Mercado de seguros de pessoas cresceu 7,63% em 2015, segundo Fenaprevi

edson francoRelease

Os seguros de pessoas, que incluem seguros de vida, de acidentes pessoais, viagem, educacional, entre outras modalidades de proteção, registraram R$ 29,76 bilhões em prêmios (valor pago pelos segurados para contratação de coberturas para seus riscos pessoais) em 2015. O volume representou expansão de 7,63% frente ao ano anterior.

“O brasileiro está mais consciente da necessidade de adquirir proteção para riscos pessoais, o que impulsionou o mercado”, avalia Edson Franco, presidente da FenaPrevi (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida).

Na análise por categoria de produto, o seguro de vida somou prêmios de R$ 12,38 bilhões, registrando alta de 10,13% frente aos R$ 11,24 bilhões destinados ao custeio desta modalidade de proteção no ano anterior. “Foi um ótimo desempenho para o produto com maior representatividade e volume de prêmios no mercado de seguros de pessoas”, diz o presidente da federação.

O seguro prestamista, conhecido também como proteção financeira, que cobre o pagamento de prestações do titular da apólice em caso de morte, invalidez ou perda involuntária do emprego, registrou prêmios de R$ 8,23 bilhões. Em 2014, foram verificados R$ 7,98 bilhões.

Já o seguro viagem registrou prêmios de R$ 224,57 milhões, evolução de 47,52% em relação aos R$ 152,23 milhões contratados no acumulado do ao anterior. O auxílio funeral, por sua vez, movimentou R$ 388,85 milhões em prêmios, alta de 18,89% em relação aos R$ 327,07 milhões contratados em 2014. “O uso do seguro viagem vem se popularizando no país, acompanhado o aumento do fluxo de passageiros, o que explica o forte crescimento da carteira. O caso do auxílio funeral segue a mesma linha. É crescente a conscientização dos consumidores em buscar proteção para evitar transtornos e despesas para os familiares em caso de falecimento”, explica Franco.

O levantamento da FenaPrevi mostra também que o seguro de acidentes pessoais, que oferece coberturas em caso de morte e invalidez permanente (total ou parcial) e outros riscos causados por acidentes involuntários, provocando lesões físicas ou até mesmo falecimento, obteve leve alta de 0,09% em 2015 e acumulou R$ 5 bilhões.

No mês de janeiro de 2016, o setor registrou R$ 2,11 bilhões em prêmios, com retração de 1,7% frente aos R$ 2,14 bilhões verificados em janeiro de 2015. “O mercado de seguros de pessoas não está blindado contra os efeitos da retração econômica. Na avaliação mensal tivemos resultado com leve queda. Mas, mesmo com o cenário adverso, algumas modalidades de proteção apresentaram um desempenho positivo”, avalia Edson Franco, presidente da federação.

Na análise de desempenho por modalidade de produto, o seguro de vida, que representa o maior volume do segmento, registrou prêmios de R$ 935,89 milhões, o que representou uma lata de 3,08% frente ao verificado em janeiro do ano anterior.

Já, o seguro viagem registrou prêmios de R$ 26,07 milhões, evolução de 98,70% em relação aos R$ 13,12 milhões contratados em janeiro do ano anterior. O auxílio funeral, por sua vez, movimentou R$ 34,19 milhões em prêmios, alta de 21,78% em relação aos R$ 28,43 milhões contratados em janeiro de 2015.

O seguro prestamista, por sua vez, que cobre o pagamento de prestações do titular da apólice em caso de morte, invalidez ou perda involuntária do emprego, registrou recuo de 23,51%, movimentando R$ 436,32 milhões em prêmios. “O desempenho desta carteira foi afetado diretamente pela queda nas vendas do varejo registradas nos últimos meses”, diz Franco.

Os dados do balanço da FenaPrevi mostram também que no período, as seguradoras pagaram R$ 573,97 milhões em indenizações aos segurados, enquanto que em janeiro do ano anterior os pagamentos foram de R$ 569,53 milhões. “As indenizações proporcionam proteção e garantia para a continuidade dos projetos pessoais e da vida econômica, do segurado e de seus familiares”, afirma.

De acordo com o balanço da FenaPrevi, dos R$ 2,11 bilhões em prêmios pagos pelos segurados em janeiro de 2016, São Paulo é o Estado mais representativo para os negócios de seguros de pessoas, concentrando, 46,7% do volume de prêmios emitidos no período. O Rio de Janeiro respondeu por 9,4%, do total, seguido por Rio Grande do Sul (8,6%), Minas Gerais (7,6%) e Paraná por 6,3% dos prêmios verificados em janeiro de 2016. Os demais estados têm representatividade menor, inferior a 3%.

O resseguro em saúde suplementar pode ser uma saída para o setor?

Solange Beatriz, presidente da Fenasaúde: não acredito em uma mudança na legislação a curto prazo

Solange Beatriz, presidente da Fenasaúde: não acredito em uma mudança na legislação a curto prazo
Solange Beatriz, presidente da Fenasaúde: não acredito em uma mudança na legislação a curto prazo
Fonte: CNseg

Os sistemas internacionais de saúde são divididos, basicamente, em dois modelos. Um, mais antigo, chamado de bismarkiano, em homenagem ao chanceler alemão Otto von Bismarck, é o modelo que trabalha na lógica securitária. O outro modelo, surgido na Inglaterra durante a 2ª Guerra Mundial, é chamado de beveridgiano, em homenagem ao ministro da saúde inglês de então, William Beveridge, que entende a saúde como direito de cidadania que deve ser provido pelo estado.

No Brasil, temos um sistema de Saúde Suplementar que deveria ser puramente bismarkiano mas, na prática, não é, pois tem componentes beveridgianos, devido à Lei nº 9656/98, que dispõe sobre os planos e seguros privados de assistência à saúde e diz que as operadoras devem garantir a atenção integral à saúde dos clientes, sem limite financeiro para isso. Com essa explicação histórica, teve início a palestra do diretor-presidente da Seguros Unimed, Helton Freitas, durante o painel “O potencial do Resseguro na área de Saúde”, no segundo dia do 5º Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro.

E além das exigências da lei, prosseguiu Helton, fatores como o envelhecimento da população, a incorporação de novas tecnologias de diagnóstico e tratamento e a judicialização da saúde são outros elementos que contribuem para a elevação dos custos da saúde suplementar. Elevação de custos que não preocupa só as operadoras, mas também as empresas que oferecem planos de saúde a seus funcionários e viram seus gastos com o benefício saltarem de uma média de 8% dos custos operacionais para cerca de 20% nos últimos anos, impactando severamente os negócios, de acordo com outro palestrante, o diretor médico da Mapfre Seguros, Claudio Tala.

E nesse cenário de aumento de custos muito acima dos índices de inflação média, o resseguro saúde poderia ser uma saída para o setor, protegendo as operadoras contra sinistros de valores elevados causados por doenças de alta complexidade ou reclamações atípicas que aumentam substancialmente os gastos em um período específico.

Entretanto, devido a uma série de fatores, o resseguro saúde é muito pouco utilizado no Brasil. A começar pela limitação da lei, que só permite que este seja contratado por seguradoras que também operem nos ramos elementares, sendo que, por aqui, são apenas nove as empresas que comercializam planos de saúde e se enquadram nesse requisito, todas de grande porte e, teoricamente, as menos necessitadas dessa proteção.

Além disso, o complexo cenário regulatório brasileiro e todos os outros problemas já citados que afetam o sistema de saúde suplementar também desestimulam as resseguradoras a comercializarem o produto que, de acordo com Claudio Tafla, já é complexo por natureza, pois, diferentemente de outros tipos de sinistros, é muito difícil mensurar os impactos financeiros que um tratamento de saúde pode gerar.

Assim, boa parte dos debates ocorridos durante o painel foram sobre como alterar esse quadro. Uma maior utilização de coparticipação e franquia foram pontos colocados por André Azevedo, da Swiss Re, que, como os demais participantes, também defende mudanças na legislação. “Devido à obrigatoriedade de todas as operadoras atenderem ao Rol de Procedimento da ANS, o mercado de saúde é um mercado de um produto só, variando apenas a rede, o que torna os custos proibitivos”, afirmou ele.
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Presente na plateia, a presidente da FenaSaúde, Solange Beatriz Palheiro Mendes, afirmou que a Federação Nacional de Saúde Suplementar desenvolve um frequente e intenso debate com o poder público e está convencida que os congressistas têm uma boa compreensão da situação do setor. Entretanto, ela não acredita em uma mudança na legislação a curto prazo, pois a população não compreenderia o fim da integralidade da saúde suplementar e os políticos geralmente optam pelas decisões populistas.
Tomando a palavra já no fim da palestra, o gerente-geral de Acompanhamento das Operadoras e Mercado da ANS, Leandro Fonseca, também na plateia, disse achar que a importância do setor para a economia e a produtividade do País é muito pouco divulgada. “A saúde suplementar é um tema sensível e transversal a vários outros. Entretanto, quando leio sobre ele nos jornais, vejo muito mais na seção de defesa do consumidor e que na de economia”. Assim, segundo ele, o debate no congresso acaba sendo mais contaminado pelas questões sociais que as de desenvolvimento. Por fim, Leandro trouxe aos presentes a informação de que, em reunião da diretoria colegiada da ANS, foi confirmado que os gastos com resseguro em saúde poderão ser abatidos das necessidades margens de solvência.

A Susep e a ANS, não!, defende Antonio Penteado Mendonça em artigo

antonio penteado mendoncaO colunista do jornal Estado de São Paulo, Antonio Penteado Mendonça, publicou nesta segunda-feira o seguinte artigo:

A crise moral, política e econômica que se abate sobre a cabeça dos brasileiros tem levado o governo do PT, sob a batuta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao mais amplo, geral e irrestrito loteamento de cargos da história do Brasil. Tirando a Presidência da República e um potencial ministério para o pai da criatura, o resto está à venda, para alugar, trocar ou ser negociado através de qualquer forma de escambo que permita a sobrevida de uma administração desastrosa, metida em negócios no mínimo escusos e certamente incompetente.

Contra o impeachment, vale tudo. A questão não é conseguir a promessa de votarem contra,isso está difícil. Então, o que está sendo negociado é o não comparecimento do deputado no dia da votação. Quanto mais deputados um partido tiver, melhor, maiores as chances de levar um ministério, uma boquinha numa estatal ou ficar com mais cargos no segundo e terceiro escalões. Nada que o PT não use faz muito tempo. Nada que não encha o brasileiro de vergonha, mas algo que, na visão Lula petista, faz todo o sentido, ou seja,algo que será usado sem vergonha, desde que a presidenta que foi “estudanta” e quebrou o Brasil fique no cargo, completando o desmonte ético, social e econômico da sociedade brasileira.

Como tudo pode ser negociado e as negociações podem levar a um final desastrado, é fundamental dizer não. Não aceitar as maquinações indecentes para, pelo menos, tentar salvar o que pode ser salvo do terrível salve-se quem puder que tomou conta do governo e que não olha para o lado, nem se importa com o tamanho do rombo.

É olhar em volta e ver o que aconteceu com estatais, fundos de pensão, bancos públicos e o mais que se quiser para se ter certeza de que escrúpulo não é uma palavra levada a sério, a não ser para mostrar que os padrões éticos mínimos não valem nada. Mas, se tudo está à venda, alguns órgãos da administração pública precisam ser preservados, em nome de um mínimo de vergonha na cara ou, se preferirem, um mínimo de controle sobre atividade essenciais, que não podem ser vítimas dos desmandos que vão sendo praticados.

É o caso do Banco Central, da CVM, do Cade, da Polícia Federal e também da Susep (Superintendência de Seguros Privados) e da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar). A Susep e a ANS têm fortíssimo viés social. A primeira é responsável pela fiscalização e controle das seguradoras e de ativos de mais de R$ 800 bilhões, diretamente relacionados com a proteção da sociedade. E a segunda é a responsável pelo funcionamento dos planos de saúde privados, que entram com mais de 60% do dinheiro investido na saúde pública.

Mexer politicamente nelas trará resultados desastrosos. Esses órgãos não podem servir de ferramenta de achaque para a felicidade de partidos políticos ou seus caciques e índios. Suas atuações são responsáveis pelo funcionamento de setores com impacto direto na paz e desenvolvimento social. Sob o manto do seguro estão centenas de bilhões de reais da previdência social complementar aberta, além das reservas técnicas das seguradoras. E sob a proteção dos planos de saúde privados, em situação complicada, apesar do desemprego galopante, ainda estão perto de 70 milhões de brasileiros.

A Susep e a ANS, com todas as dificuldades do momento, vão dando conta do recado e evitando estouros em segmentos estratégicos para a preservação do patrimônio e de parte importante da capacidade de atuação da sociedade, para não falar na saúde pública, que recebe mais de 60% de seus recursos das operadoras de planos de saúde privados.

Lotear os cargos de direção da Susep e da ANS seria criminoso. Por isso, a nação não pode permitir que isso aconteça muito menos nas bases que estes loteamentos têm sido feitos. A Susep na mão de quem não é do ramo é caminho certo para o empobrecimento da sociedade, assim como a ANS em mãos gananciosas pode comprometer ainda mais a já combalida saúde brasileira.

Seguro Rural precisa de regras mais claras e seguras para atingir todo seu potencial

5 resseguroFonte: Portal CNseg

Atualmente, o seguro rural movimenta prêmios de US$ 25 bilhões em todo o mundo. Um salto e tanto quando comparado aos US$ 5 bilhões registrados em 2007. Boa parte deste crescimento veio da conscientização de vários países sobre a importância do seguro rural dentro do programa agrícola dos governos, que vêem a segurança alimentar como uma prioridade. Essa é a visão compartilhada por Andreas Bronk, executive da Hannover Re, durante a palestra Tendências Globais do Seguro Agrícola, proferida no 5º Encontro de Resseguros, realizado no Rio de Janeiro entre 5 e 6 de abril.

“O seguro agrícola é um dos instrumentos de política agrícola mais usados no mundo para reduzir o grau de risco e incerteza e, portanto melhorar a alocação de recursos da atividade rural”, frisou o especialista da Hannover Re, que tem uma boa parcela das vendas do resseguro mundial. Com 44% dos prêmios proveniente dos Estados Unidos, 19% da América Latina, 18% da Europa, 16% da Ásia, apenas 1% na Austrália – em razão da inexistência do subsidio do seguro aos produtos – e 2% dos negócios captados na África. O potencial do seguro agrícola nos países emergentes, inclusive no Brasil, é grande, disse, citando um estudo da Swiss Re que revela que esses países têm potencial de vendas de US$ 25 bilhões até 2025.

Os Estados Unidos lideram o ranking deste tipo de seguro, uma vez que 88% dos 115 milhões de hectares plantados contam com a proteção de alguma seguradora. Nos últimos dez anos, a Ásia passou a ter uma política que prioriza o seguro, o que elevou de forma considerável o percentual para 45% da área plantada com seguro. Na Índia, país que começou sua política agrícola juntamente com o Brasil, o seguro já garante 15% da área plantada. Percentual semelhante ao brasileiro, com 14% dos 73 milhões de hectares plantados.

Porém, para que esse potencial se transforme em negócios rentáveis no longo prazo no Brasil, é preciso ter regras claras e as mais seguras possíveis. “Digo isso sem considerar valores, pois geralmente os orçamentos governamentais têm de ser ajustados. Mas é preciso ter um diálogo aberto e regras claras para que as seguradoras possam investir nesse nicho”, afirma Wady Cury, executivo da BB Mapfre, líder nesse segmento. Também, acrescenta ele, é preciso estimular as discussões sobre as regras regulatórias, apostar no investimento em tecnologias uma vez que o Brasil hoje conta com 12 milhões de hectares e mais de 80 tipos de culturas para serem monitorados. Assim, as seguradoras poderão dar uma efetiva contribuição para que o seguro seja realmente um instrumento de política social. Outra questão relevante é a do investimento na especialização de profissionais dentro e fora do governo”, enumerou Cury.

Frederico Ferreira, CEO da Austral, ressaltou que ter regras claras é realmente uma condição prioritária para um mercado ainda muito imaturo poder amadurecer, bem como ter regras mais estáveis e transparentes em relação à intervenção política na prática do seguro agrícola.

Renda Anual Incrementada é um plano de previdência onde o indivíduo menos saudável tem um rendimento maior

5 resseguroFonte: Portal CNseg

Popular em alguns países, como os Estados Unidos e Chile, os planos annuities, ou de renda anual, são um tipo de plano de previdência em que o investidor entrega à seguradora o dinheiro que poupou ao longo da vida produtiva e tem a garantia de receber uma renda que pode ser vitalícia ou por tempo determinado.

Ainda pouco explorado no Brasil, inclusive devido a razões relacionadas à regulamentação, esse tipo de plano tem um grande potencial de penetração. E para conhecer a experiência internacional, Jennifer Maier, da Hanover RE, apresentou a palestra “Renda Anual Incrementada”, no último dia do 5º Encontro de Resseguro do Mercado Segurador, organizado pela CNseg, em 5 e 6 de abril.

Os planos de Renda Anual Incrementada, também conhecidos como Enhaced Annuities – ainda não existentes no Brasil – são um tipo particular de plano em que as condições de saúde do participante são levadas em consideração no cálculo de rendimento. “Em um seguro saúde, o risco está no indivíduo doente, enquanto que em um plano de previdência, o risco está no saudável’, afirmou Jennifer no início de sua apresentação. Isso faz sentido porque, enquanto o indivíduo menos saudável gera mais despesas para as operadoras de planos de saúde, os mais saudáveis teoricamente vivem por mais tempo, gerando mais despesas para as administradoras de planos de previdência.

Assim, nos planos de Renda Anual Incrementada, são utilizadas tabelas de mortalidade e curvas de sobrevivência para calcular quanto o segurado receberá mensalmente, de acordo com o valor aplicado, com as pessoas mais saudáveis ganhando menos.

No mercado inglês, exemplificou Jennifer, os planos de renda incrementada vitalícia foram introduzidos em 1995, com a subscrição sendo feita com a utilização de um relatório médico muito detalhado e personalizado, o que era muito oneroso para a seguradora. O passo seguinte foi uma simplificação desse relatório, com a introdução de indicadores de saúde. A avaliação da situação sócio-econômica foi o terceiro esforço de simplificação do modelo, passando a se considerar, entre outros fatores, o CEP da residência do indivíduo.

Posteriormente, algumas mudanças na legislação inglesa, como a proibição de classificação por gênero, esfriaram um pouco esse mercado, devido à incerteza dos consumidores, que só recentemente têm retomado a aquisição do produto.

No Brasil, além das questões já citadas, contribui para a pequena dimensão do mercado de annuities o fato de ainda termos uma grande parcela da população em fase de acumulação de capital, afirmou o coordenador da mesa, João Batista, da Zurich Santander.

Outro fator apontado por João foi o fato de que, no Brasil, vemos, cada vez mais, muitas pessoas aposentadas voltando à atividade laboral, mesmo aquelas com previdência privada, que poderiam estender por mais tempo o período de acumulação. Por outro lado, segundo João, os produtos oferecidos por aqui ainda são muito rígidos, diferentemente de alguns produtos observados na Europa, com conceitos mais flexíveis de renda.

Impressionada com a sofisticação do sistema inglês, que utiliza até o CEP na avaliação de risco, Celina Silva, da Brasilprev, outra participante do painel, apontou como outro elemento dificultador para o desenvolvimento do mercado de annuities esse gap brasileiro na avaliação de risco, visto que, em nosso país, “o mercado segurador só trabalha com tábuas de mortalidade nos últimos seis anos”.

“Mas estamos trabalhando com afinco para desenvolver o produto”, concluiu João Batista ao fim do painel.

Polo de resseguro no Brasil esbarra em regulamentação e impostos elevados

Fonte: Agência Estado

O projeto para criar um polo regional de resseguros no Brasil, com foco na atração de prêmios do mercado internacional, depende da flexibilização das regras de investimento e ainda redução da alíquota de impostos para que então comece a fazer sentido. Ainda assim, especialistas ouvidos pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, durante o 5º Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro, promovido pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), questionam a atratividade da iniciativa, já cogitada no passado e que volta ao radar do setor, principalmente, após o Brasil deixar de ser grau de investimento e enfrentar incertezas no campo político e econômico.

As medidas concretas ainda estão em estudo e devem ser entregues ao Ministério da Fazenda até o fim do primeiro semestre deste ano. O projeto reúne, além da Federação Nacional das Empresas de Resseguros (Fenaber), a Superintendência de Seguros Privados (Susep), seguradoras e advogados.

No foco, conta Rodrigo Botti, da Terra Brasis e integrante do grupo de estudos, estão isonomia tributária para resseguradoras locais e as baseadas fora do Brasil, transferência de riscos para o mercado de capitais, que ainda não acontece no País, e adequação das regras de investimento das companhias instaladas aqui. “Não queremos substituir, mas adicionar prêmios offshore no Brasil. Para isso, teremos de convencer países como México, Colômbia, a trazer prêmios para cá. O objetivo é transformar o Brasil em um exportador de resseguro, trazendo reservas e capital que ajudem a financiar os projetos de infraestrutura”, explica Botti.

De acordo com ele, no âmbito dos investimentos, embora as regras para as resseguradoras locais já tenham evoluído e passado a agregar não só títulos públicos, mas, também, fundos cambiais, é necessário evoluir mais para atrair as resseguradoras. Permitir, por exemplo, o investimento direto em ativos no exterior como títulos de dívida americana.

Já na parte tributária, são exemplos para o Brasil, conforme Botti, países como a Inglaterra e Suíça, cuja alíquota de impostos não passa dos 20%. No País, atualmente é de 45%. Não foi definida ainda, porém, segundo ele, qual proposta será feita ao governo. Uma fonte cita a necessidade de zerar o imposto assim como acontece no mercado de Bermuda. Na prática, o objetivo do grupo é condicionar o imposto ao volume de negócios trazidos para o Brasil. “Se conseguirmos 60% do que estamos pleiteando, já conseguiremos um bom avanço”, acrescenta.

Paulo Pereira, presidente da Fenaber, afirmou que, embora o projeto sugira incentivos tributários para participantes, não deve ocorrer renúncia fiscal para o governo, já que terá como base o volume novo de resseguro a ser gerado por conta do polo no Brasil. Desta vez, porém, o foco não são prêmios locais, mas os offshore. “O mercado brasileiro movimenta US$ 2,5 bilhões, enquanto na América Latina a cifra é de US$ 21 bilhões. Se atrairmos 10% desses recursos, poderemos dobrar o mercado de resseguros brasileiro”, afirmou Pereira.

Para o presidente do Lloyd’s no Brasil, Marco Antonio de Simas Castro, não há atratividade para os resseguradores trazerem os prêmios offshore para o País uma vez que essas companhias já atuam direto em outros países. “É um projeto questionável. Não é atrativo”, avaliou ele, em entrevista ao Broadcast.

A possibilidade de mudança nas regras tanto do lado de investimento como do tributário, de acordo com Angelo Colombo, presidente da resseguradora da Allianz (AGCS), pode gerar alguma atratividade por parte das resseguradoras. Lembra, porém, que o Brasil concorre, neste momento, com Miami, que tem atraído diversos players, além de Panamá e Lima.

Botti, da Terra Brasis, lembrou ainda a necessidade de o País ter estabilidade econômica e política para deslanchar. Ou seja, o projeto de hub de resseguros no Brasil visa o médio e longo prazo já que o País enfrenta incertezas em ambos os lados. João Marcelo dos Santos, do escritório Santos Bevilaqua Advogados, admitiu que o momento atual é “complexo”, mas que o mercado brasileiro precisa estar pronto para quando a janela de oportunidade abrir.

Um corretor de resseguros lembra, sob a condição de anonimato, que o Brasil teve uma janela entre os anos de 2011 e 2012 para se tornar um hub de resseguros, mas acabou perdendo a oportunidade. “O sistema tributário pune quem traz receita para o Brasil e agora não temos mais rating. Só a falta de rating já nos tira do Chile, que é o maior mercado de riscos facultativos de patrimônio”, avaliou ele.

Transferência de risco do resseguro para mercado de capitais favorece obras

Fonte: Agência Estado

A transferência de riscos do resseguro para o mercado de capitais é uma alternativa para viabilizar grandes obras e projetos de setores como construção civil e óleo e gás, impactados pela Lava Jato. Embora esses segmentos estejam paralisados em meio às investigações de um esquema bilionário de desvios e lavagem de dinheiro, no momento da retomada, será preciso, segundo especialistas ouvidos pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, no 5º Encontro de Resseguro, realizado pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), atrair players novos e, em alguns casos, menores, cujo risco, seja pelo setor em questão ou pelo porte do tomador, pode não despertar o apetite de seguradoras e resseguradoras.

Na prática, hoje só é possível diluir riscos entre players do próprio setor por meio dos contratos de cosseguro (entre seguradoras), resseguro (seguradora e resseguradora) e retrocessão (resseguradora com resseguradora). Para que seja possível transferi-los também para o mercado de capitais é necessário, porém, que a legislação atual de ambos os segmentos seja alterada e, então, incluída essa possibilidade.

Como a crise político-econômica no País e os desdobramentos da Lava Jato atravancaram a realização de grandes obras e também a conclusão de várias delas, o entendimento de especialistas é de que as mudanças necessárias em termos de regulação precisam ser tocadas desde já. “É preciso uma mobilização para fundamentar projetos de infraestrutura. Há excesso de capital disponível em alguns segmentos. Em setores como de construção e óleo e gás, porém, são necessários outros instrumentos para criar capacidades. A hora de fazer é agora”, atentou André Gregori, CEO da holding GRG Capital.

Alguns projetos sobre a transferência de riscos do resseguro para o mercado de capitais já foram enviados ao governo, conforme fonte ouvida pelo Broadcast, entretanto não avançaram. A nova aposta do mercado está no âmbito de um projeto arquitetado pela Federação Nacional das Empresas de Resseguro (Fenaber) e pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) e que será entregue ao Ministério da Fazenda em junho próximo.

Um dos pontos da iniciativa, no âmbito de uma proposta para criar um polo regional de resseguros no Brasil e atrair prêmios offshore para o País, está a transferência de riscos para o mercado de capitais. No mundo, essas operações já representam mais de 10% do volume total mundial dos contratos de resseguro e movimentam bilhões de dólares. A transferência de risco é feita, principalmente, por meio dos chamados cat bonds, títulos de catástrofe natural que seguem o conceito de securitização. A expectativa de especialistas, porém, é que essa fatia aumente, podendo ter relevância semelhante a do mercado imobiliário internacional, para o qual o mercado de capitais representa em torno de 60% das operações feitas.

“Indiretamente, o mercado de capitais já chegou ao setor de seguros brasileiro. Isso porque o prêmio de resseguro registrado no Brasil e, posteriormente, enviado ao exterior pode ser transferido ao mercado de capitais”, observou Rodrigo Botti, diretor-geral da Terra Brasis e um dos integrantes do grupo de estudos do projeto.

Na América Latina, a transferência de riscos do mercado de resseguros para o de capitais já é uma realidade com instrumentos disponíveis no México, Caribe, Uruguai. Viabilizar essa possibilidade no Brasil, conforme projeto que será enviado ao Ministério da Fazenda em breve, também pode significar uma demanda adicional de R$ 8 bilhões por títulos públicos uma vez que os produtos financeiros utilizados são colaterizados. Hoje, por exemplo, estima-se que o resseguro brasileiro gere demanda de cerca de R$ 11 bilhões por títulos do tesouro americano (treasuries).

“Assumindo que as resseguradoras locais (instaladas no País) transfiram 10% dos prêmios retidos para o mercado de capitais com uma taxa média de 5%, chegamos em uma demanda de R$ 8 bilhões por títulos públicos brasileiros”, explicou Botti.

Para Paulo Pereira, presidente da Fenaber, a parceria entre o mercado de resseguros e o de capitais é fundamental para o desenvolvimento do setor no Brasil. “As resseguradoras conhecem o risco e podem atuar em parceria com o mercado de capitais que tem interesse crescente e capacidade para operar junto ao segmento”, ressaltou ele. Além disso, é tido como condição sine qua non para que o polo regional de resseguros, desta vez, decole no País.

Queda no preço do petróleo eleva risco de acidentes, revela estudo da Marsh

plataformaPerdas seguradas no setor atingiram pico na década de 80, quando o preço do petróleo caiu de US$ 35 para US$ 15. Queda no preço da commodity leva as empresas a reduzirem investimentos, o que acarreta uma ocorrência de perdas seguradas significativamente maiores no período seguinte ao corte nos investimentos.

As decisões de redução de custos na indústria de petróleo foram acompanhadas por um aumento dos riscos resultando em maior frequência de incidentes graves ou grandes perdas, de acordo com o recente Can Energy Firms Break the Historical Nexus?, da consultoria de risco e corretora Marsh. Segundo o estudo, que analisa a correlação sequencial histórica entre a derrocada no preço do petróleo, as perdas seguradas no setor de energia atingiram um pico no mundo na década de 80, logo após o preço do barril de petróleo bruto Brent cair de US$ 35 a US$ 15.

No final de 1990, este ciclo ocorreu novamente quando o preço caiu abaixo de US$ 10 por barril e novamente nos anos seguintes – em 2008, os preços diminuíram de US$ 100 a US$ 32 por barril. De acordo com o estudo, a queda dos preços do petróleo foi responsável por cortes em infraestrutura e gastos em manutenção, além de menores investimentos em medidas de saúde e segurança e treinamento de funcionários.

A derrocada nos preços leva as empresas a cortarem custos, incluindo treinamento de segurança eeducação, o que por sua vez, acarreta uma ocorrência de perdas seguradas significativamente maiores no período seguinte ao corte nos investimentos.

Apesar da queda das receitas, as empresas de petróleo devem manter o seu investimento em gestão de riscos para reduzir o potencial de grandes incidentes e sinistros em seguros. As companhias devem ter cuidado ao aplicar medidas de redução de custos em resposta a esta última crise para evitar uma repetição das grandes perdas que ocorreram no passado. As empresas que investem na gestão de risco têm visto benefícios reais.

Dirceu Tiegs é novo diretor de Negócios e Clientes da Mapfre

dirceu tiegsA Mapfre anuncia a chegada de Dirceu Tiegs como diretor de Negócios e Clientes da Área Regional Brasil. O executivo que atua na companhia há 18 anos esteve nos últimos cinco no grupo BB Mapfre como diretor Geral da Rede Mapfre e seus canais estratégicos.

Em sua nova função, Tiegs terá a responsabilidade de contribuir com a área comercial da empresa, com reporte ao presidente Wilson Toneto, e também a Área Corporativa de Negócios e Clientes (ACNC) da Espanha. O executivo ainda assumirá funções executivas nas unidades de Previdência e Saúde na Mapfre. Formado em Administração e pós graduado em Marketing e Propaganda, Tiegs fez MBA em Gestão Empresarial e Advanced Master, pelo IESE.

Estrangeiros mantêm investimentos apesar da crise

Fonte: CNseg

Apesar da erosão dos pilares da economia brasileira, a exortação em prol da manutenção dos investimentos foi a principal mensagem deixada pelo jornalista e economista Dony de Nuccio, âncora e editor de Economia do Jornal das Dez, da Globonews, autor da palestra “Panorama econômica e perspectivas”, apresentada no segundo dia do 5º Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro. “Como vocês querem estar quando essa crise passar? Você, sozinho, não pode determinar o ambiente econômico que planeja atuar. Mas sua reação diante de cada cenário é o que pode fazer a diferença. Sua atitude agora vai definir se sua empresa vai estar do lado do sucesso ou do fracasso nos próximos anos”, lembrou ele, enumerando diversos exemplos de grupos bem-sucedidos na economia global, justamente por pensar fora da caixinha e apostar na ousadia. Estudos e cases mostram que empresas que, em momentos de crise, efetuaram demissões abaixo dos concorrentes, executaram mudanças de processos e tiveram ganhos de eficiência saíram na frente quando da retomada da economia.

O painel contou com a participação do economista Claudio Contador, Ph.D em Economia e atual dirigente do Centro de Pesquisa e Economia do Seguro (CPES), da Escola Nacional de Seguros. Na condição de coordenador de mesa, Contador solicitou a Nuccio os cenários prováveis da economia a curto e médio prazos e a Fernando Passos, vice-presidente do IRB Brasil RE, os caminhos a seguir por seguradoras e resseguradoras em um cenário tão perverso.

Ele reconheceu, contudo, que as incertezas do cenário econômico fizeram as empresas represar ou cancelar investimentos no País, seguindo o receituário de ajustes indicado para um quadro macroeconômico menos benigno ao capital. Mas esta estratégia é realmente acertada? Olhando a atitude dos investidores estrangeiros, com a manutenção de recursos anuais acima de US$ 60 bilhões desde 2011, mesmo diante da perspectiva de o País repetir dois anos seguidos de PIB negativo, fato ocorrido apenas há 85 anos, quando da grande depressão de 1929, pode-se dizer que há um erro de avaliação dos empreendedores nacionais, algo que, na retomada do crescimento, poderá custar market share ou inviabilizar os negócios para quem, neste momento, reduz drasticamente os investimentos.

Nuccio, que possui curso de extensão em Economia na Brown University, dos Estados Unidos, disse que o ingresso de capitais internacionais é um sinal de que o Brasil ainda figura como uma praça prodigiosa de negócios, sobretudo para quem tem um olhar de médio e longo prazos. O país é um dos quatro com PIB de mais de US$ 1 trilhão, população de mais de 100 milhões e dimensões continentais (EUA, China, Rússia e Brasil).

Ele destaca que o PIB brasileiro, apesar da forte retração de 2015, gerou movimentação de R$ 5,9 trilhões, 78% maior do que o do México; 500% acima do PIB da África do Sul. “Do ponto de vista estratégico, é melhor estar presente no Brasil do que na maioria dos países do planeta”, declarou ele.

Mas existem problemas. A perda do selo de bom pagador por três agências de risco, a baixa taxa de poupança, de menos de 20%, a relação dívida em proporção ao PIB em avanço são fatores que minam a confiança dos mercados. “Os países que perderam o grau de investimento após 2009, em média, levaram de seis a sete anos para recuperá-lo. E os fatores em comum para isso foram a relação dívida/PIB com viés de baixa- a brasileira segue em sentido contrário; taxa de poupança média de 25%- a nossa está abaixo de 20%; e inflação perto do piso da meta- a nossa permanece mais próxima do teto há anos. Isso significa que o Brasil poderá levar mais tempo para recuperar o grau de investimento”, afirma ele.

Em consequência disso, quer dizer, do rebaixamento dos títulos soberanos do País, as empresas que precisem captar recursos no exterior vão pagar prêmios de riscos maiores. Este encarecimento do crédito é uma consequência direta da falta de credibilidade na política econômica do País.

A crise política é outro fator a tornar mais turbulento o cenário econômico, a ponto de haver quem diga que a recuperação econômica não ocorre em virtude do impasse causado pela análise do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Exemplo disso é que as consultorias já trabalham com cenário binário, calculando a variação de indicadores, como PIB, dólar, com a saída ou continuidade do atual governo. Os piores resultados aparecem com a manutenção do governo Dilma, segundo ele.

O debatedor Fernando Passos assinalou que o mercado de seguros/resseguros sente os efeitos do aprofundamento da crise econômica em dose dupla. Seja pela desaceleração dos negócios em áreas mais afetadas pela recessão – como os ramos de transportes e de energia, por exemplo- seja pelo aumento da tributação. O aumento da alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSSL), de 15% para 20%, implicará no repasse adicional de mais de R$ 1 bilhão; significa que os ganhos financeiros líquidos vão ser menores no CDI, ao repassar R$ 660 milhões ao Leão. Os corretores também devem enviar mais R$ 270 milhões ao governo.

Na sua avaliação, o mercado deve se preparar para enfrentar uma temporada de alta dos tributos, para compensar a queda de arrecadação enfrentada pelo governo em áreas de elevada contribuição, como os setores de petróleo e gás e mineração, afetados pela operação Lava-Jato e crise econômica.

A volatilidade dos ativos é outra consequência do caos político e econômico. A seu ver, sobretudo nas duas próximas semanas, a variação de preços acompanhará o humor do noticiário envolvendo o pedido de impeachment. Apesar do quadro macroeconômico adverso, ele acredita que o mercado de seguros/resseguros continuará a ter um crescimento real de faturamento neste ano, mantendo sua resiliência diante da crise. A conferir.