O executivo José Luís da Silva está de volta ao mercado segurador depois de uma breve parada. O e- diretor estatutário da Porto Seguro Seguros assumiu nesta semana a diretoria estatuária da Europ Assistance com a missão de apoiar na venda, desenvolvimento de novos produtos e marketing. A Europ Assistance está presente em 35 países com faturamento de € 1,4 bilhão e no Brasil atende a 60 clientes corporativos entre montadoras,varejistas, cartões e seguradoras, com 17 milhões de usuários finais sendo 4 milhões no produto assistência a automóveis e 4 milhões no assistência a residencies.
A Europ Assistance cuida de mais de 300 milhões de pessoas ao redor do mundo. Com 8.000 funcionários e 35 empresas locais atuando na área, o Grupo desenvolveu um sistema internacional que coloca em ação sua visão inovadora e pioneira em Care Services, sustentado por uma rede intrínseca de 425 mil parceiros.
Em 1996, a Europ Assistance inaugurou a sucursal brasileira. As atividades da Europ Asssistance Brasil tiveram início na cidade do Rio de Janeiro, com a participação de, aproximadamente, 20 funcionários. Hoje a empresa tem como acionista o Grupo Bradesco Seguros, além do Grupo Europ Assistance. Em 2006 foi inaugurada em São Paulo uma sucursal, onde atualmente estão concentradas as estruturas operacionais e administrativas. A Europ Assistance Brasil é hoje líder no mercado de assistência do país, em um ranking de oito operadores.
A Brasilcap traz de volta ao Rio de Janeiro, a partir do dia 17 de abril, no Teatro João Caetano, o espetáculo que narra a história do dono de uma das mais controversas histórias da música brasileira, Wilson Simonal. Após morrer em uma espécie de exílio artístico, o astro tem sua trajetória contada em ‘S´imbora, o musical – a história de Wilson Simonal’, um dos grandes sucessos da temporada teatral carioca de 2015, sendo visto por mais de 30 mil pessoas, com todas as sessões esgotadas. O êxito foi tamanho que o espetáculo faz nova estreia. Apesar de sua vida polêmica, Simonal tem uma obra atemporal, como comprova o sucesso do musical, que tem texto de Nelson Motta e Patrícia Andrade e direção de Pedro Brício .
Ícaro Silva vem colecionando elogios da crítica no papel-título. O ator já viveu nos palcos outro ícone da música brasileira, Jair Rodrigues, em ‘Elis, a musical’, também da autoria de Nelson Motta e Patrícia Andrade. Ícaro se destacou ainda em ‘Rock´n´Rio – o musical’ e em espetáculos como ‘R & J de Shakespeare’. Para concorrer ao papel-título, mais de 1000 atores mandaram material, sendo selecionados 100 para as audições, onde foi escolhido o protagonista.
Nelson Motta, Patrícia Andrade e Pedro Brício fizeram uma série de reuniões e trocaram muitas ideias até chegarem ao formato final do musical. “Queríamos descobrir que espetáculo fazer, o que focar na história do Simonal. Tem muitas atmosferas dramáticas, porque a vida dele foi assim. Fazemos um resgate do riquíssimo repertório dele, mostrando essa figura improvável, pobre, negro, que se tornou o maior astro popular do país, fazendo música de altíssima qualidade. Ele é um personagem único”, exalta Pedro.
O musical, contudo, não se furta a falar sobre a decadência de Simonal, condenado a um “exílio” involuntário, e toca nos temas polêmicos que cercaram a carreira do artista, sem tomar partido. “Ele é um mistério, não é um herói romântico, pelo contrário. É uma figura contraditória, com múltiplas facetas, mas a peça não faz um julgamento. O espetáculo tem essa riqueza, essa multiplicidade: vai da ascensão absoluta do primeiro artista negro pop à sua total decadência”, define o diretor.
‘S´imbora, o musical – a história de Wilson Simonal’ segue para São Paulo em junho, no Teatro Cetip, para curtíssima temporada até o final de julho. A montagem ainda traz na ficha técnica nomes como Renato Vieira (coreografia) e Rico Vilarouca (projeções), em uma realização da Planmusic, com patrocínio da Cielo e apoio cultural da Bolt e Taesa.
SERVIÇO:
‘S´IMBORA, O MUSICAL – A HISTÓRIA DE WILSON SIMONAL’
“Toda empresa deve conduzir sua auto-avaliação de risco, não devendo se basear apenas na regra da Susep, mas sim saber sua atual posição de risco e solvência”, defendeu José Roberto Rodrigues, coordenador de monitoramento de riscos da Superintendência de Seguros Privados (Susep). Rodrigues abriu o painel sobre Necessidade de Capital, no 4º Encontro de Resseguros do Rio de Janeiro, abordando a importância sistêmica do resseguro, o modelo de auto avaliação de risco e solvência do ORSA (Own Risk and Solvency Assessment – Avaliação dos próprios riscos e solvência), e o monitoramento de solvência da Susep.
“O objetivo do monitoramento de solvência é assegurar a estabilidade financeira do sistema por meio da proteção do segurado e da eficiência do mercado segurador”, destacou Rodrigues. Ele explica que são considerados e monitorados três tipos de riscos. Os riscos microprudenciais são os que envolvem apenas uma empresa isoladamente. Os riscos macroprudenciais atingem um segmento do mercado, como o aumento da expectativa de vida, que gera riscos para o segmento de previdência, mas não atinge outros ramos. E, por fim, os risco sistêmicos, que afetam todo o setor. Entre os riscos sistêmicos estão a volatilidade das taxas de juros, as mudanças no comportamento do consumidor, a pressão inflacionária, a longevidade, o risco legal e o risco cibernética.
“A supervisão baseada em riscos tenta mitigar todos esses riscos por meio de normas e estímulo a boas práticas. Alguns desses riscos não são simples de modelar e quantificar e não há capital que de conta”, afirmou. Ele ressaltou que nem sempre a empresa deverá aumentar o seu capital para fazer frente aos requisitos regulatórios, podendo implementar mecanismos que mitiguem os riscos, reduzindo as necessidades de capital. “É preciso combinar capital com boas práticas e governança, de forma a mitigar os riscos”, recomenda.
Rodrigues explicou que a publicação da regulamentação de Risco de Mercado encerrou a série de regulamentações de riscos quantitativos do modelo de Supervisão Baseada em Riscos que envolve aspectos financeiros, econômicos, de governança e de gestão de riscos. O Risco de Mercado deve entrar em vigor em 31 de dezembro de 2016 e, ao lado dos riscos de supervisão, de crédito e operacionais, compõe o conjunto que envolve o modelo de Supervisão Baseada em Riscos, adotada pela Susep.
O coordenador de monitoramento de riscos da Susep ressalvou que a regulamentação é baseada em modelo de capital, que, como modelo, não é fiel à realidade e em algum momento vai apresentar alguma deficiência. O modelo proposto pela Susep representa uma média na qual algumas empresas estarão acima e outras abaixo. Por isso a importância da auto-avaliação.
A Solvência é baseada em três pilares, disse ainda. O quantitativo com provisionamento e requisitos de capital; o qualitativo com governança, controles e supervisão; e a divulgação e reporte ao público. Com a supervisão baseada em riscos, o modelo ficou mais complexo e deve atender a alguns princípios. Todos os ativos devem ser marcados a valores de mercado. É preciso haver uma melhor estimativa de passivos para apurar uma margem de risco e capital disponível. Por isso é exigido um mínimo de 20% de liquidez em relação ao capital de risco.
Para Rodrigues, em termos de risco sistêmicos, as seguradoras são mais críticas, enquanto o resseguro tem uma importância sistêmica por fazer um link entre todos os riscos do mercado e atuar como um canal de centralização de riscos. “O resseguro é um aliado na prática de gestão de risco. E não há precedente histórico de quebra de resseguradora”, observa.
Frederico Knapp, representante da Suiss RE, questionou Rodrigues sobre como será conduzido o monitoramento das empresas que optarem pelo ORSA. O representante da Susep informou que será adotado o princípio da proporcionalidade, exigindo o modelo apenas de algumas empresas, ressaltando que as demais também poderão adotá-lo facultativamente.
Outro questionamento de Knapp é se as pequenas empresas que não conseguirem se adequar às novas necessidades de capital terão de recorrer ao resseguro ou deverão passar por um processo de consolidação. Rodrigues explicou que o fato de alguma empresa ter dificuldade de se capitalizar para atender às regras já sinaliza que o risco existe.
“Muitas terão dificuldades, mas já vimos empresas alterando contratos de resseguros, o que permite baixar o risco de supervisão sem aumentar o risco de crédito. Outras empresas estão abandonando segmentos de risco. O maior problema está nas empresas sem fins lucrativos e muitas já estão se transformando em S.A.”, conclui.
A instabilidade regulatória no Brasil faz com que o país não aproveite plenamente a abertura do mercado. A declaração é de Michel Liès, CEO da Swiss Re, que apresentou a palestra “Desafios e Oportunidades: a atração da América Latina” durante o 4º Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro. Para ele, é importante ter estabilidade nas regras do jogo para que o ressegurador tenha segurança nos seus investimentos.
“Não é fácil fazer negócios na América Latina. O Brasil e a Argentina implementaram regulamentações que restringem a atividade do resseguro. O setor foi um dos primeiros a ser globalizado. É preciso aproveitar o resseguro internacional que exige regras e padrões gerais em nível global”, resumiu Liés.
Ele destacou ainda que a corrupção inibe investimentos, mas ressalvou que toda a América Latina fez avanços citando dados da Transparency International. E alertou que a agitação social desestabiliza o crescimento econômico e que as medidas anticorrupção apresentadas pela presidente Dilma Rousseff devem ser mostradas à população de forma a deixar claro que o país está no caminho certo para o combate à corrupção.
O executivo defendeu ainda maior aproximação com o poder público e os políticos para uma melhor compreensão da atividade e para a efetivação de projetos que minimizem os efeitos das catástrofes naturais que ocorrem frequentemente na América Latina como terremotos, inundações, tempestades, tornados, secas e variação de temperaturas.
“A seca em 2014 afetou o Brasil e a América Central com estimativas de perdas de US$ 3 bilhões. A baixa temperatura no Peru causou perdas de inúmeras vidas. E o transbordamento de rios e enchentes no Brasil mataram 120 pessoas e geraram perdas de US$ 250 milhões. As áreas metropolitanas são vulneráveis a esses riscos, o que é agravado pela urbanização”, enumerou.
O CEO da Swiss RE admitiu também que a indústria de seguros e resseguros precisa participar mais da cobertura de desastres naturais, revelando que hoje apenas 30% do planeta estão protegidos. Ele apresentou dados de estudo conduzido pela Swiss RE em 616 regiões urbanas monitorando a ocorrência de terremotos, velocidade dos ventos, transbordamentos de rios e tsunamis, num total de 189 catástrofes naturais. “As perdas econômicas somaram US$ 110 bilhões e apenas US$ 35 bilhões estavam asseguradas. Não somos presentes onde se precisa e essa diferença é um desafio que temos de enfrentar”, reconheceu Liès.
O executivo abordou também os desafios econômicos e ambientais da região e citou o caso do Brasil que, num cenário de baixo crescimento e inflação elevada, vive a ameaça da estagflação. Para ele, a solução para isso passa por reformas estruturais e modernização visando a atração de investimentos. Ele considera também que, embora o Brasil tenha políticas ambientais avançadas, peca na sua execução.
“Persistem no Brasil problemas ambientais básicos relacionados à falta de saneamento e isso afeta o setor de seguros. Os segmentos de Vida e Saúde são afetados pela poluição atmosférica que pode levar a doenças pulmonares obstrutivas. Em 2012, 7 milhões de pessoas morreram devido à poluição. Isso poderá levar a processos judiciais contra os poluidores”, alertou.
Liès destacou que a América Latina e o Brasil são estratégicos para a Swiss RE, que tem liderança intelectual centrada em alguns temas principais: gestão de risco climático; parceria para segurança alimentar; financiamento de vida mais longa e apoio à estabilidade financeira.
E por fim destacou que a indústria de seguros e resseguros pode ajudar os governos a manterem bons ratings das agências de classificação de risco. E citando a agência Standard & Pools, disse que a resiliência financeira do setor público pode ser reforçada com a ajuda de seguradoras e resseguradoras. “Os ratings soberanos podem ser mantidos por meio de uma atuação que vai além de medidas financeiras se os governos também adotarem medidas preventivas”, concluiu.
“As novas modalidades de Resseguro Estruturado, além de trazerem inovação e maior capacidade, deverão permitir às seguradoras e resseguradoras brasileiras acesso ao know-how do mercado aberto e a muitas oportunidades de negócios”, avalia André Gregori, CEO para as operações de seguros e de resseguros do grupo BTG Pactual e um entusiasta desse mercado. Gregori moderou os três painéis financeiros durante o 4º Encontro de Resseguros, encerrado ontem, no Rio de Janeiro, com a apresentação de Alexander Gollin, underwriter da Hannover RE Advanced Solutions, que discorreu sobre “O Mundo do Resseguro Estruturado – Um caso de Distribuição de Perda”.
Gollin apresentou um exemplo de resseguro estruturado em que é possível diluir prêmios e perdas ao longo de até três anos, em condições que atendem aos interesses, tanto dos atuários, que sempre demandam o menor risco possível, quanto dos CFOs, que preferem focar em resultados anuais. Entre os países que já adotaram a solução, estão a Irlanda e a Colômbia, mas Gollin observou que esse tipo de modelagem leva tempo para ser implementada. “Ainda não temos clientes no Brasil, pois esse é um mercado muito novo, e demanda tempo para ser desenvolvido”, resumiu Gollin.
Gregori, do BTG, destacou que hoje os reguladores brasileiros ainda não permitem que seguradoras e resseguradoras transfiram riscos para o mercado de capitais. Mas esse é um quadro que poderá mudar a partir do maior entendimento por parte da Superintendência de Seguros Privados, com a qual ele tem mantido contato.
“Hoje existem segmentos que não encontram capacidade no mercado securitário brasileiro. Infraestrutura, por exemplo, é um desafio para o país, passa por um momento difícil, e o investidor privado não tem segurança para investir. Esse tipo de resseguro estruturado poderá trazer capacidade para projetos de grande porte para atender à necessidade de investimento de R$ 1 trilhão, que é o gap da nossa infraestrutura”, diz Gregori.
Ele observou que, embora o mercado de resseguro estruturado já exista há mais de 20 anos, somente nos quatro últimos anos ganhou impulso e já atingiu em 2014 US$ 63,8 bilhões. Ele informou que o BTG lançou uma operação de securitização de resseguro há três anos em Londres com o Sindicato do Lloyds.
O mercado de capitais poderá ser um aliado para seguradoras e resseguradoras fazerem o mercado brasileiro crescer. Os modelos mais inovadores de resseguros alternativos foram apresentados por Craig Hupper, vice-presidente sênior da TransRe Capital Partners, no painel “Transferência de Risco através do Mercado de Capitais”, durante o 4º Encontro de Resseguros. Ele diz que o interesse dos investidores no mercado de títulos atrelado a seguros se deve ao alto desempenho desses títulos desde 2002, ressaltando que mesmo durante a crise financeira os ganhos se mantiveram estáveis.
Entre as soluções apresentadas está o Resseguro com Garantia (Collaterized Reinsurance), em que, ao invés de o ressegurador fazer a promessa de pagamento, cria fundos de apoio. Outras inovações são os ILW (Industry Loss Warranty – garantia para perdas da indústria) e o Sidecar, em que o investidor coloca capital e compartilha resultados com a seguradora. Já os Cat Bonds (Catastrophes Bonds) são títulos de catástrofe e partem da ideia de securitização que vem sendo desenvolvida pelos bancos de forma a proteger a carteira do ressegurador. E, por fim, os Hedge Funds combinam ferramentas de subscrição com gerenciamento de ativos.
“Muitos desses produtos foram desenvolvidos em outros países para financiar catástrofes que não existem no Brasil. Para funcionarem aqui será preciso uma classificação precisa dos eventos de catástrofes”, esclareceu Hupper.
Ele diz que os mercados de capitais já estão envolvidos no mercado de seguros há muitos anos. Normalmente, os investidores entram em momentos de mudanças e crises econômicas e em períodos de grandes catástrofes. Em 2001 e 2005 muitas startups do segmento foram criadas após a série de furações.
“Em 2014, esse mercado movimentou US$ 63,8 bilhões”, diz Hupper. O valor já representa cerca de 12% do mercado de resseguros, mas é pequeno em relação ao potencial dos fundos de pensão, que são os maiores investidores institucionais. “Trata-se de uma azeitona se comparado aos US$ 36 trilhões dos fundos de pensão”, reforçou.
No modelo dos títulos de catástrofes, os Cats Bonds, a seguradora transfere os riscos para uma Special Purpose Reinsurance Vehicle, que converte o montante cedido em um fundo de investimentos que vende títulos aos investidores. Este recebe juros do rendimento dos títulos e o montante final após o período de maturidade dos títulos. A seguradora por sua vez paga um prêmio para o veículo transformador e recebe um contrato de resseguro.
Rodrido Botti, diretor de finanças e operações da Terra Brasis Re, destacou que segundo relatório do Citibank a securitização de seguros foi listada entre as tecnologias disruptivas ao lado de soluções como impressão 3D, comércio eletrônico e robótica. Ele informou que o investidor brasileiro já tem experiência em investimentos fora do país como a compra de BDR (Brazilian Depositary Receipt) na Bovespa, ou de títulos ETF (Exchange Trade Fund|), além de ser bastante ativo no mercado imobiliário americano, especialmente em Miami.
Botti observou que o país já conta com produtos de securitização como os CRI (Certificados de Recebíveis Imobiliários), os CRA (Certificados de Recebíveis Agrícolas) e os COE (Certificado de Operações Estruturadas).
“Também não há preocupação de solvência, pois para cada real de risco há um real de capital. A preocupação principal é com a adequação do produto ao investidor nacional. Além do fato de que o Brasil segue o arcabouço jurídico Romano, no qual tudo é proibido até que se permita, e não o arcabouço anglo saxão, no qual tudo é permitido até que se proíba”, advertiu Botti.
Para Hupper, não existe receita para a criação de produtos alternativos de resseguros. A melhor forma depende de cada país e de cada fundo que têm apetites por risco, regras e investidores diferentes. Mas alertou que esse não é um mercado para principiantes.
“Tenho preconceito com os líderes de mercado. Há uma série de outros gestores de ativos especializados que podem atuar como parceiros. Seria muito arriscado para alguém se lançar no mercado sozinho”, recomendou.
Por ora, os conflitos entre seguradoras e resseguradoras continuam a ser redimidas pela arbitragem nas questões que envolvam regulação de sinistros, mas está claro que a tendência é de que a Justiça comece a receber cada vez mais casos nos próximos anos, tendo em vista a perspectiva de impasses gerados pelas cláusulas dos contratos de resseguros. Esta é a expectativa dos participantes do painel “Aspectos Jurídicos da Regulação do Sinistro”, realizado no 4º Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro.
A ideia de discutir a participação ilimitada ou não dos resseguradores, acompanhando as seguradoras no pagamento dos sinistros, reuniu os especialistas Sergio Barroso de Mello (Pellon & Associados), Carlos Velloso (IRB Brasil Re), Marcelo Mansur (Mattos Filho Advogados) e Patrícia Godoy Oliveira (AON Service Corporation). E ficou claro que a questão desperta mais dúvidas do que certezas, já que as cláusulas de resseguros traduzidas provocam muitas confusões.
Diretor de Sinistro do IRB, após 10 anos no comando da área jurídica do órgão, Carlos Velloso destacou os problemas das condições precedentes. “Em tese, estaria tudo coberto, e ressegurador deveria acompanhar a cedente. Mas não é isso que ocorre na prática, porque há expedientes para limitar a responsabilidade”, lembra ele.
Segundo ele, a maioria dos contratos inclui as condições precedentes, mas sua eficácia não é garantida. Estas são pactuadas entre as partes e, se descumpridas, liberam o ressegurador de participação no pagamento do sinistro. Dois exemplos de condições precedentes são as cláusulas de controle e de notificação prévia de sinistro. “No mercado internacional, o descumprimento implica perda do direito à cobertura, mas aqui no Brasil não há esse reconhecimento imediato e a tendência desse impasse é uma discussão de perda e danos na Justiça. Ainda não conheço casos de ações, mas em um mercado aberto este tipo de discussão vai começa a se intensificar na Justiça.
Patricia Godoy diz que, no Brasil, não importa o nome da cláusula copiada do modelo inglês, mas o fundamental é que sua redação seja clara para evitar impasses e, caso ocorram, possam servir para uma avaliação acertada da Justiça. Isso porque, acrescenta, as traduções literais do clausulado de resseguro são horrorosas e não ajudam a entender seu objetivo. Ela entende que as cláusulas para limitar a participação são adotadas pelas resseguradoras por temer que as cedentes não tenham expertise.
Produto de um histórico de baixa sinistralidade até recentemente, o D&O alcançou um taxa equivalente a 53% em 2014, recorde em sua história no País, e corre o risco de avançar ainda mais nos próximos anos, em virtude de algum rescaldo do caso Lava-Jato, o maior caso de corrupção conhecido, de outras operações promovidas pela Polícia Federal e o Ministério Público, e de erros na política de subscrição de riscos nesta modalidade.
A porta de entrada das despesas poderá ocorrer com a garantia de adiantamentos dos Custos de Defesa, um das proteções do seguro de responsabilidade civil dos administradores. Mas, este movimento de alta da sinistralidade dependerá de um dilema ético: cabe ou não proteção para quem deliberadamente cometeu crimes? E, resultado das prováveis disputas judiciais entre segurados e seguradoras, tendo em vista a recusa de proteção para os casos que envolvam segurados envolvidos com corrupção.
A polêmica sobre negativa de cobertura do D&O, a política de subscrição de risco frouxa e a tarifação inadequada foram os principais temas discutidos no painel D&O, que reuniu entre palestrantes e debatedores Thabata Najdek (Allianz Global Corporate &Specialty Brazil); Fábio Torres (TM Law), Rosângela Tito (do IRB Brasil RE) e Gustavo Galrão (da Argo Seguros Brasil S/A). O D&O mira proteger o patrimônio do segurado, que poderá ser utilizado para certos tipos de reparações, em virtude de condenação judicial por decisões tomadas durante sua gestão.
Rosângela Tito deixou claro que o crescimento sustentável da apólice estará ameaçado sem ajustes na política de aceitação de riscos e preços justos. “O volume de pagamento de sinistros torna-se cada vez mais expressivo. Ainda que também avance bastante a arrecadação de prêmios- a média é de 30% desde 2009 até 2014- este movimento de alta acentuada dos sinistros reclama uma reflexão de todo o mercado sobre suas práticas. Só para se ter uma ideia, apenas o IRB já desembolsou R$ 80 milhões na carteira de D&0, e mantém R$ 20 milhões em reservas para quitar inclusive alguns casos clássicos, como o da Aracruz (perdas no mercado de derivativos), que ainda gera sinistros até hoje.
Na sua opinião, os players- corretores, seguradoras, brokers e resseguradores- devem repensar as estratégias. “O seguro visa a dar garantia e conforto ao executivo em sua tomada de decisões diárias, desde que haja respeito à lei, ao compliance da empresa e boa-fé. Essa é sua atribuição e não proteger atos intencionais e deliberados de má-fé ou até criminosos”, assinalou ela.
A seu ver, as companhias precisam ser mais seletivas na aceitação de riscos, os corretores (e brokers) devem melhorar o conhecimento e as resseguradoras ampliarem a boa técnica para que o mercado permaneça saudável. Curiosamente, um recente relatório da Marsh indica que, na América Latina, apenas o Brasil e Uruguai são os dois países cujas taxas de prêmios devem subir este ano. No Uruguai, este avanço tem relação direta com uma nova lei que pune executivos por danos físicos sofridos pelos trabalhadores. No caso brasileiro, nem a alta das taxas é vista como uma garantia de crescimento sustentável, se o mercado não estiver consciente dos riscos subscritos, assinala Rosângela Tito, ao chamar a atenção para a oferta de coberturas abrangentes no País e lembrar o risco disso, tomando como base os problemas apresentados pelo mercado mundial de D&O, em virtude dos prejuízos gerados pela crise global de 2008 e discutidos judicialmente.
O desempenho do D&O tem apresentado um comportamento desigual entre seguradoras e resseguradoras. Chegou a 99% a cessão de resseguro em 2009 e caiu para 1% no ano passado, com a média recuando de 64% para 47% no período, em virtude dos dois extremos. Já o prêmio médio avançou 30%, mas apresentou desaceleração para um dígito em 2014. Os especialistas explicam que o movimento pendular do resseguro tem a ver com o fato de as seguradoras terem decidido reter mais riscos, ao passo que a desaceleração dos prêmios diretos das companhias, à entrada de novos players e de preços baixos para obter market share mais rapidamente.
O advogado Fábio Torres joga luzes sobre a questão da delação premiada e acordos de leniência e eventual impacto nas operações do D&O. No caso da delação, o executivo que admite culpa deve ter, caso tenha o seguro, as garantias negadas; mas para os demais envolvidos apontados pelo réu, caso eles neguem a participação, as seguradoras terão de fazer escolham: ou aceitam adiantar o pagamento das custas ou recusam a proteção, discutindo o tema na Justiça. É um dilema moral e ético, reconhece o especialista. O problema terá de ser analisado também com bastante cuidado para os acordos de leniência e negadas as coberturas. Mas não há consenso. Thabata Najdek, da Allianz Global Corporate &Specialty Brazil, acha que as seguradoras terão dificuldades para negar algumas coberturas, tendo em vista as cláusulas do seguro.
Uma saída para o mercado, tendo em vista futuras disputas judiciais, é incluir já nas apólices uma cláusula dizendo claramente que os casos de corrupção e fraudes à lei de licitações estão entre os riscos excluídos do D&O. Gustavo Galrão, da Argo Seguros Brasil S/A, admite que o mercado, embora mais qualificado, ainda precisa de ajustes, e as seguradoras devem mesmo ter mais criteriosos na política de subscrição. Para Thabata Najdek, caberá às resseguradoras, via tarificação ou negativas, exigir crescente especialização das seguradoras, porque o mercado de fato precisa ampliar às pressas a expertise e cuidar da capacitação dos profissionais.
Em decreto assinado por Tarcísio Godoy, secretario da Fazenda, a presidente Dilma Rousseff exonerou do cargo de diretor da Superintendência de Seguros Privados (Susep) Nelson Victor Le Cocq, segundo portaria divulgada nesta sexta-feira. Ele ocupava o cargo de diretor de autorizações. A presidente Dilma Rousseff nomeou Flavio Girão Guimarães para a vaga.
Alexandre Malucelli, presidente do Grupo JMalucelli, com origem profissional na área de Seguros, está novamente listado entre os 50 profissionais mais influentes no mercado de Seguros da América Latina. Seu nome consta de renovada lista, divulgada na edição do mês de março deste ano, da revista britânica LatAm Insurance Review. O destaque foi confirmado através de pesquisa entre profissionais do referido mercado em diversos países.
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