Executivos debatem sustentabilidade com professores de Cambridge em seminário no Rio

cnseg rossi cambridgeMatéria extraída do portal da CNseg (www.cnseg.org.br)

Sustentabilidade é o tema do seminário Liderança em Sustentabilidade do Setor de Seguros Brasileiro, ministrado pela Universidade de Cambridge em parceira com a CNseg, que acontece neste 8 e 9 de julho, no Hotel Windsor Atlântica, em Copacabana, na Zona Sul do Rio. Na abertura, o diretor de Programas Abertos do Programa de Liderança em Sustentabilidade de Cambridge (CPSL, sigla em inglês), Aris Vrettos, agradeceu aos anfitriões do evento e apresentou o cronograma do curso. O professor lembrou os 802 anos de trajetória inovadora da universidade, que a credencia para falar sobre assuntos contemporâneos, como a sustentabilidade.

Aris Vrettos apresentou ainda alguns dados de uma pesquisa feita com executivos do mercado de seguro brasileiros, mostrando que a maioria deles associa sustentabilidade a bem-estar. O pesquisador destacou ainda os dados que mostram os executivos brasileiros passaram recentemente – nos últimos 12 meses – a considerar o assunto como uma prioridade. “O trabalho CNseg no último ano, certamente, contribuiu para isso”, avaliou Vrettos.
Na seqüência, os professores Richard Burrett, Bárbara Oliveira e Swenja Surminski fizeram uma rápida apresentação sobre suas experiências no mercado e sua relação com o assunto do curso.

O presidente da CNseg, Marco Antonio Rossi, deu as boas-vindas aos presentes e destacou a relevância do tema para o mercado de seguros. “Fiquei muito feliz em saber que esse é o primeiro evento da universidade no país e isso mostra a liderança e inovação da nossa área”, ressaltou. Rossi lembrou que o país passa por um momento de transformação e o setor deve estar preparado para isso.

Entre os números citados pelo pesquisador está o preocupante nível de água potável no mundo, atualmente em 2,5% do total, e o aumento do consumo de alimentos. “Entre 30 e 80% da população mundial está obesa. “Tenho dados publicados pela BBC que mostram que quase metade da população brasileira está com sobrepeso”, citou Burrett. O professor também falou sobre o aquecimento global, lembrando um pico de calor no verão de 2003, quando dezenas de milhares de pessoas morreram na Europa, e os asfaltos derreteram em função das altas temperaturas. “Em 2040 ou 2050, será assim todos os dias. Precisamos estar preparados para isso”, alertou o especialista. Burret finalizou a primeira parte do curso citando uma frase do ex-CEO do Walmart, Lee Scott – “Sustentabilidade é a grande oportunidade de negócios do século 21” – e abriu para o debate entre os executivos presentes, que discutiram o cenário atual

O presidente da Chubb do Brasil Cia. de Seguros, Acacio Rosa de Queiroz Filho, foi o primeiro a se manifestar, destacando sua preocupação com o mundo atual: “A mudança climática já é uma realidade. Se aumentar 20cm de água no Rio de Janeiro, inunda toda a Baixada Fluminense”.

O presidente da FenaPrevi, Osvaldo do Nascimento, argumentou que o crescimento do mercado interno brasileiro afasta o país do conceito de mundo sustentável. “Sustentabilidade exige macropolíticas para que as micropolíticas possam acontecer. Quanto mais uma nação evolui em relação às questões sociais, mais se afasta da sustentabilidade. Isso devido à noção de bem-estar que é vendida à sociedade, que é focada no consumo”, lembrou o executivo.

A superintendente Corporativa da SulAmérica Seguros, Adriana Boscov, cobrou vontade política para modificar o cenário atual: “Riscos para alguns são oportunidades para outros. Falta vontade política para fazer diferente”. Richard Burret pontuou, lembrando que o assunto não se esgota e exige grande reflexão. “Grandes idéias não são questões fáceis. Qual a população ótima para o planeta? Depende do modelo de economia”, afirmou.

A primeira palestra da noite abordando os temas específicos do curso foi de Richard Burrett, membro sênior do Programa de Liderança em Sustentabilidade da Universidade de Cambridge. O executivo abriu o curso ressaltando a dificuldade de fazer previsões no mundo atual e apresentou dados alarmantes sobre poluição, desmatamento, emissão de carbono e escassez de alimentos no mundo.

cnseg Edward_Lange_pqO CEO da Allianz Seguros, Edward Lange, abriu o segundo dia do seminário ministrado pela Universidade de Cambridge aos diretores da CNseg. Sua palestra é mediada pelo diretor de Programas Abertos, do Programa de Liderança em Sustentabilidade da Universidade de Cambridge, Aris Vrettos. O encontro de dois dias ocorre no Rio de Janeiro e encerra-se nesta terça-feira. O executivo apresentou os números da empresa, líder mundial em sustentabilidade do setor, e convidou os executivos brasileiros a caminharem na direção de uma gestão verde. “Está claro que algo precisa ser feito e, como líderes do nosso setor, devemos estar à frente desse processo. É preciso definir aonde se quer chegar e motivar todos dentro da empresa para poder passar à ação”, afirmou Lange.

O presidente da Allianz Seguros listou algumas ações sustentáveis, realizadas por sua empresa, como o esforço para neutralização da emissão de carbono. “Em 2006, definimos a meta para 2015 de reduzir 35% da emissão de CO2 e chegamos lá em 2012, três anos antes do previsto. 40% de todo o papel que utilizamos já é reciclado e 44% da nossa energia consumida já vem de fontes renováveis”, explicou o executivo.

Lange destacou ainda o investimento da empresa em microsseguros, algo essencial para a sustentabilidade, na sua opinião. “Há pesquisas que mostram que, após um desastre ambiental, os países que têm maior penetração de seguros recuperam com mais facilidade o PIB”, justificou, complementando que esse apoio à prevenção de riscos contribuiu para a estabilidade econômica. “É claro que a nossa margem de lucros nesses produtos também é ‘micro’, mas há muitos benefícios indiretos, como o ganho de reputação, de marca, e futuramente, uma sociedade mais bem preparada”, justificou.

Questionado pelos executivos brasileiros sobre o que motivou sua empresa a investir em sustentabilidade, o presidente da Allianz explicou que a companhia pensa a longo prazo. “Queremos produzir valor aos nossos acionistas nas próximas décadas e não apenas nos próximos anos”, disse ele, destacando que 40% dos sinistros pagos por sua empresa hoje devem-se a desastres ambientais: “Se nada for feito, nosso negócio fica inviável”.

O terceiro painel do seminário Liderança em Sustentabilidade do Setor de Seguros Brasileiro foi comandado pelo membro sênior do programa de Cambridge, Richard Burrett. O acadêmico avançou no debate proposto na noite anterior, quando falou dos desafios do mundo moderno no âmbito do meio ambiente, e conclamou os líderes das empresas participantes a assumirem a liderança no processo de mudança. “Podemos até dar passos curtos, mas nossas metas precisam ser ambiciosas. O desafio da sustentabilidade não é fácil, e precisamos começar a mudar de forma efetiva imediatamente”, propôs.

O executivo destacou que esse processo precisa de liderança, e para isso, é preciso visão. “A liderança vem de quem assume riscos. O tamanho disso vai depender do nosso nível de ambição. Mas será preciso assumir algum risco e levar essa visão às organizações e à sociedade”, defendeu.

Entre os caminhos para chegar à liderança, Richard Burrett listou a inovação, o pensar lateralmente para lidar com a escassez de recursos, novas abordagens, parcerias e metas e diretrizes audaciosas. “O motor da próxima economia tem valores sustentáveis e geram valores sustentáveis”, lembrou.

A palestra foi seguida pela realização de grupos de discussão entre os executivos do setor de seguros nacional. No encerramento do Seminário, executivos de várias empresas e associações do país foram convidados a se dividir em grupos e debater novas políticas e práticas para a área. Representado pelo presidente para América Latina da Zurich Seguros, Antônio Cássio dos Santos, o primeiro grupo concluiu que depois de conhecer as consequências da omissão na áreas de sustentabilidade fica muito difícil deixar de agir. “Nossa missão agora é decidir o grau de envolvimento que vamos assumir e os passos a serem dados”, justificou.

O grupo representado pela superintendente de Sustentabilidade da SulAméricas, Adriana Boscovi, analisou que as seguradoras podem – e devem – agir tanto como atores quanto indutores de mudanças. “Além de atuar na identificação dos riscos ambientais e sociais, as empresas podem ajudar a difundir essas informações, contribuindo para a educação dos agentes envolvidos e a prevenção dos riscos”, analisou.

Representado pelo superintendente da Central de Serviços da CNseg, Julio Avellar, o terceiro listou algumas recomendações básicas na área de sustentabilidade, como o mapeamento dos riscos ambientais. “Não fazer nada parece um atraso no momento atual. Precisamos de um ação conjunta desse mapeamento, em colaboração com os governos e as universidades”, sugeriu.

A segunda proposta do grupo foi induzir um comportamento positivo na sociedade. “Precisamos deixar de lado nosso caráter de meros pagadores de indenizações para promover a prevenção e induzir comportamentos mais sustentáveis, influenciando em toda a cadeia envolvida”, completou. Como terceiro ponto, o grupo sugeriu a adoção de uma política de riscos diferenciada, como já acontece no setor de automóveis. “No futuro, poderemos usar isso em favor da sustentabilidade”, disse.

Encerrando o segundo dia do seminário, a diretora executiva da CNseg, Solange Beatriz Mendes, destacou que a maioria das seguradoras do país já está de alguma forma engajada no tema da sustentabilidade, mas que o país ainda enfrenta alguns desafios econômicos e sociais, que precisam ser superados. “Nosso dever como brasileiros é enorme, e esse projeto é de sustentabilidade. Mas como seguradoras, temos feito um bom trabalho e estamos comprometidos com o desenvolvimento do país. Nosso compromisso agora é manter esse desenvolvimento setorial vis-àvis, ao do país e vis-à-vis ao da sustentabilidade”, disse completando estar confiante de que as metas e princípios serão definidas a curto prazo.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Ouça nosso podcast

ARTIGOS RELACIONADOS