ARTIGO: O fim da era dos aplicativos no mercado de seguradoras: sua empresa está preparada?

por Fernando Wosniak Steler é empreendedor Endeavor, fundador e CEO da Direct.One.

Os aplicativos móveis definitivamente fazem parte de nossas vidas. Desde março de 2008, quando Steve Jobs finalmente deixou de relutar contra a abertura da plataforma do iPhone para a comunidade de desenvolvedores, os apps chegaram para ficar. Vale dizer que Steve Jobs sempre será lembrado por ser um visionário; no entanto, ele também ficará marcado por ser loucamente controlador e temer que, ao abrir a sua plataforma para terceiros, a qualidade dos seus aparelhos começaria a ser questionada.

Com a entrada da Google nesse mercado, os aparelhos Android já nasceram com um apelo mais aberto e mais barato, definindo, de uma vez por todas, a consolidação dos smartphones como “o computador pessoal” mais utilizado do planeta. E o resto é história. De 2008 para cá, os números do mercado de smartphones vêm se mostrando astronômicos, sendo todos na casa dos bilhões: bilhões de usuários, bilhões de aparelhos, bilhões de downloads de aplicativos etc.

Um aplicativo para qualquer coisa

Todo esse cenário fez com que as empresas não ficassem paradas. Agora todo mundo quer ter o seu próprio aplicativo nas mãos dos clientes, desde as maiores instituições financeiras do mundo, até o menor mercadinho de esquina. As grandes empresas estão sonhando com o autoatendimento, já que suas operações de call center consomem centenas de milhões de reais e, ainda por cima, são extremamente criticadas. Afinal, quem gosta de ligar para um telemarketing?

Retenção e engajamento de aplicativos móveis

Vamos a dura realidade das empresas: é muito difícil emplacar um Mobile App! Os clientes até instalam os aplicativos das empresas com que se relacionam, mas acabam não encontrando relevância e deixam de usá-los ao longo do tempo, partindo para a desinstalação. Por outro lado, aplicativos sociais como Facebook e Instagram, ou mesmo Apps de mensagens, como o WhatsApp ou Messenger, permanecem nos smartphones das pessoas e são utilizados todos os dias; quem sabe até todas as horas.

Essa é uma briga perdida para as empresas. E para piorar, os usuários precisam de espaço em seus smartphones para guardar fotos e vídeos. Ah, e não vamos esquecer que os usuários estão sempre buscando por mais recursos para instalar as novidades que não param de surgir, como Snapchat, Pokémon GO, Tinder e afins.

No primeiro trimestre de 2015, de acordo com a BI Intelligence, a utilização dos Apps de Mensagens ultrapassou os de redes sociais.

OS APLICATIVOS DE MENSAGENS INSTANTÂNEAS OU MESSAGING POSSUEM UM ÍNDICE DE QUASE SEIS VEZES MAIS ENGAJAMENTO E FIDELIDADE DO QUE OS APLICATIVOS EMPRESARIAIS.

E por saber disso, Mark Zuckenberg anunciou, no último F8, o evento anual do Facebook para desenvolvedores, que acontece todos os anos no mês de abril, em Palo Alto, Califórnia, a abertura da plataforma do Messenger para as empresas. Pelo menos por enquanto, o Facebook deixou claro que não abrirá as APIs do WhatsApp para desenvolvedores, por apostar que a ferramenta deve ser usada apenas por pessoas físicas. Por enquanto mesmo, pois já foram acenadas mudanças em um post oficial no blog do WhatsApp.

E isso não tem volta. Os aplicativos de empresas tendem a cair em desuso, já que a quantidade de aplicativos que um indivíduo será incentivado a instalar deve ser cada vez maior. Mas vamos aos fatos, pense nos possíveis aplicativos móveis das empresas que você se relaciona no dia-a-dia:

Você precisa instalar o aplicativo do seu banco, claro;
Você pode ter mais de uma conta bancária em outro banco, então, você terá que baixar outro aplicativo bancário;
O aplicativo do cartão de crédito é separado, então, baixe mais um;
Tem aquela App da Fintech da moda também, então baixe mais um ou dois;
Tem o aplicativo da sua seguradora, que você pode ter mais de uma;
Se você viaja, precisa dos aplicativos das companhias aéreas e de comparação de preços de hotéis;
Tem também os aplicativos do cinema, shopping, e-commerces, trânsito, revistas, streaming de vídeo etc.
Enfim, lá se vão dezenas e dezenas de aplicativos instalados no seu smartphone e, no final do dia, acabamos abrindo somente o Facebook e o WhatsApp, de hora em hora, deixando os aplicativos das empresas esquecidos, sem engajamento e sem fidelidade nenhuma.

Veja este exemplo real: estes dias viajei para o exterior e comprei um seguro viagem com a minha operadora de viagens. Fui incentivado pela agência a baixar o aplicativo da seguradora só para ver os contatos da assistência e para poder baixar minha apólice do seguro. Entrei na App Store, baixei o aplicativo, abri, fiz um cadastro e naveguei pelo App para consultar as informações e nunca mais voltei ao App. Um mês depois de ter voltado de viagem, vi aquele ícone lá parado e sem uso em meu smartphone. Não hesitei em desinstalar o aplicativo, a jornada do cliente não se mostrou eficaz, porque eu posso viajar novamente e ter que refazer todo esse processo. Novamente.

E essa é umas das razões pelas quais a GUI [Graphical User Interface] está mudando para CUI [Chat User Interface], baseado em robôs de atendimento, conhecidos como Bots – abreviação de robots. Pense no simples processo de ter acesso aos telefones de assistência da seguradora e de fazer o download da apólice de seguro, citado anteriormente. Veja como seria bem mais simples:

Ao comprar o seguro, recebo do Bot da minha seguradora um e-mail ou SMS com um link para “bater papo” no Facebook Messenger;
Clico e recebo em meu Messenger as informações. Pronto!
Se caso for viajar novamente em outra data, é só chamar a seguradora para um bate papo.
Ninguém precisa de nada mais que isso. E se caso acontecer algum problema no curso da viagem, é só chamar novamente a seguradora para bater um papo; e um Bot me responde em poucos segundos, por exemplo:

Cliente: “O que é um Endosso?”
Bot da Seguradora: “Endosso é um documento que promove alterações no contrato de seguro vigente. Uma modificação, alteração ou correção.”
Cliente: “Então quero fazer um Endosso, pois acabei de mudar de endereço.”
Bot da Seguradora: “Claro, poderia me passar seu novo CEP…”
Perguntas como “Qual o valor da minha franquia?” ou “Quando vence a minha Apólice?” não precisam ser respondidas por seres humanos. Se caso a solicitação for complicada, uma pessoa real entra no Chat e passa a responder. Caso a solicitação for ainda mais complexa e urgente, dá para fazer uma ligação pelo próprio Messenger para um atendente, que deverá ter um perfil de consultor e que poderá, inclusive, conversar por vídeo chamada. Simples assim.

A conversa começou com uma comunicação pelo e-mail e terminou no Messenger de forma multicanal e sem aplicativos. Na verdade, já existem lojas de comércio eletrônico que vendem produtos por Chatbots. Apesar de parecer difícil entender como um “App como Chat” funciona, considere estes exemplos reais e faça um teste:

Inclua a CNN no seu Facebook Messenger para receber notícias diárias. Clique aqui https://www.messenger.com/t/cnn/ e pergunte: “What about Brazil? Gostou da resposta?

Você pode conversar com o presidente dos EUA no Messenger! Clique aqui https://www.messenger.com/t/WhiteHouse/ e deixe seu oi para o Obama.

E também pode perguntar sobre o tempo para o Poncho clicando aqui https://www.messenger.com/t/hiponcho/.

Chame o esquilinho Hipmunk https://www.messenger.com/t/hipmunk/ e pergunte para ele “I’m flying from Sao Paulo, Brazil, 01/10 to 01/22. Could you help me?” e veja só a resposta.
Note também o seguinte:

Nos EUA, algumas pessoas já podem solicitar um Uber via Facebook Messenger, veja como funciona aqui https://www.youtube.com/watch?v=Dj4f1d-EZy4&feature=youtu.be;
Os mais de 600 milhões de usuários do WeChat podem enviar dinheiro via Western Union por chat desta forma https://www.youtube.com/watch?v=AuLm9bHet1c&feature=youtu.be;

O futuro da interação com clientes está no controle das máquinas.

A evolução da interface de Messaging está na interação dos usuários com Bots providos de Inteligência Artificial [AI] e tecnologias como NLP, da sigla em inglês que quer dizer Processamento de Linguagem Natural, e outras técnicas como Text Mining, Análise de Sentimentos, Machine Learning, Deep Learning, NLU etc. Essas tecnologias vêm evoluindo a cada dia, desde o sistema de Chatbot chamado Eliza, datado de 1966, que já se esforçava para conseguir bater o teste de Turing.

Recentemente, o Bank of America Merrill Lynch previu que em 2025 o impacto da AI na economia será de 14 a 33 trilhões de dólares. A McKinsey disse, em um estudo recente, que a AI está contribuindo para a transformação da sociedade acontecer 10 vezes mais rapidamente e 3 mil vezes mais impactante do que na revolução industrial. Logo, os investimentos estão acontecendo: em 2015, por exemplo, os investidores colocaram U$ 8,5 bilhões em empresas de AI, 16% mais do que no ano anterior e 4 vezes mais do que em 2010.

A Internet das Coisas está fazendo com que os produtos ou serviços possam conversar com as pessoas. A quantidade abundante de dados disponíveis na nuvem já está fazendo com que o Big Data se torne ainda mais onipresente. É claro que os Apps de empresas não vão acabar, mas irão se tornar cada vez mais desafiados. O Facebook Messenger possui hoje 1 bilhão de usuários. WhatsApp, Telegram, Slack, Kik, WeChat etc. não param de crescer.

Apesar das grandes corporações gastarem algumas dezenas de bilhões de dólares anualmente com suas operações de Call Center, os seus clientes já estão usando aplicativos de mensagens para conversar com elas; quer as empresas queiram ou não. O ecossistema das comunicações multicanal acaba de ganhar mais um importante meio de relacionamento interativo. Bem-vindo a era da conversação por Bots.

Sobre a Direct.One:

A Direct.One viabiliza o processo de transformação digital para envio de mensagens e documentos transacionais entre corporações e seus clientes, simplificando a geração, entrega e análise de comunicações multicanal, tanto digitais quanto impressas.

A plataforma em nuvem da Direct.One funciona como um orquestrador de comunicações multicanal e CCM, que utiliza Inteligência Artificial para personalização das comunicações com clientes.

Fundada em 2012, tem em seu portfólio de clientes as maiores empresas nos mercados de seguro, saúde, financeiro, varejo e telecomunicações. Importantes instituições nacionais e internacionais reconheceram a qualidade das soluções da Direct.One com mais de 16 prêmios conquistados, como: Ciab FEBRABAN, DMA Echo, Amauta, ABEMD, ADVB, Correios e CNseg. Também foi reconhecida pela revista americana CIO Review como uma das 100 empresas mais promissoras em Big Data de 2016 e foi selecionada pela Endeavor Global em 2015.

Mercados emergentes seguem sendo o motor do crescimento de seguros, segundo Swiss Re

O economista Francisco Galiza ressalta estudo da Swiss Re de que a economia global crescerá moderadamente em 2017 e 2018, com o PIB real dos EUA subindo mais do que 2%, a área do euro em cerca de 1,5%, o Reino Unido em 1,0-1,5% eo Japão em menos de 1%. A China crescerá em cerca de 6,5%, e a maioria dos mercados emergentes em 2 a 4%.

Os principais riscos para a perspectiva global são um queda mais forte de crescimento na China, os EUA apertando a inflação mais alta e as questões políticas em curso na Europa (por exemplo, Brexit). A eleição de Donald Trump como presidente eleito nos EUA levanta muitas incertezas, mas o impacto sobre a economia dos EUA, caso ocorra, só deverá ser mais sentida em 2018-2019.

O crescimento dos prêmios dos seguros não-vida será modesto, mas melhorará em 2018, sendo os mercados emergentes um motor nesse segmento.

O ambiente de preços nos seguros não vida permanece desafiador. Os preços nas linhas comerciais continuam a deteriorar-se, mas agora a um ritmo mais lento. Os lucros permanecem dependentes de baixas perdas de catástrofes e do comportamento das reservas. Os prêmios de vida irão crescer a um ritmo mais rápido do que o não-vida, sustentado pelos mercados emergentes. Prevê-se que os prêmios globais cresçam de 4 a 6% nos próximos anos.

O retorno sobre capital próprio para seguradoras de vida caiu de 13% no início de 2015 para 10% recentemente, devido aos retornos de investimento ainda fracos e pela pressão de preços.

Espera-se que o crescimento dos prêmios nos mercados emergentes seja mais favorável, uma vez que os preços das matérias-primas vêm melhorando, com a procura de seguros continuando a aumentar, especialmente nos países emergentes da Ásia.

Leia o estudo em ingles aqui

Previdência tem maior captação líquida do ano em dezembro, segundo Anbima

A captação dos fundos de previdência é o destaque do boletim de dezembro divulgado pela Anbima. A indústria de fundos registrou valores recordes na captação líquida em dezembro. O ingresso líquido de R$ 10 bilhões, o maior volume mensal já registrado pela classe Previdência, somou‐se aos ingressos de R$ 6,2 bilhões, em Renda Fixa, e de R$ 2,6 bilhões, em FIPs, resultando em uma captação líquida de R$ 17 bilhões, a maior da indústria para o mês de dezembro desde o início da série, em 2002. Com isso, a captação líquida da indústria em 2016 alcançou R$ 109,1 bilhões, a segunda maior da série, superada, apenas pela de 2010, quando registrou R$ 113,5 bilhões.

Com desempenhos expressivos em boa parte do ano, a classe Previdência registrou sua maior captação líquida mensal em dezembro, de R$ 10 bilhões, acumulando, também, o maior ingresso líquido de recursos no ano, de R$ 48,2 bilhões, ambos desde o início da série, em 2002. Passados os efeitos das mudanças nas regras de composição de carteira em 2013, que resultaram em rentabilidades negativas e afetaram a atratividade desses fundos, desde então a classe vem atraindo aportes líquidos crescentes, ao que tudo indica por representar, para os investidores, uma alternativa para a formação de poupança previdenciária.

A Brasilprev atingiu, na primeira semana de 2017, R$ 200 bilhões em ativos sob gestão. A companhia chega a esta marca histórica sendo líder em ativos sob gestão PGBL e VGBL, captação líquida PGBL e VGBL e arrecadação total. A empresa levou 19 anos para atingir os primeiros R$ 50 bilhões em ativos e, de janeiro de 2016 a janeiro de 2017, passou de R$ 150 bilhões para R$ 200 bilhões em apenas um ano.

“Este expressivo resultado é fruto de uma equipe de colaboradores engajada na missão de viabilizar projetos de vida, da força de vendas do Banco do Brasil e nossos mais de 130 consultores especializados, e da experiência global da Principal no mercado financeiro. Em paralelo, os movimentos demográficos, com maior expectativa de vida da população, tem despertado no brasileiro a preocupação em guardar dinheiro para o futuro e, para este fim, a previdência privada é um produto muito atrativo”, comenta Paulo Valle, diretor-presidente da Brasilprev.

Equipe vencedora de hackathon da Provider IT e IBM desenvolve app de aviso e acompanhamento de sinistros

Release

Durante a maratona de desenvolvimento, os competidores utilizaram APIs do IBM Bluemix para construir aplicativos e serviços modernos, sintonizados aos conceitos IoT e computação cognitiva com a tecnologia IBM Watson. Equipe vencedora desenvolveu aplicativo de aviso e acompanhamento de sinistros que reduz o custo operacional para as seguradoras e agiliza o atendimento ao cliente

Engajada às tendências mais inovadoras do mercado, a Provider IT, uma das principais consultorias e provedoras de serviços de TI do país, e a IBM, acabam de realizar no Rio de Janeiro seu primeiro hackathon em conjunto, uma maratona que teve como objetivo trazer soluções para os segmentos de seguros e finanças por meio do desenvolvimento de software. Ao longo de 48 horas, os participantes foram desafiados a desenvolver alternativas e soluções empregando a plataforma IBM Bluemix, que ajuda os desenvolvedores a construir e executar aplicativos e serviços na nuvem para dispositivos móveis e web, em sintonia com os conceitos de internet das coisas (IoT) e computação cognitiva – na IBM representada pela tecnologia IBM Watson.

“Este tipo de iniciativa tem impacto no que diz respeito a inovação, por meio do desenvolvimento de novas soluções aplicando as tecnologias mais avançadas, com criatividade, excelência técnica e, sobretudo, aderência real. Nós tiramos nosso time de desenvolvedores de suas rotinas de trabalho para que eles possam criar e desenvolver ideias que contribuam de maneira efetiva para novas soluções. Este tipo de desafio traz benefícios para todos os envolvidos”, ressalta Cristiana Berardo, responsável pela área de Sistemas Corporativos e Soluções Digitais da Provider IT.

O hackathon IBM – Provider IT reuniu um grupo de profissionais da área de programação de software da consultoria, que foram divididos em quatro equipes, sendo três delas desafiadas a criar soluções tecnológicas em formato de aplicativos voltados ao setor de seguros e uma equipe ficou responsável pelo desenvolvimento de uma solução direcionada ao segmento de Bancos e Finanças, todas utilizando os recursos da plataforma IBM Bluemix. Para isso, os programadores contaram com cinco apoiadores técnicos da IBM durante toda a realização do evento. Além disso, os desenvolvedores tiveram o suporte de outros cinco mentores da Provider IT que nortearam os grupos com visões práticas de negócios.

Os 16 participantes criaram quatro projetos. O grande vencedor foi o aplicativo de aviso e acompanhamento de sinistros, que reduz o custo operacional das seguradoras e agiliza o atendimento ao cliente. A solução vitoriosa foi escolhida por uma mesa de jurados, composta por executivos da Provider IT e da IBM, que avaliaram os projetos segundo critérios de ineditismo, impacto aos negócios e completude. “As soluções e ideias apresentadas durante o hackathon serão utilizadas pelos nossos executivos de conta em suas atividades de pré-venda e podem, em breve, ser incorporadas ao portfólio da companhia”, explica Berardo.

A estreita parceria da Provider IT com a IBM contribuiu para o sucesso da jornada de desenvolvimento. “Os desenvolvedores ficaram extremamente motivados com seus aplicativos e APIs implementadas via a plataforma IBM Bluemix. A diretoria da Provider IT acompanhou as equipes de perto, contribuindo no processo de revisão das ideias. Estamos certos de que a constante evolução da parceria com a IBM vai alavancar novos negócios por meio do Bluemix”, finaliza a executiva.

ARTIGO: Órteses e próteses: hora de abrir essa caixa-preta

por Solange Beatriz Palheiro Mendes, presidente da FenaSaúde

O ano de 2016 foi marcado por tragédias, crises e também escândalos nos mais diversos setores. No setor de saúde, mais uma vez, chamou a atenção a atuação da chamada máfia das próteses. Um dos mais prestigiados hospitais do Brasil, por exemplo, viu integrantes do serviço de cardiologia intervencionista envolvidos em fraudes e recebimento de propina de empresa fornecedora de órteses e próteses em troca de sua escolha para o fornecimento de materiais usados em tratamentos médicos. Na maioria desses casos, quem paga a conta desses esquemas é o plano de saúde e, portanto, todos os seus beneficiários. Esses escândalos trazem à tona uma das grandes e mais complexas caixas-pretas do sistema de saúde: a das órteses, próteses e materiais especiais (OPME). O custo anual ao sistema de saúde público e privado com as OPME foi de R$ 20 bilhões em 2014, sendo que os planos de saúde arcaram com R$ 12 bilhões desse montante.

Levantamento realizado pelo Instituto de Estudos da Saúde Suplementar (IESS) mostra que, entre 2007 e 2012, os gastos de uma operadora de plano de autogestão com as OPME aumentaram 120,4%, enquanto a variação de custos médico-hospitalares foi de 88,1% e o IPCA, 31,9% — ambas no mesmo intervalo de tempo. Em razão desse aumento desproporcional, a fatia dos custos referentes às OPME no total de despesas assistenciais cresceu de 30% para 38,6%. O peso desses itens nos gastos das operadoras de saúde vem crescendo 15% ao ano e decorre de alguns fatores: tecnologia avançada desses materiais; crescente utilização; patentes exclusivas de muitos produtos, o que gera monopólios; baixa concorrência entre fabricantes; e maior inclusão de uso desse tipo de material no rol de procedimentos da Agência Nacional de Saúde (ANS).

Os problemas, ainda, se acentuam devido à desregulamentação da comercialização desses itens, que, aliada à baixa concorrência de mercado, inflaciona os preços. A falta de diretrizes médico-hospitalares na utilização das OPME e a dificuldade das operadoras em contestar tecnicamente o uso específico, por exemplo, de material A ou B, deixam os gestores praticamente reféns dos preços aplicados no mercado. Outra questão, seriíssima, é o comportamento de alguns maus profissionais, que se dispõem a receber pagamentos de fabricantes ou distribuidores em troca da prescrição de determinados produtos ou marcas, a chamada “comissão”. Ao se combinar essas “comissões” com preços artificiais de um mercado de baixa concorrência, ausência de diretrizes sobre uso adequado, falta de conhecimento sobre tais práticas por parte dos consumidores e a extrema dificuldade em questionar determinada indicação médica, o resultado é explosivo: custos mais elevados e operadores de saúde sendo encurralados, com a crise batendo na porta.

Dados fornecidos pelos planos de saúde mostram diferenças nos valores cobrados pelo mesmo material — preços de stents cardiológicos, com droga de R$ 4 mil a R$ 22 mil; marca-passo CDI variando entre R$ 29 mil a R$ 90 mil, sendo cinco vezes mais caro do que na Alemanha, por exemplo. Segundo o Ministério da Saúde, o custo dos itens médicos — ao agregar taxas de importação, tributos, atravessadores, revendedores, “comissões” a médicos e a hospitais — é encarecido em até nove vezes, em relação aos preços originais de fábrica.

Para reverter o quadro, uma agenda positiva deveria incluir, entre outras medidas, implantar novo modelo assistencial na saúde suplementar, com marco regulatório próprio; estabelecer políticas para importação e distribuição, facilitando a concorrência; criar políticas regulatórias em diversas instâncias de governo focadas nas OPME e medicamentos de alto custo, com padronização de nomenclaturas, protocolos e normas de uso; definir um órgão responsável pela precificação das OPME; indicar critérios de aferição da qualidade dos produtos utilizados; manter negociações conjuntas por meio de centrais de compras para ter informações sobre boas práticas, sem prejuízo da autonomia médica; e, por fim, ações de inteligência coordenada para combate às máfias instaladas.

O que está em xeque, de fato, é a saúde dos consumidores, que estão se submetendo a intervenções cirúrgicas para implantes, em alguns casos, sem a real necessidade médica. Não basta abrir a caixa-preta das OPME, é preciso tomar medidas concretas para resolver esses verdadeiros casos de polícia.

Previdência aberta capta R$ 98,1 bi até novembro de 2016

Os aportes a planos abertos de caráter previdenciário (que incluem os PGBLs e os VGBLs) acumularam R$ 11,2 bilhões no mês de novembro, alta de 26,06% frente ao mesmo mês do ano anterior. A captação líquida (diferença entre o valor dos aportes e dos resgates) apresentou alta de 35% com saldo positivo de R$ 6,5 bilhões, de acordo com dados do balanço da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), entidade que representa 68 seguradoras e entidades abertas de previdência complementar no país.

No acumulado do ano, os aportes acumularam R$ 98,1 bilhões, evolução de 19,14%. A captação líquida apresentou um saldo positivo de R$ 49,4 bilhões, crescimento de 22,94%.

Os planos individuais foram os que mais receberam recursos no período. No total, foram aportados R$ 85,6 bilhões. Do volume de aportes a planos individuais, R$ 1,75 bilhão foi destinado a planos para menores. Os recursos destinados a planos empresariais, por sua vez, totalizaram R$ 12,49 bilhões em contribuições de janeiro a novembro de 2016. Na análise por modalidade de plano, o VGBL recebeu aportes de R$ 90,33 bilhões no período. O PGBL registrou contribuições de R$ 7,08 bilhões. Os planos tradicionais de acumulação registraram R$ 764,01 milhões.

Em novembro o sistema contabilizou 81.552 pessoas, incluindo menores, recebendo benefícios sob a forma de rendas programadas ou de pagamento único. No período, foram contabilizadas 12.927.359 pessoas com planos contratados. Desse total, 9.768.081 são pessoas com planos individuais e 3.159.278 pessoas com planos empresariais.

Resseguradoras lucram menos até setembro, segundo estudo da Terra Brasis

O volume de resseguro (bruto de comissão) cedido por seguradoras brasileiras foi de R$ 9,8 bilhões nos 12 meses findos em setembro de 2016, decréscimo anual de 0,2%, segundo relatório da resseguradora local Terra Brasis. “Houve uma queda nos meses de agosto e de setembro. Resta observar se isto é o início de uma tendência ou apenas um desvio momentâneo”, destaca o estudo.

Para este mesmo período, o volume de resseguro (bruto de comissão) emitido por resseguradoras locais provenientes de cedentes brasileiras foi de R$ 7,6 bilhões, aumento de 8,8% em relação aos R$ 6,9 bilhões apresentados no acumulado de 12 meses findos em setembro de 2015.

Nos nove primeiros meses de 2016, as resseguradores locais apresentaram lucro de R$ 663 milhões, ante um lucro de R$ 696 milhões no mesmo período de 2015. Nesse período, o IRB lucrou R$ 480 milhões e as demais resseguradoras R$ 183 milhões.

O volume de prêmio retido pelas resseguradoras locais, originado tanto de riscos no Brasil quanto de riscos angariados no exterior, continua a crescer. Nos dozes meses findos em setembro de 2016 este volume foi de R$ 5,46 bilhões, um crescimento de 15,1% frente aos R$ 4,75 bilhões dos dozes meses anteriores.

Modelo de multas anunciado pelo prefeito de SP já é rotina na AXA desde 2015

A idéia do prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), de multar os secretários que chegarem atrasados às reuniões e eventos do governo municipal, é uma prática já adotada por Philippe Jouvelot, CEO da AXA no Brasil, desde 2015. Os membros do comitê executivo pagam R$ 10 por minuto de atraso com teto de R$ 100. Isso vai para a caridade AXA DE TODO CORAÇÃO, que direciona os recursos às crianças carentes.

Já o prefeito de São Paulo vai cobrar de R$ 200 para até 15 minutos de atraso, podendo chegar a R$ 400. A medida foi anunciada ontem pelo prefeito antes da segunda reunião com os 22 secretários nesta quarta-feira.

Segundo Jouvelot, a cobrança foi instituída para trazer mais produtividade a todos. “Em 20 minutos muita coisa pode ser resolvida. Até mesmo encerrada a reunião com todos os pontos da pauta solucionados”, afirmou ele ao blog Sonho Seguro.

No começo, todos acharam que era brincadeira. Só que não. Um dos profissionais ficou responsável pelo registro do tempo de atraso e também pela cobrança do valor. Apesar das críticas, todos pagam e incorporaram a ideia como algo positivo. Desde a implantação da multa, as reuniões do comitê começam pontualmente as 8h30, com todos presentes na sala desde às 8h20. “Não tem mais filho doente, carro quebrado e pais no hospital”, brinca o CEO da AXA.

A AXA, um dos maiores grupos seguradores do mundo, está presente em 59 países, emprega 161 mil pessoas e serve a 103 milhões de clientes individuais e empresariais. Em 2015, somou 99 bilhões de euros em receitas e obteve resultado de 5,6 bilhões de euros. O grupo possui a marca de seguros mais valiosa do mundo pela sétima vez consecutiva, segundo ranking da consultoria global Interbrands. Vale lembrar que de acordo com a revista Fortune, a AXA desponta na 22ª posição do ranking das empresas mais inovadoras do mundo.

A companhia iniciou operações no Brasil em 2014 com foco em linhas comerciais, ofertando a empresas de todos os portes soluções em riscos patrimoniais, responsabilidades, seguros para pessoas e programas de afinidades. “Somamos R$ 621 milhões de prêmios em dois anos de operação no Brasil. Uma sociedade mais forte e mais segura se constrói com responsabilidade e competências”, ressalta em um de seus vários posts nas redes sociais.

Ao blog, contou que em 2017 a meta é chegar a R$ 1,1 bilhão. “Recebemos 5 mil pedidos de cotação de nossos corretores para seguros de empresas para vida, transporte e garantias. Temos de investir em pessoas, sistemas e manter a despesa baixa para entregar nossos produtos e serviços aos nossos corretores e clientes”.

Outra novidade para o ano é a estréia no segmento de saúde. Ele pessoalmente adora o setor e já investiu 10 milhões de euros em estudos e pesquisas para decidir de que forma entrará nesse segmento que enfrenta graves problemas no Brasil, como perda de receita com o desemprego que tirou 2 milhões dos planos de saúde, alta dos custos, fraudes e volume de desperdício muito acima da média considerada aceitável para a lucratividade das empresas.

Também está interessado em se juntar a outros executivos que entendem que o seguro de responsabilidade civil para acidentes de carro deve ser obrigatório como em outros países. Atualmente, uma parcela ínfima dos que compram seguro de carro contratam um valor adequado para indenizar terceiros que venham a ser prejudicados pelo segurado em um acidente.

“Estamos animados para contribuir e fazer um ano de 2017 melhor para nosso mercado de seguros, ainda mais desafiador, mais apaixonante, mais bacana! Que todas as pessoas de bem do mercado sejam mais felizes e recebam mais oportunidades na vida, bem como no trabalho”, escreveu o CEO a sua equipe no Facebook para desejar boas festas.

Jeito de francês mas de nacionalidade suíça Jouelot, já implantou operações da AXA em vários países. Mas o Brasil fisgou seu coração. Ele gosta tanto do país que afirma que manterá sua residência aqui, mesmo quando o contrato para colocar de pé a operação brasileira da gigante francesa terminar. “Certamente vou ficar morando aqui. Gosto de tudo. Das pessoas, do clima, das oportunidades de negócios que o país oferece. Há muito o que fazer para satisfazer clientes em busca de produtos e serviços de qualidade”, avisou.

Setor avança 8,2%, para R$ 210,6 bi, até novembro de 2016

O mercado segurador registrou vendas de R$ 210,6 bilhões de janeiro a novembro deste ano, avanço de 8,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. Se considerada a inflação do período, o crescimento real não chega a meio ponto percentual. Segundo estatísticas da CNseg, com base nos números apurados pela Susep, o segmento de seguros gerais arrecadou R$ 63,1 bilhões; vida e previdência R$ 128,7 bilhões; e capitalização R$ 18,7 bilhões. Márcio Coriolano, presidente da CNseg, informou em recente coletiva de imprensa, que a expectativa é de que o setor encerre 2016 com crescimento nominal de 9%, sem considerar o segmento de saúde suplementar. Para 2017, a estimativa é de crescimento consolidado entre 9% e 11%.

Release divulgado pela CNseg nesta quarta-feira informa que os últimos dados do segmento de saúde privada, a cargo da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), permanecem posicionados em setembro do ano passado. Até aquele mês, a arrecadação foi de R$ 120,7 bilhões, ou um crescimento de 12,2% contra igual período de 2015, mantendo o mesmo patamar de crescimento observado no primeiro semestre. É importante ressaltar que, até setembro, o mercado de seguros incluindo os planos de saúde arrecadou R$ 291,5 bilhões. Ou seja, a saúde suplementar representou 41% do total da receita dos seguros em termos amplos.

Marcio Coriolano destaca que o setor supervisionado pela Susep permanece com trajetória consistentemente ascendente: 5,7% até maio; 6,5% até julho; 7,2% até setembro; 8,2% até novembro. O executivo observa ainda que as principais contribuições para o incremento da arrecadação do setor no período de janeiro a novembro vieram do Seguro de vida individual: crescimento de 28,4%; VGBL, com expansão de 20,8%; Seguro Rural, com aumento de 10,1% (receita de R$ 3,3 bi, equivalendo a 1,6% do total da arrecadação do setor), Seguro Habitacional, com incremento de 10,1% (receita de R$ 3,1 bi = 1,5% do total); Seguros de Crédito e Garantias, com aumentou 8,9% (receita de R$ 2,7 bi = 1,3% do total).

Já o ramo de Seguro de Automóveis manteve o mesmo patamar de queda, fechando os 11 meses do ano com decréscimo de 2,7% (receita de R$ 28,6 bi, representando 13,6% do total arrecadado). Desempenhos negativos também foram observados nos ramos de Riscos de Engenharia (-25,2%); Seguro de Garantia Estendida (-9,7%); Capitalização (-3,5%); Planos Tradicionais de Risco (-6,4%); Seguros de Vida Coletivos (-0,5%).

Acesse aqui as estatísticas da CNseg

Disney será indenizada por morte de atriz Carrie Fisher

Fonte: CNseg

Um seguro milionário será recebido pela Disney em virtude das perdas provocadas à trilogia de Star Wars, dada a morte da atriz Carrie Fisher, ocorrida no último dia 27. Segundo a imprensa internacional, a Disney receberá US$ 50 milhões, segundo dados do Lloyds, de Londres, tendo em vista que Carrie Fisher não pôde cumprir seu contrato de três filmes na nova trilogia de Star Wars. Segundo especialistas, este é um dos maiores valores pagos a título de acidentes pessoais no mercado mundial.

Carrie Fisher havia terminado as cenas do episódio 8 de Star Wars, mas teria um papel de destaque no episódio seguinte. Com sua morte, haverá grandes mudanças na conclusão da trilogia. Fisher faleceu em Los Angeles, Califórnia, dias após sofrer um ataque cardíaco em um avião.