O Banco Mundial iniciou os estudos para estruturar a emissão de um catastrophe bond (cat bond) paramétricovoltado à proteção do Nepal contra terremotos. A operação poderá levantar entre US$ 80 milhões e US$ 190 milhões em cobertura totalmente garantida por investidores do mercado de capitais, fortalecendo a capacidade financeira do país para responder a grandes desastres.
O projeto ainda está na fase inicial de análise de viabilidade. O custo estimado é de US$ 20 milhões, valor que contempla os prêmios de transferência de risco e as despesas de estruturação da operação. A proposta prevê a emissão de um título com prazo de três anos, intermediado pelo Banco Mundial.
A cobertura será baseada em um modelo paramétrico, no qual o pagamento é acionado automaticamente a partir de parâmetros físicos previamente definidos, como a magnitude do terremoto e a intensidade do tremor, sem necessidade de apuração das perdas econômicas efetivas. Esse mecanismo permite que os recursos sejam liberados de forma muito mais rápida após o desastre.
Pela proposta em estudo, o Nepal receberia cerca de US$ 80 milhões em caso de um terremoto com recorrência estimada de 20 anos, podendo alcançar US$ 190 milhões em um evento extremo com recorrência de 100 anos.
O Banco Mundial deverá utilizar sua plataforma de emissão de títulos vinculados a risco, o IBRD Capital-at-Risk Notes Program, já empregado em outras operações soberanas. Os recursos seriam fornecidos por investidores especializados em Insurance-Linked Securities (ILS), além de fundos institucionais, seguradoras e resseguradoras.
A iniciativa busca preencher uma lacuna na estratégia de financiamento para desastres do Nepal, oferecendo uma fonte de liquidez imediata para eventos de baixa frequência, mas de impacto catastrófico.
O país está entre os mais expostos a riscos sísmicos do mundo. O terremoto de 2015 provocou perdas equivalentes a aproximadamente um terço do Produto Interno Bruto (PIB) do Nepal, evidenciando a necessidade de instrumentos financeiros capazes de acelerar a recuperação econômica após grandes catástrofes.
Se for concretizada, a operação representará o primeiro cat bond emitido para cobrir riscos no Nepal e uma das poucas emissões voltadas à região do Sul da Ásia. A iniciativa também reforça a expansão do mercado global de títulos de catástrofe, que vem atraindo um número crescente de investidores interessados em diversificar seus portfólios por meio de riscos de desastres naturais.






















