No próximo domingo, 19 de abril, o Programa Seguro, apresentado por Boris Ber na TV Gazeta às 20h30, levará ao ar a entrevista com o mentor do Clube dos Corretores de Seguros de São Paulo (CCS-SP), Adevaldo Calegari. Durante a entrevista, ele falará sobre a história e os propósitos da entidade, que completará 43 anos de existência neste ano, destacando, especialmente, o ativo intelectual do seu quadro de associados.
“No Clube dos Corretores de São Paulo, é muito comum usarmos a expertise de nossos associados. O mercado possui grandes especialistas em diversas áreas e costumamos nos consultar com esses profissionais sempre que temos alguma dificuldade em nossa atividade”, diz.
Na entrevista, Calegari também tratará do assunto microsseguro, esclarecendo sobre o conceito e o potencial. “Não é lícito dizer que microsseguro é subproduto ou produto menor, longe disso. Microsseguro é um produto completo, inteiro, para um público específico”, diz.
Para ele, as chances de desenvolver o produto são grandes, considerando a enorme massa de brasileiros que ascendeu de classe social nos últimos anos e que passaram a ter novas necessidades, inclusive de seguros. “Significa que teremos uma enorme parcela da população ávida por esse tipo de proteção”, diz.
Calegari, que também é diretor de Microsseguros da APTS, está coordenando, no momento, o Café da Manhã “Microsseguros: uma visão atualizada no Brasil e no mundo”, em conjunto com a ANSP. O evento será realizado no dia 29 de abril, entre 8h30 e 11h30, no auditório do Sindseg-SP, na Av. Paulista, 1.294, 4º andar.
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O seguro agrícola traz estabilidade econômica ao produto rural e é indutor do desenvolvimento de tecnologia no campo. Ele colabora para a manutenção do emprego e protege a produção e a renda do produtor rural, equalizando o orçamento do Governo. A subvenção ao prêmio incentiva a demanda pelo seguro agrícola e garante a sua expansão e continuidade, propiciando a evolução e o desenvolvimento de novos produtos.
Wady Cury, diretor de seguros rurais do Grupo BB e Mapfre, disse em paínel sobre o tema no 4o Encontro de Resseguros, realizado nos dias 14 e 15 de abril no Rio de Janeiro, com apoio da CNSeg, que “é interessante que haja uma equalização dos números e isso acontece com o Fundo de Catástrofes, que incentiva a oferta de produtos e capacidade pelas seguradoras e resseguradoras e garante a expansão e a continuidade do seguro agrícola”.
No Brasil, há uma legislação agrícola que aprovou a subvenção ao prêmio em 2006. Algumas companhias operam na carteira, que cresceu quase 20 vezes após a aprovação da lei da subvenção, nos últimos 8 anos. Entre 2013 e 2014, o Governo liberou R$ 557 milhões em subvenção e este valor só não foi maior por conta de uma dotação orçamentária do congresso não ter sido liberada.
Cury acrescentou que o que fará a disponibilidade de seguro crescer é a consolidação das informações que estão pulverizadas, porque elas são de fundamental importância para possibilitar a entrada de novos players, tanto de seguro quanto de resseguro, no mercado. “É preciso unir os dados, transformar em informações sobre as culturas, clima, sinistralidade etc, para que cada companhia faça delas conhecimento para aplicar nos produtos”. Ele ressaltou que para haver investimento por parte das empresas é imprescindível haver escala.
Para ter um mercado de resseguros mais inovador e dinâmico, as seguradoras encomendaram uma pesquisa para identificar pontos de conflitos e quais as sugestões dos executivos para melhorias. O resultado foi apresentado ontem no painel “O presente e o futuro do resseguro no Brasil”, no 4o. Encontro de Resseguros, realizado nos dias 14 e 15 de abril, no Rio de Janeiro.
“O trabalho teve como objetivo contribuir na análise do desenvolvimento do mercado brasileiro de resseguros desde a abertura em abril de 2008 e apontar os desafios que teremos pela frente”, disse João Francisco Silveira Borges da Costa, CEO da HDI Seguros, ao apresentar para uma plateia de 500 pessoas o estudo encomendado a KPMG a pedido da Associação Brasileira das Companhias de Seguros Internacionais (ABCSI).
A maioria dos entrevistados concorda que as seguradoras se tornaram mais lucrativas e solventes com a abertura do resseguro, mas perderam margem de negociação, pois o fim do monopólio trouxe a premissa do mercado aberto: o exercício de aceitar e negar riscos. Cerca de 80% acharam que a regulamentação trouxe intranquilidade, o que se observou na quantidade de riscos não aceitos, chamados no jargão do setor como “riscos declináveis”.
Quanto a reserva de mercado estabelecida pela regulamentação, com 40% dos contratos tendo de ser ofertados para as resseguradoras locais, 60% dos entrevistados concordam parcialmente que um grau de reserva de mercado seja necessária. Ter profissionais mais qualificados é a sugestão de 60% dos participantes, o que abrange tanto profissionais de seguros, resseguros como corretores, que são usados em 80% dos contratos. Apenas 20% dos participantes disseram realizar negócios sem um corretor. “Há uma clara preocupação quanto a qualificação dos profissionais, tanto de seguradoras, como resseguradoras e corretores”, ressaltou Borges.
Mais de 60% dos entrevistados afirmaram que é preciso melhorar a competitividade do segmento de resseguros e 80% dos participantes concordam que é necessário melhorar serviços e ofertas de produtos para acirrar a disputa pelos contratos. Sobre as perspectivas para os próximos 3 a 5 anos, a resposta foi positiva. Cerca de 71% concordam que haverá uma oferta maior de produtos e serviços. Em relação aos investimentos para os próximos 5 anos, as companhias informaram que vão canalizar recursos para o treinamento, o desenvolvimento de pessoas e aquisição de sistemas de melhorias operacionais.
Quais os desafios para o futuro, os corretores citaram a regulação mais rígida, maior controle pelo regulador e a necessidade de melhor qualificação dos serviços prestados. Já os resseguradores citaram o cenário de concorrência mais acirrada e a falta de profissionais mais qualificados.
Entre os principais desafios do ambiente regulatório, a reserva de mercado, que impõe um custo adicional a oferta de produtos, e a tributação do setor foram os pontos mais citados na pesquisa da KPMG. Já no ambiente concorrencial, os entrevistados citaram que o desafio está em manter o equilíbrio entre ofertas agressivas e a escolha de parceiros realmente técnicos que ofertem condições de tornar o contrato rentável. Também citaram que manter as parcerias no longo prazo é um dos desafios a serem perseguidos.
“Demos um grande passo na abertura do mercado e agora precisamos ousar mais. Ambicionar mais. Temos condições de transformar o Brasil e o Rio de Janeiro em um polo de resseguros na América Latina. Mas para isso é preciso aperfeiçoar a operação de resseguro e qualificar mais os nossos profissionais”, disse Paulo Botti, CEO da resseguradora local Terra Brasis ao comentar as lições trazidas pela pesquisa apresentada. “O resseguro abriu 700 novos postos de trabalho e 90% das pessoas na área tem nível superior. É a indústria de mais alto nível de instrução em todas as indústrias”.
Botti ressaltou que o Brasil tem um mercado forte, competitivo, sólido e com capacidade técnica crescente. O que mais pode melhorar?, indaga o executivo. “’É preciso que todos tenham uma função inovadora e educacional, processos integrados de mercado, resultados financeiros, ajustes da regulamentação e práticas de mercado”, sugere, citando os trabalhos realizados por sua companhia, a Terra Brasis, que já realizou cursos de resseguro para 300 funcionários de seguradoras, desenvolveu um mapa de catástrofes online para gerar estatísticas para melhorar a precificação de riscos, e o estudo analítico sobre os dados financeiros das resseguradoras divulgados pela Susep, conhecido como Terra Report.
A A.M.Best faz cerca de 4 mil ratings de empresas do mercado segurador em 80 países. No Brasil são apenas sete: Allianz, Austral, BTG, IRB Brasil RE, JMalucelli Seguradora, JMalucelli Resseguradora eTerra Brasis. Segundo Tina Bukow, que participou do painel “Assuntos Correntes de Resseguro no Brasil”, é importante que as seguradoras e resseguradoras adotem a classificação da força financeira do grupo. “Nos mercados emergentes, as empresas têm interesse em serem classificadas para ajudar no risco pais”, afirmou durante a sua apresentação no 4o. Encontro de Resseguros, realizado no dia 14 e 15 no Rio de Janeiro, com apoio da CNseg. “Os investidores olham para o Brasil, mas querem entender melhor as questões politicas e econômicas e como isso pode impactar nos Jogos Olímpicos”, comentou.
Segundo ela, neste momento de volatilidade econômica e política pela qual passa o Brasil, é importante que as empresas tenham suas classificações para que os investidores saibam da força financeira dos grupos, independentemente da classificação do país. “A classificação não ajuda só as empresas e sim o segmento e o país”, garante. Há três anos, conta a A.M.Best tinha 11 classificações de seguradoras na América Latina. “Hoje temos 33 empresas classificadoas, pois a nossa metodologia ajuda muito a trazer investimentos para o segmento, o que, consequentemente, ajuda a melhorar a classificação dos países”, afirma.
Veja as principais perguntas e respostas do painel:
Paulo Botti – Como é o processo de rating de uma companhia?
O processo pode ser bastante intenso, mas não tão oneroso. Tem de enviar dados que já tem estão em um ambiente regulatório. Um analista é designado e se reúne com a empresa. Pode até mesmo ser uma vídeo conferência. Depois de aceitar, a empresa recebe uma visita do analista. Faz a recomendação e leva os dados para um comitê de classificação, que define o rating. O resultado final pode ser acima ou abaixo da feita pelo analista. Se o cliente aceitar, a classificação se torna pública. Se não aceitar, a nota é classificada como confidencial e não é divulgada. A empresa pode também entrar com recurso junto ao analista para revisão da decisão do comitê. Às vezes o comitê acha que o capital é baixo entre outras informações básicas que levaram a compor a nota e isso pode ser revertido se a empresa tomar algumas atitudes pontuais para melhorar o banco de dados coletado. O processo todo leva em média de 8 a 10 semanas.
Quantas empresas são do ramo vida?
Das 4 mil classificadas por nós, metade é do segmento vida e de saúde.
Como a AMBest cobra pelo serviço de rating?
As tarifas cobradas são de acordo com o tamanho da seguradora. Geralmente é um percentual em cima do prêmio para as que atuam em ramos elementares e um percentual do ativo das seguradoras de vida. Outro componente levado em conta no custo do rating é a complexidade do organograma da empresa. O valor vai depender de quantas empresas teremos de analisar para saber o impacto que podem causar no financeiro do grupo.
Fonte: Revista Apólice 196 – Coluna Direto de Londres, por Luciano Máximo, jornalista, é repórter licenciado do jornal Valor Econômico, cobriu o setor de seguros e resseguros na Gazeta Mercantil
O ano de 2015 começou agitado para as companhias de seguros e de resseguros da Europa. Preocupado com a estagnação econômica que toma conta da zona do euro já há alguns anos e com o fantasma da deflação que ronda o Velho Continente, o Banco Central Europeu (BCE) anunciou em janeiro um plano financeiro superambicioso de compra de títulos das dívidas públicas dos países com o objetivo de injetar dinheiro na economia – o chamado quantitative easying. Quanto? 1,1 trilhão de euros até setembro de 2016. A ideia é que essa dinheirama toda, quase metade de todo o PIB brasileiro, estimule a geração de investimentos e empregos e faça o povo europeu consumir mais, aquecendo a economia e mandando o risco de deflação para bem longe. Em resumo, a autoridade monetária vai imprimir euro a se perder de vista com a esperança de que este trilhão gire as rodas da economia com alguma vitalidade.
E o que tudo isso tem a ver com a indústria seguradora e resseguradora europeia? É que boa parte do dinheiro que as empresas recebem dos prêmios de seguros e resseguros vai para investimentos financeiros, formando reservas imensas para garantir que não falte na hora de honrar os sinistros. Muitos desses investimentos são em títulos de governos, os mesmos que o BCE está atrás. O quantitative easying é um dos temas mais falados do momento no setor e continuará sendo por um bom tempo. O que todos estão querendo descobrir é qual o impacto para as empresas, como o movimento do BCE afetará a carteira de investimento delas, já afetadas por retornos baixos nos últimos anos, devido à taxa de juros perto do zero na zona do euro.
Martin Senn, CEO global da Zurich, uma das maiores seguradoras europeias, com lucro operacional de US$ 4,6 bilhões em 2014, adiantou que não venderá nada para o BCE pois prefere esperar que os títulos em posse da companhia “fiquem maduros” antes de colocá-los à disposição do mercado. O problema em simplesmente vender, segundo Senn, é o próximo passo: em que investir depois, já que os títulos de governos são os mais seguros, mas oferecem retorno muito baixo, em muitos casos até retorno negativo. Por isso, ele classifica o atual momento para o setor de seguros na Europa de desafiador.
“Os desdobramentos [das medidas do BCE] são desafiadores para a indústria como um todo. Nós prevemos taxas de juros em queda por algum tempo e isso traz um desafio para a gente, pois boa parte do retorno financeiro das seguradoras está nos títulos públicos”, comenta Senn.
Onde o executivo da Zurich vê um cenário desafiador, o chefe da área financeira da Munich Re, Jörg Schneider, enxerga um quadro de risco. Para ele, a ação do BCE é errada e vai forçar investidores institucionais, como seguradoras e resseguradoras, a outras opções de investimentos, mais arriscadas. “Eu acho que a política do BCE de comprar títulos do governo está errada. Poupadores e investidores institucionais de longo prazo são atingidos em igual medida, sendo conduzidos a formas mais arriscadas de investimento. Além disso, essa política não fornece suficiente certeza de efetividade, colocando o BCE numa situação de esgotamento de sua munição antes de dar oportunidade à economia europeia demonstrar seu potencial de recuperação”, opina Schneider.
Um executivo de uma importante seguradora inglesa, que prefere não se identificar, diz que a nova política do BCE é má notícia para o setor e tornará mais complicado o cumprimento das regras de Solvência 2, que obriga as empresas a terem maior reserva de capital. “A viabilidade de muitas seguradoras do ramo de property & casualty dependem de um bom retorno e elas estão sob pressão maior agora, pois precisarão realocar investimentos para dar conta das demandas exigidas pelas regras de Solvência 2. Será preciso, em primeiro lugar, continuar a construir e gerenciar carteiras diversificadas, incorporar oportunidades fora da Europa e, por último, olhar para cinco premissas de investimento: crédito, liquidez, duração, alavancagem e estrutura. O setor segurador europeu terá muito trabalho do lado financeiro neste ano, sem poder descuidar do essencial, que é a comercialização de produtos e oferta de serviços sempre melhores”, analisou a fonte.
Diversificação de investimentos parece ser a bola da vez num contexto de quantitative easying e taxas de retorno financeiras em baixa. O CEO da Munich Re, Nikolaus von Bomhard, tenta amenizar as críticas do colega. “Depois de vários anos de taxas de juro em baixa, estamos perseguindo a estratégia de obter resultados principalmente com produtos de seguros e resseguros e não através do investimento de capital. Estamos nos esforçando para diversificar ainda mais os nossos investimentos e estamos investindo mais em classes de ativos alternativos, como infraestrutura”, pondera von Bomhard.
De acordo com Stefan Holzberger, director de análises da A.M. Best, agência de classificação de risco especializada no mercado segurador, o setor como um todo está seguindo o exemplo citado pelo CEO da Munich Re e diversificando os portfólios. “O ambiente de baixo rendimento em papeis de governos nos últimos anos levou as empresas a buscarem investimentos alternativos. Os mais conhecidos são empréstimos comerciais diretos, investimentos em projetos de infraestrutura e em energias renováveis. Atualmente, a destinação de capital para essas classes alternativas ainda é pequena no ramo segurador, mas esperamos que a tendência de crescimento continue dadas as atuais dificuldades. Além disso, as empresas serão forçadas a manter maior disciplina nas vendas, passarão a contar mais com os corretores, pois muito pouco ganho virá da carteira de investimentos financeiros”, diz Holzberger.
O analista da A.M. Best atenta para o fato de que as empresas podem também tirar vantagem dos efeitos do quantitative easying do Banco Central Europeu pela perspectiva cambial. Com a enxurrada de recursos chegando de forma artificial, é praticamente certo que o euro perderá valor. A cotação da moeda já vem sofrendo apenas com a expectativa do início das injeções mensais de dinheiro, chegando no menor valor em relação ao dólar em quase dez anos. “A queda do euro significa que grupos seguradores internacionais, com sede na União Europeia, se beneficiarão quando converterem seus ganhos em dólares ou em libras esterlinas, por exemplo, para o euro”, explica Holzberger.
O analista financeiro Michael Heise, da Allianz, acrescenta que as empresas poderão desenhar suas estratégias financeiras com alguma previsibilidade, já que as compras de títulos do BCE têm uma programação mensal e vão fornecer liquidez ao mercado até o final de 2016.
Diante de tanta agitação, um ponto parece ser certo para as seguradoras e resseguradoras da zona do euro: a iniciativa do BCE só confirma que o tempo de rendimentos fáceis ou de dois dígitos no setor financeiro para ser incorporado ao o fluxo de caixa das seguradoras está definitivamente para trás, num passado recente; agora é tempo, mais do que nunca, de focar nos produtos, nos serviços e, como aconselhou o especialista da A.M., nos corretores.
A Argo Seguros, subsidiária do Argo Group Internacional, continua com o processo de contração de novos colaboradores nesse começo de ano. A seguradora acaba de contratar mais três novos profissionais que irão cuidar das áreas Jurídica e linhas Profissionais.
Com experiência em trabalhos desenvolvidos em empresas como Chubb, Itaú Seguros e XL Seguros, Gustavo Galrão, é presidente da comissão de linhas financeiras da Fenseg e chega na Argo como superintendente de Financial Line & Liability; Ana Cristina Montanha, será a mais nova gerente do jurídico da seguradora e traz todo conhecimentos adquiridos nas empresas Generali, Coface, Gouveia Vieira Advogados, White Martins e Emerenciano e Baggio Advogados. E para finalizar as contratações, Gustavo Juliani Boldo, acumula experiências da RSA e BB Mapfre e será o mais novo analista de Compliance Sênior da Argo Seguros no Brasil.
O endurecimento das regras de capital de risco pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) abre espaço para as empresas de resseguro ampliarem a participação no mercado brasileiro, atuando no alívio do estresse de caixa das seguradoras.
Como as mudanças do regulador ampliam a exigência do capital que as companhias precisam manter imobilizados para fazer frente aos riscos do setor, as empresas de seguros têm que buscar recursos no mercado.
É nesse contexto que as resseguradoras, consideradas o “seguro das seguradoras”, aparecem como uma opção, justamente por atuarem assumindo parte dos riscos das empresas de seguro e, consequentemente, reduzindo a necessidade de capital dessas companhias.”A seguradora consegue, através do resseguro, ter soluções de ‘financiamentos’ mais baratas e interessantes que do mercado financeiro”, afirmou Rodrigo Belloube, CEO da operação brasileira da Munich Re, uma das maiores resseguradoras do mundo.
“O que ela [seguradora] paga para nós, como margem da operação, é menor do que ela pagaria para o mercado financeiro”, completou. O executivo afirmou que, em um cálculo feito pela empresa, enquanto uma seguradora pagaria prêmios entre 12% e 14% para se financiar no mercado de capitais, com a emissão de uma debêntures, por exemplo, ao fazer um resseguro para aliviar a necessidade de capital, a companhia arcaria com um prêmio entre 6% e 8%.
Em palestra realizada ontem, no 4º Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro, organizado pela Confederação Nacional de Seguros (CNSeg), José Alberto Pereira, da Susep, apontou que as resseguradoras locais – sediadas no Brasil – estão capitalizadas e podem atender essa demanda.
De acordo com ele, o capital mínimo requerido dessas empresas (ou seja, os recursos exigidos para cobrir riscos) é de R$ 1,75 bilhão, porém elas têm patrimônio líquido ajustado de R$ 5,70 bilhões, gerando um índice de suficiência que fechou em 226% no final do ano passado – em 2013, esse mesmo índice era de 198%.
“[O resseguro] pode atenuar a necessidade de capital, intervir na gestão de risco junto às seguradoras. É um aliado na prática gestão de risco. E isso é algo que será bem aproveitado, principalmente em época em que os capitais não estão tão disponíveis”, observou Pereira.
Riscos
Entre os riscos que exigem capital imobilizado das seguradoras estão o risco de subscrição, provenientes de situações econômicas adversas não esperada pela sociedade, e o risco de crédito, relativo a possibilidade de uma empresa na qual a seguradora investiu dar calote na dívida.
Segundo Pereira, ao fazer um resseguro, o risco de subscrição de uma seguradora diminui em um ritmo muito maior que aumenta o risco de crédito. “Então, o resseguro pode ser usado como um instrumento de gestão de risco”, afirmou o técnico.
Outros riscos que possuem necessidade de capital são o risco operacional, que envolve uma série de riscos enfrentados pela sociedade, e o risco de mercado – cujas regras foram alteradas no final de dezembro pela Susep e podem obrigar o mercador segurador a aportar R$ 3,8 bilhões para fazer frente às novas exigências -, que consiste na possibilidade de perdas decorrentes das flutuações dos mercados financeiros.
“A resseguradora vem procurando sofisticar seu modelo de negócio. A gente não quer somente absorver volatilidade de riscos específico de um portfólio. A gente quer ajudar o nosso cliente, como parceiro estratégico, a melhorar várias facetas da operação de seguros. Uma delas é a utilização de capital”, afirmou Belloube.
As mudanças nas regras de capital de riscos, promovidas pela Susep, procuram aproximar o mercado brasileiro da regulação europeia, nomeada de Solvência II. As medidas do regulador devem estar todas em vigor até o final de 2016.
“Isso, sem dúvida, abre oportunidades para os resseguradores oferecerem produtos e operações de resseguro para aliviar a necessidade de capital das seguradoras nas mais diversas linhas de negócios, principalmente nas linhas que demandam mais capitais”, avaliou José Carlos Cardoso, vice-presidente da resseguradora IRB Brasil Re, a maior do País.
Pereira, da Susep, disse que, além das empresas de resseguro, as seguradoras poderão lançar mão de outras estratégias para atender aos novos requerimentos de capital, como abrir mão de algumas carteiras, vendendo-as para outra companhias, ou até mesmo buscar o mercado de fusões e aquisições. “Sem ter como sanear a necessidade de capital, e empresa terá que fazer a liquidação”, concluiu o executivo da agência reguladora.
Declaração oficial da Seguradora Líder-DPVAT sobre notícia veiculada recentemente, acerca de fraudes cometidas contra o Seguro DPVAT – Seguradora Líder
1) Desde 2010, a Seguradora Líder-DPVAT vem apresentando às autoridades policiais denúncias contra empresas e pessoas envolvidas na prática de fraudes que atingem o Seguro DPVAT. Somente na Comarca de Montes Claros (MG) 115 casos foram formalmente levados ao conhecimento da Polícia Civil para investigação.
2) Essas denúncias integram a política geral de segurança, adotada pela Seguradora em todo o território nacional, visando coibir as práticas criminosas contra o Seguro DPVAT e em prejuízo da população. Essa política inclui a campanha permanente, nos mais diversos meios de comunicação do País, de alerta à população para evitar a utilização de intermediário para o recebimento das indenizações do Seguro DPVAT.
3) Somente em 2014, foram comprovadas pela Seguradora 7.076 tentativas de fraude contra o Seguro DPVAT e, nesse mesmo período, foram oferecidas 4.102 novas representações criminais, que devem resultar em instauração de inquéritos policiais, apresentação de denúncias pelo Ministério Público e sentenças condenatórias. Esses dados constam do balanço anual, publicado pela Seguradora, para conhecimento da sociedade.
4) A recente operação da Polícia Federal, para coibir a prática de fraudes contra o Seguro DPVAT, vem dar consequência a esse esforço, dentro do qual se incluem as iniciativas da Seguradora em Montes Claros.
5) Por essas razões fica evidenciada a contradição: justamente a instituição que sistematicamente combate as fraudes em todo o País é apontada como interessada em promovê-las.
6) A respeito desse caso específico, no dia 10 de março de 2015, o Exmo. Sr. Dr. Juiz da 2ª Vara Criminal de Montes Claros, na única decisão proferida até agora no Processo, não vislumbrou, entre os investigados, quaisquer indícios de envolvimento da Seguradora nem de seus dirigentes.
7) Por tudo isso, devem ser repudiadas as declarações do delegado federal e do promotor de justiça local que, em entrevistas à imprensa, cometeram a imprudência de apontar, sem provas e sequer indícios, a Seguradora Líder-DPVAT como envolvida no esquema fraudulento.
A construção de usinas termelétricas a gás, aproveitando a queda nos preços do insumo para a importação de gás liquefeito, pode ser uma saída mais rápida da que crise enfrentada pelo setor elétrico nacional. O único problema nessa estratégia é vencer as barreiras que eventualmente seriam impostas pela Petrobras, que detém o monopólio natural na distribuição do gás. A recomendação é de Rafael Schechtman, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), que abriu o primeiro painel no 4º Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro, com a palestra “O Desenvolvimento do Mercado de Energia no Brasil”.
“Diante da crise enfrentada pela Petrobras, existe uma chance de ela se desfazer de ativos da malha de gasodutos para se concentrar na exploração e produção de petróleo e viabilizar a distribuição do gás natural por outros competidores”, acredita Schechtman.
Em sua apresentação, o diretor do CBIE discorreu sobre a evolução do modelo regulatório, as crises do setor elétrico nos governos FHC e Dilma, os impactos da MP 479 e os risco de déficit energético. A crise hídrica e o maior acionamento das termelétricas contribuíram para elevar os preços da energia, mas este não é único fator na sua avaliação. Para Schechtman, uma das razões é de origem estrutural provocada por fatores como o fato de toda a governança do setor – CNPE, MME, CMSE, ANEEL, ANP,l EPE, CCEE e NOS – estar relacionada ao governo; a um planejamento errático; a interferência política; e aos impactos provocados pela MP 479 que, na sua avaliação, desarticulou todo o setor em função da equivocada obsessão do governo pela modicidade tarifária apenas na ponta do consumidor.
“O petróleo estava a US$ 120 o barril e o consumo de energia crescia 5% nos setores residencial e comercial. Só isso já devia ser suficiente para o governo ter sinalizado ao consumidor com uma política de elevação do preço, mas o governo preferiu ir a TV anunciar a redução das tarifas de energia”, critica Schechtman. Ele destacou que a importância da energia elétrica para o desenvolvimento do País, crescendo a uma taxa de 4,4% ao ano desde 1983.
“A eletricidade é ligada ao desenvolvimento do país e seu consumo só caiu em 2001 com o racionamento do governo Fernando Henrique Cardoso, e em 2009, com a redução da atividade econômica após a crise de 2008. Mas o Brasil é o décimo maior consumidor, com uma participação de 2% no consumo mundial de energia elétrica. O consumo per capta é de apenas 2,4 kwh, menos que a média mundial e o que faz o país o penúltimo colocado entre os BRICS, a frente apenas na índia. Para chegarmos a consumo per capta de 7kwh da Alemanha, precisaremos investir muito”, ressaltou Schechtman.
Ele apresentou números do sistema elétrico nacional, que é baseado em um modelo hidrotérmico com as hidroelétricas representando, em 2013, 68% da capacidade instalada e 79% da geração efetivamente despachada. A capacidade instalada brasileira é de 133 Gw, comparável à da Itália e a do Reino Unido, com a diferença da extensa malha de transmissão, que atinge 116,8 mil km. Além disso, o sistema nacional conta com a maior capacidade de armazenamento em reservatórios de água do mundo.
“São grandes hidroelétricas distantes dos centros de consumo, num total de 27 usinas, e extensas linhas de transmissão interligando as regiões Sul/Sudeste/Centro Oeste e parte do Norte. Somente 1,7% da geração e da carga estão fora do Sistema Integrado Nacional, na Região Amazônica. E entre os setores de infraestrutura, o setor de energia é o de maior abrangência, com 99% dos lares cobertos”, informou Schechtman.
Ele apresentou dados que mostram a evolução do parque termelétrico. Em 2000, 83% da energia gerada vinha de hidroelétricas, número que caiu para 68% em 2014; enquanto as térmicas passaram de 14% para 26%. Em 2011, as hidroelétricas geravam 91% da energia consumida no país, em 2014 este percentual caiu para 73%. “A escassez hídrica exigiu que se despachasse térmicas a combustíveis fósseis num momento em que o preço do petróleo estava caro. A participação das térmicas no consumo passou de 5% em 2011 para 23% em 2014”, ressalta.
Schechtman, diz que, para piorar este quadro, a obsessão do governo pela modicidade tarifária transformou os leilões de energia em casos de seleção adversa, atraindo empresas sem tradição e com sucessivos atrasos na entrega das obras. De acordo com a programação, de 2015 a 2022 está previsto um acréscimo de 39 GW ao sistema nacional. Mas, desse total, apenas 64,4% (25,3 GW) estão em dia; 23,3% estão atrasados e 12,3% têm gravíssimas limitações, sem previsão de entrada em operação. Para 2015, já entrou no sistema 1,5 GW e até o final do ano devem entrar mais 5,9GW. Em 2016, estão previstos mais 10.9GW.
Outro problema apontado por Schechtman, é que, devido a restrições ambientais, é cada vez mais difícil a construção de hidroelétricas com grandes reservatórios, que têm perdido capacidade. Se antes duravam anos, hoje a duração média de um reservatório cairá de 5,6 meses em 2012 para 5 meses em 2016 e para 3,24 meses em 2022. “Desde 2012, o nível dos reservatórios vem caindo e, em 31 de janeiro, atingimos o menor nível desde 2000, 16,84% de capacidade. Até 2012, a geração das térmicas estava sendo segurada e usou-se ao máximo a capacidade dos reservatórios das hidroelétricas. Com a queda da capacidade, passou-se a acionar as térmicas e o preço disparou”, adverte.
Para Schechtman, o pior de tudo é que se está pagando caro por uma energia sem a segurança do fornecimento. “O risco de déficit de energético é de 4,9% no Sudeste/Centro Oeste e de ‘1,2% para o Nordeste. A chance de racionamento de energia em 2015 é certa. O custo para o setor inclui ainda um déficit de R$ 111,8 bilhões”, conclui.
O seguro de carro, o mais vendido no Brasil quando o assunto é proteger bens, é o alvo da resseguradora local. A estratégia é ofertar às companhias um resseguro para a carteira de seguro automóvel e assim parte do capital destinado às reservas técnicas obrigatórias seja liberado para o crescimento das vendas.
“Ter um contrato de resseguro tem um custo muito menor do que captar por meio de emissão de debêntures ou aumento de capital, explica Rodrigo Belloube, CEO da Munich Re Brasil. “Na emissão de debêntures, a empresa se compromete a pagar Selic mais alguma coisa. Em resseguros, é Selic menos alguma coisa”, afirmou ao blog Sonho Seguro durante o 4o. Encontro de Resseguros que acontece no Rio de Janeiro, com apoio da CNseg.
Trata-se de um mercado significativo, levando-se em conta que o seguro automóvel movimentou vendas de R$ 32 bilhões em 2014. Várias seguradoras atuantes no Brasil tem o seguro de carro como o principal produto comercializado, Entre as principais seguradoras em automóvel temos Porto Seguro, BB e Mapfre, Bradesco SulAmérica, HDI, Liberty, Tokio Marine, Allianz, Yasuda Marítima e Zurich. A BB Seguridade avança em automóvel e a Caixa prepara a sua atuação no segmento.
De acordo com o CEO da subsidiária brasileira do maior grupo ressegurador do mundo, há três negociações em curso no Brasil neste sentido e mais de dez na América Latina. No mundo todo, a Munich Re movimenta cerca de US$ 500 milhões em prêmios (valor pago pelos clientes para ter a cobertura) neste tipo de contrato e o segmento mostra tendência de crescimento por ter um custo menor para as companhias entre as opções existentes para aumentar capital.
Tradicionalmente, o resseguro sempre foi a transferência do risco técnico. Mas com o alto custo de captação de recursos nos mercados financeiros mundiais desde a crise financeira em 2008, o resseguro se tornou um instrumento financeiro para a gestão de capital. A lógica da operação financeira é que o capital requerido pelos riscos dos ativos não muda, mas o capital requerido pelos riscos dos passivos decresce porque uma parte da carteira fica protegida pelo ressegurador.
O executivo explica que o resseguro pode ser usado, além da proteção tradicional, para diminuir as exigências de capital requerido (pelo regulador, agência de rating e casa matriz), ou para obter capital adicional por financiamento de lucros futuros. O resseguro torna-se assim uma ferramenta alternativa para estratégias de gestão de capital.
Para alívio de capital de solvência contratos cota-parte podem ser eficientes. Nesta operação, em que o segurador cede parte de seu risco ao ressegurador, a companhia é capaz de diminuir seu capital em risco e aliviar sua solvência, viabilizando o crescimento de seus negócios. Para atuar nesse segmento, a subsidiária local do maior grupo ressegurador do mundo estruturou uma equipe local especializada em questões de capital, com dois expatriados de Munique junto com colegas brasileiros de diferentes formações.
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