Expectativa de retomada este ano

Fonte: Valor Financeiro – Seguros

Para especialistas, aprovação do ajuste fiscal cria um ambiente de investimento de longo prazo mais animador

Por Roseli Loturco

Lima. da Brasilprev: ações de educação previdenclária

O s últimos dois anos têm se mostrado desafiadores para a indústria da previdência aberta no Brasil. Após um 2013 turbulento, por conta das mudanças nas regras de alongamento das carteiras em meio à inversão da curva de juros, 2014 também reservou histórias difíceis de contar. Além de dois eventos como Copa do Mundo e eleições, que roubaram a atenção e plantaram dúvidas na cabeça do investidor, o mercado ainda se ressentiu com a alta volatilidade que atravessou o ano e deixou algumas seguradoras no negativo em termos de captações líquidas. Foram os casos da Metropolitan Life, Mapfre e Allianz, que amargaram mais saídas do que entradas de recursos nos planos previdenciários. As operadoras fecharam o ano no vermelho, com menos R$ 360,02 milhões, RS 169,31 milhões e RS 25,63 milhões, respectivamente, segundo estudo feito pela consultoria NetQuant com 929 fundos que consideram apenas as categorias Vida Gerador de Benefícios Livres (VGBL) e Plano Gerador de Recursos Livres (PGBL).

Apesar do cenário conturbado, o mercado como um todo conseguiu apresentar números consolidados melhores do que os das três seguradoras. Os dois últimos meses do ano foram em parte responsáveis por isso. Sazonalmente mais fortes, as vendas se aqueceram em novembro e dezembro, o que elevou a carteira total de investimentos em 18,4%, para R$ 442 bilhões, segundo dados da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi). “O ano passado foi difícil. O mercado de capitais é reflexo da economia, que teve baixíssimo crescimento. Com incertezas, o investidor deslocou os recursos de longo prazo para curto prazo”, avalia Osvaldo Nascimento, presidente da entidade. “Mas considerando todos esses eventos e com o final de ano aquecido, até que fomos muito bem”, afirma.

A aposta para 2015 é de resultados melhores para a indústria, mesmo em meio a um ambiente macroeconômico e político bastante conturbados. Os três primeiros meses do ano mostram isso. O total de ativos em março bateu a casa dos R$ 460 bilhões, crescimento de 20 % em relação ao mesmo período de 2014. A explicação, para a Fenaprevi, é a expectativa positiva em relação à aprovação do ajuste fiscal proposto pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que deve trazer maior estabilidade para a

economia no médio e longo prazos. Além disso, o setor acaba de aprovar a Resolução 4402, que veio a corrigir distorções da 3308, ao criar mecanismo mais suaves e escalonados de alongamento das carteiras em períodos de volatilidade. Até o fim de 2015, mantém-se o alongamento pelo fluxo de recursos novos. Em 2016, a duração será de um ano e somente em 2017, o prazo de vencimento da carteira subirá para dois anos. “Com as novas regras, as seguradoras poderão proteger as carteiras com o uso de derivativos sem impacto nos prazo. Tudo para evitar o estresse de 2013 novamente”, avalia Nascimento.

Apesar da mudança positiva em relação à remuneração das carteiras – tanto em renda fixa, quanto variável -, este ano o investidor tem preferido manter suas apostas em planos mais conservadores, realizando constantes retiradas principalmente dos fundos de ações. Isso por duas razões. Primeiro, porque ainda não esqueceu o trauma das perdas ocorridas em 2013 com a bolsa caindo e juros mudando de rumo. Segundo porque com a Selic a 13,25% e a NTN-B de2024/30 remunerando os investimentos em IPCA mais 6,5%, ele não vê necessidade de sair da zona de conforto e correr riscos para engordar o bolo de suas aplicações. Ainda que alguns fundos como o Guardian FI Multimercado Crédito Privado, do Bradesco, venham liderando os ganhos do ano, com alta de 21,45% nos três primeiros meses, conforme pesquisa NetQuant “No ranking dos dez melhores fundos em rentabilidade, todos são multimercados e os três primeiros estão com ganhos altíssimos, devido à forte alocação em câmbio ou dólar futuro”, diz Marcelo Nazareth, presidente da consultoria.

Mas mesmo com performance de ganhos nos fundos multimercados acima da concorrência, o Bradesco Vida e Previdência ainda mantém 93% dos R$ 144 bilhões de ativos que administra em fundos de renda fixa. Porque é assim que o investidor quer. Ao final de 2014, a carteira total de investimentos estava em R$ 140,7 bilhões, crescimento de 12,8% em relação a 2013. Apesar de manter a liderança nessa indústria, com cerca de 30% das reservas totais, o Bradesco sofreu para fechar 2014 no terreno positivo das captações líquidas. A arrancada na reta de chegada compensou os outros dez meses e fez com que atingisse RS 1,68 bilhão líquidos. Sua meta para 2015 é avançar entre 10% e 12% no total de ativos.

“Fizemos vários ajustes entre 2013 e outubro de 2014 para unificação das quatro áreas de negócios do grupo segurador que nos dará certa vantagem”, sinaliza Lúcio Flávio Condurú, presidente da Bradesco Vida e Previdência. Essa união dará à entidade um batalhão adicional de 19 mil corretores, além dos 4,2 mil que possui e que são especializados nos planos previdenciários. “O modelo é virtuoso. Especializamos uma força adicional que irá explorar o canal banco para aumentar as vendas.”

Não há dúvida de que a qualificação da oferta cada vez mais fará a diferença nesse mercado. O suitability (regra da CVM que exige adequação dos produtos e serviços ao perfil do cliente), a certificação dos profissionais, taxas e serviços deverão entrar na conta do investidor na escolha pelo plano. A venda consultiva deverá se sofisticar se quiser fisgar pessoas e empresas que estão mais exigentes e querem entender as exatas vantagens e desvantagens do investimento de longo prazo. Nessa linha, a Brasilprev reforçou no ano passado as ações de educação previdenciária. Por meio dos seus canais digitais, lançou vídeos explicativos no YouTube, fez seminários sobre o cenário econômico e as mudanças nas regras da previdência, realizou 1.090 palestras com 48 mil investidores e lançou novas famílias de produtos.

“Essas ações fizeram com que a empresa tivesse um desempenho acima da média do mercado, com um dos melhores índices de resgates da indústria e sem registro de captação negativa”, afirma Miguel Terra Lima, presidente da seguradora que faz parte da holding BB Seguridade. A Brasilprev liderou o ranking das dez maiores captações líquidas de 2014, com R$ 18,91 bilhões. Resultado quase três vezes superiorao do segundo colocado, Itaú Unibanco, e muito distante do terceiro, Bradesco, conforme levantamento NetQuant. A seguradora também projeta crescer acima da média do setor em 2015, que prevê avançar 12%. “Queremos crescer entre 27% e 36%. A Brasilprev continuará aumentando seu protagonismo na indústria”, aposta Terra Lima, que destaca a importância do setor previdenciário como investidor institucional, porque o mercado tem ativos de longo prazo, que geram recursos para financiar o desenvolvimento do país. No primeiro trimestre, a Brasilprev acumulou RS 4,94 bilhões em captação líquida.

Para o Itaú Unibanco, o ano de 2014 foi bom e de recuperação do anterior. Isso porque na sua avaliação o cliente está mais maduro e conhecedor do mercado de renda fixa. “Hoje, ele sabe que renda fixa também varia. E não fica mais chateado em ver oscilações negativas. Ficava quando não entendia a funcionalidade do mercado”, avalia Cláudio Sanches, diretor de investimentos e previdência do banco, que está entre os três maiores em carteira total de ativos, com RS 103,1 bilhões ao final de 2014, quando avançou 33,3% nas captações líquidas.

Todo início de ano, e neste não foi diferente, Sanches vê um esforço do mercado para capturar parte dos bônus pagos sazonalmente pelas empresas nesta época. Outro fator de oportunidade é o período de recolhimento do Imposto de Renda para quem faz declaração completa e podería deduzir 12% de seus aportes em PGBL “O que faz com que se programe pensando nesse benefício para o próximo ano.” Ao contrário de seus pares, ele acredita que é possível levar algumas vantagens em anos onde a atividade econômica se retrai, como neste. Isso porque a média e a alta renda ao invés de consumir, se preocupa com o futuro e investe mais. “Claro que a retração econômica impacta o nosso negócio, mas enquanto houver controle do desemprego, uma coisa compensa a outra.”

Sanches lembra a máxima do mercado que diz que o investidor não deve colocar todas as fichas no mesmo pacote. O ideal é que divida suas reservas em três: a de emergência, de previdência e de construção de patrimônio. Ao integrar a previdência com outros produtos de investimento é possível ter uma visão consolidada do cliente.

Aproveitando a boa onda de alta performance dos fundos, a Icatu Seguros projeta um 2015 melhor do que 2014 e vê espaço para essa indústria avançar no Brasil. “Hoje, só 11 milhões de pessoas têm um PGBL ou VGBL E a maioria das pequenas e médias empresas ainda não oferecem esses benefícios. O que mostra o enorme potencial”, afirma Luciano Snel, presidente da seguradora, que fechou 2014 com R$ 8,1 bilhões em ativos, incremento de 19% sobre o período anterior. Algumas razões explicam o resultado, como o aumento

de 23% nas contribuições mensais dos participantes e o crescimento das portabilidades de entrada, que chegou a RS 1,1 bilhão no ano passado, 13% maior que em 2013. “O que reflete uma carteira sustentável e que permite construir uma base de reservas para o longo prazo da companhia”, diz Snel. A Icatu administra dois dos dez fundos que apresentaram melhor rentabilidade nos primeiros três meses de 2015: o Icatu Bluezinger FIC H Multimercado e o Palmares F1 Multimercado Crédito Privado, com alta de 7,22% e 6,77%, respectivamente, segundo a NetQuant. Trabalha com 30 diferentes gestoras e possui 5 mil corretores ativos.

Bem mais otimista do que o resto da concorrência, o Santander prevê avançar 50% em captação líquida e 17% no total de reservas este ano. “Apesar do cenário macroeconômico difícil, os efeitos na previdência não devem ser relevantes, porque trabalhamos forte a consultoria de investimentos”, acredita João Batista Mendes Ângelo, diretor de previdência da Zurich Santander, que fechou 2014 com R$ 1,33 bilhão em captação líquida e ativos investidos de RS 24,5 bilhões. Tanto otimismo vem do termômetro do primeiro trimestre de 2015, com resultado líquido de R$ 267,7 milhões, 20% a mais do que no mesmo período de 2014. “As atividades de investimentos de longo prazo não desaceleraram e o investidor começa a enxergar maior valor nesses aportes”, diz Mendes Ângelo, que detêm 90% de seus fundos previdenciários alocados cm ativos de renda fixa.

Potencial do país atrai estrangeiros

Fonte: Revista Seguros – Valor Econômico

A possibilidade de manter um ritmo de crescimento de dois dígitos faz com que o Brasil seja o centro de atuação na América Latina

Por Marlene Jaggi

Nem o cenário econômico nem a crise política abalam a disposição das empresas seguradoras e resseguradoras de investir no mercado brasileiro. Somente no ano passado, 16 novas companhias passaram a atuar na área no Brasil, das quais 12 são estrangeiras. Neste ano, até abril, foram mais quatro – todas estrangeiras.

“O Brasil é um país de 200 milhões de pessoas, tem uma democracia consolidada e o setor, um grande potencial de crescimento”, afirma Solange Beatriz Palheiro Mendes, diretora executiva da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg). A visão de CEOs do setor não é diferente.

“O Brasil é a maior economia da América Latina e vai continuar sendo. A longo prazo não tem como não estar aqui”, diz Guillermo León, CEO da alemã HDI-Gerling, empresa do Talanx Group, que está no Brasil desde 1997, com a HDI Seguros, e obteve no ano passado autorização da Superintendência de Seguros Privados (Susep) para atuar na área de seguros industriais. “A decisão de expandir faz parte da estratégia de fortalecer a atuação no maior país latino-americano e tomá-lo um hub para a região”, diz o executivo. No mercado já é vista como provável, no segundo semestre, a abertura de capital da Caixa Seguros e Par Corretora, o que poderia atrair capital externo.

A HDI-Gerling integra o novo time de players que chega para enfrentar uma concorrência acirrada desde que a abertura do mercado brasileiro trouxe ao Brasil os grandes competidores internacionais. Entre eles, está a francesa AXA, que voltou ao país para atuar em linhas comerciais e se diz igualmente disposta a fazer do Brasil uma plataforma para avançar na América Latina. No segmento de resseguros, em que a AXA também vai atuar, estão entre os novos competidores a igualmente francesa Scor, a alemã Allianz Se, e a italiana Generali. A promessa da AXA é investir R$ 400 milhões nos primeiros anos da operação.

Toda essa movimentação tem foco no potencial do mercado brasileiro. “Embora os negócios tenham crescido a uma taxa de cerca de 10% ao ano, o índice de penetração na arrecadação do seguro no PIB ainda é de 6,4%, baixo em relação a outros países”, diz Alfredo Sneyers, sócio e líder de seguros da PricewaterhouseCoopers Brasil (PwC). Segundo ele, é a inserção de novas classes sociais no mercado de consumo, nos últimos anos, que explica as boas taxas de crescimento no setor. E é a cultura do brasileiro, que ainda é reticente à necessidade de proteger seus bens, que indica o quanto a atividade pode ser ampliada no país.

Entre os grupos que estão se expandindo na área corporativa, de altos riscos, o que não falta é otimismo. A Swiss Re Corporate Solutions Brasil Seguros, unidade de seguros comerciais do grupo Swiss Re, por exemplo, comemora um crescimento em 2014 de 30% no volume de prêmios. “Todas as empresas sofrem com a turbulência macroeconômica e política, mas no médio e longo prazo o negócio continua promissor”, diz o CEO da unidade, João Nogueira Batista. Segundo ele, trata-se de um mercado com crescimento reprimido e muito investimento a ser feito. “Há uma defasagem de investimento em infraestrutura e na parte de pessoas físicas: com o crescimento da renda, um público maior passou a consumir mais saúde e previdência, entre outros tipos de seguro.”

O crescimento da Swiss Re Corporate Solutions, segundo Batista, foi puxado pela carteira de agronegócios e pela carteira do seguro garantia. “Mas as outras linhas também começaram a crescer”, diz. A meta é aumentar a participação na área patrimonial e de responsabilidade civil, que ainda é pequena. Na HDI-Gerling, entre as quatro linhas oferecidas desde o início do ano (propriedade, transportes, responsabilidade civil e engenharia), o carro-chefe tem sido o seguro de propriedades, que concentra 35% do volume de prêmios. O setor mais prejudicado, segundo León, é o de engenharia. A linha cobriría as obras que não estão sendo feitas por causa do ajuste fiscal. “Mas o Brasil precisa desses investimentos e eles virão.” Com 15 anos de mercado mundial e presença em 39 países, a HDI-Gerling tem aberto em média duas novas unidades no exterior por ano – as mais recentes estão no Canadá, Cingapura e Bahrein, na Península Arábica.

Na avaliação de Marcelo Mansur Haddad, sócio da área de seguros, resseguros e previdência do escritório Mattos Filho, Veiga Filho, Marreyjr. e Quiroga Advogados, o entusiasmo das empresas internacionais com o país continua alto, mas há dois pontos a considerar. “Alguns têm a percepção de que há muitos agentes e por isso uma alta competitividade, o que é relativamente bom para quem compra seguro, mas exige uma atenção maior das empresas”, explica.

A segunda questão é o grande ponto de interrogação acerca dos desdobramentos da operação Lava-Jato e outros episódios do gênero sobre alguns nichos do mercado. “Essa onda prejudica, assusta, mas também indica que o país enfrenta questões como essas sem crises institucionais e sem radicalismos. Sinaliza para uma estabilidade de longo prazo, o que é importante para qualquer investidor”, analisa Mansur.

A Mattos Filho tem trabalhado menos do que nos últimos anos nas grandes operações no setor, até porque quase todos os grandes players já estão por aqui, mas prestou assessoria à maior transação da área de seguros em 2014: a aquisição, porRS 1,5 bilhão, de 100% do capital social da Itaú Seguros Soluções Corporativas pela ACE, empresa americana com sede na Suíça que oferece

seguros e resseguros em o** países. ia cpuca uu negociação, em agosto do ano passado, a ACE informou que o objetivo da aquisição é “complementar e aprofundar a presença do grupo no Brasil”.

Para enfrentar a concentração de mercado, as empresas têm procurado redimensionar estratégias e mostrar serviço. “E nisso as estrangeiras estão em vantagem, porque têm a expertise internacional”, diz o CEO da HDIGerling. A receita do CEO da Swiss Re Corporate Solutions para se diferenciar é parecida. “Procuramos estar atentos à evolução das necessidades dos nossos clientes. Eles vão se sofisticando na administração de riscos e precisamos estar aptos a responder a isso.” Uma das táticas da empresa é aliar o conhecimento de especialistas locais com inovações que vêm da matriz e assegurar serviços em pontos frágeis como a solução de sinistros.

Nesse processo de redimensionamento de estratégias, alguns grupos ajustam seu posicionamento. A Itaú Seguros e a SulAmerica venderam suas carteiras de grandes riscos que foram adquiridas, respectivamente, pela americana ACE e pela francesa AXA Corporate Solutions. A SulAmerica anunciou o negócio no dia 21 de maio. O acordo no valor de R$ 135 milhões inclui as operações do seguro DPVAT. Gabriel Portella, presidente da SulAmerica, explica que a carteira gera RS 400 milhões em prêmios, mas o negócio de grandes riscos não está mais no foco da companhia cujo posicionamento está voltado para o varejo e o middle market.

Além de chegadas, fusões e aquisições, outra movimentação tem chamado a atenção dos analistas do setor: a busca, de empresas locais, por mercados além das fronteiras brasileiras. O foco é a América Latina, mais especificamente Colômbia, Chile e México. Em dezembro, o Paraná Banco e a Travelers, por meio de sua holding de seguros JMalucelli Latam, adquiriram o controle acionário da Cardinal Compania de Seguros, empresa colombiana da área de seguro garantia. O grupo segurador brasileiro aguarda a autorização da Susep colombiana para concluir a operação no segundo semestre deste ano, informa a empresa.

Em abril, foi a vez da Terra Brasis Ressseguros anunciar ter recebido sinal verde para operar no México. A empresa atua no Peru e tem autorização para operar na Colômbia, país que vem ganhando cada vez mais a atenção dos players do setor. No Final de 2014, a Swiss Re Corporate Solutions fechou uma participação na Confianza, importante player local. De acordo com Mansur, o processo de internacionalização das brasileiras requer uma ampla discussão com o Fisco sobre como eliminar barreiras tributárias para uma atuação regional.

Para quem acha que há saturação de mercado e cautela por parte dos grandes grupos em avançar no Brasil, Solange Menda, da CNseg, é clara: “Contaremos neste ano e em 2016 com um forte interesse internacional”. Não é mais um crescimento exponencial, reconhece, mas um avanço acima de dois dígitos, o que é muito mais do que se observa em vários outros setores da economia.

Desmanche legal cria um novo nicho

Fonte: Revista Valor Financeiro – Seguros

Lei que regulariza desmonte de veículos pode reduzir roubos e abrir espaço para o seguro popular, com uso de peças recondicionadas

Por Felipe Datt

De 2010 a 2014, uma média de 420 mil veículos foram furtados ou roubados, anualmente, no Brasil. O número equivale a 1.150 automóveis por dia, ou 48 por hora, a cada ano. Na média anual, apenas 210 mil veículos foram recuperados e devolvidos aos seus proprietários. A localização exata desse imenso contingente que supera a marca de 1 milhão, o equivalente à frota de Curitiba, é desconhecida, mas o paradeiro, na grande maioria dos casos, está na ponta da língua dos especialistas: os desmanches clandestinos.

Essas “oficinas” especializadas na desmontagem dos veículos e na posterior comercialização das peças no mercado negro proliferam no Brasil e são o grande chamariz das quadrilhas especializadas, que, em 2014, ajudaram a turbinar as estatísticas desses ilícitos. Apenas no ano passado, segundo dados da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg), foram 516.084 veículos roubados no Brasil, um crescimento de 10% ante os 469.106 do ano anterior. Um problema que reflete diretamente nos índices de sinistralidade das seguradoras (superior a 60% na média dos últimos cinco anos), nos desembolsos com indenizações e no valor de seguro mais salgado para os motoristas.

Dos veículos roubados em 2014, apenas 273.832 foram recuperados, ou 53% do total. “Eliminando o destino final desses veículos, reduziremos os roubos e furtos e os efeitos positivos serão sentidos por todo o mercado segurador”, prevê o diretor-executivo da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), Neival Freitas. Mais do que um desejo, a regularização da atividade de desmontagem de veículos e o fechamento das oficinas clandestinas pode se tornar realidade com a Lei Federal 12.977/14, a popular Lei do Desmanche.

A legislação, sancionada em 2014 e com regulamentação prevista no primeiro semestre deste ano, “regulariza e disciplina a atividade de desmontagem ou destruição de veículos”, em uma versão nacional de textos correlatos como a Lei 15276/14, do Estado de São Paulo. Em vigor desde julho de 2014, o texto paulista motivou a criação de uma força-tarefa que, até meados de março deste ano, havia fiscalizado mais de mil desmanches ilegais de veículos, dos quais 770 foram fechados. Os roubos ainda cresceram no Estado em 2014, mas em ritmo menor.

“A lei federal é boa, mas se o poder público dos demais Estados não a aplicarem e não houver fiscalização eficiente dos desmanches a exemplo de São Paulo, será letra morta”, opina o diretor-geral da Porto Seguro, Luiz Pomarole. Além da regularização dos desmanches visando reduzir roubos e, por tabela, o número de sinistros, o otimismo do setor recai sobre um possível “efeito secundário” da lei.

Ao prever, no artigo 2 o , que o desmonte dos veículos será seguido da “destinação das peças ou conjunto das peças para reposição ou sucata”, a lei federal abre espaço para que o mercado segurador tenha atendido um antigo pleito de operar com produtos cujas coberturas prevejam a utilização de peças usadas ou recondicionadas, com origem certificada e rastreada, no reparo de automóveis, – hoje, por lei, as seguradoras só podem reparar os carros com peças novas e originais de fábrica, um dos principais fatores de encarecimento do valor do seguro para carros mais antigos.

Para isso, é aguardada para 2015 a publicação pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) de uma circular autorizando o desenvolvimento do chamado “seguro popular”, mais barato, com foco em carros mais antigos e cujo objetivo principal é amparar um grande contingente de motoristas que hoje não possuem proteção para seus veículos. “O seguro ainda não cabe em muitos orçamentos. Com o seguro popular, a tendência é oferecer um custo de reparo menor e inserir novos consumidores no mercado de seguros”, diz o diretor técnico de Auto/RE da Bradesco Seguros, Saint-Clair Pereira Lima.

Citando estatísticas da própria carteira, o diretor de automóvel e massificados da SulAmérica, Eduardo dal Ri, explica que o novo perfil de consumidores que passou a contratar seguros nos últimos oito anos por conta da ascensão social e da melhor oferta de crédito, por exemplo, já desiste da proteção mais cedo. Se antes, ao adquirir um carro zero, o cliente contratava um seguro por até 3,5 anos, hoje ele permanece, em média, por 2,8 anos. “O produto popular pode ser o alavancador do mercado no médio e longo prazo.”

Estimativas mais otimistas sobre o seguro popular e possibilidade de utilizar peças de segunda mão no reparo dos veículos dão conta de que a apólice podería ficar até 30% mais econômica, atraindo às carteiras das seguradoras até 4 milhões de veículos. Atualmente, apenas 30% da frota brasileira, ou 16 milhões de veículos, é protegida. Mas é consenso que a efetividade das duas medidas – a lei e o seguro popular – requer um tempo de maturação para que seus efeitos sejam sentidos.

Na opinião do vice-presidente técnico da HDI Seguros, Murilo Riedel, no desenvolvimento de um mercado de peças de reparo de segunda mão estruturado para atender a demanda das seguradoras. “Acredito que só poderemos oferecer o seguro popular com peças recondicionadas quando houver um processo de distribuição logística adequado. Isso leva tempo”, diz Riedel. “Sem isso, aumenta o tempo de reparo, o custo com o carro parado nas oficinas e o gasto com carro reserva”, completa o diretor-geral de automóveis do grupo BB c Mapfre, Jabis Alexandre.

Enquanto aguarda a regulamentação da lei e a autorização para o seguro popular, as seguradoras se deparam, em 2015, com um cenário desafiador composto por uma economia em vias de retração, o ciclo de aperto monetário que encarece o custo de financiamento e, sobretudo, pelo decréscimo nas vendas de carros novos, o grande vetor de crescimento desse segmento. Após recuar 7,1% em 2014, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a venda de veículos acumula retração de 17% de janeiro a março de 2015 – no ano, a queda prevista no segmento de comerciais leves é de 12,3%.

Ainda que historicamente haja um descolamento dos gráficos de desempenho da indústria automobilística e do mercado de seguros, o mau desempenho da primeira exerce influência no ritmo de crescimento do segundo. Com a queda na venda de zero-quilômetro, as receitas de prêmios desse ramo avançaram apenas 7,3%, para RS 31,40 bilhões, segundo a CNseg. Para este ano, a perspectiva é de avanço de 5% a 6% na arrecadação de prêmios.

A explicação para a desaceleração em um segmento acostumado a entregar avanços anuais de dois dígitos é simples. Cerca de 80% dos veículos novos produzidos anualmente no Brasil contratam seguros – e apenas 20% continuam protegidos após cinco anos de circulação. “Com o bom desempenho da indústria automotiva, os carros com mais de cinco anos saíam das carteiras das seguradoras e eram substituídos por veículos novos. Esse movimento ainda ocorre, mas em ritmo menos intenso do que antes”, diz Freitas, da FenSeg.

A boa notícia para as seguradoras é que, mesmo em queda, ainda há uma grande frota de veículos novos entrando no mercado. Sem contar que a produção nacional de veículos nos últimos anos colocou nas ruas um estoque de seminovos “seguráveis” que continua alimentando suas carteiras. Com menos carros novos sendo vendidos, a disputa pelo mercado em 2015 se concentrará na manutenção dos segurados atuais – e na busca por clientes de outras carteiras. “Entraremos em um ciclo de ‘rouba-monte'”, prevê Pereira Lima, da Bradesco Seguros.

Com 1,75 milhão de veículos segurados, a Bradesco Seguros repete este anoa fórmula empregada em 2014, quando a receita em prêmios de seguro de automóveis cresceu 34%- recuperando-se do período anterior. A estratégia é calcada em uma nova “modelagem” de preços e, sobretudo, na ampliação do portfólio de produtos e na melhoria da oferta dos serviços nos Bradesco Auto Centers e a criação de um produto mais econômico que cobre apenas o sinistro de terceiros e voltado para veículos com até 15 anos. “Nossa estratégia é estar bem focados na retenção da carteira “, diz Pereira Lima.

É consenso que a proteção das carteiras contra o jogo de “rouba-monte”, comum em momentos de crise, dará a tônica em 2015. É consenso também que apenas preço não é mais um fator que, sozinho, será suficiente para segurar-ou atrair-os clientes. Em 2014, por conta do aumento da sinistralidade com furto de veículos e, principalmente, com a maior pressão de custos ocasionada pela inflação de peças de reparo que comprimem suas margens, as seguradoras elevaram os preços do seguro entre 8% e 10%, em média, com picos de 15%. Novos reajustes de preços em 2015, para cima ou para baixo, serão diretamente proporcionais às condições de mercado.

“Há um quadro de acirramento de competição e ninguém pode se dar ao luxo de perder bons segurados. Mas, ao mesmo tempo, o mercado se mostra bastante responsável. Não é apenas um preço especial que vai reter o segurado. E a experiência com a boa qualidade dos serviços”, diz Murilo Riedel, da HD1 Seguros, quinta colocada no ranking de seguradoras de automóveis com 1,6 milhão de veículos na carteira.

Com tantos desafios, as seguradoras apostam na criatividade, ofertando novos produtos, criando seguros voltados a nichos específicos, inovando nas coberturas, oferecendo descontos para os “bons riscos” e investindo na melhoria contínua dos serviços e assistências.

Na Porto Seguro, líder no mercado com 5 milhões de veículos segurados e avanço de 12% em prêmios de seguros em 2014, a aposta é cada vez mais na segmentação de perfis, com coberturas desenhadas para suas diferentes necessidades. Depois de lançar um produto específico para mulheres (com coberturas até para a cadeirinha do bebê), a empresa lançou, no ano passado, o Auto Jovem, voltado a um público de 18 a 24 anos, considerado de alto risco por se envolver em acidentes com mais frequência – tradicionalmente são também os que pagam mais caro pela proteção.

O Auto Jovem oferece até aulas de educação no trânsito, aponta os perigos de dirigir embriagado, e inclui simulações no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. Um dispositivo instalado no veículo do cliente fornece à seguradora informações sobre os horários em que esse jovem dirige, os locais que frequenta, os limites de velocidade. “Se extrapolar os limites, dirigir a 120 km/h ou andar em zigue-zague, o dispositivo identifica isso e o segurado perde os descontos. Se dirigir de maneira moderada, ganha descontos que podem chegar a 30% do preço padrão”, diz Luiz Pomarole.

O grupo BB e Mapfre, que contabilizou R$ 5,4 bilhões em prêmios de automóveis em 2014 e frota segurada com 2,9 milhões de itens segurados, aposta na ampliação dos seus centros automotivos em 2015 – de 70 para 80 – e em serviços adicionais como a renovação via SMS e a perícia on-line estendida aos segurados. O serviço permite ao segurado, em caso de colisão, tirar fotos do veículo e postá-las na web junto com o aviso de sinistro, agilizando a liberação do orçamento e o reparo assim que o carro chegar à oficina. “Também apostamos na nossa grande capilaridade na distribuição dos seguros, com parcerias com montadoras e associações de concessionárias”, diz o diretor-geral de automóveis, Jabis Alexandre.

A conta do prejuízo

Fonte: Revista Valor Financeiro – Seguros

Perdas com obras paradas atinge 20 companhias. Contratos de garantia e engenharia representam menos de 10% do faturamento do setor

Janes Rocha

Passados sete anos da derrubada de um histórico monopólio que quase completou 70 anos, o mercado de resseguros brasileiro enfrenta um novo desafio em 2015. A quebra de construtoras e paralisação de obras de infraestrutura, provocadas pela operação Lava-Jato – que desmontou um esquema de corrupção na Petrobras pode ser um divisor de águas para o setor, afirma Wady José Mourão Cury, que preside a comissão de resseguros da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg).

É que praticamente todas as grandes obras públicas têm seguro de garantia e riscos de engenharia, em sua maioria ressegurados junto a várias companhias nacionais e internacionais, um sistema de mutualidade que existe justamente para pulverizar os riscos pelo mercado. A Federação Nacional das Empresas de Resseguros (Fenaber) estima em 20 o número de resseguradoras expostas às prováveis perdas das construtoras e suas obras paradas, mas os valores não foram quantificados.

As apólices de resseguros garantem cobertura às seguradoras que se comprometeram a indenizar tanto a interrupção dos projetos por dificuldades das empresas executoras e de seus executivos quanto de possíveis acidentes ou falhas de projeto que coloquem o trabalho a perder. Cury destaca que as empreiteiras envolvidas na Lava-Jato eram clientes do mercado segurador e ressegurador há décadas, com comprovada capacitação técnica e financeira, critérios fundamentais na definição dos contratos. Agora que elas estão impedidas de participar de obras públicas, fica a dúvida sobre quem vai substituí-las. “Quem serão as novas construtoras? Terão a mesma capacidade técnica? Isso vai exigir uma reflexão, temos de estar bastante atentos a essas mudanças”, alerta.

Ainda assim, Cuiy, que também é diretor do grupo segurador BB e Mapfre, não está pessimista, nem prevê o caos, mesmo quando reflete sobre esse episódio combinado a uma retração da economia. “Tudo pode se transformar em uma oportunidade”, afirma.

Diante do cenário inquietante, o presidente da Fenaber, Paulo Pereira, revisou para baixo suas estimativas de crescimento em 2015, ciente de que o resultado das investigações da Lava-Jato e o ajuste fiscal do governo colocarão um freio ao crescimento mais que chinês dos últimos anos – o faturamento em prêmios de resseguros vinha crescendo mais de 10% ao ano nos últimos cinco anos. Sua estimativa pessimista para 2015 é de uma expansão na faixa de 5% a 6%. “Se acontecer isso vai ser ótimo, mas temos que ver o resultado dos sinistros”, pondera.

Sobre os potenciais efeitos da Lava-Jato, Paulo Pereira diz: “Fraude não tem cobertura”. Isso quer dizer que se ficar comprovado que o fato gerador da indenização nos contratos foi corrupção (que é um tipo de fraude), simplesmente não será paga como determina a legislação que rege os seguros. Mas tudo depende da evolução dos casos na Justiça. Neste momento, as resseguradoras estão levantando suas posições nos contratos para mensurar possíveis perdas. O maior potencial de perdas, segundo Pereira, está no D&O, o seguro que indeniza executivos processados.

Bruno Freire, CEO da Austral Re, pondera que os contratos de garantia e engenharia representam pouco mais de R$ 820 milhões em prêmios de resseguros, ou menos de 10% do faturamento total do setor. É real a possibilidade de ocorrência de sinistros nos seguros de garantia que cobrem a não execução das obras que os empreiteiros (envolvidos na operação Lava-Jato) prometeram entregar e não estão conseguindo. Os contratos, porém, têm cláusulas que definem as coberturas e os motivos de não conclusão. Exemplo: se a construtora não terminou a obra porque não recebeu do contratante (independentemente do motivo). Em qualquer situação, diz Freire, “as resseguradoras vão seguir as [medidas tomadas pelas] seguradoras”, explica.

Os resultados do resseguro no Brasil vinham muito positivos desde 2006, apesar de um acirramento da concorrência que provocou excesso de capacidade (oferta) e queda de preços. O faturamento em prêmios das resseguradoras – somando as locais, admitidas e eventuais – totalizou RS 9,11 bilhões em 2014, um incremento de 10,3% comparado aos RS 8,26 bilhões de 2013. Os segmentos que mais contribuíram foram riscos patrimoniais (aeronáuticos, marítimos, industriais), que responderam por 39%, seguidos do rural, com 13%.

Os riscos de garantia e transportes responderam por 9% cada, enquanto os riscos de petróleo perfazem 6%. Segmentos diversos respondem pelos 24% restantes, entre eles habitacional e financeiro.

A rentabilidade medida pelo retorno sobre lucro (ROE) atingiu R$ 685 milhões, duas vezes e meia acima dos R$271 milhões registrados em 2013. Um dos fatores que contribuíram para esse resultado foi a queda de 88% para 78% da sinistralidade (2013-2014). Trata-se de um indicador que combina receitas com despesas decorrentes de pagamento de sinistros e quanto menor, melhor para a resseguradora. O índice combinado das resseguradoras, que aponta lucro operacional sempre que fica abaixo de 100%, registrou 99% comparado a 103% em 2013.

Dona de um terço do mercado local, a IRB RE registrou, em relação a 2013, um crescimento de 4% das receitas em prêmios cujo total foi de R$ 3,2 bilhões. O lucro líquido de R$ 602 milhões aumentou 72,5% em 2014. Em apresentação durante o 4 o Encontro de Resseguros, o vice-presidente da IRB RE, José Carlos Cardoso, informou que de janeiro a março de 2015 o lucro líquido da resseguradora somou R$ 130 milhões, quase três vezes o registrado em igual período de 2014, enquanto o valor dos prêmios emitidos no mercado doméstico saltou de R$ 343 milhões no primeiro trimestre de 2014 para R$ 676 milhões.

Apesar da estagnação da economia e dos efeitos da operação Lava-Jato sobre as grandes obras do país, a IRB Brasil RE estima obter este ano R$3,756bilhões em prêmios, o que representará um crescimento de 16,9% sobre o ano passado, de acordo com as informações do site da empresa.

Margo Black, presidente da Svviss Re do Brasil e responsável pela operação latino-americana da resseguradora suíça, afirma que ainda está fazendo as contas do impacto da Lava-Jato sobre os contratos ressegurados pela companhia. Segundo ele, não há ainda um valor estimado, mas já se sabe que as metas para 2015 serão afetadas pela paralisação de projetos não só na área de infraestrutura, mas também na de petróleo e gás. Com a derrocada dos preços do petróleo no mercado internacional e o principal gerador de negócios nessa área, a Petrobras, como pivô do escândalo da Lava-Jato, muitos negócios deixarão de ser realizados.

De qualquer forma, há muito espaço para crescer. Cury, diretor da CNseg, lembra que o mercado brasileiro de resseguros, equivalente a US$ 3 bilhões, é inexpressivo perto das centenas de bilhões movimentados em outros países – não só o dos industrializados, mas a maior parte dos mercados latino-americanos e asiáticos supera o Brasil com folga, tanto em números absolutos quanto em participação no Produto Interno Bruto (PIB).

A presença de resseguros no Brasil é forte nos contratos de garantia e riscos de engenharia, e nos aeronáuticos, estes por força de exigências internacionais – aviões não saem do chão se não estiverem fortemente cobertos por apólices de seguros e resseguros. Perto de 70% do setor aeronáutico brasileiro está ressegurado. O mesmo acontece com as indústrias. A atividade industrial está em baixa, mas o patrimônio das indústrias está segurado e ressegurado, bem como a produção agrícola, que tem cerca de 80% dos riscos ressegurados.

“Mas o resseguro não está sequer presente em todas as modalidades de seguros”, diz Cury. E exemplifica: somente 0,9% dos contratos de seguro de automóveis maior carteira de seguros de ramos elementares do país – está ressegurada; e nos seguros de vida, previdência e saúde, a presença do resseguro atinge pífios 0,3%.

Margo Black, da Swiss Re, está na mesma sintonia de Cury. Enquanto faz as contas do quanto a perda de contratos de infraestrutura e petróleo e gás vai representar nas contas da companhia, ela vê oportunidades que não pretende deixar passar. Algumas estão na área de vida e saúde, como reembolsos hospitalares e cobertura a doenças críticas que começam a ser demandadas pelas seguradoras. Estudos recentes da própria Swiss Re mostraram que há um grande déficit de proteção de seguros contra a mortalidade, não só no Brasil, mas em toda a América Latina, o que abre caminho para os resseguros. “Acreditamos muito no Brasil”, diz.

Freire, da Austral Re, aponta que na contramão da queda do seguro de garantia de performance de obras de infraestrutura, tem crescido a procura pelo seguro garantia judicial. Adaptado à legislação brasileira há muitos anos, a cobertura judicial se propõe a caucionar depósitos em dinheiro exigidos pelo juiz quando uma questão está em discussão nos tribunais.

Embora já fosse aceito em alguns tribunais como substituto de fianças bancárias, o seguro garantia judicial enfrentava resistência de muitos juízes por não ter sido regulamentado para essa finalidade. A regulamentação finalmente saiu em novembro de 2014, quando foi aprovada a Lei 13.043 que, em seu artigo 73, alterou dispositivos da Lei de Execuções Fiscais (6.830/80), equiparando as apólices de seguros garantia às fianças bancárias na execução para cobrança de dívidas ativas. “A garantia judicial é uma modalidade muito usada em discussões nas cortes, geralmente em processos trabalhistas e tributários”, explica Freire.

Seguro popular perde fôlego com a crise

Fonte: Revista Valor Financeiro – Seguros

O segmento mais afetado é o de garantia estendida, cujo faturamento registrou queda de 6,8% no primeiro trimestre de 2015

Por Guilherme Meirelles

D estaque entre os consumidores das classes C e D durante o período de expansão do crédito, os ramos de garantia estendida e prcstamista (proteção financeira) devem passar por momentos difíceis ao longo dos próximos meses. Por serem modalidades de seguro ligadas ao comércio varejista, a expectativa é que cresçam em níveis bem abaixo de épocas anteriores, quando atingiram taxas anuais superiores a 20%. A preocupação do setor se estende também ao microsseguro, regulamentado em 2013 pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), que ainda não conseguiu decolar entre as classes de baixa renda conforme previam as expectativas iniciais, que citavam um universo de até 100 milhões de potenciais clientes.

Pelos números iniciais, o ramo mais afetado deverá ser o de garantia estendida, oferecido pela loja como extensão do período de garantia do bem durável. O valor médio gira entre 11 % e 15% do preço do produto, e a ampliação do prazo pode ser em até dois anos. No primeiro trimestre deste ano, segundo dados da Susep, a modalidade registrou queda de 6,8% no volume de prêmios, cujo total caiu de RS 804,4 milhões para R$ 749,7 milhões.

Para a consultora de varejo Ana Paula Tozzi, CEO da GS&AGR Consultores, as vendas de seguros populares devem seguir a tendência de comportamento do consumidor em momentos de baixa atividade econômica. “Estudo feito pela Universidade de Harvard após a crise de 2008 demonstrou que o consumidor tende abrir mão de certos bens para não perder algumas conquistas, como o serviço de televisão paga ou a escola dos filhos.

Nessas situações, a contratação de um seguro é vista como um supérfluo”, afirma. Em 2014, o Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) anunciou uma nova regulamentação para a modalidade, com objetivo de reduzir as chamadas “vendas casadas”, alvo de frequentes queixas junto às entidades de defesa do consumidor. Com as novas medidas, o cliente pode desistir da compra da garantia estendida em até sete dias da aquisição. A contratação do seguro pode ser feita posteriormente à compra do bem em outra seguradora que não seja a mesma da rede varejista. Além disso, as seguradoras foram obrigadas a realizar o reparo do bem em até 30 dias, sob pena de ressarcir o valor em dinheiro.

As novas medidas impactaram o setor. O Itaú Unibanco, por exemplo, rescindiu o contrato entre a Garantec, empresa de garantia estendida do grupo, e a Via Varejo, que se mantinha desde a Casas Bahia. Segundo comunicado do banco, o ramo está fora da nova estratégia da instituição, voltada para o financiamento imobiliário e cartões. A carteira da Garantec passou para a Zurich, e o Itaú Unibanco recebeu RS 584 milhões pelo fim do acordo.

Eugênio Velasques, diretor do Grupo Bradesco Seguros, assinala que o desempenho da modalidade em 2014 já havia ficado aquém do esperado. No ano passado, os prêmios acumulados ficaram em RS 358 milhões, crescimento de apenas 4,4% sobre 2013. “As mudanças na regulamentação e o ambiente da economia indicam que o crescimento deverá ficar abaixo de dois dígitos”, afirma. Velasques ressalta que a Bradesco Seguros trabalha de forma conservadora em garantia estendida, em parceria com a Cardif, atuando em grandes redes como Máquina de Vendas, Saraiva e C&A.

O primeiro teste do varejo em 2015 foi o Dia das Mães, considerado o mais fraco dos últimos sete anos, segundo estimativa da Associação Brasileira dos Lojistas de Shopping Centers (Alshop). Perspectiva que não desanima quem acabou de entrar no ramo. “Começamos em dezembro e já temos dez parcerias com redes varejistas”, afirma José Carlos Macedo, CEO da Pan Seguros. O fato de entrar mais tarde só reforçou o aprendizado com o mercado e a ênfase no treinamento da equipe de vendas e atendimento. Apenas em dezembro, a Pan registrou prêmios de R$ 3,70 milhões. Além dos balcões das redes, a companhia aposta no e-commerce com a parceria fechada com a B2W, aliada a investimentos (não revelados) em tecnologia. “Queremos crescer 30% e fechar o ano com 15 parceiros”, afirma.

Formada em 2005, por meio de uma parceria entre a Cardif e a rede Magazine Luiza, a seguradora Luizaseg surfou na onda de alta do consumo, com crescimentos médios anuais de 30%. “Acredito que manteremos os dois dígitos, mas não nessas proporções”, afirma Antonio Pastore, diretor comercial de varejo da BNP Paribas Cardif do Brasil. Focada em massificados, a garantia estendida representa 31% do faturamento da Cardif. Para não perder a rentabilidade do negócio em 2015, a estratégia da seguradora será diversificar, ampliando o leque de produtos e buscando lojas que ainda não ofereçam seguros aos seus clientes.

Já os números do seguro prestamista continuam positivos, de acordo com dados da Susep. O total de prêmios no primeiro trimestre atingiu RS 1,89 bilhão, com alta de 14% em relação ao mesmo período de 2014. No ano passado, os prêmios cresceram 12% e ficaram em RS 7,98 bilhões. “A conjuntura não é propícia para seguros atrelados ao crédito”, afirma Lauro Faria, professor da Escola Nacional de Seguros. No comércio varejista, o seguro prestamista é oferecido em compras financiadas e garante a quitação de dívida em casos de morte, invalidez permanente, invalidez temporária ou desemprego. Devido às suas características, é contratado sobretudo pelas classes C e D no varejo, com tíquetes mensais médios de até RS 8, mas também é oferecido em concessionárias de veículos e em financiamentos habitacionais.

Para Rubens Nogueira, diretor da Brasil Insurance, grupo que reúne 53 corretoras, mesmo em tempos de desaceleração, a venda de seguros massificados pode representar uma fonte adicional de renda para o varejista. “Hoje, temos contrato com 28 redes, enquanto há um ano tínhamos 23. As classes populares são preocupadas com a possibilidade de deixarem dívidas para a família”, afirma. Um detalhe, porém, chama a atenção de Nogueira. “Este ano, as indenizações em caso de desemprego cresceram 30%”, afirma.

O mercado de massificados no Brasil tem predominância de grupos estrangeiros, que já operavam com esse conceito em outros países. É o caso da Chubb, que, mesmo sendo especializada em grandes seguros corporativos, tem no ramo de massificados 25% da sua receita. Em 2014, sempre em parceria com redes varejistas, a seguradora vendeu cerca de 700 mil apólices com valor médio financiado de R$ 800, fechando o ano com RS 9,62 milhões em prêmios de seguros prestamistas. Segundo Robert Cradock, diretor de massificados, a queda na procura ainda não foi detectada pela companhia. “Só teremos uma posição após comparativo com datas fortes do comércio, como Dia dos Namorados”, afirma. As operações da Chubb estão concentradas em redes voltadas para as classes emergentes, como a Eletrozema, que conta com cerca de 500 lojas em Minas Gerais, Espírito Santo e sul da Bahia. Até o final do ano, a Chubb deve fechar parcerias com mais cinco redes dentro do mesmo perfil de público.

Há companhias que optam por sair do modelo tradicional de vendas em balcões de lojas populares. Com participação considerada “seletiva” dentro do ramo prestamista, a Porto Seguro concentra sua atuação desde 2007 na rede de vestuário Renner e, de forma pontual, em financiamento de veículos. “Estamos satisfeitos com a parceria e não temos planos de expansão nesse ramo”, afirma Marcelo Picanço, diretor da seguradora.

Com participação de 30% dentro do ramo vida, o seguro prestamista distribuído pela Yasuda Marítima privilegia a rede de corretores em ofertas para grupos de consórcios, bancos médios e condomínios residenciais, com um seguro que oferece quitação de até 12 cotas da taxa de condomínio em caso de falecimento. Samy Hazam, diretor de pessoas, explica que a opção se deve aos “custos elevados” para entrar no varejo. “Já existem concorrentes estabelecidos nessa área. Nosso DNA sempre esteve com o canal corretor”, afirma.

Voltado para o mesmo público, mas vinculado a outros canais de venda, o ramo de microsseguros fechou 2014 com um volume de prêmios de RS 82,79 milhões. Os números do primeiro trimestre deste ano chegaram a R$ 19,25 milhões, com um expressivo salto de 773,9% sobre igual período de 2014. Mas a comparação deve levar em conta a base praticamente inexistente no início do ano passado. A liderança do mercado, com mais de 70%, está com a BB Mapfre, seguida pela Chubb e pela Caixa Seguradora. O bom desempenho de BB e Mapfre pode ser explicado pela estratégia adotada na distribuição do produto. “Os melhores canais são aqueles que já são de conhecimento do público-alvo, como correspondentes bancários, lojas de varejo e agências bancárias”, afirma Bento Zanzini, diretor-geral de seguro de pessoas do Grupo BB e Mapfre. “São operações pequenas, mas muito relevantes para nós”, afirma.

Para a Chubb, o principal canal de vendas são as redes varejistas que já atuam com os massificados. Além das coberturas básicas (morte acidental e acidentes pessoais), a seguradora agrega coberturas adicionais conforme o perfil da loja. “Em uma rede de materiais de construção, oferecemos coberturas para danos em residências. Já em uma loja de informática, incluímos danos elétricos”, afirma Cradock.

Apesar dos números positivos, o microsseguro ainda é visto com cautela pelo setor. Somente nove seguradoras se dispuseram a oferecer o produto até o momento. Velasques, da Bradesco Seguros, explica que o trabalho é “lento e gradual” por parte das seguradoras. “É um produto que requer treinamento e orientação na oferta”, diz. Com uma rede de 500 correspondentes bancários, a Bradesco vendeu 10 mil apólices em 2014. “A meta é atingir 40 mil apólices, multiplicando por quatro o canal de venda”, afirma Velasques, que também preside a comissão da CNseg sobre o tema.

Zanzini, do BB e Mapfre, observa que as expectativas exageradas em tomo do microsseguro decorrem de uma avaliação equivocada da realidade brasileira. As características do produto apontam diretamente para um público com renda familiar até RS 1,2 mil. “O produto foi formulado utilizando-se como parâmetro as classes sociais de países como a China e a índia, onde a renda média das populações mais carentes é bem abaixo da brasileira. Só agora se percebeu que parte dos potenciais compradores era formada por pessoas já inseridas na sociedade de consumo e que já recebiam alguma proteção semelhante, tanto do poder público como do setor privado.”

Para Faria, da Escola Nacional de Seguros, as baixas comissões não estimulam o empenho dos corretores. “Seria necessário uma grande frente de varejo, mas no momento essa possibilidade não anima as seguradoras.”

Cenário exige mudança de ação

Fonte: Revista Seguros – Valor Econômico

Mercado movimenta R$ 322 bilhões em 2014 e pode crescer menos este ano. Seguradoras investem em tecnologia para conquistar clientes

Por Janes Rocha

Dez anos atrás, o mercado brasileiro de seguros se resumia basicamente ao segmento de automóveis. Hoje, de acordo com as estatísticas da Superintendência de Seguros Privados (Susep) e da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg), os seguros de pessoas, principalmente saúde e previdência, respondem por mais de 73% das vendas, enquanto os seguros de automóveis (incluindo o DPVAT) representam apenas 12%.

Essa mudança de perfil tem sido marcada por altas taxas de crescimento – na faixa de dois dígitos – bem acima da evolução do Produto Interno Bruto do país. Mesmo descontada a inflação, os indicadores são extremamente positivos: avanço de 5,3% em 2013 e de 7,1% em 2014, subtraindo-se o IGPM do período. O faturamento total de R$ 322,23 bilhões estimados para 2014 representam 12,8% de variação nominal sobre o ano anterior. As expectativas para 2015 não são as melhores devido aos efeitos da operação Lava-Jato e do ajuste fiscal anunciado em janeiro pelo governo, que está paralisando obras e investimentos públicos e privados. As projeções iniciais da CNseg, de crescimento nominal de 14,8% em 2015, estão em fase de revisão.

“Os seguros voltados a pessoas devem continuar puxando o mercado”, afirma Marco Antônio Rossi, presidente da CNseg. No conjunto de coberturas para indivíduos e famílias, há um destaque para os massificados como os de garantia estendida – bem conhecido por quem compra móveis, eletrodomésticos e eletroeletrônicos. É um tipo de seguro considerado pelas seguradoras como porta de entrada para novos clientes.

Mesmo diante do cenário recessivo, Gabriel Portella, presidente da SulAmérica Seguros, acha que o impacto será mais localizado. “A retração econômica afeta o mercado, mas não de forma geral e sim pontual”, afirma. Se por um lado a queda no nível de emprego prejudica a venda de seguros de automóveis novos, de outro lado aumenta a venda de apólices para carros usados e as de garantia estendida que preveem indenização em caso de desemprego.

“Nosso mercado está um pouco atrasado em relação à própria economia”, constata o titular da Susep, Roberto Westenberg. Isso significa que há muito espaço para preencher, não apenas com a conquista de novos compradores, mas também com a oferta de novos produtos. Ele dá como exemplo o recente acordo entre a Susep e a Previc, órgão supervisor e regulador dos fundos de previdência complementar fechados, que autoriza a aquisição de cobertura de vida para compor os planos de aposentadoria e mitigar os riscos de longevidade. É um mercado gigantesco que se abre para as seguradoras de vida: são 1,1 mil planos de pensão com ativos de mais de RS 700 bilhões.

No caso da previdência aberta, os últimos dois anos têm se mostrado desafiadores. As mudanças nas regras de alongamento das carteiras em meio à inversão da curva de juros, a partir de 2013, fez com que muitas seguradoras encerrassem 2014 com captações líquidas negativas. No geral, segundo estudo da consultoria Net Quantcom, nas categorias VGBL e PGBL, as operadoras fecharam o ano com R$ 360,02 milhões no vermelho (veja reportagem na página 58).

Diante de um cenário de tantas indefinições, o nome do jogo para as companhias de seguro passou a ser a diferenciação. O quadro aponta para uma tendência cada vez mais forte: a associação por meio de joint ventures ou alianças estratégicas para conquistar novos clientes e fidelizar os antigos utilizando tecnologias emergentes.

A iniciativa mais recente partiu da Porto Seguro. Por meio de uma startup, a companhia cujo produto principal é o seguro auto, criou e está expandindo uma rede de telefonia celular, a Conecta. Em 18 meses de operação, a rede atingiu 350 mil linhas de celulares ativas considerando as corporativas e as conexões M2M, utilizadas em rastreadores e alarmes residenciais, espalhadas por São Paulo, Campinas, Santos e Rio de Janeiro.

Trata-se da primeira operadora de telefonia móvel virtual (MVNO), um sistema cujas características atendem melhor a grupos específicos e nichos de mercado e utiliza a infraestrutura de telecomunicações de uma operadora tradicional – no caso, a TIM oferecendo o serviço por meio de seus próprios canais de atendimento.

“A Conecta é parte da estratégia de gerar sinergia entre produtos para fídelizaçào dos clientes”, afirma Tiago Galli, superintendente da Porto Seguro. O foco são os clientes do seguro auto e cartões. “A ideia é oferecer produtos e serviços que tragam conveniência e facilidade a eles, aproveitando que os smartphones já acumulam funções essenciais do dia a dia”, completa Galli.

A baixa penetração do seguro entre a população (apenas 6,3% do Produto Interno Bruto) leva a uma disputa pelos mesmos clientes entre as seguradoras, explica Raphael Araújo, líder da área de seguros da consultoria internacional Accenture. “Trata-se de um mercado ‘rouba-monte’, no qual entre 70% e 80% dos segurados acabam trocando de seguradora na renovação”, define o analista. Para ele, a iniciativa da Porto é uma resposta à necessidade de apresentar diferencial de mercado, ao focar no cliente e não no produto, “porque o custo de conquistar novos clientes é cada vez mais alto”, destaca.

O negócio de seguros geralmente é de baixo contato. Ao contrário dos produtos bancários, o seguro só tem renovação uma vez por ano, o que distancia os clientes. A estratégia para melhorar o índice de renovação não é nova, e consiste em aumentar o contato por meio de serviços de assistência. A novidade é a forma de oferecer a assistência: “A internet das coisas amplia a capacidade das seguradoras em captar informações e devolver em benefícios aos segurados, com serviços de maior valor agregado, fugindo da commoditização”, diz Raphael.

O movimento no Brasil reverbera o que acontece lá fora. Na 18 a edição de pesquisa anual da consultoria PwC junto a CEOs do setor de seguros, realizada no início deste ano, metade dos 80 executivos entrevistados em 37 países revelaram a intenção de estabelecer alianças nos próximos 12 meses. Mais de 30% deles viam essa medida como uma oportunidade de reforçar a inovação e ganhar acesso a tecnologias emergentes. Por outro lado, 64% dos entrevistados detectaram um número crescente de velhos e novos competidores no mercado.

Há uma preocupação crescente com os novos concorrentes. O Google já vende seguros de automóveis no Reino Unido e recentemente anunciou que está licenciado em 26 estados dos Estados Unidos para vender apólices em parceria com seguradoras de portes variados. Dono de uma base de bilhões de usuários de seus sistemas de buscas e e-mail, o Google é capaz de conhecer em minutos as demandas, mesmo aquelas que nem estavam muito claras na cabeça dos consumidores. “Isso é uma ameaça às seguradoras”, diz Araújo.

Uma das respostas está no uso maciço de tecnologia. A Bradesco Seguros, a maior do mercado brasileiro, está investindo em big data e analytics – tratamento de grande volume de dados em massa – para medição, coleta, análise de dados e interação. Com essas tecnologias, criou diversos aplicativos com soluções particulares como o Venda Fácil para os corretores que vendem apólices residenciais ou o Carteira Digital, que integra os cartões digitais dos segurados. Também está explorando a plataforma web para facilitar a vida de seus segurados de saúde, que podem consultar a agenda dos médicos de interesse e marcar consultas on-line até para o mesmo dia.

Roberto Barroso, presidente do grupo BB e Mapfre Seguros nas áreas de pessoas, rural e habitacional, destaca a importância da tecnologia para a estratégia de crescimento da companhia, que tem foco no seguro de vida. “Só 12% da população tem seguro de vida”, afirma Barroso, lembrando que existe uma resistência cultural a esse tipo de cobertura por ser associada à morte. Uma forma de vencer a barreira é oferecer assistência e benefícios em vida aos segurados. “Nosso foco é ampliar a base com novos produtos e a tecnologia pesa muito nisso”, diz.

O grupo BB e Mapfre tem investido em média RS 831,4 milhões por ano em tecnologia nos últimos três anos para desenvolver novos produtos e serviços. Barroso espera, com esses investimentos, reduzir o uso ainda muito intensivo do telefone no atendimento aos segurados e aumentar o de aplicativos e serviços on-line. “Hoje você já pode tirar uma foto de seu carro acidentado e mandar para a seguradora”, exemplifica. “A tendência é aumentar o emprego de tecnologia e dados fornecidos por satélite.”

O uso da tecnologia se toma mais necessário à medida que o mercado segurador brasileiro se toma cada vez mais parecido com o dos países onde o setor se desenvolveu mais – não só nos industrializados, mas também nos emergentes, alguns até com mercados menores e menos diversificados que o brasileiro. A semelhança está na crescente participação dos seguros de pessoas em relação aos ramos elementares e grandes riscos.

Esse foi o caminho trilhado pela companhia de origem suíça Zurich Minas Brasil. Protagonizando um dos maiores negócios fechados no setor no país, a Zurich pagou R$ 850 milhões (cerca de US$ 350 milhões) à Via Varejo pela exclusividade na distribuição de seguros de garantia estendida nas mil lojas das Casas Bahia e Ponto Frio. Na ocasião do acordo, em outubro de 2014, Mike Kerner, CEO do grupo Zurich Insurance, justificou o investimento pelo fato de que o consumo de massa no Brasil representaria uma parte importante da proposta da seguradora na América Latina.

Lava-Jato não deve trazer risco sistêmico

Os contratos preveem exdusões em caso de fraude e corrupção

Os efeitos da operação Lava-Jato sobre o mercado de seguros são limitados pelo próprio tamanho do mercado brasileiro. É o que pensa o titular da Superintendência de Seguros Privados (Susep). Roberto Westenberg. Ele acha que haverá um impacto maior sobre o mercado de resseguros e. ainda assim, não vê motivo de preocupação com eventuais estresses financeiros ou com riscos sistêmicos. Além disso, o mercado de seguros sofrerá pouco com o evento policial e mais com a retração econômica. “Nosso mercado é menor que o do Chile, ainda temos muito espaço para ser preenchido.”

Para Westenberg. as seguradoras de garantia que mantêm contratos com as empreiteiras envolvidas na Lava-Jato estão “blindadas”, porque os contratos preveem exclusões quando os sinistros são provocados por fraude e corrupção. Na verdade, destaca ele, o seguro garantia que é tão difundido nos países onde o mercado segurador é mais forte, no Brasil nunca chegou a proliferar, por diversos motivos, mas principalmente porque não garantem efetivamente a conclusão das obras. No ano passado, o faturamento de R$ 1.5 bilhão em prêmios representou apenas 9,3% das vendas totais no setor. “Acredito que a Lava-Jato vai fazer com que o papel das seguradoras seja mais cobrado no sentido de oferecer condições para a conclusão de obras.” Segundo ele. a Susep está revisando a regulamentação do produto para torná-lo mais adequado às grandes obras.

A SulAmérica Seguros contratou uma instituição financeira para avaliar a carteira de grandes riscos e aguarda a conclusão do trabalho para possivelmente vendê-la para outra seguradora. Gabriel Portella, presidente da companhia, afirma que a carteira gera R$400 milhões em prêmios e seus produtos mais fortes são transportese residencial. Segundo ele, o negócio não está mais no foco da SulAmérica, que se posicionou como uma seguradora multilinha, voltada ao varejo e ao middle market. “Nosso maior objetivo é tirar proveito desse modelo multilinha”. diz Portella. Com 2.7 milhões de segurados, a empresa é a terceira maior seguradora do Brasil. A saída da SulAmérica dos grandes riscos segue outras importantes seguradoras como a Itaú Seguros, que vendeu sua carteira para a americana ACE. “O segmento de grandes riscos está passando pior uma reorganização”, avalia o advogado João Marcelo Máximo dos Santos, ex-diretor da Susep. hoje sócio do escritório Santos Beviláqua.

O movimento de reorganização, na visão de Santos, deve levar os grandes grupos à especialização em macrossegmentos como o varejo e o resseguro, e os pequenos ao foco em nichos bem específicos. Um relatório da Swiss Re. divulgado em maio, mostra uma recuperação no movimento de fusões e aquisições no setor de seguros desde a crise financeira de 2008/2009. No ano passado, foram feitos 489 negócios, comparado a 674 em 2007.

Período de baixa na rentabilidade

Movimento global de fusões e aquisições tem se intensificado
Além das questões internas, as resseguradoras que atuam no Brasil sofrem influência do cenário internacional. Considerado um dos mais globalizados do mundo, o setor passa historicamente por ciclos de alta ou baixa capacidade, também conhecido como “soft” e “hard”, respectivamente. Esses movimentos se refletem na oferta de capital, maior nas fases “soft”. menor nas fases “hard”. O atual é um ciclo de alta capacidade e baixas cotações, que acabam por reduzir a rentabilidade, principalmente das gigantes do setor.

A situação pode se inverter se algum evento deslocar investimentos voláteis das empresas de resseguros ou ocorrer um repentino e gigantesco desembolso para indenizações. No primeiro caso. se o banco central dos Estados Unidos, o FED, elevar a taxa básica do país, muitos investidores internacionais poderão rapidamente mover suas aplicações para títulos do tesouro americano e reduzir drasticamente a oferta decapitai. No segundo caso. se ocorrer uma grande catástrofe natural – o que não é o caso do terremoto do Nepal. onde. apesar dos danos elevados. há poucas pessoas e patrimônios cobertos por seguro.

Na ausência de fatos relevantes e com a rentabilidade em baixa, negociações para fusões e aquisições no setor tem se intensificado no mercado internacional, com algum reflexo no Brasil. Este ano, a gigante XL adquiriu o controle da Catlin, uma corretora pertencente ao “sindicato” Lloyd’s de Londres. Outro negócio importante na área foi a compra da Platinum pela Renaissance e da Axis Capital Holding pela Partner Re. No Brasil, a Travelers. ligada ao Citibank. ampliou sua participação no controle da seguradora de riscos patrimoniais JMalucelli, enquanto a Swiss Re adquiriu participação minoritária na SulAmérica Seguros.

Cai a procura de proteção para cargas

Fonte: Valor Financeiro Seguros

Com economia fraca e más condições das rodovias, há recuo na demanda por seguros na movimentação de mercadorias

Por Carmen Nery

Tipo de carga, rastreamentcr 6 rotas são* ” Itens avaliados

segmento de seguros de transportes de carga vem apresentando, nos últimos dois anos, um quadro de baixo crescimento e elevada sinistralidade. O desempenho intrinsecamente ligado à economia implica menor movimentação de mercadorias e, por conseguinte, menor demanda por seguros. As péssimas condições das estradas, as extensas jornadas e a falta de capacitação dos caminhoneiros, além do aumento da violência, tiveram impacto na taxa de sinistralidade, que subiu dez pontos percentuais em 2014, saltando de 59% em 2013 para 69% no ano passado.

Com isso, os preços foram elevados, redução da demanda c um movimento de maior exposição ao risco por parte dos clientes com uma parcela preferindo o autosseguro. O resultado é que, em 2014, o volume de prêmios relacionados a seguros de transporte somou R$ 2,52 bilhões, apenas 1,8% a mais em relação aos R$ 2,47 bilhões de 2013. Do total, 46% são prêmios advindos de transportadores; 34% de embarcadores nacionais e 20% de embarcadores internacionais.

“O volume de prêmios não cresceu e não acompanhou a exposição de risco; houve, portanto, uma deterioração do resultado do seguro de transporte”, resume Paulo Robson Alves, presidente da comissão de transportes da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg). A sinistralidade, segundo ele, cresce porque a malha rodoviária responde por 60% do transporte de cargas, e 63% dos 90 mil quilômetros de estradas nacionais estão em situação ruim, precária ou regular, de acordo com dados da Confederação Nacional dos Transportes (CNT).

“Dos 69% de sinistralidade, os acidentes são em maior número, embora o volume Financeiro no roubo seja maior. O montante de sinistros também varia de acordo com o segmento. Entre os transportadores chegou a 70%; nos embarcadores nacionais atingiu 84%; e, nos embarcadores internacionais, que lidam principalmente com carga em contêineres, foi de 41 %”, enumera Alves.

Ricardo Girao, diretor de transportes da corretora Aon, diz que o mercado tomou-se também mais competitivo com a chegada de novos players, como as seguradoras XL, Swiss RE, AXA, HDI e Argo. Ele observa que em 2014, com a Copa, houve um aumento de roubo de cargas de eletrônicos. Com o risco ruim, as taxas foram elevadas e a demanda caiu. As seguradoras tiveram de reduzir suas margens. “Com um volume de prêmios menor e sinistralidade crescente, a rentabilidade de todo o setor caiu. A margem internacional, que era de 50%, caiu para 23%.”

A Aon opera no Brasil com 23 seguradoras e mantém uma área de consultoria em gerenciamento de risco. Os consultores analisam as características dos sinistros, as rotas, como a carga é transportada e se a empresa conta com algum tipo de rastreamento. Com isso, faz um mapeamento da operação e o melhor desenho de prevenção de risco, que é oferecido como uma consultoria, em alguns casos incluídos no valor do prêmio.

Outra empresa com forte atuação em gerenciamento de risco é a Pamcary, que se associou à Marsh em janeiro de 2014 na comercialização de seguros e gerenciamento de risco no mercado de transporte terrestre e logística. O apelo para a parceria foi a forte sinergia entre as duas empresas. Sérgio Caron, líder da prática de transportes da corretora Marsh Brasil, diz que 95% dos clientes são embarcadores industriais; e na Pamcary, 90% são transportadores rodoviários. Segundo ele, a Pamcary tem uma rede nacional de vistoriadores, que conseguem chegar rapidamente ao local dos acidentes para evitar o saque ou que a carga se danifique. A empresa automaticamente acumula um banco de dados, recolhendo documentos e mais de 80 informações sobre o sinistro.

“Com isso, tem uma capacidade de prestar consultoria em gerenciamento de risco. A Marsh passou a usar o banco de dados e essa competência para os clientes embarcadores”, diz Caron. Segundo ele, 2014 foi um ano difícil e 2015 será ainda mais desafiador. “Este será um ano em que as empresas precisarão ter mais cuidado com os seus números. A nossa proposta de valor vai desde a causa dos problemas. Temos conseguido mostrar que vale a pena pagar R$ 1 milhão em prêmio e mais R$ 100 mil de consultoria e, na renovação, pagar apenas RS 700 mil em prêmio e evitar chegar a R$ 1,5 milhão em função do número de sinistros.”

Na Rodobens, a operação de seguros e gerenciamento de risco atua em sinergia com a concessionária de veículos Rodobens Veículos Comerciais. A empresa teve um bom primeiro semestre em 2014 e conseguiu fechar o ano com crescimento de 6%, com prêmios de R$ 35 milhões. Segundo Carlos Ronaldo Paes Ferreira, diretor da Rodobens Corretora de Seguros, a sinistralidade tomou-se mais crítica e, assim, houve oportunidade em gerenciamento de risco, que tem uma penetração de 70% na base de clientes. “Com isso, tivemos resultado maior na redução do número de sinistro e no valor do seguro. A consultoria é permanente e começa com um diagnóstico de 60 dias. Temos 270 clientes na carteira, e a área de gerenciamento de risco representa um faturamento de R$ 3 milhões. Nossa sinistralidade foi de 50%”, diz Ferreira.

A maior parte das seguradoras tem o maior volume da carteira concentrada no segmento de transportadores que precisam contratar um seguro obrigatório, o de Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário de Carga (RCTR/C), que cobre acidentes, além do seguro facultativo contra roubo RCF/DC (seguro facultativo de Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário por Desaparecimento de Carga). As que têm foco maior no embarcador, porém, tiveram um melhor desempenho, como é o caso da Argo, que obteve, em 2014, prêmios de R$ 70 milhões, com crescimento de 30% em relação a 2013 e taxa de sinistralidade de 50%, abaixo da média de mercado.

Salvatore Jr, diretor de transporte da Argo, explica que o seguro ao embarcador tem ampla cobertura, e a exposição ao risco é menor, a não ser embarcadores nacionais com logística própria para distribuição em diversos pontos do país. A carteira da Argo tem 60% de embarcadores, dos quais 40% são importadores com muito pouca distribuição terrestre e carga conteineirizada. Para ele, o que diferencia a empresa é o conhecimento do risco por meio de uma equipe de 16 subscritores seniores. “Somos novos no mercado, disputando com grandes empresas globais centenárias. Foi uma decisão estratégica focarmos no importador”, comemora Salvatore. “Para 2015, nossa meta é chegar a RS 80 milhões em prêmios.”

Outra empresa que optou pela especialização é a Porto Seguro, que está lançando seguros customizados e simplificados para segmentos verticais. Cerca de 70% da carteira são de transportadoras, mas a seguradora criou a linha Seguro Transporte Mais Simples, inicialmente para os segmentos de autopeças, móveis e materiais de construção. A meta é chegar a 15 segmentos até o fim do ano. O produto dispensa a averbação (comunicação de embarque), e o pagamento pode ser feito à vista ou em até dez parcelas. “Segmentamos a carteira de acordo com a sinistralidade, o que me permitiu chegar à precificação e analisar que desconto dar com base na minha experiência. Em 2014, geramos prêmios de R$ 125 milhões, e nossa sinistralidade foi de 43%, porque também temos a gerenciadora de risco que faz o rastreamento da carga com monitoramento por satélite, celular ou híbrido. E elaboramos planos de gerenciamento de risco”, enumera Rose Matos, gerente de produtos de transporte da Porto Seguro.

O grupo segurador Banco do Brasil e Mapfre comemora prêmios de RS 277,93 milhões em todas as carteiras de seguros obrigatórios – rodoviário (RCTRC), ferroviário (RCTFC), aéreo (RCTAC) e marítimo (cabotagem)-, além do facultativo RCTFDC. Apesar da maior capilaridade do Banco do Brasil, apenas RS 15,7 milhões foram fechados nas agências. A Mapfre respondeu por RS 262,23 milhões em prêmios por meio de suas 127 filiais. Hoje, 80% da carteira é de transportadores. “Em 2014, crescemos 6%. Em 2015, pelo movimento dos dois primeiros meses, houve um decréscimo por perda na carteira. Apesar disso, o resultado foi melhor com sinistralidade 11 pontos percentuais abaixo, caindo de 61% em janeiro e fevereiro de 2014 para 50% em igual período de 2015, resultado de nosso trabalho de gestão de risco e redução de perdas”, analisa Tiago Camillo, gerente técnico de seguros de transportes da BB e Mapfre.

A Allianz Seguros tem uma carteira equilibrada: 60% de transportadores e 40% de embarcadores, com prêmios de RS 200 milhões, em 2014, crescimento de 12%. Segundo Marco Antonio Santos, superintendente de transportes da Allianz Seguros, a expectativa para 2015 é chegar a um valor entre RS 230 milhões e R$ 240 milhões, com crescimento em tomo de 20%. Ele afirma que a empresa tinha uma carteira pulverizada e fez um trabalho junto aos corretores para reduzir a sinistralidade, que fechou o ano em 56%. Em 2015, a meta é manter ou reduzir esse índice. Santos diz que a parte mais importante para a redução dos riscos é a subscrição, quando se analisam o tipo de mercadoria, as rotas e o plano de gerenciamento de riscos.

A Tokio Marine teve um ano difícil em 2014, com sinistralidade alta, o que levou a empresa a fazer uma limpeza na carteira, desistindo de contas de alto risco. A carteira é dividida em 50% de embarcadores nacionais, 30% de transportadores e 20% de embarcadores internacionais. No ano passado, a empresa obteve R5 200 milhões em prêmios, 20% abaixo de 2013. Felipe Smith, diretor-executivo de produtos pessoa jurídica da Tokio Marine, diz que a carteira de transportadores é mais nervosa, com maior risco, porque as cargas são diversificadas, e a seguradora não sabe o que está sendo transportado.

“Passamos de uma sinistralidade de 55% em 2013 para 63% no ano passado. A taxa vem crescendo em função da maior competição, que leva à redução dos prêmios. O mercado fez RS 2,5 bilhões em prêmios para serem divididos por 20 seguradoras. Ficou mais apertado”, diz Smith. Ele afirma que a decisão de desistir de contas deficitárias só é tomada após as tentativas de se reduzirem os riscos das empresas. “Tem cliente que não aceita e somos obrigados a desistir. Fizemos uma limpeza de mais de 20% em prêmios. Mas fiquei com uma carteira muito mais saudável. Este ano, reduzimos a sinistralidade para 33% e temos conseguido manter a meta de crescimento de 15%.”

Há muito espaço para crescer

Fonte: Revista Valor Financeiro – Seguros

Preço estimula adesão aos planos odontológicos, porque só 10% da população tem cobertura para tratamento dentário

Por Adriana Aguilar

O s planos odontológicos apresentam baixo tíquete de mensalidade e são desejados pela população, ainda pouco coberta pelo produto. Os dois fatores continuam impulsionando os planos odontológicos em 2015. Para este ano, empresas estimam crescimento de novos beneficiários dos planos odontológicos acima dos 10%.

“Os planos odontológicos têm custo mais baixo que os planos de saúde. Com isso, a previsão é de desempenho melhor do que o setor de saúde tradicional por ser um novo produto mais acessível”, afirma o dirctor-executivo da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), José Cechin. “O plano odontológico tem uma história de apenas de 15 anos de formação. A tendência é esse plano crescer mais que o plano de saúde”, ressalta Cechin.

Além dos planos individuais, há um grande potencial de crescimento dos planos odontológicos em empresas micro, pequenas e médias. Esse tem sido o foco, principalmente, das empresas de medicina de grupo e de seguradoras no Brasil em função da baixa taxa de cobertura.

Em dezembro de 2014, o mercado de saúde suplementar alcançou 72,2 milhões de beneficiários, incluídos planos de saúde e planos dentários, uma expansão de 3,4% em comparação ao registrado em igual período de 2013. No ano passado, os planos de assistência médica tiveram uma expansão de 2,5%, enquanto os planos odontológicos registraram incremento de 5,6%, segundo dados da FenaSaúde.

O Brasil é o país latino-americano no qual as empresas oferecem mais benefícios aos funcionários. Já há algum tempo, profissionais das operadoras da área de planos de saúde e odontológicos notam que as micro, pequenas e médias empresas (PMEs) estão contratando planos como política de retenção dos colaboradores. Em um cenário de menor crescimento da economia, o plano odontológico é um benefício que tem custo final menor para o consumidor ou empresas.

Atualmente, o Brasil tem 28 milhões de trabalhadores em PMEs. Desse total, 21 milhões estão em empresas com mais de 250 empregados. Portanto, há um grande potencial em empresas com menos vidas. Há muitas microempresas com três e quatro funcionários em ramos bastante variados: pequenos comércios, escritórios, consultórios, cursos de informática, entre outros.

Em busca de uma carteira de clientes com maior estabilidade, em 2015, a Caixa Seguradora está concentrando a distribuição de planos odontológicos em PMEs, por meio das agências da Caixa espalhadas por todo Brasil. Hoje, a Caixa Seguradora tem uma rede credenciada com 7 mil dentistas e mais de 23 mil opções de atendimento (clínicas, hospitais, entre outros). São 620 mil beneficiários de planos odontológicos. Deste total, 60% são pessoas físicas e 40% são produtos para PMEs e corporativos.

Ao longo de 2015, a Caixa Seguradora quer inverter essa proporção para que o maior percentual dos planos (60%) fique concentrado nas PMEs e o restante, em pessoas físicas. “A carteira de PMEs tem maior perenidade.

São contratos de 24 meses, permitindo uma melhor margem dos contratos, apesar de o tíquete mensal ser menor, quando comparado ao dos planos voltados às pessoas físicas”, afirma o diretor-superintendente da unidade de odonto, Julio Cesar Felipe.

Para atrair o interesse das PMEs, a Caixa Seguradora reformulou os planos. Além da assistência odontológica, o seguro ainda oferece, ao participante do plano, assistência para residência, serviço de chaveiro e eletricidade. A perspectiva é de aumentar em 25% o número de beneficiários do plano odontológico, entre indivíduos e empresas. “Em 2015, estamos fazendo uma atuação maior nas agências do banco. No ano passado, o número de beneficiários aumentou 18%, entre pessoas físicas e jurídicas que contrataram o plano”, destaca Felipe.

Entre as operadoras do mercado, as mensalidades dos planos odontológicos no setor corporativo podem variar de RS 10 a RS 13, enquanto a mensalidade do plano odontológico para pessoa física varia de RS 29 a RS 39. Mais de 70% dos planos odontológicos contratados no Brasil são básicos, que cumprem 98% dos procedimentos obrigatórios listados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Com um percentual menor de contratação, estão os planos odontológicos completos, que podem incluir tratamento ortodôntico e próteses das mais sofisticadas.

O mercado brasileiro é o que tem o maior número de dentistas do mundo, com aproximadamente 266 mil profissionais. E apenas 21 milhões de pessoas, ou seja, cerca de 10% da população brasileira, têm um plano odontológico. Os planos coletivos, compostos por planos empresariais e planos por adesão, apresentam o maior número de pessoas (17 milhões) com planos odontológicos, enquanto os planos individuais somam apenas 4 milhões de pessoas. Uma pesquisa da ANS revelou que cerca de 3 milhões de brasileiros nunca foram ao dentista. As operadoras de planos odontológicos ainda têm muito a explorar no Brasil. Nos Estados Unidos, por exemplo, há 160 mil dentistas e 66% da população com plano odontológico, enquanto 80% dos americanos têm plano de saúde.

“O mercado odontológico ainda é pouco explorado no Brasil e convive com alto grau de concentração. Sem dúvida, dois ingredientes fortes para quem quer crescer”, afirma o superintendente de relações institucionais da Seguros Unimed, Fernando Poyares.

A Unimed Odonto ocupa a sétima posição entre as operadoras do setor. Seu faturamento em 2014, quando comparado ao ano anterior, cresceu 30%. No primeiro trimestre de 2015, em relação ao mesmo período de 2014, o faturamento cresceu 26%. Com relação de beneficiários, entre 2013 e 2014, o número passou de 261.191 mil clientes para 327517. “Nosso principal foco de atuação é o segmento corporativo.Temos a vantagem da capilaridade do sistema Unimed, com 370 unidades em todo o Brasil, representando quase 90% do território”, ressalta Poyares.

Na Omint, 100% da carteira de beneficiários do plano odontológico (45 mil pessoas) são de planos corporativos. “Do total de planos, aproximadamente 70% são produtos tradicionais, contratados por empresas de pequeno e médio porte, que buscam cobrir os acordos sindicais. Mas há o caso de empresas que optam por um produto odontológico como beneficio diferenciado aos colaboradores, incluindo próteses, ortodontia e implantes”, explica o diretor-geral da Omint, André Coutinho. Para o atendimento dos beneficiários, a Omint realiza cerca de 3 mil atendimentos por mês.

Nos primeiros cinco meses de 2015, houve aumento do número de planos odontológicos contratados na Omint. “A expectativa é de incremento no número de novos clientes até o fim deste ano, em dois dígitos”, explica Coutinho. Em 2014, novos beneficiários de planos odontológicos aumentaram 9%”, diz.

Líder no setor de planos odontológicos, a OdontoPrev conta com a exclusividade de distribuição dos planos por meio do Bradesco e Banco do Brasil. De 2006 a 2014, o número de beneficiários da OdontoPrev passou de 1,49 milhão para 6,31 milhões de pessoas, o que corresponde ao crescimento médio de 20% ao ano no período. Hoje, a empresa apresenta uma rede credenciada de 25 mil cirurgiões-dentistas no país. De janeiro a março de 2015, o segmento individual apresentou aumento líquido de 4 mil vidas, segundo os resultados divulgados no trimestre. O melhor desempenho desde 2013, principalmente pela participação crescente do Bradesco.

A OdontoPrev fez um acordo com a Bradesco Dental em 2009. Outro acordo de associação foi fechado entre a OdontoPrev e a BB Seguros para Brasildental em março de 2014. Mas agora, em 2015, a base de clientes da OdontoPrev deve aumentar ainda mais em função de um nova estrutura comercial da Bradesco Seguros, a maior acionista da OdontoPrev. No novo formato, o corretor vende todos os seguros (saúde, dental, automóvel, previdência, vida). Antes, cada funcionário ofertava apenas uma modalidade de seguro.

Também em função da crescente participação do Bradesco, houve crescimento do tíquete médio em todos os segmentos da OdontoPrev, passando de R$ 15,85 para RS 16,66 nos três primeiros meses do ano, com destaque para a carteira de planos individuais. Juntamente com a carteira de planos individuais, a carteira de PME da OdontoPrev representa as maiores margens de retomo, e também os maiores riscos, comparadas ao segmento corporativo. E importante ressaltar que as PME mantêm o crescimento consistente de vidas desde 2011.

A carteira corporativa da OdontoPrev é responsável por 81% do total de clientes, sendo que a carteira PME responde por 12%. Por último, estão os planos individuais, com 7% do total de beneficiários. No primeiro trimestre, o segmento corporativo foi responsável por 75,5% da receita operacional líquida (ROL), enquanto o PME respondeu por 12,6%.

CNT entrega a Levy plano que prevê investimentos de R$ 1 trilhão nos próximos anos

Agência Brasil

Após participar de reunião com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, o presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Clésio Andrade, disse concordar com o ajuste fiscal, mas acrescentou que o país precisa de algumas “vitaminas” para evitar o aprofundamento da crise econômica. Ele apresentou ao ministro proposta que prevê investimentos, nos próximos anos, de R$ 1 trilhão em transportes e logística. Segundo ele, do total de investimentos previstos, cerca de R$ 500 bilhões ficariam sob a responsabilidade do setor privado.

“Pontualmente, há algumas questões de que discordamos, como a desoneração da folha de pagamentos do setor de transportes, que é um grande empregador. Mas, especificamente, mostramos para o ministro que esse ajuste fiscal está criando um processo recessivo e precisamos de algumas vitaminas. O Brasil vem de um círculo virtuoso de distribuição de renda, mas que quase acabou quebrando o país”, disse.

Além de Clésio Andrade, participaram da reunião com Levy dirigentes de confederações nacionais do setor produtivo e da área financeira.

Segundo Andrade, o Plano CNT de Logística e Transporte, entregue a Levy, envolve mais de dois mil projetos. “É uma forma de amenizar a recessão”, disse. Segundo o presidente da CNT, a mensagem levada a Joaquim Levy “foi a de que, até o ano passado, existia uma realidade bem diferente na economia: agora, no entanto, é necessário que o governo faça os ajustes”.

“Todos [da reunião] concordamos: os investimentos são necessários e isso não depende somente [do ministro]. Na área de transportes, existem hoje 13 órgãos para regular o setor. Há 20 anos era só o Ministério dos Transportes. O governo tem que reavaliar rapidamente essa questão. Não existe a mínima condição de investimentos com todos esses órgãos regulando o setor”, enfatizou.

Sobre o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) — antigo Conselho de Contribuintes, outro tema na pauta da reunião com o ministro Levy, o presidente da CNT disse que as confederações estão trabalhando para contribuir com a reformulação e modernização do órgão.

O presidente da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Antonio Oliveira Santos, disse, após participar da reunião, que passou a ter mais confiança nas mudanças previstas no Carf, visando a modernização do órgão, depois que ouviu os argumentos de Levy sobre o assunto. O ministro Joaquim Levy não se pronunciou sobre o encontro.

Participaram da reunião com o ministro Levy, os seguintes presidentes de confederações: da CNC, Antonio Oliveira Santos; da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade; da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins da Silva Júnior; da CNT, Clésio Andrade; da Confederação Nacional das Instituições Financeiras, Carlos Trabuco; da Federação Nacional de Saúde Suplementar, Márcio Serôa; e da Confederação Nacional de Saúde, Renato Merolli.

Paride Della Rosa assume o comando da AIG no Brasil

Paride Della Rosa AIGRelease

Paride Della Rosa é o responsável pela supervisão das operações da AIG Brasil, além das estratégias de negócios no país. Sua experiência e visão reforçam a performance de mercado e apoiam os planos futuros de crescimento da Companhia.

Com sólida carreira no mercado internacional, antes de assumir a posição atual, o executivo atuou como CEO da AIG Meridional Seguros na Argentina e Líder dos Países do Cone Sul. Foi também CEO da AIG na República Tcheca, além de atuar por dez anos no segmento de linhas financeiras, como Gerente Regional para o Sudeste da Ásia e China e como Gerente Regional para a América Latina. Nascido na Itália, Paride Della Rosa morou por duas décadas no Brasil e está na AIG há 15 anos.

A AIG atua no mercado securitário brasileiro há cerca de 65 anos e conta com 450 colaboradores em seus seis escritórios (São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre). O principal foco da operação da AIG Brasil são as linhas comerciais, mas a Seguradora investe para crescer em produtos de consumo, como o seguro de automóveis, por exemplo.