Inovar e combater cooperativas dominaram os discursos na abertura do 20º Congresso Fenacor

Um verdadeiro clima da caça as bruxas marcou a abertura do 20º Congresso Brasileiro de Corretores de Seguros, que acontece em Goiânia entre 12 e 14 de outubro. Lucas Vergílio, corretor e deputado federal, pediu o apoio de todos na luta contra o que o segmento chama de aventureiros, referindo-se às cooperativas que vendem proteção veicular e que começam a ofertar outros produtos do segmento patrimonial. “Convoco todos para a audiência pública do PL 3139/2015, no próximo dia 24 de outubro. Esse projeto visa banir do mercado esses aventureiros”.

O ministro do Planejamento, Dyogo Henrique de Oliveira, Armando Vergilio, presidente da Fenacor, Joaquim Mendanha, superintendente da Superintendência de Seguros Privados (Susep), e Marcio Coriolano, presidente da Confederação das Seguradoras (CNseg), se referiram às cooperativas que têm conquistado cada dia mais clientes que buscam proteção por um preço mais acessível, no mesmo tom. Oliveira, do Planejamento, disse que o setor pode contar com o apoio do governo para regulamentar as cooperativas de proteção veicular. Segundo ele, é um produto que não cumpre requisitos regulatórios e por isso o projeto liderado pelo deputado Lucas Vergílio terá o apoio do governo para que tenha um trâmite rápido.

“Um órgão supervisor forte preza pela eficiência do setor, atuando como agente de fomento e de combate ao mercado marginal”, pontua o titular da Susep, que criou grupo de trabalho sobre o mercado marginal que será constituído pela autarquia até o dia 30 de outubro. O grupo será formado por representantes do Governo, por meio da própria Susep e da Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda; de entidades e instituições representativas do setor de seguros, como a CNseg, a Fenacor e a Escola Nacional de Seguros; e da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). No âmbito da Procuradoria Federal junto à Susep, há cerca de 180 ações civis públicas, nas quais a Susep é a autora principal, mas há também outras ações movidas pelo Ministério Público Federal (MPF).

Apesar do apoio de todos ao combate da venda de proteção veicular, que parece um seguro mas não é, todos reconhecem que as associações acabam vendendo proteção para riscos que as seguradoras rejeitam ou cobram um preço elevado, como carros com mais de 5 anos de uso. Também vale lembrar que as seguradoras não estão aceitando fazer seguro de veículos de várias regiões do Rio de Janeiro e praticamente nenhuma mais atua com seguro transporte no Estado, o que abre ainda mais espaço para as cooperativas.

Um comentário muito repetido entre os profissionais do setor é que a falta de ousadia das seguradoras em criar produtos inovadores fez com que esse mercado paralelo crescesse na última década. “Eles criaram o ‘Frankstein’ e agora querem matá-lo. Só que ele está enorme e com tentáculos em vários nichos e Estados”, disse um dos corretores mais influentes do setor. “Logo, do jeito que os corretores estão sofrendo com o corte no seguro feito por seus clientes com orçamento apertado, bem como pela negativa das seguradoras para várias propostas, os próprios corretores vão acabar se rendendo aos produtos mais baratos das cooperativas”.

Vergilio cobrou das seguradoras soluções arrojadas e modernas. “A falta de produtos trouxe a explosão das empresas de cooperativas do mercado marginal de proteção veicular. Para agravar ainda mais, a tecnologia permitiu novos competidores que não são seguradoras avançar em outros nichos, como ramos elementares. Temos de refletir sobre esses pontos.

Uma das formas de combater as cooperativas seria melhorar a regulamentação do seguro popular de automóvel e assim atrair mais concorrentes para esse nicho que conta com menos de meia dúzia de seguradoras. “Em 20 dias vamos apresentar a solução do auto popular para que mais concorrentes possam ofertar o produto. Tenho certeza que ele será uma ferramenta importante no combate ao mercado marginal que vem há anos se expandindo. Ele cresceu porque o próprio setor deixou ele avançar”, afirmou Mendanha.

Armando Vergilio, presidente da Fenacor, concorda: “Esse quadro só mudará com uma aliança forte e verdadeira de todas as instituições do setor. Com ações sinergias, sensibilizando governo e reguladores.

Com o tema “O Seguro na Era Digital”, o congresso tem o desafio de unir os corretores em torno de um tema comum: a necessidade de mudança de paradigmas na venda de seguros diante da revolução tecnológica que transformou o mundo e criou a economia digital. Vergilio também fez críticas relevantes às seguradoras. “É importante considerar seus produtos obsoletos antes que os outros o façam. Queremos buscar soluções inovadores que respeitem regras e direitos. Não é só uma mudança de paradigma e sim de mentalidade”, afirmou.

“O objetivo deste evento sair da zona de conforto e ir em busca do caminho da inovação”, disse o líder dos corretores. “Falta ousadia ao mercado para que ele possa responder as necessidades do consumidor final”, concordou Joaquim Mendanha, titular da Susep.

O presidente da Fenacor, que é candidato a reeleição da federação dos corretores na eleição prevista para o primeiro trimestre de 2018, por mais três anos, diz que agora que a economia dá sinais de recuperação, a inflação está sob controle, juros em queda, investidores estrangeiros voltam a acreditar no país e há uma singela retomada do emprego, é preciso pensar na reforma da previdência para retomar a trilha do crescimento e do desenvolvimento, segundo ele.

“E o mercado de seguros? O setor continua aumentando de tamanho e há muito espaço para crescer, principalmente nas classes C e D, bem como nas classes A e B, segmentos que tem seguros ainda abaixo do esperado considerando os países desenvolvidos. O setor tem crescido mas não tem evoluído. O setor tem seus desafios. E não são poucos. A crise de DPVAT, de lideranças e de o governo colocar o setor em sua agenda. Temos tentado vencer esses desafios”, diz Armando Vergilio.

E qual o papel do corretor? Precisamos mostrar o nosso maior valor. Somos gente que cuida de gente. Entramos numa nova fase com a tecnologia. Temos de nos reinventar. Não podemos ser só um intermediário. Nossa missão é proteger o segurador e a seguradora. Nos mediamos, nos evitamos fraude, mitigamos a judicialização e protegemos o cliente. Temos de ser protagonista desta mudança”, conclama o presidente da Fenacor.”Temos de ser necessários aos clientes. Agregar valor. Temos de ser mais reconhecidos pelos seguradores.”

E para finalizar, Vergilio fez um alerta. “Essa é uma nova era. Eembora marcada pela tecnologia, não cometam o erro de desprezar o corretor como o mais importante canal de distribuição de produtos. Temos um estudo que mostra que o cliente não quer auto-serviço. O consumidor não quer abrir mão do consultor de seguros para ajudá-lo a encontrar a melhor cobertura. Vamos nos valorizar. Não vamos mais perder tempo com quem vive nos desprezando. Vamos prestigiar quem nos respeita”, disse Vergilio, o que foi entendido pela plateia como uma critica velada a um grande grupo segurador que em entrevista recente fez criticas negativas ao corretor, de acordo com o entendimento da categoria profissional.

Marcio Coriolano , presidente da CNseg, afirmou que a confederação que representa as seguradoras está obcecada por lapidar as bases do setor diante da revolução tecnológica que o mundo vive e assim seguir promovendo um crescimento resiliente e sustentado do país. “Agradecemos o empenho de Armando Vergilio na construção de uma agenda comum produtiva para todo o setor e a Joaquim Mendanha com uma regulação efetiva do setor”.

Coriolano enfatizou que a CNseg quer estar na agenda política do Brasil. “Temos o direito de requerer o direito de um assento no Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP). Quero que o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, aqui presente, leve esse nosso pedido ao governo. Queremos propor um conjunto articulado de medidas para que o setor possa dar maior suporte ao crescimento do Brasil”.

O presidente da CNseg citou uma ampla agenda, como a privatização do seguro de trabalho, um sistema que sofre de diversas deficiências; o destravamento de regras para Universal Life e também aprovação para a oferta de novos produtos do tipo VGBL. “Além da aprovação das regras para o seguro de garantias de obras e do PrevSaúde para que o consumidor tenha um produto financeiro para apoia-lo no envelhecimento. Também estamos em busca de uma melhora no seguro rural para acompanhar o desenvolvimento do grande carro chefe do crescimento do PIB, que é a agroindústria. O microsseguro está na lista da CNseg, bem como a livre escolha da oficina referenciada para destravar o seguro popular de automóvel”, acrescentou.

Para finalizar, Coriolano citou a tecnologia. “Longe de representar ameaça, a tecnologia veio para agregar valor a todos, principalmente aos corretores. A tecnologia é um meio para facilitar a vida do corretor, que é o único profissional habilitado para fazer esse elo entre seguradoras e consumidores”. Foi muito aplaudido ao dizer isso.

E o mesmo foi dito por todos na mesa. “Não temos de ter medo da inovação. O corretor de seguros sempre será a pessoa que faz a ligação entre as seguradoras e o consumidor por prestar um serviço diferenciado”, frisou Henderson de Paula Rodrigues, presidente do Sincor-GO.

Os ministros presentes, do Planejamento, Dyogo Henrique de Oliveira, e do Trabalho, Ronaldo de Oliveira, ressaltaram as ações “corajosas” do presidente Michel Temer em promover mudanças, como a reforma Trabalhista. “O país saiu da pior crise da sua história e agora vamos entrar em um período de crescimento prolongado e sustentado, pois estamos criando bases sólidas, fundamentadas em reformas estruturais, melhoria do ambiente de negócios, gestão pública com concessões e PPPs, bem como o aperfeiçoamento do marco regulatório“, citou Oliveira.

Segundo ele, o resultado é a projeção do crescimento do PIB para 2018 acima de 2%, “puxado por diversos segmentos, como a indústria automotiva com os investimentos anunciados nesta semana”. A inflação, disse, vai continuar baixa e isso permite a queda dos juros. “A projeção de juro real é de queda para 3% e isso abre espaço para investimento que gerará um ciclo de crescimento sustentado”, diz Oliveira.

Outro indicador ressaltado pelo ministro foi a queda do endividamento das famílias de 46% para 41%, que segundo ele abre espaço para retomar o consumo e o crédito. “Vale citar os US$ 80 bilhões em investimento estrangeiros neste ano. Isso é uma grande mensagem de confiança do investidor estrangeiro no Brasil”.

E o mercado de seguros tem acompanhado esse crescimento, frisou Oliveira, citando que o setor tem crescido mais do que o PIB na última década e só vai continuar crescendo com o avanço da economia. “Mas há enormes desafios a serem superados. O principal deles é nos entender com a tecnologia. Aqueles que não perceberem que estão obsoletos serão os primeiros a serem eliminados. Temos de utilizar a tecnologia a favor do crescimento.”

Ele citou também a necessidade de regulamentar o seguro de garantias de obras. “Estamos trabalhando para ter uma legislação mais eficiente e ágil para dar garantia ao que é construído com dinheiro da população”. Por fim, o ministro citou que o equilíbrio das contas públicas passa pela reforma da Previdência. “A garantia da sustentabilidade da previdência assegura o ajuste fiscal e a sustentabilidade das contas públicas no longo prazo. Temos de corrigir as injustiças que são cometidas na previdência”, frisou.

Ele lembrou que o governo gasta 57% do orçamento federal para pagar aposentadoria. “Temos de mudar a previdência para garantir o direito dos aposentados. Se não tiver a reforma, vamos ter um problema parecido com o que estamos vendo em alguns Estados. Estamos 20 anos atrasados nesta reforma”, disse ele, citando que o Japão, por exemplo, gasta menos de 25% do orçamento com a previdência.”

Robert Bittar, presidente da Escola Nacional de Seguros, usou o seu tempo para ressaltar o importante papel que a Escola vem empreendendo para desenvolver profissionais capacitados para setor. Ele comemorou ainda o fato da Escola Nacional de Seguros ter garantido exercer a modalidade de pós-graduação a distância, devido às boas notas atribuídas à instituição. “A Escola quer continuar protagonizando o crescimento do setor, inclusive na mudança tecnológica”, ressaltou. “Inclusive temos um corpo docente preparado para ajudar a profissionalizar pessoas frente à essa revolução tecnológica que vivenciamos e tende ainda a ser mais disruptiva do que vimos até agora. Para seguirmos neste propósito, precisamos contar com o apoio de todas as instituições do mercado no apoio de desenvolvimento do setor, não somente da CNseg e federações.”

Marconi Perillo, governador de Goiás, ressaltou que o governo federal precisa apresentar melhor ao pais a necessidade da reforma da Previdência, afirmando que o estado que administra fechará o ano com um déficit considerável em razão da previdência. “O populismo quase levou o Brasil a falência absoluta”, ressaltou ele, elogiando a coragem do atual governo em fazer as reformas e ajudar o país a voltar a crescer. Segundo ele, Armando Vergilio que o despertou para a importância do mercado segurador. “Parabenizo a todos os corretores por serem uma categoria tão importante para o Brasil”.

Seguradora Líder-DPVAT divulga boletim estatístico do terceiro trimestre de 2017

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As indenizações pagas por acidentes de trânsito pela Seguradora Líder, responsável pela administração do Seguro DPVAT, chegaram a 294.980 mil no terceiro trimestre de 2017. Apesar de o resultado ser 8% inferior ao mesmo período de 2016, houve um crescimento dos casos de morte no trânsito: foram 31.004 indenizações computadas, 29% a mais do que no ano passado. Na cobertura por Invalidez Permanente, total ou parcial, foram registrados 220.153 sinistros. Embora representem o maior volume de indenizações pagas (75%) no período, esse montante foi 14% inferior ao registrado no mesmo intervalo de tempo do ano anterior.

A faixa etária mais atingida continua sendo a de pessoas com 25 a 34 anos, que reponde por 79.643 indenizações (27%), mas é crescente o número de acidentes ocorridos com os jovens: o grupo dos que têm entre 18 e 24 anos está em segundo lugar nas estatísticas, representando 22% do total, ou 63.980 indenizações pagas no período.

De acordo com o boletim do último trimestre, 173.893 (59%) dos indenizados pelo Seguro DPVAT são motoristas, sendo que 86% (149.304) deste total estavam sob a direção de uma motocicleta. Os pedestres representam 26% (77.964) da parcela das indenizações. Já os passageiros 15% (43.123).

“O respeito às regras do trânsito e o uso de equipamentos de segurança, como capacetes, salvam vidas. A maioria das indenizações pagas se destina à cobertura por morte e invalidez de pessoas muito jovens, a maioria homens, condutores de motocicletas. Famílias inteiras são afetadas por situações trágicas como essas. É fundamental ampliar as ações de Educação para o Trânsito para reverter esse cenário”, defende Ismar Tôrres, diretor-presidente da Seguradora Líder-DPVAT.

Principais dados do último trimestre:

Indenizações Pagas por Natureza:

Morte – 31.004 – 10%

Invalidez Permanente – 220.153 – 75%

Despesas Médicas-Hospitalares (DAMS) – 43.823 – 15%

Acidentes por tipo de veículo:

Motocicletas: 218.659 (74%)

Automóveis: 55.415 (19%)

Caminhões e picapes – 5.579 (2%)

Ônibus, micro-ônibus e vans – 5.344 (2%)

Ciclomotores (veículos de duas rodas até 50 cilindradas) – 5.579 (2%)

Indenizações por Região:

Nordeste – 94.291 (32%)

Sudeste – 86.004 (29%)

Sul – 57.368 (19%)

Centro-Oeste – 30.944 (11%)

Norte – 26.373 (9%)

Planejar desde cedo também é preciso, recomenda Mongeral Aegon

No mês das crianças, um tema muito importante também pode ser discutido pelos pais e responsáveis: a educação financeira. A seguradora Mongeral Aegon incentiva o assunto desde cedo, que pode ser adaptado no dia a dia, de acordo com a idade. “Muitas pessoas pensam no agora, mas tendem a não planejar algo que seja usufruído no futuro, como uma viagem ou um patrimônio. Com os filhos não é diferente. Através de pequenas atitudes é possível criar a consciência de valores, seja para uma criança ou um adolescente”, pontua a superintendente de Educação Corporativa da companhia, Patrícia Campos.

Confira algumas dicas simples elaboradas pela Universidade Mongeral Aegon que podem ajudar na hora de ensinar para a criançada:

– O momento ideal para introduzir o assunto é quando a criança aprende a contar. Nessa fase, dar moedas e explicar o sentido de valores, e não quantidade, é importante. Tudo ao seu tempo. No início, cinco moedas de dez centavos valem mais que apenas uma de cinquenta.

– A partir de sete anos uma boa alternativa é introduzir a mesada. Esta é uma boa forma para que a criança passe a ter noção de prioridades, tomada de pequenas decisões e gestão do próprio dinheiro. É importante ressaltar que a mesada não tem como objetivo cobrir gastos básicos como alimentação, transporte e material escolar.

– Um aliado para esta fase é o Jogo dos Quatro Porquinhos. Nele, a criança define para onde irá cada parte do dinheiro acumulado: ‘Sr. Agora’ para gastos emergenciais; ‘Sr. Desejo’, que trabalha o tema poupança, algo para um futuro próximo; o ‘Sr. Bonzinho’, que representa uma doação; e o ‘Sr. Futuro’ estabelece noções de investimento, como uma previdência privada para a criança, dinheiro para ser utilizado a longo prazo.

– Na adolescência, trabalhe a consciência empreendedora. Além de contribuir com o desenvolvimento de habilidades como administração, negociação, estimula a criatividade e a inovação, além de reforçar a importância do contribuir e colaborar.

Na data, a Mongeral Aegon também preparou uma forma para que os pais possam planejar desde cedo algum presente que desejam dar aos filhos no longo prazo, como uma viagem ou a tão sonhada festa. O Simulador dos Sonhos pode ser acessado no link: http://mongeralaegon.wertech.com.br/

Previdência aberta registra captação R$ 10,8 bilhões em agosto de 2017, alta de 13,45%

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Depois de experimentar desaceleração nos últimos meses, o setor de previdência complementar aberta volta a experimentar crescimento de dois dígitos. As contribuições aos planos somaram R$ 10,88 bilhões em agosto, resultado 13,45% superior ao verificado no mesmo mês do ano anterior, quando os aportes totalizaram R$ 9,59 bilhões. Os dados são da FenaPrevi (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida), entidade que representa 67 seguradoras e entidades abertas de previdência complementar no país.

A captação líquida no período apresentou um saldo positivo de R$ 5,59 bilhões, volume 9,93% inferior aos R$ 5,057 bilhões verificados em agosto do ano passado. Os resgates totalizaram R$ 5,32 bilhões, valor 17,37% maior que o contabilizado em agosto de 2016 (R$ 4,53 bilhões). O crescimento do volume de resgates se explica em parte pela evolução do volume de reservas que cresceu 20,4% comparado com o ano passado alcançando R$ 718 bilhões em agosto.

De acordo com a federação, o setor fechou o mês de agosto com 13.691.386 milhões de pessoas com planos de previdência privada contratados no país, sendo 10.220.050 de planos individuais (incluindo planos para menores) e 3.471.336 de planos coletivos.

“O movimento de recuperação pelo que o país está passando, ainda que tímido, começa a ter impacto no volume de contribuições”, analisa Edson Franco, presidente da FenaPrevi. “E também verificamos um aumento de 8,26% no número de indivíduos com planos ao final de agosto, frente ao mesmo período do ano anterior, o que sinaliza que a consciência dos brasileiros na importância de formação de reservas de longo prazo está aumentando”, diz. Os planos na modalidade individual continuam sendo os mais representativos, correspondendo a 75% do total de participantes.

Na análise por tipo de contratação os planos individuais responderam por 87,42% dos novos aportes nos seis meses do ano, ou seja, R$ 9,51 bilhões. Os planos individuais para menores tiveram participação de 1,48% e receberam aportes totalizando R$ 161,28 milhões, segundo dados do balanço da FenaPrevi.

O restante (11,09%) dos aportes (R$ 1,20 bilhão) foi destinado aos planos coletivos de empresas, oferecidos em forma de benefícios aos colaboradores, e planos contratados por sindicatos e associações de classes para adesão de seus associados.

Os planos VGBL, os mais representativos da indústria, responderam por 92,61% (R$ 10,07 bilhões) do total dos aportes. O PGBL respondeu por 6,70% (R$ 729,45 milhões) do total de novos depósitos. Já os planos tradicionais de acumulação receberam aportes de R$ 74,57 milhões, 0,69% do total verificado em agosto.

No acumulado de janeiro a agosto, segundo a federação, as contribuições somaram R$ 74,65 bilhões e o total foi 5,70% superior ao montante de R$ 70,60 bilhões registrado em 2016. O resultado da captação líquida ficou com saldo positivo de R$ 34,17 bilhões. Saldo 3,4% abaixo dos R$ 35,35 bilhões do mesmo período em 2016.

De acordo com a FenaPrevi, os planos VGBL receberam contribuições de R$ 68,42 bilhões no acumulado do ano. Já no PGBL o volume de aportes foi de R$ 5,66 bilhões no mesmo período. Os planos tradicionais de acumulação registraram arrecadação de R$ 566 milhões no acumulado.

Na análise por tipo de contratação, os aportes nos planos individuais somaram R$ 64,55 bilhões. Os planos para menores arrecadaram R$ 1,24 bilhão. O restante dos aportes, de aproximadamente R$ 8,86 bilhões, foi destinado a planos coletivos contratados por empresas em favor de seus colaboradores.

Susep constituirá grupo de trabalho com o objetivo de debater o que chama de mercado marginal

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“Um órgão supervisor forte preza pela eficiência do setor, atuando como agente de fomento e de combate ao mercado marginal”, pontua o titular da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Joaquim Mendanha de Ataídes, em relação ao grupo de trabalho sobre o mercado marginal que será constituído pela autarquia até o dia 30 de outubro. O grupo será formado por representantes do Governo, por meio da própria Susep e da Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda; de entidades e instituições representativas do setor de seguros, como a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), a Federação Nacional dos Corretores de Seguros (Fenacor) e a Escola Nacional de Seguros; e da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).

De acordo o superintendente da Susep, a iniciativa busca colocar em discussão o mercado marginal como um todo, não apenas a chamada proteção veicular, para que sejam adotadas medidas em prol dos consumidores e do setor de seguros supervisionado pela autarquia. “Estamos falando de empresas que comercializam, de forma irregular, produtos similares aos de seguro. Porém, tais empresas não cumprem as regras e os critérios preestabelecidos pelo Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP)”, enfatiza.

Entre as regras que o CNSP estabelece para a constituição de sociedades seguradoras, de capitalização, de entidades de previdência privada e resseguradoras, estão: as de solvência – que atestam a condição que uma companhia possui, entre ativos e passivos, para arcar com seus compromissos financeiros; bases técnicas atuariais que visam a estabelecer probabilidades de riscos; e a fiscalização em relação às condições legais para eleição dos seus administradores.

“Todas as empresas que comercializam produtos de seguro precisam ser autorizadas pela Susep. Ainda assim, a autarquia mantém uma força-tarefa constante no sentido de coibir a realização de operações de seguros por empresas sem autorização”, esclarece o superintendente da Susep, reiterando que a Susep vê o mercado marginal com preocupação. “A prática ilegal causa prejuízos à população porque não há proteção jurídica para o consumidor. O consumidor precisa estar bem informado para não levar gato por lebre’, alerta.

Ações civis públicas e processos administrativos

Em relação à proteção veicular, no âmbito da Procuradoria Federal junto à Susep, há cerca de 180 ações civis públicas, nas quais a Susep é a autora principal, mas há também outras ações movidas pelo Ministério Público Federal (MPF).

No campo da Diretoria de Supervisão de Conduta da Susep, hoje, há pelo menos 200 processos administrativos referentes à proteção veicular em apuração de indícios de irregularidades. Além disso, a diretoria está analisando outros 20 processos referentes a seguros de vida e acidentes pessoais.

Octavio de Lazari é apontado com um dos candidatos a assumir o banco Bradesco

Ontem o Bradesco divulgou fato relevante informando a saída de Lázaro Brandão da presidência do Conselho. Em matéria de uma página no jornal Estado de São Paulo, a jornalista Sonia Racy, Brandão afirma que faria nada diferente do que fez. Vale a leitura.

Luiz Carlos Trabuco vai acumular a presidência do banco e do conselho até ser escolhido seu sucessor, o que está previsto para acontecer ate março do ano que vem. Aos 91 anos, Brandão permanecerá, contudo, na presidência do conselho de administração de empresas ligadas ao conglomerado.

Os jornais trazem hoje alguns nomes. Ao que tudo indica, o vice-presidente de tecnologia do Bradesco, Maurício Minas, é o favorito. Também concorrem ao cargo os vice-presidentes Alexandre Glüher, responsável pela área de relações com investidores, e Josué Pancini, responsável pela rede de agências do banco. Segundo a Agência Estado, há quem considere também os mais novatos no quarto andar da Cidade de Deus, Marcelo Noronha, que cuida de cartões e banco de investimentos, Octavio de Lazari, que responde por seguros, e André Cano, de recursos humanos.

Camila Von Müller é a nova diretora de Operações Benefícios da BR Insurance

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A BR Insurance acaba de contratar Camila Von Müller como diretora de Operações Benefícios para reforçar seu time de profissionais. O principal desafio da executiva é otimizar os processos relacionados à gestão de saúde e riscos, e garantir que a área operacional realize as entregas de forma ágil e eficaz aos clientes.

“Ela vem reforçar nosso time com o objetivo de prover inovações, focadas no desenvolvimento de ferramentas e processos. Com a chegada da Camila queremos reforçar a importância da proximidade e a entrega de serviços com valor agregado aos nossos clientes”, diz o CEO da BR Insurance Luiz Roberto de Salles Oliveira.

Camila tem mais de 17 anos de experiência atuando nas empresas Orizon, Credicard, Vésper e Santander. A executiva é formada em Administração de Empresas, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, e possui mestrados em Liderança em Estratégia, pela London Business School, e Marketing, pela University of California Berkeley.

Acabou o mistério: Cadu, ex-Bradesco, na Thinkseg

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Partindo para o seu segundo ano de atividade, a thinkseg intensifica o fortalecimento da sua gestão com a chegada do sócio Carlos Eduardo Sarkovas, com vasta experiência profissional da área de seguros.

Com 16 anos de atuação no setor, o Cadu – como é chamado –, traz para a thinkseg expertise em seguros, além de relacionamento com clientes e desenvolvimento de canais para distribuição de produtos B2B (transações entre empresas) e B2C (transações entre empresas e consumidor).

Na thinkseg, o novo sócio Cadu será o responsável pela área de Clientes, Produtos, Comercial e Operacional da start-up de seguros, enquanto que o fundador da thinkseg, Andre Gregori, passa a se concentrar no papel institucional, estratégias, parcerias e marketing, além de ter a responsabilidade de pesquisar inovações e tendências do setor em todo o mundo.

“Continuo com o propósito de me dedicar ao setor de seguros com novas ideias, vontade de empreender e botar a mão na massa para trazer ao mercado de seguros o que a tecnologia tem de melhor”, diz Cadu. “Dentre as oportunidades que se apresentaram, minha escolha foi por um modelo 100% digital por ser um caminho que, realmente, tem grande potencial de crescimento ao redor do mundo e, principalmente, no Brasil”, completa.

Para o fundador da thinkseg, Andre Gregori, a vontade de empreender do Cadu vem de encontro ao atual momento da start-up. “Desde o início deste ano começamos a fortalecer a gestão do nosso modelo de negócio. O nosso encontro de objetivos, meu e o do Cadu, foi muito oportuno. Agora, juntos, vamos aprimorar a gestão da thinkseg de modo intenso. É uma grande satisfação tê-lo conosco porque, além da veia empreendedora, ele soma experiência e, ainda, é um excelente líder de equipe. Tudo o que precisamos”, afirma Gregori.

ARTIGO: Insuretech Connect 2017: o que vi, ouvi e apreendi

por Marcelo Blay, CEO da Minuto Seguros

Estou de volta ao Brasil após 3 dias intensos em Las Vegas. Ao chegar, fiquei sabendo do horrível massacre que vitimou dezenas e feriu centenas de inocentes que estavam apenas participando de um festival de música. Triste. Parei para refletir e tentar entender por que este tipo de coisa acontece e voltei a atestar como somos vulneráveis e como nossa vida é frágil.

Por outro lado, apesar das forças contrárias, o reforço da minha convicção, de que não podemos nos deixar abater e continuarmos em frente trabalhando para construir um mundo mais justo e seguro, enfatiza-se com mais força do que nunca. Pode parecer que não temos muito a fazer quando nos deparamos com situações trágicas como a do tiroteio, no entanto, o fato de atuarmos na área de seguros nos dá o privilégio de poder contribuir em diversas frentes, desde os esforços na prevenção de riscos até no reparo financeiro, em caso de tragédias, e o amparo àqueles que necessitam de apoio nestes momentos críticos.

Com esta inspiração em mente, concluí que realmente valia a pena continuar em Las Vegas para participar da mais importante conferência mundial sobre o uso da tecnologia na indústria de seguros.

Por mais verossímil que seja acreditar que a tecnologia resolverá todos nossos problemas – e realmente, há uma gama de soluções incríveis com o apoio da tecnologia – pude confirmar nesta enorme conferência para 3.800 pessoas o que acredito piamente: o ser humano deve estar no centro do que fazemos. O foco no cliente e o atendimento humanizado continuam sendo fatores críticos de sucesso de qualquer organização. A tecnologia não deve ser vista como um fim em si mesma, mas como um suporte ao aprimoramento dos produtos e serviços. O cliente quer ter suas necessidades atendidas, independente da tecnologia empregada.

Na busca das maravilhas que podemos conquistar por meio do uso de tecnologia, as principais tendências observadas no evento estão ligadas à coleta e ao uso de grandes bases de dados. Temos uma proliferação absurda de sensores capazes de capturar uma quantidade brutal de dados a respeito de tudo: como e quando dirigimos nossos carros, avaliações completas de nossas casas, sensores de presença, monitoramento de condições de saúde em tempo real, etc.

Falou-se sobre inteligência artificial (AI – Artificial Intelligence e ML – Machine Learning), mas ainda não há nada muito concreto a esse respeito do que já tenha sido colocado em prática na indústria de seguros. No entanto, fica claro que, tanto as grandes seguradoras quanto as start-ups, estão em busca de formas de uso comercial deste tipo de tecnologia (AI e ML), pois nota-se que existem diversos testes e pilotos em andamento nas mais diversas frentes, principalmente às ligadas à subscrição de riscos e prevenção de sinistros.

Ainda na linha de tendências, é possível testemunhar que a tecnologia vem sendo usada para eliminar o envolvimento humano em diversas etapas dos processos, assim como o foco na obtenção de informação em tempo real a todo o momento. Neste sentido, a conectividade passa a ter papel fundamental.

Já com relação a telemática, logo pensa-se em seguro de automóvel e produtos como pay as you drive, isto é, pagar pelo que dirige. Em minha percepção, foi notável que o foco migrou para pay how you drive and where you drive – pague como você dirige (se freia com constância, se desrespeita regras de trânsito, etc.), além do local onde dirige. No entanto, a grande surpresa veio com a mudança do conceito do uso destes dispositivos, com grande foco na redução da sinistralidade, isto é, a tecnologia embarcada deixa ser apenas um acumulador de dados para uso em precificação, mas passa também a dar feedback em tempo real para o cliente, permitindo que a pessoa mude de comportamento, reduzindo ou evitando riscos.

Quando pensamos em tecnologia, na maior parte das vezes, temos um viés positivo, mas sabemos que nem sempre é assim. Por exemplo: a quantidade de acidentes aumentou em razão das pessoas terem passado a digitar mensagens em seus smartphones enquanto dirigem. Dispositivos que permitam alertar o motorista instantaneamente fazendo com que mudem seu comportamento têm um valor inestimável. Os resultados que vem sendo obtidos apontam para uma redução de, pelo menos, 20% nos índices de sinistralidade.

Paralelamente, pude notar que a natureza do risco em si está mudando, passando das pessoas para as máquinas. E que dentro desse contexto existem focos de preocupação crescentes associadas aos riscos advindos de incertezas geopolíticas, mudanças climáticas, terrorismo e crimes cibernéticos.

Em relação às novidades, observei diversas iniciativas no desenvolvimento de produtos que oferecem uma cobertura dinâmica, muitos deles com a características de poderem ser “ligados” e “desligados” de acordo com a necessidade do cliente. São opções interessantes, com apelo mercadológico atraente, entretanto fico pensando se tais produtos não são fonte inesgotável de anti-seleção de risco, ou seja, só “ligará” a cobertura quando souber que correrá mais risco, quebrando a espinha dorsal de um dos pilares conceituais do seguro: a cobertura para eventos incertos.

Quanto à postura das grandes seguradoras em relação ao advento das insurtechs, verifiquei uma significativa mudança de rota. Ao invés de tentar competir ou eliminar as start-ups, as seguradoras estão buscando estabelecer parcerias com elas. Fica claro que se não for impossível criar operações inovadoras dentro de empresas tradicionais solidamente estabelecidas, é extremamente moroso e não necessariamente mais eficaz do que se associar a uma empresa mais enxuta, ágil e com foco centrado numa questão específica.

Por outro lado, insurtechs de sucesso têm sido aquelas que não optam por criar soluções incríveis para problemas inexistentes, e sim as que buscam achar primeiramente os problemas reais e cotidianos das seguradoras. Após essa etapa, há a possibilidade de então oferecer uma solução inovadora, principalmente na questão de eficiência e na redução de custo de sua operação.

Pensando no futuro dos seguros de automóvel imediatamente nos remetemos ao impacto da telemática, e como dito acima, o foco deixou de ser o quanto você usa seu carro para o como e onde. Depreendi que ainda estamos longe do carro totalmente autônomo – pelo menos uma década em países desenvolvidos e bem mais do que isso em países em desenvolvimento como o Brasil. Não é mais uma questão de “se”, mas sim de “quando”. Vale lembrar que, antes da chegada dos carros totalmente autônomos, teremos a fase transitória de veículos semiautônomos, aqueles que possuem pilotos automáticos para estradas, mas que passam para comandos manuais em ambientes urbanos.

Aqui, mais uma vez, vemos a mudança na natureza do risco. Teremos que pensar na divisão e admissão de responsabilidade em cada momento específico. Numa estrada, quando um computador está no comando do veículo e na eventualidade de um acidente, a quem deve ser imputada a culpa? Ao fabricante do veículo, do software ou o provedor de internet? E nos momentos nos quais a pessoa assume a condução? Além disso, como precificar e fazer a gestão do sinistro em veículos com car sharing e ride sharing (dentro do conceito de compartilhamento)? São mudanças nada triviais com relação ao que temos hoje.

De qualquer forma, é consenso que o uso da tecnologia trará uma sensível redução nos acidentes, permitindo uma diminuição no valor cobrado pelo seguro (prêmio) e um aumento na quantidade de pessoas que poderão comprar a proteção.

Quanto aos produtos e serviços de seguros em geral, as pessoas buscam algo que contemple elementos, normalmente, fora da indústria de seguros atual, isto é, o padrão de comparação deixou de ser o seguro em si nos diversos competidores no mercado e passou a ser a experiência obtida em empresas como o Google ou a Apple. Os consumidores de seguros estão em busca de produtos simples, personalizados, de empresas que agem proativamente no sentido de maximizar a satisfação do cliente em todo o processo, desde a compra, sinistro, passando pela prestação de serviço em si, chegando até a renovação da apólice.

Há a necessidade de uma interação rápida, sem percalços e sem que o cliente tenha que se adaptar aos processos internos das empresas, pelo contrário, os processos terão que ser adaptados para atender as necessidades dos consumidores e, neste sentido, o uso da tecnologia passará a separar os vencedores dos perdedores. A conclusão é que as empresas precisam recalibrar seu olhar, mudando do foco interno para o externo, isto é, pela ótica do cliente e não aquela de suas áreas de processos.

Fica evidente que a chave do sucesso é passar a resolver os problemas dos clientes e não os problemas dos produtos e serviços. Para tanto, as empresas precisarão de uma revisão muito séria de suas estratégias, estruturas e qualificação de pessoal, dado que o mote deixará de ser na função e passará a ser na emoção da experiência como um todo.

No que tange o papel do corretor neste mundo digital, reforço a tese que a categoria não deixará de existir, mas precisará revisar seu papel. Os corretores sobreviventes serão aqueles que deixarão a tecnologia como protagonista no âmbito de gerenciamento de atividades processuais burocráticas e repetitivas e passarão a assumir o papel crucial de consultores de risco para seus clientes. Vale mencionar que os corretores do futuro deverão ajudar as seguradoras em questões ligadas a aceitação de risco e precificação em circunstâncias nas quais as máquinas não têm a capacidade de interligar fatos, que a princípio não parecem estar correlacionados.

Também faço questão de compartilhar que tive a grata oportunidade de assistir um interessantíssimo painel de debates a respeito da revisão do papel do órgão regulador em função de tantas mudanças trazidas pela aplicação da tecnologia. O tema é extenso e merece um texto específico, mas apenas para não deixar passar em branco, listo algumas das preocupações dos reguladores: como regular o uso e armazenamento de grandes bases de dados e sua privacidade, como evitar a discriminação injusta – apesar da subscrição de risco ser por natureza discriminatória – , como a tecnologia impactará questões de solvência e a proteção dos direitos do consumidor, como regular machine learning, isto é, computadores tomando decisões sobre aceitação de risco e precificação, como regular a oferta de dispositivos e sensores pelas seguradoras no sentido de coletar dados e minimizar riscos, até com o envio de sinais para tomada de ação instantânea para reduzir ou evitar riscos.

A conclusão que chego é que vivemos um momento fascinante tanto para as seguradoras, como para as insurtechs, reguladores, investidores e, principalmente, para os clientes. Oportunidades estão por todos os lados, especialmente na questão de soluções para redução de riscos, na coleta, no processamento e interpretação de grandes bases de dados, além do uso da tecnologia para otimização de processos com o intuito de melhorar a experiência do cliente com a indústria de seguros.

Mercado segurador cresce 4,8% até agosto, destaca CNseg

Fonte: CNseg

Alguns ramos do setor de seguros mais sensíveis ao ciclo de estabilização econômica melhoraram seus índices e a arrecadação nominal apontou um crescimento de 4,8% até agosto de 2017 em comparação com igual período do ano anterior. O volume arrecadado atingiu o montante de R$160,5 bilhões, segundo os dados divulgados pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) e reunidos pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) para o boletim conjuntural Carta do Seguro, cuja edição ratifica o caminho da recuperação do setor em 2017 e aponta que os prêmios de seguros e aportes a planos de previdência e títulos de capitalização totalizaram R$ 22,3 bilhões em agosto, com crescimento de 10,2% ante o mesmo mês de 2016. “Olhando a série de janelas de 12 meses, essa recuperação precisa ser examinada com cautela porque o mercado de seguros, previdência e capitalização revela ainda desaceleração, considerando a sua maior resiliência em 2016”, analisa o presidente da CNseg, Marcio Serôa de Araujo Coriolano, em editorial da Carta do Seguro.

Um dos segmentos que também denotam evolução é o de Automóveis, que no acumulado do ano já mostra aumento de 6,5% relativamente a idêntico período de 2016. Também evoluíram Crédito e Garantias (39%), Garantia Estendida (3,4%) e Rural (14,6%). No segmento de Cobertura de Pessoas, os Planos de Acumulação VGBL tiveram recuperação, tendo a taxa de crescimento passado de 4% para 5,3%,.

Na mesma edição da Carta do Seguro, o economia Lauro Faria, da Escola Nacional de Seguros (ENS) destaca que os últimos dados registrados no mercado de seguros ratificam o cenário de retomada do crescimento do produto com queda da inflação e, como consequência, da taxa básica de juros comandada pelo Banco Central. O IBC-BR, que é uma estimativa do PIB calculada pelo BC, teve expansão de 0,4% em julho passado sobre o mês anterior na série com ajuste sazonal e de 1,2% no acumulado do ano até julho contra os sete meses anteriores.

Faria assinala que a taxa de desocupação recuou para 12,6% no trimestre junho/agosto de 2017, menos 0,7 ponto percentual em relação ao trimestre março-maio anterior. Assim, a expectativa de crescimento do PIB para o ano de 2017, constante do Boletim Focus de 29/09/2017, avançou para 0,7%, a da inflação caiu para 2,95% (dez.2017 / dez.2016), e a da taxa Selic, para 7% ao final de 2017. Mostrando, contudo, que a economia ainda não se recuperou de todo, o dado de agosto da produção industrial revelou queda de 0,8% em comparação com o mês imediatamente anterior na série com ajuste sazonal, resultado que interrompeu quatro meses seguidos de expansão.

A forte redução das taxas de juros teve efeitos diretos e indiretos sobre as seguradoras, aponta o economista da ENS. Na área da Susep, no agregado, o resultado financeiro caiu 13,9%, e o resultado patrimonial, 16,7% no acumulado do ano em comparação com o mesmo período de 2016. “Em compensação, melhorou a eficiência técnica das seguradoras: a chamada “margem bruta” (sinistralidade + índice de despesas de comercialização) para o total do mercado caiu no mesmo período de 71,2% para 70,4% (em Ramos Elementares, de 77,5% para 77,1% e em coberturas de riscos de Seguros de Pessoas, de 57,6% para 56,7%). No entanto, tal melhora não foi suficiente para manter a taxa de rentabilidade do patrimônio liquido do conjunto das seguradoras, que, em termos anualizados, caiu de 23,4% no acumulado de 2016 até agosto para 20,2% no mesmo período de 2017. Note-se que ainda assim trata-se de taxa de retorno elevada, mormente se comparada à de outros setores da economia brasileira”, analisa Faria.

Indústria

A edição da Carta do Seguro traz também uma entrevista com o Presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, na qual ele aponta que o consumo das famílias é o ponto principal da retomada do crescimento da indústria. “No momento atual, há um certo descolamento da atividade produtiva da crise política. As condições de ajuste financeiro das famílias viabilizam o retorno gradual do consumo. As empresas também realizaram ajustes de custo, ao longo do penoso processo recessivo, que as tornaram mais eficientes. Temos, assim, algum espaço para crescer, mesmo com as dificuldades políticas. No entanto, é indispensável um ambiente de previsibilidade e segurança quanto a avanços no ajuste fiscal e a reformas necessárias para melhorar o ambiente de negócios e estimular investimentos. Nesse sentido, a superação da atual crise política e as perspectivas de um novo governo comprometido com essa agenda, a partir das eleições de 2018, são fundamentais”, destaca Andrade.

Seguem mais números relativos ao resultado do mercado segurador no mês de agosto de 2017, comparados com o mesmo período do ano passado:

· Seguro Habitacional: variação nominal de 11% (arrecadação de R$ 2,4 bilhões);

· Seguros de Responsabilidade Civil: variação nominal de 3,7% (arrecadação de R$ 4,7 bilhões);

· Seguro Viagem: variação nominal de 45,5% (arrecadação de R$ 357,4 milhões);

· Seguro Prestamista: variação nominal de 24,6% (arrecadação de R$ 6 bilhões);

· Seguro Rural: variação nominal de 5,6% (arrecadação de R$ 8,9 bilhões);

· Seguro de Vida: crescimento de 14,6% (arrecadação de R$ 2,6 bilhões).