Zurich anuncia Sven Feistel como diretor executivo de seguros corporativos

A Zurich Seguros anuncia Sven Feistel como novo diretor executivo de Seguros Corporativos no Brasil. Até então CFO da companhia, o executivo passa a liderar a área em um movimento que reforça a estratégia da seguradora de fortalecer sua atuação no segmento corporativo e ampliar a geração de valor para clientes e parceiros. 

Com mais de 20 anos de experiência no setor segurador e uma trajetória de 18 anos na Zurich, Sven construiu sua carreira com atuação em áreas estratégicas como Subscrição, Estratégia e Tecnologia. Nos últimos anos, dedicou-se ao negócio de seguros corporativos e subscrição na América Latina, incluindo a posição de Chief Underwriting Officer da Zurich Equador, consolidando amplo conhecimento das dinâmicas de risco e das necessidades dos clientes corporativos. 

A movimentação ocorre em linha com a evolução da estratégia de negócios da Zurich e reforça o compromisso da companhia em desenvolver lideranças alinhadas às prioridades de crescimento do negócio. Como parte dessa transição, Raphael Fagaraz, atual diretor de Finanças da companhia, assumirá interinamente a posição de CFO, garantindo a continuidade das operações financeiras enquanto a companhia conduz o processo de sucessão para a função. 

“O Sven reúne profundo conhecimento do nosso negócio, ampla experiência internacional e uma trajetória construída dentro da Zurich. Sua nomeação reflete nossa estratégia de desenvolver talentos internos e fortalecer uma área fundamental para o crescimento da companhia”, afirma Edson Franco, CEO da Zurich Seguros. 

” Assumo esta nova posição com o compromisso de fortalecer ainda mais nossa atuação em Seguros Corporativos, apoiando clientes e corretores com soluções cada vez mais relevantes para seus negócios. Ao lado de um time altamente qualificado, seguiremos impulsionando o crescimento sustentável da operação e ampliando nossa capacidade de gerar valor para o mercado”, afirma Sven Feistel, diretor executivo de Seguros Corporativos da Zurich Seguros. 

Ao fortalecer sua área de Seguros Corporativos e assegurar uma transição planejada na liderança financeira, a companhia reafirma sua estratégia de longo prazo, baseada na proximidade com clientes, corretores e parceiros e na evolução contínua de suas operações. 

Mercado global de seguros deve expandir 5,3% ao ano até 2036, revela Allianz Trade

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De acordo com o mais recente Allianz Global Insurance Report 2026, relatório publicado pela equipe de economistas da Allianz Research, divisão de pesquisa macroeconômica da Allianz Trade, líder mundial em seguro de crédito, o mercado global de seguros registrou crescimento de +7,1% em 2025, com prêmios brutos totais de EUR 6,9 trilhões, acréscimo de EUR 456 bilhões ao pool global de prêmios.

O resultado, embora represente moderação frente a +9,4% registrado em 2024, permanece acima da CAGR de +5,6% da última década. Entre os segmentos, o seguro de vida continuou sendo o maior (EUR 2,86 trilhões), seguido por P&C (EUR 2,32 trilhões) e saúde (EUR 1,69 trilhões).

Os autores analisam que a expansão da última década foi significativa: entre 2015 e 2025, os prêmios globais avançaram de EUR 3,97 trilhões para EUR 6,87 trilhões, adição cumulativa superior a EUR 2,9 trilhões. Para os próximos dez anos, a Allianz Research projeta crescimento anual de +5,3% até 2036, com a expansão total do pool estimada em EUR 5,26 trilhões adicionais.

Ásia lidera crescimento estrutural; EUA mantém dominância

A Ásia (excluindo China e Japão) manteve posição de destaque como mercado de maior crescimento estrutural, com expansão de +10,9% em 2025, frente à média histórica de +4,9%. A Europa Ocidental cresceu quase o dobro de sua média dos últimos dez anos (+6,1%), enquanto a China desacelerou para +7,4%, mais de 3 pontos percentuais abaixo de sua trajetória histórica.

Já a América do Norte elevou sua participação nos prêmios globais de 42,5% para 46,4% na última década, o que significa que quase metade de cada euro subscrito no mundo tem origem na região. A China consolidou-se como segunda maior economia de seguros (EUR 746 bilhões em prêmios em 2025), mas ainda é menos de um quarto do mercado norte-americano (EUR 3,19 trilhões). Com olhar para 2036, a Índia emerge como o mercado de maior crescimento projetado: +10,5% ao ano, com a penetração de seguros em 2025 chegando a apenas 3,8% do PIB e gasto per capita de cerca de EUR 85.

Saúde lidera expansão; P&C normaliza; vida recupera

O seguro saúde consolidou-se como o segmento de maior crescimento da indústria em 2025, com alta de +12,3% — ritmo mais acelerado desde 2014 —, impulsionado principalmente pela América do Norte, onde a inflação médica pressionou o crescimento para +14,9%. A projeção para a próxima década é de expansão de +6,7% ao ano, a mais elevada entre os três segmentos. O seguro de vida cresceu +6,9% em 2025, sustentado por taxas de juros mais altas, com perspectiva de CAGR de +4,9% até 2036. Já o segmento de P&C registrou desaceleração para +3,8%, refletindo a maturação do ciclo de precificação, com expansão projetada de +4,7% ao ano na próxima década.

Fragmentação geopolítica redefine o modelo global de seguros

O relatório destaca que a fragmentação geopolítica deixou de ser um risco cíclico para se tornar um fator estrutural de reconfiguração do setor. O conflito no Irã opera como choque externo de oferta, perturbando mercados de energia, elevando custos de transporte e fragmentando cadeias de suprimento. O cenário-base da Allianz Research projeta crescimento do PIB global de +2,6% em 2026, com a Zona do Euro reduzindo seu ritmo para apenas +0,8%.

Para as seguradoras, a fragmentação impõe desafios diretos ao modelo de diversificação global de riscos: capital menos móvel, regimes regulatórios divergentes e fronteiras que funcionam crescentemente como barreiras estratégicas. Ao mesmo tempo, o estudo aponta que essa dinâmica cria novas demandas — em seguro de risco político, crédito comercial, cyber e interrupção de cadeias produtivas —, reforçando a relevância estratégica do setor em um ambiente de maior incerteza.

Risco climático e acessibilidade: o próximo desafio estrutural do setor

As perdas seguradas por catástrofes naturais crescem entre +5% e +7% ao ano em termos reais — ritmo que torna o risco climático uma questão estrutural de subscrição, e não mais um evento cíclico. O relatório aponta que o aumento dos prêmios está colidindo com a redução do poder de compra das famílias, ampliando as lacunas de proteção. Na União Europeia, as perdas diretas por desastres não cobertas por seguros somaram em média EUR 59 bilhões anuais entre 2021 e 2023.

O caminho para preservar a “segurabilidade” de longo prazo, segundo o estudo, passa por parcerias público-privadas, incentivos à adaptação climática, mecanismos de acessibilidade direcionados e investimentos em infraestrutura resiliente — e não pela supressão artificial de prêmios, que enfraquece os incentivos à redução de riscos.

Dados-chave do Allianz Global Insurance Report 2026

–     Prêmios globais 2025: EUR 6,9 trilhões (+7,1%)

–      Projeção de crescimento anual 2026–2036: +5,3% ao ano

–      Expansão total projetada até 2036: EUR 5,26 trilhões adicionais

–      Segmento de maior crescimento 2025: saúde (+12,3%)

–      Maior mercado global: América do Norte (46,4% dos prêmios mundiais)

–      Mercado de maior crescimento projetado até 2036: Índia (+10,5% ao ano)

–      Perdas seguradas por catástrofes naturais: crescimento de 5% a 7% ao ano em termos reais

Allianz Commercial anuncia transição de liderança na América Latina

A Allianz Commercial anunciou uma transição de liderança na América Latina. David Colmenares, que exercia a dupla função de Regional Managing Director da Allianz Commercial para a América Latina e CEO da Allianz Colômbia, tomou a decisão pessoal de deixar a organização. A partir de 1º de agosto, Gerardo Pardo, atualmente CEO da Allianz Argentina, assumirá adicionalmente a função de Regional Managing Director da Allianz Commercial para a América Latina.

A transição reflete a solidez do pipeline interno de talentos da Allianz Commercial e visa assegurar a continuidade da estratégia, dos serviços e dos relacionamentos em toda a América Latina. A nomeação de Gerardo baseia-se no seu comprovado histórico como CEO da Allianz Argentina e na sua vasta experiência no mercado segurador latino-americano.

Conforme anunciado separadamente, Juan Francisco Sierra sucede David como CEO da Allianz Colômbia, deixando a sua atual função de Diretor Financeiro (CFO).

Gerardo Pardo

Atualmente CEO da Allianz Argentina desde 1º de janeiro de 2023, Gerardo ingressou na Allianz em 2017 como Diretor de Sinistros e, em 2018, assumiu a posição de Chief Operating Officer (COO), com responsabilidade sobre Sinistros, TI e Operações.

Com mais de 30 anos de experiência no setor segurador, incluindo passagens por empresas como La Buenos Aires, HSBC, QBE e Chubb, liderou equipes locais nas áreas de Finanças, Sinistros, Resseguros, Subscrição e Gestão de Riscos, além de ter ocupado posições regionais de liderança em Sinistros com responsabilidade sobre a América Latina.

Grupo Bradesco Seguros traz de volta os Prêmios da Longevidade em 2026

O Grupo Bradesco Seguros anuncia o relançamento dos Prêmios da Longevidade, iniciativa que chega à edição 2026 com o objetivo de reconhecer trabalhos jornalísticos e histórias de vida que contribuem para ampliar o olhar da sociedade sobre o envelhecimento, a qualidade de vida e as transformações associadas ao aumento da expectativa de vida no país. As inscrições já estão abertas e podem ser realizadas pelo portal Viva a Longevidade até 25 de setembro.

A premiação contempla duas modalidades: Jornalismo, voltada a reportagens, entrevistas, séries e conteúdos produzidos por profissionais e veículos de comunicação; e Histórias de Vida, dedicada a relatos inspiradores que promovem a troca de experiências entre gerações e retratam diferentes formas de construir autonomia, propósito e bem-estar ao longo da vida.

O aumento da expectativa de vida vem redesenhando a forma como os brasileiros planejam o futuro, constroem suas carreiras, cuidam da saúde e se relacionam entre diferentes gerações. Nesse cenário, os Prêmios da Longevidade reconhecem histórias que ajudam a traduzir essas mudanças e seus reflexos na vida cotidiana.

“Ao longo dos anos, os Prêmios da Longevidade se consolidaram como uma iniciativa de reconhecimento a narrativas que ampliam o entendimento da sociedade sobre um tema cada vez mais central para o Brasil: viver mais e melhor. Para o Grupo Bradesco Seguros, a longevidade é uma agenda estratégica, ressaltando a importância da promoção da saúde, bem-estar, proteção e planejamento para todas as fases da vida. A edição de 2026 reforça esse compromisso ao reunir diferentes perspectivas sobre os impactos do aumento da expectativa de vida e valorizar histórias que inspiram novas formas de pensar o futuro”, afirma Alexandre Nogueira, Diretor de Marketing do Grupo Bradesco Seguros.

“Os Prêmios da Longevidade ampliam o debate sobre os impactos da longevidade no cotidiano das pessoas e nas relações entre gerações. Nesse retorno, queremos ainda mais valorizar diferentes perspectivas sobre esse tema, que está cada vez mais presente nas decisões individuais, familiares e sociais”, destaca Ana Claudia Frighetto Gonzalez, Superintendente Sênior de Marketing do Grupo Segurador.

A iniciativa integra a agenda da companhia voltada à promoção do envelhecimento ativo e saudável e à valorização de histórias, experiências e conteúdos relacionados à qualidade de vida e ao bem-estar.

Os vencedores serão anunciados durante o XIX Fórum da Longevidade, que será realizado em 17 de novembro de 2026, em São Paulo.

Os diagnósticos dos problemas e as medidas para gestão da saúde suplementar

por Marcio Serôa de Araújo Coriolano, economista e ex-Presidente da CNseg

I – Contextualização dos diagnósticos prevalentes sobre as dificuldades de organização do cuidado na saúde suplementar

A maior parte dos diagnósticos, historicamente e atualmente veiculados sobre as disfunções e problemas do chamado sistema de saúde suplementar, e, decorrentes deles, os pressupostos de equacionamento e providências de superação, partem, invariavelmente, das mesmas premissas. E endereçam as mesmas propostas de protagonismo para superação ao mesmo ente da extensa e complexa cadeia produtiva e de valor setorial: – o único e exclusivo ente regulado, as operadoras privadas de assistência à saúde, as OPS.

O ambiente central desses diagnósticos tem bom propósito. E teria bons antecedentes. Se não fossem incompletos, já decorridos 28 anos desde a edição da Lei nº 9.656, de 1998.

Todos esses antecedentes iniciaram com debates amplos e profundos a partir de uma crise de confiança no sistema de financiamento da saúde privada. Debates que ocorreram em múltiplas interações no congresso nacional, resultando na lei, que prosseguiu com sucessivas medidas provisórias do executivo federal, até terminar, por decurso de prazo, na convalidação da Lei nº 9.656. Esse processo teve originalmente como palco exatamente a crise de confiança naquele elo, então formado por um conjunto expressivo de então OPS invisíveis e fora de mínima regulação e fiscalização governamental.

Ocorre que os paradigmas que informam os diagnósticos prevalentes, ainda estão referenciados a esse único elo, que a lei seminal e sua regulamentação subsequente pela ANS pôde alcançar, nas circunstâncias político-institucionais daquele momento da década de 1990. Que permanecem as mesmas na nossa atualidade do século XXI.

Para além da superfície do quadro em pauta em 1996/1998, pouco era conhecido então sobre a extensa e complexa cadeia de valor da saúde privada. Que é protagonizada, principalmente, pelo que doravante chamaremos de “indústria da prestação do cuidado”,[MC1]  formada pelos seus principais segmentos: – produção e distribuição de medicamentos, materiais e dispositivos médicos; serviços de farmácias; clínicas, ambulatórios, serviços de diagnósticos e hospitais; e uma ampla gama de profissionais da medicina.

O que deve ser considerado na atualidade é a interdependência do papel e funcionamento de cada um dos atores da extensa cadeia de valor, ensejando um necessário debate e ações para a revisão dos paradigmas que informam os diagnósticos.

II – A insuficiência do diagnóstico da centralidade das operadoras para a liderança da reorganização do cuidado

As grandes operadoras e as médias consolidadas, já conhecem bem os atuais diagnósticos. Eles são frequentemente debatidos nas suas particulares representações, fóruns associativos e instâncias de governança. Há que reconhecer que algumas já empreendem mudanças na direção de alguns dos remédios neles apontados em diagnósticos. Os dados recentemente divulgados pela FenaSaúde mostram que houve, entre 2018 e 2025, modificação importante da remuneração dos prestadores médicos por procedimento (“fee-for-service”) para a remuneração por pacotes e outras modalidades mais previsíveis, estáveis e de melhor custo/benefício. Entre outras iniciativas.

Quanto às médias e pequenas operadoras, fora aquelas com abrangência regional e local restrita, cujo público-alvo é relativamente protegido de avanços da concorrência de grandes e médias líderes, a maioria é caudatária dos movimentos do que se passa no estrato superior – em termos de escala, sustentação e permanência -, com acesso limitado a maior protagonismo para mudanças rumo a modelos virtuosos.

Observa-se que, em geral, o prosseguimento de mudanças das atuais práticas de estruturação do cuidado em escala útil encontra dificuldades em várias dimensões.

Em primeiro lugar, a concorrência é acirrada entre operadoras do estrato superior e médio-alto, que têm dificuldades para liderar novos modelos de gestão, porque uma de suas referências é o risco da transformação. O risco de mudar corresponde à insegurança sobre o alcance de possíveis vantagens competitivas em prazo que não prejudique a posição das condições de equilíbrio já obtidas. Até porque, executivos, conselhos e comitês de governança, são pressionados pela diretiva geral de expansão para ganhos de escala, rentabilidade, retorno do capital investido e retenção dos beneficiários. E pela imprevisibilidade regulatória.

Em segundo lugar, a estrutura setorial é extensa, complexa e assimétrica. Mudanças dos modelos de gestão assistencial não dependem unicamente da vontade dos administradores, sócios e controladores, ou da competência dos executivos, das operadoras. Elas estão fortemente relacionadas aos incentivos, aceitação e igual garantia do equilíbrio já obtido pelos outros elos da cadeia setorial; quer dizer, o que chamamos aqui – já dissemos – de “indústria da prestação do cuidado”.

Em terceiro lugar, as operadoras seguem sendo o principal agente da cadeia que promove o acesso à saúde, pela sua função de oferta de produtos e serviços aderentes à regulamentação da ANS. É o polo onde existe, estruturalmente, interesse direto em entregar ao beneficiário menos risco, menos doença, menos custo, porque é isso que ela precifica e busca garantir para o contratante daqueles produtos e serviços.

Em quarto lugar, a despeito da observação acima, há incapacidade sistêmica para que as operadoras liderem sozinhas a transformação apontada na maioria dos diagnósticos. Embora essa restrição não afaste o seu protagonismo, as mudanças dependem da assunção do protagonismo por outros agentes do circuito industrial do cuidado. Inclusive porque, os beneficiários, tanto quanto frequentam a estrutura e as funcionalidades das operadoras, frequentam os consultórios médicos, farmácias, clínicas, serviços de diagnósticos e hospitais.

Em quinto lugar, e em decorrência, é particularmente nesse circuito industrial da prestação do cuidado onde reside toda a sorte de problemas de organização da jornada do beneficiário e do paciente. Que se reproduzem no circuito das operadoras. Dessa maneira, há restrições para que as operadoras possam, por si só, reorganizar aquela jornada e inaugurar novos e produtivos modelos e práticas de gestão do cuidado, Isso, mesmo quando se tratam de operadoras com maior grau de verticalização.

Porque, neste último caso, operadoras e redes de atendimento médico são centros de gestão diferentes, até muitas vezes segregados para fins dos melhores paradigmas da governança. O próprio histórico de grandes operadoras com maior grau de verticalização e, agora, outras operadoras que buscam participar do circuito integrado da prestação do cuidado, mostram a dificuldade de harmonizar essa integração.

E igualmente porque, da mesma forma que as operadoras, a indústria da prestação do cuidado precisa buscar a melhor rentabilidade e retorno do capital investido.

Em sexto lugar, os prontuários médicos dos beneficiários – instrumento efetivo de estruturação do cuidado -, sua aceitação de uso pelo interessado, seu monitoramento, e tudo o que se segue, não residem primariamente nas operadoras. Para efeitos de novos modelos de gestão assistencial, elas os deveriam capturar no circuito industrial da prestação do cuidado, desde que efetivamente existentes, estruturados, funcionais e portáveis. E elas, operadoras, não tem o poder de ampla regulação (poder de influência funcional) da estrutura de atendimento da indústria da prestação do cuidado.

Em sétimo lugar, quando os beneficiários, individuais ou empresariais, mudam de operadora/rede de prestadores, não portam consigo (nem os portam os seus médicos e rede de atendimento) o seu histórico e prontuário. Porque, quando eventualmente existentes na ponta do atendimento, ou são insuficientes ou não aderem às várias práticas distintas de interoperabilidade das operadoras em sua relação com as redes de atendimento médico. O resultado é desperdício interno ao sistema, além de prejuízo para o beneficiário e paciente para quem o sistema foi criado e regulado.

Considerando que a operadora é o único ente regulado do sistema, o regulador não dispõe de instrumentos efetivos e suficientes à indução ou incentivo para a reorganização geral e articulada do cuidado. Obrigando-a a limitar-se a atribuir esse papel ao regulado – as operadoras; que, novamente, não dispõem da capacidade de ser o único protagonista indutor líder privilegiado de uma transformação que alcance todo o sistema.

III – A assimetria das expectativas sobre a liderança das mudanças e seus efeitos na gestão da saúde populacional

Na saúde suplementar, são pelo menos dois gigantes equivalentes e dominantes da gestão do cuidado, que ainda carece de articulação: i) o circuito industrial da prestação do cuidado e ii) o circuito operador-financiador e gestor do cuidado. Além das assimetrias já abordadas, há atualmente entre eles mesmo alguma oposição, conflito. E há um terceiro gigante: iii) o Governo, a regulação, o poder concedente. Também com graus de desarticulação entre as suas instâncias.

Como exemplo, recente artigo do presidente da ANS (publicado na imprensa em junho de 2026) evidencia que, do lado do Governo, a necessidade de articulação é equivalente à observada nos dois grandes circuitos privados, o que traz graus de incerteza e imprevisibilidade sobre as providências tendentes à reorganização do cuidado.

Ainda para ambientar o tema da assimetria das expectativas e, como já abordado, como atuais diagnósticos partem de conhecimentos acumulados, hoje plasmados na regulamentação vigente referenciada aos comandos legais e regulamentares, há mais uma assimetria importante: a do conhecimento.

Parte importante do que foi construído ao longo dos últimos 30 anos teve inspiração no modelo securitário, de equilíbrio atuarial e de normas de ingresso (acesso) ao mercado e de exercício (regras de permanência).

Ainda que muitas vezes associados à financeirização do sistema suplementar, os modelos de equilíbrio atuarial e econômico são universais, quando há quaisquer riscos envolvidos e promessas de garantia de seu cumprimento para os consumidores que aderem e contribuem para os produtos e serviços oferecidos e contratados. Essa é, condição necessária, embora não suficiente, da sustentabilidade do sistema.

A saúde privada é sistema multidimensional, desde i) a premissa e o propósito fundamentais do cuidado; ii) a centralidade almejada no beneficiário-paciente; iii) a sustentabilidade econômico-financeira do operador-financiador gestor; iv) a sustentabilidade da indústria da prestação do cuidado; v) os fundamentos da gestão de riscos de todas as naturezas; e vi) transversalmente, o papel e exercício da regulamentação do Governo concedente.

Do ponto de vista do conhecimento desses fundamentos, que devem ser compreendidos como interdependentes, as competências técnico-científicas dos gestores de todas as partes são fundamentais e podem influenciar a visão e a admissão de novos diagnósticos e soluções para a reorganização do cuidado.

A gestão da saúde populacional, em sentido amplo, tomada desta vez como uma dimensão com a presença fundamental do consumidor contratante, seja individual ou coletivo, é caudatária da solução dessas assimetrias, que em termos reais e práticos os atingem, no mais das vezes negativamente.

Por sua vez, o seu empoderamento para participar ativamente das soluções depende, crucialmente, i) de regulações públicas simétricas entre os atores da cadeia de valor da saúde suplementar e de ii) sua inclusão no desenho e implementação de inovações e oportunidades para exercitar modelos de efetivo acesso, satisfação e monitoramento do cuidado dos benificiários/pacientes.

IV – O que se pode esperar de uma nova abordagem dos diagnósticos e recomendações, reforma ou revolução?

Novas abordagens sobre as múltiplas centralidades parecem que não estimularão perspectivas de rupturas sistêmicas. Nem crises igualmente sistêmicas, considerando o grau de maturidade e os propósitos positivos de todas as partes. A questão fundamental não seria o propósito, mas propostas de medidas que levem em conta a atualização do quadro de interdependências.

Por outro lado, reformas acontecem e permanecem. Estruturais ou incrementais. E parece que todos os atores precisarão mover-se em direção a elas, sob pena de comprometimento do sistema.

Para a caminhada da superação do quanto exposto e, mais importante, para a melhor satisfação, inclusão, equilíbrio, expansão articulada e permanência que aproveite a todos, notadamente o beneficiário, figura hoje um gradiente de propostas, não exaustivo, conforme opções de natureza social, institucional e política. São, pelo menos:

1 – Uma revisão do marco legal, trazendo para o Governo/ANS o poder da regulação da indústria da prestação do cuidado. Que são difíceis opções de pactuação e de tarefas político-institucionais, regulatórias e de arcabouços jurídicos e técnicos.

2 – O reconhecimento de que a centralidade nas operadoras é um conceito central insuficiente, devendo ensejar regulações de segunda ordem – aproveitando espaços das atribuições legais da ANS para a supervisão da indústria da prestação do cuidado e a criação efetiva de medidas de pesos e contrapesos da sua atividade.

3 – A retomada de pactos entre os vários elos da cadeia de valor – com a mais ampla possível e transparente contribuição da comunidade acadêmica e técnico-científica, desta vez com compromissos claros e efetivos do compartilhamento das chamadas interoperabilidades. O que, lembramos, exige absoluta prioridade para a implementação do prontuário médico padronizado e comum e a expansão equalitária da internalização, também pactuada, da inteligência artificial. Tendo como pano de fundo para um futuro que deveria sem mais próximo, da criação do opensaúde, nos moldes adaptados do já consolidado openfinance e do openinsurance, este ainda em construção.

V – Á guisa de conclusão para mais contribuições para o debate dos diagnósticos

A visão aqui é a da necessária atualização dos diagnósticos sobre as dificuldades de superação das disfunções da saúde suplementar e novo endereçamento de soluções viáveis e úteis, partindo da premissa que as atuais estão baseadas na vertente de única centralidade nas operadoras de saúde privada.

Esta visão é amparada pela distância de 28 anos entre lei e regulamentação subsequente que plasmou os pressupostos dos diagnósticos e a nossa atualidade. As questões foram modificadas substancialmente pelos desenvolvimentos do sistema privado desde então.

O principal ponto da necessidade de atualização dos diagnósticos, é a multi-centralidade dos protagonismos para a transformação, pela sua equivalência de influências sobre as tendências do futuro do sistema. Onde ainda há verdadeira, embora não exclusiva, centralidade nas OPS pela sua posição na ponta da organização.

Outro ponto é o da maturidade já adquirida pelas várias centralidades, o que deve facilitar a atualização dos diagnósticos. E das propostas de pactuações e ações para reposicionamento tendente à sustentabilidade do sistema como um todo, agregando a centralidade do cliente/beneficiário/paciente.

Utilizando jargão conhecido, para essa superação não haveria bala de prata. Será preciso o concurso de todos os participantes do sistema para debater e encontrar de forma pactuada caminhos viáveis e úteis dentro do gradiente das diferentes, e às vezes conflitivas, visões e propostas particulares.

Concluindo, faço uso preciso e otimista de referência a Karl Marx:

“É por isso que a humanidade só apresenta os problemas que é capaz de resolver e, assim, em observação atenta, será descoberto que um particular problema só surgiu quando as condições para tanto já existiam ou estavam, pelo menos, em vias de aparecer.” (*) Contribuição à Crítica da Economia Política, pag. 6. São Paulo:

MAG Seguros é eleita a melhor empresa para se trabalhar no GPTW Rio 2026 

A MAG Seguros, empresa com 191 anos de atuação ininterrupta no segmento de vida e previdência, conquistou o primeiro lugar no ranking Great Place to Work Rio de Janeiro (GPTW Rio). A premiação destaca as melhores empresas para trabalhar no estado a partir da percepção de seus próprios colaboradores. A cerimônia de premiação foi realizada nesta terça-feira (30), no Rio de Janeiro, e contou com a presença de lideranças da companhia, como Helder Molina, Chairman e CEO do Grupo MAG; Leonardo Lourenço, Vice-presidente; Patrícia Campos, Diretora de Gente & Gestão; Raphael Barreto, CFO do Grupo; Fernanda Erbist, Diretora de Governança, Risco e Compliance; e Carolina Vieira, Diretora de Parcerias Estratégicas do Grupo MAG. 
 

A MAG começou sua trajetória no Rio de Janeiro há quase 200 anos e, até hoje, acredita que cuidar de pessoas é a melhor forma de gerar impacto positivo e resultados sustentáveis. O reconhecimento do GPTW reafirma o compromisso da companhia em promover um ambiente acolhedor, diverso e colaborativo, no qual os profissionais são protagonistas de suas trajetórias. 
 

“Receber pelo segundo ano consecutivo o primeiro lugar no GPTW Rio é motivo de enorme orgulho para todos nós. Mais do que um reconhecimento institucional, essa conquista reflete a experiência vivida diariamente por nossos colaboradores e demonstra que é possível construir resultados sustentáveis colocando as pessoas no centro das decisões. Ao longo de quase 200 anos, aprendemos que cuidar de pessoas é o que nos permite seguir relevantes, inovando e construindo um legado para as próximas gerações”, afirma Helder Molina, CEO e chairman do Grupo MAG. 
 

Ao longo dos últimos anos, a companhia tem ampliado investimentos em desenvolvimento profissional, bem-estar, diversidade, inclusão e formação de lideranças, entre outras iniciativas voltadas à construção de uma experiência cada vez mais positiva para seus colaboradores. 
 

“Esse reconhecimento pertence a cada colaborador que ajuda a construir o Nosso Jeito MAG de Ser. O lançamento do nosso EVP consolidou aquilo que já vivíamos na prática, o compromisso de ouvir, acolher e criar condições para que as pessoas possam se desenvolver de forma integral. Estar em primeiro lugar no GPTW Rio reforça que estamos no caminho certo. Em quase dois séculos de atuação, seguimos valorizando o desenvolvimento das pessoas e inovando para a construção de um legado de confiança, mantendo viva uma cultura que valoriza o cuidado, a proximidade e as relações humanas, ” destaca Patrícia Campos, Diretora de Gente e Gestão do Grupo MAG. 
 

Em 2025, a MAG Seguros deu um passo importante para continuar entre as melhores empresas para se trabalhar com o lançamento oficial do seu Employee Value Proposition (EVP), o “Nosso Jeito MAG de Ser”. A iniciativa tem como objetivo consolidar as singularidades que fazem parte da experiência de quem trabalha na companhia. Além disso, a seguradora tem investido em ações voltadas ao relacionamento com seus colaboradores, como o “MAGDay”, evento mensal que fortalece a cultura corporativa e estratégica da MAG. O “Plural”, por sua vez, representa o compromisso contínuo da companhia com a construção de uma cultura de diversidade e inclusão. Formado por um grupo de colaboradores voluntários, a iniciativa promove ações voltadas à ampliação da representatividade e à conscientização, tornando o ambiente mais justo e representativo.  
 

Outra importante ação da companhia é o programa “MAG Cuida”, uma rede integrada de acolhimento e suporte ao colaborador, utilizada ao longo de diferentes momentos de sua trajetória e que oferece orientação especializada e acompanhamento contínuo, sempre respeitando a confidencialidade do profissional. O programa é complementado por ações como o “Clube de Benefícios”, que oferece descontos e parcerias, e o programa “Tamo Junto”, que disponibiliza assistência psicológica, social, jurídica e financeira aos colaboradores, podendo se estender também a seus dependentes. 
 

O GPTW (Great Place to Work) é uma consultoria global especializada em cultura organizacional e clima de trabalho que reconhece as melhores empresas para trabalhar, evidenciando o compromisso das empresas em ofertar um ambiente de trabalho saudável e de alta performance para seus colaboradores.

Grupo HDI levará corretores para a Itália e o nordeste brasileiro com a campanha Conexão Mundo e Brasil 2026

O Grupo HDI anuncia o lançamento da Conexão Mundo e Brasil 2026, nova edição de seu programa de incentivo voltado ao fortalecimento da rede de distribuição e à valorização dos parceiros comerciais. Realizada entre 1º de julho e 31 de dezembro de 2026, com emissões válidas até 31 de janeiro de 2027, a ação reúne as marcas Yelum, HDI e Aliro Seguros e oferecerá viagens nacionais, internacionais e premiações no Cartão Cresça Corretor aos profissionais que se destacarem em desempenho comercial ao longo do período.

Mais do que premiar resultados, a iniciativa integra a estratégia do Grupo HDI de investir continuamente no desenvolvimento de seus parceiros, estimulando o crescimento sustentável dos negócios, a diversificação das carteiras e a ampliação da oferta de soluções de proteção aos clientes. Nesta edição, o programa abrange diferentes públicos do ecossistema comercial da companhia, incluindo corretores, assessorias, gerentes, executivos de contas e, área comercial interna.

A dinâmica é válida para seguros novos e renovações dos produtos participantes e está estruturada em grupos definidos conforme critérios estabelecidos pelo Grupo HDI. Dessa forma, profissionais acumulam pontos a cada apólice emitida para compor rankings específicos que definirão os vencedores em cada categoria. Entre as premiações estão uma viagem internacional para Roma, na Itália, com direito a acompanhante; e uma nacional para o Nordeste brasileiro, também com acompanhante; além de créditos no Cartão Cresça Corretor.

“A Conexão Mundo e Brasil representa muito mais do que uma campanha de incentivo. Ela traduz nosso compromisso permanente com o desenvolvimento dos corretores e parceiros comerciais, que ocupam um papel estratégico na expansão dos nossos negócios e na construção de relacionamentos duradouros com os clientes. Queremos reconhecer esse protagonismo e seguir oferecendo ferramentas, experiências e oportunidades que contribuam para a evolução conjunta de todo o nosso ecossistema”, afirma Marcos Machini, vice-presidente Comercial do Grupo HDI.

Ao reunir HDI Seguros, Yelum e Aliro em uma mesma plataforma de relacionamento, a Conexão Mundo e Brasil 2026 reforça a estratégia multimarcas do Grupo HDI e evidencia o compromisso da companhia com a valorização de sua rede de parceiros. A expectativa é fortalecer a atuação consultiva dos corretores, ampliar oportunidades de negócios e impulsionar o acesso dos clientes a um portfólio cada vez mais completo de soluções de proteção. É possível conferir o vídeo oficial da campanha no Youtube.

Porto e Bradesco disputam liderança no ranking de seguros de riscos patrimoniais

O mercado brasileiro de seguros iniciou 2026 mantendo um ritmo de crescimento acompanhado por melhora da rentabilidade das operações. Levantamento divulgado pelo IRB+Inteligência mostra que o faturamento do setor — sem incluir saúde suplementar, VGBL, previdência aberta, capitalização e DPVAT — avançou 6,8% entre janeiro e abril, enquanto o lucro líquido das seguradoras alcançou R$ 14,7 bilhões no período, alta de 17,5% sobre o primeiro quadrimestre de 2025. A combinação de expansão dos negócios com redução da sinistralidade reforça um ambiente favorável para as seguradoras, ao mesmo tempo em que aumenta a disputa por participação de mercado.

O ranking dos dez maiores grupos seguradores evidencia esse cenário competitivo. A Porto Seguro lidera o mercado, com R$ 7,9 bilhões em prêmios emitidos entre janeiro e abril, seguida muito de perto pelo Bradesco Seguros, com R$ 7,78 bilhões. A diferença entre as duas companhias é de apenas R$ 119 milhões, equivalente a cerca de 0,2 ponto percentual de participação dentro do Top 10.

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Mais do que a disputa pela liderança, o ranking revela mudanças importantes na configuração do mercado. O Grupo HDI Seguros, que reune as marcas HDI, Yelum e Aliro, consolidou a terceira posição nacional, com R$ 5 bilhões em prêmios emitidos, praticamente empatado com o Banco do Brasil. O desempenho confirma a estratégia de expansão do grupo no Brasil e ajuda a explicar a intensa movimentação de executivos observada nos últimos meses, especialmente no segmento de riscos corporativos, hoje um dos mais disputados pelas seguradoras diante do ambiente de forte concorrência, excesso de capacidade de resseguro e das adaptações exigidas pelo novo Marco Legal dos Seguros.

Na sequência aparecem Banco do Brasil, Tokio Marine e Mapfre, formando um bloco bastante equilibrado entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões em faturamento no quadrimestre. Allianz, Itaú Unibanco, Zurich e Prudential completam o ranking dos dez maiores grupos seguradores. Juntas, essas dez companhias responderam por R$ 47,3 bilhões em prêmios emitidos entre janeiro e abril.

Outro aspecto que chama atenção é a diferença no perfil das carteiras. A média de sinistralidade do Top 10 ficou em 42,9%, mas há grande dispersão entre os grupos. A Allianz apresentou índice de 59,2%, reflexo de uma carteira mais concentrada em ramos com maior frequência de sinistros, enquanto o Itaú Unibanco registrou 19%, seguido por Banco do Brasil (24,7%), Prudential (28,9%) e Zurich (29%).

A melhora da rentabilidade observada no setor acompanha a redução da sinistralidade agregada. Em abril, o índice caiu para 36,9%, redução de 4,6 pontos percentuais frente ao mesmo mês do ano passado. No acumulado do quadrimestre, a sinistralidade ficou em 37,9%, queda de 3,7 pontos percentuais na comparação anual.

O principal motor do crescimento continua sendo o seguro de Vida, responsável por quase 40% da expansão registrada em abril. O segmento faturou R$ 7,1 bilhões no mês e acumula alta de 8,6% no ano, impulsionado principalmente pelos produtos de vida individual e prestamista.

O seguro Automóvel também manteve desempenho positivo, com crescimento de 7,8% em abril e faturamento de R$ 5,2 bilhões, embora continue pressionado pela elevada sinistralidade, que passou de 60,1% para 61,2%.

Já o maior avanço proporcional foi registrado pelo segmento de Crédito e Garantia, cujo faturamento cresceu 52,6% em abril e acumula expansão de 29,5% no quadrimestre. O desempenho foi impulsionado sobretudo pelos seguros garantia destinados ao setor público, enquanto a sinistralidade recuou para 28,1%.

Em sentido oposto, os seguros corporativos de danos e responsabilidades registraram retração de 4,2% em abril, embora permaneçam estáveis no acumulado do ano. O seguro rural segue como a única carteira em queda, com redução de 2,5% no faturamento do quadrimestre. Ainda assim, apresentou uma das maiores melhoras operacionais, com queda de 12,1 pontos percentuais na sinistralidade.

Outro indicador que reforça o aquecimento do mercado é o crescimento das operações de resseguro. As cessões totalizaram R$ 10 bilhões entre janeiro e abril, avanço de 6,1% sobre igual período de 2025, impulsionadas principalmente pelo segmento de automóveis, responsável por mais de 80% desse crescimento.

Na avaliação do mercado, o ranking do IRB mostra que a competição deixou de ocorrer apenas entre produtos e preços. O fortalecimento do Grupo HDI na terceira posição, a disputa acirrada entre Porto e Bradesco pela liderança e a intensa circulação de executivos entre seguradoras e resseguradoras refletem um novo momento da indústria. Além da busca por crescimento, as companhias disputam talentos especializados capazes de atender um mercado corporativo mais complexo, em meio ao excesso de capital disponível no resseguro e à implementação das regras do Marco Legal dos Seguros, que exigem revisão de contratos, produtos e processos de subscrição e distribuição.

Expansão das energias renováveis no Nordeste impulsiona demanda por seguro garantia

A transição energética brasileira tem no Nordeste seu principal vetor de crescimento. A região concentra a maior parte dos empreendimentos eólicos do país, lidera a expansão da geração renovável e vem atraindo investimentos bilionários em parques eólicos, usinas solares, linhas de transmissão e novas tecnologias associadas à transição energética.  

À medida que essa transformação avança, cresce também a necessidade de mecanismos capazes de assegurar a execução dos projetos e dar suporte a investimentos de longo prazo. Nesse cenário, o Seguro Garantia vem ganhando relevância como ferramenta essencial para a viabilização dos empreendimentos energéticos.

Um exemplo dessa dinâmica foi o Leilão de Transmissão nº 01/2026, realizado pela ANEEL na B3, que resultou na arrematação de cinco lotes, com cerca de R$ 3,3 bilhões em investimentos estimados e a implantação de 859 quilômetros de novas linhas de transmissão. Projetos dessa magnitude exigem garantias robustas para assegurar o cumprimento das obrigações assumidas pelas empresas vencedoras desde a apresentação das propostas até a entrega da infraestrutura.

Nos projetos de geração e transmissão, os desafios vão muito além da construção dos ativos. Cumprimento de cronogramas, performance operacional e exigências regulatórias são fatores determinantes para a viabilidade econômica dos empreendimentos. Atrasos podem gerar penalidades, comprometer contratos de fornecimento de energia e impactar diretamente o retorno esperado por investidores e financiadores.

É nesse contexto que o Seguro Garantia assume um papel estratégico. Além de assegurar o cumprimento das obrigações contratuais, ele preserva a capacidade de crédito das empresas junto ao sistema financeiro, diferentemente de modalidades que consomem limites bancários. Em setores intensivos em capital, como energia e infraestrutura, essa característica se traduz em maior eficiência financeira e maior capacidade de investimento.

“No setor elétrico, prazo e execução têm impacto direto sobre a operação do sistema e a viabilidade econômica dos projetos. O Seguro Garantia vem se aprimorando para acompanhar essa complexidade, considerando cronograma, capacidade técnica e obrigações regulatórias previstas nos contratos”, afirma Roque de Holanda Melo, CEO da Junto Seguros.

A importância desse instrumento tende a crescer à medida que os projetos ganham escala. A Bahia, por exemplo, responde por cerca de 37% da geração eólica nacional e acumula investimentos estimados em R$ 77 bilhões no setor. Com a expansão da geração renovável e da infraestrutura de transmissão necessária para escoar essa energia, aumenta também a demanda por soluções capazes de oferecer previsibilidade e segurança para investidores, financiadores e reguladores.

Em um ambiente de expansão acelerada da infraestrutura energética, especialmente no Nordeste, ele contribui para fortalecer a governança dos projetos, aprimorar a gestão de riscos e dar suporte aos investimentos de longo prazo que estão transformando a matriz energética brasileira. “O avanço da transição energética exige projetos cada vez mais estruturados do ponto de vista financeiro e contratual. O Seguro Garantia contribui para dar previsibilidade, segurança e capacidade de execução a esses empreendimentos”, ressalta Melo.

ESSOR Seguros celebra 15 anos

A ESSOR Seguros, integrante do Grupo SCOR, completa 15 anos de atuação no mercado brasileiro consolidando uma trajetória marcada pela inovação, especialização e desenvolvimento de soluções para nichos estratégicos. Nesses 15 anos a ESSOR conquistou destaque em diversos ramos do mercado. “Hoje somos a maior seguradora de RC ônibus do país com 48% de participação de mercado. Ocupamos a segunda posição no seguro Agro e estamos entre as três maiores seguradoras no segmento de embarcações”, destaca Roberto Uhl, head de desenvolvimento de negócios e inteligência de mercado da ESSOR Seguros, em nota.

A companhia também tem atuação relevante nos seguros de transporte de mercadorias, eventos, painéis solares fotovoltaicos, bicicletas, garantia e riscos de engenharia. “Esses resultados refletem nossa estratégia de investir em nichos especializados e desenvolver soluções alinhadas às necessidades de cada segmento”, ressalta o executivo. 

Desde o início de suas operações no Brasil, a seguradora apostou em um modelo de negócios baseado em parcerias estratégicas e no desenvolvimento de produtos. “A ESSOR Seguros agregou muito ao mercado de seguros do Brasil nestes últimos quinze anos, com uma atuação marcada pelo pioneirismo em segmentos que careciam de opções de produtos diferenciados”, afirma Roberto Uhl. 

Com uma rede de cerca de 15 mil corretores e distribuição digital, a ESSOR considera esses profissionais fundamentais para sua trajetória de crescimento. “Nosso foco, desde o início, foi fortalecer a relação com os corretores de seguros, que são parte essencial da história de sucesso da ESSOR”, ressalta o executivo.

Otimista quanto ao futuro, para os próximos anos a companhia pretende ampliar o portfólio de produtos, fortalecer parcerias de longo prazo e intensificar os investimentos em tecnologia, atendimento e capacitação de colaboradores. “Estamos vivendo um momento importante de transformação na indústria de seguros e preparados para esse novo cenário, impulsionado pelo uso intensivo da Inteligência Artificial”, conclui Roberto Uhl.