Standard & Poor’s rebaixou os ratings de quatro seguradoras

Fonte: Agência Estado

A Standard & Poor’s rebaixou os ratings de quatro seguradoras brasileiras. Os ratings em escala global da Allianz Global Corporate & Specialty Resseguros Brasil foram rebaixados de BBB+ para BBB- e a perspectiva mantida em negativa. O rating em escala nacional da empresa foi mantido e a perspectiva revisada para negativa. A S&P também rebaixou o rating em escala global da Sul America Companhia Nacional de Seguros de BBB- para BB+ e o rating da sua holding, a Sul America S.A, de BB para BB-. A perspectiva para as notas foi mantida em negativa. Os ratings em escala nacional da Sul America Companhia Nacional de Seguros e da Sul America S.A foram rebaixados de brAAA para brAA+ e de brAA- para brA. A agência também rebaixou o rating em escala nacional do Bradesco Seguros de brAAA para brAA+, com perspectiva negativa. As decisões foram tomadas depois de a S&P rebaixar, na quarta-feira, 9, o rating do Brasil de BBB- para BB+, tirando o grau de investimento soberano. “Os desafios políticos que o Brasil enfrenta continuam crescendo, pressionando a capacidade e a disposição do governo de apresentar um Orçamento de 2016 para o Congresso consistente com a correção política significativa sinalizada durante a primeira parte do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff”, comentou a agência.

Posse de presidente da APTS é marcada pela defesa da técnica em seguros

Por Márcia Alves

A Associação Paulista dos Técnicos de Seguro (APTS) empossou sua nova Diretoria e Conselho Administrativo para a gestão 2015/2017 em cerimônia realizada nesta quinta-feira, 10 de setembro, no auditório do Sindicato das Seguradoras de São Paulo (Sindseg-SP), com a presença de cerca de 50 pessoas. Eleito por aclamação em Assembleia Geral Ordinária, realizada na mesma ocasião, o novo presidente Osmar Bertacini comandará a entidade ao lado dos diretores Evaldir Barboza de Paula (secretário) e Hélio Opípari Junior (tesoureiro).

A assembleia também deu posse aos novos membros do Conselho Administrativo: Paulo de Tarso Meinberg, Pedro Barbato Filho e Luiz Gustavo Miranda de Souza, juntamente com os suplentes José Cesar Caiafa Junior, Josafá Ferreira Primo e Maria Amélia Saraiva.

Bertacini, que já presidiu a APTS por duas gestões, entre 1993 e 1997, retornou ao posto com o apoio da diretoria da entidade. Durante a cerimônia, ele surpreendeu o ex-presidente Luis López Vázquez ao nomeá-lo para o novo cargo de Presidente Emérito. “O Vázquez fundou e fez muito pela APTS. Se conseguirmos fazer metade do que ele fez em dois anos de mandato, já estaremos muito felizes”, disse.

Atual 2º secretário do Sincor-SP e membro de diversas entidades do setor, Bertacini disse que aceitou o desafio de presidir a APTS com o intuito de trabalhar pela valorização da prática técnica em seguros. “Discordo daqueles que dizem que o técnico de seguros não existe mais, já que 90% dos corretores concentram suas vendas em seguro automóvel. Cada seguro vendido tem por trás um técnico que calculou o risco e precificou o seguro”, disse. Para o presidente da APTS, a técnica de seguros é o pilar da atividade seguradora e essencial para o seu desenvolvimento.

O presidente do Sindseg-SP, Mauro Batista, fez questão de cumprimentar a nova diretoria. “Este é um momento de glória para a APTS, que merece o apoio de todo o mercado, porque é uma entidade que produz conteúdo de grande valor agregado ao seguro”, disse. Ele também registrou sua admiração pelo ex-presidente Vázquez, que, em sua opinião, é uma “referência para o setor por colocar os objetivos da entidade acima dos seus”.

Vázquez relatou parte sua trajetória profissional de mais de 60 anos no seguro, iniciada aos 17 anos, logo depois que chegou da Espanha. Anos mais tarde, em 1983, decidiu se juntar a um grupo de profissionais para fundar uma entidade que atuasse na defesa da técnica de seguro. “Naquela época de alta inflação, a técnica ficou relegada a segundo plano, porque compensava mais ao mercado obter resultados em aplicações no mercado financeiro do que na atividade seguradora”, disse.

Para o ex-presidente da APTS, cabe aos técnicos a missão de disseminar o seguro bem-feito. “O bem-estar da sociedade é proporcionado pelo seguro. Sem seguro, não há continuidade, não há alegria de viver. Isso dá à nossa profissão um atestado de humanidade”, disse. Osmar Bertacini concordou com Vázquez e acrescentou que pretende intensificar o conteúdo essencialmente técnico dos eventos da APTS. Por fim, ele conclamou as entidades do setor a se unirem. “Todas têm interesses comuns e juntas se tornarão mais fortes”, disse.

A festa de posse da nova diretoria da APTS será realizada no dia 29 de outubro, no Circolo Italiano, em São Paulo (SP).

Diretoria da APTS – Gestão 2015/2017

Presidente: Osmar Bertacini

Secretário: Evaldir Barboza de Paula

Tesoureiro: Hélio Opípari Junior

Conselho Administrativo

Efetivos: Paulo de Tarso Meinberg, Pedro Barbato Filho e Luiz Gustavo Miranda de Souza. Suplentes: José Cesar Caiafa Junior, Josafá Ferreira Primo e Maria Amélia Saraiva.

Perda de grau de investimento dificulta realização de IPOs, diz BM&FBovespa

Fonte: Reuters – Por Aluísio Alves

A perda do grau de investimento do Brasil pela Standard & Poor’s pode dificultar a realização de ofertas iniciais de ações (IPOs) previstas para acontecer nos próximos meses, disse nesta quinta-feira o presidente-executivo da BM&FBovespa, Edemir Pinto.

Segundo o executivo, esse pode ser o primeiro reflexo da provável queda dos investimentos estrangeiros de longo prazo no país, dada a percepção de maior risco.

“Os IPOs ainda podem acontecer, mas a decisão (da S&P) vai dificultar”, disse Edemir à Reuters. “Isso significa perder capacidade de atrair investimento estrangeiro de longo prazo, como dos fundos de pensão.”

Atualmente há dois pedidos de ofertas iniciais de ações em análise na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), um da Caixa Seguridade, que reúne participações e seguros e previdência da Caixa Econômica Federal, e outro da resseguradora IRB Brasil Re.

De acordo com Edemir, o corte da nota do crédito soberano, anunciado na véspera, mostra que o governo federal não se deu conta de que perder o selo de bom pagador é mais do que apenas a opinião de uma agência sobre o orçamento público.

“Isso significa que todas as companhias terão custo de captação muito maior, representa um ônus que vai tornar o investimento mais caro e a produção menos rentável. Vai ficar mais caro para produzir e gerar empregos”, disse.

Em 2014, o Brasil teve o pior desempenho em listagem de novas companhias na bolsa em uma década, com apenas um IPO, a da Ourofino Saúde Animal. Neste ano, a única estreia no pregão foi da Par Corretora. Outras companhias, como a empresa aérea Azul e a JBS Foods, desistiram de suas operações alegando condições adversas do mercado.

Segundo o executivo, uma reação negativa mais vigorosa do mercado tenderia a ocorrer se outra agência dentre as grandes internacionais –Moody’s e Fitch– também tirar do país o selo de bom pagador. Nesta quinta-feira, o Ibovespa fechou em queda de 0,33 por cento e o dólar em alta de 1,34 por cento frente ao real.

“O cenário de terror não está descartado”, disse, referindo-se ao fato de que vários investidores estrangeiros têm restrições estatutárias para comprar ativos de países que não têm o grau de investimento de pelo menos duas agências.

Para Edemir, iniciativas para tentar corrigir a déficit fiscal, incluindo corte de custos e aumento de impostos, tende a ser inevitável, mas qualquer oneração adicional sobre o mercado de capitais seria muito danosa.

“O mercado de capitais já tem sofrido há bastante tempo”, concluiu.

Perda de grau de investimento do Brasil não perturba planos da Minuto Seguros

Marcelo Blay, sócio diretor da Minuto Seguros, uma das principais corretoras do País, mantém seu otimismo mesmo com a perda do grau de investimento do Brasil. “Estamos batendo recorde de vendas. O brasileiro está com medo de perder o emprego e violência urbana. E nada melhor que os seguros para aplacar esta angústia. Os investidores estrangeiros estão babando de felicidade. Estão dizendo que agora é a melhor hora de investir: o câmbio é extremamente favorável para eles, ficou barato. E a concorrência para eles diminuiu”, afirmou ele ao blog Sonho Seguro.

Em 2012, o Redpoint e Ventures, do Vale do Silício, na Califórnia, fez um aporte na Minuto Seguro. Novos investidores, desde então, estão de olho no segmento de venda online de seguros, algo que ainda engatinha no Brasil e por isso desperta a atenção de muitos investidores.

Atenta ao potencial do mercado de seguros, a Minuto, criada há cinco anos, consolidou sua posição de liderança com o conceito multicanal, baseado no modelo que une a velocidade de sua plataforma digital à qualidade do atendimento prestado por consultores especializados. Além disso, recentemente, a corretora lançou uma nova campanha publicitária para reforçar o seu posicionamento com base nos pilares de transparência, rapidez e expertise.

A Minuto Seguros possui um site de interface simples, com navegação rápida e consultores especializados para oferecer suporte por telefone, e-mail ou chat. São mais de 15 seguradoras disponíveis, incluindo os principais players do mercado. Além do seguro automóvel oferecido no site, a corretora também oferta seguro residencial, seguro viagem, seguro para eletrônicos, seguro para pequenas e médias empresas entre outros.

www.minutoseguros.com.br.

Resseguro: índice combinado chega a 101% no 1o. semestre, dado preocupante segundo a Terra Brasis

terra brasisteO volume de resseguro cedido pelas seguradoras brasileiras (bruto de comissão) foi de R$ 4,41 bilhões, aumento de 3,7% em relação aos R$ 4,25 bilhões apresentados no mesmo período de 2014, segundo dados das Resseguradoras Locais divulgadas pela Superintendência de Seguros Gerais (Susep), referentes ao primeiro semestre de 2015, analisados pela resseguradora local Terra Brasis.

Neste mesmo critério, o IRB emitiu um volume de prêmio 81% maior do que o apresentado no mesmo período do ano anterior, as demais locais apresentaram um crescimento de 23%, enquanto o volume de resseguro cedido diretamente a resseguradoras estrangeiras caiu 57%. O volume de resseguro aceito do exterior passou de R$ 48,5 milhões para R$ 192,4 milhões, um crescimento expressivo de 297%, que evidencia a estratégia de internacionalização de algumas Resseguradoras Locais.

A sinistralidade do conjunto das Resseguradoras Locais ficou em 85% (123% se excluindo o IRB) contra 60% (70% se excluindo o IRB) do mesmo período do ano anterior, demonstrando uma piora significativa. O Combined Ratio do conjunto encerrou o período em 101% (95% do mesmo período do ano anterior) resultado bastante preocupante segundo a Terra Brasis, pois é beneficiado pelos resultados positivos obtidos nas retrocessões de várias companhias, o que não deve ser sustentável a longo prazo.

Moody’s destaca riscos em resseguros

moodysOs preços de resseguros deverão cair em média 10% em 2016 diante da acirrada competição do setor, consolidando o soft market já observado neste ano, com redução média também de 10% nos preços das renovações dos principais contratos mundiais, comentou Stanislas Rouyer, diretora da agência de classificação Moody’s, que manteve perspectiva negativa da indústria de resseguros em coletiva realizada ontem.

Resseguradoras que buscam novas linhas de negócios e expansão geográfica enfrentam riscos substanciais, de acordo com o relatório. A classificação com perspectiva negativa do setor de resseguros destaca as ameaças ao setor por riscos de empresas que se aventuram em territórios desconhecidos com linhas de negócio diferenciadas na tentativa de elevar seus lucros. Esta é a mais nova razão citada pela agência, que já vem alertando sobre o excesso de capacidade, taxas de juro baixas persistentes, e queda na demanda de resseguro devido à racionalização das compras de resseguro pelas seguradoras e do baixo crescimento econômico global. “Para lidar com essas questões, as resseguradoras estão olhando para nichos ainda pouco conhecidos e expondo-se muito a mercados emergentes, que oferecem barreiras e exigem preços mais competitivos”, informou a Moody’s em conferência.

Lloyd’s of London anuncia lucro de US$ 1,87 bi no 1o. semestre

marco castroO Lloyd’s anunciou hoje lucro antes de impostos de £ 1,19 bilhão (US$ 1,87 bilhão), com indice combinado de 89,5% e retorno sobre o capital de 10,7% nos primeiros seis meses de 2015. Esse é o quarto ano consecutivo em que o Lloyd’s superou seu grupo de concorrentes em termos de índice combinado, segundo nota divulgada pela mais antiga instituição de seguros do mundo.

“Nossos ratings financeiros continuam fortes. O Lloyd’s é classificado com AA- (muito forte) com a Fitch, A + (forte) com a Standard & Poors, A (excelente) com AM Best e atualmente tem perspectiva positiva com AM Best”, afirma Marco Castro, CEO do Lloyd’s no Brasil. “Este é um sólido conjunto de resultados, dadas as condições de mercado desafiadoras, que viram reduzidos os retornos de investimento devido a baixas taxas de juros e o aumento da concorrência por prêmios de seguros e resseguros em todo o mundo”, ressalta.

Quanto ao rebaixamento do rating do Brasil, Marco Castro diz: “A notícia da redução do rating do Brasil não muda o nosso apoio fundamental ao país e ao mercado Brasileiro de seguros e resseguros. O Lloyd’s está comprometido com o Brasil e continuará a apoiar os negócios brasileiros. Temos confiança de que no médio prazo a economia brasileira vai se recuperar.”

De acordo com o comunicado, as condições difíceis irão continuar. “No entanto, o Lloyd’s está empenhado em garantir o sucesso do mercado a longo prazo, continuará a apoiar a subscrição especializada e manterá um profundo compromisso com a supervisão rigorosa do mercado”, afirma a intuição. O Lloyd’s também ressalta que ssses fatores, combinados com a estratégia de modernização, expansão da presença internacional e o incentivo do mercado para inovar, irão garantir que o Lloyd’s continue desempenhando um papel vibrante como mercado líder mundial especializado em seguros e resseguros.

Detalhes completos dos resultados do 1º semestre de 2015 podem ser acessados em: www.lloyds.com/2015interimresults.

Seguro para pedaladas

Fonte: Folha de S.Paulo

Bicicletas de competição, com valores a partir de R$ 3 mil, são um mercado crescente para as seguradoras, que veem incrementos de até 200% no número de contratos neste ano.

Esse foi o aumento entre janeiro e julho na carteira da Argo, que hoje tem cerca de mil prêmios (clientes). Uma dificuldade desse negócio é a precificação do bem. Carros têm valores tabelados, mas as bicicletas variam de um modelo para outro.

“O cliente declara quanto vale e manda fotos. Temos especialistas que determinam se o preço faz sentido”, diz a diretora Ana Carolina Mello.

A seguradora não leva em conta condicionantes, como perigos relacionados à região onde o ciclista pedala. Isso porque o negócio ainda é novo para que a empresa possa fazer inferências sobre riscos.

“Mil clientes não são suficientes para criar estatísticas”, afirma Mello. No entanto, esses esportistas não se expõem a riscos, diz Alexandro Sanxes, diretor da Berkley, que nota um crescimento anual de 40% e que hoje tem cerca de 4.000 itens segurados.

Sinistralidade de garantias chegou a 97%, revela FenSeg

Fonte: Correio Braziliense

Com a inflação beirando os 10%, os juros entre os maiores do mundo e o crédito escasso, cresce, sem parar, o número de empresas e de consumidores que estão com dificuldades para honrar os compromissos em dia. A conta desse calote está caindo, sobretudo, no colo das seguradoras, uma vez que os empréstimos são garantidos por seguros contra inadimplência.

Levantamento realizado pela Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) mostra que, de junho de 2014 a junho desde ano, a sinistralidade das apólices para os casos de inadimplência somou R$ 749,9 milhões, o equivalente a 97% dos R$ 764,3 milhões em prêmios contratados, no mesmo período, para seguros de crédito e de responsabilidades em geral. Em janeiro de 2011, primeiro mês de mandato de Dilma Rousseff, esse índice era de 56%.

“A sinistralidade é a mais elevada desde 2009 (ano da crise financeira global), quando o indicador chegou a 100%. A taxa anualizada até junho está acima da média dos últimos 10 anos”, compara Rogério Vergara, presidente da Comissão de Crédito e Garantia da FenSeg. Ele conta que esses dados englobam pessoa física e jurídica e que o número de sinistros nos seguros de crédito em geral vem crescendo desde setembro de 2014.

Rigidez

Segundo Vergara, o aumento dos juros e da inflação contribuiu para que a inadimplência crescesse. “Há um enxugamento do capital na economia e os devedores têm menos acesso aos recursos. As companhias com baixo capital de giro dependem dos clientes para pagar as contas e, como o consumo vem encolhendo, elas estão com dificuldades para honrar os compromissos”, diz. Ele explica que os pagamentos honrados pelas seguradoras ocorrem depois que se esgotam todas as formas de se tentar receber das empresas e dos consumidores que se declararam inadimplentes.

A tendência é de que essa sinistralidade continue crescendo e, por conta disso, as seguradoras devem botar um freio nas vendas de seguros de crédito. “Devemos registrar queda de 10% neste ano. As seguradoras, a exemplo dos bancos que restringem crédito quando a inadimplência aumenta, criam critérios mais rígidos de aceitação de contratos”, afirma Vergara. Ele garante, no entanto, que as seguradoras têm condições de cobrir os prejuízos dos contratantes porque, nos últimos seis anos, foram rentáveis o suficiente para se prepararem para o atual momento.

O economista Flávio Calife, da Boa Vista SCPC, destaca que a elevada taxa da sinistralidade nos seguros contra calotes é reflexo do aumento da inadimplência da pessoa jurídica, que, pelos dados da entidade, saltou de 5,8% para 8,3% de março a junho deste ano, mais que o dobro dos dados do Banco Central. Os pedidos de falência também estão crescendo de forma acelerada. No acumulado de janeiro a junho deste ano, subiram 13,6%, em relação ao mesmo período de 2014. Já o número de falências decretadas saltou 37,1% na mesma base de comparação.

Estica e puxa

Calife acredita que a inadimplência das empresas deverá avançar em ritmo mais acelerado do que a das pessoas físicas daqui para a frente. “O consumidor vem parando de consumir, mas as empresas não podem deixar de comprar insumos para produzir. Elas já reduziram a produção e, agora, começaram a demitir, porque não têm mais como cortar custos”, lamenta, citando o aumento do desemprego para mais de 8%, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Como a receita está diminuindo, os custos se mantêm e não há oferta de crédito, sobraram as demissões”, destaca.

O pior, na avaliação do economista da Boa Vista, é que o quadro macroeconômico não dá sinais de melhora, principalmente porque o ajuste fiscal necessário não começou. “O governo está novamente fazendo o jogo do estica e puxa. O Banco Central puxa os juros para cima e o resultado fiscal piora. Se o Tesouro Nacional continuar gastando como está, não haverá melhora”, afirma.

Para o consultor Roberto Luiz Troster, ex-economista-chefe da Federação Brasileiras de Bancos (Febraban), a necessidade crescente das seguradoras de honrar dívidas de empresas e consumidores mostra que quadro econômico é dramático. “O que mais me preocupa são a imobilidade e a paralisia do governo frente a situação”, lamenta. “Além da desaceleração da economia, a dinâmica do crédito está ruim. Um em cada três CPFs e um em cada dois CNPJs estão negativados”, afirma. “A retração será grande”, destaca, lembrando que, pelos dados da Secretaria da Micro e Pequena Empresa, atualmente, a cada empresa que abre, uma fecha as portas.

No entender de Calife, da Boa Vista, há um problema claro de desconfiança em relação ao governo tanto dos consumidores quanto dos empresários. “O governo precisa equilibrar as contas públicas, para que a inflação e os juros possam cair. Só assim, haverá um quadro mais favorável aos negócios, o que derrubará a inadimplência”, assinala.

Mercado pequeno

Os valores movimentados no Brasil no mercado de proteção contra calotes ainda é muito pequeno se comparado com o mundo. “Na Europa, não existe uma única empresa que faça vendas a prazo sem seguro. Esse segmento movimenta cerca de 7 bilhões de euros mundialmente. O volume de prêmio contratado no país foi menos de 3% disso (190 milhões de euros) no acumulado em 12 meses até junho”, compara Rogério Vergara, presidente da Comissão de Crédito e Garantia FenSeg.

S&P corta rating do Brasil e retira selo de bom pagador do país

Fonte: REUTERS/Brendan McDermid

A agência de classificação de risco Standard & Poor’s retirou o selo de bom pagador do Brasil nesta quarta-feira, ao cortar o rating do país para “BB+” ante “BBB-“, 10 dias após o governo prever um inédito déficit primário na proposta orçamentária de 2016.

Além de remover do Brasil o grau de investimento, a S&P sinalizou que pode colocar o país ainda mais para dentro do território especulativo, ao manter a perspectiva negativa para a nota de crédito brasileira, o que significa que um novo rebaixamento pode ocorrer no curto prazo.

O movimento da S&P, que deverá repercutir negativamente sobre os mercados financeiros locais, é um grande revés para o governo da presidente Dilma Rousseff, que enfrenta uma crise econômica e política e vinha buscando meios de manter o Brasil entre os países reconhecidos como bons pagadores pelas agências de classificação de risco.

O ambiente doméstico conturbado inclui ainda os desdobramentos da operação Lava Jato, que investiga corrupção envolvendo empresas estatais, órgãos públicos, empreiteiras e políticos.

“Os desafios políticos que o Brasil enfrenta continuam a crescer, pesando sobre a habilidade do governo e a disposição de enviar um orçamento de 2016 ao Congresso consistente com uma significativa política corretiva sinalizada durante a primeira parte do segundo mandato da presidente Dilma”, disse a S&P.

No fim de agosto, o governo encaminhou uma proposta orçamentária com previsão de déficit primário da União equivalente a 0,5 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) no ano que vem, em meio a um cenário recessivo e de dificuldades para aprovar medidas de ajuste fiscal.[nL1N1162GR]

A previsão de fechar as contas no vermelho em 2016 foi feita pouco mais de um mês depois de o governo ter anunciado um drástico corte nas metas fiscais para este ano e os próximos dois.[nL1N102368]

Para a S&P, a estimativa de déficit primário na proposta orçamentária de 2016 reflete divergências internas sobre a composição e a magnitude das medidas necessárias para melhorar as contas públicas. “Percebemos agora menos convicção dentro de gabinete da presidente sobre a política fiscal”, disse a S&P.

Em julho, a Moody’s rebaixou o rating do Brasil para a última nota dentro da faixa considerada como grau de investimento, enquanto a S&P colocou a nota do país em perspectiva negativa. Pela Fitch, a nota brasileira é “BBB”, ainda dois níveis acima do grau especulativo, com perspectiva “negativa”.

O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, disse a jornalistas que a mudança do rating brasileiro pela S&P “não muda uma trajetória de recuperação da economia brasileira, de construção de um equilíbrio fiscal”.

“Em primeiro lugar, eu queria transmitir uma mensagem de tranquilidade, uma mensagem de segurança para todos, porque continuaremos os esforços de melhorar o crescimento da economia, de melhorar a situação fiscal do Brasil”, disse Barbosa.

“O governo brasileiro continua a honrar todos os seus compromissos, continua a honrar todos os seus contratos”, acrescentou.

Em nota, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou que o governo reafirma seu compromisso com a consolidação fiscal.

“O processo para se garantir a meta de superávit primário de 0,7 por cento do PIB em 2016 será completado nas próximas semanas com o envio de propostas na área de gastos e receitas discutidas com o Congresso”, afirmou.

MERCADOS AGITADOS

A perda do selo de bom pagador, que o Brasil tinha conquistado junto à S&P em 2008, eleva os custos de financiamento para o governo e as empresas locais, assim como pode reduzir o fluxo de entrada de dólares no país.

A moeda norte-americana já acumula alta de mais de 40 por cento ante o real no ano, principalmente em razão das turbulências domésticas, e agentes econômicos estimam que o dólar poderá até superar os 3,90 reais na quinta-feira, o que significaria uma alta de mais de 2,5 por cento no dia.

O estrategista-chefe da Icap, Juliano Ferreira, chamou a atenção para a velocidade da ação da S&P, “que havia revisado a perspectiva há pouco tempo, o que mostra a total falta de credibilidade do Brasil com as agências”.

Em um sinal claro de perspectiva de um dia agitado nos pregões domésticos, o Credit Suisse encaminhou aos clientes e-mail lembrando as regras para ‘circuit breaker’ da Bovespa, mecanismo de interrupção dos negócios na bolsa em caso de quedas expressivas a partir de 10 por cento.[nL1N11F32J]

(Redação São Paulo; Edição de Raquel Stenzel e Cesar Bianconi)