Talanx tem lucro recorde de € 1,5 bilhão e eleva projeção para 2026

Controlador da HDI registra alta de 9% no lucro do primeiro semestre; Brasil contribui para avanço do resultado da divisão internacional, cujo EBIT cresceu 17%

O grupo alemão Talanx, controlador da HDI, registrou lucro líquido recorde de € 1,5 bilhão no primeiro semestre de 2026, alta de 9% sobre os € 1,37 bilhão do mesmo período do ano passado. Diante do desempenho, o grupo revisou para cima sua projeção para o ano e agora espera lucro líquido “significativamente superior” a € 2,7 bilhões. A receita de seguros ficou em € 24,3 bilhões, com crescimento de 3% desconsiderando os efeitos cambiais, enquanto o resultado operacional (EBIT) avançou 11%, para € 3,2 bilhões.

“Depois dos primeiros seis meses de 2026, estou particularmente satisfeito por termos alcançado não apenas um lucro líquido recorde para o grupo, mas também resultados recordes em todas as divisões. É mais uma prova de que nossa estratégia de diversificação e liderança em custos está dando resultado”, afirmou Torsten Leue, presidente do Conselho de Administração da Talanx. Segundo o executivo, o desempenho operacional e as perdas de grandes riscos quase € 500 milhões abaixo do orçamento reforçaram a confiança para elevar a previsão anual.

O resultado técnico também melhorou. O índice combinado recuou de 90,7% para 88,7%, enquanto o resultado dos serviços de seguros cresceu 15%, para € 2,9 bilhões. As perdas de grande porte somaram € 942 milhões, abaixo dos € 1,13 bilhão registrados um ano antes e do orçamento de € 1,42 bilhão previsto para o período. Entre os principais eventos estiveram a tempestade de inverno Fern nos Estados Unidos e Canadá, com impacto de € 132 milhões, tempestades na Península Ibérica e Marrocos, com € 127 milhões, e o terremoto na Venezuela, com € 75 milhões. O grupo também constituiu € 200 milhões em reservas para potenciais perdas relacionadas à guerra no Irã.

Brasil contribui para avanço internacional

O Brasil aparece entre os mercados que contribuíram diretamente para o crescimento do resultado técnico da divisão de Varejo Internacional, ao lado de Polônia e México. A receita da divisão avançou 10%, desconsiderando efeitos cambiais, para € 5,1 bilhões. O resultado dos serviços de seguros aumentou para € 509 milhões, ante € 478 milhões, impulsionado principalmente pelo maior volume de negócios na Polônia, Brasil e México.

O desempenho mostra a relevância crescente das operações internacionais do grupo, que no Brasil reúne as marcas HDI, Yelum e Aliro. O EBIT da divisão de Varejo Internacional cresceu 17%, para € 616 milhões, enquanto sua contribuição para o lucro líquido do grupo avançou 16%, alcançando € 387 milhões. O índice combinado ficou em 91,2%, ante 90,8% no primeiro semestre de 2025.

Na divisão Corporate & Specialty, o lucro líquido avançou 7%, para € 292 milhões, apesar da maior cautela na subscrição de novos negócios. O índice combinado melhorou para 90,7%, enquanto as perdas de grande porte ficaram em € 92 milhões, bem abaixo do orçamento previsto.

Já a divisão de Resseguros, que inclui a Hannover Re, contribuiu com € 709 milhões para o lucro líquido, crescimento de 7%. O EBIT avançou 10%, para € 1,9 bilhão. Em resseguros de danos, o índice combinado melhorou expressivamente, de 88,4% para 83,2%, mesmo após a constituição de € 200 milhões em reservas relacionadas à guerra no Irã.

Com os resultados do semestre, a Talanx passou a projetar lucro líquido significativamente superior a € 2,7 bilhões em 2026, o que representaria crescimento de dois dígitos no ano. O grupo prevê ainda retorno sobre o patrimônio próximo de 19%, condicionado à ausência de turbulências relevantes nos mercados financeiro e cambial e à manutenção das grandes perdas dentro das expectativas.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Mini bio Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do SindSeg-SP. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 17 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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