrentam neste período marcado por mudança climática, por atentados, pandemias e reformas no arcabouço regulatório de vários setores, principalmente o financeiro. E os clientes já percebem nosso diferencial, como mostra o nosso crescimento.
Com o senhor vê a América Latina? A região tem apresentado crescimento sustentável, com indicadores macroeconômicos sólidos. Há emprego, aumento da renda. Há crédito. Isso faz a economia girar e o país crescer. Todo o mundo olha para a América Latina. Veja o Brasil. Um dos últimos países a entrar na crise e o primeiro a sair. Ainda por cima foi o escolhido para sediar a Copa em 2014 e os Jogos Olímpicos em 2016. Quer mais?
Pelo jeito o senhor está bem entusiasmado com o Brasil. Como não estar. As grandes empresas estão ampliando investimentos no Brasil. E as empresas brasileiras estão se internacionalizando. Veja empresas como Vale, Odebrecht, InBev, Pirelli, Mercedez Benz. E por que essas empresas estão investindo no Brasil? Por que temos uma enorme população que começa a consumir. Se não estou enganado, são mais de 30 milhões de pessoas que deixaram a linha da pobreza para ingressar na classe média. E estas pessoas vão consumir. E por isso as fábricas vão investir na produção. Não tem um dia sem que tenhamos notícias sobre investimentos no Brasil. Isto é fantástico para o país. É um terreno fértil para empresas como a Aon, globalizada, com soluções para os programas mundiais de seguros. Temos um grande potencial de crescer junto com nossos clientes internacionais e vamos aproveitar as oportunidades que temos e também criar oportunidades.
O que a Aon espera da América Latina? Manter os clientes que já temos e conquistar aqueles que buscam eficiência em seus programas de seguros. Já somos líderes na região, principalmente em grandes riscos. Queremos agora ampliar nossa base de clientes, principalmente no nicho de pequenas e médias empresas e também em seguros pessoais. Por isso estamos criando diferentes produtos, fazendo alianças com seguradoras para juntos termos soluções adequadas para todos os nichos de clientes.
“Não poderia haver um momento melhor do que este para ser gestor de risco”, disse Terry Fleming, presidente da Risk & Insurance Management Society (RIMS), na abertura do 60º Conferência Anual 2010 da que reuniu cerca de 9 mil gerentes de riscos das principais corporações do mundo em Boston, Estados Unidos, entre 25 e 29 de abril deste ano. “O mundo está assustado com tantos riscos emergentes e olha para nós a espera de um conselho”.
Com esta frase, Fleming conseguiu sintetizar a relação entre segurados, corretores, seguradoras e resseguradoras observada durante os quatro dias do evento. É sabido que muitas vezes o gestor de seguros é um profissional à parte da administração. Com as crises, no entanto, ele passa a ocupar um lugar de destaque dentro do organograma e tende, cada dia mais, a reforçar a importância da indústria de seguros e seus diversos instrumentos de proteção para os dirigentes das corporações.
Para que possa aproveitar esta oportunidade, o gerente de risco conta com a colaboração do corretor na busca de produtos e serviços que se enquadrem nas necessidades das corporações. “Nosso diferencial é esse. Assessorar o cliente na busca de um produto que ele realmente precisa junto às seguradoras e resseguradoras. Um seguro sob medida, pois cada cliente é único”, diz Jorge Gonzalez Cale, diretor executivo da Aon Risk Services para a América Latina.
Realmente cada cliente tem uma prioridade. Para uns, a crise financeira é um grande temor. Para outros, as catástrofes. O consenso é que todos estão mais conscientes de que ninguém está livre de riscos. O ambiente regulatório e o político lideram a lista de prioridades dos gestores de risco, com 73% das respostas. Ter de arcar com responsabilidade civil em razão de novas regras, encontrar coberturas amplas dentro do preço esperado, desastres naturais, retenção de talentos e ter tecnologia de ponta são as outras preocupações que têm consumido a maior parte do tempo dos gestores de riscos.
Este é o resultado do estudo da Zurich Financial Services, realizado juntamente com o Ceres. A pesquisa Climate Change Risk Perception and Management: A Survey of Risk Manager (Mudança Climática Percepção do Risco e Gestão: Um Estudo de Gerentes de Risco) foi realizada com 200 gestores de riscos para saber como a mudança climática é percebida pelas empresas, sendo 70% com faturamento acima de US$ 50 milhões por ano e 34% acima de US$ 1 bilhão.
A mudança climática é a principal entre os riscos emergentes por afetar diversos tipos de riscos, como o político, de danos físicos, de regulamentação, de imagem, o risco legal e também a própria forma de competição entre as empresas. Por isso, o tema tem sido estudo por grandes grupos em todo o mundo. “Os gestores de riscos das empresas desempenham um papel crucial para ajudar as seguradoras compreenderem de que forma as mudanças climáticas afetam as companhias e o que elas têm mudado na rotina para mitigar riscos”, diz o presidente da Ceres, Mindy Lubber.
Isso explica o conteúdo das mais de 120 palestras. Boa parte delas trazia detalhes do programa Enterprise Risk Management (ERM), lições da crise, seguros financeiros, sugestões de como aprimorar a administração do programa mundial e o cenário atual da indústria. Porém, nada foi mais polêmico do que as comissões contigenciadas, ou seja, valor pago pelas seguradoras aos corretores como uma forma de bonificação pelo desempenho da carteira de clientes.
A direção da RIMS é totalmente contra a prática deste tipo de bonificação. As seguradoras eximem-se da discussão. “Este é um assunto para ser tratado entre corretores e clientes”, diz Edmund Kelly, CEO da Liberty Mutual. Gregory Case, presidente da Aon Corp, defende a transparência. “Este assunto gira em torno do valor que a Aon gera aos clientes, que pagam por este diferencial. Aplaudimos os esforços pela transparência e estamos certos de que podemos ir além do que já fomos até hoje neste sentido. O importante é que cleintes entendam pelo que estão pagando e o valor do trabalho que entregamos a ele”.
No cenário mundial, o céu era de brigadeiro para os gestores de risco até abril. O preço do seguro apresenta queda no mundo todo. “Nem se acontecer uma catástrofe, com US$ 50 bilhões em perdas seguradas, a tendência de queda de preço deverá se reverter”, exagera Even Greenberg, CEO mundial da ACE, para expressar a abundância de capital que a indústria de seguros construiu nos últimos anos de taxas elevadas e coberturas restritas.
Apesar de a indústria de seguros estar capitalizada, para se conseguir um bom contrato é preciso fazer a lição de casa. “A crise nos trouxe muitos ensinamentos, principalmente que ninguém está imune de perdas e que a globalização tornou os programas mundiais de seguros muito mais abrangentes e complexos”, diz Janice Ochenlowski, da Jones Lang LaSalle Incorporated, durante a palestra Effective Global Risk Programs: The Impossible Dream? (Programa Global de Riscos, um sonho impossível?).
Segundo ela, para ter um efetivo programa mundial é preciso entender as culturas e fazer isso localmente. “Há muitas diferenças no marco regulatório de cada país e isto precisa ser respeitado”, reforça Andrew Mackinnon, executivo da Zurich. “Para isto acontecer, a comunicação é a palavra chave em qualquer programa, principalmente nos globais”, acrescenta Clyde Ebanks, executivo da Aon e mediador do painel.
Como disse o presidente da RIMS, Terry Fleming, “o mundo está assustado com tantos riscos emergentes e olha para a indústria de seguros a espera de um conselho”.
A Aon Brasil, em conjunto com os líderes da Aon na America Latina, idealizou e organizou uma sala de encontros, chamada de “Brazil Room”, com o objetivo de transmitir em primeira mão a seus clientes e prospects presentes ao evento, informações atualizadas sobre o mercado de seguros brasileiro. Os clientes tinham muita curiosidade para entender mais deste país que virou moda no mundo, diz Christopher Wellington, diretor da Aon Gobal Client Network.
Segundo Fernando Pereira, vice-presidente e CCO da Aon Brasil, os visitantes tinham grande curiosidade sobre às oportunidades e diferenciais do mercado brasileiro após as recentes mudanças, como a abertura do mercado de resseguro, que atraiu ao país mais de 75 resseguradores em dois anos, e as consolidações de seguradoras, como Itaú Unibanco com Porto Seguro, Mapfre com Banco do Brasil, Marítima com Yasuda, Zurich com Minas Brasil entre outros. “Eles também queriam saber mais sobre o país escolhido para sediar a Copa em 2014 e as Olimpíadas em 2016 e também um forte candidato a ser a quinta maior economia do mundo nos próximos anos”.
O “Brazil Room” também serviu como um espaço para discussão entre executivos e gestores de riscos de empresas internacionais que planejam investir ou ampliar suas operações no país. Os que já estão instalados no Brasil aproveitaram a oportunidade para discutir sobre os riscos a que estão expostos e quais os impactos das mudanças regulatórias dentro do programa mundial. “O número de visitantes ao Brazil Room superou em muito a nossa expectativa, o que nos mostra o acerto desta iniciativa e a importância de se criar um espaço específico para divulgar o mercado brasileiro de seguros, com seus desafios e oportunidades singulares”, diz Fernando Kolling, diretor comercial internacional.
Uma mensagem que ficou clara em boa parte das palestras do evento promovido pela Risk & Insurance Management Society (RIMS), em Boston, em abril deste ano, é que os riscos podem ser gerenciados e reduzidos com a ajuda de programas de fácil compreensão. E quem não se preocupar em conhecer os riscos a que está exposto e buscar soluções para mitigá-los ou neutralizá-los poderá pagar um preço elevado.
O Enterprise Risk Management (ERM) tem sido uma das principais ferramentas para ajudar a previnir os riscos apontados como decorrentes da globalização. Poucas empresas tinham aderido ao programa, desenvolvido por diversas empresas no mundo, entre elas a Aon, até pouco tempo atrás. Segundo Laurie Champion, diretora da área Global Risk Consulting da Aon, o ERM tem sido cada vez mais procurado pelas grandes empresas, ansiosas por reduzir os riscos trazidos com a globalização da economia.
Pete Fahrenthold, presidente da comissão de ERM da RIMS e diretor de gestão de risco da Continental Airlines, comentou durante o lançamento de um estudo sobre ERM, que os gestores de riscos precisam analisar atentamente os riscos emergentes para garantir que a corporação terá longevidade, sem estar exposta a perdas ocasionadas em setores ou partes do mundo que sequer fazem parte da cadeia de produção da companhia.
As características dos riscos emergentes foram identificadas no novo estudo divulgado pela RIMS no evento. Entre elas o relatório cita o alto grau de incertezas gerado com o aquecimento global, pandemias, terrorismos e riscos financeiros. Exemplos dos riscos emergentes não faltam. Entre eles temos as complexas operações financeiras, principalmente as conhecidas como subprime, que derrubaram as economias ao redor do mundo em setembro de 2008 até a erupção do vulcão Eyjafjallajokull, na Islândia, evento que causou o maior caos aéreo do mundo no mês de abril.
Afinal, quem poderia imaginar que o simples fato de ter deixado de colocar uma tampa no poço de petróleo operado pela British Petroleum (BP) causaria o naufrágio da plataforma Deepwater Horizon, mataria 11 pessoas e ainda causaria o maior vazamento de óleo da história da indústria petrolífera, trazendo impactos no preço do seguro ao redor do mundo. “Muitos exemplos recentes mostram que os riscos emergentes precisam ser mensurados para tornar as operações menos suscetíveis a acidentes”, diz Champion.
Segundo a Aon, alguns princípios básicos podem ajudar na avaliação dos resultados do ERM. “Apesar de num primeiro momento parecer complexo, o ERM existe para facilitar o dia a dia da corporação”, diz Tom Wimberly, executivo da Aon Solutions. O primeiro de todos é o envolvimento e comprometimento do Conselho de Administração com o programa. Isso porque o ERM busca desenvolver uma cultura que incentiva a participação e responsabilização de todos os níveis da organização. Sem isso, o sucesso do programa fica comprometido.
Com a adesão dos diversos níveis hierárquicos da companhia, a geração de valor do programa logo será percebida, principalmente no que diz respeito à transparência da comunicação para formar uma base de dados capaz de agilizar as decisões, o planejamento e a estruturação dos negócios. Esta base é formada pelo levantamento de riscos do negócio em si, dos fornecedores e dos riscos atuais da economia globalizada.
Com o levantamento, o gestor de risco pode mapear os riscos e criar soluções, minimizando os impactos para a corporação, protegendo os ativos e a imagem da organização”, diz Wimberly. Outro benefício gerado pelo ERM, segundo os técnicos, é o melhor uso de capital, protegendo áreas mais expostas e otimizando recursos antes alocados de forma inapropriada ao risco.
A concorrência na indústria de seguros brasileira se torna dia a dia mais interessante. A notícia quente da semana vem da Chartis, novo nome da seguradora de ramos elementares da AIG. Presente no Brasil com a seguradora Chartis Seguros e com a resseguradora admitida American Home, o grupo agora vai aportar US$ 50 milhões para atuar como ressegurador local.
“Pelas normas, precisaríamos de US$ 30 milhões, mas optamos por começar com um valor maior, pois a demanda por resseguro no Brasil nos próximos anos será grande”, diz Guilhermo Leon, responsável pelas três empresas do grupo no Brasil. Ela se juntará ao seleto grupo de resseguradores locais formados pelo IRB Brasil Re, ACE, Mapfre, XL, JMalucelli e Munich Re, para as quais as seguradoras são obrigadas a ofertar 40% dos contratos de resseguros.
Além da resseguradora, a Chartis está preparando a seguradora, com operações praticamente em grandes riscos e seguros financeiros, para atuar no varejo. “Vamos explorar nichos específicos como seguro garantia estendida e carros de luxo, por exemplo”, comentou Leon. Para isso, elevou o capital da seguradora de US$ 30 milhões para US$ 70 milhões. Para atuar em massificado, falta a finalização da implementação do sistema operacional. “Em fevereiro de 2012 ele estará totalmente pronto”.
A previsão é de que a autorização da Superintendência de Seguros Privados (Susep) para ser ressegurador local saia em oito meses. Até lá, o grupo mantém parcerias com IRB Brasil Re e Munich Re, entre os principais resseguradores, para negociar os contratos conquistados pela seguradora do grupo.
Em 2009, a Chartis Seguros movimentou prêmios de US$ 110 milhões. Mesmo considerando-se que 30% deste valor veio de um contrato, das garantias do Rio Madeira, trata-se de um bom recomeço levando-se em conta que no mercado de seguros o que vale mais na hora da contratação de uma companhia é a imagem de solidez. “Nossa previsão é encerrar 2010 com US$ 150 milhões em prêmios”, afirma o executivo.
Em setembro de 2008, a AIG só não foi à falência porque foi socorrida pelo governo americano com US$ 180 bilhões. Mais de 4 mil empresas, de diversos segmentos, formavam o grupo. Após setembro de 2008, o grupo foi divido em três blocos: seguros de ramos elementares, seguros de vida e previdência e outras atividades. O pedaço de ramos elementares virou Chartis e as duas operações de vida, Alico e AIA, negociadas com MetLife e Prudential do Reino Unido.
No Brasil, a Chartis começou praticamente do zero. “Tínhamos os contratos mundiais e 10 funcionários em janeiro de 2009. Hoje já temos uma equipe com 105 pessoas e três andares num prédio em São Paulo”, disse ele, que também se prepara para inaugurar um escritório no Rio de Janeiro.
Leon está empenhado em treinar pessoas para atuarem no setor, que carece de profissionais qualificados em razão dos 69 anos de monopólio de resseguro. A Chartis organizou programas nacionais e internacionais para treinar universitários em subscrição de riscos, profissão conhecida mundialmente como underwriteres. “Temos uma grande demanda por profissionais, principalmente que falem fluentemente o inglês”, disse.
Se hoje já faltam profissionais, o problema ficará ainda maior se nada for feito agora. Isso porque nos próximos quatro anos a demanda por profissionais qualificados será grande. Principalmente porque num mercado aberto de resseguros, a qualidade das informações é que determinará o preço do contrato de resseguro.
A abertura da resseguradora local, segundo Leon, foi decidida para tornar o grupo mais competitivo. “Desta forma podemos controlar melhor o gerenciamento de risco e ofertar uma capacidade financeira mais adequada ao segurado e não apenas ser um intermediário entre o cliente e o ressegurador”, explicou.
Segundo Leon, a Chartis, com US$ 40 bilhões em faturamento em 2009 e atuação em mais de 160 países, tem apetite por todos os segmentos no que diz respeito aos contratos dos eventos esportivos. No entanto, até agora não conquistou apólices que envolvam a Copa e as Olimpíadas. “Estamos na concorrência do estádio Fonte Nova”, disse. A alemã Allianz é quem tem levado boa parte dos contratos de garantia e de risco de engenharia dos estádios. “Todos aguardam a liberação dos financiamentos para comprar o seguro e estamos na disputa”, garante o presidente da Chartis.
Veja as perdas já divulgadas pelas seguradoras e resseguradoras com o afundamento da plataforma Deepwater Horizon no Golfo do México:
Swiss Re US$ 200 milhões
Munich Re US$ 80 milhões
PartnerRe US$ 65 milhões
Hannover Re US$ 53 milhões
Validus Holdings US$ 42 milhões
Catlin Group US$ 40 milhões
Lancashire US$ 25 milhões
Chaucer Holdings US$ 25 milhões
Montpelier Re US$ 20 milhões
Amlin US$ 15 milhões
Transatlantic US$ 15 milhões
Hiscox4 US$ 15 milhões
RJ Kiln & Co4 US$ 10 milhões
Beazley US$ 6 milhões Total US$ 611 milhões
A Allianz realizará no próximo di 22 a 5ª edição do Fórum Internacional de Seguros para Jornalistas, que acontece em São Paulo, das 8h30 às 14h. Dois temas serão discutidos: microsseguros e a questão da capacidade de seguro do mercado local para acompanhar o crescimento do país com as obras de infraestrutura do PAC 2, Copa de 2014 e Olimpíadas de 2016.
Na programação do Fórum preparada pelos executivos da Allianz, os jornalistas poderão conhecer mais sobre o microsseguro na Índia, principal país onde o produto é vendido. O indiano Kamesh Goyal, CEO da Bajaj Allianz Life Insurance Company, contará um pouco da experiência da Allianz no país. Lá, os seguros chegam a ser vendidos a US$ 0,15 mês. Destinado à população de baixa renda, dados levantados pelo Grupo Allianz apontam que 90% dos consumidores de microsseguros nunca tiveram qualquer tipo de apólice.
Segundo informa a Allianz em comunicdo, projeções indicam que o público potencial desse mercado no Brasil gire em torno de 40 milhões de pessoas. O setor de seguros aguarda uma definição do Congresso Nacional sobre o Projeto de Lei 3266/08 que visa regulamentar o microsseguro. Como debatedor para esse painel, está confirmado o professor doutor Lauro Gonzales, coordenador do Centro de Estudos em Microfinanças da FGV-SP. Gonzales, além de participar da discussão, fará uma pequena explanação sobre os resultados parciais da pesquisa realizada pelo Centro de Estudos da FGV sobre microsseguros no Brasil, assim como a ligação que existe entre esse setor e o de microfinanças.
Já o segundo painel do Fórum apresenta a situação atual do mercado segurador brasileiro frente ao desenvolvimento do país. Segundo estudo do BNDES, com estatísticas consideradas conservadoras, indicam que haverá investimentos de R$ 310 bilhões em infraestrutura no Brasil nos próximos seis anos. Nesse contexto, o seguro garantia exerce papel fundamental porque, como o próprio nome diz, serve para garantir que tudo o que foi acordado seja cumprido. No ano passado, segundo a Superintendência de Seguros Privados (Susep), o seguro garantia movimentou R$ 692 milhões. De janeiro a abril deste ano, os prêmios já somaram R$ 221 milhões.
O executivo da Allianz Seguros Edson Toguchi vai explicar o funcionamento dessa modalidade. Serão abordadas questões como até que ponto a falta de capacidade de seguro pode inviabilizar essas obras, por que houve a necessidade do governo criar a Empresa Brasileira de Seguros (EBS) e o que está incentivando grupos nacionais e internacionais a ingressar no segmento de Garantia, seja como seguradora ou resseguradora.
A Copa do Mundo na África do Sul movimentou um volume de seguros muito acima da estimativa dos executivos. Segundo divulgou ontem o Lloyds of London, o evento esportivo conta com seguros de US$ 9 bilhões para os mais diversos riscos. Seja para cobrir prejuizos dos organizadores e patrocinadores com a não realização do evento até despesas com intoxição alimentar dos torcedores por alimentos servidos nos estádios.
Este é um programa de seguros que conta com a participação de um grande número de corretores, seguradoras e resseguradoras, devido ao envolvimento de uma infinidade de empresas, de diversas nacionalidades e nichos de negócios. Geralmente há uma grande disputa pelos contratos, uma vez que este evento traz prestígio e pouco sinistro, tamanha é a logística de segurança envolvida.
A maior apólice, de US$ 4,3 bilhões, é a de “property”, que no Brasil é conhecida como ramos elementares por garantir danos a bens. Nela estão incluídos os 10 estádios e as vilas onde ficam os jogadores das 32 seleções que começam a disputar no próximo dia 11.
A apólice de “no show”, na qual até o IRB Brasil Re participa, tem praticamente o mesmo valor da primeira e cobre o cancelamento ou adiamento de jogos pelos mais diversos fatores, como problemas administrativos ou mau tempo e visa cobrir os prejuízos dos patrocinadores, desde redes de televisão até o carrinho de cachorro quente que abastece os torcedores durante as partidas. Segundo o Lloyds, há registro de apenas um “no show” na história da Copa do Mundo: durante a Segunda Guerra Mundial. Por ser Guerra, um evento excluído da cobertura de seguro, possivelmente não foi registrado sinistro.
A principal apólice em termos de sustentabilidade é a de responsabilidade civil, que cobre danos causados a terceiros durante a realização do mundial, seja por desabamento de arquibancas, seja no transporte de equipamentos que envolvem o evento. Outra apólice comum e também contratada para a Copa da África é que de acidentes pessoais para os integrantes das seleções.
A Liberty Seguros emitiu 6.143 novas apólices de seguro de garantia estendida para automóveis no primeiro trimestre do ano, crescimento de 123,4% no comparativo com o mesmo período de 2009. “Investimos em treinamento da força de vendas, criamos um call center específico para os clientes de garantia estendida e fizemos força tarefa nas concessionárias”, comentou Luis Maurette, presidente da Liberty no País, em nota.
Maurette afirma que as vendas de garantia estendida estão crescendo tanto em veículos zero como na frota de usados. A Liberty detém 34% de share no trimestre, segundo dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep). “Hoje temos mais de 1 milhão de veículos segurados pela Liberty no País e estamos trabalhando para ampliar a participação do produto em nossa carteira”.
Segundo Maurette, a Liberty tem operações de garantia estendida em cerca de 1.100 concessionárias distribuidas no País. “Nossa intenção é ampliar ainda mais a rede e continuar o processo de fortalecimento da relação com os parceiros e esclarecimento dos consumidores”.
A conquista da liderança de mercado neste nicho de negócios começou com a aquisição da Indiana Seguros. Relativamente novo no País, o seguro garantia estendida foi regulamentado há quatro anos. No ano passado, movimentou R$ 24 milhões em prêmios, um crescimento de 60% em relação a 2008, segundo dados da Susep.
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