O setor supervisionado pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) registrou receitas de R$ 315,21 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, crescimento nominal de 0,68% em relação aos R$ 313,08 bilhões arrecadados no mesmo período do ano passado. Descontada a inflação, porém, houve queda de 3,54%. Os dados, divulgados no Boletim Susep de setembro, mostram desempenhos distintos entre os segmentos: enquanto os seguros de danos e pessoas continuam crescendo, os produtos de acumulação e capitalização registram retração.
Os seguros de danos e pessoas, excluindo o VGBL, arrecadaram R$ 174,13 bilhões nos nove primeiros meses do ano, avanço nominal de 5,65% e real de 1,23%. O resultado foi sustentado principalmente pelos seguros de pessoas, que cresceram 8,3%, enquanto os seguros de danos tiveram expansão nominal de 4,22%, insuficiente para superar a inflação.
O volume de indenizações, resgates, benefícios e sorteios pagos pelo setor alcançou R$ 195,65 bilhões até setembro, redução nominal de 1,48% na comparação anual. Desse total, R$ 62,12 bilhões corresponderam às indenizações dos seguros de danos e pessoas, com aumento nominal de 4,28%. Em setembro, isoladamente, as receitas do setor somaram R$ 33,94 bilhões, crescimento de 2,29% em relação ao mesmo mês de 2025.
Seguros de pessoas crescem acima da média
Os seguros de pessoas movimentaram R$ 62,34 bilhões entre janeiro e setembro, crescimento nominal de 8,30% e real de 3,80%. O seguro de vida manteve a liderança, com R$ 30,39 bilhões em prêmios, alta nominal de 7,56% e real de 3,08%. O produto respondeu por 48,7% de toda a arrecadação do segmento.
O seguro prestamista, contratado para garantir o pagamento de dívidas em determinadas situações previstas na apólice, apresentou crescimento superior ao do seguro de vida. A modalidade arrecadou R$ 18,54 bilhões, avanço nominal de 13,87% e real de 9,15%. Já os seguros de acidentes pessoais registraram queda nominal de 2,87%, com arrecadação de R$ 7 bilhões. O seguro viagem movimentou R$ 800 milhões, crescimento de 6,57%.
Seguro auto cresce, mas rural e transporte recuam
Nos seguros de danos, a arrecadação atingiu R$ 111,79 bilhões até setembro, alta nominal de 4,22% e queda real de 0,15%. O seguro automóvel continuou como a principal carteira do segmento, com R$ 47,99 bilhões em prêmios, crescimento nominal de 6,29% e real de 1,83%. A modalidade representou 42,9% das receitas dos seguros de danos.
Os seguros compreensivos, que incluem as coberturas residencial, empresarial e condominial, arrecadaram R$ 9,90 bilhões, aumento nominal de 5,91%. O seguro rural apresentou resultado negativo. A arrecadação caiu 8,70%, para R$ 9,04 bilhões. Considerada a inflação, a retração chegou a 12,48%. O desempenho ocorre em um momento de discussões sobre a ampliação da proteção securitária do agronegócio e os mecanismos de financiamento dos riscos climáticos.
Também houve redução nos seguros de transporte, que movimentaram R$ 4,68 bilhões, queda nominal de 3,23%, e nos seguros de riscos especiais de energia, cuja arrecadação recuou 25,34%, para R$ 1,09 bilhão. Em contrapartida, algumas carteiras apresentaram crescimento superior à média. Os seguros financeiros arrecadaram R$ 7,32 bilhões, alta de 18,28%. O seguro habitacional cresceu 11,77%, para R$ 6,63 bilhões, enquanto a fiança locatícia registrou expansão de 27,57%, alcançando R$ 1,90 bilhão.
Previdência e VGBL continuam pressionando o resultado
Os produtos de acumulação, que incluem VGBL, PGBL e previdência tradicional, arrecadaram R$ 117,40 bilhões nos nove primeiros meses de 2026, redução nominal de 4,16% e real de 8,19%. O VGBL, principal produto do segmento, registrou contribuições de R$ 105,36 bilhões, queda nominal de 5,51% e real de 9,50%. O volume ficou abaixo dos R$ 111,50 bilhões registrados no mesmo período de 2025 e distante dos R$ 135,94 bilhões contabilizados até setembro de 2024.
O PGBL apresentou comportamento diferente, com crescimento nominal de 12,53%, alcançando R$ 9,85 bilhões em contribuições. Já a previdência tradicional arrecadou R$ 2,19 bilhões, queda de 1,96%. Apesar da retração nas receitas, o segmento de acumulação encerrou setembro com captação líquida positiva de R$ 5,18 bilhões. O resultado corresponde à diferença entre R$ 117,40 bilhões em contribuições e R$ 112,22 bilhões em resgates e benefícios. No VGBL, a captação líquida foi positiva em R$ 8,69 bilhões, enquanto PGBL e previdência tradicional registraram saldos negativos de R$ 1,60 bilhão e R$ 1,91 bilhão, respectivamente.
Capitalização também registra queda
O mercado de títulos de capitalização arrecadou R$ 23,68 bilhões até setembro, redução nominal de aproximadamente 8% em relação ao mesmo período de 2025. A modalidade tradicional concentrou a maior parcela das receitas, com R$ 16,61 bilhões, mas apresentou retração nominal de 10,45%. Os títulos de filantropia premiável tiveram crescimento de 14,05%, alcançando R$ 3,29 bilhões. Os resgates e sorteios de títulos de capitalização somaram R$ 21,31 bilhões nos nove primeiros meses do ano.
Provisões técnicas superam R$ 2,2 trilhões
Embora as receitas totais tenham registrado queda em termos reais, o estoque de provisões técnicas do setor continuou crescendo. Em setembro, alcançou R$ 2,24 trilhões, aumento nominal de 12,17% e real de 7,44% em relação ao mesmo mês de 2025. As provisões representam os recursos contabilizados pelas empresas supervisionadas para fazer frente aos compromissos assumidos com segurados e participantes de planos de previdência e capitalização.
Do total, R$ 1,93 trilhão estava concentrado nos produtos de acumulação, R$ 266,61 bilhões nos seguros e R$ 44,65 bilhões na capitalização. O estoque de provisões equivalia a 16,73% do Produto Interno Bruto (PIB) acumulado em 12 meses, segundo a Susep. Em setembro de 2022, essa proporção era de aproximadamente 14,3%.
Resseguro recebe R$ 22,23 bilhões em prêmios
As seguradoras cederam R$ 22,23 bilhões em prêmios ao mercado de resseguros entre janeiro e setembro, montante equivalente a 12,77% dos prêmios emitidos nos seguros de danos e pessoas, excluindo o VGBL. As resseguradoras locais receberam R$ 11,73 bilhões, enquanto as admitidas ficaram com R$ 5,02 bilhões e as eventuais com R$ 5,49 bilhões. O levantamento também mostra que as resseguradoras locais registraram R$ 1,25 bilhão em aceitação de riscos provenientes do exterior até agosto, último mês disponível para esse indicador.
Participação das receitas no PIB recua
O boletim mostra ainda que as receitas dos segmentos supervisionados pela Susep, acumuladas em 12 meses, corresponderam a 3,1% do PIB em setembro de 2026. O percentual era de 3,4% em setembro de 2025 e de 3,7% no mesmo mês de 2024.
A redução está associada principalmente à menor participação dos produtos de acumulação, cuja relação entre receitas e PIB caiu de 1,66% em setembro de 2024 para 1,14% em setembro de 2026. Já os seguros de danos e pessoas mantiveram participação de 1,74% do PIB, enquanto a capitalização respondeu por 0,24%.
Os números mostram que o crescimento das carteiras tradicionais de seguros tem sido insuficiente para compensar a retração dos produtos de acumulação e capitalização na receita total do mercado supervisionado.



























