Bradsaúde atribui crescimento ao ganho de mercado e aposta em PMEs para ampliar carteira

Com lucro de R$ 1,1 bilhão no segundo trimestre, companhia diz que expansão veio da conquista de clientes, mantém cautela com a sinistralidade e reforça uso de inteligência artificial para combater fraudes e reduzir impactos da judicialização

A Bradsaúde encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 1,1 bilhão, alta de 25% em relação ao mesmo período do ano passado, sustentada por uma estratégia que combina expansão da carteira, foco em pequenas e médias empresas (PMEs) e fortalecimento do ecossistema próprio de saúde.

Durante coletiva de resultados realizada nesta manhã, o CEO da companhia, Carlos Marinelli, afirmou que o crescimento da base de beneficiários reflete principalmente ganho de participação de mercado, e não apenas a expansão do setor de saúde suplementar. “Esse número mostra a qualidade do nosso resultado. É um crescimento de penetração do mercado por ganho de market share”, afirmou.

A companhia encerrou junho com 13,6 milhões de beneficiários, após adicionar 229 mil vidas no segundo trimestre e 423 mil no acumulado do semestre. As receitas totais cresceram 11%, para R$ 13,9 bilhões, enquanto a sinistralidade permaneceu praticamente estável em 83,3%. Segundo Marinelli, a estratégia comercial está concentrada principalmente nas PMEs e na regionalização dos produtos.

Apesar do avanço da companhia, Marinelli ponderou que o potencial de entrada de novos consumidores na saúde suplementar continua condicionado ao desempenho da economia. Segundo ele, o setor permanece há algum tempo com penetração próxima de 25% da população, e uma expansão mais acelerada depende principalmente da evolução da renda e do emprego.

O executivo lembrou que o plano de saúde representa uma despesa mensal e exige capacidade contínua de pagamento, tanto das famílias quanto das empresas, principal mercado de atuação da Bradsaúde. “O potencial de penetração da saúde no país depende de alguns fatores econômicos. Os dois grandes fatores são renda e emprego. Como o plano de saúde exige uma contribuição mensal, a família precisa ter capacidade de se planejar e, no caso das empresas, é necessária uma capacidade contributiva contínua”, afirmou Marinelli.

Na avaliação do CEO, a melhora da qualidade do emprego cria espaço para o avanço do setor. Ainda assim, diante das limitações macroeconômicas, a companhia tem buscado crescer por meio da conquista de clientes das concorrentes, da regionalização dos produtos e de políticas comerciais mais ajustadas às características de cada público.

“Temos trabalhado intensamente para entender os diferentes públicos e levar o produto certo, no lugar certo e no preço certo. Não são apenas os planos nacionais que crescem. Os produtos regionais também vêm ganhando espaço”, disse. O executivo destacou que o segmento de pequenas e médias empresas se tornou um dos principais motores de crescimento da companhia. Pela primeira vez, a carteira nesse mercado ultrapassou 3 milhões de beneficiários, impulsionada tanto pelos planos médico-hospitalares quanto pelos odontológicos.

Outro destaque foi a participação da Atlântica Hospitais no lucro consolidado, que passou de 2% para 6%, após registrar lucro de R$ 64 milhões no trimestre, crescimento superior a 300%. Para Marinelli, o resultado demonstra que a estratégia de integrar planos de saúde, hospitais e clínicas começa a produzir efeitos financeiros.

“O ecossistema começa a mostrar sua força. É exatamente essa a tese que buscamos construir ao investir na Atlântica Hospitais: conectar toda a cadeia de saúde e gerar rentabilidade de forma diversificada”, afirmou.  A capacidade de leitos dos hospitais ligados ao grupo também avançou, impulsionada pela inauguração do Hospital Santa Lúcia Bauru e pelo anúncio de uma nova unidade em São Conrado, no Rio de Janeiro.

Questionados sobre a evolução da sinistralidade no segundo trimestre, 83,8% no trimestre – uma alta anual de 1,7 ponto e de 4,7 pontos no sequencial, os executivos evitaram comemorar antecipadamente a estabilidade observada no semestre, que está em 83,3%, praticamente estável em relação aos 84,3% dos 12 meses anteriores. Marinelli lembrou que a companhia já havia adotado um discurso de cautela após o primeiro trimestre e reiterou que a análise deve considerar um horizonte de 12 meses, em razão da sazonalidade dos custos médicos. “Continuamos olhando esse indicador com cautela. Quando observamos os últimos 12 meses, vemos uma relativa estabilidade, mas saúde é um negócio sujeito a variações de frequência e custo médio, por isso acompanhamos esse comportamento continuamente”, afirmou. 

Judicialização preocupa

Apesar dos resultados positivos, a companhia reconheceu que a judicialização continua sendo um dos principais desafios da saúde suplementar. Segundo Marinelli, decisões judiciais envolvendo procedimentos e tratamentos não previstos originalmente nas coberturas representam custos adicionais para as operadoras, uma vez que ficam fora das premissas utilizadas nos cálculos atuariais.

“Quando surge uma demanda que não faz parte desse cálculo, ela gera um custo que inicialmente não estava previsto. É um tema que nos preocupa e que vem ganhando intensidade”, afirmou. O executivo ressaltou, porém, que o setor vem amadurecendo na forma de lidar com essas demandas e citou maior atuação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e do próprio Judiciário na consolidação de entendimentos sobre cobertura assistencial.

Para enfrentar esse cenário e preservar a sustentabilidade da carteira, a Bradsaúde ampliou o uso de inteligência artificial no monitoramento da utilização dos planos. Segundo Marinelli, as ferramentas analisam o comportamento dos beneficiários e identificam padrões fora do perfil esperado, permitindo detectar indícios de fraude e abuso. “Hoje utilizamos inteligência artificial principalmente na prevenção de fraudes. Com uma carteira de mais de 13 milhões de beneficiários, esse tipo de ferramenta é essencial para identificar comportamentos atípicos e preservar o equilíbrio do sistema”, afirmou. 

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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