CEO da Swiss Re defende estabilidade regulatória

cnseg_resseguro 4Fonte: CNseg

A instabilidade regulatória no Brasil faz com que o país não aproveite plenamente a abertura do mercado. A declaração é de Michel Liès, CEO da Swiss Re, que apresentou a palestra “Desafios e Oportunidades: a atração da América Latina” durante o 4º Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro. Para ele, é importante ter estabilidade nas regras do jogo para que o ressegurador tenha segurança nos seus investimentos.

“Não é fácil fazer negócios na América Latina. O Brasil e a Argentina implementaram regulamentações que restringem a atividade do resseguro. O setor foi um dos primeiros a ser globalizado. É preciso aproveitar o resseguro internacional que exige regras e padrões gerais em nível global”, resumiu Liés.

Ele destacou ainda que a corrupção inibe investimentos, mas ressalvou que toda a América Latina fez avanços citando dados da Transparency International. E alertou que a agitação social desestabiliza o crescimento econômico e que as medidas anticorrupção apresentadas pela presidente Dilma Rousseff devem ser mostradas à população de forma a deixar claro que o país está no caminho certo para o combate à corrupção.

O executivo defendeu ainda maior aproximação com o poder público e os políticos para uma melhor compreensão da atividade e para a efetivação de projetos que minimizem os efeitos das catástrofes naturais que ocorrem frequentemente na América Latina como terremotos, inundações, tempestades, tornados, secas e variação de temperaturas.

“A seca em 2014 afetou o Brasil e a América Central com estimativas de perdas de US$ 3 bilhões. A baixa temperatura no Peru causou perdas de inúmeras vidas. E o transbordamento de rios e enchentes no Brasil mataram 120 pessoas e geraram perdas de US$ 250 milhões. As áreas metropolitanas são vulneráveis a esses riscos, o que é agravado pela urbanização”, enumerou.

O CEO da Swiss RE admitiu também que a indústria de seguros e resseguros precisa participar mais da cobertura de desastres naturais, revelando que hoje apenas 30% do planeta estão protegidos. Ele apresentou dados de estudo conduzido pela Swiss RE em 616 regiões urbanas monitorando a ocorrência de terremotos, velocidade dos ventos, transbordamentos de rios e tsunamis, num total de 189 catástrofes naturais. “As perdas econômicas somaram US$ 110 bilhões e apenas US$ 35 bilhões estavam asseguradas. Não somos presentes onde se precisa e essa diferença é um desafio que temos de enfrentar”, reconheceu Liès.

O executivo abordou também os desafios econômicos e ambientais da região e citou o caso do Brasil que, num cenário de baixo crescimento e inflação elevada, vive a ameaça da estagflação. Para ele, a solução para isso passa por reformas estruturais e modernização visando a atração de investimentos. Ele considera também que, embora o Brasil tenha políticas ambientais avançadas, peca na sua execução.

“Persistem no Brasil problemas ambientais básicos relacionados à falta de saneamento e isso afeta o setor de seguros. Os segmentos de Vida e Saúde são afetados pela poluição atmosférica que pode levar a doenças pulmonares obstrutivas. Em 2012, 7 milhões de pessoas morreram devido à poluição. Isso poderá levar a processos judiciais contra os poluidores”, alertou.

Liès destacou que a América Latina e o Brasil são estratégicos para a Swiss RE, que tem liderança intelectual centrada em alguns temas principais: gestão de risco climático; parceria para segurança alimentar; financiamento de vida mais longa e apoio à estabilidade financeira.

E por fim destacou que a indústria de seguros e resseguros pode ajudar os governos a manterem bons ratings das agências de classificação de risco. E citando a agência Standard & Pools, disse que a resiliência financeira do setor público pode ser reforçada com a ajuda de seguradoras e resseguradoras. “Os ratings soberanos podem ser mantidos por meio de uma atuação que vai além de medidas financeiras se os governos também adotarem medidas preventivas”, concluiu.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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