Seguradoras ampliam lucro em 16% no 1º semestre de 2025, para R$ 16,5 bilhões

Setor melhora eficiência e eleva ROE de 25% para 28%

por Denise Bueno

O setor de seguros manteve trajetória de crescimento no primeiro semestre de 2025, registrando lucro líquido consolidado de R$ 16,5 bilhões, alta de 16% em relação ao mesmo período de 2024, quando o resultado havia sido de R$ 14,2 bilhões, segundo levantamento da Siscorp com base em dados da Susep, que excluem saúde. A expansão reflete, sobretudo, ganhos de escala dos grandes conglomerados financeiros, melhora dos índices técnicos e um ambiente de menor volatilidade em algumas carteiras de risco.

Na liderança do ranking, houve troca de posições entre os dois maiores grupos do mercado. O Banco do Brasil assumiu a dianteira com R$ 3,2 bilhões de lucro até junho, avanço de 26% sobre 2024. O Bradesco, que havia liderado no ano anterior, caiu para a segunda posição, com R$ 2,4 bilhões, queda de 12%. Embora a metodologia da Siscorp considere apenas as operações supervisionadas pela Susep, é importante destacar que, no consolidado geral do setor, incluindo a área de saúde, fiscalizada pela ANS, o grupo Bradesco Seguros mantém a liderança. A companhia registrou um lucro líquido de R$ 4,737 bilhões no primeiro semestre de 2025, alta de 14,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo balanço divulgado em 30 de julho.

A Caixa Econômica Federal manteve a terceira colocação, com R$ 2,05 bilhões (+23%), seguida por Itaú Unibanco (R$ 1,26 bilhão, +18%). Entre os grupos estrangeiros, destaque para a SulAmérica, que subiu do oitavo lugar em 2024 para a quinta posição, com lucro de R$ 852 milhões – crescimento expressivo de 74%.

O ranking também mostrou movimentações importantes. A Porto Seguro e a Tokio Marine mantiveram posições de destaque na disputa pela sexta colocação. A Porto alcançou R$ 832 milhões de lucro no semestre, enquanto a Tokio registrou R$ 792 milhões. Como o avanço de SulAmérica, Porto, Tokio, a Prudential, que havia ocupado a quinta posição em 2024, com R$ 792 milhões, caiu para a oitava em 2025, com lucro de R$ 757 milhões, retração de 4%.

Outro destaque foi o desempenho do Zurich, que praticamente dobrou seu lucro, saindo de R$ 347 milhões em 2024 para R$ 520 milhões em 2025, subindo uma posição no ranking. Já a Seguros Unimed apresentou avanço expressivo, passando do 14º para o 12º lugar, com R$ 385 milhões (+96%), e a Icatu também melhorou sua colocação, alcançando o 13º posto com R$ 340 milhões (+3%).

Na parte inferior da lista, algumas companhias ainda enfrentam desafios. A Starr Seguros, que havia registrado prejuízo em 2024 (-R$ 3,1 milhões), reverteu o resultado e apresentou lucro de R$ 20 milhões em 2025. Já a AXA, que havia lucrado R$ 10 milhões no ano anterior, voltou ao vermelho, com prejuízo de R$ 8,5 milhões.

O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) médio das 50 maiores seguradoras passou de 25% em 2024 para 28% em 2025, evidenciando melhora na rentabilidade. Destaque para Banco do Brasil, com ROE de 88%, e para a XP Vida e Previdência, que, embora ainda em posição intermediária, mostrou um dos maiores avanços percentuais, com ROE de 41%.

Analistas apontam que a tendência para o segundo semestre é de continuidade do movimento de expansão, mas em ritmo mais moderado, diante das incertezas macroeconômicas, da concorrência crescente em produtos de vida e previdência e dos impactos regulatórios do novo marco legal dos seguros, que entra em vigor em dezembro. Também influencia no crescimento de arrecadação a tributação do IOF sobre o VGBL.

Segundo a Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), a captação líquida – resultado dos aportes menos os resgates – foi negativa em R$ 3,1 bilhões. O resultado é 170,8% abaixo do registrado em junho de 2024, ou seja, R$ 7,5 bilhões a menos. Os prêmios e contribuições totalizaram R$ 8,2 bilhões, queda de 44,9% frente ao mesmo mês de 2024, ao passo que os resgates subiram 7,6%, com R$ 11,4 bilhões.

O presidente da Fenaprevi, Edson Franco, afirma que a cobrança de IOF no VGBL interrompeu o fluxo de novas contribuições, em razão da instabilidade regulatória e da insegurança gerada por decretos sucessivos e suas repercussões no Legislativo e no Judiciário, o que trouxe grandes desafios operacionais para as empresas do setor.

“A Fenaprevi segue convicta de que o IOF no VGBL deveria ser revogado e o produto incentivado por ser o instrumento de proteção previdenciária mais inclusivo do mercado ao atender a todas as modalidades de emprego, principalmente considerando o contexto demográfico, de envelhecimento da população, as novas relações do mercado de trabalho e os desafios do sistema de previdência pública”, pontua Franco.  Vale lembrar que o setor administra R$ 1,7 trilhão em ativos, fruto do esforço contínuo das mais de 11 milhões de pessoas que buscam a proteção de longo prazo.

A CNseg, confederação das seguradoras, ainda não divulgou uma nova projeção do crescimento do setor para 2025. Antes da tributação do VGBL, que é a maior carteira de arrecadação do setor (sem considerar saúde), a expectativa era de avanço de 10% para o ano, impulsionado por um cenário económico com inflação sob controlo e avanços no varejo e na indústria. Entre as prioridades da CNseg estão a preparação para o novo Marco Legal dos Seguros, o acompanhamento da regulamentação da reforma tributária e iniciativas para a agenda climática, como o Seguro Social de Catástrofe e a participação na COP30 em Belém. 

De qualquer forma, o resultado geral do setor mostra a solidez e a capacidade de adaptação das seguradoras brasileiras a pressão regulatória e macroeconômica do país, mas também revela concentração crescente nos grandes grupos financeiros, que detêm as maiores fatias de lucro do setor, segundo análise do relatório da Siscorp. “Se comparado com o volume de vendas, a curva do lucro está em outra direção, sinalizando melhoria nos processos e aumento de preço para garantir a margem”, comenta Dawson Henriques, sócio diretor da Siscorp.

O levantamento também evidencia uma diferença estrutural entre bancos e seguradoras independentes. Enquanto os conglomerados financeiros — caso de Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Caixa — concentram os maiores volumes absolutos de lucro e apresentam retornos robustos, sustentados pela diversificação em previdência e canais bancários de distribuição, grupos independentes como SulAmérica, Porto Seguro, Tokio Marine e Prudential vêm ganhando terreno pela eficiência operacional e capacidade de adaptação a novos nichos. Essa dinâmica reforça a concentração do mercado, mas também revela espaço para estratégias diferenciadas de crescimento fora do eixo bancário.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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