O Brasil chega à COP31, que começa na segunda-feira, 9 de novembro, em Antália, na Turquia, com o desafio de transformar seu potencial ambiental e energético em oportunidades de desenvolvimento econômico. A presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deverá participar da cúpula de líderes nos dias 11 e 12, reforça o papel brasileiro nas negociações internacionais sobre o clima, após o país sediar a COP30, em Belém. O setor de seguros estará presente, com propostas para reduzir riscos, proteger investimentos e contribuir para a execução de projetos de infraestrutura e adaptação climática.
Na quinta-feira, 5, durante a primeira reunião do Conselho de Minerais Críticos, Lula destacou que a atração de capital depende de estabilidade econômica, responsabilidade fiscal e segurança jurídica. Embora o discurso tenha sido dirigido aos investimentos no setor mineral, a mensagem também se aplica aos empreendimentos de infraestrutura e transição energética que o Brasil pretende desenvolver.
“Precisamos saber que, para a gente atrair, a gente vai ter que ter uma economia arrumada. Ninguém vai querer vir fazer investimento em uma economia totalmente desordenada. As pessoas querem saber se nós estamos falando sério”, afirmou o presidente. Lula também ressaltou que os investidores precisam encontrar condições para obter retorno financeiro. “É por isso que temos que ter responsabilidade jurídica, é por isso que temos que ter responsabilidade fiscal e é por isso que a gente não pode brincar de fazer parcerias”, declarou.
O discurso aproxima duas questões que estarão presentes na COP31: a mobilização de recursos privados para a transição climática e a necessidade de criar condições para que esses recursos cheguem aos projetos. “Nesse processo, o seguro tem um papel que vai além da indenização de perdas. O setor atua com proteção para obras, operações, responsabilidades e riscos associados aos empreendimentos e por isso contribui para reduzir incertezas e melhorar as condições de financiamento de tantos projetos de infraestrutura previstos para os próximos anos”, comentou o presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), Dyogo Oliveira, que participará dos debates ao longo da conferência.
O Brasil reúne vantagens nessa trajetória, como a disponibilidade de recursos naturais, uma matriz elétrica com elevada participação de fontes renováveis e capacidade empresarial em diferentes segmentos. Aproveitar esse potencial, porém, exige investimentos em logística, transportes, energia, saneamento e infraestrutura urbana, além de regras previsíveis e mecanismos de proteção para investidores e financiadores.
É nesse contexto que a CNseg participa da COP31, com uma programação de 13 painéis e mesas-redondas entre 9 e 15 de novembro. Três encontros serão organizados diretamente pela entidade e dez em parceria com instituições brasileiras e internacionais. A agenda reúne discussões sobre produção agrícola, cidades resilientes, transportes, gestão de riscos e instrumentos financeiros voltados à adaptação.
Seguro como instrumento para viabilizar investimentos
A redução dos riscos de investimento será tema de um painel organizado pela CNseg na terça-feira, 10, sob o título De-risking Investment to Insure Climate Action. O encontro abordará a contribuição dos mecanismos de proteção financeira para projetos relacionados à ação climática. Na mesma data, a confederação participará, em parceria com o Instituto Clima e Sociedade (iCS), de um debate sobre infraestrutura adaptada às mudanças do clima e construção de cidades resilientes.
O tema voltará à programação na quinta-feira, 12, em um painel dedicado à infraestrutura de transportes, proteção de ativos e expansão dos investimentos. A discussão está relacionada às necessidades brasileiras de ampliar e modernizar rodovias, ferrovias e outros sistemas logísticos diante da maior exposição a eventos climáticos extremos. Nessas operações, as seguradoras oferecem coberturas de riscos de engenharia, garantias contratuais, responsabilidade civil e proteção patrimonial, entre outras modalidades. Essas soluções ajudam a distribuir responsabilidades entre investidores, concessionárias, financiadores e poder público, contribuindo para a estruturação financeira dos empreendimentos.
Outro assunto será o blended finance, mecanismo que combina recursos públicos, privados e concessionais para financiar iniciativas que enfrentam dificuldades de acesso ao capital. O tema será discutido em 12 de novembro, em mesa-redonda organizada pela CNseg, Anbima, Febraban, UNEP FI e World Climate Foundation. “Para o Brasil, o desafio não se limita à captação de recursos internacionais, mas inclui a capacidade de estruturar projetos, estabelecer matrizes de riscos adequadas e oferecer condições para que o capital privado participe de empreendimentos de longo prazo”, acrescenta Oliveira.
Cláudia Prates, diretora de Sustentabilidade da CNseg, destaca que o setor segurador também pode contribuir para tornar os empreendimentos mais preparados para os impactos das mudanças climáticas. “Estamos na COP31 para mostra que o setor segurador é um setor importante para a transição climática, que finanças sustentáveis tem o setor segurador como um dos pilares para a proteção financeira dos projetos já registrando também os riscos a eles dos eventos climáticos, tendo como foco termos projetos mais adaptados e mais resilientes no longo prazo”.
Agronegócio e Casa do Seguro completam a agenda
A presença brasileira do setor na conferência coloca em discussão como aproximar políticas públicas, capital privado e instrumentos de proteção financeira. Para o mercado segurador, a oportunidade será demonstrar sua contribuição para a execução de empreendimentos que o país precisa desenvolver, especialmente em infraestrutura e adaptação climática.
Os debates começam na segunda-feira, 9, com três encontros sobre agronegócio, crédito, adaptação e segurança alimentar. Um dos painéis, organizado pela CNseg, discutirá como o seguro pode proteger a produção agrícola diante de secas, enchentes e outros eventos extremos. A programação terá ainda a participação do Pacto Global, Anbima, Febraban e SB COP.
A agenda inclui a Casa do Seguro, iniciativa inspirada na experiência brasileira e organizada em Antália pela Associação de Seguradoras da Turquia (TSB). O espaço reunirá representantes de seguradoras, investidores, governos e organismos internacionais para discutir proteção financeira e resiliência climática, dando continuidade às discussões iniciadas na COP30, em Belém.
Na sexta-feira, 13, a programação da CNseg terá painéis sobre soluções baseadas na natureza, inteligência de dados e gestão de riscos, além de financiamento da ação climática. No domingo, 15, o setor participará do World Climate Summit, com uma discussão sobre seguro, crédito e adaptação agrícola.



























