Zurich e Ouze renovam parceria

A Ouze, administradora de cartões e serviços financeiros distribuídos nas lojas Studio Z Calçados (STZ), acaba de renovar a parceira com a Zurich para a comercialização de seguros nas lojas físicas e canais digitais do grupo por mais cinco anos. 

Parceiros desde 2019 (quando a financeira ainda se chamava Calcard), as empresas estão renovando o acordo para a distribuição dos produtos bolsa protegida (indenização em caso de roubo e furto de bolsas e mochilas, incluindo itens como celular), seguro prestamista (que garante o pagamento de dívidas em caso de infortúnio pessoal, neste caso para faturas e empréstimos) e seguro de acidentes pessoais com assistência residencial (proteção financeira em caso de acidentes).  

Fundado em 1975 em Várzea Grande (MT), o grupo ao qual pertence a Ouze conta atualmente com mais de 100 lojas em 16 estados, com forte presença nas regiões Centro-Oeste e Sul. Com mais de 4 milhões de clientes, a empresa é um parceiro estratégico para a atuação regional da Zurich, especialmente com foco na ampliação da proteção do seguro para as camadas mais jovens da sociedade, além de fortalecer a presença da seguradora em um segmento estratégico, que é o da moda. 

“O novo contrato, conta com a reformulação do portfólio de produtos, que agora contam com mais proteções para o cliente Ouze, além da inclusão do seguro de Empréstimo Pessoal”, explica Ricardo Vianna, diretor comercial de Parcerias da Zurich Seguros. “A Ouze atende a um público diverso, mas a prevalência de jovens entre os clientes traz a oportunidade de focar em pessoas que buscam uma experiência digital completa, com preço justo e variedade de produtos, além da facilidade e agilidade nos serviços contratados”, complementa o executivo. 

Segundo Eduardo Guirado, diretor de Serviços Financeiros da Ouze, “a Studio Z acredita que moda é também sobre viver com mais liberdade, segurança e estilo. Por isso, seguimos confiando na parceria entre Ouze e Zurich, que reforça nosso compromisso com soluções que protegem nossos clientes e suas jornadas, dentro e fora das nossas lojas. São mais cinco anos de inovação, cuidado e proximidade com quem está sempre em movimento.” 

Geração Z enxerga na previdência privada um caminho para seu futuro financeiro

Formada por jovens nascidos entre 1995 e 2010, a chamada Geração Z chega ao mercado de trabalho com novos valores, priorizando autonomia, bem-estar e segurança, e buscando mais do que bons salários: quer equilíbrio, propósito e liberdade para traçar a própria jornada. E sinaliza que, apesar da pouca idade, não tem o planejamento financeiro como uma preocupação distante. 

De acordo com a edição 2025 da pesquisa global Gen Z and Millennial Survey, elaborada pela Deloitte com mais de 23 mil participantes, 48% dos jovens dessa geração não se sentem financeiramente seguros e, na mesma proporção, apontam a preocupação com o futuro financeiro a longo prazo como um dos cinco fatores causadores de ansiedade e estresse. Essa insegurança também afeta o bem-estar: entre os que não se sentem financeiramente seguros, apenas 28% se dizem felizes com a vida, o que demonstra o peso que o planejamento financeiro tem na saúde emocional desses jovens. Além disso, quatro em cada dez entrevistados revelaram ter medo de não conseguirem se aposentar com tranquilidade.  

“As projeções demográficas do IBGE indicam que, em 2050, cerca de 23% da população brasileira terá mais de 60 anos, praticamente o dobro dos atuais 12,9%. Essa transformação na pirâmide etária exercerá forte pressão sobre o sistema previdenciário público, evidenciando a urgência de alternativas complementares de proteção financeira”, alerta Marcelo Rosseti, superintendente sênior de Negócios da Bradesco Vida e Previdência.  

Rosseti avalia que esse perfil da nova geração, voltado à busca por protagonismo, liberdade e poder de decisão sobre o próprio futuro, está em sintonia com os principais atributos da previdência privada. “Por ser um produto de longo prazo, com características que a diferenciam dos demais investimentos, como o benefício fiscal, a previdência privada surge como alternativa natural para complementar a renda provida pelo INSS. E, dada a sua flexibilidade, estende seus benefícios para além da aposentadoria, podendo ser programada, por exemplo, para custear uma especialização no exterior, um período sabático, uma transição de carreira, a abertura de um negócio ou mesmo a aquisição de um imóvel”, destaca. 

Outro estudo, a 8ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro, elaborada pela ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), revela que 10% da Geração Z investe com foco na aposentadoria, o que pode ser considerado um sinal de maturidade financeira, dado que, em uma faixa etária mais próxima dessa fase da vida, como a Geração X (44 a 63 anos em 2024), a intenção é de 12%. 

Atualmente, segundo a Fenaprevi (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida), apenas 7% da população adulta brasileira possui um plano de previdência privada. “É um número que mostra o quanto ainda podemos avançar em educação financeira e acessibilidade. Diferentemente do que muitos pensam, esse produto não exige investimentos elevados, nem está restrito à parcela de maior renda da população. A Bradesco Vida e Previdência, por exemplo, oferece planos com aplicação inicial a partir de R$ 50, o que possibilita que mais pessoas possam dar o primeiro passo para a construção de uma reserva financeira”, complementa Rosseti. 

CNseg: seguros e agronegócio entre os setores mais ameaçados pela crise climática 

por CNseg

As mudanças climáticas já não são apenas uma preocupação científica ou ambiental: seus efeitos estão remodelando setores inteiros da economia. Quem fez o alerta foi o físico e professor da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Artaxo, em apresentação no 3º Workshop de Seguros para Jornalistas, promovido pela CNseg no dia 22 de agosto.
 

Segundo ele, diferentes áreas serão afetadas de forma desigual, mas algumas estão sob risco mais imediato. “O setor de seguros é um dos mais vulneráveis às mudanças climáticas”, afirmou, lembrando que desastres naturais de grande porte, como as enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul em 2024, abalam a confiança da sociedade e pressionam as empresas a reverem modelos de negócio.
 

O impacto, contudo, vai muito além. Artaxo ressaltou que o planeta já se aqueceu 1,55°C em média, mas como 75% da superfície terrestre é coberta por oceanos, os continentes, onde vivem as populações e se concentram as atividades econômicas, já ultrapassaram 2,2°C de aumento. “Provavelmente, chegaremos a um aumento médio de temperatura da ordem de 3°C ao longo deste século. No Brasil, isso significa até 4°C a mais, em algumas regiões”, alertou.
 

Eventos extremos cada vez mais frequentes

Um dos pontos centrais da fala foi o avanço dos eventos climáticos extremos. O IPCC estima que um fenômeno que no passado ocorria uma vez a cada 50 anos poderá se tornar 39 vezes mais frequente e cinco vezes mais intenso se o planeta aquecer 4°C. Esse cenário já encontra reflexo no presente: 2024 foi o ano mais quente já registrado no Brasil, com aumento expressivo de ondas de calor, secas prolongadas e chuvas intensas
.

Na cidade de São Paulo, por exemplo, o número de dias com chuva superior a 80 mm, que é um volume suficiente para causar enchentes, se multiplicou por quatro desde 1935. Já no Cerrado, 76% dos municípios perderam recursos hídricos nos últimos 30 anos, segundo dados do MapBiomas citados por Artaxo.
 

Pressão sobre saúde e alimentos

O professor destacou ainda que as mudanças climáticas são hoje uma das maiores ameaças à saúde humana, segundo a Organização Meteorológica Mundial. Na Europa, uma onda de calor em 2003 provocou 70 mil mortes; em 2022, o número chegou a 60 mil. No Brasil, estudo da UFRJ, baseado em dados do SUS, calculou cerca de 48 mil mortes adicionais associadas ao calor em regiões metropolitanas. “Muitas vezes, as populações mais pobres e vulneráveis são as mais atingidas, com índices de mortalidade quatro vezes maiores”, disse.
 

A crise climática ameaça também a produção de alimentos. O Fórum Econômico Mundial já apontou que, em um planeta 3°C mais quente, a produtividade agrícola cairá nas regiões tropicais, incluindo o Brasil, cuja economia é fortemente baseada no agronegócio. A redução das chuvas no Brasil central e no Nordeste, além da elevação do nível do mar, que pode chegar a 1,5 metro até 2100, tendem a pressionar ainda mais a segurança alimentar. Para o especialista, essa situação levanta uma questão crucial: “Um Brasil baseado no agronegócio pode não ser um país tão viável já nas próximas décadas”.
 

Limites do “net-zero” e a saída possível

Artaxo foi categórico ao afirmar que os compromissos de neutralidade de carbono até 2040, 2050 ou 2060 não são realistas no atual ritmo de emissões. Ele lembrou que a produção de alimentos sozinha responde por 25% dos gases de efeito estufa, e que a perda de biodiversidade e os impactos socioeconômicos tornarão ainda mais difícil atingir o “net-zero”.
 

Diante do cenário, deixou uma reflexão: “A gente vai sair dessa? E a resposta é sim. Nós vamos sair dessa. Mas será preciso construir uma sociedade baseada nos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”, disse. Para ele, a mudança climática deve ser vista como parte de uma transição da humanidade para um mundo mais sustentável.
 

A COP30 como oportunidade

Ao concluir sua apresentação, Artaxo lembrou a importância da próxima Conferência do Clima, a COP30, em Belém, que deve ser “a COP da virada”. Segundo ele, será necessário reduzir emissões tanto de combustíveis fósseis quanto do desmatamento, estruturar mecanismos de financiamento climático para países em desenvolvimento, investir em adaptação e reforçar o multilateralismo.
 

“O modelo socioeconômico que nos trouxe até aqui não é sustentável sequer a curto prazo. É urgente mudar a trajetória”, disse. E reforçou: “A mensagem principal é que o setor de seguros é um dos mais vulneráveis para as mudanças climáticas.”

Seguradoras ampliam lucro em 16% no 1º semestre de 2025, para R$ 16,5 bilhões

por Denise Bueno

O setor de seguros manteve trajetória de crescimento no primeiro semestre de 2025, registrando lucro líquido consolidado de R$ 16,5 bilhões, alta de 16% em relação ao mesmo período de 2024, quando o resultado havia sido de R$ 14,2 bilhões, segundo levantamento da Siscorp com base em dados da Susep, que excluem saúde. A expansão reflete, sobretudo, ganhos de escala dos grandes conglomerados financeiros, melhora dos índices técnicos e um ambiente de menor volatilidade em algumas carteiras de risco.

Na liderança do ranking, houve troca de posições entre os dois maiores grupos do mercado. O Banco do Brasil assumiu a dianteira com R$ 3,2 bilhões de lucro até junho, avanço de 26% sobre 2024. O Bradesco, que havia liderado no ano anterior, caiu para a segunda posição, com R$ 2,4 bilhões, queda de 12%. Embora a metodologia da Siscorp considere apenas as operações supervisionadas pela Susep, é importante destacar que, no consolidado geral do setor, incluindo a área de saúde, fiscalizada pela ANS, o grupo Bradesco Seguros mantém a liderança. A companhia registrou um lucro líquido de R$ 4,737 bilhões no primeiro semestre de 2025, alta de 14,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo balanço divulgado em 30 de julho.

A Caixa Econômica Federal manteve a terceira colocação, com R$ 2,05 bilhões (+23%), seguida por Itaú Unibanco (R$ 1,26 bilhão, +18%). Entre os grupos estrangeiros, destaque para a SulAmérica, que subiu do oitavo lugar em 2024 para a quinta posição, com lucro de R$ 852 milhões – crescimento expressivo de 74%.

O ranking também mostrou movimentações importantes. A Porto Seguro e a Tokio Marine mantiveram posições de destaque na disputa pela sexta colocação. A Porto alcançou R$ 832 milhões de lucro no semestre, enquanto a Tokio registrou R$ 792 milhões. Como o avanço de SulAmérica, Porto, Tokio, a Prudential, que havia ocupado a quinta posição em 2024, com R$ 792 milhões, caiu para a oitava em 2025, com lucro de R$ 757 milhões, retração de 4%.

Outro destaque foi o desempenho do Zurich, que praticamente dobrou seu lucro, saindo de R$ 347 milhões em 2024 para R$ 520 milhões em 2025, subindo uma posição no ranking. Já a Seguros Unimed apresentou avanço expressivo, passando do 14º para o 12º lugar, com R$ 385 milhões (+96%), e a Icatu também melhorou sua colocação, alcançando o 13º posto com R$ 340 milhões (+3%).

Na parte inferior da lista, algumas companhias ainda enfrentam desafios. A Starr Seguros, que havia registrado prejuízo em 2024 (-R$ 3,1 milhões), reverteu o resultado e apresentou lucro de R$ 20 milhões em 2025. Já a AXA, que havia lucrado R$ 10 milhões no ano anterior, voltou ao vermelho, com prejuízo de R$ 8,5 milhões.

O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) médio das 50 maiores seguradoras passou de 25% em 2024 para 28% em 2025, evidenciando melhora na rentabilidade. Destaque para Banco do Brasil, com ROE de 88%, e para a XP Vida e Previdência, que, embora ainda em posição intermediária, mostrou um dos maiores avanços percentuais, com ROE de 41%.

Analistas apontam que a tendência para o segundo semestre é de continuidade do movimento de expansão, mas em ritmo mais moderado, diante das incertezas macroeconômicas, da concorrência crescente em produtos de vida e previdência e dos impactos regulatórios do novo marco legal dos seguros, que entra em vigor em dezembro. Também influencia no crescimento de arrecadação a tributação do IOF sobre o VGBL.

Segundo a Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), a captação líquida – resultado dos aportes menos os resgates – foi negativa em R$ 3,1 bilhões. O resultado é 170,8% abaixo do registrado em junho de 2024, ou seja, R$ 7,5 bilhões a menos. Os prêmios e contribuições totalizaram R$ 8,2 bilhões, queda de 44,9% frente ao mesmo mês de 2024, ao passo que os resgates subiram 7,6%, com R$ 11,4 bilhões.

O presidente da Fenaprevi, Edson Franco, afirma que a cobrança de IOF no VGBL interrompeu o fluxo de novas contribuições, em razão da instabilidade regulatória e da insegurança gerada por decretos sucessivos e suas repercussões no Legislativo e no Judiciário, o que trouxe grandes desafios operacionais para as empresas do setor.

“A Fenaprevi segue convicta de que o IOF no VGBL deveria ser revogado e o produto incentivado por ser o instrumento de proteção previdenciária mais inclusivo do mercado ao atender a todas as modalidades de emprego, principalmente considerando o contexto demográfico, de envelhecimento da população, as novas relações do mercado de trabalho e os desafios do sistema de previdência pública”, pontua Franco.  Vale lembrar que o setor administra R$ 1,7 trilhão em ativos, fruto do esforço contínuo das mais de 11 milhões de pessoas que buscam a proteção de longo prazo.

A CNseg, confederação das seguradoras, ainda não divulgou uma nova projeção do crescimento do setor para 2025. Antes da tributação do VGBL, que é a maior carteira de arrecadação do setor (sem considerar saúde), a expectativa era de avanço de 10% para o ano, impulsionado por um cenário económico com inflação sob controlo e avanços no varejo e na indústria. Entre as prioridades da CNseg estão a preparação para o novo Marco Legal dos Seguros, o acompanhamento da regulamentação da reforma tributária e iniciativas para a agenda climática, como o Seguro Social de Catástrofe e a participação na COP30 em Belém. 

De qualquer forma, o resultado geral do setor mostra a solidez e a capacidade de adaptação das seguradoras brasileiras a pressão regulatória e macroeconômica do país, mas também revela concentração crescente nos grandes grupos financeiros, que detêm as maiores fatias de lucro do setor, segundo análise do relatório da Siscorp. “Se comparado com o volume de vendas, a curva do lucro está em outra direção, sinalizando melhoria nos processos e aumento de preço para garantir a margem”, comenta Dawson Henriques, sócio diretor da Siscorp.

O levantamento também evidencia uma diferença estrutural entre bancos e seguradoras independentes. Enquanto os conglomerados financeiros — caso de Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Caixa — concentram os maiores volumes absolutos de lucro e apresentam retornos robustos, sustentados pela diversificação em previdência e canais bancários de distribuição, grupos independentes como SulAmérica, Porto Seguro, Tokio Marine e Prudential vêm ganhando terreno pela eficiência operacional e capacidade de adaptação a novos nichos. Essa dinâmica reforça a concentração do mercado, mas também revela espaço para estratégias diferenciadas de crescimento fora do eixo bancário.

HDI Global nomeia novo Head de Marine Global Risk

A HDI Global anunciou a nomeação de Nikita Tikhonov como novo Head de Marine Global Risk, a partir de 1º de setembro. Ele ficará baseado na matriz de Hannover e se reportará a Carsten Schulte, Head de Marine Underwriting.

Tikhonov iniciou sua carreira como subscritor de Marine e Property na Rússia e ingressou na HDI Global em 2018, com passagem pela área de Marine Cargo e de Acidentes & Saúde. Atualmente, atua como underwriter de Global Risk, apoiando filiais da companhia em todo o mundo no desenvolvimento do portfólio automotivo.

Ele sucede Felix Cassau, que deixará a HDI para novos desafios na Hannover Re. “Estou muito grato e entusiasmado com esta oportunidade, acredito que será uma jornada fascinante”, disse Tikhonov.

Segundo Schulte, “Nikita traz forte expertise, energia e uma nova perspectiva. Estou confiante de que, sob sua liderança, continuaremos a ser o parceiro preferencial de clientes e corretores em Marine Global Risk”.

Mercado de resseguros perde fôlego local e inaugura fase de títulos vinculados a seguros

por Denise Bueno

A publicação da segunda edição do Revision (Re)search, estudo da Associação Brasileira das Empresas de Corretagem de Resseguros (ABECOR) e Editora Roncarati, mostra que o mercado brasileiro de resseguros entrou em 2025 com duas tendências opostas: de um lado, a emissão inédita da primeira Letra de Risco de Seguros (LRS), abrindo caminho para o desenvolvimento do mercado de insurance-linked securities (ILS) no país; de outro, a continuidade da queda na retenção de prêmios pelas resseguradoras locais e o aumento da dependência da capacidade internacional.

Em maio, a Andrina SSPE, em parceria com o Itaú BBA, estruturou a primeira LRS do mercado brasileiro, no valor de R$ 33,7 milhões. O título foi patrocinado pelo IRB(RE) e adquirido pela tesouraria e pela asset do grupo Itaú. Com vencimento em 17 meses e remuneração de CDI + 2,5%, a emissão protege parte das exposições do ressegurador em contratos de seguro garantia de 14 grupos econômicos brasileiros.

A operação é considerada um marco regulatório e financeiro, pois resulta de quase uma década de debates iniciados com a experiência pioneira da Terra Brasis, em 2016, quando a resseguradora listou na Bolsa de Bermuda o primeiro ILS privado da América Latina. Embora a nova LRS não esteja associada a riscos catastróficos — característica que confere maior diversificação a esse tipo de instrumento — ela atraiu investidores acostumados a lidar com crédito e garantias, mostrando que o mercado doméstico pode, aos poucos, se abrir a estruturas mais sofisticadas.

Se o lado da inovação avança, os dados de retenção preocupam. Em 2018, as resseguradoras locais absorviam 59% do prêmio de resseguro emitido pelas seguradoras brasileiras. Esse percentual caiu para 30% em 2024 e, no primeiro trimestre de 2025, recuou ainda mais, para 28%. Na prática, mais de 70% do risco está sendo transferido para resseguradores offshore.

O quadro é agravado pela perda de ímpeto das cessões de resseguro. O volume aceito por resseguradoras locais oriundo de seguradoras estrangeiras — equivalente à cessão de resseguro — despencou de R$ 5 bilhões em 2020 para R$ 1,9 bilhão no fim de março deste ano. Com isso, o Brasil, que chegou a vislumbrar papel de “exportador” líquido de capacidade, tornou-se dependente de importações, afirma o estudo.

O ranking de resseguro cedido pelas seguradoras brasileiras reflete essa dinâmica. Grupos verticalizados — que combinam operações de seguros e resseguros — seguem ganhando espaço, com destaque para Allianz, Tokio Marine, HDI e Swiss Re, que subiram posições no primeiro trimestre de 2025. Já BrasilSeg e Austral perderam participação.

Na lista de cedentes, a Mapfre manteve a liderança, com R$ 742 milhões em prêmios ganhos cedidos (11,6% do mercado), seguida pela Allianz, que subiu para a segunda posição, com R$ 586 milhões (9,1%). Tokio Marine vem logo atrás, com R$ 468 milhões (7,3%). O desempenho desses grupos contrasta com a queda da BrasilSeg, que recuou para a quarta posição, com 6,1% .

No ranking dos resseguradores, o IRB ainda ocupa a liderança, com 15,5% do mercado, mas perdeu fôlego. Allianz avançou para a segunda posição, com 11,4%, e a Mapfre caiu para a terceira, com 9,6%. A Munich Re também ganhou espaço, chegando a 7,5%. A concentração, contudo, segue elevada: os dez maiores grupos controlam cerca de 75% do mercado, e os 25 maiores respondem por 94%.

O desempenho financeiro das resseguradoras locais mostra alguma recuperação após os anos mais desafiadores da pandemia. O índice combinado do mercado permanece próximo de 100%, mas com distinção entre o IRB, que opera em torno de 105%, e as demais locais, abaixo de 100%.

O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) foi positivo para a maior parte das resseguradoras locais no primeiro trimestre, superando inclusive o CDI e a valorização do Ibovespa no período. O lucro líquido consolidado das resseguradoras locais alcançou R$ 286 milhões, contra R$ 245 milhões em igual período de 2024, aproximando-se dos níveis pré-pandemia.

O estudo da ABECOR sintetiza um paradoxo. De um lado, a estruturação da primeira LRS mostra que o mercado doméstico de capitais pode absorver instrumentos inovadores e sofisticados de transferência de risco, colocando o Brasil no radar internacional de ILS. De outro, a redução da retenção de prêmios e a queda nas exportações fragilizam a base local de resseguro, deixando o país mais vulnerável a choques externos de capacidade.

Segundo o executivo Rodrigo Botti, head de contratos de resseguro da Lockton Re e um dos autores do estudo, a tendência é que novas emissões de LRS sejam estruturadas nos próximos anos. Mas a discussão central continua sendo a necessidade de fortalecer a musculatura local, evitando que o mercado brasileiro dependa excessivamente do capital estrangeiro em momentos de crise.

Mudança climática impõe novo paradigma à indústria de seguros, alerta presidente da CNseg

“As mudanças climáticas não estão apenas elevando o volume de indenizações pagas pelo setor de seguros, mas transformando a própria essência da atividade seguradora”, afirmou o presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), Dyogo Oliveira, durante a abertura do 3º Workshop de Seguros para Jornalistas, realizado pela CNseg no dia 22 de julho, no Rio de Janeiro.

Segundo ele, o maior desafio para os próximos anos será rever a modelagem de análise de risco, já que o método tradicional, baseado em estatísticas passadas, não consegue mais capturar a realidade atual.

Oliveira explicou que as mudanças climáticas representam uma “quebra de série temporal”. Em outras palavras, os dados históricos, que serviam de base para precificar e calcular riscos, deixaram de refletir o que está por vir. “A realidade atual não se comporta mais como se comportava no passado. Portanto, olhar os dados do passado não serve para avaliar qual é o risco futuro”, afirmou.

O impacto já é sentido, por exemplo, no seguro rural, que enfrentou graves problemas de precificação nos últimos anos. Ele citou o caso do Rio Grande do Sul: historicamente, havia uma seca a cada dez anos. No entanto, em apenas cinco anos, o estado registrou quatro secas e três enchentes. “Seca num semestre, enchente no outro”, resumiu.

Segundo o presidente da CNseg, esse é o retrato mais claro de como os eventos climáticos se tornaram mais frequentes, voláteis e severos. No Brasil, 94% dos municípios decretaram estado de emergência ou calamidade por motivo climático ao menos uma vez nos últimos dez anos, somando R$ 327 bilhões em perdas econômicas. Apenas em 2024, foram registrados 1.690 eventos, média de quatro por dia.

Apesar do quadro, ele ressaltou que a participação do setor de seguros ainda é limitada: no caso do Rio Grande do Sul, as perdas chegaram a mais de R$ 100 bilhões, mas apenas R$ 6 bilhões foram cobertos por apólices.

Para enfrentar esse cenário, a CNseg tem atuado em fóruns internacionais, com presença na London Climate Week, no Fórum Brasil-França de Seguros e na Europe Insurance Meeting, o maior evento de seguros da Europa. Oliveira lembrou que a urgência do tema é global: no ano passado, o mundo registrou US$ 368 bilhões em prejuízos econômicos decorrentes de eventos climáticos, sendo que 40% desse valor, US$ 145 bilhões, foram suportados pela indústria de seguros. No Brasil, a Confederação também vem desenvolvendo iniciativas, como o Hub de Inteligência Climática, destinado a aprimorar o conhecimento sobre riscos e auxiliar as seguradoras na criação de produtos mais adequados.

O presidente da CNseg chamou atenção ainda para uma lacuna preocupante: o setor público brasileiro, que também sofre os impactos das mudanças climáticas, hoje, está completamente sem nenhum seguro. “Não há seguro da infraestrutura pública, das rodovias, das ferrovias, dos aeroportos. Não há seguro dos prédios públicos, das escolas, dos hospitais, dos escritórios do governo. Não há seguro para nada disso”, afirmou.

“O clima não apenas mudou. Ele se tornou mais volátil, e os extremos mais frequentes”, reforçou o presidente da CNseg, lembrando que o setor terá papel fundamental na construção de resiliência da sociedade frente aos impactos climáticos.

CNseg: novo hub de riscos climáticos promete transformar dados em decisões estratégicas

O setor de seguros brasileiro dá um passo à frente na adaptação às mudanças climáticas. Durante o painel “Desafios da transição climática: A importância de dados climáticos para melhorar a precificação dos riscos na transição climática”, realizado no 3º Workshop de Seguros para Jornalistas, em 22 de agosto, no Rio de Janeiro, o professor da Universidade Federal de São João Del-Rei (UFSJ), Fernando Teixeira, apresentou o projeto de hub de dados socioambientais e riscos climáticos, que sua equipe está desenvolvendo para a CNseg.

O que é o hub de dados socioambientais e riscos climáticos

O hub é uma plataforma inovadora que integra dados científicos, socioeconômicos e ambientais, oferecendo informações precisas para tomada de decisão de seguradoras e gestores públicos. “A gente vai processar todas essas bases de informações e colocar isso num número, junto com uma explicação de como chegamos a esse número. A seguradora pode usar esse dado ou tirar suas próprias conclusões sobre o risco”, explicou Teixeira.

A ferramenta permitirá consultas por CPF, CNPJ, CAR, endereço, CEP, coordenadas geográficas ou até mesmo polígonos específicos. Com isso, seguradoras poderão avaliar com mais precisão riscos de eventos climáticos, enquanto municípios e empresas terão acesso a informações que os ajudam a planejar estratégias de adaptação e mitigação.

Por que o hub é necessário

Claudia Prates, diretora de Sustentabilidade da CNseg e moderadora do painel, destacou que “o governo brasileiro vive com um orçamento muito apertado e qualquer evento climático tem um impacto orçamentário muito forte”. Ela reforçou que a falta de uma proteção securitária adequada aumenta os efeitos sobre os mais vulneráveis, tornando indispensável o investimento em ferramentas que permitam medir e precificar riscos de forma mais eficaz.

Maria Netto, diretora executiva do Instituto Clima e Sociedade (ICS), acrescentou que “dados são importantes, não só dados, mas também metodologias, formas e modelos em que possamos entender melhor essa informação, para precificar os riscos e decidir onde investir para reduzir impactos futuros”. Segundo ela, o hub permitirá integrar cenários climáticos nas decisões de bancos, investidores e governos, aumentando a resiliência de projetos de infraestrutura e financiamentos.

Transformando dados em ação

Lincoln Muniz Alves, coordenador-Geral do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), ressaltou que “nada dessas informações vai ser eficiente se não trabalharmos no território para aumentar a resiliência”. Ele destacou que a ciência ainda não permite prever com exatidão eventos climáticos em locais específicos, mas que a integração de dados científicos em uma ferramenta acessível pode trazer clareza para gestores públicos e privados, orientando decisões mais eficazes frente aos riscos climáticos.

Uma ferramenta que conecta ciência, tecnologia e seguro

O hub, conforme Teixeira, combina tecnologias de inteligência artificial, Big Data e Data Science para simplificar informações complexas, tornando-as “palatáveis” e acionáveis para decisores. O projeto está dividido em duas frentes: riscos climáticos, com foco inicial em inundações urbanas e rurais, e análise socioambiental, que cruza dados de 18 fontes diferentes, incluindo áreas de desmatamento, presença de comunidades indígenas e registros de trabalho escravo.

Segundo o professor, “a ideia é que a pessoa entre com um endereço ou coordenada e receba um número indicando o risco, junto com a explicação do cálculo. Isso ajuda seguradoras e gestores a tomar decisões mais informadas”.

Um passo decisivo para a transição climática

O hub representa um avanço no uso de dados para melhorar a precificação de riscos e apoiar uma transição climática justa no Brasil. Como destacou Claudia Prates, uma proteção securitária eficiente é essencial para reduzir impactos econômicos e sociais, especialmente sobre os mais vulneráveis. Com o hub, o setor de seguros poderá não apenas reagir a desastres climáticos, mas também contribuir ativamente para a prevenção e resiliência.

AXA no Brasil celebra 10 anos com nova campanha estrelada por Alisson Becker

Screenshot

A AXA no Brasil lança a campanha “Juntos a cada passo da sua proteção” e apresenta um convidado especial: o goleiro Alisson Becker, que atua pelo Liverpool e pela Seleção Brasileira. A iniciativa marca a celebração dos 10 anos da seguradora no país e aprofunda os valores de confiança, proteção e parceria que a companhia compartilha com seus clientes, corretores e colaboradores.

Alisson, atleta multicampeão, foi escolhido para simbolizar a caminhada de longa data da AXA com o Liverpool. Como Parceira Oficial Global de Treinamento do clube, a AXA reforça valores que também compartilha com seus parceiros: preparação, estratégia e comprometimento. Na posição de goleiro, Alisson representa a última linha de defesa — aquele que protege o que realmente importa nos momentos decisivos

“Desde que chegamos ao Brasil, nosso compromisso é caminhar ao lado de quem confia na gente. Alisson representa essa jornada: alguém que inspira confiança, age com responsabilidade e nunca perde de vista o objetivo final”, comenta Danielle Fagaraz, diretora de Marketing da AXA no Brasil.

A campanha “Juntos a cada passo da sua proteção” é focada no digital e traz uma série de vídeos com o goleiro, que ampliam e aprofundam o conceito dos 10 anos da seguradora. “Cada conteúdo reforça pilares como proteção, cuidado e planejamento, conectando emoção à estratégia e esporte. Trazemos o rosto de um atleta reconhecido mundialmente e multicampeão para personificar essa caminhada de sucesso”, complementa Danielle.

O material será veiculado nas redes externas da AXA, nos canais internos da empresa, além de ações em eventos com corretores.

Com esta nova campanha, a AXA reafirma seu posicionamento como parceira estratégica e de longo prazo no mercado brasileiro.

E-book pioneiro sobre inovação dos corretores de seguros segue atual e disponível para leitura

Screenshot

Por Denise Bueno

A Travelers, tradicional seguradora norte-americana que já teve presença no Brasil e hoje atua como acionista minoritária da insurtech Junto Seguros, deixou um legado importante no mercado nacional: a produção de um e-book “Conexão e Inovação em Seguros”. Apesar de lançado em 2017, continua extremamente atual em tendências, mas carece uma nova edição para contar as novidades das transformações deste enorme e importante canal de distribuição do setor de seguros? Borá gente! Se tiver patrocinador, eu tenho garra aqui para fazer um estudo prá lá de bacana.

O material, produzido em parceria com consultores de riscos do setor, aborda tendências que moldaram — e ainda moldam — a transformação da indústria de seguros, como a digitalização de processos, o uso de dados para subscrição, a necessidade de novos modelos de distribuição e a evolução da experiência do cliente.

Na época de seu lançamento, o conteúdo representou um olhar à frente do tempo. Hoje, em um ambiente ainda mais dinâmico, marcado pelo avanço da inteligência artificial e pelo fortalecimento das insurtechs, o e-book mantém relevância e oferece insights valiosos tanto para executivos do setor quanto para corretores e profissionais interessados no futuro dos seguros.

📖 O e-book completo pode ser acessado neste link: clique aqui para ler.