A Liberty Seguros anuncia a chegada de Mario Cavalcante para assumir a diretoria de Auto e Residência da companhia. Com 15 anos de experiência no mercado de seguros, o executivo será responsável pela estratégia, desenvolvimento e lançamentos de produtos e serviços dessas áreas.
Mario é graduado em administração de empresas na UFRJ e tem um MBA em Gestão de Negócios e Tecnologia da Informação pela FGV. Entre 2003 e 2013, o executivo trabalhou na Liberty Seguros, onde passou pelas áreas de desenvolvimento de produtos e property varejo. De 2013 a 2016, foi COO da Willis Towers Watson.
Em 2015, o segmento de Residência da Liberty Seguros cresceu 22,5%, enquanto o crescimento do mercado foi de 6,3%. No caso do segmento Auto, a seguradora é atualmente a 6ª maior do país, com 1 milhão de veículos segurados.
Novo estudo da Terra Brasis Resseguros. A resseguradora local, que tem entre seus acionistas o grupo Plural e o braço financeiro do Banco Mundial, divulgou nesta semana a prévia do estudo Terra Report com dados do primeiro trimestre de 2016. O volume de resseguro cedido pelas seguradoras brasileiras atingiu R$ 2,4 bilhões, alta de 6,5% em relação aos R$ 2,2 bilhões apresentados no mesmo período de 2015.
Do volume cedido, R$ 1,7 bilhão foram colocados nas resseguradoras locais, apenas 1% maior em relação ao primeiro trimestre do ano passado, e R$ 700 milhões colocados nas resseguradoras Offshore, uma quantia 22% maior do que no primeiro trimestre de 2015.
O resseguro aceito pelas resseguradoras locais relacionado a riscos do exterior teve um crescimento perto de 90%, ficando em R$ 318,2 milhões contra R$ 168,3 milhões apresentados no mesmo período do ano anterior.
O levantamento também revela que a sinistralidade das resseguradoras locais ficou em 87% contra 70% do mesmo período de 2015, sendo 91% para o IRB e 82% para o conjunto das outras locais. O Índice combinado da produção bruta, antes da retrocessão, atingiu 102% ante os 88% apresentados entre janeiro e março do ano passado, sendo 103% para o IRB e 101% para o conjunto das outras locais.
O resultado após impostos chegou a R$ 261 milhões, sendo R$ 212 milhões do IRB, no primeiro trimestre de 2016, sendo R$ 193 milhões (R$ 128 milhões do IRB) no mesmo período do ano anterior. Com estes números, o ROE (Return on Equity) do conjunto de resseguradores locais foi de 16,4% (27,6% para o IRB e 5,9% para o conjunto das demais Resseguradoras Locais), sendo que, no primeiro trimestre de 2015, o ROE foi de 13,0% (17,9% para o IRB e 8,5% para as demais resseguradoras locais).
O resultado positivo na última linha foi influenciado pelos positivos Resultados de Investimento apresentado pelas resseguradoras locais no início de 2016.
A China Life Insurance vai aplicar mais de US$ 500 milhões na Didi Chuxing Technology, depois de a Apple fazer um investimento de US$ 1 bilhão na empresa, que lidera o mercado de caronas na China.
A Didi está levantando dinheiro de investidores em uma rodada de financiamento que pode chegar a US$ 3,5 bilhões. O valor da empresa pode ultrapassar os US$ 25 bilhões.
A China Life Insurance, uma seguradora estatal, já investiu no UberChina, entidade independente criada pelo Uber para concorrer com a Didi no ano passado.
O que a Mongeral Aegon, especialista em vida e previdência, pensa sobre a reforma que o governo interino de Michel Temer quer propor a sociedade? O blog Sonho Seguro foi entrevistar o presidente Helder Molina para entender mais deste tema e poder dar mais subsídios para este debate, tão prioritário para o governo, para as empresas e para os indivíduos. Leia abaixo os principais trechos da entrevista do CEO que preside a companhia de 181 anos e que tem como objetivo auxiliar as pessoas com as ferramentas necessárias para que elas planejem um futuro financeiro mais tranquilo.
Como tem visto as discussões sobre a reforma da previdência pelo novo governo?
Este é um assunto mundial. Em particular, é uma questão aguda no Brasil. Nosso país, apesar de ainda jovem, já tem mais despesa com benefícios previdenciários que alguns países com população relativamente mais velha. A reforma da previdência é, portanto, urgente. O mérito do novo governo será levar esta questão para o Congresso. Um dos avanços que tivemos – a reforma da aposentadoria do servidor público – teve origem no governo de Fernando Henrique Cardoso, foi continuado por Lula e finalmente concluído no governo Dilma. O desafio seguinte será reformar a previdência social.
Qual a sua aposta sobre o que realmente entrar na lista de discussões?
Entendo que será o estabelecimento da idade mínima para aposentadoria. O modelo existente hoje foi pensado para uma realidade na qual as pessoas se aposentavam com aproximadamente 65 anos e morriam por volta dos 72 anos. O tempo passado na aposentadoria correspondia, portanto, a aproximadamente 20% do tempo na vida ativa (7 anos divididos por 35 anos de trabalho). Hoje, a realidade nos mostra que as pessoas estão vivendo mais, cada vez mais se aproximando dos 90 anos de idade. O tempo na aposentadoria, portanto, representa agora aproximadamente 70% do tempo na vida ativa (25 anos divididos por 35 anos), ou seja, 3 vezes e meia o que foi no passado.
Em sua opinião, o que realmente deveria ser feito já?
Primeiro a aposentadoria por tempo de serviço sem exigência de idade mínima, tornando possível a aposentadoria aos 55-57 anos de idade. Em segundo lugar, a exigibilidade de uma idade para aposentadoria às mulheres inferior àquela exigida para os homens que, sem entrar no aspecto social da discussão, representa uma disfunção atuarial, uma vez que estatisticamente são elas que dispõem de uma vida mais longa em relação a eles. E, por fim, a possibilidade de uma pessoa jovem ter direito a receber pensão vitalícia diante da morte de seu cônjuge idoso, muitas vezes fruto de um casamento recente. É preciso haver um tempo de reconstrução e adaptação da vida após o sinistro, sem necessidade de um fluxo vitalício de proventos.
Acredita que o mercado privado de previdência está pronto para atender a demanda da sociedade por um plano privado?
Sim, acredito. O grande problema é que o mercado privado está desenvolvido do ponto de vista financeiro e não do ponto de vista previdenciário. Existem, atualmente, poucos profissionais que entendem de previdência. Quem mais vende hoje são os bancos que, em sua maioria, não se preocupam com outros riscos além do financeiro. Exemplos disto são a falta de cobertura contra invalidez e contra morte prematura no início da fase de acumulação dos planos de previdência comercializados pelos bancos. Outro ponto relevante é que hoje o mercado está concentrado na venda de produtos individuais de previdência e não de soluções grupais. Sabemos que o segundo pilar do preparo para a aposentadoria é o do empregador, das soluções corporativas aos seus funcionários. Este pilar complementa os dois outros: a seguridade social e a poupança individual.
O que precisaria ser feito para tornar o setor de previdência aberta mais atrativo e mais acessível?
Ele precisa ser mais atrativo para as empresas a fim de que elas se preocupem com o futuro dos seus funcionários. As companhias já contribuem com o FGTS e com o INSS. A maior parte delas, por serem de pequeno e médio porte, não consegue utilizar as despesas com a previdência de seus funcionários para incentivos fiscais, para abater a base tributária. Outro ponto é que o setor de previdência aberta tem poucos entendedores. As regras são complicadas e complexas. Muitas vezes os profissionais não foram preparados. O governo também precisa ajudar, no sentido da capacitação e educação do mercado.
Como a Mongeral Aegon contribuiu para desenvolver a cultura de vida e previdência no Brasil?
A Mongeral Aegon contribui por meio de desenvolvimento de produtos mais adequados às necessidades do mercado; discussões com as autarquias no sentido de incentivar novas legislações; formação de profissionais (corretores), através de cursos certificados pela Funenseg; promoção do diálogo com o público, por meio das redes sociais e da internet; lançamento e apoio ao Instituto de Longevidade Mongeral Aegon, que visa mostrar caminhos para os brasileiros viverem mais e melhor, complementando o trabalho desenvolvido nos EUA e na Europa pelos outros dois institutos do grupo dedicados ao mesmo tema; além do intercâmbio de conhecimento entre os mais de vinte países em que a Aegon tem operações.
Sobre a Mongeral Aegon
A companhia está presente em todo o Brasil, com mais de 2 milhões de clientes, para os quais assegura mais de R$ 270 bilhões. Desde 2009, a empresa faz parte do Grupo Aegon, um dos maiores grupos de seguro, previdência e investimentos financeiros do mundo. Nos últimos anos, a expansão dos negócios deu origem ao Grupo Mongeral Aegon, que é formado por, além da seguradora, pelo Mongeral Aegon Fundo de Pensão, pela Mongeral Aegon Investimentos e pela empresa de gestão previdenciária Mongeral Aegon Administração de Benefícios. O grupo está presente em todo o país por meio de 60 unidades de negócios, 1.200 funcionários e 4 mil corretores parceiros. www.mongeralaegon.com.br
Alteramos nossa avaliação do setor de seguro de ramos elementares do Brasil (BB/Negativa/B, brAA/Negativa/) de acordo com nossa metodologia de Avaliação dos Riscos da Indústria de Seguros e do País (IICRA, na sigla em inglês para Insurance Industry Country Risk Assessment) de risco intermediário para risco moderado. A revisão do IICRA reflete nossa expectativa de que o setor apresentará desempenho operacional mais fraco nos próximos dois anos em razão das condições adversas no Brasil.
O IICRA de ramos elementares no Brasil incorpora nossa visão de riscopaís moderado e de risco da indústria intermediário, o que estabelece o contexto para nossa análise do perfil de risco de negócios de uma seguradora. Essa avaliação é comparável a outros mercados de ramos elementares, como a Colômbia, Itália e África do Sul. Esperamos crescimento mais fraco no mercado de ramos elementares no Brasil, dado o cenário econômico desafiador no país e a perspectiva de crescimento mais fraco do PIB quando comparado a países similares. Em nossa visão, o desempenho da indústria brasileira de seguro de ramos elementares continuará a enfraquecer enquanto a economia do país continua a deteriorar.
Risco país: Moderado
O IICRA do setor de ramos elementares brasileiro reflete o riscopaís moderado, com base em nossa visão dos riscos econômico e político, riscos do sistema financeiro, cultura de pagamento e Estado de Direito do país. Acreditamos que os baixos níveis de renda do Brasil, a contração econômica nos últimos dois anos e a alta da inflação limitarão o crescimento das seguradoras brasileiras e manterão a penetração de seguros em baixos níveis nos próximos dois anos.
O Brasil é a maior economia na América Latina, destacandose por possuir o principal mercado consumidor. No entanto, o PIB per capita do país se deteriorou no último ano, causando um impacto muito acima do esperado no mercado de seguros. Com a expectativa de queda no PIB per capita para cerca de US$7.159 em 2016, as perspectivas de crescimento do Brasil são, em nossa opinião, mais baixas àquelas de outros países em fase similar de desenvolvimento.
Esperamos uma contração de 3,6% na economia brasileira em 2016, seguindo o declínio de 3,8% em 2015, com ligeira recuperação de 0,5% em 2017. Em 12 de maio de 2016, Dilma Rousseff foi afastada da presidência por um processo de impeachment iniciado em dezembro de 2015, o qual está na fase final; a votação final no Senado ocorrerá nos próximos 180 dias. Seguindo o protocolo, o VicePresidente Michel Temer assumiu a presidência interinamente.
O governo Temer tem pela frente desafios semelhantes àqueles enfrentados por Dilma: recuperar a credibilidade política, retomar a trajetória de crescimento do Brasil e reverter a deterioração fiscal. Como observamos no primeiro ano do segundo mandato de Dilma, a capacidade de execução bem sucedida das políticas depende do suporte incondicional do presidente, da coesão em seu gabinete e da capacidade de obter apoio do Congresso entre os partidos. Vale ressaltar que tais condições parecem estar presentes com a posse do Vice Presidente Temer, com aparente apoio da maioria dos partidos no Congresso.
A cultura de pagamento e o Estado de Direito influenciam o desempenho das seguradoras, dada a importância de acordos contratuais de longo prazo. Nossa avaliação desse subfator no Brasil é de risco moderadamente alto, incorporando indicadores externos, como os indicadores de governança do Banco Mundial para o Estado de Direito, facilidade de execução de contratos, controle da corrupção, e o Índice de Percepção da Corrupção da Transparency International.
Risco da indústria: Intermediário
Classificamos o risco da indústria do setor de seguro brasileiro de ramos elementares como intermediário, com base na avaliação de cinco subfatores relacionados à indústria: rentabilidade (medida pelo retorno sobre capital [ROE, ou return on equity]), risco do produto, barreiras à entrada, perspectiva de crescimento do mercado, e estrutura institucional.
Rentabilidade (Neutra)
Revisamos nossa avaliação de rentabilidade do setor de ramos elementares de positiva para neutra, dados os efeitos das condições econômicas desafiadoras no Brasil para as seguradoras desse setor. A rentabilidade do setor se enfraqueceu devido à alta nos custos de reparo e manutenção no segmento de seguro de veículos, o qual representa cerca de 40% dos prêmios totais do setor de ramos elementares. O custo de peças automotivas importadas aumentou devido à alta da inflação no Brasil e à desvalorização do real em 2015. Além disso, as seguradoras têm registrado aumento nas perdas em razão de roubos e fraudes, o que, em nossa opinião, deverá continuar afetando as empresas nos próximos dois anos em razão do aumento no desemprego no país. Como resultado, o índice combinado totalizou 99,7% em 2015, versus 96,8% em 2014, e acreditamos que continuará aumentando, atingindo cerca de 101% nos próximos dois anos. Estimamos que o ROE e o retorno sobre as receitas (ROR, ou return on revenue), também se enfraquecerão para 12,0% e 7,0% em 2016, respectivamente, contra uma média de 16,6% e 12,4% nos últimos cinco anos. Esses indicadores também deverão apresentar ligeira deterioração para 11,5% e 6,5%, respectivamente, em 2017, dada a nossa expectativa de redução nas taxas de juros no Brasil, o que deverá afetar os ganhos financeiros do setor.
Por outro lado, não acreditamos que haja tomada de risco excessiva na indústria. Estamos monitorando as linhas de seguro garantia, que têm crescido rapidamente, o que por sua vez pode indicar um sinal de crescente concentração em poucos segurados. No entanto, isso ainda não representa um risco considerável para o setor de ramos elementares brasileiro como um todo, uma vez que o negócio de seguro garantia representa apenas 4% dos prêmios da indústria.
Risco do produto (Neutro)
Em nossa opinião, os riscos decorrentes dos eventos de catástrofe são em geral moderados. Os desastres naturais mais comuns no Brasil são a seca e enchentes, os quais possuem pouca cobertura de seguro. O seguro rural, que poderia ser o segmento mais afetado por um cenário de seca/enchente, representa menos de 4% dos prêmios totais do sistema. Seguros de veículos podem ser relativamente vulneráveis a esse risco, mas, devido às suas características tickets baixos e diversificação geográfica adequada – as secas e enchentes não representam um risco significante ao segmento.
Por outro lado, tem aumentado a ocorrência de fraudes no setor de ramos elementares, sobretudo em razão das condições econômicas adversas no Brasil. Entretanto, a classificação geral de risco do produto permanece neutra, dada a ausência de fontes adicionais de volatilidade.
Barreiras à entrada (Positiva)
Nossa avaliação de barreiras à entrada do setor de ramos elementares brasileiro é alta, refletindo primordialmente dois fatores: barreiras legais e regulatórias, as quais consideramos moderadas, e barreiras operacionais, que classificamos como altas.
O regulador implementou um rigoroso processo para a aprovação de novas licenças o que, porém, não representa um grande obstáculo para as seguradoras em comparação a outras jurisdições. As exigências de capital são rígidas, mas não são particularmente altas comparado aos setores de seguro de outros países.
Acreditamos que não haja limitação significativa de disponibilidade de recursos como administração e pessoal que possam impor barreiras operacionais. Em nossa visão, o número de universidades que oferecem cursos de especialização em áreas como gestão de risco nas regiões metropolitanas do país é adequado. Além disso, considerando o atual cenário econômico no Brasil, com aumento do desemprego, acreditamos que haja disponibilidade adequada de profissionais com capacidade analítica e técnica no mercado. No entanto, o mercado é dominado por bancos de grande porte, que controlam os canais de distribuição. Esses participantes também se beneficiam de estruturas de baixo custo e reputação e marca consolidadas no mercado, que em conjunto criam uma alta barreira operacional a novos competidores. Apesar de acreditarmos que seja possível a entrada de novas seguradoras em linhas menores e de nicho, especialmente se pertencerem a um grande grupo internacional, entendemos que um novo participante não mudaria a dinâmica ou a rentabilidade geral da indústria, dada a alta concentração do setor.
Perspectiva de crescimento do mercado (Negativa)
Revisamos a avaliação de perspectiva de crescimento do mercado de neutra para negativa. Os prêmios brutos subscritos (GWP, ou gross written premium) do setor de seguro de ramos elementares contraíram 4% em 2015 em termos reais, refletindo a fraca atividade econômica, o aumento do desemprego e a queda nos salários em termos reais. Poucos produtos de ramos elementares registraram crescimento em 2015. Entre eles, estão seguro de crédito habitacional e seguro garantia, que apresentaram crescimento real de cerca de 9% e 13%, respectivamente.
Esperamos a mesma tendência nos próximos anos, com queda nas taxas de crescimento das linhas de negócio mais representativas e taxas de crescimento positivas em termos reais apenas em linhas que representam uma pequena porcentagem da indústria. Esperamos que o setor de ramos elementares reporte crescimento nominal de 4% em 2016, com ligeira recuperação e 2017, reportando crescimento nominal de 6,5%, equivalente a uma taxa de crescimento real de 4,7% e 0,3%, respectivamente, o que sustenta nossa revisão negativa da perspectiva de crescimento do setor. Em nossa visão, a penetração deve permanecer inferior a 1,2% nos próximos dois anos.
Estrutura institucional (Neutra)
Avaliamos a estrutura institucional do setor como intermediária. A Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) monitora a indústria de seguros em base frequente. O órgão possui um nível adequado de sofisticação e dispõe de regras estabelecidas para investimentos, adequação de capital e solvência, governança corporativa, controle de lavagem de dinheiro e prevenção de fraude. Embora a SUSEP regule o setor de seguro de ramos elementares no Brasil, o Conselho Monetário Nacional (CMN), braço do Banco Central, impõe certas limitações de investimento.
Avaliamos o histórico regulatório do setor brasileiro de seguro de ramos elementares como intermediário. Em nossa visão, a SUSEP, estabelecida em 1988, tem reduzido com êxito os riscos no mercado de seguro ao exigir melhores padrões de governança para as seguradoras, enquanto busca implementar padrões internacionais de solvência no mercado local, como as exigências mínimas de capital baseado em risco, implementadas em 2008.
Não vemos deficiência nos padrões de governança e transparência das seguradoras de ramos elementares no Brasil, dados os controles regulatórios satisfatórios. As informações da indústria de seguros e de cada empresa são disponibilizadas publicamente em base mensal, embora, em nossa opinião, o sistema se beneficiaria de informações públicas mais detalhadas e da disponibilidade de indicadores de desempenho por linha de negócio.
Revisamos nossa avaliação do setor de seguro de saúde do Brasil (BB/Negativa/B, brAA-/Negativa/–) de acordo com a metodologia de Avaliação dos Riscos da Indústria de Seguros e do País (IICRA, ou Insurance Industry Country Risk Assessment). A avaliação IICRA reflete os riscos enfrentados por seguradoras de saúde que operam no Brasil. Calculamos o IICRA em uma escala que varia de um (“risco muito baixo”) a seis (“risco muito alto”). Outro país cujo setor de seguro saúde avaliamos como “risco moderado” é a Colômbia.
Risco país: Moderado
O IICRA do setor de saúde brasileiro reflete o riscopaís moderado, com base em nossa visão dos riscos econômico e político, riscos do sistema financeiro, cultura de pagamento e Estado de Direito do país. Acreditamos que os baixos níveis de renda do Brasil, a contração econômica nos últimos dois anos e a alta da inflação limitarão o crescimento das seguradoras brasileiras e manterão a penetração de seguros em baixos níveis nos próximos dois anos.
O Brasil é a maior economia na América Latina, destacandose por possuir o principal mercado consumidor. No entanto, o PIB per capita do país se deteriorou no último ano, causando um impacto muito acima do esperado no mercado de seguros. Com a expectativa de queda no PIB per capita para cerca de US$7.159 em 2016, as perspectivas de crescimento do Brasil são, em nossa opinião, mais baixas àquelas de outros países em fase similar de desenvolvimento.
Esperamos uma contração de 3,6% na economia brasileira em 2016, seguindo o declínio de 3,8% em 2015, com ligeira recuperação de 0,5% em 2017. Em 12 de maio de 2016, Dilma Rousseff foi afastada da presidência por um processo de impeachment iniciado em dezembro de 2015, o qual está na fase final; a votação final no Senado ocorrerá nos próximos 180 dias. Seguindo o protocolo, o vice-presidente Michel Temer assumiu a presidência interinamente.
O governo Temer tem pela frente desafios semelhantes àqueles enfrentados por Dilma: recuperar a credibilidade política, retomar a trajetória de crescimento do Brasil e reverter a deterioração fiscal. Como observamos no primeiro ano do segundo mandato de Dilma, a capacidade de execução bem sucedida das políticas depende do suporte incondicional do presidente, da coesão em seu gabinete e da capacidade de obter apoio do Congresso entre os partidos. Vale ressaltar que tais condições parecem estar presentes com a posse do Vice Presidente Temer, com aparente apoio da maioria dos partidos no Congresso.
A cultura de pagamento e o Estado de Direito influenciam o desempenho das seguradoras, dada a importância de acordos contratuais de longo prazo. Nossa avaliação desse subfator no Brasil é de risco moderadamente alto, incorporando indicadores externos, como os indicadores de governança do Banco Mundial para o Estado de Direito, facilidade de execução de contratos, controle da corrupção, e o Índice de Percepção da Corrupção da Transparency International.
Risco da indústria: Intermediário
Classificamos o risco da indústria do setor de seguro saúde brasileiro como intermediário, com base 1/4 na avaliação de cinco subfatores relacionados à indústria: rentabilidade (medida pelo retorno sobre capital [ROE, ou return on equity]), risco do produto, barreiras à entrada, perspectiva de crescimento do mercado, e estrutura institucional.
Rentabilidade (Neutra)
Avaliamos a rentabilidade do setor de seguro saúde do Brasil como neutra. O índice combinado médio dos últimos cinco anos e o ROE das seguradoras de saúde totalizaram 99,7% e 9,9%, respectivamente, o que avaliamos como adequado. O setor de seguro saúde no Brasil abrange mais de mil empresas, com elevada participação de entidades sem fins lucrativos e cooperativas médicas, o que distorce os índices gerais das entidades com fins lucrativos. Dessa forma, para avaliar a rentabilidade do setor, selecionamos 17 seguradoras que representam cerca de 80% dos prêmios ganhos pelas seguradoras de saúde com fins lucrativos.
Apesar da classificação neutra, acreditamos que a vasta presença de participantes sem fins lucrativos torne o setor altamente competitivo e limite as margens das empresas com fins lucrativos. Além disso, aumentos de preços em apólices de seguro saúde individual precisam se autorização da ANS, que préestabelece níveis máximos de aumento, o que pode impactar negativamente a rentabilidade das empresas quando é necessário um forte ajuste nos preços.
Ainda, a redução no número de beneficiários, o aumento nos custos médicos devido à alta da inflação e a capacidade limitada de ajustar as apólices em vista do aumento do desemprego e a redução dos salários devem pesar negativamente na rentabilidade do setor no curto prazo. No entanto, acreditamos que a rentabilidade de empresas com fins lucrativos deva permanecer em torno de 8,5% em 2016 e 2017, ainda em linha com a classificação neutra atribuída.
Risco do produto (Negativo)
Avaliamos o risco do produto do setor de seguro saúde brasileiro como negativo, uma vez que os ajustes de preço das apólices de seguro individual, que representam cerca de 20% do total de beneficiários, são determinados pelo regulador, o que limita a capacidade das empresas de seguro saúde de reagir a riscos emergentes.
Acreditamos que a exposição a sinistros de catástrofes pandêmicas seja moderada. Até o momento, não há histórico de um evento pandêmico que tenha influenciado os sinistros. Entretanto, acreditamos que, caso ocorra um evento desse tipo, a margem para evitar tais sinistros seria limitada. Em nossa visão, a maioria dos países na região são reativos, e não proativos, a eventos pandêmicos. Apesar do eficaz programa de vacinação obrigatória, incidentes como uma epidemia de gripe exótica não são levados em consideração nas provisões para eventos pandêmicos catastróficos.
Desde maio de 2015, o Brasil registrou um aumento nos casos de bebês nascidos com microcefalia, o que pode estar associado ao recente surto do vírus Zika, que infectou cerca de 90.000 pessoas no Brasil de abril de 2015 a abril de 2016, de acordo com o Ministério da Saúde. Apesar do aumento no número de casos confirmados de microcefalia, que totalizaram 1.198 em abril de 2016, entendemos que o impacto nos sinistros seja moderado, dado que o número de casos representa uma porcentagem muito reduzida do número de beneficiários do setor cerca de 24 milhões em março de 2016, considerando apenas entidades com fins lucrativos (49 milhões de entidades do setor em geral) e que cerca de 92% dos casos reportados ocorreram no Nordeste, que corresponde a aproximadamente 6% do número total de beneficiários das entidades com fins lucrativos.
A ANS determina regras claras relativas a sinistros e contratos. Em nossa opinião, as seguradoras de saúde realizam os pagamentos em linha com os prêmios contratados. Dessa forma, o espaço é muito limitado para cobranças inesperadas no mercado de seguro saúde.
Barreiras à entrada (Positiva)
Em nossa visão, as seguradoras de saúde enfrentam restrições regulatórias mais significativas comparadas às seguradoras gerais. A ANS concentrase na cobertura, serviços e nível de sinistros, bem como nas reservas, capital e investimentos das empresas, embora essas exigências sejam voltadas ao cliente, dado o foco da agência reguladora na manutenção dos serviços. As seguradoras de saúde são obrigadas a submeter vários relatórios à agência reguladora, incluindo informações financeiras e de qualidade dos serviços. Além disso, o alto número de seguradoras a grande maioria das quais sem fins lucrativos torna o setor altamente competitivo e, consequentemente, não atrativo para novos participantes.
Por outro lado, acreditamos que não haja limite de disponibilidade de recursos como informações, sistemas, administração e profissionais. Nas regiões metropolitanas, há várias universidades que oferecem cursos de especialização em áreas como gestão de risco. Além disso, considerando o atual cenário econômico no Brasil, com aumento do desemprego, acreditamos que haja disponibilidade adequada de profissionais com capacidade analítica e técnica no mercado. Em termos de distribuição, há ainda diversos canais possíveis; entretanto, as grandes corretoras detém a maior parte da distribuição de seguro saúde, uma vez que as características técnicas desses produtos dificultam sua distribuição por meio de canais menos complexos, que podem ser usados por outras categorias de seguro.
Perspectiva de crescimento do mercado (Neutra)
O seguro saúde é um dos produtos mais desenvolvidos no Brasil; assim, a penetração no PIB tem permanecido acima de 2% desde 2001. Nos últimos cinco anos, o crescimento dos prêmios brutos subscritos (GPW, ou gross premiums written) totalizou uma média de 14% em termos nominais, alcançando 12,3% em 2015. Esperamos que os prêmios brutos subscritos nominais mantenham a tendência positiva nos próximos dois anos, mas a um ritmo inferior, em torno de 8,0%, dado o atual cenário desafiador e a futura redução no número de beneficiários. Contudo, esperamos uma taxa de crescimento real equivalente a 0,7% em 2016 e 1,2% em 2017. Além disso, estimamos que a penetração de seguros continue estável em torno de 2,4% nos próximos dois anos.
Estrutura institucional (Neutra)
Estrutura regulatória. Avaliamos a estrutura regulatória do setor de seguro saúde brasileiro como intermediária. Consideramos adequada a supervisão do setor, que consiste em uma ampla cobertura regulatória para seguradoras de saúde com e sem fins lucrativos, que seguem regras semelhantes. Todos os aspectos relevantes do negócio das seguradoras de saúde são regulados incluindo sua qualidade financeira, solvência, qualidade dos serviços e preços.
Histórico regulatório. O curto histórico da estrutura institucional e as regras ainda em desenvolvimento de qualidade financeira e solvência respaldam nossa avaliação “fraca” do histórico regulatório. A regulação do setor de saúde é relativamente nova, tendo sido criada formalmente em 2000, com a elaboração de regras formais após a criação da agência regulatória em 1998. Desde então, a regulação progrediu gradualmente, estabelecendo normas mais amplas e sofisticadas. Em contraste, o curto histórico da estrutura regulatória e o fato de que as regras de qualidade financeira e solvência ainda estão em aprimoramento sustentam nossa avaliação “fraca” do histórico regulatório.
Governança e transparência. Em nossa visão, a governança corporativa de seguradoras de saúde brasileiras é adequada, refletindo primordialmente os controles regulatórios. O setor é de certa forma transparente: a ANS publica relatórios trimestrais com destaques do sistema e um sumário anual das demonstrações financeiras não auditadas de todas as empresas reguladas, embora os dados agregados sejam limitados.
A Yasuda Marítima, empresa do Grupo Sompo Holdings – um dos maiores grupos seguradores do mundo – anuncia a contratação de Eduardo Fazio de Arecippo Lima como seu novo Diretor Comercial responsável pelo Rio de Janeiro, Espírito Santo e regiões Norte e Nordeste. O executivo atua há mais de 20 anos no mercado segurador e chega para contribuir com a estratégia da companhia de expandir atuação, aumentar o share de mercado e dar suporte às oportunidades de negócios por conta da ampliação do portfófio de produtos da Yasuda Marítima.
O executivo conta com mais de 20 anos de vivência no mercado de seguros e passagem por grandes companhias. Nesse período já atuou na liderança de equipes de diferentes linhas de produtos, na gestão de acordos comerciais e outros mecanismos de relacionamento com corretores de seguros, implementação de programas de seguros e grupos de afinidades, além de ampla atuação em mercados regionais do Norte, Nordeste, Interior de São Paulo, Rio de Janeiro e Corporativo. O executivo tem formação em administração de empresas (UNICE), com extensão em Gestão de Projetos (Fundação Getúlio Vargas – FGV) e MBA em Liderança (Fundação Dom Cabral). Também é Diretor do Sindicato das Empresas de Seguros Privados e Capitalização do Norte e Nordeste (SindSeg N/NE).
A chegada de Fazio é mais um passo da série de contratações de executivos que a Yasuda Marítima anuncia desde janeiro como parte da estratégia de crescimento da companhia. Desde janeiro, três profissionais com amplo reconhecimento do mercado passaram a integrar a equipe de executivos. Em janeiro, Valter Hime iniciou como novo Diretor da Yasuda Marítima Saúde. Em abril, João Melo e Silva foi contratado como Superintendente Comercial responsável pelo desenvolvimento estratégico e relacionamento comercial na região da Grande São Paulo, bem como suporte às assessorias de seguros parceiras. Em âmbito regional, Thiago Rodrigues foi contratado em fevereiro para assumir a gerência da filial Brasília.
Fernando Grossi, Diretor Executivo Comercial da Yasuda Marítima, afirma que “Eduardo é um profissional que, além de reconhecimento, tem amplo conhecimento dos mercados do Rio de Janeiro e conhece bem de perto as demandas específicas dessas regiões. Seu know how vai agregar ainda mais valor às nossas estratégias de expansão nesses mercados”.
Após quase um ano de estudos e pesquisas, a AXA lançou no último mês de maio, em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), e GEO Gestão Imobiliária, o seu mais novo produto para o mercado da construção civil. Trata-se do Risco Engenharia, que atende novas demandas e anseios dos clientes desse setor. Com diferenciais inéditos, a AXA espera conquistar uma fatia relevante desse mercado já nos próximos 12 meses.
‘O mercado conta hoje com produtos muito similares e que oferecem um clausulado padronizado. Nesse sentido, mudamos alguns conceitos após ouvir as demandas do setor da construção. Destacamos a nossa flexibilidade no parcelamento do prêmio, que acontece durante todo o prazo da obra, o fato do produto não ter franquia para risco de engenharia e também ser a Primeiro Risco Absoluto, ou seja, sem previsão de rateio. Esses são diferenciais inéditos no Brasil e que certamente nos destacarão da concorrência, diz Mauro Santos, Superintendente de Riscos de Engenharia da AXA.
O produto, já aprovado pela SUSEP, só poderá ser contratado online. ‘A contratação é muito fácil, totalmente digital, feita diretamente através do site: www.seguroscbic.com.br . Após preenchimento e análise dos dados, o cliente já sai certificado e totalmente coberto. O valor máximo de cobertura será de até R$100 milhões para valor da obra e de até 48 meses para conclusão da mesma’, explica Santos. A parceria da AXA com os corretores continua e o cliente precisará necessariamente escolher o corretor de sua confiança, para finalizar a transação.
‘O setor da construção civil é muito importante. O alcance nacional do Convênio de Seguros da CBIC é um atrativo importante para as nossas ambições nesse mercado e esperamos emitir algo em torno de R$ 12 milhões de prêmio já no primeiro ano, considerando a base relevante de clientes do Convênio de Seguros da CBIC e também o atual momento da economia do país. Porém, estamos confiantes e certos de que será mais um produto de sucesso no mercado’, conclui Vanderlei Ravazzi, Diretor Técnico P&C da AXA.
Membros da Escola Nacional de Seguros participam do International Insurance Society (IIS) Global Insurance Forum, em Shangrila, Cingapura. O evento conta com uma lista de mais de 50 executivos e especialistas que farão palestras para cerca de 500 participantes de mais de 40 países. O evento acontece de 12 a 15 de junho. O tema central é a inovação, vista como uma peça fundamental para qualquer negócio de sucesso. A proposta do evento é discutir como o setor pode se adaptar, transformar e conhecer novas tecnologias a inovação disruptiva, big data, resiliência ao risco , cyber risks, a inovação nos cuidados de saúde e reinvenção do segmento de vida e previdência, assim como a canais de distribuição em tempos de revolução digital.
A equipe brasileira começou a trabalhar no dia 11. Segundo Maria Helena Monteiro, diretora da Escola Nacional de Seguros, ela e o economista Cláudio Contador, diretor do Centro de Pesquisa e Economia do Seguros, participaram da reunião do grupo internacional de Escolas de Seguros. “Eu e Claudio Contador atualizamos o grupo com as muitas boas novidades de Escola, e o evento terminou com um jantar no 55o andar da ION Tower, com uma vista linda da cidade”, contou Maria Helena em sua página no Facebook.
As notícias do evento começam a ser divulgadas a partir desta segunda-feira.
Fonte: Revista Consultor Jurídico, 12 de junho de 2016
Por Paulo Luiz de Toledo Piza*
As operações policiais dos últimos anos levaram a um aumento significativo de reclamações de sinistro de seguro-garantia. Na modalidade mais comercializada, conhecida como performance bond, este seguro garante o interesse dos contratantes de obras públicas ou privadas, os segurados, contra o risco de não cumprimento do contrato por parte dos seus contratados. Estes são os “tomadores” do seguro: contratam o seguro e pagam o prêmio (preço) correspondente. Ocorrendo sinistro, a seguradora deve indenizar o segurado dos prejuízos consequentes, que envolvem o sobrecusto para a retomada do contrato garantido, como também todos os demais efeitos patrimoniais adversos ao interesse segurado.
Ao contrário do que se tem divulgado, não se trata propriamente de “seguro contra atrasos”. Nem tem sido prática usual das seguradoras fiscalizarem as obras para que prazos e custos sejam respeitados. O seguro-garantia visa a garantir a impossibilidade de cumprimento das obrigações encartadas no contrato garantido. Não cobre os prejuízos incorridos pelo segurado com o mero atraso na execução de uma obra, na entrega de uma partida de fornecimento ou na prestação de um serviço, e sim os danos materiais decorrentes da impossibilidade de cumprimento.
Trata-se de importante instrumento para a imediata reposição das forças de trabalho e capital. Em caso de sinistro, a atuação do mercado segurador tem de viabilizar, com agilidade, a retomada e conclusão da obra paralisada, do serviço inconcluso, da entrega. O mercado brasileiro, entretanto, premido pelo aumento do número de reclamações e de indenizações a pagar, tem feito com que o contrato de seguro-garantia se alheie cada vez mais de sua função social.
Nos casos em que se verifica o pagamento pelo segurador, isso por vezes acontece bastante tempo depois do sinistro. Em si mesma, essa demora já é lesiva. Por não contar, desde logo, com os recursos do seguro, os prejuízos se agravam. Para cumprir outros contratos, como entregar um apartamento, prover infraestrutura ou atender uma encomenda, sem incorrer em prejuízos adicionais e multas, ao empresário restará o mercado financeiro e juros elevados.
Os contratos de seguros-garantia também costumam estabelecer que a seguradora tem o prazo de 30 dias, contados da reclamação, para liquidar o sinistro. Ocorre que os clausulados de seguro, escudados em ato normativo de discutível legalidade da Superintendência de Seguros Privados, estabelecem ainda que a contagem desse prazo ficará suspensa toda a vez que a seguradora solicitar documentos e informações complementares. É possível, assim, que o exame de um sinistro se alongue por meses ou mais de ano e, com isso, um seguro modelado para contribuir com a manutenção do nível da atividade econômica perde todo o seu sentido.
Pior do que a demora em pagar, no entanto, são as peripécias que vez ou outra se verificam por parte de algumas seguradoras, para não terem de pagar o valor do seguro. Casos há em que se aliam ao tomador inadimplente, para estruturar a alegação de que este deixou de cumprir o contrato garantido por culpa do segurado. Como em caso de pagamento do sinistro o tomador terá de ressarcir a seguradora, a quem dá contragarantias específicas ao contratar o seguro, verá com bons olhos a sugestão de que escreva correspondência culpando o segurado pelo seu próprio inadimplemento.
Poderá acontecer, também, de algumas seguradoras emitirem apólices de seguro-garantia sem colherem do tomador todos os documentos e informações a respeito do contrato a ser garantido. Ou sem fazer a análise de risco de crédito necessária para a boa precificação e dimensionamento das contragarantias. Já se ouviu um segurador especializado, a propósito, proclamar que o seguro-garantia não serve para pagar sinistros, mas apenas para viabilizar negócios.
O atual contexto de alta sinistralidade, capaz de impactar significativamente os resultados das seguradoras e exigir o concurso de resseguradores sujeitos às mesmas adversidades, talvez explique a crescente atração por protelar as indenizações securitárias, ou simplesmente negá-las, para depois buscar um benéfico acordo judicial ou extrajudicial com o segurado.
Também há casos de tomadores e segurados que atuam em prejuízo das seguradoras. Já se verificou, por exemplo, a contratação do seguro para a garantia de contratos de exportação sabidamente fictícios. Trading companies ligadas a bancos sabiam de antemão que o tomador não tinha condições de realizar determinado fornecimento, mas mesmo assim era contratado. No entanto, não recebia o preço, autorizando as tradings a transferirem a quantia a bancos a quem devia somas equivalentes. Depois, ocorrendo o sinistro, bastaria a elas tentaram receber a indenização securitária.
Mas, afora situações fisiológicas, não se deve perder de perspectiva que, ao emitir uma apólice de seguro-garantia, o segurador dá ao segurado o conforto de que o tomador está apto a cumprir com suas obrigações e de que, em último caso, poderá contar com o tempestivo pagamento do seguro.
Os percalços que afastam o seguro-garantia de sua função social vão ficando cada vez mais explícitos no atual cenário de crise política e econômica, surgindo até mesmo situações esdrúxulas. Empresas públicas e privadas investigadas deixaram de pagar contratados, que cumpriam normalmente suas obrigações. Sem receber, alguns destes se viram forçados a parar a obra ou a não efetuar a entrega contratada. Avisado sinistro pelas empresas investigadas, a seguradora, temendo envolvimento, antes de se dispor a pagar indenização que poderia muito bem não ser sequer devida, pede dos tomadores desnecessário reforço das contragarantias, ou ameaça executar as existentes, de resto dificultando a contratação, pelo tomador, de seguro-garantia com outro objeto, exigido por outro cliente.
Há muito, portanto, a ser aperfeiçoado para que o seguro-garantia possa cumprir sua missão e contribuir para o desenvolvimento econômico e social do país.
* Paulo Luiz de Toledo Piza é mestre e doutor em Direito pela Faculdade de Direito da USP, professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie e sócio do escritório Ernesto Tzirulnik Advocacia.
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