Seguros globais alcançam retorno de 15% e superam custo de capital, aponta BCG

Vida e saúde ganham preferência dos investidores, enquanto mercado brasileiro avança no uso de inteligência artificial em fraudes, sinistros e distribuição

O setor global de seguros alcançou retorno total ao acionista (TSR) médio anual de 15% nos últimos cinco anos e, pela primeira vez desde 2017, superou o custo de capital próprio das seguradoras, segundo relatório do Boston Consulting Group (BCG). O levantamento aponta também uma mudança na preferência dos investidores, que começa a favorecer seguradoras de vida e saúde (L&H) e grupos multilinhas, enquanto P&C e resseguros mostram sinais de desaceleração.

“O segmento de P&C apresentou o TSR mais robusto no acumulado de cinco anos, seguido pelo resseguro, mas ambos já mostram sinais de desaceleração. Em contrapartida, as seguradoras de L&H e multilinhas, que historicamente tinham desempenho inferior, inverteram essa lógica e lideraram em 2025, impulsionadas principalmente pelas receitas de investimentos”, afirma Rodrigo Maranhão, Managing Director e Senior Partner do BCG.

Geograficamente, a Europa apresentou o melhor desempenho dos últimos cinco anos, com TSR médio anual de 20,3%. No último ano, porém, a Ásia-Pacífico se aproximou da liderança, com retorno de 35,3%, ante 39,8% das seguradoras europeias.

Brasil avança no uso de IA

No Brasil, o BCG destaca principalmente os avanços no uso da inteligência artificial. Segundo Maranhão, o mercado já apresenta aplicações concretas da tecnologia em prevenção de fraudes, gestão de salvados e distribuição de seguros, com plataformas que fornecem recomendações às equipes comerciais durante o relacionamento com corretores.

“A inteligência artificial, especialmente com a evolução dos agentes de IA, está redefinindo a forma como seguradoras criam valor, elevando produtividade, qualidade das decisões e experiência do cliente ao longo de toda a cadeia”, afirma Maranhão.

Para os próximos anos, o BCG prevê transformações relevantes tanto em P&C quanto em vida e saúde. No primeiro segmento, maior competição e um mercado mais flexível devem ampliar a importância das operações de fusões e aquisições. Em vida e saúde, envelhecimento da população, novos modelos de distribuição e demanda por produtos que combinem proteção e benefícios em vida tendem a sustentar o crescimento.

“Nos próximos anos, as seguradoras que conseguirem escalar essas capacidades estarão mais bem posicionadas para capturar ganhos de eficiência, fortalecer o crescimento e construir vantagens competitivas sustentáveis”, conclui Maranhão.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre seguros, previdência, educação financeira, longevidade e saúde para o blog Sonho Seguro, do qual e fundadora, e para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do SindSeg-SP, entrevistadora em eventos e podcasts, bem como palestrante sobre temas diversos que envolvem o setor de seguros. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 17 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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