Ernesto Tizirulnik critica medidas da Susep; Flávio Girão esclarece as dúvidas

ernestoAlgumas mudanças no arcabouço regulatório do mercado segurador estão gerando intensas discussões, desde as seguradoras que se queixam do custo financeiro e de horas de funcionários para implementá-las em um ano de economia em baixa, na qual toda a energia deve ser usada para medidas que mantenham o crescimento das vendas.

Na semana passada, a crítica ficou por conta do advogado Ernesto Tizirulnik, presidente do Instituto Brasileiro de Direito do Seguro (IBDS), que criticou a intenção da Superintendência de Seguros Privados (Susep) de alterar a classificação de coberturas. Segundo nota enviada pela assessoria do advogado, a Susep pretende alterar a codificação dos diferentes ramos e a classificação das coberturas, limitando a comercialização de alguns produtos.

“A quem serve a Susep, a autarquia federal que deveria atuar em favor dos segurados e beneficiários dos seguros?”, indaga Tzirulnik no comunicado. “Ela esvaziou os seguros de riscos de engenharia, quando estes são vitais para países em desenvolvimento; bloqueou seguro de responsabilidade civil de administradores para danos ambientais logo depois do rompimento da barragem de Mariana; e agora quer — e vai — fazer o mesmo com todos os demais seguros, inclusive de automóveis”. O advogado refere-se ao trecho da minuta da Susep que prevê que “as coberturas do plano de seguro secundário somente poderão ser comercializadas como coberturas adicionais, de contratação facultativa pelo segurado”.

A nova norma proposta pela Susep, estabelece que os planos de seguro secundário (que apresentam cobertura típica de um único ramo) somente poderão ser comercializados em conjunto com um ou mais planos de seguro principal. Para Tzirulnik, “essa intervenção minuciosa, ora benéfica para alguns em detrimentos de muitos outros, ora o inverso, mostra que neste país não há uma política de seguro consequente”.

Em resposta, o diretor de autorizações da Susep, Flávio Girão, afirma que é importante ressaltar que a minuta de circular que estava em consulta pública até o início deste mês, não inova em absolutamente nada quando o assunto é oferecimento de seguros de ramos/grupos diferentes. “Basta ler a Circular SUSEP nº 395, de 3 de dezembro de 2009. Ou seja, o que se aponta como novidade já existe em nosso arcabouço normativo há mais de seis anos! Somente para exemplificar, os artigos que tratam do ramo “Risco de Engenharia”, sequer foram alterados na circular em consulta pública”, informa.

Girão reitera ainda que a Susep “não“ bloqueou o seguro de responsabilidade civil de administradores para danos ambientais logo depois do rompimento da barragem de Mariana e ressalta que qualquer afirmação contrária só pode ser falta de informação, desconhecimento ou confusão no entendimento das normas do setor. “Esclareço mais uma vez que qualquer seguradora pode oferecer um seguro de responsabilidade civil de diretores e administradores, também conhecido por RC D&O (do inglês Directors and Officers), com cobertura de responsabilidade civil de danos ambientais, conhecido por RC Ambiental. Basta, para isso, estruturar um produto com cobertura principal de RC D&O, conjugado com a cobertura secundária de RC ambiental. O mesmo se aplica a qualquer seguro que possua cobertura de ramos distintos. Tal tipo de estruturação é corriqueira e de fácil implementação”, conclui.

Por fim, ao determinar que nos planos de seguro secundário somente poderão ser comercializados como coberturas adicionais, de contratação facultativa pelo segurado, ele explicou que a Susep veda a prática de venda casada do plano de seguro principal com o plano de seguro secundário, ”ao contrário de ilações feitas sem fundamento e que só trazem confusão ao mercado”.

Na réplica a resposta da Susep, o advogado diz que a posição mostra quão burocrática a autarquia está sendo em relação a um negócio jurídico que há séculos é dinâmico e prima pela consensualidade. “Esse negócio de “apartar coberturas” é um perigo. Seguro não é gado”, comenta Ernesto.

Segundo ele, os seguros em linha de princípio, como ensinava por todos Pontes de Miranda, tende à ampla cobertura dos riscos que incidem sobre o interesse que é garantido. Tendem ao “all risks”, mesmo os de riscos nomeados. Ele argumenta que os consumidores sentem-se seguros quando assim contratam, ainda que os documentos do seguro sejam predispostos pelas seguradoras. A função social, a utilidade dos seguros é desse modo potencializada. Por isso as coberturas são amplas e existe a técnica de exclusão e limitação que deve ser feita com muita parcimônia e clareza. “Por isso caiu muito bem entre nós a regra da interpretação contra o predisponente que foi plasmada no Código Civil de 2002.”

Ernesto afirma que a boa prática regulatória é no sentido de estimular a máxima compreensão da cobertura do seguro e não torná-la exceção. “Quando a Susep põe planos anões como básicos e prevê adendos para acrescer algo, ela acaba derrubando a amplitude das coberturas. Somente as garantias apequenadas estarão disponíveis e, quiçá, a prêmio outro, sujeita a burocracia, uma ou outra cobertura que se possa agregar. Tudo dependerá do “apetite” das seguradoras e dos resseguradores e das conveniências as mais variadas.”

O resultado, acrescenta o advogado, é que alguns acreditarão que estão vestidos com boa garantia quando estão seminus. Outros perceberão isso e somente contratarão seguros se forem forçados a fazê-lo, com o sentimento de que estão queimando seu dinheiro. “Isso, com sinceridade, desserve à política de solidarização social e econômica que os seguros devem promover”, diz. “Eu não disse que a SUSEP impediu cobertura de riscos, disse que ela bloqueou. Proibir é uma coisa. E só lei pode fazer isso. A Susep jamais poderia proibir qualquer coisa, mesmo o CSNP não poderia. Bloquear, impedir, dificultar, tornar impossível são coisas distintas de impedir. É isto que a Susep acaba fazendo, por querer ou sem querer”, finaliza.

Saúde Suplementar no país se redesenha diante do cenário econômico nacional

jose cechinUm dos destaques do 11º Boletim da Saúde Suplementar – Indicadores Econômico-financeiros e de Beneficiários – da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) – é a análise dos números relativos às operadoras em regime de portabilidade especial ou portabilidade extraordinária. Os dois instrumentos representam ações da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) que visam permitir que os beneficiários de operadoras que tenham suas atividades encerradas por liquidação extrajudicial mantenham planos de saúde, equivalentes ou não, em outras operadoras. Nessas modalidades de portabilidade, não é necessário respeitar todos os critérios da portabilidade normal. No mercado de Saúde Suplementar, ocorreram 120 concessões de portabilidade especial e 89 concessões extraordinárias (nível de alerta superior), entre 2013 e 2015. Das concessões de portabilidade extraordinária, 59 foram definidas em 2015 – expressivo aumento ante 2014, que registrou 10. A portabilidade extraordinária é decretada em situações excepcionais, quando há necessidade de intervenção para garantir opções ao beneficiário.

O boletim analisa a performance econômico-financeira do segmento. Nesta edição, os dados, referentes a setembro de 2015, reforçam que o setor de Saúde Suplementar apresenta sinais de desaceleração em função do cenário econômico: caiu o ritmo de crescimento das receitas e despesas – queda maior nas receitas do que nas despesas. Em setembro, o crescimento dos gastos do setor seguia acima da expansão das receitas: as despesas assistenciais aumentaram 14,9%, enquanto as receitas de contraprestações registraram avanço de 12,8% ante o aferido no período anterior. As informações têm como base demonstrações contábeis enviadas regularmente à ANS.

Pela primeira vez desde o início da série histórica, houve retração na base de beneficiários dos planos de assistência médica, com redução de 0,3% no total de consumidores. A desaceleração é mais acentuada para planos coletivos empresariais, contratados pelas empresas para os seus empregados. Esse tipo de contratação saiu de um patamar de crescimento de 6,3%, entre setembro de 2012 e setembro de 2013, para uma taxa negativa de 0,1%, em setembro de 2015 ante o mesmo mês do ano anterior. Entre os setores mais afetados pelo cenário macroeconômico, estão as indústrias de petróleo e gás, montagem industrial e serviços financeiros – atividades que registravam altos índices de contratação de mão de obra.

“Não há, no entanto, motivação para que se façam prognósticos alarmantes. Na verdade, surpreende o ritmo de crescimento do setor diante do cenário de retração econômica. Em parte, isso pode ser atribuído ao que pesquisas de opinião indicam – que o plano de saúde é o terceiro item de maior relevância em consumo no país, atrás de educação e casa própria. Isso significa que tende a ser um dos mais preservados entre as prioridades de consumo. No mesmo sentido aponta pesquisa do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), feita pelo Ibope neste ano, mostrando que 75% dos brasileiros que têm plano de saúde estão satisfeitos ou muito satisfeitos com seus planos”, destaca José Cechin, Diretor-Executivo da FenaSaúde.

No período analisado, as associadas à FenaSaúde custearam R$ 48,1 bilhões em eventos de assistência médica e odontológica de seus beneficiários, com expansão de 14,8% na comparação com os 12 meses imediatamente anteriores. As receitas de contraprestações totalizaram R$ 58,2 bilhões e cresceram 13,5%, na mesma base de comparação. A edição do Boletim da Saúde Suplementar – Indicadores Econômico-financeiros e de Beneficiários reforça o compromisso da FenaSaúde com a informação de qualidade para promover o melhor entendimento do mercado de Saúde Suplementar.

Confira os principais temas abordados no boletim

Estrutura do mercado de Saúde Suplementar

Nesse capítulo, são apresentados faturamento total do setor, despesas operacionais, despesas assistenciais, despesas por modalidade de planos de saúde e resultados operacionais. As associadas à FenaSaúde registraram despesa total (inclui despesas assistenciais, administrativas, comercialização e impostos) de R$ 56,8 bilhões nos 12 meses terminados em setembro de 2015, com expansão de 15% em relação ao período imediatamente anterior. As receitas de contraprestações totalizaram R$ 58,2 bilhões e cresceram 13,5%, na mesma base de comparação. Dessa forma, o resultado operacional das associadas (receita de contraprestações/despesa total) foi de R$ 1,4 bilhão. Já o mercado de Saúde Suplementar fechou deficitário em R$ 400 milhões, com despesas totais (R$ 143,6 bilhões) superando receitas de contraprestações (R$ 143,2 bilhões).

Operadoras e indicadores operacionais

Números absolutos das operadoras em atividade, divididas por modalidade. Mostra ainda volume de provisões técnicas das empresas, índices gerais de sinistralidade, fazendo distinção por modalidade de empresa. Aponta indicadores como volume de despesas administrativas e despesas comerciais.

Beneficiários

Esse capítulo traz dados de beneficiários da Saúde Suplementar no Brasil. Em setembro de 2015, havia 72,1 milhões de beneficiários de planos de saúde, sendo 50,3 milhões nos planos de assistência médica (69,7% do total) e 21,9 milhões nos planos exclusivamente odontológicos (30,3% do total). O capítulo reforça que, pela primeira vez na série histórica, a base de consumidores dos planos de assistência médica apresentou uma redução.

Distribuição geográfica

Distribuição dos beneficiários pelas cinco regiões do Brasil: Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste, por cobertura assistencial (assistência médica ou exclusivamente odontológica) e localidade (interior ou capital). Os dados mostram, por exemplo, que a Região Sudeste concentra o maior percentual de beneficiários de planos e seguros privados de saúde: 62,1% dos planos de assistência médica e 58,3% dos exclusivamente odontológicos. No entanto, a Região Centro-Oeste é a que registra o crescimento mais acelerado na base de clientes: em setembro deste ano, houve aumento de 4,7% nos planos de assistência médica e 4,1% nos exclusivamente odontológicos, na comparação com setembro de 2014.

O 11º Boletim da Saúde Suplementar – Indicadores Econômico-financeiros e de Beneficiários pode ser obtido por download, na íntegra, na página da FenaSaúde: http://www.cnseg.org.br/fenasaude/publicacoes/

Pequenos e médios empresários do Brasil estão mais conscientes em relação a riscos

O Brasil está no caminho certo na cultura de gerenciamento de riscos. É o que aponta a Pesquisa Global da Zurich, feita com 200 executivos de PMEs instaladas no país. Em relação ao ano anterior, reduziu-se pela metade o número de gestores que não acreditam que sua empresa corra algum risco – 11% contra 22% em 2014.

“O empresariado está se tornando mais consciente de que danos involuntários podem acontecer a qualquer momento, e a tendência é que se tornem mais precavidos”, analisa Paulo Alves, Diretor de Linhas Comerciais da Zurich Brasil. “A Pesquisa Global Zurich 2015 identifica ainda outra boa notícia: estamos em linha com a média global, que registra 10,4% de consciência neste sentido”, complementa Paulo Alves. A pesquisa foi realizada com três mil PMEs, 200 de cada um dos 15 países participantes, dentre eles o Brasil.

Tendo como missão ajudar o cliente a compreender e se precaver de riscos, a Zurich se torna reconhecida também pela transmissão de informações ao mercado. A companhia entende que o compartilhamento de informações resulta no melhor entendimento sobre os serviços que o mercado segurador disponibiliza. “Informações constroem a cultura, e a cultura do seguro tem ainda área para crescer”, destaca Emanuel Baltis, CEO de Global Corporate para o Brasil.

“As 11% de PMEs nacionais que não aceitam a ideia de que são suscetíveis a riscos não enxergam as consequências de um dano, a exemplo da perda de clientes ou pagamento de multas por descumprimento de contrato (falha na entrega). Caso não haja um estudo de viabilidade, os riscos diretos podem afetar a reputação da marca, devido à responsabilidade quando ocorre a troca de um fornecedor e consequentemente uma possível perda da qualidade do produto”, diz o Diretor.

“A Zurich tem expertise no assunto. Referência global em Engenharia de Prevenção de Riscos, a Zurich está cada vez mais focada na Resiliência dos Negócios, que consiste em prever soluções para manter a continuidade dos negócios caso a empresa seja vitimada”, afirma Paulo Alves. O Brasil tem mais consciência perante riscos que outros seis países pesquisados, entre eles os Estados Unidos, onde 15% das PMEs acreditam estar imunes. Na Itália e na Turquia são 12% e em Portugal, 13%. Na Irlanda o índice chega a 15,5% e na Malásia atinge 19%.

Sobre a Pesquisa:

A Zurich, empresa global de seguros que atua em mais de 170 países, tem 143 anos de existência e mais de 70 anos de experiência no mercado do Brasil, disponibiliza os dados de ampla pesquisa realizada com três mil pequenas e médias empresas de 15 países.

A intenção da pesquisa – e da divulgação dos resultados – é elencar informações sobre expectativas do mercado, de modo a colaborar com a tomada de decisões mais assertivas. Foram entrevistados executivos de PMEs de diferentes setores, que apontaram expectativas e receios para os 12 meses seguintes à pesquisa. Realizada anualmente, e em diversos países, a pesquisa também estabelece comparativos e aponta caminhos que as entrevistadas pretendem seguir.

Em cada país participaram 200 PMEs. A análise foi executada pela empresa global de pesquisa GfK entre os meses de julho e agosto de 2015. Foram entrevistados executivos de 3.000 pequenas e médias empresas (0-250 empregados em tempo integral). Entre eles CEO / Proprietários, Gerentes Gerais, CFO / Tesoureiros, COO / Chefe de Operações por país foi incluído. A pesquisa foi realizada com PMEs de 15 países: Alemanha, Áustria, Brasil, Emirados Árabes Unidos, Espanha, Estados Unidos, Hong Kong, Irlanda, Itália, Malásia, Marrocos, México, Portugal, Suíça, Turquia.

Os líderes das 3.000 empresas foram convidados a identificar até três ações e três desafios vislumbrados para o seu negócio nos 12 meses seguintes. Zurich e GfK continuam acompanhando as PMEs na intenção de compreender como os desafios estão sendo geridos. A decisão da Zurich em investir nesta ampla pesquisa corrobora seu empenho em entender e contribuir com o mercado.

Artigo: Novo olhar para riscos conhecidos

por Fátima Lima – Executiva de Sustentabilidade do GRUPO BB E MAPFRE, presidente da Comissão de Sustentabilidade da CNSeg, integrante da Rede Brasileira do Pacto Global e membro do board mundial do PSI, da ONU.

Em todo o mundo, cada vez mais organizações estão percebendo a importância de considerar os riscos ambientais, sociais e de governança (ASG) em suas decisões estratégicas. No setor de seguros, cujo negócio é gerenciar e assumir riscos, esse posicionamento ganha mais importância diante dos principais desafios globais em termos de impacto, divulgados no início deste ano durante o Fórum Econômico Mundial. Dentre eles, destacam-se as crises no abastecimento de água e de alimentos; a falha de adaptação dos países às mudanças climáticas; e as catástrofes naturais.

Somente no primeiro semestre de 2015, o mundo registrou perdas econômicas de US$ 35 bilhões resultantes de catástrofes naturais. Desse valor, as seguradoras pagaram US$ 12 bilhões em indenizações por contratos que tinham cobertura para eventos climáticos. Esses dados, da resseguradora Munich Re, mostram a vulnerabilidade de países emergentes e em desenvolvimento em relação às catástrofes naturais.

Segundo estudo publicado em junho na revista médica britânica The Lancet, o número de pessoas expostas a inundações, secas, ondas de calor e eventos extremos associados às mudanças climáticas será muito maior do que se imaginava nas próximas décadas.

Esses estudos mostram que as externalidades são cada vez mais recorrentes e significativas para os negócios. Por essa abordagem, as empresas mais bem-sucedidas são aquelas que buscam incorporar as questões ASG como forma de gerar valor para os negócios e stakeholders. Isso porque os temas ligados à sustentabilidade são essenciais para a perenidade dos negócios e permitem entender a cadeia de valor de ponta a ponta.

E eles não precisam ser excludentes ou engessar os negócios. Devem complementar a análise tradicional de riscos, incorporando novos aspectos ligados às demandas atuais da sociedade. Assim, é possível garantir uma visão sistêmica do negócio e um conhecimento maior dos impactos a longo prazo.

Susep autoriza venda da carteira de grandes riscos da SulAmérica para AXA

A Sul América comunicou que foi efetivada e consumada a venda para a Axa Corporate Solutions Brasil e América Latina Resseguros de 100% das ações representativas do capital social da Sul América Companhia de Seguros Gerais, a qual, em razão de reorganização societária interna no conglomerado SulAmérica, passou a reunir a carteira de grandes riscos do segmento de ramos elementares (além da já existente operação no ramo de seguro DPVAT), a qual passa assim a ser gerida e operada pela AXA no Brasil.

O valor global da operação de R$ 135,2 milhões foi pago nesta data estando ainda sujeito a determinados ajustes previstos no respectivo Contrato de Compra e Venda de Ações, relativos às variações patrimoniais da carteira e da SASG ocorridas até a presente data. A operação está alinhada com os objetivos estratégicos da Companhia e os recursos líquidos obtidos contribuirão para suportar o crescimento orgânico da Companhia nos demais segmentos em que atua, informou o grupo em comunicado enviado a Bovespa.

Catástrofes custaram US$ 85 bi ao setor; tragédia de Minas ainda não foi computada

O custo das catástrofes naturais e dos desastres totalizou, até o momento, US$ 85 bilhões, segundo uma primeira estimativa da resseguradora suíça Swiss Re. A tragédia consequente do rompimento da barragem da mineradora Samarco, uma das principais preocupações dos ressegurados internacionais, não consta da lista de acidentes por ter acontecido depois do fechamento da primeira prévia do ano feita pelos responsáveis do estudo. O número se situa abaixo da média da última década, na qual as perdas econômicas foram a cada ano de US$ 192 bilhões. Também são inferiores às perdas de 2014, quando alcançaram US$ 113 bilhões.

Neste ano, as perdas econômicas derivadas das catástrofes naturais chegaram a US$ 74 bilhões, enquanto os desastres causados pelo homem, como os acidentes industriais, somaram US$ 11 bilhões. Do total, US$ 32 bilhões de perdas econômicas estavam cobertos pelas empresas de seguros. A resseguradora afirma que as explosões de agosto no porto chinês de Tianjin serão o desastre mais caro do ano de 2015.

As estimativas sobre o custo deste desastre são até o momento incertas, embora as primeiras indicações apontem a ao menos US$ 2 bilhões. Seria, neste caso, o desastre mais caro da história na Ásia para as seguradoras. Por sua vez, a tempestade de inverno que atingiu os Estados Unidos em fevereiro foi a catástrofe natural mais cara para as companhias de seguros, ao gerar perdas estimadas em US$ 2,7 bilhões, dos quais US$ 2,1 bilhões estavam cobertos. Um total de 26 mil pessoas perderam a vida em catástrofes naturais e desastres em 2015, segundo o cálculo da Swiss Re.

Liberty assina os Princípios para Sustentabilidade em Seguros da ONU

Carlos MagnarelliRelease

A Liberty Seguros se tornou signatária dos Princípios para Sustentabilidade em Seguros (PSI), um compromisso entre as maiores seguradoras mundiais e a Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Unep-FI), que tem como objetivo fornecer ferramentas de seguro para a gestão de riscos em apoio à sustentabilidade ambiental, social e econômica.

Lançados em junho de 2012 durante o 48º Seminário Anual da IIS (International Insurance Society), os princípios apoiam os objetivos da Rio+20, conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável. Eles também posicionam o setor de seguros como um impulsionador do desenvolvimento sustentável.

“A visão da Liberty Seguros é de um futuro onde as questões ambientais, sociais e de governança serão a base de todo negócio e a sustentabilidade será o único caminho para o desenvolvimento”, diz Carlos Magnarelli, CEO da Liberty Seguros. “Os princípios para os seguros sustentáveis representam a vanguarda e o motor para a inovação que vai transformar profundamente a maneira como as empresas fazem negócios. Nosso comprometimento com o desenvolvimento dos Princípios para Sustentabilidade em Seguros (PSI) é um compromisso com o futuro do setor de seguros e a sociedade”, finaliza.

Feche as torneiras antes de viajar no feriado de Natal e Ano Novo

torneiraFeche as torneiras antes de sair para viajar neste final de ano. Eis um bom conselho da seguradora espanhola Mapfre com base em uma pesquisa em seu banco de dados entre os dias 23 de dezembro e 6 de janeiro. Apesar de a pesquisa se referir a Espanha, situação semelhante acontece no mercado brasileiro, o que faz o conselho valer aqui.

Segundo pesquisa realizada pelo grupo em seu próprio banco de dados, o dia 29 de dezembro é um dos picos em registro de reclamações de clientes, que ligam para a seguradora no dia 2 de janeiro, geralmente quando voltam de viagem. Das queixas, 25% estão relacionados com danos causados ​​pela água e 15% com janelas quebradas. Também está na lista de queixas danos elétricos, com 10% das ligações, seguido de furtos, com 7% de todos os acidentes domésticos.

O maior grupo segurador da Espanha também destaca os pedidos de serviços para reparo em eletrodomésticos, com 12% das ligações. O grupo tem na Espanha 2,8 milhões de residências seguradas, o que lhe dá a liderança mercado neste segmento de negócio, com uma participação de 16% mercado.

Vinci Partners quer vender Austral Re e Austral Seguradora

fofoca 3Notícia quente de duas fontes confiáveis: Ancelmo Gois, na coluna de O Globo e Agência Estado: O banco J.P. Morgan ficou com a tarefa de vender duas empresas criadas há apenas cinco anos pela Vinci Partners, a companhia brasileira fundada por ex-sócios do BTG Pactual: a Austral Seguradora e a Austral Resseguradora. As duas já detêm, cada uma, cerca de 10% do mercado de seguros e resseguros no Brasil. Segundo a Agência Estado, a americana XL Group estaria entre uma das potenciais compradoras ao lado de outras multinacionais, como a suíça Swiss Re, a americana Ace e a francesa Axa. O negócio vem sendo ofertado nos últimos meses, mas, segundo fontes da Agência Estado, teria sido colocado oficialmente à venda na semana passada. O assessor financeiro da operação, conforme as mesmas fontes, seria o JP Morgan. “A XL está bem posicionada para levar e tem operação bem complementar à da Austral”,diz uma fonte de mercado. A Vinci tem cerca de 80% do Grupo Austral e outros 19,5% foram vendidos ao braço financeiro do Banco Mundial, o International Finance Corporation (IFC), em 2014.

Museu tem seguro bem feito para cobrir parte dos danos causados pelo incêndio, afirmam executivos

Incêndio destrói parte do prédio história do Museu da Língua Portuguesa
Incêndio destrói parte do prédio história do Museu da Língua Portuguesa
Incêndio destrói parte do prédio histórico do Museu da Língua Portuguesa

Mais um incêndio em patrimônio cultural. O fogo fez grande estrago no Museu da Língua Portuguesa em São Paulo, no prédio histórico da Estação da Luz, nesta segunda-feira, no centro da cidade de São Paulo. Uma primeira hipótese é que tudo começou pela troca de uma luminária, segundo informou a manchete da Folha de São Paulo, que também cita que o prédio estava sem alvará e teve falha em hidrante no início do incêndio. Tudo isso será mais esclarecido na hora da regulação do sinistro, termo usado para o levantamento feito pela seguradora. Segundo fontes informaram ao blog Sonho Seguro a seguradora líder da apólice de incêndio é a japonesa Mitsui. Mesmo se não tiver com alvará, que deveria ter sido pedido na assinatura do contrato, as discussões para o pagamento costumam seguir, uma vez que a companhia de seguros aceitou o valor pago pelo cliente sem o documento, explicaram fontes.

Ainda é cedo para ter mais detalhes do contrato de seguro, como quantas seguradoras participam do contrato, quem são os resseguradores contratados, o que está coberto, valores etc e tal. Mas uma coisa é certa: o seguro está bem feito, segundo fontes que pediram anonimato. Dois acidentes ensinaram muito sobre seguro, tanto para proprietários como para seguradoras e governantes. Os órgãos reguladores e os inspetores de riscos das seguradoras passaram a ser mais exigentes depois do incêndio no Teatro Cultura Artística, em São Paulo, em 2008, com importância segurada com valor muito abaixo do necessário para recuperar a perda, e da Boate Kiss, em 2013, que matou 242 pessoas e feriu 680 outras numa discoteca da cidade de Santa Maria (RS), sem seguro e sem alvará. A sociedade também ficou mais consciente dos riscos e passou a exigir mais segurança e a comprar mais seguro para ter um amparo financeiro para retomar a vida no momento pós acidente.

Um exemplo citado pelas fontes para ilustrar tal mudança de comportamento foi o seguro do Memorial da América Latina. Um incêndio destruiu o interior do Auditório Simón Bolívar em dezembro de 2013. A seguradora Yasuda Marítima liquidou o contrato (termo que significada totalmente pago) em fevereiro deste ano. A apólice contava com importância segurada de R$ 18 milhões. O auditório ainda está em processo de recuperação estrutural pelas empresas vencedoras da licitação realizada pelo governo e os trabalhos para construir uma nova tapeçaria reproduzindo a original criada pela artista plástica Tomie Ohtake (1913 – 2015).

A boa notícia é que o tema seguro faz parte do dia a dia do governador Geraldo Alckmim. Em recente discurso na inauguração da nova sede de São Paulo da SulAmérica ele teceu muitos elogios ao mercado segurador, citando ser um setor da economia com grande importância para toda a sociedade por ajudar a reconstruir o que foi perdido por imprevistos. Um dos exemplos citados por Alckmim foi a retomada da construção de trechos da Linha Amarela do Metro, na qual o consórcio vencedor não concluiu a obra, mas que agora será viabilizada graças ao apoio do seguro garantia contratado na época da assinatura do contrato.

Sem citar o seguro, o governador de São Paulo disse em entrevista coletiva que todos os esforços serão feitos para reconstruir o museu. “Com o carinho do povo de São Paulo e da população brasileira, bem como de parceiros privados, vamos imediatamente tomar todas as providências para a reconstrução.”

Marcelo Lima, diretor geral do Instituto Sprinkler Brasil (ISB), comentou em artigo distribuído à imprensa, que o acidente poderia ter sido evitado se a legislação brasileira fosse mais efetiva no que diz respeito à proteção contra incêndio de edifícios tombados pelo patrimônio histórico e considerados patrimônio cultural. A constatação é feita por especialistas a partir da análise das melhores práticas adotadas em outros países, como Estados Unidos, Reino Unido e Canadá.

Segundo Lima, tradicionalmente a regulamentação de incêndios no Brasil tem como objetivo fundamental permitir a saída segura dos ocupantes da edificação durante o incêndio, sendo que a proteção da estrutura e do conteúdo da edificação são tratados como objetivos secundários. No caso de museus e outras edificações do patrimônio histórico, a proteção da edificação e do conteúdo deveriam ser também consideradas fundamentais por tratar-se de acervo, muitas vezes, insubstituível ou edificações únicas que não podem ser reconstruídas.

Em todo o mundo, um número cada vez maior de museus está instalando sistemas de sprinklers ou chuveiros automáticos. Eles são considerados o meio mais eficiente de proteger coleções de obras de arte do fogo por algumas das principais organizações culturais do mundo, como o Instituto Smithsonian em Washington, nos EUA; o Conselho para Museus, Arquivos Históricos e Bibliotecas do Reino Unido; e o Instituto Canadense de Conservação do Patrimônio.

“O incêndio não é uma fatalidade. Quase todos os incêndios podem ser evitados, desde que sejam instalados sistemas de proteção adequados, e que estes sejam mantidos e inspecionados periodicamente”, explica organização sem fins lucrativos que trabalha no Brasil pela melhoria do ambiente regulatório, com o objetivo de promover a prevenção eficaz contra incêndio em prédios comerciais, industriais e históricos, por meio de sistemas de sprinklers.

No caso dos museus, os sistemas de sprinklers são os equipamentos de segurança mais eficientes para proteger estes locais, na medida em que são acionados individualmente pelo calor do fogo para combater o foco do incêndio e porque utilizam baixa pressão de água, o que reduz o dano às obras de arte.

“Temos acompanhado uma sequência de incêndios em prédios históricos no Brasil, como o Teatro Cultura Artística, o Memorial da América Latina e agora o Museu da Língua Portuguesa. Na ocasião do incêndio, os responsáveis por estes lugares afirmam estar cumprindo com o que está previsto na legislação, mas, se o prédio pega fogo é porque o nível de proteção adotado não é suficiente para impedir que eles queimem”, constata Lima.

Há casos como o do Memorial da América Latina, que tinha sprinklers, mas que não funcionaram no momento do incêndio porque não havia água disponível no sistema. “Além de ter sprinklers instalados, é preciso adotar uma fiscalização regular dos sistemas de proteção contra incêndio para que eles estejam funcionando corretamente em caso de necessidade”, complementa o diretor do ISB.