Polícia Federal investiga desvios em seguradoras no RS

Fonte: Jornal Zero Hora

A Polícia Federal (PF) deflagrou operação que apura um suposto desvio de recursos de duas empresas do mercado de seguros, capitalização e previdência no Estado. Ex-administradores teriam lesado as companhias e são suspeitos de crimes contra o sistema financeiro, gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Cinco pessoas, quatro empresários e um advogado, foram conduzidas para prestar esclarecimentos na PF ontem e, depois, liberadas. Os nomes não foram divulgados, tampouco o montante desviado.

A PF cumpriu 10 mandados de busca e apreensão, oito em Porto Alegre e dois em Marau, no Norte. Foram apreendidos nove veículos: duas caminhonetes Land Rover, dois veículos Porsche (um modelo Boxster e outro Panamera), um Audi A5, um Lexus S460S blindado, um i30, um Tiguan e um Mini Cooper. A PF pediu à Justiça o bloqueio de contas bancárias e a indisponibilidade de 16 imóveis, em vários Estados.

A investigação se iniciou em meados de 2014, a pedido do Ministério Público Federal. Conforme o delegado Sérgio Busato, da Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros (Delefin), ex-gestores das companhias contratariam empresas, em nome de laranjas, para prestar serviços às seguradoras a preços superfaturados. Depois, a maior parte do dinheiro iria para o bolso dos ex-gestores.

Há suspeitas de duplicidade de contratos, pagamento por serviços não realizados e compra de imóveis acima do preço de mercado. Em um caso, um ex-gestor teria adquirido para uma seguradora imóvel por R$ 20 milhões que valeria R$ 1,7 milhão.

Os nomes dos envolvidos estão sob segredo de Justiça.

Swiss Re prega parceria com o setor público

11107180_10205119867051240_7542284313610699032_nFonte: DCI

As ferramentas do mercado de seguros podem trazer mais estabilidade para o desenvolvimento econômico, ajudando no planejamento estratégico e no controle de crises, afirmou Michel Liès, CEO da Swiss Re, uma das maiores resseguradoras globais.

“Quando se pensa em que os instrumentos de seguro poderiam aportar para os responsáveis políticos, é uma pena [que sejam tão mal utilizados]. Eu acho que realmente tem um problema de reconhecimento do setor de seguro, até por culpa da gente”, disse ontem, no 4 º Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro, organizado pela Confederação Nacional de Seguros (CNSeg).

“Nós temos que trabalhar mais para o setor político, para que ele entenda que nossos instrumentos podem ajudar em certa estabilidade do desenvolvimento econômico”, completou o diretor executivo.

Em sua palestra, o executivo da Swiss Re expôs uma transação de US$ 450 bilhões feita pela Swiss Re e a Allianz junto ao governo e à UTE (estatal Uruguai de geração hidrelétrica) para segurar o risco de seca do país.

A apólice, que foi iniciada em janeiro de 2014 e vence em junho deste ano, cobre a compra de energia alternativa quando as secas causarem a falta de energia hidrelétrica. Questionado pelo DCI se o modelo poderia ser aplicado no Brasil, para ajudar a contornar a crise vivida pelo setor energético no País, o executivo disse que poderia ser utilizado “sem nenhum problema”.

“Claro que se pode aplicar. Eu acho que se o governo pode eliminar os potenciais motivos de uma crise de uma bacia hidrelétrica e se segurar, isso seria um grande passo. Eu acho que o governo tem várias coisas que tem planejar, e que a gente pode ajudar”, afirmou o CEO. “Outras dependem da mãe natureza”, brincou.

Segundo Liès, as resseguradoras são um parceiro estratégico dos governos em tempos de catástrofes e crises, sejam elas naturais ou causadas pelo homem. Dados apresentados pelo CEO mostram que, no ataque ao World Trade Center, nos EUA, em 2001, as resseguradoras cobriram entre 50% e 60% dos ativos segurados. Mais recentemente, nos terremotos que atingiram o Japão e a Nova Zelândia, em 2011, contavam com resseguro 40% e 70% dos ativos cobertos.

Entre os desastres naturais a que o Brasil está sujeito, as enchentes e inundações são os principais riscos, conforme aponta Liès. “Acreditamos que as resseguradoras podem contribuir com o governo para lidar com esses riscos. Nós temos um mapeamento, em tempo real, das condições climáticas dos países da América Latina e sabemos as regiões que apresentam maior risco”.

Susep estuda norma para regulamentar retrocessão

4o_resseg_menezes_gdFonte: CNseg

Seguradoras interessadas em aceitar riscos em retrocessão não devem esperar apenas a regulamentação em curso pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) mas, sim, em primeiro lugar, verificar se essa operação está prevista em seu estatuto e, principalmente, se preparar para obter cobertura de hedge, se quiser aceitar riscos do exterior. O alerta é de Eduardo Menezes, superintendente executivo da Bradesco Auto/RE, um dos debatedores do painel “Retrocessão para Seguradoras” durante o 4º Encontro de Resseguros do Rio de Janeiro.

O painel foi aberto pela palestra de Diogo Ornellas Geraldo, coordenador de resseguros da Susep, que destacou que a aceitação de retrocessão por seguradoras, embora já prevista em lei, ainda carece de regulamentação especifica. A retrocessão foi estabelecida na Lei Complementar 126 e na Resolução 168/2007. “Não existe nada mais do que esses dois dispositivos, daí a necessidade de se buscar regulamentação específica. Desde o segundo semestre de 2014, a Susep conduz um grupo de trabalho para discutir os critérios e condicionantes da regulamentação. A iniciativa atende à demanda de seguradoras interessadas em negócios no exterior”, informa Geraldo.

Ele explica que a Susep enxerga que o mercado de retrocessão é muito pequeno. Dos R$ 164 bilhões em prêmios do mercado brasileiro em 2014, apenas R$ 33 milhões foram relativos a retrocessão, o equivalente a 0,02%. Em nível internacional, dos R$ 4,6 trilhões em prêmios em 2012, apenas 5% ou US$ 230 bilhões vieram de resseguro e a retrocessão é apena 7% desse valor, somando globalmente US$ 16 bilhões, segundo dados da IAIS (Associação Internacional de Supervisores de Seguros). “A tendência do mercado de retrocessão é de queda, pela maior retenção de riscos por parte de seguradores e resseguradores e pela maior seletividade do risco. Um dos fatores é o histórico de perdas como o que atingiu o Lloyds em 1988 com prejuízos de 8 bilhões de libras e o pool de seguradoras de acidentes de trabalho nos EUA em 1992, que sofreram perdas de US$ 2 bilhões”, lembra Geraldo.

Ele conta que entre os fatores em análise pelo grupo de trabalho que discute a regulamentação na Susep está a distinção regulamentar entre seguro e resseguro, a diferença de regras entre os dois segmentos, inclusive as de capital, lembrando que o ressegurador local tem de ter um capital mínimo de R$ 60 milhões e, com a retrocessão, seguradoras com muito menos capital poderão assumir os mesmos riscos. E, por fim, discute-se qual teria sido a intenção do regulador em prever a transferência de risco. Uma das possibilidades aventadas teria sido o temor do regulador à época da abertura do mercado de resseguro de não haver capacidade no mercado. O tempo mostrou que o temor era infundado, pois o mercado brasileiro conta com 120 resseguradoras e excesso de capacidade.

“Hoje, o principal interesse é o fomento de negócios com o exterior. A Susep deve estimular o processo de internacionalização das empresas”, defende o coordenador de resseguros da Susep. Entre os aspectos que preocupam na discussão está o risco em espiral, que pode ocorrer pela sucessiva transferência de risco entre seguradoras e resseguradoras e, em dato momento, o risco ser novamente oferecido em retrocessão à seguradora original sem que ela saiba disso. “Tanto a IAIS quanto a Susep avaliam se será necessário constituição de capital específico para risco em espiral e provisão específica para sinistros em espiral.

Discutimos também se os contratos de proteção deveriam prever exclusão de riscos aceitos em retrocessão ou se vamos considerar isso um item da relação comercial entre as partes. Outro aspecto é se será estabelecido um limite de aceitação para a retrocessão, pois hoje não há qualquer limite nem na lei nem na resolução. O fato é que não haver limite pode gerar uma arbitragem regulatória, caso as operações de retrocessão aceitas ganhem representatividade. Mas deve haver flexibilidade por parte da Susep para que as seguradoras possam ter aceitação de negócios específicos” acrescenta.

A Susep também avalia se os contratos de retrocessão terão a aplicação dos dispositivos regulamentares do resseguro como as cláusulas de liquidação, insolvência, intermediação, jurisdição e prazos. Outra possibilidade é verificar a possibilidade de dispensa de determinadas cláusulas em contratos oriundos do exterior. “Esperamos concluir os trabalhos nos próximos meses. Hoje, há uma série de divergências. Mas vamos produzir um relatório que será encaminhado ao Conselho Diretor e, a partir daí, cria-se um normativo regulamentando o assunto. E, se mais tarde houver necessidade, faremos novos ajustes”, conclui Geraldo.

Rodrigo Botti, representante da Terra Brasis Resseguros, apresentou no painel a posição oficial da Federação Nacional das Empresas de Resseguros (Fenaber). Para a entidade, o assunto é mais amplo do que parece ser a simples aceitação de retrocessão por seguradoras e seria uma oportunidade de se regulamentar outros tipos de operações e transações entre outras empresas que vêm atuando no país sem serem resseguradora local, admitida ou eventual. Para a Fenaber, deve também haver incentivos à aceitação de riscos vindos do exterior. E, por fim, a entidade defende a isonomia entre seguradoras e resseguradoras que atuem com transferência de risco.

Voz do Empreendedor estreia nas regionais do Sincor-SP

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A reunião “Voz do Empreendedor” estreou hoje (15/04) na Regional Zona Sul, em São Paulo, reunindo dezenas de corretores para acompanhar apresentação de executivos da SulAmérica: o diretor Comercial, Luciano Lima, e o gerente da Filial Bandeirantes, Egberto Sabóia.

O objetivo do Sincor-SP é promover encontros entre corretores de seguros e representantes de seguradoras e empresas do mercado. Já estão programadas as seguintes participações: Mapfre (Regional Centro, em 17/04), Bradesco Seguros (Regional Jundiaí, em 23/04), Tokio Marine (Regional Zona Oeste, em 24/04), SulAmérica (Regional Osasco, em 24/04), HDI Seguros (Regional Zona Leste, em 28/04), Renaseg (Regional São José do Rio Preto, em 29/04) e Bradesco Seguros (Regional ABCDMR, em 30/04).

O presidente do Sincor-SP, Alexandre Camillo, avalia que o evento se projeta como canal de interlocução dinâmico e construtivo, trazendo as novidades do mercado aos corretores de seguros e fortalecendo o papel do Sindicato como entidade que está sempre pronta para criar o ambiente favorável à expansão dos negócios da categoria em todo Estado de São Paulo.

“A nossa expectativa é contar com número crescente de participantes, proporcionando relacionamento e informação e alavancando o desenvolvimento das carteiras, a fim de delinearmos juntos os caminhos da nossa profissão”, diz Camillo.

Programa Seguro entrevistará mentor do CCS-SP, Adevaldo Calegari

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No próximo domingo, 19 de abril, o Programa Seguro, apresentado por Boris Ber na TV Gazeta às 20h30, levará ao ar a entrevista com o mentor do Clube dos Corretores de Seguros de São Paulo (CCS-SP), Adevaldo Calegari. Durante a entrevista, ele falará sobre a história e os propósitos da entidade, que completará 43 anos de existência neste ano, destacando, especialmente, o ativo intelectual do seu quadro de associados.

“No Clube dos Corretores de São Paulo, é muito comum usarmos a expertise de nossos associados. O mercado possui grandes especialistas em diversas áreas e costumamos nos consultar com esses profissionais sempre que temos alguma dificuldade em nossa atividade”, diz.

Na entrevista, Calegari também tratará do assunto microsseguro, esclarecendo sobre o conceito e o potencial. “Não é lícito dizer que microsseguro é subproduto ou produto menor, longe disso. Microsseguro é um produto completo, inteiro, para um público específico”, diz.

Para ele, as chances de desenvolver o produto são grandes, considerando a enorme massa de brasileiros que ascendeu de classe social nos últimos anos e que passaram a ter novas necessidades, inclusive de seguros. “Significa que teremos uma enorme parcela da população ávida por esse tipo de proteção”, diz.

Calegari, que também é diretor de Microsseguros da APTS, está coordenando, no momento, o Café da Manhã “Microsseguros: uma visão atualizada no Brasil e no mundo”, em conjunto com a ANSP. O evento será realizado no dia 29 de abril, entre 8h30 e 11h30, no auditório do Sindseg-SP, na Av. Paulista, 1.294, 4º andar.

Mais sobre o Programa Seguro nos sites http://www.programaseguro.com.br/ e https://www.facebook.com/ProgramaSeguro

Seguro agrícola é oportunidade para o mercado, afirma Wady Cury

Fonte: Revista Apólice – Kelly Lubiato

wady curyO seguro agrícola traz estabilidade econômica ao produto rural e é indutor do desenvolvimento de tecnologia no campo. Ele colabora para a manutenção do emprego e protege a produção e a renda do produtor rural, equalizando o orçamento do Governo. A subvenção ao prêmio incentiva a demanda pelo seguro agrícola e garante a sua expansão e continuidade, propiciando a evolução e o desenvolvimento de novos produtos.

Wady Cury, diretor de seguros rurais do Grupo BB e Mapfre, disse em paínel sobre o tema no 4o Encontro de Resseguros, realizado nos dias 14 e 15 de abril no Rio de Janeiro, com apoio da CNSeg, que “é interessante que haja uma equalização dos números e isso acontece com o Fundo de Catástrofes, que incentiva a oferta de produtos e capacidade pelas seguradoras e resseguradoras e garante a expansão e a continuidade do seguro agrícola”.

No Brasil, há uma legislação agrícola que aprovou a subvenção ao prêmio em 2006. Algumas companhias operam na carteira, que cresceu quase 20 vezes após a aprovação da lei da subvenção, nos últimos 8 anos. Entre 2013 e 2014, o Governo liberou R$ 557 milhões em subvenção e este valor só não foi maior por conta de uma dotação orçamentária do congresso não ter sido liberada.

Cury acrescentou que o que fará a disponibilidade de seguro crescer é a consolidação das informações que estão pulverizadas, porque elas são de fundamental importância para possibilitar a entrada de novos players, tanto de seguro quanto de resseguro, no mercado. “É preciso unir os dados, transformar em informações sobre as culturas, clima, sinistralidade etc, para que cada companhia faça delas conhecimento para aplicar nos produtos”. Ele ressaltou que para haver investimento por parte das empresas é imprescindível haver escala.

Pesquisa da KMPG revela desafios para aprimorar a oferta de resseguro

cnseg botti e joaoPara ter um mercado de resseguros mais inovador e dinâmico, as seguradoras encomendaram uma pesquisa para identificar pontos de conflitos e quais as sugestões dos executivos para melhorias. O resultado foi apresentado ontem no painel “O presente e o futuro do resseguro no Brasil”, no 4o. Encontro de Resseguros, realizado nos dias 14 e 15 de abril, no Rio de Janeiro.

“O trabalho teve como objetivo contribuir na análise do desenvolvimento do mercado brasileiro de resseguros desde a abertura em abril de 2008 e apontar os desafios que teremos pela frente”, disse João Francisco Silveira Borges da Costa, CEO da HDI Seguros, ao apresentar para uma plateia de 500 pessoas o estudo encomendado a KPMG a pedido da Associação Brasileira das Companhias de Seguros Internacionais (ABCSI).

A maioria dos entrevistados concorda que as seguradoras se tornaram mais lucrativas e solventes com a abertura do resseguro, mas perderam margem de negociação, pois o fim do monopólio trouxe a premissa do mercado aberto: o exercício de aceitar e negar riscos. Cerca de 80% acharam que a regulamentação trouxe intranquilidade, o que se observou na quantidade de riscos não aceitos, chamados no jargão do setor como “riscos declináveis”.

Quanto a reserva de mercado estabelecida pela regulamentação, com 40% dos contratos tendo de ser ofertados para as resseguradoras locais, 60% dos entrevistados concordam parcialmente que um grau de reserva de mercado seja necessária. Ter profissionais mais qualificados é a sugestão de 60% dos participantes, o que abrange tanto profissionais de seguros, resseguros como corretores, que são usados em 80% dos contratos. Apenas 20% dos participantes disseram realizar negócios sem um corretor. “Há uma clara preocupação quanto a qualificação dos profissionais, tanto de seguradoras, como resseguradoras e corretores”, ressaltou Borges.

Mais de 60% dos entrevistados afirmaram que é preciso melhorar a competitividade do segmento de resseguros e 80% dos participantes concordam que é necessário melhorar serviços e ofertas de produtos para acirrar a disputa pelos contratos. Sobre as perspectivas para os próximos 3 a 5 anos, a resposta foi positiva. Cerca de 71% concordam que haverá uma oferta maior de produtos e serviços. Em relação aos investimentos para os próximos 5 anos, as companhias informaram que vão canalizar recursos para o treinamento, o desenvolvimento de pessoas e aquisição de sistemas de melhorias operacionais.

Quais os desafios para o futuro, os corretores citaram a regulação mais rígida, maior controle pelo regulador e a necessidade de melhor qualificação dos serviços prestados. Já os resseguradores citaram o cenário de concorrência mais acirrada e a falta de profissionais mais qualificados.

Entre os principais desafios do ambiente regulatório, a reserva de mercado, que impõe um custo adicional a oferta de produtos, e a tributação do setor foram os pontos mais citados na pesquisa da KPMG. Já no ambiente concorrencial, os entrevistados citaram que o desafio está em manter o equilíbrio entre ofertas agressivas e a escolha de parceiros realmente técnicos que ofertem condições de tornar o contrato rentável. Também citaram que manter as parcerias no longo prazo é um dos desafios a serem perseguidos.

“Demos um grande passo na abertura do mercado e agora precisamos ousar mais. Ambicionar mais. Temos condições de transformar o Brasil e o Rio de Janeiro em um polo de resseguros na América Latina. Mas para isso é preciso aperfeiçoar a operação de resseguro e qualificar mais os nossos profissionais”, disse Paulo Botti, CEO da resseguradora local Terra Brasis ao comentar as lições trazidas pela pesquisa apresentada. “O resseguro abriu 700 novos postos de trabalho e 90% das pessoas na área tem nível superior. É a indústria de mais alto nível de instrução em todas as indústrias”.

Botti ressaltou que o Brasil tem um mercado forte, competitivo, sólido e com capacidade técnica crescente. O que mais pode melhorar?, indaga o executivo. “’É preciso que todos tenham uma função inovadora e educacional, processos integrados de mercado, resultados financeiros, ajustes da regulamentação e práticas de mercado”, sugere, citando os trabalhos realizados por sua companhia, a Terra Brasis, que já realizou cursos de resseguro para 300 funcionários de seguradoras, desenvolveu um mapa de catástrofes online para gerar estatísticas para melhorar a precificação de riscos, e o estudo analítico sobre os dados financeiros das resseguradoras divulgados pela Susep, conhecido como Terra Report.

AMBest quer avançar na emissão de rating para seguros no Brasil

cnseg bottiA A.M.Best faz cerca de 4 mil ratings de empresas do mercado segurador em 80 países. No Brasil são apenas sete: Allianz, Austral, BTG, IRB Brasil RE, JMalucelli Seguradora, JMalucelli Resseguradora eTerra Brasis. Segundo Tina Bukow, que participou do painel “Assuntos Correntes de Resseguro no Brasil”, é importante que as seguradoras e resseguradoras adotem a classificação da força financeira do grupo. “Nos mercados emergentes, as empresas têm interesse em serem classificadas para ajudar no risco pais”, afirmou durante a sua apresentação no 4o. Encontro de Resseguros, realizado no dia 14 e 15 no Rio de Janeiro, com apoio da CNseg. “Os investidores olham para o Brasil, mas querem entender melhor as questões politicas e econômicas e como isso pode impactar nos Jogos Olímpicos”, comentou.

Segundo ela, neste momento de volatilidade econômica e política pela qual passa o Brasil, é importante que as empresas tenham suas classificações para que os investidores saibam da força financeira dos grupos, independentemente da classificação do país. “A classificação não ajuda só as empresas e sim o segmento e o país”, garante. Há três anos, conta a A.M.Best tinha 11 classificações de seguradoras na América Latina. “Hoje temos 33 empresas classificadoas, pois a nossa metodologia ajuda muito a trazer investimentos para o segmento, o que, consequentemente, ajuda a melhorar a classificação dos países”, afirma.

Veja as principais perguntas e respostas do painel:

Paulo Botti – Como é o processo de rating de uma companhia?

O processo pode ser bastante intenso, mas não tão oneroso. Tem de enviar dados que já tem estão em um ambiente regulatório. Um analista é designado e se reúne com a empresa. Pode até mesmo ser uma vídeo conferência. Depois de aceitar, a empresa recebe uma visita do analista. Faz a recomendação e leva os dados para um comitê de classificação, que define o rating. O resultado final pode ser acima ou abaixo da feita pelo analista. Se o cliente aceitar, a classificação se torna pública. Se não aceitar, a nota é classificada como confidencial e não é divulgada. A empresa pode também entrar com recurso junto ao analista para revisão da decisão do comitê. Às vezes o comitê acha que o capital é baixo entre outras informações básicas que levaram a compor a nota e isso pode ser revertido se a empresa tomar algumas atitudes pontuais para melhorar o banco de dados coletado. O processo todo leva em média de 8 a 10 semanas.

Quantas empresas são do ramo vida?

Das 4 mil classificadas por nós, metade é do segmento vida e de saúde.

Como a AMBest cobra pelo serviço de rating?

As tarifas cobradas são de acordo com o tamanho da seguradora. Geralmente é um percentual em cima do prêmio para as que atuam em ramos elementares e um percentual do ativo das seguradoras de vida. Outro componente levado em conta no custo do rating é a complexidade do organograma da empresa. O valor vai depender de quantas empresas teremos de analisar para saber o impacto que podem causar no financeiro do grupo.

Impacto do quantitative easying do Banco Central Europeu na indústria re/seguradora

Fonte: Revista Apólice 196 – Coluna Direto de Londres, por Luciano Máximo, jornalista, é repórter licenciado do jornal Valor Econômico, cobriu o setor de seguros e resseguros na Gazeta Mercantil

bolsaO ano de 2015 começou agitado para as companhias de seguros e de resseguros da Europa. Preocupado com a estagnação econômica que toma conta da zona do euro já há alguns anos e com o fantasma da deflação que ronda o Velho Continente, o Banco Central Europeu (BCE) anunciou em janeiro um plano financeiro superambicioso de compra de títulos das dívidas públicas dos países com o objetivo de injetar dinheiro na economia – o chamado quantitative easying. Quanto? 1,1 trilhão de euros até setembro de 2016. A ideia é que essa dinheirama toda, quase metade de todo o PIB brasileiro, estimule a geração de investimentos e empregos e faça o povo europeu consumir mais, aquecendo a economia e mandando o risco de deflação para bem longe. Em resumo, a autoridade monetária vai imprimir euro a se perder de vista com a esperança de que este trilhão gire as rodas da economia com alguma vitalidade.

E o que tudo isso tem a ver com a indústria seguradora e resseguradora europeia? É que boa parte do dinheiro que as empresas recebem dos prêmios de seguros e resseguros vai para investimentos financeiros, formando reservas imensas para garantir que não falte na hora de honrar os sinistros. Muitos desses investimentos são em títulos de governos, os mesmos que o BCE está atrás. O quantitative easying é um dos temas mais falados do momento no setor e continuará sendo por um bom tempo. O que todos estão querendo descobrir é qual o impacto para as empresas, como o movimento do BCE afetará a carteira de investimento delas, já afetadas por retornos baixos nos últimos anos, devido à taxa de juros perto do zero na zona do euro.

Martin Senn, CEO global da Zurich, uma das maiores seguradoras europeias, com lucro operacional de US$ 4,6 bilhões em 2014, adiantou que não venderá nada para o BCE pois prefere esperar que os títulos em posse da companhia “fiquem maduros” antes de colocá-los à disposição do mercado. O problema em simplesmente vender, segundo Senn, é o próximo passo: em que investir depois, já que os títulos de governos são os mais seguros, mas oferecem retorno muito baixo, em muitos casos até retorno negativo. Por isso, ele classifica o atual momento para o setor de seguros na Europa de desafiador.

“Os desdobramentos [das medidas do BCE] são desafiadores para a indústria como um todo. Nós prevemos taxas de juros em queda por algum tempo e isso traz um desafio para a gente, pois boa parte do retorno financeiro das seguradoras está nos títulos públicos”, comenta Senn.

Onde o executivo da Zurich vê um cenário desafiador, o chefe da área financeira da Munich Re, Jörg Schneider, enxerga um quadro de risco. Para ele, a ação do BCE é errada e vai forçar investidores institucionais, como seguradoras e resseguradoras, a outras opções de investimentos, mais arriscadas. “Eu acho que a política do BCE de comprar títulos do governo está errada. Poupadores e investidores institucionais de longo prazo são atingidos em igual medida, sendo conduzidos a formas mais arriscadas de investimento. Além disso, essa política não fornece suficiente certeza de efetividade, colocando o BCE numa situação de esgotamento de sua munição antes de dar oportunidade à economia europeia demonstrar seu potencial de recuperação”, opina Schneider.

Um executivo de uma importante seguradora inglesa, que prefere não se identificar, diz que a nova política do BCE é má notícia para o setor e tornará mais complicado o cumprimento das regras de Solvência 2, que obriga as empresas a terem maior reserva de capital. “A viabilidade de muitas seguradoras do ramo de property & casualty dependem de um bom retorno e elas estão sob pressão maior agora, pois precisarão realocar investimentos para dar conta das demandas exigidas pelas regras de Solvência 2. Será preciso, em primeiro lugar, continuar a construir e gerenciar carteiras diversificadas, incorporar oportunidades fora da Europa e, por último, olhar para cinco premissas de investimento: crédito, liquidez, duração, alavancagem e estrutura. O setor segurador europeu terá muito trabalho do lado financeiro neste ano, sem poder descuidar do essencial, que é a comercialização de produtos e oferta de serviços sempre melhores”, analisou a fonte.

Diversificação de investimentos parece ser a bola da vez num contexto de quantitative easying e taxas de retorno financeiras em baixa. O CEO da Munich Re, Nikolaus von Bomhard, tenta amenizar as críticas do colega. “Depois de vários anos de taxas de juro em baixa, estamos perseguindo a estratégia de obter resultados principalmente com produtos de seguros e resseguros e não através do investimento de capital. Estamos nos esforçando para diversificar ainda mais os nossos investimentos e estamos investindo mais em classes de ativos alternativos, como infraestrutura”, pondera von Bomhard.

De acordo com Stefan Holzberger, director de análises da A.M. Best, agência de classificação de risco especializada no mercado segurador, o setor como um todo está seguindo o exemplo citado pelo CEO da Munich Re e diversificando os portfólios. “O ambiente de baixo rendimento em papeis de governos nos últimos anos levou as empresas a buscarem investimentos alternativos. Os mais conhecidos são empréstimos comerciais diretos, investimentos em projetos de infraestrutura e em energias renováveis. Atualmente, a destinação de capital para essas classes alternativas ainda é pequena no ramo segurador, mas esperamos que a tendência de crescimento continue dadas as atuais dificuldades. Além disso, as empresas serão forçadas a manter maior disciplina nas vendas, passarão a contar mais com os corretores, pois muito pouco ganho virá da carteira de investimentos financeiros”, diz Holzberger.

O analista da A.M. Best atenta para o fato de que as empresas podem também tirar vantagem dos efeitos do quantitative easying do Banco Central Europeu pela perspectiva cambial. Com a enxurrada de recursos chegando de forma artificial, é praticamente certo que o euro perderá valor. A cotação da moeda já vem sofrendo apenas com a expectativa do início das injeções mensais de dinheiro, chegando no menor valor em relação ao dólar em quase dez anos. “A queda do euro significa que grupos seguradores internacionais, com sede na União Europeia, se beneficiarão quando converterem seus ganhos em dólares ou em libras esterlinas, por exemplo, para o euro”, explica Holzberger.

O analista financeiro Michael Heise, da Allianz, acrescenta que as empresas poderão desenhar suas estratégias financeiras com alguma previsibilidade, já que as compras de títulos do BCE têm uma programação mensal e vão fornecer liquidez ao mercado até o final de 2016.

Diante de tanta agitação, um ponto parece ser certo para as seguradoras e resseguradoras da zona do euro: a iniciativa do BCE só confirma que o tempo de rendimentos fáceis ou de dois dígitos no setor financeiro para ser incorporado ao o fluxo de caixa das seguradoras está definitivamente para trás, num passado recente; agora é tempo, mais do que nunca, de focar nos produtos, nos serviços e, como aconselhou o especialista da A.M., nos corretores.

Argo Seguros contrata novos colaboradores para reforçar seu time

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A Argo Seguros, subsidiária do Argo Group Internacional, continua com o processo de contração de novos colaboradores nesse começo de ano. A seguradora acaba de contratar mais três novos profissionais que irão cuidar das áreas Jurídica e linhas Profissionais.

Com experiência em trabalhos desenvolvidos em empresas como Chubb, Itaú Seguros e XL Seguros, Gustavo Galrão, é presidente da comissão de linhas financeiras da Fenseg e chega na Argo como superintendente de Financial Line & Liability; Ana Cristina Montanha, será a mais nova gerente do jurídico da seguradora e traz todo conhecimentos adquiridos nas empresas Generali, Coface, Gouveia Vieira Advogados, White Martins e Emerenciano e Baggio Advogados. E para finalizar as contratações, Gustavo Juliani Boldo, acumula experiências da RSA e BB Mapfre e será o mais novo analista de Compliance Sênior da Argo Seguros no Brasil.