Se teve uma fonte maravilhosa neste mercado de seguros para jornalista foi Rony Lyrio. Nunca vi estrategista igual. Informante requintado. Construiu boa parte da história da SulAmérica e da indústria de seguros nos 35 anos que se dedicou ao grupo. Até na minha vida este fumante inveterado fez história.
Dizia tudo com aquela voz forte de locutor de rádio. Quando não dizia, lançava aquele olhar perspicaz. Dependia muito de como era abordado. Quando relutava em contar uma notícia ou ajudar a descobrir detalhes com sua infinita rede de relacionamento no Brasil e no exterior, pedia um cafezinho. Acendia outro cigarro e ganhava mais alguns minutos para convencê-lo de que aquela notícia era importante para todo o mercado.
Entre uma baforada e outra, sempre uma boa idéia sobre como eu poderia conseguir as informações que tanto desejava levar aos meus leitores. Ou não. Se a notícia não lhe interessava, me contava outras prá lá de quentes para me fazer desistir daquela que, em sua visão, poderia beneficiar concorrentes. Se a notícia não era boa para a Sulamérica, ele dizia que só eu achava aquilo interessante e por isso não valeria a pena ir em frente. Com a minha insistência no discurso “justo é justo”, ele sempre dava um jeito de alguém me contar o que eu precisava saber para manter minha carreira numa curva ascendente.
Alinhavou a parceria com Bradesco na década de 80, traçou a estratégia de sobrevivência da SulAmérica quando a parceria com o banco de Amador Aguiar acabou, foi o braço direito de Beatriz Larragoiti, levou a SulAmérica para a liderança do ranking por anos, treinou Patrick, conquistou a parceria com o Banco do Brasil e com a Aetna, se entristeceu com a dívida criada com a construção da nova sede em São Paulo financiada em dólar num momento de disparada da moeda americana, comemorou o centernário da empresa em grande estilo. Enfim, foram muitas histórias nesses 20 anos de amizade.
Formamos uma boa dupla de fumantes na década de 90. Talvez isso tenha estimulado as longas entrevistas sempre cheias de conteúdo. Exatamente quando ele deixou a presidência da SulAmérica para presidir o conselho de administração, em 1999, eu parei de fumar para começar uma nova etapa da vida, a de ser também mãe. A partir dai ficamos amigos virtuais. “Quando vai ter outro filho! Um só é pouco para você. Precisa aumentar a família”, escrevia sempre nos emails.
Vou sentir muito a falta deste grande homem, ex-presidente executivo da SulAmérica e que nos últimos anos era membro do Conselho de Administração e meu grande amigo. Ele faleceu no dia 17 de setembro. Com certeza vítima das sequelas do cigarro. Sem ele, com certeza minha vida teria seguido outro rumo. Afinal, sem informações um jornalista não sobrevive.
Dr. Rony, como sempre o chamei apesar da insistência dele para chamá-lo de você ou simplesmente senhor, soube me alimentar de notícias sempre interessantes e que nos últimos anos eram sobre temas gerais, pois não queria mais falar de seguros. “Você deveria cobrir outro setor. Este é muito pequeno para a sua grande curiosidade”. Então parti para cobrir a indústria mundial e também me dedicar a especiais sobre bancos, fundos e educação financeira. “Impossível abandonar seguro, uma indústria que cresce como sempre imaginávamos que um dia iria acontecer”, dizia a ele.
A missa de sétimo dia será realizada dia 24 de setembro, às 17h, na Igreja São José, situada à av. Borges de Medeiros, 2735 – Lagoa, Rio de Janeiro.
Adeus minha fonte favorita!
Com amor, admiração e saudades
Denise









