A fragilidade da classe média e suas consequências para o seguro

Fonte: Portal CNseg

Para lidar com a crise financeira mundial de 2008, comparável em tamanho à de 1930, os Estados Unidos injetaram muito dinheiro na economia, inclusive na América Latina, que recebeu o equivalente a 3,7% do PIB da região. Esse investimento foi bem maior, por exemplo, que o feito pelo Plano Marchall, de recuperação do Japão após a 2ª Guerra Mundial, que foi o equivalente a 1% do PIB. Em 2008, a China já vinha crescendo a passos largos, tornando-se uma grande importadora de commodities da América Latina e, independentemente do que diziam Lula e Bachelat, sendo a maior responsável por tirar milhões da pobreza na região e inseri-las na classe média, segundo Walter Stange, da ARS Advanced Risk Solutions, em sua apresentação sobre a fragilidade da classe média e suas consequências para o seguro, no 6º Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro.

Atualmente, porém, essa classe média está refluindo e o Brasil encontra-se em crise, apesar do pesado investimento no País. Mas, segundo Stange, isso não ocorre devido a uma falha da teoria do Efeito Multiplicador, de John Keynes, mas a outros problemas.

Antes, de prosseguirmos, porém, vamos entender melhor como funciona a teoria do Efeito Multiplicador:

Ex. Se um industrial decide fazer um investimento de 1 milhão na construção de uma nova fábrica, esse dinheiro vai para as famílias dos construtores e fornecedores da nova fábrica. Essas famílias, então, poupam uma parte – digamos 20% – e gastam os 800 mil restantes em bens de consumo, fazendo essa parte do capital inicial retornar à indústruia, que, mais uma vez, faz esse dinheiro retornar às famílias em salários, lucros e dividendos. Seguindo essa dinâmica, as famílias poupam 20% desse novo montante e retornam 640 mil à indústruia, que mais uma vez faz retorna às famílias, que mais uma vez, retornam à indústria os 80% correspondentes. Em algum monento, então, o total de capital poupado corresponderá ao montante incialmente investido na indústria.

A verdade é que a teoria de Keynes não previa que 10 a 15% do PIB fosse desviado em corrupção, como temos visto por aqui. Além disso, as elevadíssimas taxas de juros, particularmente ainda mais altas no crédito para a compra de bens de consumo, deixaram as famílias muito endividadas e o modelo insustentável. E, seguindo essa lógica, o consultor da ARS Advanced Risk Solutions prevê que essa crise pela qual o Brasil atravessa atingirá brevemente o resto da América Latina, que também não tem o hábito de poupar e também anda envolvida com a corrupção.

Como exemplo, citou o caso da Alemanha pós-guerra, cuja classe média, para voltar a se desenvolver, demorou 30 anos poupando. Além disso, de acordo com o economista alemão e ex-primeiro ministro da República Federal Alemã, Ludwig Erhard, citado por Walter, foi preciso também um forte incentivo à concorrência, com combate a monopólios e oligopólios, e uma forte estrutura de proteção aos consumidores.

Mas se a poupança é tão importante, “como evitar que essa nova classe média cair na armadilha do crédito fácil?”, indagou o palestrante. “Com educação financeira”, respondeu ele mesmo, “mas não só isso”. A verdade é que, segundo ele, só educação financeira não basta. Países como EUA, Suíça, Suécia, Canadá, França, entre outros, impõem limites aos juros do crédito. Além disso, na Suíça, por exemplo, há mais de 15 seguros obrigatórios, à semelhança de muitos outros países europeus, contribuindo para a proteção de bens básicos. “O sistema de livre mercado funciona, mas precisa de regras. A crise que vivemos não é por causa da globalização, mas justamente por falta dessas regras”, afirmou. Crise que afeta diretamente a ind ústria seguradora, que vê os prêmios reduzirem e crescer as fraudes em um ambiente de queda de produtividade e aumento dos riscos políticos.

“E quanto à injeção de capital na economia brasileira com a liberação das contas inativas do FGTS? Isso foi positivo?” Indagou o coordenador da mesa e superintendente-executivo técnico da CNseg, Alexandre Leal. “Sim, é positivo, mas o buraco é muito mais em baixo. O equivalente a 8 a 15% do PIB”, respondeu Walter Stange, para quem só conseguiremos superar essa crise quando acabarmos com a corrupção e resolvermos o problema de endividamento da classe média.

Agenda: CPES promove seminário sobre seguro peer-to-peer

Fonte: Escola Nacional de Seguros – Funenseg

O conceito de peer-to-peer (de pessoa para pessoa) remete à ideia de economia compartilhada. Na última década, esse modelo se tornou popular em diversos mercados e foi impulsionado, principalmente, pelo desenvolvimento da internet e das redes sociais.

Com o intuito de esclarecer a abrangência desse formato no mercado de seguros, o Centro de Pesquisa e Economia do Seguro (CPES), da Escola Nacional de Seguros, irá ministrar, em São Paulo (SP), o seminário “Uma Visão Geral do Seguro Peer-to-Peer”.

Agendado para 4 de maio, às 18h30, o evento terá o mestre em Ciência Atuarial, Yuri Rosembaum, como palestrante, e o CEO da RGA Global Reinsurance Company, Ronald Poon Affat, como debatedor.

As inscrições são gratuitas pelo www.cpes.org.

Mondial e Unidas se unem para ofertar desconto ao cliente

A Mondial Assistance firma parceria com a locadora Unidas para oferecer benefícios exclusivos para quem vai viajar pelo território nacional. Todos que adquirirem o seguro viagem pela Mondial Assistance poderão usufruir de 5% de desconto para reservas de veículos no Brasil. Para obter o desconto basta comprar o seguro viagem no site www.mondialtravel.com.br e as informações serão enviadas no e-mail de confirmação. Mario de Almeida, gerente de marketing da Mondial Assistance, ressalta que o modo de viajar com um itinerário tranquilo é uma tendência e vem se tornando cada vez mais popular. “Ter um veículo à disposição é sempre uma boa alternativa”. Paulo Chequetti, Diretor Comercial de Rent a Car da Unidas, destaca a importância dessa parceria “Além de viajar seguro e sem preocupação, o turista pode usufruir da parceria que proporciona mais economia”.

HDI é a mais nova parceira do Ituran com Seguro

A Ituran, líder no setor de rastreamento automotivo, acaba firmar uma nova parceria com a HDI Seguros, uma das três maiores seguradoras da Alemanha e entre as cinco maiores do Brasil, que agora passa a integrar o portfólio de parceiras da empresa.

“Nos últimos anos, constatamos um aumento significativo de clientes que buscam seguros com valores mais adequados às suas realidades atuais de vida econômico-financeira, e o nosso produto atende à esta demanda perfeitamente. A HDI entra para reforçar esse time de seguradoras multinacionais ao lado da Cardif, Liberty, Mapfre e QBE”, destacou Roberto Posternak, diretor comercial da Ituran, afirmou em nota.

A empresa já comercializa o Ituran com Seguro há cerca de 8 anos, garantindo a cobertura de Perda Total decorrente Roubo ou Furto e assistência 24horas. O seguro custa a partir de R$69,90 por mês, e sua contratação não requer análise de perfil para definição da mensalidade, sendo aceitos veículos até R$ 150.000,00 da Tabela FIPE e com idade até 20 anos de fabricação.

Para Euclides Naliato, diretor regional da HDI Seguros em São Paulo, a parceria com a Ituran possibilita oferecer um seguro com as principais coberturas a um preço acessível. “Em um momento de dificuldade da economia, devemos estar atentos e abrir oportunidades para continuarmos levando às pessoas serviços de qualidade adequados às necessidades atuais. Quem adquirir o produto da Ituran estará protegido com indenização integral no caso de roubo e furto e poderá utilizar toda a rede HDI Bate-pronto, que é um dos nossos diferenciais no mercado em termos de atendimento”, explica Naliato.

As indenizações realizadas pelas seguradoras são de 100% do valor do carro pela Tabela FIPE. É possível contratar Coberturas adicionais contra Terceiros e Perda Total por colisão. “Por não exigirmos análise de perfil ou consulta aos órgãos de proteção ao consumidor, além do preço, essa modalidade é um meio atrativo de proteção. Estamos felizes com essa parceria com a HDI que demonstra, cada vez mais, que estamos no caminho certo”, finaliza Posternak.

Captação líquida de previdência aberta chega a R$ 10 bi no trimestre

A captação dos fundos de investimentos tem um grande destaque: os fundos de previdência. Segundo dados divulgados hoje pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), os fundos de previdência receberam aportes de R$ 10 bilhões até março, muito acima dos R$ 4,7 bilhões registrado no mesmo período de 2016. Foram aplicados R$ 63,7 bilhões e os resgates totalizaram R$ 53,6 bilhões. A captação líquida total da indústria de fundos no primeiro trimestre foi de R$ 108,6 bilhões.

A indústria toda de fundos de investimento tem PL de R$ 3,7 trilhões até março deste ano. O patrimônio de previdência chegou a R$ 647 bilhões do total.

Os fundos de renda fixa registraram aportes de R$ 74,2 bilhões no primeiro trimestre, o que corresponde a 4,42% do patrimônio líquido da categoria. Os multimercados tiveram ingressos líquidos de R$ 20,2 bilhões. Um resultado e tanto comparado com o saldo negativo de R$ 29,6 bilhões dos três primeiros meses de 2016. Os fundos de ações totalizaram R$ 2,6 bilhões líquidos, retomando o resultado positivo ante a o saldo negativo de R$ 4,3 bilhões no primeiro trimestre de 2016.

FCB Brasil é a nova agência de publicidade da Liberty Seguros

A Liberty Seguros anuncia a FCB Brasil como a nova agência de publicidade para a marca. O processo de seleção foi liderado pela SCOPEN, empresa espanhola especialista em medição de mercado e em concorrências, e durou cerca de quatro meses. A agência será responsável pela gestão e publicidade off-line da seguradora.

“O nosso objetivo é estar cada vez mais próximos e presentes no cotidiano do público, reforçando o compromisso em oferecer um atendimento excepcional para clientes e corretores”, diz Patricia Chacon, diretora de Marketing e Estratégia, da Liberty Seguros. “Estamos muito otimistas com a parceria com a FCB, uma agência que prioriza as relações entre as marcas e seus consumidores”, completa.

“É muito estimulante começar o ano com novas oportunidades. A chegada da Liberty é uma chance de repensar em como a publicidade pode transformar a visão do público sobre um setor considerado tradicional. Estamos prontos para esse novo desafio”, diz Aurelio Lopes, Presidente da FCB Brasil.

Equilíbrio do indivíduo depende de fatores como família, alimentação e sono revela estudo da SulAmérica

A SulAmérica realizou um estudo inédito que mostra a correlação entre fatores como hábitos de saúde e relacionamentos interpessoais com o equilíbrio emocional dos indivíduos. A pesquisa, que avaliou durante dois anos um grupo de 13.550 segurados da companhia, teve como objetivo mapear a conexão da saúde emocional com outras áreas da vida.

Os dados confirmam que a avaliação sobre a própria saúde emocional é influenciada pelas condições de bem-estar em um sentido abrangente, que inclui desde a qualidade do sono e da alimentação até a proximidade com familiares e amigos. As informações reforçam a relevância da campanha da Organização Mundial da Saúde (OMS) de combate à depressão no Dia Mundial da Saúde, que ocorre nesta sexta-feira (7/4).

No centro do levantamento está a nota, de 0 a 10, atribuída pelos participantes da pesquisa para a própria saúde emocional e o cruzamento desse índice com mais de 100 variáveis. Observou-se, por exemplo, que as mulheres apresentaram uma percepção mais negativa em relação ao próprio estado emocional do que os homens, com média de 6,82 ante 7,30 deles. Além disso, 41% das seguradas informaram sentir tristeza, depressão ou desânimo com frequência, enquanto 26% dos homens reportaram a mesma condição, e a quantidade de mulheres que passaram por situações recentes de estresse é 30% superior à de homens.

A saúde física também mostrou forte relação com o equilíbrio emocional. A nota média entre os respondentes que apresentam excelentes condições físicas foi de 9, enquanto, no outro extremo, o índice foi de 4,6. O levantamento aponta variações, por exemplo, de acordo com o Índice de Massa Corporal (IMC), com média de 7,3 no peso considerado saudável e de 6,5 na faixa de obesidade, e com a quantidade de horas dormidas por noite, com média de 7,4 entre os que dormem mais de oito horas e de 6,3 entre os que pulam da cama antes das cinco horas de sono. No âmbito da alimentação, cuja nota de saúde emocional varia entre 6,5 e 7,5, 82% da geração Baby Boomers (nascidos de 1946 a 1964) reportaram hábitos saudáveis, enquanto somente 46% da geração Z (a partir de 1991) afirmaram se alimentar adequadamente.

Outro fator relevante identificado na pesquisa é o das relações interpessoais. A forte proximidade com familiares e amigos, reportada por 30% dos respondentes, eleva a nota de saúde emocional de 6,2, média entre os que não têm vínculos tão fortes quanto gostariam, para 7,7. Destaque para o grupo de homens com relacionamentos marcados por forte proximidade, cuja média chega a 8. Na área profissional, as questões de ordem emocional, como depressão e ansiedade, foram apontadas pelos segurados como uma das principais causas da dificuldade de concentração no ambiente de trabalho.

“O estudo ressalta a importância de uma visão mais abrangente e integrada em relação ao cuidado da saúde e do bem-estar, considerando a conexão e o equilíbrio entre as diversas áreas da vida. Os dados indicam que o bem-estar emocional e psíquico, inerente à qualidade de vida, pode ser impulsionado pela adoção de um estilo de vida mais saudável, pela atenção redobrada à reações emocionais cotidianas, pelo controle do estresse, pela construção de uma rede de apoio, dentre outras ações. Nesse sentido, a predisposição individual para a mudança conta muito, assim como o adequado acompanhamento médico e especializado”, destaca a diretora de Relacionamento com Prestadores de Saúde e Odonto da SulAmérica, Tereza Veloso.

Um resumo dos debates e estudos do 6º Encontro de Resseguro

Passados 10 anos da promulgação da abertura mercado brasileiro de resseguros, o resultado é comemorado por todos. Mesmo faltando alguns ajustes nas regras, o Brasil já é considerado um mercado global. O setor conta com 123 resseguradores entre os maiores do mundo para ofertar capacidade e produtos aos clientes brasileiros”. Dos 40 maiores grupos resseguradores mundiais, 38 operam regularmente no Brasil. Veja abaixo um resumo dos temas debatidos no 6º Encontro de Resseguro, realizado entre os dias 5 e 6 de abril, no Rio de Janeiro, divulgados pela CNseg.

Resseguro Abertura – Mais de 600 executivos participaram da abertura do evento que comemora os 10 anos de mercado livre desse importante braço de suporte das operações de seguros no País. O evento teve recorde de público e de patrocinadores. Em discurso, o presidente da CNseg, Marcio Coriolano, assinalou que o mercado de seguro demostrou resiliência mesmo com o agravamento da crise econômica, ao exibir expansão nominal bastante razoável. No ano passado, o mercado cresceu 9,2%, alcanç ;ando, sem contar com saúde suplementar, R$ 239 bilhões em 2016. Com a inclusão do faturamento estimado das operadoras de saúde, na casa de R$ 160 bilhões, a chamada receita do mercado ampliado de seguros atingiu quase R$ 400 bilhões. “Em 2016, ano crítico para o País, depois de um 1º trimestre decepcionante, as taxas se recuperaram gradativamente e, ao final do ano, obtivemos crescimento de 9,2%, portanto apenas um ponto percentual abaixo do ano anterior”, destacou Coriolano, segundo divulgou o portal da CNseg. “Neste início de ano, os números dos dois primeiros meses apontam para uma satisfatória estabilidade, já que, em fevereiro, considerando-se o acumulado dos últimos 12 meses, alcançamos uma evolução de 10,6% sobre igual período do ano anterior, voltando, portanto, ao mesmo nível de 2015”, lembrou ele.

Resseguro Cenário – O presidente da Fenaber, Paulo Pereira, fez um breve balanço dos 10 anos de mercado de resseguros livre. No período, o mercado saiu de um órgão monopolista de resseguros para 128 players presentes no País; e a receita pulou de R$ 3,8 bilhões por ano para os atuais R$ 10 bilhões de 2016, destacou ele, reclamando que ainda há alguns nós regulatórios que podem frear o potencial de crescimento. Pereira destacou o parecer da Receita Federal sobre o Imposto de Renda do ressegurador admitido, que, por esse entendimento, deve pagar o imposto como s e fosse local. “O impacto pode ser muito grande, com consequências imprevisíveis”, afirmou. Pereira criticou também o projeto de Lei do Seguro já aprovado na Câmara e que será votado no Senado: “Entendemos que resseguro não deve ser tratado como seguro. Colocar os dois na mesma lei pode confundir o Judiciário.”

Resseguro Incentivos – Terminou ontem o evento promovido pela CNseg no Rio. A conclusão foi que o mercado avançou muito nesses 10 anos, mas é necessário reduzir entraves como a excessiva burocracia e a elevada carga tributária que recai sobre as resseguradoras. Segundo o presidente do IRB Brasil Re, Tarcísio Godoy, que falou hoje na plenária “Perspectiva para o Seguro e o Resseguro no Brasil”, só 10% dos prêmios segurados no país são ressegurados. “Há grande espaço para avançar”, disse. “Mas precisamos competir em igualdade de condições com as estrangeiras para transformar o Brasil em polo ressegurador.” Hoje as resseguradoras nacionais pagam 45% de tributos sobre a atividade. “É quase um confisco”, afirmou.
Resseguro Custo Brasil – No mesmo painel, o presidente da Transatlantic Reinsurance Company, Javier Vijil, reclamou do custo da atividade no país. “O custo Brasil é significativo. Os resultados são muito baixos, o que torna o mercado brasileiro menos atraente. Os novos donos do capital no exterior exigirão maiores retornos, pelo risco do capital investido”, disse. “É preciso tornar o mercado fácil para que as empresas atuem e baratear o produto para o cliente.” Para ele, porém, o balanço dos dez anos de mercado aberto no Brasil &eac ute; positivo. “Provavelmente poderia ser melhor, mas foi um passo na direção correta.”

Resseguro Internacionalização – Rodrigo Botti, da Terra Brasis Resseguros, destacou a necessidade de as companhias brasileiras do setor se internacionalizarem, principalmente na América Latina, devido aos riscos de catástrofes naturais nos países próximos, como terremotos e tsunamis. “O Brasil está muito bem posicionado para absorver parte desses riscos, para ajudar nossos vizinhos, oferecendo serviços de resseguro. É uma oportunidade que nós temos, bastante significativa.”

Resseguro Economia – o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Fábio Kanczuk, destacou a melhoria do ambiente econômico no país, em consequência de medidas como a emenda do Teto dos Gastos e as reformas trabalhista e previdenciária. “O país começou a dar sinais positivos e finalmente está saindo da recessão”, afirmou. “O problema é que nos últimos anos as empresas se alavancaram muito, as famílias se endividaram, e esse processo ainda tem que terminar. Não d&aa cute; mais para ter crédito subsidiado.” Em relação à Previdência, Kanczuk disse que o governo pretende acabar com “pseudogenerosidades”. “Se conseguir acabar com elas, o sistema se equilibra e tudo melhora. O motivo mais explícito para a reforma é que o país vai quebrar e as pessoas não terão aposentadoria nenhuma.” Já em relação ao mercado de seguros e resseguros no Brasil, que hoje representa cerca de 4% do PIB, Kanczuk vê também grande potencial de crescimento. “O seguro é um bem superior, vai crescer bem mais que o PIB.”

Resseguro Saúde – houve consenso de que é necessário ampliar o mercado de resseguro na área de saúde, sobretudo para atender às pequenas e médias seguradoras, mais suscetíveis a problemas financeiros. Leandro Fonseca, diretor de Normas e Habilitação das Operadoras da ANS, disse que “o resseguro é uma forma potencial de diminuir esses riscos em operações do mercado”. “Estamos falando de um negócio de R$ 160 bilhões e com possibilidade muito grande de crescimento”, afirmou Valter Hime, diretor da Sompo Saúde Seguros. Arthur Sanches, responsável pela área de Subscrição de Contratos Automáticos, Vida e Saúde da Terra Brasis Resseguros, explicou que o resseguro funcionaria como uma cobertura extra para amenizar os custos de procedimentos médicos imprevistos. A mediação do painel foi do advogado e consultor Antônio Penteado Mendonça.

Resseguro Fundos e D&O – Fábio Torres, consultor jurídico na área de seguro e resseguro, enfatizou a importância da transparência para a regulação dessa modalidade de cobertura, voltada para administradores de empresas e instituições. Segundo ele, é fundamental que as informações do sinistro sejam especificadas de acordo com a área de atuação da empresa envolvida, de forma a não permitir subjetividades na análise dos casos. “Se não houver transparência, em hipótese a lguma pode haver seguro de D&O.” O painel, mediado por Gustavo Galrão, coordenador da subcomissão de Linhas Financeiras da FenSeg, teve ainda a participação de Vinicius Caldas de Lucca Souza, diretor de Financial Lines da JLT Brasil Corretora de Seguros.

Resseguro Brexit – O chefe da Lloyd´s para a América Latina, Daniel Revilla, disse que a saída do Reino Unido da União Europeia não afeta em nada as empresas brasileiras que contratam seguros e resseguros em Londres. De acordo com ele, o Brexit atingirá apenas as relações das resseguradoras britânicas com as companhias europeias, que representam 11% do faturamento da Lloyd´s (contra 45% das empresas norte-americanas). Essas relações, disse, ainda serão acertadas entre a UE e o governo britânico.”Se os objetivos n ão forem alcançados, mercados como Bermudas e Cingapura vão aproveitar o vazio e abrir escritórios na Europa.”

Resseguro Cyber – O prejuízo causado pelos ataques cibernéticos no mundo chegam, hoje, à casa dos US$ 90 bilhões por ano, segundo novos dados do Interamerican Development Bank. Na América Latina os dados são preocupantes: 11% de todos os negócios no continente sofreram com ofensivas cibernéticas nos últimos 12 meses. O levantamento, feito pela especialista da TransRe, Kara Owens, palestrante de hoje à tarde no painel “A Evolução do Risco Cibernético e seu Impacto no Seguro”, mostra que o Brasil registrou em 20 15 crescimento de quase 200% dos casos de ataques cibernéticos, em relação ao ano anterior. “Há 10 anos não se pensava em dispositivos médicos e TVs sendo hackeados”, comentou. Além das empresas de grande porte, observa-se o crescente interesse das médias e pequenas empresas na contratação de seguros contra riscos cibernéticos.

Resseguro Futuro – Na plenária “O Futuro das Organizações”, o palestrante Tiago Matos, da empresa Perestroika, enfatizou a necessidade de as companhias se adaptarem à nova era digital, que segundo ele vai substituindo a era industrial. “O mercado digital vai predominar, mas muita gente vai se apegar à era industrial, que é cada vez menor e vai ficar irrelevante.” As mudanças, afirmou, vão afetar totalmente a organização interna das empresas. “Elas têm que entender que não existe um grupo de pessoas q ue sabe mais e outro que sabe menos. Não pode existir hierarquia. Todos sabem algo e devem trocar conhecimentos.” No mesmo painel, a subscritora de Responsabilidade Civil da Swiss Re Brasil, Katia Miyaki, disse que os clientes hoje estão 100% conectados e exigem novas formas de contato com a empresa. “Temos que nos adaptar, é uma questão de sobrevivência. O primeiro passo é uma mudança de mentalidade, para entender as novas tecnologias e produzir coisas mais interessantes.”

Resseguro Saúde – O diretor presidente da ANS, João Carlos de Souza Abrahão, voltou a pedir que as resseguradoras criem planos para as operadoras de saúde, lembrando que a agência reguladora, nesse sentido, têm feito ações para ampliar a transparência e governança do setor, necessárias para dar a previsibilidade exigida nos negócios de resseguros.
Resseguro Susep – O superintendente da Susep, Joaquim Mendanha de Ataídes, destacou estudos para aproximar as práticas das seguradoras e resseguradoras brasileiras dos mercados globais e deu a entender que, na próxima reunião do CNSP deverão ser aprovadas novas medidas em prol do fortalecimento de seguros.

Resseguro Macroeconomia – Na plenária “Perspectivas para a Economia no Brasil”, mediada por Claudio Contador, da ENS, o economista Alexandre Schwartsman, do Insper, analisou as razões da crise brasileira, ressalvando que já se nota “algum progresso”: “O país vem num processo de recuperação, mas bastante lento”, afirmou, destacando a queda recente da inflação e dos juros, segundo release divulgado pela CNseg. “A queda dos juros deve ter o efeito de deter o processo de queda das vendas e dos investimentos.” Ele lembrou também a aprovação da PEC do Teto dos Gastos como positiva para reequilibrar a economia e as contas do governo. “Estamos bastante perto do final da recessão.” Para Schwartsman, o principal problema brasileiro é a questão fiscal, já que as despesas federais cresceram de menos de 14% do PIB, em 1997, para quase 20% em 2016. A maior parte dessa expansão, disse, foram as aposentadorias, que representavam 4,9% dos gastos há 20 anos e saltaram para 8,1% no ano passado. “E o Orçamento no Brasil é bem inflexível. A capacidade do governo de mexer nas suas despesas é menos de 10%”, disse. Segundo ele, a questão fiscal só será resolvida com aprovação da reforma da Previdência, que gasta, entre pensões e aposentadorias, de 12% a 13% do PIB, podendo alcançar 20% em 15 anos. “Na ausência da reforma previdenciária, o te to de gastos não se sustenta”, afirmou.

Resseguro Crescimento Sustentável – “A fragilidade da classe média e suas consequências para o seguro” foi o tema do painel apresentado por Alexandre Leal, diretor executivo técnico da CNseg. O palestrante Walter Stange, fundador e sócio da ARS Advanced Risk Solutions, traçou um histórico do surgimento da chamada nova classe média em países como o Brasil. Segundo ele, é preciso estabelecer bases mais sustentáveis para o crescimento dessa classe, que está no centro da atual crise econômica e enfrenta problemas sistêmicos, como o en dividamento excessivo. Tais bases consistiriam em educação financeira e um maior incentivo governamental à cultura do seguro. Para ele, o crescimento sustentável depende de um planejamento de médio e longo prazo.

Resseguro Vida – As soluções mais eficientes de subscrição em seguro de vida, que segundo pesquisas divulgadas nos paineis técnicos precisam ser adotadas para elevar a penetração no Brasil, seriam aquelas que permitissem ao segurador e ao ressegurador identificar o real risco do consumidor para precificá-lo da melhor forma. Como exemplo de inovação, Alessandra Monteiro, subscritora do IRB-Brasil Re, citou a subscrição através de reconhecimento facial. Com uma simples selfie do proponente é possível observar padrões relacionad os a saúde, levando em consideração as características da face. Com a imagem o programa pode identificar informações relacionadas a idade, gênero, IMC e hábito de fumar, explicou Alessandra. Outra ferramenta interessante é a inteligência cognitiva, que otimiza o uso de informações disponíveis para melhorar a análise e subscrição do risco. Os gadgets de monitoramento também são uma ferramenta interessante e já há seguradoras criando os seus próprios para monitorar o cliente e desenvolver soluções personalizadas, elaborando estudos comportamentais, conta a revista Apólice.

Resseguro Vida Pesquisa – Para identificar a barreira que impede o consumo de seguro foi realizada um pesquisa com consumidores que revelou as seguintes barreiras para o consumo: Comunicação 25%, Preço 23%, Recompensas 21% Melhores serviços 20%, Personalização de produtos 18%.

Corretores de seguros discutem futuro do setor com mudança no perfil do cliente

Fonte: Sincor-SP

O Sincor-SP, em conjunto com as entidades do mercado de seguros, promoveu na quarta-feira (05/04), o 1º Encontro com Entidades do Mercado de Seguros, que teve como tema “Distribuição de seguros – Essa força é nossa!”, reunindo exclusivamente corretores de seguros do Estado de São Paulo.

O evento trouxe reflexões sobre o atual momento da distribuição de seguros no País, a mudança no comportamento do consumidor e a necessidade da “disrupção” nos processos convencionais de atendimento ao cliente.

“Os corretores são empresários da distribuição de seguros. Em 1960, tínhamos um excelente formato de vendas com o seguro de acidentes de trabalho. Em 1990, chegaram os seguros massificados e, em 2005, passamos a conviver com a força da internet, mudando significativamente o perfil do consumidor”, disse o presidente do Sincor-SP, Alexandre Camillo, na abertura do evento. Para ele, o corretor de seguros precisa adotar uma postura de transformação, de coragem, de disrupção do passado, para conquistar as novas gerações.

O segundo painel do evento abordou o tema “Mercado mundial de seguros – o que vem por aí”, conduzido pelo sócio no escritório de São Paulo da consultoria Mckinsey & Company, João Leandro Bueno, e mediado pelo fundador da Minuto Seguros e coordenador da Comissão de Tecnologia do Sincor-SP, Marcelo Blay.

Segundo Bueno, o mercado de seguros, do ponto de vista global, tem crescido em torno de 5% ao ano. Já a categoria dos corretores de seguros ultrapassa esse percentual, alcançando 7% de aumento. “Apesar de tudo o que acontece com a evolução digital, o canal de distribuição de seguros pelo corretor continua sendo o principal”, apontou.

Entretanto, segundo o especialista, mundialmente, a distribuição dos seguros de vida e VGBL tem sido feita predominantemente pelos bancos. Enquanto que as vendas dos ramos não vida, como auto e saúde, continuam nas mãos dos corretores de seguros.

“Nossa corretora de seguros apresentou desde o início uma proposta de presença no ambiente digital, mas sempre disponibilizando ao consumidor o atendimento humano, direcionado. Então, estar sensível às novas tecnologias é fundamental para qualquer modelo de negócios”, pontuou Marcelo Blay.

No último painel, “Papo reto com lideranças do mercado de seguros de São Paulo”, as entidades do setor estiveram reunidas discutindo temas e desafios vivenciados pela categoria. Os corretores de seguros puderam participar de 13 enquetes relacionadas aos temas: previdência privada, sistema de gestão, plataformas digitais, remuneração sustentável, entre outras.

A iniciativa foi organizada pelas entidades: Aconseg-SP, Camaracor, pelos Clubes dos Corretores de Seguros das regiões ABC, Costa da Mata Atlântica, Osasco, Piracicaba, São José do Rio Preto, São Paulo, Taubaté, Vale do Paraíba e Vale do Ribeira, e UCS.

O evento, que faz parte de uma trilogia de encontros que serão promovidos pelo Sincor-SP, visa discutir o futuro da corretagem frente aos novos desafios. O tema continuará sendo desenvolvido no Encontro dos Corretores de Seguros Empreendedores, que acontece de 10 a 20 de abril, e encerrado no Oficinas de Empreendedorismo, em Mogi das Cruzes.

MASSIFICADOS: Um longo caminho a percorrer para conquistar consumidores

Fortalecer a marca e usar as facilidades digitais para aproximar as empresas do consumidor. Esse foi o tom das palestras do evento Fórum S2 – Gestão & Distribuição de Seguros Massificados, realizado nos dias 5 e 6 em São Paulo. Eduardo Gonçalves Nunes Di Loreto, gerente de produtos e serviços financeiros da Lojas Marisa, afirmou que o varejo já aprendeu duramente como vender seguro, um produto que traz grande rentabilidade para as varejistas, que lutam com margens apertadas impostas pela concorrência do setor, queda das vendas e pressão do aumento de custo que pressionam o lucro líquido do setor. “O seguro e serviços de assistência fidelizam o cliente e criam um relacionamento de longo prazo”, ressaltou Loreto em sua apresentação.

O aprendizado veio das milionárias multas aplicadas pelo Ministério Público para punir a venda casada, principalmente relacionada ao seguro de garantia estendida, desenvolvido para aumentar o tempo de proteção de produtos contra defeitos de funcionamento. Em janeiro de 2015, para citar apenas um dos casos, o Ministério da Justiça multou as principais varejistas de eletrônicos e eletrodomésticos do país em cerca de R$ 29 milhões por venda abusiva de seguros. Segundo divulgou o Ministério da Justiça na época, entre 2005 e 2012, a Casas Bahia receberam 13.057 reclamações de consumidores com relação à garantia estendida, o Ponto Frio, 14.031; Magazine Luiza, 9.068 e Ricardo Eletro, 33.367.

Isso foi um baque grande para as varejistas, que vinham ganhando muito dinheiro com seguro. Tanto pelo comissionamento pago pelas seguradoras pelo ponto de vendas como também pelos contratos de exclusividade. Entre os acordos mais recentes anunciados temos o da Lojas Marisa, que informou no final de março que firmou contratos com a Assurant Seguradora e a Assurant Serviços para a comercialização pela companhia de produtos de seguros e assistência. O contrato têm prazo de cinco anos e a varejista receberá R$ 75 milhões, a título de antecipação, em duas parcelas, em março e junho de 2017.

Outros contratos ilustram bem o cenário do seguro no varejo no Brasil. A Via Varejo e sua subsidiária Cnova anunciaram em dezembro passado um acordo com a Zurich Brasil, líder do segmento de afinidades em diversos nichos, para a venda e distribuição exclusiva de apólices, certificados e bilhetes de seguro. Em fato relevante a Via Varejo, dona das marcas Casas Bahia e Ponto Frio, informou que em contrapartida à exclusividade e a título de adiantamento de remunerações pela venda dos produtos, a Zurich pagaria à varejista e à Cnova o valor total de R$ 270 milhões. O valor poderá ser compensado com vendas de produtos de seguro dentro dos próximos seis anos, nos termos do contrato.

Outro bom exemplo. Em setembro de 2016, a AXA fechou um contrato de seguros com a varejista Pernambucanas que prevê vendas no valor de R$ 2 bilhões em prêmios, tornando a rede varejista o maior cliente da seguradora francesa no Brasil.

Em dezembro de 2015, a rede Magazine Luiza recebeu R$ 330 milhões pela renovação da aliança estratégica entre a seguradora própria Luizaseg e o BNP Paribas Cardif, parceiros desde 2002, quando a rede varejista passou a comercializar o seguro Proteção Financeira, que garante o pagamento de compras financiadas em caso de desemprego ou outras perdas de renda. O Magazine Luiza, por meio do Luizaseg, oferece também seguros de vida, residencial e garantia estendida.

Além dos grandes varejistas, as seguradoras disputam também médios e pequenos varejistas, concessionárias de serviços, administradoras de cartões de crédito e todos os clientes que possuem um bom banco de dados de pessoas para as quais pode ser ofertado seguros e assistências, como comentou André Gregori, CEO da thinkseg, uma empresa que ainda nem foi lançada (talvez neste mês), mas que já desperta a atenção dos concorrentes pela potencialidade da tecnologia que já inclui Big data, Internet das Coisas, Telemetria, Marketing Digital e Robochats, com protocolo superior a 300 colunas de várias respostas e que aumentam com a experiência do dia a dia.

Gregori define a thinkseg como um marketplace, um lugar que une corretor, seguradora e cliente. Ele promete trazer novidades ao mercado com o lançamento da empresa que depende da aceitação do aplicativo pela Apple. O app da thinkseg já está no GooglePlay. “Somos uma plataforma que quer trazer uma experiêncica de seguros simples, agradável e individual. Com certeza ninguém aqui paga mais energia, celular ou água do que consome. Essa mesma noção é que estamos trazendo para seguros”, afirma o CEO da thinkseg em sua apresentação.

Segundo os especialistas, de nada adianta transportar produtos com seus dizeres e formato de folders de venda tradicional para a internet. Trata-se de um público digital e que é atraído pela interação, segundo comentaram os participantes do painel “Os desafios da comunicação digital e de seguros massificados em ambiente digital”. “É essencial criar uma nova forma de comunicação. Interativa. Deixando o produto pronto, qualquer plataforma de venda poderá acessar os produtos e serviços para criar opções personalizadas para os consumidores”, afirmou CEO da agência digital Garage, com eco do consultor de marketing digital Marcelo Teixeira.

Um dos exemplos de facilitação de venda foi trazido por Paulo Rossi, do grupo BB Mapfre. O grupo criou um video de 1m20s para que os vendedores possam enviar por WhatsApp aos seus clientes que adquirem celulares, tabletes ou computadores. O vídeo explica o que o seguro celular cobre e o que não cobre de forma simples e clara. “A objetividade da informação reforça a qualidade da venda”, diz. Uma compra consciente evita desgastes do passado, quando os consumidores lotaram o Procon com queixas de que não recebiam o seguro por furto simples. O seguro cobre apenas roubo e furto qualificados, com apresentação de Boletim de Ocorrência, com sinais claros de violência. “Se o celular sumir do bolso ou da mesa do cliente não tem cobertura”, evidencia o vídeo.

Com o velho jargão “ninguém acorda com vontade de comprar seguros”, os debatedores foram enfáticos em afirmar que é preciso inovar nas ações para captar o cliente. Para chamar a atenção do cliente, a interação nas mídias sociais é extremamente necessária. Loreto, da Lojas Marisa, citou duas ações inovadoras. Uma foi realizada na auge da onda do Pokmon Go, na qual o cliente tinha desconto na compra de um seguro caso perdesse o celular durante a caça de bichos. Outra foi no no Outubro Rosa, com parte da arrecadação destinada a uma ONG. Em ambas, afirmou, as vendas aumentaram significativamente.

Segundo Michele Borba, executiva da Zurich que já atua com seguros massificados há 21 anos, sair da venda de um aparelho que lembra um telefone fixo ao que é apresentado hoje com todo o apoio da tecnologia foi uma mudança e tanto. A executiva da Zurich destacou a importância da convergência de canais (omni channel). Ela acredita que talvez a venda digital nunca seja tão grande e importante como a compra física, o que torna prioritária a boa experiência do comprador no ponto de venda da loja.

Com menos gente nas lojas, a interação com o vendedor tem de ser realmente diferenciada e assertiva. Para isso, acrescenta Michele, ele tem de ter produtos de seguros diferenciados, que evoluíram juntamente com o emponderamento do consumidor”, enfatizou. E lembrou: “Muitas vezes o consumidor pode estar mais bem informado que o vendedor. Por isso a qualidade e transferência das informações é um ponto prioritário”.

Fernando Kimura, consultor de marketing digital, afirma que as seguradoras precisam investir mais em deixar a imagem da marca na mente dos consumidores. Hoje o que as propagandas ou ações das seguradoras deixam claro é o risco a que as pessoas estão expostas, mas a marca ainda é pouco lembrada. Também ressaltou o fato da pouca inovação nas ações, hoje restritas a posts sem movimento ressaltando produtos e serviços. É preciso avançar. E rápido. Kimura elogiou o trabalho da Youse, plataforma digital da Caixa Seguradora, que conseguiu, mesmo pertencendo a uma instituição financeira estatal e antiga, criar uma marca nova e inovadora. “Se uma estatal conseguiu, certamente as privadas também trarão muita inovação”, comentou.

O uso de “storytelling”, histórias contadas pelos próprios usuários, com linguagem humanizada, certamente vai empoderar o consultor de vendas e ajudará a inverter a lógica de oferta, fazendo com que o consumidor passe a demandar os produtos que pretende comprar, ressaltou Helio Prandini da corretora THB Group.

Miguel Buenos, diretor de contas do Serasa, questionou os debatedores sobre quando as seguradoras terão um ambiente interno melhor preparado e como parceiros podem ajudar a evoluir neste sentido, uma vez que todos comentam que produtos e comunicação disponíveis no ambiente digital hoje são similares a um facelift, ou seja, mudança de processo sem uma reestilização completa. A desculpa para isso veio da falta da regulamentação e que seguradoras não vão investir antes de ter uma norma clara a respeito da venda em canais digitais.

Apesar de todos concordarem que a maior barreira para o avanço das seguradoras digitais é ainda a falta de conexão dos legados das seguradoras com seus parceiros, a regulamentação da venda em canais digitais também foi um tema recorrente na fala de todos os debatedores. “Ela virá, sem dúvida. Ainda não sabemos quando, mas virá”, afirmavam quase todos. A falta de regulamentação tem atrasado o avanço da Youse, que já tem produtos com mais de 10 milhões de apólices vendidas via web, e fez com que a Thinkseg mudasse o escopo inicial do projeto de seguradora digital para plataforma de vendas. A Susep estuda o tema enquanto investidores pressionam o Ministério da Fazenda em relação a regulamentação da venda de seguros pelos canais digitais.

A conclusão é que o grande desafio enquanto aguardam a regulamentação do pagamento do seguro por meios remotos, está na venda com uma a aceitação consciente do consumidor. Todas as companhias no mercado ainda têm muito a desenvolver em personalização. Também é preciso ampliar o leque de ofertas. O mercado de massificados dos varejistas está centrado nos bens como garantia estendida, acidentes pessoais, prestamista e residencial. “Quem não surfar a onda da venda digital, vai levar uma onda na cabeça”, afirma o especialista Petrucci.

E esta onda na cabeça tem nome”: Insurtechs, startups para atuar no mercado mundial de seguros, que movimenta vendas anuais de US$ 4,6 trilhões, criadas por investidores que olham tudo com lupa para descobrir o que é preciso ser feito para que o setor no Brasil chegue a patamares de participação no PIB condizentes com outros países e com o tamanho da economia brasileira, pré destinada por estudo divulgado pela consultora PwC para ser a quinta maior do mundo em 2050. Hoje o Brasil é a sétima. Enquanto aqui esse percentual de venda de seguro no PIB é de 4%, a média mundial é de 8%. Ou seja, dá para dobrar. E dobrar significa sair de um faturamento próximo de R$ 200 bilhões (sem considerar saúde) para R$ 400 bilhões.

A transformação digital atinge todos os negócios no mundo. “Tudo é transformado para um mundo digital. O nível de disrupção em seguros é gigante, pois é uma indústria que vive de informação”, destacou Petrucci.
Segundo ele, é preciso ajudar a população entender a essência do produto e serviço. “Quando se anuncia na Rede Globo, que serve bem para difundir a cultura e construir a marca, não se captura a rastreabilidade do cliente como nas redes sociais como youtube, facebook e linkedln, que tem o sistema de CRM bem desenvolvidos”, comentou.

Ele lembrou que o uso inteligente da tecnologia pode ajudar que as empresas comuns concorram com as gigantes criadas no Vale do Silício. Um dos exemplos citados foi a Nike. “Quem poderia imaginar que uma fabricante de tênis seria concorrente em aplicativos de corridas, obtendo uma infinidade de informações de consumidores para os quais pode vender seus produtos?”, indagou.

Na onda deste futuro esperado para a venda de seguro no mundo digital surge a thinkseg. Segundo André Gregori, que tem como investidores, além dele próprio, três seguradoras nacionais e uma estrangeira, a companhia nasce com tecnologia 100% integrada. “Nosso sistema conversa com qualquer banco de dados, seja das seguradoras, dos clientes no varejo, e da captação de informações para se montar produtos e serviços personalizados aos consumidores”, garante.

A meta é que o consumidor seja surpreendido com ofertas simpáticas e personalizadas aos riscos que corre no dia a dia. “A compra será em três cliques, o pagamento como um taxímetro de táxi — pagar o que usa –, a solicitação de pagamento de indenização em quatro cliques. Quem indica amigos troca por vários benefícios. E também pode adicionar outros usuários na mesma apólice de forma simplificada”, promete o empreendedor que já montou quatro empresas. Essa é a quinta. ” Você pensa que sabe fazer tudo, mas agora não. Fazer esse filme que está no vídeo virar realidade é outra história. A curva de aprendizado é dura mas a nossa equipe é formada por pessoas que amam o que fazem. Por isso sabemos que vamos mudar o mundo de seguros usando a tecnologia ao trazer uma forma diferente de apresentar um produto”.

O público da thinkseg é uma fatia entre 20 e 49 anos dos 63% da população ativa do Brasil. “São pessoas que não vão mais ao banco, que estão preocupadas com bem estar, esporte, saúde, conectadas. “Por que as redes sociais fazem sucesso? Porque todos querem saber da vida dos outros. E assim vamos crescer. No boca a boca, como referência em bons produtos e serviços”, avisa Gregori aos concorrentes e futuros parceiros de negócios.

Ele enxerga o pequeno corretor como o principal relações pública da thinkseg. “O SAC não existe mais. Se alguém faz algo errado na vida pessoal vai para as redes sociais e se não tiver uma resposta rápida a vida pessoal e profissional acabou com a proporção impressionante que pode tomar o assunto. Por isso, trabalhar da melhor maneira possível é o único caminho para o sucesso e perenidade da empresa”, finaliza o empreendedor.